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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Portugal. AMARELO, A ICTERÍCIA DE QUE OS “ RIQUINHOS” ESTÃO A PADECER



No PG houve uma interrupção de duas semanas nas publicações. Habitualmente usávamos o Expresso Curto na abertura de todos os dias (de 2ª a 6ª feira), o que não se verifica há cerca de três semanas. É hoje, abrimos com o Expresso Curto. Nicolau Santos é quem o serve, o tio Balsemão tem mais o que fazer. Até que podia escrever sobre os colégios privados e a guerra que os chulos de amarelo estão a fazer. Querem comer lagosta em vez de chicharro mas exigem que sejam todos os contribuintes a pagar. É o costume. Como as prostitutas no Cais do Sodré e similares já não usam chulos, aqueles labutam por que a chulice seja alargada à educação dos meninos copo-de-leite, do “pecebe”, das tias dos Cascais e de outras bandas que querem ser e mostram-se como tal – loiras e loiros naquela massa encefálica. Evidentemente que o tio Balsemão não iria escrever isto assim, antes pelo contrário. Deveria optar por uma escrita com o amarelo que é símbolo da icterícia de que os “riquinhos” estão a padecer. Afinal tudo se resume a algo que é o que dizem aos trabalhadores mal pagos e fundidos na plebe, algo que defendem quando lhes convém: “querem isto ou aquilo? Paguem!” A jeito que entendam: querem colégios particulares-privados? Paguem!

E o Marcelo, prestimoso PR (por enquanto), lá foi ao beija-mão à Merkel. Foi dizer o que deve. Falta saber se não vai tomar pose de mendigo na pedincha à rainha deste seu reino a que chamam União Europeia, de que Portugal é só visto como uma quintazinha. Esperemos que não. Certo é que vamos ficar a saber o mesmo por que o que se passar entre as quatro paredes do encontro PR de Portugal e a rainha Merkel ficará no segredo do reino. Estamos numa coisa maldita chamada UE e às ordens de mostrengos e mostrengas em que nunca votámos. E dizem que isto é uma democracia… Pois. Tá-se mesmo a ver, não tá-se?

Chute para o Nicolau. Um Expresso depois do almoço até que cai bem.

Goze de uma semana mais ou menos. Que seja muito boa, se possível. Faça por isso.

Mário Motta / PG

O nosso homem em Berlim a tentar convencer a dona da Europa

Nicolau Santos - Expresso, opinião

Bom dia. Este é o seu Expresso Curto

O nosso homem chegou ontem a Berlim, ao fim da tarde, com uma missão muito difícil, mas não confidencial. Todos sabemos que vai tentar convencer a dona da Europa a não aplicar sanções a Portugal por não ter cumprido o défice de 3% em 2015. E que vai também tentar sensibilizá-la para a ideia de que não faz sentido o Estado português, único acionista da Caixa Geral de Depósitos, não poder proceder ao aumento de capital da instituição.

Confiamos todos que o nosso agente em Berlim tenha sucesso na sua missão. A sua capacidade argumentativa e a sua simpatia são seguramente trunfos importantes com que jogará. Mas só no final de junho, após as eleições legislativas em Espanha, é que se saberá se o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, teve êxito na sua missão junto da chanceler alemã, Angela Merkel. É que só nessa altura é que a Comissão Europeia volta a discutir o tema das eventuais sanções a Portugal e Espanha por não terem cumprido o défice no ano passado.

Marcelo é suficientemente diplomata para não lembrar a Merkel que, se vamos por aí, também a Alemanha deveria ser sancionada por acumular excedentes comerciais excessivos, acima do previsto pelos tratados europeus, desde há vários anos. Esperemos, contudo, que diga à senhora que manda na Europa que o anterior Governo português aplicou integralmente e para lá do que a troika, Bruxelas e Berlim queriam, a política de austeridade que preconizaram – pelo que sancionar Portugal pelos resultados de 2015 é sancionar também essa política. Além do mais, Marcelo pode sempre acrescentar que todas as previsões, mesmo as da Comissão Europeia, mostram que Portugal sairá este ano do Procedimento por Défice Excessivo, já que o défice orçamental deverá ficar, no pior dos casos, em 2,7%, segundo as previsões de Bruxelas.

