terça-feira, 20 de março de 2018

Portugal | HOJE CHEGA A PRIMAVERA. CHEGA? NÃO SE NOTA NADA…

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Abertura para o Expresso Curto, do Expresso Balsemão e Bilderberg

Todos os dias acontecem desgraças e coisas agradáveis que são objeto de notícias. Depois há ainda a perspetiva de que uma notícia que é agradável, boa, para uns pode ser uma desgraça, má, para outros. É assim. Sempre assim foi, e assim continuará a ser. A notícia boa é que hoje chega a primavera. A notícia má é que isto não é primavera nenhuma mas sim um inverno retardado, bafiento, carregado de tempestades, de chuva (que bastante falta faz), de frio terrível… No caso, os portugueses andam trombudos, não todos, mas bastantes. As perspetivas são de que esta primavera chegada hoje é mais invernosa que outra coisa qualquer. Já não é primavera a que estávamos habituados, amena apesar da chuva que ainda caía. Tudo está diferente, para pior, para mais complicado e não só no clima. Mas dizem que não. Até chamam “simplex” a uma modalidade tremendamente complicada, pelo menos para os infoexcluídos. É sempre assim: o que é bom para uns é mau para outros.

Também o Curto que trazemos hoje vai ser considerado pelas duas bitolas, bom e mau. Está aqui já em baixo, à sua disposição, se quiser ler. Pedro Cordeiro foi o obreiro, o cimento é do Pinto Balsemão e do seu  grupo... Isto dos grupos é um grande grupo (treta) e quem se lixa é o mexilhão, como sempre.

Bom dia, que venha o sol e amenas temperaturas. É que a primavera já está a chegar… mas não se nota nadinha. É tempo de mudanças. Piores para uns, melhores para outros. É assim a vida, mais curta que comprida. E isso é bom ou mau? (CT | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

Ela vem às 16h15

Pedro Cordeiro | Expresso

Bom dia, caros leitores. Já terão reparado (apesar da intempérie) que os dias estão mais compridos. “Janeiro fora, cresce o dia uma hora”, reza o ditado popular. Com fevereiro fora e março a mais de metade, chega aquela data em que as horas de luz são tantas como as de escuridão. É o equinócio, que é como quem diz que a primavera está aí. Chega hoje às 16h15 e quem no-lo diz não é uma andorinha (sabemos que só por si não faz a primavera) mas o Observatório Astronómico de Lisboa, que nos promete 92,79 dias desta estação, por regra associada a fecundidade, renascimento e esperança. Que sejam bons, é o voto que faço.

Indo agora ao plano noticioso, a primavera não começou bem para o ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy, detido esta manhãpor suspeita de financiamento irregular, de origem líbia, da campanha que o levou ao Palácio do Eliseu, em 2007. O antigo chefe de Estado está, à hora de publicação deste Expresso Curto, nas instalações da Polícia Judiciária em Nanterre, no norte de Paris. O sítio Mediapart explica que a investigação a Sarko dura há cinco anos.

Outro caso que promete preencher a semana é o da Cambridge Analytica. Se é dos que reagiram a esta frase com “Cambridge quê?”, este video é para si. Preparou-o o diário “The Guardian” e raras vezes terá ficado tão claro o perigo que as redes sociais podem representar para a democracia (à qual, antes que me chamem Velho do Restelo, digo já que também podem prestar grandes serviços). No Expresso Diário de ontem a Cristina Pombo explica muito bem o cuidado que temos de ter com as aplicações que nos vão surgindo inopinadamente nas redes sociais, mormente no Facebook (como realça aqui a “New Statesman”, revista inglesa muito lá de casa), e às quais tendemos a dar autorizações com a facilidade de um clique sem percebermos bem em que nos estamos a meter.

Em breves palavras, a Cambridge Analytica é uma empresa de marketing que usa dados para influenciar comportamentos. Até aqui é banal. Só que um antigo funcionário, Christopher Wylie, denunciou práticas como a recolha não autorizada de dezenas de milhões de perfis de Facebook (das informações mais básicas até conversas privadas) para espalhar mensagens dirigidas. Fê-lo com o apoio de Steve Bannon, o ex-estratega de Donald Trump e antigo editor do sítio de extrema-direita “Breitbart News”, com o dinheiro do bilionário Robert Mercer, um dos maiores contribuintes para a campanha do Presidente dos EUA, e com o apoio científico de Aleksandr Kogan, professor da Universidade de Cambrige.

