sexta-feira, 20 de abril de 2018

Portugal | RENDAS EXCESSIVAS E GANÂNCIA COM CONVERSA AZEDA

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Por esta hora já é boa tarde. A hora do almoço até já lá vai. Uns almoçaram e outros não porque não têm o que comer. Pense nisso e retire os aplausos que por vezes dá a esta sociedade obscena e imoral, insensível mas hipócrita quando faz de conta que é sensível aos problemas dos que estão na mó de baixo. Os tais ditos carenciados. Até me estou a lembrar da tia Jonet do tal Banco da Fome. Ai tia, rica tia da caridadezinha. Adiante, que é para não vomitar.

Pois é. Este adiante vai ser o Curto do Expresso, por esta hora. Ah e tal, o Expresso… Pois. Sabemos que é tantas vezes tendencioso e das bandas de outro tio, o Balsemão. Pois é. Mas é útil saber como esses mexem nesta caldeirada que é o sistema político dos pobres mais pobres e dos ricos cada vez mais ricos. Também a Vera Lagoa, que era uma penúria de pessoa a ver se safava (safou-se) puxava para onde puxava (tudo à direita fanática) e a utilidade de ler o Diabo após o 25 de Abril de 1974 era algum, mais que não fosse para depois limparmos o organismo… e através dos vómitos. É sempre bom saber sobre os que são travesseiros, almofadas, capachos dos que nos dominam e se dizem democratas e pela justiça. E desses há tantos que se vendem porque já nasceram pedregulhos com olhos e uns resquícios de massa cinzenta naquilo que devia ocupar o cérebro…

Adiante, que a conversa está mesmo a azedar.

Vai deparar com um Curto de abertura sobre rendas, ditas excessivas. Pois são. O ser humano é terrível (os que são) por causa do vil metal, da posse. A ganância é uma doença terrível. Os senhorios, os proprietários dos imóveis, são tal e qual como todos os outros que herdaram pelo ADN a avareza e a nociva ganância. Faz parte da deformação da humanidade neste sistema selvaticamente capitalista. Nem vimos na educação que é ministrada oficialmente algo que pelo menos tente educar de outro modo as crianças. Empurram-nos para a competitividade selvagem e nada mais. É o que há, é o que temos para lutar contra. Entre imensos há uns quantos que escapam à alienação que conduz a maioria para o servilismo, o esclavagismo, e uns poucos para usufruírem desses pobres de tudo e até de espírito.

Ponto final. A coisa está mesmo azeda. Siga para o Curto, com o chefe da SIC e do burgo Balsemão. O tio esperto, ganancioso e democrata. Pois. (MM | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

O país das rendas excessivas

Ricardo Costa | Expresso

Pega-se nos jornais e percebe-se que o problema de que quase todos falam, sobretudo em cidades como Lisboa e Porto, está a tomar conta da primeira linha da atualidade política: as rendas das casas.

Em três manchetes podemos ler:

- PS propõe quotas para rendas acessíveis; autarquias vão poder impor rendas baixas para autorizar novas urbanizações.

- Estado força renda de casas vazias.

Já há quem pague 12 meses à cabeça para conseguir arrendar casa em Lisboa.

Nestes três cabeçalhos do Jornal de Negócios, DN e CM, fica feita a primeira radiografia noticiosa da manhã e o sublinhado de um tema que não pára de crescer, a par dos preços do imobiliário, por uma mão cheia de fatores que estão a mudar muito depressa a vida nas cidades.

Em Lisboa lançou-se o primeiro projeto para reconstruir imóveis municipais que vão ter rendas acessíveis daqui por três anos. A autarquia promete ser agressiva neste campo, mas como tudo demora muito, a frente política e legislativa está ao rubro, com Helena Roseta a apresentar um pacote de medidas concretas no Parlamento.

Roseta propôs que as autarquias possam requisitar temporariamente aos senhorios casas que se encontrem “injustificadamente devolutas ou abandonadas” para as disponibilizar no mercado, por exemplo para arrendamento acessível a famílias carenciadas ou para fazer face a situações urgentes de realojamento.

De acordo com o seu projeto de lei de bases da Habitação, os senhorios não perderiam a propriedade das casas e receberiam do Estado uma compensação financeira por essa requisição, que seria sempre temporária. “Existem 735 mil casas vazias no país. Bastava que 10% entrassem no mercado de arrendamento para resolver grande parte dos problemas de habitação”, explicou Helena Roseta ao Expresso.

