quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Onde estava Meryl Streep enquanto Obama processava denunciantes e bombardeava casamentos?


O discurso anti-Trump de Streep, no domingo, no Golden Globes, foi uma performance sublime. De uma hipocrisia pura e inalterada.

Danielle Ryan, RT News*

Certo, primeiro vamos tirar uma coisa do caminho: eu adoro a Meryl Streep. Julguem o quanto quiser, mas o Diabo Veste Prada é um clássico e não vou me desculpar por isso.

O discurso anti-Trump de Streep no domingo no Golden Globes foi uma performance sublime. Foi entregue com emoção e graça. Um verdadeiro momento emotivo para qualquer um preocupado com a era Trump que se aproxima.

E ainda assim...fedeu. Foi podre, de fato. De uma hipocrisia pura e inalterada. Porque Streep, infelizmente, é da raça comum de hipócritas liberais de Hollywood. Sabe, aqueles cujas credenciais de coração partido não são encontradas enquanto o ocupante da Casa Branca é um Democrata legal que é amigo da Beyoncé.

Em seu discurso apaixonante, Streep convocou seus colegas e fãs a se unirem a ela e doarem para o Comitê de Proteção aos Jornalistas: “Precisamos que a imprensa tenha poder de responsabilizá-los por cada escândalo. É por isso que nossos Pais Fundadores consagraram a imprensa e sua liberdade na nossa constituição”, ela disse.

Ela está certa, é claro. Mas me pergunto se Streep sabe, por exemplo, que a administração Obama foi a que mais perseguiu denunciantes em comparação aos seus predecessores combinados? É uma tradição que Trump provavelmente continuará, é claro, mas é estranho que a questão não tenha passado por sua cabeça até agora.

E onde estava Streep – repentinamente preocupada sobre como “violência incita violência” – quando Obama estava ajudando a Arábia Saudita a detonar o Iêmen, bombardeando funerais e festas de casamento? Ou quando sua “intervenção humanitária” na Líbia deu tão errado que transformou o país em um estado falido, permitindo a criação de grupos terroristas como o Estado Islâmico? Ou quando o grande unificador conquistou o apelido de ‘Reio dos Drones’ enquanto expandia o programa de Drones dos EUA e conduzia 10 vezes mais ataques aéreos que George W. Bush? Também uma tradição que Trump seguirá com prazer.

Onde estava Streep quando o ganhador do Prêmio Nobel da Paz bombardeava não um, dois, ou três – mas sete países diferentes? Para ser justa com Streep, ela provavelmente não percebeu que a imprensa não deu bola também. Algo engraçado sobre isso também, já que Streep e seus amigos estão preocupados com o desdém aparente de Trump com os estrangeiros: todos os países bombardeados pela administração Obama eram muçulmanos.

E onde estava Streep quando a administração Obama estava negociando em nome dos rebeldes “moderados” ligados à al-Qaeda na Síria? Na realidade, onde estavam todos os hipócritas no evento, quando Obama lançava 26.171 bombas em 2016? Ah é, estavam festejando na casa dele!

Olha, todas essas pessoas têm o direito de transmitir suas reclamações sobre Trump – e deveriam. Têm muitas discordâncias legítimas a serem expostas. Mas quando enterram suas cabeças na areia tão fundo assim, não merecem uma rodada de aplausos e adulação das massas. Merecem ser alertados para que acordem. Sua indignação moral é vazia ao menos que sejam consistentes em aplicá-la.

Quanto à Trump, seu ego facilmente atingido estava à mostra em sua reposta ao discurso de Streep quando a chamou de “atriz superestimada” – o que provavelmente não vai magoá-la como ela o magoou. Para ele, pode ser a hora de reconhecer que fará muito pouco em quatro anos se responder a cada insulto e desdém no Twitter.

A questão é, muitas das indignações que Streep e seus colegas da elite de Hollywood estão se debruçando agora não são específicas de Trump – e não são novas. Já estão acontecendo. Obama, o herói de Hollywood tornou ainda mais fácil para Trump perseguir jornalistas e denunciantes e bombardear inocentes se esse for o caminho que escolher. É hora de acordar.

Você é ótima atriz Meryl. A melhor, alguns dizem. Você poderia ao menos fingir se importar com isso, também.

Em Carta Maior – Foto: Reuters


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