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quinta-feira, 8 de junho de 2017

BANDO DE SALAFRÁRIOS, TODOS ATRÁS DO VIL METAL



A tempo e horas eis o Curto que trazemos aqui quase todas as manhãs (quando somos pontuais). Hoje é servido por Ricardo Marques, do burgo Impresa, que é o mesmo que dizer a informação e a alienação em produto branco. Compre um e leva com todos. Como essa Impresa há mais desses grupos ou burgos. Talvez por isso os portugueses já nem possam dizer que “não vão em grupos”. É o come e cala. Os do capital ao serviço da tarefa aplicada da manipulação das mentes. E conseguem fazê-lo com bons resultados… nos mais distraídos, que são a maioria.

O tique de enviar o português (a língua) para o escanteio perdura e desenvolve-se, pelo visto. Hoje temos Curto a abrir com língua de vaca em vez da língua portuguesa. É chique, provavelmente. Que se lixe a língua, exceto a estufada. E assim se trata tão mal o português. Adiante que se faz tarde e a praia espera-nos.

A prosa está em baixo, a seguir se continuar a ler. Por acaso não começa com “goodmorning”. É para admirar. Entenda-se que os estrangeirismos aplicados por Ricardo Marques, o autor que se segue, tem razão de ser, com boa vontade. É que a história imaginativa com que abre oferece-lhe espaço para issso. Mas, podia não der assim e sim tudo em português. A língua de Portugal e dos portugueses. Ora, que se lixe. Mas que implicância!

Que hoje é dia de eleições no Reino Unido. Pfff. Pois. Um palpite: nada vai mudar. Deixem-se de tangas. O resto é só “serrar presunto”.

Depois disso vem Trump e futebol. Fátima desta vez não completa a grelha do costume, nem o fado. A não ser o fado (vivência de trampa e destino igual) dos desgraçadinhos portugueses que andam a sustentar a chularia de políticos (alguns) gestores e outros que até parecem que integram uma máfia que nos acossa e rouba sem parar.

Tudo está bem quando acaba em bem. Mas por aqui vamos acabar esta prosa de abertura sabendo que tudo está mal e que a bandidagem cresce a olhos vistos. Todos atrás do vil metal. O dinheiro, os cifrões, os euros. Bando de salafrários.

Mesmo assim, se conseguirem tenham um bom dia. E leiam o Curto, vale sempre o tempo de sabermos as linhas com que nos devemos cozer, por defesa. Por Portugal.

MM | PG


Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Ricardo Marques | Expresso 

Life is not très facile. É uma festa

“London is a riddle. Paris is an explanation.”, G. K. Chesterton

Ontem, a altas horas da noite e com o documento word teimosamente em branco, imaginei que um inglês, um francês e um português estavam num daqueles bares antigos a ver o terceiro jogo da final da NBA – os Golden State Warriors fizeram o 3-0 e estão a uma vitória do tão desejado anel de campeão e de entrarem para a história como a única equipa a acabar o playoff sem derrotas.

Imaginei-os, já depois do fim do jogo, sentados em bancos altos de madeira. Cada um tinha à sua frente no balcão uma folha e uma caneta. Nada de computadores. “Pago um copo a quem escrever o melhor arranque para o Expresso Curto”, disse-lhes o barman (que era eu). Dez minutos depois estavam prontos.

“Bom dia. Hoje vamos votar e ninguém sabe bem no que isto vai dar. Há um mês, a única dúvida era saber por quanto ia ganhar a senhora May. Agora, apesar de ainda se falar disso, fala-se também na hipótese de ela perder para o senhor Corbyn. No Guardian, o historiador Timothy Garton Ash defende que o grande desafio desta eleição é preparar o que resta do Brexit e deixa um espécie de guia para o voto útil. No entender dele, claro. A verdade é que se falou muito pouco do Brexit – o motivo pelo qual as eleições foram convocadas – e muito mais de atentados e de terroristas e do papel que a atual primeira-ministra desempenhou quando era ministra do Interior (leia-se cortes nas forças de segurança). E depois há toda aquela conversa sobre direitos humanos... Na verdade, se querem saber tudo o que está em causa (e é bastante e nada simples), o melhor é lerem o excelente ponto de situação feito pelo Pedro Cordeiro, no Expresso."

“Bom dia. Domingo há eleições e ninguém tem grandes dúvidas quanto à vitoria do nosso recém-eleito presidente, o senhor Macron. É até bastante possível que consiga a maioria absoluta – pelo menos é isso que indicam os votos dos franceses que moram no estrangeiro (há muitos aí em Portugal, certo?). As sondagens dizem o mesmo e, como tal, o nosso jovem presidente, que desafiou Trump e prometeu tornar o planeta grande outra vez, irá acordar no dia 19 (há uma segunda volta das eleições a 18) como a nova grande esperança da Europa. Infelizmente, também não escapamos ao terrorismo e ainda estamos a tentar perceber o que aconteceu terça-feira em Paris.”