Quem também se insurgiu contra o pedido do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, para que sejam aplicadas sanções a Portugal foi o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, que ontem, no seu espaço televisivo no canal de Carnaxide sublinhou que Schauble “não tem nenhuma razão para pedir sanções para Portugal”.

Mas o Presidente da República deverá igualmente pôr em prática todos os seus dotes argumentativos para explicar à sra. Merkel que quando um banco privado precisa de aumentar capital e os seus acionistas não o conseguem fazer, tem de ser o Estado a cobrir essas necessidades – pelo que a isso se chama ajudas de Estado. Mas quando se trata de um banco público e o seu único acionista é o Estado, só este pode acorrer ao aumento de capital, pelo que não faz qualquer sentido considerar essa ação uma ajuda do dito cujo e ainda faz menos sentido tentar proibi-la. A não ser que o objetivo inconfessado de Bruxelas, do Eurogrupo e de Berlim seja acabar com os bancos públicos e obrigar o Estado português a iniciar o processo de privatização da Caixa Geral de Depósitos… Mas claro que isso não pode ser verdade.

Terça-feira já teremos de volta o nosso enviado a Berlim. E nessa altura começaremos a saber se a sua missão foi coroada de sucesso.

OUTRAS NOTÍCIAS

Forças militares iraquianas terão conseguido esta madrugada entrar em Fallujah, o mais importante bastião do Daesh desde 2014 perto de Bagdad. As forças especiais iraquianas entraram na cidade por três locais apoiadas pela cobertura aérea da coligação internacional e da força aérea e do exército iraquiano, apoiados por artilharia e tanques, disse o general Abdelwahab al-Saadi, o comandante que lidera a operação.

A França prepara-se para viver mais uma semana agitada, desta vez com greves nos setores dos transportes, que também se vão manifestar contra as novas leis laborais. A agitação começa hoje. E o Euro 2016 arranca já a 10 de junho.

Em Inglaterra, a guerra tomou conta dos Conservadores e a imigração é a última arma de arremesso. Ministros atacam Downing Street, deputados avisam Cameron que os seus dias podem estar contados, ganha ou vença o referendo à UE. Campanha pelo "Brexit" acusa Cameron de não ter cumprido promessa de reduzir chegada de imigrantes ao país. E adivinhe quem se vai tramar se houver Brexit? Portugal, claro. Serão 300 milhões de euros a menos de exportações.

Ontem foi dia de manifestação dos colégios privados com contratos de associação com o Estado – e que este se prepara para denunciar, nomeadamente nas localidades onde existam escolas públicas com capacidade excedentária para acolher alunos desses colégios. Quase 40 mil pessoas, muitas vestidas com t-shirts amarelas, terão estado nas ruas de Lisboa, concentrando-se depois em frente à Assembleia da República.

Aos jornalistas, Manuel Bento, porta-voz do movimento, fez o balanço da iniciativa. “Estão aqui 36 mil pessoas contadas ao metro quadrado. Esperemos que o Ministério da Educação e o Governo entendam isto como um sinal que as famílias lhes estão a dar e revoguem o despacho, cumpram os contratos e se sentem à mesa das negociações”, disse, garantindo que, se nada for feito, "cá estaremos novamente daqui a uns dias”.

Como resposta, a FENPROF convocou uma manifestação em defesa da escola pública para dia 18 de junho, em Lisboa.

Há coisas que, no entanto, correm bem. O PIB cresceu apenas 0,8% no primeiro trimestre do ano, mas no mesmo período as empresas cotadas no PSI 20 tiveram lucros de 845 milhões de euros, mais 10% do que em 2015.

