sábado, 7 de abril de 2018

Portugal | NÃO HÁ NADA P'RA NINGUÉM - governo

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Mário Centeno abriu mais uma guerra com os funcionários públicos. Foi declarado que só em 2020 será possível que tenham aumentos. As centrais sindicais ficaram estupefactas. Vem aí contestação social de milhares de funcionários que já há anos andam a ser vítimas dos cortes nos ordenados e na evolução e promoção nas carreiras. 

A agravar a situação estão a ser criadas situações diferenciadas entre os funcionários, uns vêem os seus ordenados serem mais gordos ao fim dos meses e outros não. Independentemente de exercerem o mesmo trabalho e categoria profissional. Para trabalho igual, salário igual – já é antigo e sabido este principio – mas não é o que está a acontecer e a diferenciação vai aumentar, em vez dos ordenados.

De Notícias ao Minuto juntamos três prosas que nos dão conta do que aconteceu ontem no Conselho Permanente de Concertação Social e respetivas declarações dos intervenientes. (PG)

Centeno diz que está "obcecado" em garantir a estabilidade orçamental

O ministro das Finanças recusou hoje informar dos dados que constam do Programa de Estabilidade, que será apresentado na próxima semana, referindo que está "obcecado" em garantir a estabilidade financeira e orçamental de Portugal.

"OPrograma de Estabilidade vai ser apresentado para a semana. Não gostaria de entrar em detalhes", afirmou Mário Centeno aos jornalistas, no final da reunião da Comissão Permanente da Concertação Social, em Lisboa, na qual apresentou as "grandes linhas" desse documento aos parceiros sociais.

As centrais sindicais CGTP e UGT disseram hoje, no fim da reunião, que o ministro das Finanças as informou de que não haverá aumentos de salários para a função pública em 2019. A CGTP acrescentou ainda que, no âmbito do Programa de Estabilidade, o Governo prevê uma redução da dívida pública de 23 pontos percentuais para 102% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022.

O governante, nas declarações aos jornalistas, recusou confirmar quaisquer números, nem as novas perspetivas sobre o défice e o crescimento da economia.

Na quinta-feira, o Eco e o Jornal de Negócios noticiaram que o Governo já tinha iniciado as reuniões com os parceiros parlamentares sobre o Programa de Estabilidade, apresentando novas estimativas para este ano, de um défice orçamental de 0,7% do PIB e um crescimento económico de 2,3%.

No Orçamento do Estado para 2018, o executivo previa um défice orçamental de 1,1% do PIB (com o impacto de 0,1 pontos das medidas de apoio e resposta aos incêndios do ano passado) e um crescimento económico de 2,2%.

Segundo o ministro, o que o Programa de Estabilidade trará é projeções "muito positivas" para a economia e finanças públicas equilibradas, considerando que "qualquer desvio na trajetória coloca em causa a prossecução dos objetivos" a que o Governo se propôs.

"Estou obcecado em garantir a estabilidade da trajetória financeira e orçamental portuguesa. Nunca antes Portugal tinha cumprido as metas propostas", afirmou Centeno.

Lusa | em Notícias ao Minuto | Foto: Reuters

Governo disse a parceiros que não haverá aumentos nos salários em 2019

A CGTP disse hoje que o ministro das Finanças informou o Conselho Permanente de Concertação Social de que não haverá aumentos de salários em 2019, tendo a central sindical considerado "inadmissível" a posição do Governo.

"Não se percebe que este Governo esteja obcecado pelos números e a perder sensibilidade social", disse aos jornalistas o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, no fim da reunião de mais de três horas em Lisboa.

O dirigente sindical considerou que, com uma decisão como esta, o executivo põe os "trabalhadores em segundo plano enquanto trata os credores [de dívida pública] nas palminhas".

Lusa | em Notícias ao Minuto | Foto: Lusa

Funcionários públicos "continuarão a pagar fatura da crise"

A UGT disse hoje que saiu frustrada da reunião da comissão permanente da Concertação Social, em que o ministro das Finanças indicou aos parceiros sociais que não haverá aumentos salariais para a função pública em 2019.

"Ficamos não admirados, mas frustrados ao ouvirmos dizer que não haverá tão cedo aumentos salariais, estes trabalhadores continuarão a pagar fatura da crise. Isto causa grandes perturbações", afirmou Lucinda Dâmaso.

A dirigente sindical considerou que só "trabalhadores respeitados, reconhecidos e valorizados" prestarão serviços de qualidade na administração pública, como na saúde ou nas escolas, além de que o Governo devia dar "um sinal de esperança" a todos os que foram penalizados durante a crise.

Ainda para a presidente da central sindical UGT, o discurso do governante foi "dominado pela incerteza" em termos de futuro, apesar da melhoria da economia e da diminuição de desemprego que se vivem atualmente.

As centrais sindicais CGTP e UGT disseram hoje que o ministro das Finanças, Mário Centeno, informou hoje de que não haverá aumentos de salários em 2019, na reunião da concertação social em que deu a conhecer as linhas gerais do Programa de Estabilidade para 2018-2022.

Lusa | em Notícias ao Minuto | Foto: Global Imagens
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