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domingo, 10 de julho de 2016

TÁTICA PARA FRANCESES



Afonso Camões* – Jornal de Notícias, opinião

Têm fama de quem se lava pouco, pelo que cultivam em perfumaria, para além de inventores do champô seco e do bidé. Inspirados num tal Chauvin, soldado de Napoleão que 10 vezes tombou e outras tantas se levantou, os franceses inventaram para si próprios a palavra chauvinismo, a que os dicionários associam a ideia de um patriotismo tão grande quanto o desprezo pelos outros, a quem olham por cima da burra.

Descontando isso, devemos ao general Loison, que também alinhava na equipa de Napoleão quando os franceses tentaram tomar-nos conta do campo, uma das nossas piedosas expressões do falar. Era, na 1ª invasão, o braço-direito de Junot, porque já perdera o esquerdo, era maneta. E de tão temerário, com rasto e cadastro de pilhagens e violações, o perpetuamos na memória, quando, por condenação, mandamos alguém para o maneta!

E já que falamos mal deles, a quem temos de ganhar mais logo, atravessa-se-me o chinês Sun Tsu, dotado nas artes da guerra e em dar bitaites para crónicas de domingo: "Se conheces o adversário e te conheces a ti próprio, não temas o resultado de 100 batalhas. Se te conheces mas não conheces o adversário, por cada vitória ganha sofrerás também uma derrota. Se não conheces nem o adversário nem a ti mesmo, perderás todas as batalhas".

Conhecemo-los bem e, em campo, são 11 como nós. De um lado e outro há sangue português e francês. Mas hoje é para lhes ganhar, e na França que também amamos, mesmo à boca pequena, esse berço e farol do iluminismo e da modernidade, nas artes, na ciência, na cultura. Mas também colo imigrante e multirracial que abriu as portas da Gare de Austerlitz a milhões dos nossos, mesmo que na banlieue e nós de porteiros.

Enquanto tal, no balneário português reina a confiança, palavra de capitão Cristiano. Quanto ao outro, Marcelo, sei de boa fonte que o nosso presidente passou as últimas horas a recato, confiante na sorte do jogo e a descansar destes dias turbulentos. É bom augúrio senti-lo tranquilo. Os folhetins do défice, das sanções, do Brexit hão de esperar por terça-feira, depois da bola e das festas que precisamos.

A história da final de hoje só há de lembrar o vencedor. Pois é preciso ganhá-la, nem que seja com a mão, mandá-los para o maneta! A UEFA calcula que mais de 300 milhões de telespectadores estarão a ver o desafio, mas há outra coisa que sabemos. Logo mais, há uma pátria parada em todas as latitudes onde se fala a língua portuguesa. Um Mundo que sabe o que significa "anda, tu bates bem!"

*Diretor

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