Ontem à noite, no Estádio do Dragão, a seleção nacional deu o pontapé de saída na preparação para o Euro 2016 em França, sem Ronaldo e Pepe, que seguramente ainda comemoram a conquista da 11ª Taça dos Campeões Europeus pelo Real Madrid. Durante a primeira parte, a Noruega quase não saiu do seu meio-campo mas Portugal mostrou as habituais dificuldades para marcar, não fosse um golo tirado da cartola pelo génio de Ricardo “Harry Potter” Quaresma. Na segunda metade, a Noruega entrou bem, começou a justificar o empate, mas um golo de livre marcado exemplarmente por Raphael Guerreiro deu o 2-0 a Portugal e as entradas de Adrien, Rafa e Renato Sanches empurraram definitivamente a seleção para o 3-0, numa jogada de combinação entre Cédric Soares e João Mário, com Éder a finalizar.

E por falar no Dragão, o novo treinador do FC Porto para a próxima época será, segundo a imprensa desta manhã, Nuno Espírito Santo, que estava sem trabalho desde que deixou o Valência. Confirma-se assim que José Peseiro é um pé frio e que já não estará no banco dos azuis e brancos na próxima época.

Ainda no desporto, a equipa feminina do Sporting sagrou-se campeã europeia de atletismo em Mersin, na Turquia, o que levou desde logo o sempre impetuoso presidente do clube de Alvalade, Bruno de Carvalho, a perguntar aos rivais: “Será que agora já sabem quem é a maior potência desportiva nacional?”. Ora toma!

Desgraças: em Matosinhos, um jovem que estava num carrossel em movimento, levantou-se, tirou a cancela de segurança e foi projetado contra um poste de iluminação, tendo acabado por falecer; dois mortos (os condutores, uma portuguesa e um espanhol) e dois feridos em colisão no IP2;um morto e três feridos em acidente na A1; e nos Estados Unidos, um gorila teve de ser abatido depois de uma criança ter caído no interior da sua jaula.

Hoje os preços da gasolina e do gasóleo vão subir entre um cêntimo e um cêntimo e meio. Não tente perceber porquê.

O fim de semana foi de “overdose” de Francisco Assis, que se desmultiplicou em entrevistas ao Expresso, ao Diário de Notícias e à TSF. Uma ideia a reter: “é uma deturpação da realidade” dizer que Passos Coelho é neoliberal, embora sim, na verdade, “houve uma fase - e teve que ver com disputas internas no PSD - em que Passos Coelho apareceu com um projeto muito neoliberal, um projeto até de revisão da Constituição, ainda antes de ser líder do PSD. Mas as próprias circunstâncias de ter liderado o Governo levaram-no a perceber que o neoliberalismo puro e duro suscita uma grande resistência em múltiplos setores da sociedade portuguesa e é insuscetível de ser aplicado”. Além disso, a coligação (PS/BE/PCP) “não trouxe nada de bom ao país” e “as vacas não voam”. Mesmo se for baixinho?

Entretanto, o valor das casas na região suburbana da Grande Lisboa não para de subir desde há três anos. Com efeito, o valor médio da habitação ‘disparou’ 16% em Almada, 12,3% na Amadora e 11,9% em Oeiras, desde março de 2013, altura em que o mercado imobiliário bateu no fundo, tanto em termos de preços como de número de negócios realizados. De resto, toda a região suburbana de Lisboa, incluindo ainda Loures, Vila Franca de Xira e Seixal registaram subidas acima dos 6% nos últimos três anos.

E quem não se interessa por conservas devia repensar essa posição. É queJoana Ramirez, advogada do jet set portuense e ex-comentadora de assuntos cor-de-rosa no Porto Canal, ganhou no Supremo Tribunal de Justiça o processo que a opõe ao ex-marido e ao ex-cunhado, no qual reclama o direito a 6,5% das ações da empresa proprietária das Conservas Ramirez. Os juízes-conselheiros negaram provimento a um recurso da família Ramirez, que acusa Joana de "abuso de direito". A quota de 6,5% está avaliada em cerca de 2,5 milhões de euros. Quem diria que as conservas podiam ser tão saborosas!

