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sexta-feira, 17 de junho de 2016

O BREXIT CAMINHA PARA A VITÓRIA



Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Ricardo Costa – Expresso

A uma semana do Brexit?

Daqui por uma semana já estarão contados os votos do referendoque, na próxima quinta-feira, leva os britânicos às urnas para decidirem se ficam ou saem na União Europeia. Mas a campanha eleitoral ficará marcada pelo brutal assassinato de Jo Cox, uma deputada trabalhista que ontem foi baleada e esfaqueada quando visitava o seu círculo eleitoral, em Birstall, perto de Leeds.

“Britain first!”. Foi este o grito do atacante, Thomas Mair, de 52 anos, com alegados problemas psiquiátricos e ligações a um grupo neonazi dos EUA e a um partido de extrema-deireita britânico, que se chama, precisamente, Britain First.

Thomas Mair deve ser um alegado lobo solitário, apesar de tudo indicar que o crime teve motivações políticas. O Britain First é um partido marginal, radicalmente anti-imigração e que quer expulsar os judeus do Reino Unido, entre outras ideias básicas e estúpidas do género.

Quando o muçulmano britânico Sadiq Kkan foi recentemente eleito mayor de Londres, alguns dirigentes do Britain First deixaram mensagens bizarras e assustadoras no twitter. Mas, a verdade, é que ninguém levava a sério o movimento, recheado de marginais e radicais com ideias excêntricas e nenhumas consequências, eleitorais ou de outro género.

Jo Cox, de 41 anos, era deputada desde 2015 e tinha uma longa carreira com ativista pelos direitos humanos em várias ONG’s. (Tweet da Sky News que resume a sua atividade no Parlamento) Tinha dois filhos pequenos e ainda anteontem tinha colocado no twitter uma fotografia sua num bote no Rio Tamisa, acompanhada do marido e dos filhos numa ação de campanha. Como defensora da imigração e dos refugiados era alvo de muitos ataques nas redes sociais e a sua segurança estava alegadamente a ser estudada pela polícia inglesa, mas as informações sobre isso ainda não são seguras.

Para já a campanha foi suspensa e ninguém sabe que efeitos a morte de Jo Cox terá numa campanha destas, onde as sondagens voltam a estar sob escrutino muito cerrado, depois do falhanço nas legislativas do ano passado.

É muito difícil fazer sondagens em referendos, sobretudo porque não há histórico nem padrões eleitorais ou sociais. Mas é certo que a campanha a favor da saída da UE tem crescido e que a média detodas as sondagens dão uma margem de vitória ao Brexit. Apoll of polls (média ajustada das sondagens) do Financial Times, que é atualizada todos os dias, diz que as coisas estão assim: 48% a favor do Brexit contra 43% do Remain.

Oito por cento dos eleitores são dados como indecisos, o que pode eventualmente mudar o rumo da votação, sobretudo se os mais jovens e os londrinos (maioritariamente pró-Europa) votarem em massa. Se os padrões de abstenção forem parecidos com eleições anteriores, o Brexit caminha para a vitória.

OUTRAS NOTÍCIAS

A vacina do BCG vai deixar de ser dada a todas as crianças. Não é para poupar dinheiro nem para nos livrar de uma marca que a grande maioria dos portugueses exibe na pele. É uma tendência internacional, que faz com que a proteção universal contra a tuberculose seja substituída pela vacinação de crianças em comunidades de risco, onde a circulação do bacilo é mais frequente.

Esta alteração é uma das novidades introduzidas no Programa Nacional de Vacinação. O fim da vacinação universal contra a tuberculose começou a ser discutido pelos peritos em 2013, na sequência da diminuição dos casos da doença em Portugal. A comunidade científica optou por “uma estratégia de vacinação de grupos de risco”, sobretudo nas áreas suburbanas do Porto e de Lisboa. A solução inspira-se no modelo adotado por países, como Chipre, Eslovénia, Finlândia, França, Reino Unido, Noruega ou Suécia.

E enquanto a BCG sai, entra a tosse convulsa para mais crianças. A atual vacinação só é possível a partir dos dois meses de vida e o objetivo é acabar com o período 'a descoberto', que matou sete bebés entre 2012 e 2015. Assim, as grávidas terão acesso à vacina para poderem transmitir a imunidade aos filhos, deixando-os protegidos entre o nascimento e a administração da primeira dose.

Frederico Carvalhão Gil, o espião detido em flagrante, em Itália, a vender segredos da Nato a um espião russo, está em casa com pulseira electrónica. A decisão de alterar a medida de coação, de prisão preventiva para domiciliária, foi tomada esta quinta-feira pelo juiz Ivo Rosa do Tribunal Central de Instrução Criminal. A SIC acompanhou a sua ida para casa em exclusivo nesta reportagem.

A eventual comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos vai fazendo o seu caminho. O Correio da Manhã faz as contas e explica que as perdas do banco público já custaram €600 a cada português. São seis mil milhões de perdas a dividir por cada português.

O Público também puxa o caso para manchete, mas com contas alargadas a todo o setor: maiores bancos perdem 17 mil milhões de euros de créditos em cinco anos. A Caixa não foi o banco que mais imparidades teve que registar, mas neste momento dificilmente escapará a uma polémica comissão de inquérito.

O PSD já decidiu recorrer a um direito potestativo para tornar a comissão de inquérito obrigatória. Mas mesmo que a levasse a votos, tinha probabilidades de a ver ser aprovada. O CDS é a favor do inquérito à Caixa, o BE também (embora com condições no que toca ao âmbito da investigação) e o PCP, que começou por criticar muito o PSD, está disponível para que “se apurem os factos”. OU seja, vem aí mais uma comissão parlamentar a um banco, uma espécie de Guerra dos Tronos do Canal Parlamento.

