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sábado, 18 de junho de 2016

Centenas de pessoas nas ruas de Maputo contra situação política e económica em Moçambique



Centenas de pessoas marcharam hoje em Maputo contra a situação política e económica em Moçambique, exigindo a responsabilização dos autores das dívidas escondidas e o fim das confrontações militares entre o Governo e a Renamo, principal partido de oposição.

A manifestação, convocada por organizações da sociedade civil iniciou-se por volta das 08:30 (07:30 de Lisboa), quando dezenas de pessoas começaram a reunir-se em frente à estátua do fundador da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Eduardo Mondlane, numa das principais avenidas da capital moçambicana.

Empunhando cartazes com mensagens de repúdio à guerra e pedindo a responsabilização dos autores das chamadas dívidas escondidas, os manifestantes exigiram a cessação imediata dos confrontos militares entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

Num percurso de mais de dois quilómetros, sob forte escolta policial, os manifestantes entoaram hinos de exaltação à liberdade e à transparência, e frases como "essa dívida não vamos pagar" e "queremos o nosso dinheiro".

"Nós exigimos a responsabilização, aonde é que estão os rostos das pessoas que contraíram essa dívida", questionou Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos em Moçambique, uma das responsáveis pela marcha, que teve como ponto de chegada a Praça da Independência, onde a forças policiais com cães estavam estrategicamente posicionadas desde as primeiras horas da manhã.

No manifesto distribuído ao público e lido na estátua do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Machel, na Praça da Independência, as organizações da sociedade civil exigiram à Procuradoria-Geral da República uma auditoria forense à dívida pública, visando a responsabilização criminal dos autores das dívidas.

"Nós queremos que o ex-Presidente [Armando Guebuza] e o seu Governo respondam por estas dívidas", declarou Alice Mabota, acrescentando que as ameaças a ativistas sociais não vão "amedrontar o povo".

Além da dívida e da crise política, as organizações da sociedade civil manifestaram-se preocupados com as liberdades de expressão e imprensa, num momento em que atentados contra académicos, analistas, jornalistas e personalidades políticas têm abalado o país.

A vala comum denunciada em abril por camponeses no centro de Moçambique e os raptos foram também temas visíveis nos cartazes dos manifestantes, que exigiam o esclarecimento das circunstâncias em foram depositados corpos recentemente encontrados ao abandono no centro de Moçambique e a captura dos mandantes dos sequestros que abalam as cidades de Maputo e Beira nos últimos anos.

"Estamos a ficar sem esperança com tantas notícias más nos últimos tempos", lamentou à Lusa Sheila Mutobene, ativista do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais.

Empréstimos contraídos entre 2013 e 2014 pelo anterior Governo fizeram disparar a dívida pública de Moçambique para mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB), levando os principais doadores ao Orçamento de Estado (OE) a suspenderem o seu apoio, exigindo um esclarecimento.

Por outro lado, o país enfrenta uma crise política e militar, marcada por confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, incidentes que já vitimaram várias pessoas no centro de Moçambique.

EYAC // VM - Lusa

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