Finalmente, foi bonita a festa, pá, mas ontem o Rock in Rio fechou as portas até daqui a dois anos, com 47 mil pessoas a ouvirem o som do DJ Avicii. Ao longo de cinco dias passaram pelo parque da Bela Vista 329 mil pessoas. Na última noite, a novidade que não era novidade foi Ivete Sangalo, que aceitou subir de novo ao palco para colmatar a ausência de Ariana Grande. Segundo o atento Diário de Notícias, a cantora baiana usou o mesmo vestido preto curto de franjas da noite de sábado mas mudou de sapatos, trocando os botins de saltos altos por umas sandálias. O que uma pessoa aprende!

Quem também fechou ontem as portas foi a Arco Lisboa, que “não defraudou as expectativas” mas mostrou “a incúria” dos museus. A primeira edição lisboeta da feira foi visitada por 12.800 pessoas e regressa em maio de 2017.

FRASES

“Se o PSD quer outro líder, força!”. Pedro Passos Coelhoem Trás-os-Montes, dando sinais de alguma irritação, Observador

“Parece perseguição política”. Luís Marques Mendes, comentador da SIC, sobre o pedido do ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schauble, para que sejam aplicadas sanções a Portugal

“Se acham que o fascismo não tem origens marxistas, façam o favor de desmentir as provas que apresento nos meus romances”. José Rodrigues dos Santos, sempre pronto para uma boa polémica, em artigo de opinião no Público de domingo

“O meu pai ensinou-me a nunca baixar a cabeça”. Mário Nogueira, presidente da Fenprof, Observador

“Imigrantes não são um perigo, estão em perigo”. Papa Francisco, Observador

O QUE ANDO A LER E A OUVIR

O livro é lançado amanhã, terça-feira, e como o autor me convidou para o apresentar, acabei hoje de o ler. Chama-se “Euro – E se a Alemanha sair primeiro?” e é da autoria de António Goucha Soares, doutorado pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, professor do ISEG, onde é titular da cátedra Jean Monnet e estudioso e observador atento do direito e política da União Europeia ao longo do último quartel.

O livro lê-se quase como um romance, porque é de fácil acesso, mesmo nos assuntos mais jurídicos. E é um longo libelo acusatório contra o estado de reserva mental com que a Alemanha aceitou integrar a moeda única e abandonar o seu amado marco, bem como o aproveitamento que fez da crise de 2008 para impor a sua narrativa sobre esse acontecimento (a culpa foi dos governos laxistas do sul da Europa) como a leitura oficial e a resposta que lhe tem sido dada - e ainda como tem boicotado a união bancária.

É também a denúncia do apagamento do papel da Comissão Europeia, talvez porque Durão Barroso optou por pensar mais na sua recondução para um segundo mandato do que em defender os equilíbrios entre pequenos e grandes países no seio da União; mas é igualmente a demonstração de que mesmo no interior das estruturas europeias há leituras diferentes sobre as razões da crise, como as do Tribunal de Justiça e do BCE.

É finalmente um alerta para o que é hoje a União Europeia, uma entidade dominada política e economicamente por Berlim e pelos seus apoiantes, e que só dará novos passos se não colidirem com os interesses da Alemanha. Trata-se, verdadeiramente, de um livro imperdível.

Quanto ao que ando a ouvir, pois comprei o novo CD de Rui Massena, que depois do seu “Solo” nos brinda agora com o “Ensemble” onde é acompanhado pela Orquestra Nacional Sinfónica da República Checa. É um CD para saborear tranquilamente. Ou melhor, que nos traz tranquilidade quando os dias estão cinzentos e os ânimos andam alterados.

E pronto. Amanhã cá estará outro jornalista do Expresso para lhe servir um ótimo Café Curto. Tenha uma excelente semana.

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