terça-feira, 31 de Julho de 2012

MOÇAMBIQUE - COMPACTO DE NOTÍCIAS




Tuberculose pediátrica ainda esquecida em hospitais de Manica

28 de Julho de 2012, 09:21

André Catueira, da Agência Lusa

Chimoio, 28 jul (Lusa) - Irrequieta, Bruna Manai, 5 anos, insiste em puxar a mão da mãe para as suas costas, depois de ter sido diagnosticada com tuberculose, e logo a seguir distrai-se com o televisor na ala pediátrica do hospital em Manica onde está internada.

"Muitas vezes ela sente algumas fisgadas nas costas e passa muito mal. Sempre pede para amassar as suas costas, se calhar para aliviar as dores", diz a mãe, Silvina Nhararai, que acompanha o internamento da menor.

Bruna pertence ao grupo de 111 crianças diagnosticadas com tuberculose pediátrica nos primeiros seis meses de 2012 em Manica, centro de Moçambique, uma doença milenar, mas quase esquecida nos hospitais, devido à complexa deteção. Entre janeiro e junho de 2011, 56 crianças foram diagnosticados com "bacilo de Koch".

Nas crianças o diagnóstico da TB não é feito através da expetoração, por estarem desprovidas de força para libertar escarros para análise laboratorial.

Os sintomas, febre persistente com suores e calafrios noturnos, perda de apetite, fraqueza, prostração e tosse, variam, chegando, por vezes, confundir a TB com pneumonia, o que atrasa o diagnóstico.

"A TB pediátrica é pouco delicada, porque o diagnóstico, primeiro, precisa de pessoas muito experientes na área da pediatria, pois é feito por Raio X ou usando a inoculação de uma substância na veia da criança, que quando está infetada provoca uma reação", explicou à Lusa Juvenaldo Amos, diretor provincial de Saúde de Manica.

Ainda há distritos de Manica que não chegam a diagnosticar um único caso da doença, remediada com um esquema de antibióticos que devem ser tomados rigorosamente por um semestre. Os medicamentos são distribuídos gratuitamente pelo governo.

Os antibióticos existentes para TB pediátrica são difíceis de determinar, administrar e armazenar. Alguns comprimidos devem ser partidos segundo o peso da criança e os xaropes são desagradáveis. As doses devem ser ajustadas de quando em quando, de acordo com o peso da criança.

"Atualmente temos uma taxa de despiste aceitável (51,3 por cento) compararando com o ano passado que estava abaixo dos 50 por cento. Algumas regiões chegam a 83,9 de taxa de despiste, referiu Juvenaldo Amos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço da população mundial está infetada pelo agente causador da doença, a bactéria 'Mycobacterium tuberculosis', ou bacilo de Koch.

"Pacientes imunossuprimidos são muito suscetíveis ao bacilo, ou seja, 50 por cento dos pacientes com TB são seropositivos " adianta Amos, que conta com ativistas comunitários para a deteção da TB e o respetivo apoio no tratamento.

Em Moçambique, o tratamento da tuberculose é baseado na estratégia Tratamento de Curto Prazo Diretamente Observado, que monitoriza os pacientes para assegurar que eles tomam os seus remédios diariamente, no horário correto.

"Os primeiros dois meses são cruciais para o doente ser assistido por um médico, mas, depois, encontramos um membro da família que passa a monitorar a medicação do paciente, desde o levantamento no hospital e ao consumo", afirmou Juvenaldo Amos.

Segundo a OMS, Moçambique está em 19.° lugar no 'ranking' dos 22 países responsáveis por 80 por cento de todos os casos de TB no mundo.

AYAC

Embarcação doada pelo Banco Mundial gera polémica ambiental em Inhambane

28 de Julho de 2012, 11:30

Maputo, 28 jul (Lusa) - Uma embarcação oferecida pelo Banco Mundial a pescadores artesanais de Inhambane, sul de Moçambique, está a aumentar a pesca de tubarões e raias, colocando em risco o ecossistema local, acusam ambientalistas da região.

Há cerca de três meses, o Banco Mundial (BM) doou uma embarcação com motor, dotada de rede de pesca, a um grupo de cinco pescadores artesanais da Praia do Tofo, em Inhambane.

Segundo Carlos Macuacua, fundador da Bitonga Divers, uma organização não governamental que se dedica à sensibilização de comunidades locais contra a pesca de tubarão, desde que a doação ocorreu, o número de animais pescados diariamente aumentou drasticamente.

"Se a situação continuar, os próprios pescadores vão sofrer, porque vão ter o hábito de pescar muitos tubarões por dia, que não há de durar muito tempo. Os tubarões estão em número contável", disse à Agência Lusa Macuacua.

O comércio de barbatana de tubarão, que chega a ser vendida localmente a mais de "quatro mil meticais" - cerca de 117 euros -, é, segundo o ambientalista, a motivação económica para os "massacres".

"Os pescadores, quando tiram o tubarão, a primeira coisa que fazem é remover as barbatanas, que depois são vendidas a intermediários", explicou Macuacua.

"Quando fizemos o documentário ´Shiver`, percebemos que esses intermediários vendem barbatanas à comunidade chinesa, residente no nosso país, que as recolhem e mandam para a China", acrescentou.

A região costeira de Inhambane alberga várias unidades hoteleiras e atividades comerciais associadas ao turismo marítimo, sendo a Praia do Tofo a mais emblemática.

Para Macuacua, caso as atividades de pesca de espécies marinhas, como os tubarões ponta-branca, se mantenham, as receitas provenientes do turismo vão sofrer quedas significativas.