Hoje é o dia 101 do Anno Marcellus, assim denominado em honra do hiperativo Presidente da República. Ora, se assim é, ontem foi o dia 100 e, como tal, data para contagens várias. A história conta-se assim: o Presidente já teve 250 iniciativas, fez 9 visitas ao estrangeiro (estão outras a caminho…) e misteriosamente esteve dezoito dias sem dar sinais de vida. Veja o vídeo que resume estes cem dias. Já agora, sugiro uma comissão de inquérito aos 18 dias em que ninguém viu o Presidente.

O Presidente brasileiro leva menos dias no poder, mas muitos mais de crises e escândalos. Ontem caiu mais um ministro do governo de Michel Temer. Três demissões em pouco mais de um mês e todas por alegados casos de corrupção. É obra.

Desta vez foi o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, que pediu demissão do cargo por ser alvo da Operação Lava Jato. Henrique Alves foi citado na delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado como beneficiário do esquema de corrupção da Petrobras. Já se fazem contas a quem será o próximo a cair, sendo que o próprio Temer já treme um pouco.

Nos EUA, Bernie Sanders fez esta madrugada um apelo aos seus apoiantes para que se unam em torno da candidatura dencer Hillary Clinton, deixando claro que não será mais opositor da candidata oficial do Partido Democrata.

O discurso foi uma espécie de anti-climax para os apoiantes que seguiram Sanders ao longo de 14 meses de campanha, mas o senador do Vermont quer agora trabalhar ao lado de Hillary para impedir queDonald Trump possa vencer as presidenciais deste ano.

O Euro 2016 continua, com as atenções divididas entre os relvados e a violência nas ruas. Hoje há três jogos, dois do grupo D e um do Grupo E:

Em Toulouse, cidade do Sul de França onde o râguebi esmaga o futebol na atenção popular, a surpreendente Itália enfrenta às 14h a Suécia de Ibrahimovic, que precisa de vencer depois do empate com a Irlanda.

Às 17h, em Saint-Étienne, a República Checa defronta a CroáciaResultados do Euro. Os checos perderam na primeira ronda e precisam de ganhar, mas a Croácia deixou muito boa impressão no jogo inicial.

À hora do jantar, os campeões europeus jogam em Nice com a Turquia. A Espanha conseguiu uma difícil vitória no jogo de arranque e tem um desafio muito difícil com os turcos.

Algumas curiosidades:

Espanha não sofre um golo há quase dois anos. La Roja leva 813 minutos com a baliza imaculada (453 com Casillas e 360 com De Gea). Em todo esse período, os espanhóis marcaram 18 golos.

Espanha não perde há 13 jogos consecutivos em fases finais de Europeus. A última derrota foi contra Portugal (1-0) no Euro 2004!

Sergio Ramos vai hoje ultrapassar o recorde de 133 internacionalizações de Xavi Hernández, passando a ser o jogador de campo (sem contar s guarda-redes) que mais vezes jogou por Espanha.

Dos 552 jogadores convocados para o Europeu, 36 jogam na liga turca (17 na seleção da Turquia e 19 nas restantes). A Superliga turca é a quarta com mais representantes no Euro, só ultrapassada pela liga inglesa (137 jogadores), alemã (65) e italiana (56).


Amanhã encerra a segunda ronda da fase de grupos, com Portugal a pisar o relvado do Parque dos Príncipes, em Paris às 20h, contra a Áustria. Depois da desilusão do jogo com a Islândia, há apostas sobre quantas mudanças vai fazer Fernando Santos no onze inicial.

FRASES

“Quem escolhe a equipa é Fernando Santos”. Renato Sanches, jogador da seleção, numa alegada resposta a críticas de Jorge Jesus

“Ronaldo vai chorar muito”. Título de A Bola atribuído a austríacos

“O futebol castiga quem não é humilde”. Vicente del Bosque, treinador de Espanha na capa do As

“L’Équipe”. Manchete da Marca, principal jornal desportivo espanhol, puxando para título o nome do principal jornal desportivo francês. Bem conseguido.

O QUE EU ANDO A LER

Angus Deaton foi Prémio Nobel da Economia em 2015 e escreveu um livro, publicado em Portugal pela Editorial Presença, que aborda de uma forma muito inteligente e nada óbvia um dos temas mais presentes nos atuais debates políticos e económicos: a desigualdade.

A Grande Evasão: saúde, riqueza e as origens da desigualdade” é o título e subtítulo do livro de Deaton, hoje professor em Princeton com uma vida folgada, mas sem nunca esquecer as suas raízes familiares, numa dura aldeia carbonífera de Inglaterra.

Angus Deaton olha para o progresso económico sempre a par da evolução dos índices de saúde em cada país. Consegue, com isso, umamagnífica abordagem ao tema da desigualdade e aos extraordinários progressos da humanidade nos últimos séculos e décadas, bem como aos fossos que se cavaram entre países, regiões ou continentes.

Deaton valoriza sempre os investimentos em saúde pública e o reforço da democracia, como condições de base ao desenvolvimento económico sustentável e equitativo. Para quem queira perceber o alcance do livro, deixo esta crítica do The Economistou esta mais longa do The New Yor Times à edição americana.

O livro leva um bom fim de semana a ler, embora os jogos do Euro atrapalhem um pouco a leitura. Até lá, e mesmo enquanto espreita os jogos, tem sempre o Expresso Online e ao fim da tarde o Expresso Diário, com toda a informação atualizada e ordenada e opinião em primeira mão. Amanhã o Expresso está nas bancas e o Expresso Curto regressa segunda-feira.

Tenha um bom dia.

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