A expressão rendas excessivas costumava ter outra utilização nos media portugueses. Costumava e costuma, porque ontem caiu uma bomba na política e na economia portuguesa. O Observador noticiou que Ricardo Salgado vai ser constituído arguido no processo judicial que já envolvia a EDP e o ex-ministro Manuel Pinho.

E a bomba existe porque, aquele que era um caso extremamente técnico sobre alegadas rendas excessivas – um tema onde é fácil argumentar nos dois sentidos, sobretudo por quem domina o assunto -, tem agora um elemento dramático: Manuel Pinho terá continuado a ser pago pelo Grupo Espírito Santo enquanto ministro, com transferências mensais de quase 15 mil euros para uma conta offshore.

O dinheiro saía do célebre saco azul do BES e pingava mensalmente (atingindo uma soma de mais de um milhão de euros) numa conta escondida, de que o ex-ministro de José Sócrates era titular. Para percebermos a gravidade disto, é a primeira vez que na democracia portuguesa existem fortes indícios de que um ministro continuou a ser pago pelo seu ex-empregador, que por acaso era o banqueiro mais influente do país.

Nem sei bem o que diga mais. O caso é tão grave que transforma o processo das alegadas rendas excessivas da EDP de um caso económico e técnico numa bomba judicial ao retardador.

OUTRAS NOTÍCIAS

O salário mínimo vai aumentar de novo em 2019. O anúncio foi feito por António Costa no jantar de aniversário do PS. O secretário-geral do PS considerou que o seu Governo derrubou o mito de que a competitividade económica se faz com baixos salários e frisou que o salário mínimo nacional vai voltar a aumentar no próximo ano.

O tema vai marcar o ano eleitoral, sobretudo agora que o PS o assumiu simbolicamente no seu aniversário. Um tema a seguir na concertação social, onde a discussão deverá prosseguir.

Mas, ao mesmo tempo que sobe a meta no salário mínimo, o Estado é cada vez mais pressionado a regularizar os seus contratos precários. Hoje, DN e JN dão espaço nas suas primeiras páginas à extrema demora deste processo na educação, onde cinco mil auxiliares precários continuam sem luz verde para entrar nos quadros.

Com o ano letivo na reta final, perto de cinco mil auxiliares das escolas continuam sem saber se entrarão para os quadros. Uma indefinição que indica que não será em setembro que este problema crónico ficará resolvido.

O número de reclamações que chegaram à Entidade Reguladora da Saúde aumentaram, no ano passado, 18,4%, enquanto o número de elogios sofreu um decréscimo. Em 2017 a ERS recebeu 70.111 reclamações relativas a prestadores de saúde, públicos e privados. Em média, são 192 queixas por dia. O assunto faz a manchete do Público.

Uma fêmea de lince-ibérico, de dois anos, foi encontrada morta, com sinais de atropelamento, na A22, próximo de Olhão, anunciou hoje o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Nascida no Centro de Reprodução em Cativeiro em Silves, a fêmea, de nome Niassa, tinha sido libertada na área de reintrodução do Vale do Guadiana mas estava dada como desaparecida há vários meses”

A ETA, organização separatista e terrorista basca que provocou a morte de 850 pessoas em cinquanta anos de luta armada, pediu hoje perdão e reconheceu o dano causado, num histórico comunicado publicado hoje num diário basco.

A ETA pôs fim à sua atividade armada em 2011 e vai anunciar a sua dissolução formal na primeira semana de maio. O comunicado é histórico e merece ser lido com atenção.

A política cubana é agora mais difícil de acompanhar porque pela primeira vez desde a revolução o país tem um Presidente que não carrega o apelido Castro. Miguel Díaz-Canel é o novo líder, que promete continuidade, o que nos facilita muito esse acompanhamento. Fora o apelido, há muita coisa a descobrir no novo líder e tem aqui um perfil do Expresso que começa com os Betles e acaba com… os Beatles.

O novo líder cubano foi confirmado no Parlamento com 603 votos num universo de… 604 votos. São 99,83%, segundo os cubanos que se apressaram a fazer as contas de tão surpreendente vitória.

