quinta-feira, 8 de junho de 2017

EDPORTUGAL | COM O CATROGA NÃO SE BRINCA

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Rafael Barbosa* | Jornal de Notícias | opinião

"Não se brinca com uma empresa cotada, lançando denúncias anónimas". A frase é de Eduardo Catroga e marca um antes e um depois nesta absurda história das suspeitas de corrupção na EDP e na REN. Antes, ainda podíamos ter umas quantas dúvidas quanto ao facto de a EDP andar a receber milhares de milhões de euros à conta de rendas impossíveis de compreender, mesmo que nos façam um desenho. Depois, percebemos que isto é coisa de magistrados mal-intencionados que acreditam em fábulas contadas por cobardes que atiram a pedra e escondem a mão. Ao contrário de Eduardo Catroga, que esse dá sempre a cara em defesa da honra e dos lucros de quem lhe paga o salário (coisa pouca, 45 mil euros por mês).

Para quem duvidar da probidade do ex-ministro das Finanças e ex-negociador com a troika (sempre por escolha do PSD), basta recordar o episódio de abril do ano passado (é fácil de encontrar no Youtube), em que se colou ao primeiro-ministro António Costa, puxando-lhe insistentemente pela manga do casaco, enquanto pedia uma palavrinha em nome dos acionistas chineses da EDP: "Se você precisar de mim para eu dar aí alguns entendimentos eu disponho-me a isso. Porque eu tenho essa visão da política que não é partidária!" Verdadeiramente exemplar. Depois disto, e perante mais um aperto para a EDP, só poderia ser ele a assumir a responsabilidade de defender a honra do convento.

Julgo que os portugueses ficaram convencidos. Bem podem lançar suspeitas sobre os gestores que andam a alternar entre a EDP, REN, BES (e o sucedâneo Novo Banco) e os gabinetes governamentais. Bem podem por aí vir falar de um ministro, o que negociou as rendas, e que também andou pelo BES - ainda que no imaginário popular seja para sempre o dos "corninhos" no Parlamento -, por ter dado umas aulas na Universidade de Columbia, em curso patrocinado pela EDP. É tudo fruto de trabalho esforçado e prestígio internacional. Ou, para usar o complexo léxico de Eduardo Catroga, tudo gente disposta a fazer "entendimentos". Gente que não tem da política uma visão partidária, antes uma visão de negócio, que é como deve ser. Nada que se deva confundir com corrupção e outras palavras feias que não condizem com os sapatos lustrosos e os fatos de corte impecável das nossas elites.

Depois de ouvir Eduardo Catroga e as suas frases eletrizantes o que apetece mesmo é ir a correr pagar os 470 euros (mais juros) que, dizem-nos, cada um dos 10 milhões de portugueses está a dever às empresas produtoras de eletricidade. E isto é assim porque, pelos vistos, andamos a pagar um preço demasiado baixo pela eletricidade. Apesar de ser dos preços mais caros da Europa. Não perceberam? Perguntem ao Catroga, ele explica.

*Editor executivo

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