“Bom dia. A seleção joga amanhã e aposto, mas aposto mesmo, que o Ronaldo marca dois golos. No sábado é feriado, o que, sendo bom, podia ser melhor. É como ter um cubo de chocolate no meio da mousse. Terça-feira é feriado outra vez, o que significa que segunda é uma espécie de domingo gordo. E quarta estaremos todos a recuperar dos santos populares. Principalmente da carteira - estive a espreitar o preço da sardinha e está pela hora da morte. Quase oito euros o quilo no supermercado, quando sai da lota a menos de um euro. E o tempo também não vai estar famoso. Felizmente ontem consegui distrair-me um pouco. Estive a ver televisão e deu na SIC, à hora do telejornal, o segundo episódio da série Gomes Ferreira – Costa. (spoiler alert: eles anunciaram pelo menos mais dois episódios). É um animado talk-show sobre política e economia, com muitos gráficos e tabelas e boa disposição. O “Zé Gomes” e o “António” funcionam muito bem em televisão. Tão bem como o país. Já vos disse que ganhámos o Euro? E o festival da canção? Pois é. O que nos preocupa é saber se o “Zé Gomes” é da equipa Centeno-Ronaldo ou da equipa Não-Centeno-Messi. O "António" é Ronaldo. Já vos disse que ele é o maior e se farta de ganhar dinheiro? ”

OUTRAS NOTÍCIAS

Resolvido o problema, vamos então aos restantes assuntos a ter em conta durante o dia.

Exceto se for um aluno do 5.º ano. Nesse caso, é melhor pousares o telemóvel e pegares no livro de História porque a prova de aferição está quase a começar.

José Júlio Pereira Gomes, o diplomata que o primeiro-ministro escolheu para secretário-geral do SIRP, anunciou ontem, em comunicado, que não estava disponível para aceitar o cargo, mas garantiu que nada fez de errado em Timor. A decisão surge numa altura em que subia de tom a contestação, inclusive dentro do PS. Pode ler aqui um resumo das reações partidárias.

António Costa, na entrevista à SIC (que certamente será escrupulosamente analisada durante o dia), reconheceu que desconhecia a polémica sobre a situação em Timor e lamentou a indisponibilidade do diplomata. “O país perdeu um excelente secretário-geral do Sistema de Informações da República”, disse o primeiro-ministro, que agora terá de encontrar uma segunda solução.

Entretanto, a deputada e vice-presidente do PSD Teresa Morais falhou esta quarta-feira os dois terços necessários para ser eleita para o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações da República Portuguesa.

António Costa vai estar hoje no Parlamento, assim como o ministro das Finanças. O primeiro-ministro participa no debate quinzenal e o tema vai ser a educação, numa altura em que parece estar em curso uma espécie de guerra fria entre o Governo e os sindicatos de professores.

Já Mário Centeno vai estar na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar à atuação do XXI Governo Constitucional no que se relaciona com a nomeação e a demissão da Administração de António Domingues. Anteontem passou por lá o secretário de Estado adjunto e das Finanças, Mourinho Félix.

(Fique a saber que, durante o dia, os deputados da Comissão de Agricultura e Mar vão receber o Projeto de Lei n.º 538/XIII/2ª, que "proíbe a caça à raposa e ao saca-rabos e exclui estas espécies da Lista de Espécies Cinegéticas, procedendo à oitava alteração ao Decreto-Lei nº 202/2004, de 18 de agosto")

Outro assunto que promete dar que falar – ou não andasse à volta de dois temas que apaixonam a nação, futebol e corrupção - é o inquérito aberto pelo Ministério Público à troca de e-mails entre o diretor da Benfica TV e o ex-árbitro Adão Mendes, caso que foi divulgado pelo diretor de comunicação do FC Porto. "Um esquema de corrupção de árbitros para favorecer o Benfica", resumiu Francisco J. Marques, deixando no ar a hipótese de existir uma raposa escondida com o rabo de fora.

No Porto começa hoje o Primavera Sound e há muitas novidades no que diz respeito à segurança. Com o selo de qualidade da Blitz fica um guia para os três dias de música a norte.

Sérgio Conceição deve ser apresentado hoje como treinador do Porto (há uma fotografia dele com Pinto da Costa, tirada ontem no Estádio do Dragão, na capa do Jornal de Noticias). Leonardo Jardim renovou com o Mónaco e vai defender o título de campeão francês.

Na atualidade internacional, prepare-se para um dia a ouvir falar de Trump e terrorismo.

À medida que vão sendo conhecidos pormenores sobre os ataques no Irão – o New York Times tem um excelente trabalho sobre os atentados de ontem - é provável que comecem a surgir análises mais completas. O Daesh reivindicou os ataques, mas, como conta a CNN, a guarda revolucionária iraniana está convencida de que houve intervenção da Arábia Saudita, e também dos EUA. A acusação promete aquecer ainda mais o já escaldante ambiente na região do Golfo, com o isolamento do Qatar – que já pôs todas as tropas em alerta.

É como se estivéssemos a ver peças de dominó a cair. Algumas bem perto de nós: a Alemanha está a retirar as tropas da Turquia.

