domingo, 20 de maio de 2018

Sporting | Pacto de Sangue? Ao estilo da máfia?

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Mário Motta, Lisboa

Há termos que ao serem usados por “notáveis” têm um peso incomum que pode desvirtuar as eventuais boas intenções de quem os usa. No caso de políticos pode ser confundido com termos usados em organizações nada respeitáveis e prejudiciais aos países, aos cidadãos.

Pacto de sangue confunde-se com a máfia, o que leva detratores (ou não) a apontar para “notáveis políticos” como mafiosos. A sorrirem e a propalarem opiniões que em nada são abonatórias desses políticos. Há mesmo os que aproveitam e comentam que “eles são mesmo uma máfia”. Sob o pretexto da “carta aberta” ao jogadores do Sporting – notícia mais em baixo – o termo usado, “pacto de sangue”, já é alvo de chacota, de ditos veiculados popularmente e de más interpretações que levam a dizerem que “eles são mesmo uma máfia e já nem se preocupam em ocultar”. Por favor, não se ponham tão a jeito. Não é bonito. Se desajustado, ou não, serão eles que o sabem melhor que ninguém.

Portugal foi invadido por algo estranhamente muito pernicioso para o país: o “caso Sporting”. Curiosamente, em outras invasões de centros de estágio (do Guimarães, dos árbitros) nunca correu tanta tinta nos jornais, nem tantas vozes no éter, nem tantas imagens nas televisões. Estamos perante uma gigantesca manipulação de mentes.

Que o caso ocorrido no centro de estágio em Alcochete foi grave (como outros) é facto, mas daí a ser tão empolado não deixa de ser estranho. Assim como não deixa de desviar as atenções dos portugueses para o que se passa no país da vida real no que se refere ao que realmente mais interessa para a melhoria de condições de vida dos cidadãos, para a aniquilação do enorme fosso entre ricos e pobres ou “remediados”. Na injustiça entre o que recebem os gestores e aqueles que realmente produzem riqueza, os trabalhadores. E mais, e mais, e mais… Tanto.

Pacto de sangue? Isso não é algo ao estilo da máfia? (MM)
  
"Notáveis" do Sporting pedem pacto de sangue em carta aberta ao plantel

Santana Lopes, Paulo Portas, Jorge Coelho e Pires de Lima são alguns dos mais de 30 signatários de uma carta aberta aos futebolistas do Sporting.

"A nossa história precisa e merece o vosso contributo e responsabilidade. Dentro, mas também fora das quatro linhas. O futuro desta grande instituição centenária não está nos vossos pés, está nas vossas e nas nossas mãos. Juntas, unidas e coesas. Ajudem-nos a ajudar-vos para iniciarmos, juntos, um novo ciclo, um novo caminho de sucesso para que possamos construir um novo futuro para o Sporting", lê-se na carta, a que a Lusa teve acesso este sábado.

Estes "notáveis" pedem aos jogadores que "não virem as costas ao clube" e "demonstrem uma vez mais que têm o "Sporting no sangue", na sequência de "vários e sucessivos acontecimentos de enorme gravidade", que os deixaram "profundamente chocados".

"Sabemos que viveram um momento único e talvez o mais difícil das vossas vidas, certamente extensível a todos quantos vos são queridos, e que este é um momento ingrato, injusto e muito doloroso. É por isso que estamos aqui, solidários com todos vocês mas também empenhados em agir de imediato, deixando uma mensagem de confiança no futuro", prossegue a missiva.

Considerando a existência de "um presente triste e negro", apontam ao futuro, evocando os "sócios, adeptos e simpatizantes espalhados pelo mundo, dos mais humildes aos mais bem posicionados", com "Sporting no sangue", que "tudo farão para salvar o Sporting Clube de Portugal desta situação".

Nesse sentido, deixam um apelo ao coração, à responsabilidade, ao reconhecimento e respeito pelos sportinguistas: "Uma família que nunca vos deixou nem nunca vos deixará sozinhos. O Clube que representam, e o leão que trazem ao peito, precisa hoje, mais do que nunca, de todos".

"Não virem as costas ao nosso clube. Demonstrem uma vez mais que têm o "Sporting no sangue". Porque este é um sangue de força, de energia, de rejuvenescimento, de vontade de ganhar. É um sangue de valores éticos, morais e sociais que voltarão a fazer do Sporting o grande Sporting Clube de Portugal", remata a carta assinada por antigos governantes como António Pires de Lima, Bernardo Trindade, Carmona Rodrigues, José Vera Jardim, Nuno Fernandes Thomaz, Paulo Núncio, Paulo Portas e Pedro Santana Lopes, um dos dois antigos presidentes do clube signatários, juntamente com Filipe Soares Franco.

Na terça-feira, antes do primeiro treino para a final da Taça de Portugal, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 50 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos e jogadores. A GNR deteve 23 dos atacantes.

Paralelamente, a Polícia Judiciária deteve na quarta-feira quatro pessoas na sequência de denúncias de alegada corrupção em jogos de andebol, incluindo o diretor desportivo do futebol, André Geraldes, que foi libertado sob caução e impedido de exercer funções desportivas.

O cenário agravou-se com as demissões na quinta-feira da Mesa da Assembleia Geral, em bloco, da maioria dos membros do Conselho Fiscal e Disciplinar, instando o presidente do Sporting a seguir o seu exemplo, mas Bruno de Carvalho anunciou que se irá manter no cargo, apesar das seis demissões no Conselho Diretivo.

Jornal de Notícias | Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
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