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terça-feira, 26 de abril de 2016

OBRIGADO, PROFESSOR MARTELO!



Mais um Expresso Curto, mais uma viagem pelo mundo das notícias e opiniões. Hoje com Ricardo Costa. À baila vem Marcelo, o presidente da República que vai somando pontos entre os portugueses. Só não marca pontos entre os do CDS e do PSD, arrenegam-no. Se Passos pudesse expulsava-o do PSD como fez com tantos outros. Vê-se mesmo que desde petiz está traumatizado com a revolução de Abril de 1974. Preferia a “democracia colonial-salazarista”. Coisas de família salazar-colonialista. Já deu para perceber..

Marcelo, Marcelo, Marcelo. Hoje é o que dá, ontem foi o que deu, amanhã sabemos que também assim será. Pois. Ao princípio é tudo muito bonito, o pior pode acontecer depois. Olhem o Cavaco, que começou com roteiros contra a exclusão social e acabou a ser um dos mais acérrimos e atuantes causadores da exclusão social. Pois.

Na plebe quando se fala de Marcelo também falam de Cavaco. É o 8 e o 80. Cavaco nas ruas dos estuporados, Marcelo nos rios de leite e mel. E ele até sabe nadar. Ainda vimos isso há uns anos (muitos) quando se candidatou a presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Foi nadar no Tejo, em campanha eleitoral, para mostrar que aquilo estava cheio de cagalhotos e preservativos – isso até era o menos poluente, o resto era mesmo um grande nojo. Pronto, o rio Tejo está mais limpo. Não há golfinhos como antes – há muitas dezenas de anos (60) – mas pode ser que atualmente haja por lá um presidente da República a nadar. Iô! E ele sabe nadar. Nada na política como peixe na água e está a imbuir os portugueses de autoestima. Ao contrário de Cavaco, que chorava por si, pelas suas reformas e finanças, que não sabia como ia viver com tantos impostos a traumatizá-lo. Avaro e ganancioso era o que dele transbordava. A incultura era igualmente transbordante e mal cheirosa. Tal e qual o caneiro de Alcântara, também há muitas décadas. Cavaco, um velho do Restelo revanchista, egocêntrico, ancilosado, medíocre, antipatriota, saudosista do salazarismo (como os Passos), hipócrita e… com alto grau de suspeitosamente mafioso naquela cara de sonso falso. Foi o que deixou ver entre os seus tabus e as suas amizades e conluios com uns quantos a braços com a justiça que tarda e os mantém impunes por decisão de alguns... ou o poder de alguém. Um padrinho?

Basta de Cavaco. Serviu só para referir que quando falam de Marcelo e o elogiam (até agora merecidamente), zurzem (justamente) em Cavaco, o este e aquele do piorio. E foi. Talvez ainda venha a ser pior se acaso lhe descobrirem umas quantas carecas que estarão, provavelmente, fechadas na gaveta dos tabus.

Está no ir. Não sem antes referir claramente que estas comemorações do 25 de Abril estiveram (exceto aos PSD/CDS) repletas de positivismo e esperanças. Muito graças ao governo de Costa, das esquerdas que o apoiam e, principalmente, do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Quem diria!?

Carinhosamente: Obrigado Professor Martelo! Obrigado Costa! Obrigado esquerdas! (MM / PG)

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Rtcardo Costa - Expresso

Um cravo na mão, um discurso na outra, uma condecoração pelo meio, um prémio a seguir

Foi um dia à Marcelo: o Presidente discursou na Assembleia, homenageou Salgueiro Maia em Santarém, condecorou António Arnaut e João Lobo Antunes em Belém, entregou um prémio literário a Manuel Alegre em Lisboa…

Não sei se me estou a esquecer de alguma coisa, é bem possível que sim, mas o dia foi isso mesmo, uma lufa-lufa de situações, num equilíbrio quase perfeito entre esquerda, centro e direita, presente em todo o seu discurso, já muito dissecado por todo o lado, com palmas de todos os setores. Para o ano veremos se a unanimidade continua.

Do discurso de ontem, além da frase chave - “felizmente há dois caminhos, unamo-nos no essencial” -, e do tom pedagógico sobre a importância do 25 de abril e da democracia, ficou também um sublinhar do relevo do cargo de Presidente da República. Marcelo lembrou: a) a legitimidade reforçada da eleição direta do PR; b) o facto de ter um mandato mais longo que o do Parlamento; c) a importância de não estar dependente de nenhum tipo de eleições intercalares.