E quem é que se oferece para ajudar? Pois. Ele mesmo. Donald Trump, que tem passado várias horas ao telefone em chamadas internacionais. É que a nível interno a situação é a do costume: ontem, depois de ter anunciado a sua escolha para diretor do FBI ( Christopher Wray), o presidente dos EUA viu a imprensa americana divulgar parte daquilo que o antigo diretor (James B. Comey, que Trump despediu) vai dizer hoje no Congresso, quando for ouvido. “Not good, not good”, diria Trump.

A julgar pela emissão da CNN ontem à noite – em que tanto se falou de Nixon e do Watergate e onde até havia um relógio em contagem decrescente para o inicio do depoimento de Comey – pode estar aqui o início oficial de um processo muito complicado, e de consequências imprevisíveis, para o homem que o mundo adora odiar.

Rumando a sul, há mais presidentes em apuros. Não um, mas dois. No Brasil decorreu ontem o segundo dia daquilo a que os brasileiros chamam o “julgamento da chapa Dilma-Temer” e hoje, garante a imprensa, é o dia decisivo.
Na Venezuela, o cenário é cada vez mais negro. Manifestações, confrontos, escassez de bens, polícias envolvidos em assaltos, e muitas empresas a fechar. No Vaticano, o Papa Francisco recebe hoje líderes religiosos venezuelanos.

Na África do Sul, fogo e chuva estão a deixar um rasto de morte. Milhares de pessoas foram evacuadas devido a um incêndio – o mais violento das últimas décadas – que já provocou três mortes. . Ao mesmo tempo, uma poderosa tempestade está a atingir a cidade do Cabo e oito pessoas já perderam a vida, assegura a BBC.

A Coreia do Norte fez ontem mais um lançamento de mísseis, mas os detalhes só deverão começar a ser conhecidos esta manhã.

São de esperar também novidades sobre o avião militar de Myanmar que se despenhou no mar, a cerca de 20 milhas da cidade de Dawei. Seguiam a bordo 116 pessoas.

MANCHETES

Correio da Manhã:"Conta da Suíça paga casa em Lisboa"
Público: “Governo propõe a juízes aumento de 155 euros por mês”
DN: “Ex-governante abre o livro contra os lóbis da energia”
JN: “IRS vai baixar para um milhão de portugueses”
I: “Metade das licenciaturas têm uma taxa de desemprego acima da média nacional”
Visão: “A guerra milionária do negócio do sangue”
Sábado: “Dietas radicais”

O QUE ANDO A LER

O acidente com o avião militar de Myanmar fez-me voltar ontem a um artigo que tinha lido há dias na Wired . É difícil acreditar, mas hoje passam exatamente três anos e três meses desde do desaparecimento do voo MH370 da Malasyan Airlines e das 239 pessoas que seguiam a bordo. Desde então, foram gastos mais de 150 milhões de dólares nas operações de busca no sul do Oceano Indico – sem qualquer resultado além de pequenas partes que podem pertencer ao avião e que deram à costa em Moçambique.

No entanto, como nota a Wired, é difícil dizer que foram três anos perdidos. Graças às operações de busca, os cientistas têm hoje muito mais informação sobre o fundo do oceano e sobre as correntes e como estas arrastam os destroços – um conhecimento que pode ser útil em acidentes futuros.

Acima de tudo, o que o caso do MH370 mostra é que, no mundo da Internet e dos telemóveis e da Inteligência Artificial, há ainda um universo de realidade que nos escapa e que, de vez em quando, regressa do passado para nos surpreender.

Sim, a verdade é que mal conhecemos o mundo em que vivemos. E se não acredita, pergunte a Brahmantya Satyamurti.

Não é fácil apanhar este antigo programador informático que durante alguns anos morou em Londres, embora não gostasse lá muito do clima. Hoje, o mais provável é encontrá-lo num pequeno barco no Índico, a navegar de uma ilha paradisíaca para a seguinte – e são muitas. De acordo com uma estimativa, serão 17.508 as ilhas que constituem a Indonésia. Mas, lá está, é uma estimativa.

O trabalho do senhor Satyamurti, que agora é funcionário do ministério indonésio de assuntos marítimos e pescas, é contar ilhas. Tudo para que, em Agosto, a Indonésia as possa registar numa conferência das Nações Unidas. Na última reunião, há cinco anos, o número ia em 13.466 e, desde então, já foram ‘encontradas’ mais 1700 ilhas. O jornalista do Financial Times perguntou a Satyamurti quais são as suas ilhas preferidas. “Aquelas em que não posso ser contactado por telefone”, disse ele.

Não lhe ligue.

Tem informação durante todo o dia no telefone e no computador em www.expresso.pt e às seis da tarde uma nova edição do Expresso Diário. Amanhã, haverá novo Expresso Curto, com o Henrique Monteiro. E embora ele diga que não, é a pessoa certa para nos explicar este admirável mundo louco em que vivemos.

Tenha uma excelente quinta-feira.

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