Uma investigação da cadeia de televisão britânica Channel 4 (em colaboração com o semanário “The Observer”) filmou, em segredo, dirigentes da Cambridge Analytica a gabar-se de ingerência em eleições no mundo inteiro, com estratagemas que vão do suborno ao recurso a prostitutas, passando pela criação de firmas-fantasma. Quem o afirma com orgulho e altivez é o próprio CEO da empresa, Alexander Nix, na segunda parte da reportagem. A primeira parte inclui uma entrevista com Wylie, o whistleblower que denunciou o escândalo. Haverá mais duas partes, a emitir nos próximos dias, que desvendarão pormenores sobre uma teia que preocupa o Governo britânico, mas sobre o qual nada se ouviu a Mark Zuckerberg, patrão do Facebook. Isto apesar de o chefe dos sistemas de segurança da omnipresente rede social se ter demitido, em rota de colisão, conta o “Público”.
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Na política nacional as atenções continuam voltadas para o PSD, onde até poderíamos dizer que rei morto, rei posto, mas o título de secretário-geral, neste partido, é mais um subalterno do chefe, ou pajem do rei, Pouco sobressai em tempos normais mas, se a vida lhe correr mal, pode fazer mossa a um líder recém-eleito, a quem custa afirmar-se e que tem contra si quase meio partido e bem mais de meia bancada parlamentar. Sobre o pajem morto, nada acrescentarei ao que recordou o Filipe Santos Costa no Expresso Curto de ontem.

Versando a polémica sobre o currículo académico de Feliciano Barreiras Duarte (em parte, que também há alegadas casas declaradas a 83 km do local de residência real), recomendo a leitura da crítica literária à tese de mestrado do visado, feita pelo Observador, e, aqui no Expresso, o pertinente comentário do Martim Silva acerca da permanência do agora ex-secretário-geral no Parlamento. Já quanto ao pajem posto, que é como quem diz o seu sucessor, também é deputado, dá pelo nome de José Silvano, ainda tem de ser confirmado pelo partido e até já colocou cartazes à beira da estrada, para defender o interior, mas as últimas proezas por que se destacou não colheram aplauso unânime.

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Espreitemos as manchetes dos jornais...

Jornal de Notícias: “Subsídios para funeral com atrasos de um ano”

Público: “Exportações portuguesas para Luanda caíram 11% desde eleições em Angola”

Diário de Notícias: “Estado não organiza dados sobre violência policial”

i: “O regresso de Sócrates”

Correio da Manhã: “Novo Banco mete mais 18 milhões no Sporting”

Jornal de Negócios: “Investimento acelerou o dobro da Zona Euro”

A Bola: “Pensem sempre em grande” [é Cristiano Ronaldo quem o diz]

Record: “Jonas até 2020”

O Jogo: “Digo e demonstro que sou o melhor” [de novo CR7]

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócrates voltou. Não, não se trata de qualquer confirmação de rumores de que o ex-primeiro-ministro aspire a Belém, antes de uma conferência do antigo secretário-geral do PS. Conta a Luísa Meireles que irá falar aos estudantes da Universidade de Coimbra sobre a sua experiência da crise.

propósito de universitários, o Governo quer equiparar as licenciaturas pré-Bolonha a mestrados. E não me lembrei disto por causa do engenheiro técnico que é orador na conferência supracitada...

Ainda se vai autopsiando a vitória de Vladimir Putin nas presidenciais russas de domingo. A Mariana Lima Cunha falou com um dos principais adversários do homem do Kremlin: Garry Kasparov, o histórico campeão de xadrez, que comparou o ato eleitoral a um espetáculo na Broadway. Outro bom texto sobre o ex-agente do KGB que é o líder que mais durou em Moscovo desde Estaline é este, publicado por “The Guardian” dias antes da ida às urnas.

É impossível referir Putin sem revisitar o caso, ainda por resolver, do envenenamento do espião russo Sergei Skripal em Salisbury, Inglaterra. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, não é meigo com o Presidente russo, a quem chama “ameaça sinistra”. Ainda a respeito de ataques rocambolescos e dignos de filmes de James Bond, como os que atingiram Skripal ou o seu conterrâneo Litvinenko, em 2006, um bom texto do “Público”.