Rudy Giuliani acaba de se alistar na equipa legal que defende Trump da investigação do FBI ao envolvimento russo na sua eleição. O ex-mayor de Nova Iorque é, assim, o novo peso pesado de uma equipa que tenta travar um cerco que se aperta em torno da Casa Branca.

O preço do petróleo passou ontem os 75 dólares, o valor mais alto desde 2014, num ponto que representa uma subida de 50% no último ano. O corte de produção da OPEC e as tensões geopolíticas em várias frentes (da Venezuela ao Irão) explicam esta subida histórica. Hoje está a cair, mas o valor de ontem deixou marcas.

A polícia alemã passou a recrutar… na Polónia. A falta de candidatos germânicos fez com que as autoridades passassem a tentar encontrar futuros polícias a Leste.

Gosta de histórias de divórcios milionários? Então reserve um dos lugares cimeiros para a batalha legal entre Farkhad Akhmedov, um oligarca russo sediado em Londres, e a sua ex-mulher Tatiana. É que a ex-mulher tem feito uma implacável caça aos seus bens, que estão sob pressão judicial por razões políticas, e ontem a Justiça britânica transferiu para a sua posse o segundo maior iate do mundo. Já foi de Roman Abramovich, vale 350 milhões de libras e agora é, por ordem do juiz, de Tatiana.

Por falar em oligarcas russos, acaba-se de saber que Donald Trump convidou Vladimir Putin a visitar os EUA. Parece que o presidente russo está disponível.

FRASES

"A direita dizia que para Portugal recuperar competitividade era preciso baixos salários e fragilização dos direitos laborais. A verdade é que aumentámos o salário mínimo em 2016, em 2017, este ano – e ficam já a saber que voltaremos a aumentá-lo em 2019". António Costa, secretário-geral do PS, no 45º aniversário do partido

“Arnaldo Matos fez-me uma tentativa de assassinato de caráter”. Garcia Pereira em entrevista ao i

“João Miguel Tavares tem um fundo de comércio, José Sócrates, e explora-o até ao tutano. Ontem, fez-me dano colateral”. Ferreira Fernandes, diretor do DN, num editorial muito duroem resposta a uma crónica, também muito dura, que JMT assinou na véspera no Público

O QUE EU ANDO A LER

Uma leitura, uma recomendação repetida (agora traduzida) e outra que há de vir.

Primeiro, a leitura. Um pequeno livro que me ofereceram recentemente, que está muito bem editado na Antígona, e que, tendo quase 450 anos, continua a exercer um enorme influência.

O Discurso sobre a Servidão voluntária, de La Boétie, é uma obra fascinante, que só foi à estampa depois da morte do seu autor, num projeto pessoal iniciado pelo seu grande amigo Montaigne, mas que foi ultrapassado pelos huguenotes, que resolveram fazer do livro uma arma contra as perseguições de que eram alvo numa França dilacerada por guerras religiosas.

Por ser contra todas as tiranias e obediências cegas, o livro foi usado ao longo de séculos contra monarquias, ditaduras, opressões, servindo ainda hoje como alerta para todos os que sujeitam ao poder e a leis iníquas sem os questionar.

Agora, a recomendação repetida, porque um livro de que aqui falei em dezembro foi entretanto traduzido em Portugal. A Ordem do Dia, de Éric Vuillard, que foi prémio Goncourt no ano passado. Comprei a edição original francesa por acaso num aeroporto e recomendei-a por ser uma excelente abordagem à cumplicidade de muitos industriais alemães com a ascensão do nazismo. Está agora traduzido na D. Quixote, exatamente com a mesma capa que me fez pegar nele em França.

Falta só o livro que há de vir. Neste caso é do meu colega Rodrigo Guedes de Carvalho, que, depois do merecido sucesso de O pianista de hotel (editado no ano passado), anunciou a chegada de um novo romance desta forma tão simples como original. Carregue neste link e não se vai arrepender (ou então não percebe a frase de arranque do parágrafo seguinte).

Não há música que torne este último parágrafo menos árido. Porque o que aqui se deve dizer é que o Expresso Curto fica por aqui, que o Expresso Online está sempre ali, que o Diário chega mais acolá às 18h e que o semanário está por essas bancas fora amanhã pela fresquinha, carregado de notícias e histórias para o seu fim de semana. Fica dito, agora é aproveitar, que o fim de semana é de chuva e baixa das temperaturas.
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