O discurso assinalou, assim, de certa forma um regresso ao sistema político que sempre conhecemos, depois de vários meses em que o centro gravitacional da política parecia ter lançado âncora em São Bento. Agora balança entre dois polos.

Dos pormenores do primeiro 25 de Abril do Presidente há várias coisas a reter. Primeiro, foi a Santarém anunciar que o estado vai finalmente condecorar Salgueiro Maia com a Ordem do Infante D. Henrique.

Segundo, as suas duas primeiras condecorações concedidas em Belém foram para António Arnaut, o "pai" do Serviço Nacional de Saúde, eJoão Lobo Antunes, um dos mais importantes médicos, cientistas e homem de cultura portugueses das últimas décadas, que curiosamente foi mandatário nacional na reeleição de Jorge Sampaio e nas duas eleições de Cavaco Silva.

Terceiro, Marcelo foi entregar o Prémio Vida Literária a Manuel Alegre, duas vezes candidato a Belém, poeta como uma vasta obra e autor de dois dos mais conhecidos e importantes livros de poesia do período que antecedeu o 25 de abril, Praça da Canção e O Canto e as Armas. O dia foi preparado com extremo cuidado e cumprido a preceito. Agora vem a parte mais difícil.

Vamos às outras notícias, porque (esta parte é só para quem sabe), you know nothing, Jon Snow...

OUTRAS NOTÍCIAS

Hoje não há dúvida sobre onde começar esta parte do Expresso Curto. A sexta temporada da Guerra dos Tronos chegou ontem a Portugal e aquela coisa do Jon Snow ter morrido no final da quinta temporada…. ai de mim que escreva mais uma palavra. A série mais pirateada de sempre é uma espécie de religião para muitos, que têm fúrias online cada vez que alguém revela algo que ainda não tenham visto.

Fico-me portanto por aqui, sob pena de alguém lançar uma fatwa ao Expresso Curto, e deixo para leitura o artigo do meu colega Rui Cardoso, Os segredos da nova Guerra dos Tronos, que explica tudo, nomeadamente as diferenças entre os livros e as sériestelevisivas e um ranking de quem despachou mais inimigos ao longo das temporadas anteriores.

Já agora, para terminar a lista de curiosidades, vale a pena recordar que Winterfell, a capital do Norte, é o nome que Isabel dos Santos deu à empresa que usou para comprar a Efacec. Os espanhóis do La Caixa deviam estar atentos à série de que a empresária angolana também é fã.

Por falar em Espanha, o Rei Felipe VI já está a ouvir os partidos e prepara-se para marcar novas eleições para 26 de junho, pedindo aos candidatos para serem poupados nos gastos de campanha. Convém recordar que as eleições em Espanha foram a 20 de dezembro…

No Brasil, o muito polémico impeachment de Dilma Rouseffprossegue o calendário e o vice-presidente Michel Temer, que se prepara para lhe suceder em caso de afastamento da Presidente, deu ontem uma entrevista à CNN. “Não há um golpe nesse país”, é o título-citação do artigo do O Globo que resume bem a entrevista de Temer.

Obama ainda andou ontem pela Europa, onde deixou avisos sobre a falta de investimento dos países europeus na sua própria defesa e anunciou reforços militares para a Síria.

Nas primeiras páginas dos diários, o Correio da Manhã escolhe para manchete o alegado caos na saúde, aparentemente provocado pela prescrição de medicamentos através de receitas eletrónicas, que estará a atrasar muito o trabalho dos médicos.

No JN, o destaque vai para as poupanças das famílias portuguesas, que está no nível mais baixo das últimas duas décadas. Por cada 100 euros de rendimento disponível, os portugueses só guardam € 4,2.

O Diário de Notícias destaca Marcelo e recorda que hoje passam 30 anos sobre a tragédia nuclear de Chernobyl. O El País tem um extenso trabalho sobre o triste 30º aniversário do acidente na central ucraniana.

Na economia mundial, destaque para a Arábia Saudita que lançou um plano económico para acabar com a “dependência do Petróleo”. É um pouco difícil acreditar nesta missão, mas para já, vão começar por privatizar 5% da poderosíssima Saudi Aramco, a petrolífera estatal saudita.

