quarta-feira, 23 de maio de 2018

Portugal | Salvem a cultura, referendem a eutanásia - nem deuses, nem sábios

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Júlio Pomar
A cultura e a arte estão mais pobre com a morte de Júlio Pomar. Faleceu um grande artista. O que dizer mais? Nada. Pomar era Pomar e só não sabe quem era Pomar os que são paupérrimos em conhecimento e em cultura geral. Haverá muitos portugueses assim, é verdade. Urge mudar de rumo e estabelecer directrizes culturais (e outras) que abulam tais ignorâncias. Esta realidade triste em Portugal deve-se a que todos os governos têm trazido a cultura de rastos. Salvem a cultura em vez de andarem a salvar os bancos e os banqueiros com o dinheiro de todos nós!

Viva a vida e não à eutanásia regulamentada e legalizada só pelos senhores que se sentam na Assembleia da República, os deputados, o legislador, sem a realização de um referendo a todos os portugueses com idade para votarem. Até parece que eles fazem ouvidos de mercadores e não percebem que não confiamos cegamente nos políticos que se sentam nas cadeiras do poder mas pagas por todos nós. Não, senhores, não confiamos em vós desse modo cego, nem só com um olho aberto, lamentamos até não possuirmos mais olhos, melhores audições, melhores cérebros e ainda artes de adivinhar. Assim sendo, confrontados que são por esta realidade, qual é o vosso problema em aceder em decidir em referendos coisas tão importantes como a eutanásia? Ah, e tal “e então o aborto?” perguntarão. Pois. Se é assim para a eutanásia devia assim ser para a legalização do aborto. Apesar de existir quem encontre grandes diferenças entre a eutanásia e o aborto… Seja ou não correto haver grandes diferenças o facto é que em assuntos tão sensíveis e que envolvem vida e morte não há nada como avançarmos para os referendos. Sai caro? Pois. Então criem outros modos menos onerosos de referendar. Isso é que é democracia… se as propostas não forem viciadas por interesses e tendência que cegam muitos eleitores. Vamos nessa. Não se sintam os “deuses” com assentos nos poderes, os sábios, os mais dotados. Não são, por mais que mereçam respeito e consideração se forem honestos. Quanto aos vigaristas que abundam na política, esses tais merecem o que muito bem sabemos, todos nós, e se pode definir com uma recomendação: vão vigarizar para outro lado, se possível até fora do planeta. Bom dia. Vem aí o Expresso Curto. (CT | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

Temer pela morte

Pedro Santos Guerreiro | Expresso

Há palavras para o que não há palavras. Descrições do indescritível. Testemunhos de testemunhas que são vítimas: são as palavras dos jogadores, dos fisioterapeutas, de um scout e de um preparador físico do Sporting sobre aquela tarde em Alcochete, palavras que a Tribuna Expresso revela esta manhã. É um filme de terror, como publicamente lhe chamou Jorge Jesus. É um cenário que os deixou “em estado de choque”, como disse Bas Dost à porta fechada à GNR.

Tivemos acesso a mais de 20 testemunhos prestados no Comando Territorial de Setúbal na noite de 15 maio, horas depois do ataque do grupo de encapuzados a Alcochete. Publicamo-las aquiaqui e aqui. Com uma advertência: as palavras podem chocar doentes cardíacos e saudáveis cardíacos, pelo texto de abusos verbais e pelo contexto de violência física descrito.

19 jogadores do Sporting contam tudo sobre o ataque a Alcochete (e como Palhinha protegeu Montero).

Um dos agressores em Alcochete foi colega de escola de Rafael Leão. Montero, Palhinha e Salin também reconheceram atacantes.

Equipa técnica do Sporting foi vigiada e ameaçada já depois das agressões em Alcochete.

Vários jogadores falam de medo. Falam do que lhes pareceu premeditação nos ataques. Falam de "temer pela vida". Falam de socos, pontapés, estaladas, um garrafão de 25 litros de água, cintos, empurrões, tochas, queimaduras , ameaças, caras tapadas e descobertas, alvos definidos - e de uma ideia comum: a de que aquele grupo sabia por onde entrar, aonde se dirigir, de que atuou "em bloco", "com alguma organização", agiu "premeditadamente" e bloqueou a saída enquanto espalhou o medo.

Sim, é um filme de terror, com dezenas de personagens. Estas são só as vítimas.

OUTRAS NOTÍCIAS

“Aparentemente, pintou tudo e de muitas maneiras, com humor e acutilância e assim, como poucos, ajudou a configurar o imaginário visual português da segunda metade do século XX”. Morreu Júlio Pomar, “o artista que fez o pleno” (Celso Martins), “uma das mais ímpares figuras da cultura do século XX" (Raquel Henriques da Silva), "o grande pintor do corpo no século XX português" (Bernardo Pinto de Almeida), “um homem reservado” (Cruzeiro Seixas) a quem “devemos a abertura de Portugal ao mundo e a entrada do mundo em Portugal” (Marcelo Rebelo de Sousa).

Aqui lhe mostramos “O almoço do trolha”, o retrato de Mário Soares e mais 13 quadros de Júlio Pomar. E aqui republicamos a última entrevista que deu ao Expresso, em março de 2017: “Sou um bocado canibal”, disse ele, que apadrinhou Goya, foi bastante carnívoro em relação a Velázquez e passou por Picasso por necessidade comestível do real. “A pintura é inscrever na tela o vivo da vida”. Não é gaguejo, é “porque há, no fundo, quase uma duplicação entre vivo e vida”. É que “nada é estático, tudo se forma, aparece e desaparece. O que caracteriza a vida é uma possibilidade de intensidades várias, de uma experiência que é comum a tudo quanto existe. Mas é essa intensidade, de proximidade e de afastamento que me parece poder distinguir o que significa esse vivo da vida”. Júlio Pomar, 1926-2018, “foi-se embora hoje, mas temos muita obra para continuar a olhar para ele” (Pedro Cabrita Reis). O seu legado “marca uma posição da relação dos artistas com a sociedade e da arte com uma forma de resistência” (João Ribas). “Já estava muito frágil, mas estava com um ar tão doce...” (Graça Morais).

