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sábado, 18 de junho de 2016

Crises em Moçambique descredibilizaram fortemente a Frelimo -- Académico



O politólogo moçambicano João Pereira considerou hoje que as crises que Moçambique atravessa descredibilizam fortemente a Frelimo, considerando que o partido no poder há mais de 40 anos revela-se incapaz de apresentar soluções para os problemas do povo moçambicano.

"Estas situações todas descredibilizaram fortemente a Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique]", disse à Lusa o professor de Ciência Política na Universidade Eduardo Mondlane, à margem de uma manifestação contra a crise política e a situação económica do país, organizada hoje em Maputo.

Para o académico moçambicano, os valores pelos quais a Frelimo lutou pela independência foram esquecidos e, nos últimos tempos, o partido liderado por Filipe Nyusi, também chefe de Estado, passou de uma organização política que responde às necessidades do seu povo para uma simples máquina eleitoral.

Incapaz de responder às necessidades básicas do seu povo e sem reformas políticas que respondam ao dinamismo dos novos tempos, observou o politólogo, a Frelimo arrisca-se a perder os próximos pleitos eleitorais, na medida em que a insatisfação da população cresce gradualmente.

"Se a crise económica aumentar, sem dúvida, a probabilidade de vitória é muito reduzida para a Frelimo", afirmou o académico, alertando que os níveis de abstenção eleitoral no último escrutínio revelam uma descrença na política por parte dos moçambicanos.

Cético quanto aos resultados das negociações recentemente restabelecidas entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), João Pereira entende que o processo para o fim da crise política e militar será demasiadamente longo, observando que, enquanto as partes não restabelecerem a confiança, Afonso Dhlakama não vai sair do mato para negociar com o Presidente da República, Filipe Nyusi.

"Não sei se estas comissões vão conseguir chegar a acordos que facilitem a saída de Afonso Dhlakama", afirmou, apontando a exigência da Renamo de governar as seis províncias onde reivindica vitória nas eleições de 2014 e as inserção de quadros do partido de Afonso Dhlakama na polícia e no exército como os aspetos que mais vão criar dissensos no processo negocial.

"Nós ainda vamos ter momentos muito difíceis", declarou, observando que nos próximos tempos a situação vai deteriorar, apesar de os líderes das duas partes terem manifestado recentemente a ambição de acabar com a crise política em Moçambique.

Na quinta-feira, o Presidente moçambicano disse que aceitará a presença de mediadores nas negociações entre o Governo e a Renamo, apontando o fim imediato dos confrontos como uma prioridade.

O líder do principal partido de oposição moçambicano disse, na sexta-feira, que alcançou, por telefone, consensos com o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, sobre a paz, mas fez depender o fim dos confrontos armados de garantias de segurança.

Moçambique tem conhecido um agravamento dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

O principal partido da oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

EYAC // VM - Lusa

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