Não sabe o que fazer com um dólar? Simples, a Goldman Sachs, essa mesma, passou a aceitar depósitos online a partir de 1 dólar. Goldman Sachs opens to te masses, escreve o FT. A vilã da economia mundial mudou de estratégia e vai financiar-se junto das massas (dá para fazer bons trocadilhos).

Esta é época de resultados trimestrais nas bolsas e hoje é dia daApple. Qual é a notícia? É que os analistas admitem, pela primeira vez em anos e anos, que as coisas estão a correr menos bem, com asvendas a desacelerar.

Hoje é noite de Champions, com o Real Madrid a deslocar-se a Manchester onde vai defrontar o City. Amanhã é a vez do Atlético de Madrid receber o Bayern de Munique.

Ainda no futebol, em Inglaterra, o Tottenham não conseguiu mais do que um empate com o West Bromwich e deixou o espantoso Leicester a uma vitória de conquistar a Premier League. Há muita gente a tentar perceber como é que esta equipa, normalmente no fundo da tabela ou noutros campeonatos, consegue vencer a liga inglesa…

A explicação mais curiosa tem a ver com… Ricardo III. É que os restos mortais do mal-amado monarca britânico, imortalizado por Shakespeare, foram encontrados numas obras em Leicester e depois de uma enorme polémica, em que nenhuma cidade queria fazer o funeral do rei enjeitado, Ricardo III acabou sepultado na Catedral de Leicester. Desde a trasladação que a equipa da cidade não para de ganhar! O descanso do monarca em paz lançou a equipa numa série imparável de conquistas.

FRASES

“Felizmente há dois caminhos. Unamo-nos no essencial”. Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, na frase essencial do seu discurso na cerimónia do 25 de Abril no Parlamento

“Não só é um discurso 'abrilista', mas um discurso pedagógico”.Manuel Alegre, ontem à noite, falando sobre o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa

“Só sairei de Portugal se aparecer uma grande equipa da Europa. Para ganhar dinheiro podia ir para o Qatar ou para a China, mas não me apetece muito”. Jorge Jesus, treinador do Sporting, numa entrevista à agência EFE

O QUE EU ANDO A LER

Não é um livro que ande a ler - já o li em 2012 quando foi editado na D. Quixote -, mas a verdade é que merece ser recomendado, já que está a ter um segundo período de fama. Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa, tem sido muito noticiado nas últimas semanas, primeiro por ter sido escolhido para o importantíssimo Man Booker Prize e, mais recentemente, por ter passado à segunda fase do prémio britânico.

Teoria Geral do Esquecimento é um dos seis finalistas do prémio, numa lista onde se destacam Elena Ferrante, a misteriosa escritora italiana, ou Orhan Pamuk, o reconhecido autor turco. A General Theory of Oblivion (pode espreitar aqui a capa da edição inglesa) passou o crivo do júri e mesmo que não vença o prémio (vamos fazer figas…) já tem sucesso garantido no Reino Unido e nos mercados editoriais que seguem as listas dos finalistas do Man Booker Prize.

Este livro de José Eduardo Agualusa parte do projeto de um guião para um filme, sobre uma portuguesa que se emparedou num apartamento em Luanda em 1975, poucos dias antes da independência de Angola, “aterrorizada com o evoluir dos acontecimentos”. Foi a partir dessa ideia que o escritor luso-angolano chegou a um romance muito bem conseguido, partindo dessa mulher (Ludovica ou Ludo) que faz da sua casa uma espécie de ilha numa Luanda que, ao longo dos anos, muda de forma, feitio e gentes, alimentando-se de plantas e de pombos.

Num momento de tensão entre Portugal e Angola, este livro de Agualusa é um bálsamo extraordinário, escrito por alguém que conhece os dois países como as palmas das mãos e sabe ter um discurso sério e corajoso, sem embarcar nas modas e marés que vão e vêm entre Portugal e Angola.

Para leituras mais rápidas, já sabe, tem sempre o Expresso Online. Ao fim da tarde chega o Expresso Diário com toda a informação do dia editada e arrumada, com notícias e opinião em primeira mão. Amanhã por esta hora chega mais um Expresso Curto. Tenha um bom dia e não tente fazer tantas coisas ao mesmo tempo como Marcelo.

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