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quarta-feira, 24 de maio de 2017

A ÚNICA GEOESTRATÉGIA AO NÍVEL DO SÉCULO XXI


 Martinho Júnior | Luanda 

"Os gansos de cisnes selvagens (disseminados por toda a Ásia, mas não povoadores da Europa) são capazes de voar longe e com segurança, através dos ventos e das tempestades, porque eles se movem em bandos e se ajudam como se faz numa equipe." – extracto de uma das intervenções do Presidente Xi Jinping. 

1- Nos dias 14 e 15 de Maio realizou-se em Pequim o Fórum “Belt and Road” para a Cooperação Internacional, a única geoestratégia ao nível das potencialidades e exigências do século XXI, que por via da inclusão poderá eclipsar a hegemonia unipolar, incapaz de contrapropor algo similar.

A “Nova Rota da Seda” tem a China como trampolim e prevê o estabelecimento dum encadeado enorme de projectos entre os portos chineses do Pacífico e os portos europeus do Atlântico, quer por via marítima, quer atravessando a massa continental entre a Ásia e a Europa.

A “Nova Rota da Seda” é “inclusiva”, quer dizer: a multipolaridade está a ponto de entrosar todos os interesses elevando a fasquia dos relacionamentos económicos, comerciais, financeiros, sócio-políticos e culturais a um nível sem paralelo, nos termos duma “globalização” que nada tem a ver com o obsessivo domínio da hegemonia unipolar, que inexoravelmente se espera se irá diluindo, restando a sua memória enquanto referência dum modelo capitalista arcaico e mentor, no seu estertor, da pior espécie de barbaridades, caos e terrorismo.

2- Uma nova era carregada de esperanças para uma fatia maioritária da humanidade teve em Pequim a sua janela aberta, uma janela que não impedirá os povos de encontrar as melhores opções para os seus próprios projectos nacionais, para os seus próprios destinos, inclusive os indexados ao socialismo, à democracia paricipativa e ao desenvolvimento sustentável.

Face à “globalização inclusiva” a “civilização judaico-cristã ocidental” nada tem como contrapartida viável, pelo que o único remédio é mesmo incluir suas capacidades nessa geoestratégia que irá contribuir para mudar em definitivo os termos da globalização… e quanto mais tarde o fizer, mais nocivo para seus próprios interesses.

Os desequilíbrios contemporâneos tenderão a atenuar-se com uma geoestratégia dessa natureza, que implica um ambiente de paz cosmopolita, onde se poderão ir também espelhando os interesses das comunidades e dos povos.

3- Segundo Pepe Escobar, um jornalista esclarecido sobre o andamento dessa geoestratégia, “as grandes ideias por trás desse grande plano chinês, no entanto, ainda estão se perdendo em tradução.

Inicialmente, esta via expressa trans-asiática foi anunciada como One Belt, One Road (OBOR), uma tradução literal do chinês yi dai yi lu.

Agora, é a Iniciativa de Cinturão e Estrada (BRI), mas que ainda não vai até o Ocidente, mesmo que a China tenha tentado adicionar um pouco de soft power nela, na tentativa de ‘vender’ o Belt and Road para crianças de língua inglesa.

Eu fiz a cobertura dessa nova estrada da seda desde que ela foi anunciada pela primeira vez, em 2013.

A ideia começou no Ministério do Comércio e depois se desenvolveu como uma extensão natural da campanha Go West - focada no desenvolvimento da província ocidental de Xinjiang - lançada em 1999.

O Ministério do Comércio agora reitera que a OBOR/BRI é um plano global e não apenas ligado à presidência Xi Jinping.

A cúpula de Pequim tenta retratar como o seu ambicioso conceito de comércio livre se tornou uma visão compartilhada win-win multilateral que conecta toda a Eurásia. Ou, para colocá-lo de forma mais simples, globalização Mark II. Ou 2.0”…

No Fórum recente realizado em Pequim, sob os auspícios do Presidente chinês Xi Jinping houve uma atracção de interesses provenientes de todo o mundo, desde os Países Não Alinhados, aos europeus e até dos Estados Unidos, representados por Matt Pottinger, Assistente Especial do Presidente e Diretor Sénior para o Leste Asiático no Conselho de Segurança Nacional.

