domingo, 8 de abril de 2018

ANGOLA | Jornalistas no Huambo temem nova vaga de censura na imprensa

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O Executivo do Huambo, em Angola, está a ser acusado de censurar a comunicação social, após emitir uma diretiva que obriga os média a submeter o seu planeamento informativo à Direção Provincial da Comunicação.

A ordem que consta do documento é explícita: a partir de agora os jornalistas devem passar a submeter àquele departamento as suas pautas informativas diárias, antes das mesmas serem divulgadas pelos órgãos de comunicação social.

O ofício já circula nas redes sociais e é assinado pela diretora provincial da Comunicação Social do Huambo, Dorina Tchinhama Miguel, e dirigido aos órgãos de comunicação social locais, públicos e privados.

Segundo o documento, a decisão surge a propósito de uma orientação da vice-governadora do Huambo para a Esfera Política, Social e Económica, Maricel Capama.

A medida está a preocupar os jornalistas que temem uma nova vaga de censura na província. Israel Samalata, correspondente da Rádio Despertar no Huambo, alerta que este tipo de decisões só prejudicam Angola.

"Pedimos às autoridades para que desencorajem este tipo de comportamento porque não ajudam o país. Estamos numa nova era, com nova governação, novas políticas e as aspirações do povo tendem para uma nova esfera de convivência”, avisa o repórter.

Em declarações à DW África, o jornalista afirma que espera uma rápida mudança de atitude das autoridades locais. "Nós agradecíamos que este comportamento parasse. É muita brincadeira quando os membros dos órgãos do Governo local interferem no trabalho dos profissionais de comunicação que têm contribuído para a luta pela liberdade de imprensa do nosso país", diz.

Pedido de esclarecimento

A Organização Horizonte Media de Angola (OMEA), que se dedica à promoção do pluralismo nos meios de comunicação social no Huambo, já escreveu ao executivo local a pedir esclarecimentos.

"Produzimos uma nota que endereçámos aos vários meios de comunicação social e especialmente à Direção Provincial da Comunicação Social, já que eles não têm conhecimento efetivo e deram a entender que não estavam a perceber bem de onde vinha essa informação. Nós propusemos que fizessem um inquérito e que esse inquérito depois fosse levado a público”, disse Memória Ekolica, coordenador geral da OMEA.

Por outro lado, o coordenador da organização estranha a atitude do Governo local, quando a nível nacional o cenário é de abertura. "Angola tem estado a avançar com alguns passos saudáveis de liberdade de expressão, porque o que temos vindo a reparar em termos de governação é que a única coisa que temos como conquista é a própria liberdade. Quando vem o contrário, ficamos surpreendidos", comenta.

Em comunicado, o gabinete de imprensa do governador do Huambo já disse desconhecer a existência do documento emitido pela diretora provincial da Comunicação Social, reconheceu a gravidade da alegada orientação e prometeu diligências para apurar a verdade.

José Adalberto (Huambo) | Deutsche Welle
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