E por falar do Governo de Londres, “The Guardian” resume o princípio de acordo alcançado ontem com Bruxelas a propósito do Brexit. Theresa May teve de fazer cedências, que poderão fazer deste desbloqueio uma vitória pírrica. E até dentro do seu Partido Conservador as vozes mais eurocéticas preparam ações de algum folclore contra a “traição abjeta” de que acusam a primeira-ministra. Para outros, o melhor seria travar já a saída da UE, nem que seja pelos problemas tremendos que poderá causar em relação à Irlanda do Norte.

Noutro drama interminável europeu, o da Catalunha, parece que a investidura à distância de Carles Puigdemont já esteve mais longe... Outro protagonista da crise, Jordi Sànchez, também apontado como putativo presidente, volta a pedir ao tribunal que o liberte da prisão preventiva onde passou os útimos meses.

Virando-nos agora para Portugal e para a esfera desportiva, leiam este texto da Mariana Cabral sobre a Taça da Liga e o que nela tem faltado. Fiquem a conhecer as que poderão ser as novas fardas da seleção nacional e do Benfica. E acompanhem a análise da jornada do fim-de-semana com o ex-árbitro Duarte Gomes.

Cruzando o Atlântico mas ainda em português, prossegue no Brasil a busca pelos assassinos de Marielle Franco, vereadora cuja morte chocou o globo, e a ONU questiona a Polícia Militar. Uma companheira de partido da política morta denuncia que também recebeu ameaças.

Mais a Norte, aceitam-se apostas: irá Donald Trump exonerar Robert Mueller, o homem que lidera a investigação às ligações entre a sua campanha presidencial e a Rússia? O Presidente despediu recentemente Andrew McCabe, vice-diretor do FBI, dizendo-se vítima de uma “caça às bruxas”. O Partido Republicano, que o apoiou, nada tem dito quanto aos ataques da Casa Branca a Mueller, mas o caso pode mudar se Trump tentar mesmo livrar-se do seu pior pesadelo.

Entretanto, a empresa que tem o nome de outro americano poderoso foi à falência.

Quase a terminar, uma notícia arrepiante vinda da China. E uma história não menos dramática da Síria.

E, para aligeirar o clima, a ideia de que podemos mesmo ficar verdes de ciúme ou vermelhos de raiva.

O QUE ANDO A LER

Poesia da Grécia Antiga. “Poemas da Antologia Grega” (Assírio & Alvim) retoma a Antologia Palatina, a primeira de que há nota em termos de poesia grega, em versões lusas de José Alberto Oliveira. São escritos dos séculos VII a.C. a VI d.C. O organizador do compêndio original, de nome Meleagro, comparou-o a uma grinalda de flores. Tenho ido lendo estes poemas mais como cerejas.

E “Homage to Barcelona”, sobre uma das minhas cidades diletas, vista por um irlandês. Trata-se do romancista Colm Tóibín, autor de livros como “O testamento de Maria” ou “Brooklyn” (este já deu filme no grande ecrã, com a maravilhosa Saoirse Ronan). Com título a apontar a Orwell, mas menos denso e dramático, foi escrito antes da recente agitação separatista, o que não o torna pior, pelo contrário. Para quem anda saturado dessa novela, como yours truly, sabe bem revisitar o Bairro Gótico, as obras-primas modernistas, cheiros e sabores, festas e seres humanos, pela pluma de um (outro) estrangeiro.

O QUE VOU OUVIR

Um Prémio Nobel da Literatura a cantar, que é como quem diz Bob Dylan na quinta-feira, em Lisboa.

O QUE VOU QUERER VER

fime sobre Sá Carneiro e Snu Abecasis, cuja história de amor desde cedo me fascinou.

Por hoje é tudo, desejo-lhe um ótimo dia, que da minha janela está a amanhecer azulinho, mas com nuvens escuras no horizonte. Estaremos cá o dia todo, no Expresso online, e logo à tarde no Expresso Diário (18h), para lhe dar conta do mundo. Ainda antes disso, não esqueçamos, chega a primavera.
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