Como a Federação Russa é incontornável nas ligações este-oeste, o Presidente Putin e oMinistro das Relações Exteriores, Segey Lavrov, destacaram-se pels suas interveções, importantes em relação à espinha dorsal dageoestratégia e para as derivas enunciadas desde já: Paquistão e Turquia.

A Federação Russa é fundamental para as articulações que possibilitam a integração dos componentes da Ásia Central, do Mar Cáspio, do Irão, da Turquia e, mais a ocidente, da Bielorrússia.

Segundo ainda Pepe Escobar, “a maioria dos países do ocidente ainda precisa de um meteorologista para ver em que direção o vento está soprando. E muitos meios de comunicação ocidentais gostam de rejeitar a OBOR/BRI tratando-a como uma conspiração, um esquema ou uma tentativa chinesa de cercar a Eurásia.

Apenas um líder do G7 esteve em Pequim – o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, muito empenhado em investigar as ligações simbióticas entre o programa da indústria italiana 4.0 e a iniciativa madeireira China Made in China/2025.

Angela Merkel pode ter recusado o convite para a cúpula; mas não importa, porque os industriais alemães estão todos com o OBOR/BRI”…

A 1 de Janeiro deste ano, partiu de Zengzhou em direcção a Londres o comboio inugural da Nova Rota da Seda do século XXI…

Segundo o RussiaToday de 5 de Janeiro de 2017: “operado por la Corporación de Ferrocarriles de China, el tren partirá desde la estación de Yiwu, en la provincia oriental de Zhejiang, para recorrer durante 18 días los más de 12.000 kilómetros que lo llevarán hasta Londres.

Antes de su destino final, el tren chino de carga deberá pasar por Kazajistán, Rusia, Bielorrusia, Polonia, Alemania, Bélgica y Francia”…

Conforme o Presidente Xi Jinping: "a Grande Eurásia não é um arranjo geopolítico abstrato; sem exagero, é um projeto verdadeiramente civilizatório, voltado para o futuro."

À hegemonía unipolar, só resta paulatinamente e em relação ao futuro, pôr fim aos termos dum domínio anglo-saxónico avassalador e desequibrador, integrando uma “globalização inclusiva”que abarcará irreversível e inexoravelmente os próprios territórios que compõem o espaço físico-geográfico da “civilização judaico-cristã occidental”…

A NATO já está obsoleta e nem o Presidente Trump, com todo o arsenal estado-unidense, poderá evitá-lo de facto, muito menos fazendo uso de qualquer tipo de argumento ou cosmética!

A consultar de Martinho Júnior:
JOGO DE CINTURA RUSSA ENTRE ATRACÇÃO E REPULSÃO – http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/04/jogo-de-cintura-russa-entre-atraccao-e.html
A GEOESTRATÉGIA RUSSA RESPONDE À HEGEMONIA UNIPOLAR – http://paginaglobal.blogspot.com/2014/02/a-geoestrategia-russa-responde.html
A RÚSSIA NA BATALHA PELO ESPAÇO A NORTE DO MAR NEGRO – http://paginaglobal.blogspot.com/2014/03/a-russia-na-batalha-pelo-espaco-norte.html

A consultar:
China pone en funcionamiento el primer tren de carga con destino a Londres – https://actualidad.rt.com/actualidad/227690-china-funcionamiento-primer-tren-londres
China to invest heavily in Belt and Road countries – http://www.chinadaily.com.cn/cndy/2017-05/13/content_29328683.htm
The Belt and Road Initiative – A road map to THE FUTURE – https://beltandroad.hktdc.com/en/belt-and-road-basics

Ilustrações: O símbolo do “Belt and Road Inniciative”; Mapa da abrangência inicial da geoestratégia; O Presidente Xi Jinping no Fórum; Foto oficial de Xi Jinping e Putin.

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