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sábado, 30 de abril de 2016

Moçambique. Moradores de Chiramba vivem dias de tensão após confrontos dos últimos dias



Em Moçambique, permanece clima de medo em Chiramba, distrito de Chemba, província de Sofala, desde que homens da RENAMO tomaram o posto administrativo local no domingo (24.04). Homens armados já abandonaram o local.

Depois do assalto e da tomada dos serviços policiais e administrativos, no domingo (24.04), os guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição moçambicana, abandonaram o local esta terça-feira (26.04) - quando se aperceberam da vinda de forças especiais da polícia e das Forças de Defesa e Segurança (FDS) do Estado.

Estarão agora posicionados a poucos quilómetros da via que dá acesso a Chiramba.

Na quarta-feira (27.04), dois dias depois de as Forças de Defesa e Segurança (FDS) terem acampado no local, foram registados confrontos militares nos arredores do posto administrativo e do posto policial de Chiramba.

A DW África falou com um morador de Chiramba, que relatou o que se passou no povoado.
"Eram exatamente oito horas, quando homens armados assaltaram o posto policial, acabando por ocupá-lo. A população fugiu das suas residências para lugares incertos. Na noite de ontem, as forças de segurança entraram em Chiramba. Não encontraram nenhum homem armado da RENAMO. Até agora, nada," contou.

"O ambiente não está calmo, porque não se sabe para onde foram os homens armados, porque ninguém está em serviço no local dos acontecimentos," acrescentou o morador.

Tiroteios e fugas

Contactado telefonicamente, um funcionário da administração local, que prefere manter o anonimato, contou à DW África que até à tarde desta quarta-feira (27.04) esteve refugiado nas matas de Nhacafua, na fronteira com a vizinha província de Tete.

Confirma que há registo de confrontos militares entre guerrilheiros da RENAMO e tropas governamentais que se estacionaram recentemente naquele povoado.

"Começaram com tiroteios esta manhã. As pessoas fugiram para vilas e até agora não há quem saiu de Chiramba para vir nos garantir a informação. Vamos tentar ligar para alguns colegas que estão lá mesmo, mas até esta tarde devem entrar em contato conosco," relatou.

"Quando os soldados chegaram ali, [os homens armados] não estavam e [os soldados] ali ficaram. As pessoas que estavam na vila apareceram ali para recuperar as suas coisas,” descreveu o funcionário da administração local.

A circulação rodoviária também está condicionada a alguns quilómetros de Chiramba, localidade onde homens armados da RENAMO se instalaram desde o conflito de 2013.

Um morador de Chiramba defendeu que "não eram guerrilheiros da RENAMO, eram pessoas que estavam a assaltar as casas que as pessoas abandonaram. Criaram um movimento estranho nas casas abandonadas. Queriam assaltar os bens das pessoas. Ao saírem daí, pararam para afugentar."

As informações sobre a tentativa de ocupação de Chiramba foram confirmadas na terça-feira (26.04) em Maputo, pelo porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique, Inácio Dina.

Esta quarta-feira (27.04), o vice-ministro da Defesa , Patrício José, garantiu que a situação no local está controlada. Disse ainda que com a presença das FDS a vida voltou à normalidade.

Mas moradores entrevistados pela DW África contam que parte da população abandonou o local, tendo-se refugiado na vila-sede. Esta quinta-feira (28.04), voltaram a ouvir-se mais disparos de armamento pesado, garantiu outro morador da localidade.

"Lá, ninguém fica. Talvez de dia esteja melhor, mas à noite é só abandonar as casas e ir dormir nas matas. Desde que a FIR [Forças de Intervenção Rápida] chegou lá, está-se a lutar. Todas as pessoas estão aqui na vila. Quando voltam para lá, estão a ser mandadas embora. Dizem que são da RENAMO," contou.

Arcénio Sebastião (Chemba) – Deutsche Welle

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