segunda-feira, 23 de abril de 2018

MAIZUM | Suspeita de corrupção no Conselho da Europa

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Investigadores independentes denunciam que parlamentares do órgão europeu teriam cedido a pressões do Azerbaijão para limpar o complicado histórico de direitos humanos do país.

Investigadores independentes divulgaram um relatório que denuncia que ex-membros da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (Pace) se engajaram em "atividades corruptas" e violaram o código de ética do órgão de direitos humanos.

"A investigação constatou que, em suas atividades relativas ao Azerbaijão, vários membros e ex-membros da Pace agiram contrários aos padrões éticos da Pace", disse o relatório, divulgado no domingo (22/04).

"Os parlamentares envolvidos são convidados a suspender suas atividades enquanto um comitê examina suas situações caso a caso", disse a presidente da Assembleia Parlamentar, Michele Nicoletti, após a divulgação do relatório.

Ao menos um parlamentar alemão está entre os ex-membros mencionados no relatório, compilado por uma equipe que inclui dois ex-juízes do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, um órgão do Conselho da Europa.

As alegações resultaram de um escândalo conhecido como "Caviargate", no qual o Azerbaijão teria exercido uma influência indevida sobre membros da Assembleia Parlamentar do Conselho Europeu para amenizar críticas ao seu histórico de violações de direitos humanos.

No ano passado, o movimento Transparência Internacional (TI) instou as autoridades europeias a investigar e sancionar "políticos, bancos e empresas que ajudaram a limpar a reputação do Azerbaijão em toda a Europa".

"É chocante ver que alguns políticos em órgãos respeitados como a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa estão à venda e estão dispostos a fechar os olhos à corrupção e aos abusos dos direitos humanos por dinheiro", disse o presidente da TI, José Ugaz. "Eles devem ser sancionados e vamos pressionar as autoridades para que ajam."

Fundado em maio de 1949, o Conselho da Europa é uma organização internacional que defende os direitos humanos, a democracia e o estado de Direito. Trabalha em estreita parceria com a União Europeia (UE), mas é uma organização separada. Nenhum país jamais se tornou membro da UE sem antes ter ingressado no Conselho da Europa. Os 324 membros da Pace são nomeados ou eleitos pelos parlamentares dos Estados-membros.

PV/dpa/afp | Deutsche Welle
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