"Quando se fala de turismo marítimo em Moçambique, fala-se de Inhambane e do Tofo, porque têm uma grande concentração de espécies com grande valor turístico. Em frente à Praia do Tofo, está-se a fazer pesca furtiva. Acho que é feio para o nosso turismo", lamentou.

Consciente da realidade socioeconómica da província, onde mais de metade da população vive abaixo do limiar da pobreza, Macuacua apela às autoridades moçambicanas que encontrem uma solução que tenha em conta a sustentabilidade das espécies em risco.

"Ainda não existe uma lei que proteja os tubarões em Moçambique. Apesar da pesca não ser ilegal, os pescadores sabem que o que estão a fazer não é sustentável", concluiu.

A Agência Lusa tentou, sem sucesso, obter uma reação junto da missão de Maputo do Banco Mundial.

ENYP

Associação defende espécies marinhas junto de pescadores artesanais

28 de Julho de 2012, 11:37

Maputo, 28 jul (Lusa) - Desde há cinco anos, Carlos Macuacua percorre aldeias piscatórias da província de Inhambane, no sul de Moçambique, levando consigo uma mensagem ambiental para a proteção de espécies marinhas, como o tubarão.

Depois de se ter tornado no primeiro mergulhador profissional moçambicano, Macuacua sentiu que devia fazer algo em prol da sustentabilidade do mundo subaquático, que tanto o fascina.

Criou a Bitonga Divers, uma associação que tem na sua génese a proteção ambiental de espécies marinhas, como o tubarão.

"Damos palestras de sensibilização nas comunidades na área de conservação dos recursos marinhos. Educamos o pessoal para saberem qual a importância dos recursos que têm. Falamos das espécies que têm valor turístico e as que não têm. Também falamos dos peixes que têm maior valor nutricional", explicou à Agência Lusa Macuacua.

Anualmente, milhares de turistas visitam as praias da província de Inhambane, procurando atividades de lazer, como o mergulho. Contudo, a pesca em grande escala de espécies marinhas, como o tubarão ou a raia, poderá alterar o cenário turístico da região, reconhecida pelos seus recifes corais.

"Quando se fala de turismo marítimo em Moçambique, fala-se de Inhambane e do Tofo, porque têm uma grande concentração de espécies com grande valor turístico. Em frente à praia do Tofo, está-se a fazer pesca furtiva. Acho que é feio para o nosso turismo", lamentou o ambientalista.

"As consequências não serão diferentes das que se registaram noutros sítios que tinham espécies de grande valor turístico: o número de turistas começa a diminuir", acrescentou.
Para além da sensibilização ambiental, a Bitonga Divers promove formações gratuitas de mergulho para moçambicanos, numa iniciativa que pretende aumentar o número de profissionais da área.

ENYP

Banco Mundial avalia negativamente o seu papel na reabilitação da linha de Sena

30 de Julho de 2012, 10:29

Maputo, 30 jul (Lusa) - O Banco Mundial considerou "insatisfatório" o seu desempenho no projeto de reabilitação da linha férrea de Sena, no centro de Moçambique, uma infraestrutura importante no escoamento das reservas de carvão disponíveis na região, destruída durante a guerra civil.

Num relatório sobre o empreendimento, o Banco Mundial refere que desembolsou 104 milhões de dólares (86,4 milhões de euros) para a reabilitação da linha férrea de Sena, mas faz uma autoavaliação negativa da condução que fez do processo.

"Os resultados do projeto são insatisfatórios, o risco de implementação é insatisfatório e o desempenho do banco é também insatisfatório", indica o relatório, citado pela estatal Agência de Informação de Moçambique (AIM).

O documento salienta que o consórcio liderado pela firma indiana RICON incumpriu todos os prazos que se propôs para a conclusão da reabilitação da infraestrutura, primeiro em janeiro de 2009 e depois junho do mesmo ano.

A situação obrigou o Governo moçambicano a rescindir unilateralmente o contrato da empreitada em 2010, depois de o chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, ter proposto na Índia à RICON a sua saída voluntária do projeto.

As autoridades moçambicanas também não escapam ao escrutínio do Banco Mundial no projeto de reabilitação da linha ferra de Sena e tem a sua avaliação no relatório em "moderadamente insatisfatório".

A inviabilidade até ao momento da Linha Férrea de Sena coloca o risco de as multinacionais envolvidas na prospeção e exploração das reservas de carvão de Tete acarretarem mais custos de operação, tendo mesmo obrigado a brasileira Vale a virar-se para o Corredor de Nacala, no norte do país, para a exportação do carvão que produz em Moatize.

PMA.

Cove Energy obtém apoio de 72 por cento dos acionistas para venda de ativos no Rovuma

31 de Julho de 2012, 11:32

Maputo, 31 jul (Lusa) - A Cove Energy já reuniu o apoio de 72 por cento dos acionistas para a venda à PTT da sua participação na pesquisa de gás e petróleo no Rovuma, centro de Moçambique, indicou a imprensa moçambicana.

Segundo o diário eletrónico Mediafax, editado em Maputo, a tailandesa PTT deu um prazo até à tarde de hoje, para que a Cove Energy obtenha o consentimento de 90 por cento dos acionistas no negócio.

A PTT oferece 1,9 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) pelos 8,5 por cento que a britânica Cove Energy detém na Área 1 do Bloco Offshore da Bacia do Rovuma, onde, em consórcio com a Anadarko, descobriu grandes reservas de gás.

A transação entre a Cove Energy e a PTT arrastava-se há vários meses, devido à concorrência entre a firma tailandesa e a petrolífera Shell, que acabou abdicando do negócio, deixando o caminho livre para a companhia tailandesa.

PMA.

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