A manhã acordou-nos com outra sacudidelamorreu Philip Roth, um dos maiores romancistas norte-americanos, o escritor que por exemplo em “O Complexo de Portnoy” deixa “a melhor descrição identitária do judaísmo” (e “põe as mulheres a espreitar o erotismo masculino pelo buraco da fechadura”), como escreveu Ana Cristina Leonardo.

Manifesto assinado por 2400 investigadores (e pelo próprio ministro) critica fortemente política científica do Governo. Os subscritores exigem "financiamento consistente e transparente, um simplex para a ciência e uma política de contratação regular, coordenada e baseada no mérito".

O que preocupa os reitores das universidades portuguesas? A redução demográfica, a burocracia e o emprego para os doutorados.

Notícia do DN sobre a lei das rendas: proposta do PS suspende despejos já em curso.

Segundo o Público, o Conselho das Escolas "chumba" novos currículos do básico e secundário.

Pedro Siza Vieira acumulou funções de ministro com gerência de empresa imobiliária: o advogado abriu a empresa Prática Magenta um dia antes de tomar posse como ministro, revela o Eco.

Bruno de Carvalho será forçado a sair do Sporting, avança o Correio de Manhã. “Presidente do clube tem até amanhã para se demitir. Caso não o faça, será alvo de um processo disciplinar.”

O Tribunal de Sintra começou a julgar 17 agentes da PSP acusados de agredir e ofender 17 jovens do bairro da Cova da Moura. As versões das vítimas e dos suspeitos não podiam ser mais diferentes: Polícias acusados de agredir e dizer “sangue de preto, que nojo” desmentem tudo.

“Porque a quantidade de vida adicional não compensa a qualidade de vida perdida”: eis um texto exclusivo de Alexandre Quintanilha para o Expresso Diário sobre a eutanásia.

A FPF confirma a ausência do Aves da Liga Europa.

Euromilhões com jackpot de 57 milhões de euros.

Angela Merkel vai a Braga, ao Porto e a Lisboa no fim do mês. A chanceler alemã vai visitar um centro de tecnologia, uma universidade e tem reuniões marcadas com Marcelo e Costa.

Depois de ser ouvido no congresso dos EUA a propósito do escândalo de roubo de dados no Facebook, Mark Zuckerberg veio à Europa pedir desculpas, depois houve embaraços e uma promessa. “Problema: foram feitas tantas perguntas que não houve tempo para respostas. Resultado: uma espécie de fiasco”.

Não é só em Portugal que alguns curricula vitae de políticos levanta dúvidas. O do futuro ministro italiano Giuseppe Conte também: andou ou não na universidade que diz ter frequentado?

No Brasil, Temer descarta candidatura às presidenciais brasileiras e apoia pré-candidatura de Meirelles.

Um tribunal turco condenou 104 militares a prisão perpétua, acusados de terem participado na tentativa de golpe de Estado de julho de 2016.

Trump diz que encontro com Kim Jong-un pode ser adiado. A atual atmosfera está longe da euforia manifestada nas semanas que se seguiram ao anúncio, a 8 de março, de um acordo de base para uma cimeira. Jornalistas estrangeiros chegam entretanto à Coreia do Norte para assistirem ao encerramento de centro nuclear

O prémio Man Booker Internacional foi atribuído a “Flights” de Olga Tokarczuk (sem obra publicada em Portugal).

O jornalista angolano Rafael Marques ganhou o prémio Herói Mundial da Liberdade de Imprensa, atribuído pelo Instituto Internacional da Imprensa.

FRASES

“O novo problema do futebol é a falta de dinheiro e o avanço da Justiça”. Ricardo Costa, no Expresso Diário.

“Não sei se pode haver melhor homenagem a uma vida de convicção do que o reconhecimento desse valor por tantos adversários. É assim com António Arnaut.” Francisco Louçã, no Expresso Diário.

O QUE EU ANDO A LER

Três sugestões, um filme, um livro e uma festa.

Ou melhor, Serralves em Festa, 50 horas de programação gratuita e centenas de atividades pensadas para “transpor fronteiras”: “uma celebração com livre trânsito para música, dança, performance, circo, teatro e fotografia”. Ou, diz Ana Pinho, “o maior acontecimento de cultura contemporânea em Portugal e um dos maiores a nível internacional.” Marque na agenda, de 1 a 3 de junho, no Porto.

Estreia amanhã nas salas de cinema o documentário "O Labirinto da Saudade", adaptação da obra homónima do grande (enorme) Eduardo Lourenço, realizado por Miguel Gonçalves Mendes.

Também amanhã é lançado o livro “Quem Meteu a Mão na Caixa”, da jornalista Helena Garrido (editado pela Contraponto/Bertrand). Numa altura em que se pede a lista dos maiores devedores ao banco estatal, é importante saber que mãos por lá andaram, entre as que se viram e as que nunca se vêem.

Tenha um excelente dia. Daqui a nada estaremos a publicar textos sobre Philip Roth no site do Expresso. E, antes e depois, notícias, notícias, notícias...
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