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segunda-feira, 30 de maio de 2016

MORREU UM ESTIVADOR



Tiago Mota Saraiva – jornal i, opinião

Lembra-se deste título? Provavelmente, já o leu e lê-lo-á mais vezes independente-mente da batalha que os estivadores levarem a cabo. A estiva foi e será uma profissão de risco. O número de vezes que iremos ler este título depende das condições de trabalho que conseguirem garantir.

Costumo explicar o que se disputa nos portos a partir de uma realidade que todos podemos perceber mais facilmente. Imagine-se acrobata. Na sua atuação depende da força dos braços de um colega que o agarra depois de se lançar no ar em acrobacias de encantar. Agora imagine que a administração do circo, para aumentar o seu lucro, pretende despedir o seu colega e trocá-lo por alguém com quem nunca ensaiou e até que nunca fez acrobacias. A luta de um e outro acrobata é comum. Pela sua dignidade e pela sua vida.

A resposta da Administração do Porto de Lisboa à greve dos seus trabalhadores surgiu como o castigo do negreiro. Diziam-nos que a greve às horas extraordinárias estaria a provocar o bloqueio dos portos e, por isso, avançavam para o despedimento coletivo - queira o leitor imaginar uma greve sem consequências na atividade laboral. Inaceitável e revelador do caráter da sua gestão. Perceba-se que quem desencadeia um despedimento coletivo nestas condições entende os trabalhadores como formigas de uma engrenagem. A substituição das formigas deve ser agilizada e de baixo custo. A cadeia de produção não pode parar.

Entretanto, os trabalhadores do porto de Lisboa venceram uma batalha, mas não a guerra. A administração que encara as relações do trabalho de uma forma feudal mantém-se e não se prevê que adoce a sua verve persecutória. Apesar do inquestionável interesse público da gestão dos portos, o negócio continua a ser privado. E por mais inacreditável que possa parecer, o acordo encontrado apenas abrange o Porto de Lisboa. Em todos os outros portos de Portugal mantêm-se as condições de trabalho precárias e desumanas, nalguns casos acordadas entre patrões e sindicatos colaboracionistas criados para o efeito.

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