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sábado, 18 de junho de 2016

Prisão dos ativistas angolanos é "manobra de diversão" para perpetuar família dos Santos no poder



O ativista angolano Rafael Marques criticou hoje a manutenção na prisão dos 17 cidadãos jovens condenados por rebelião e associação de malfeitores, alegando tratar-se de uma "manobra de diversão" para perpetuar no poder a família do Presidente de Angola.

Contactado telefonicamente desde Lisboa pela agência Lusa, Rafael Marques disse a partir de Luanda que a "ditadura está a transformar-se em dinastia", através da prisão de "inocentes", de forma a "vitimizar" José Eduardo dos Santos, que, cada dia que passa, "se torna no inimigo" do povo.

"Pode-se dizer que há uma ditadura em Angola. Essa ditadura quer transformar-se numa dinastia e está a prender indivíduos inocentes para tentar vitimizar o Presidente, que é o principal agressor neste momento e que, a cada dia que passa, se vai tornando no inimigo do povo angolano", afirmou.

A 20 de junho de 2015, uma operação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) fez em Luanda as primeiras detenções deste processo, que mais tarde ficaria conhecido como "15+2", em alusão aos 15 ativistas que ficaram meio ano em prisão preventiva e duas jovens que aguardaram o julgamento em liberdade, constituídas arguidas em setembro.

Todos foram condenados por rebelião e associação de malfeitores e encontram-se atualmente a cumprir penas de prisão efetiva até oito anos e meio, facto que, para Rafael Marques serve de pretexto ao regime e família de José Eduardo dos Santos para se manter no poder.

"O Presidente criou aqui uma grande diversão com a prisão destes rapazes e, estando há 36 anos no poder, conseguiu lançar algumas dúvidas sobre se havia tentativas para o derrubar ou não. E com isso conseguiu instalar a filha (Isabel dos Santos, na presidência da Sonangol). Isto foi uma grande manobra de diversão", insistiu.

"Estes jovens estão a pagar por uma manobra de diversão para o Presidente estender o seu mandato ou entregá-lo à sua filha. É a partir deste prisma que temos de ver a questão. Eles (jovens ativistas) cometeram algum crime? Nenhum", acrescentou.

Para Rafael Marques, as mudanças que estão a ocorrer em Angola limitam-se à "transferência de poderes do Estado para a família do Presidente e para os seus colaboradores mais próximos".

"Neste momento, o país está a ser gerido por um Governo paralelo e é uma prática que o Presidente vem mantendo ao longo dos anos, só que este deverá ser o Governo com mais poderes. A filha, neste momento, é efetivamente copresidente. O vice-Presidente, Manuel Vicente, desapareceu das atividades públicas, agora só se ouve falar na filha e no Presidente", argumentou.

As críticas do ativista angolano voltaram-se também para a própria sociedade civil de Angola, defendendo que as mudanças políticas só ocorrerão se forem resultado da pressão popular.

"Neste momento, a sociedade angolana continua a acobardar-se, a evitar assumir a defesa dos direitos de cidadania, dos direitos civis e políticos de uma forma mais agressiva, então estes jovens correm o risco de ficar mais algum tempo (na prisão)", disse.

Salientando que, apesar de tudo, não acredita que os 17 ativistas detidos cumpram a totalidade da pena de prisão, Rafael Marques salientou que Angola vive um momento que constitui "um grande teste à sociedade civil angolana".

"Ou a sociedade se levanta para defender estes jovens, ou corremos o risco de aceitarmos, e mais uma vez sermos subjugados, por uma família que é antipatriótica e que não tem os interesses deste país nas suas ações diárias. É um teste ao ativismo, à capacidade de os angolanos defenderem a Justiça e os Direitos Humanos. O Presidente está a provar que continua a ter uma sociedade manietada e que pode fazer aquilo que bem entende", concluiu.

JSD // VM - Lusa

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