sexta-feira, 29 de junho de 2018

Guiné-Bissau | A Avenida João Bernardo Vieira (Nino) e os quinhentos milhões “voaram”?

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O nosso S. Exa. So Presi, Dr. JOMAV se autodenunciou ao evocar a questão do cheque de 500'000'000,00 (quinhentos milhões) de F CFA’s na sua entrevista do balanço dos seus 4 anos do exercício do poder presidencial

Abdulai Keita* | opinião

Muitos cidadãos bissau-guineenses e além viram o ato no dia 02 de Junho de 2016. O nosso S. Exa. So Presi, Dr. JOMAV, a entregar publicamente um cheque, na Presidência da República, segundo as infos então transmitidas pelos órgãos da comunicação social com pompas e tambores, no valor de 500’000’000,00 (quinhentos milhões) de F CFA’s (=763’358,78 EUR à 655,00 F CFA/EUR) a então seu recém-nomeado Premiê Baciro Djá. Nomeado, antes, no dia 26 de Maio deste mesmo ano. Afirmando na ocasião, sempre segundo as mesmas fontes, de tratar-se de uma doação da Agência de Cooperação Guiné-Bissau/Senegal, que, pelas suas diretivas próprias ia ser destinada à construção, em Bissau, da “Avenida João Bernardo Vieira (Nino) ”. A Avenida que ia ligar a Praça dos Heróis Nacionais no centro da cidade à zona industrial de Bolola. Este então seu novo So Premiê Baciro tendo-o seguido para logo acrescentar, de que, esse elenco que ia liderar e que ia ser investido naquele dia mesmo, ia evidentemente “começar a trabalhar a partir dessa obra” (a dita “Avenida”).  

O ato todavia naquele preciso momento, no meu olhar, estava manchado de um “pequeno” vício. Em tudo, não se tinha dignado a esclarecer aos cidadãos bissauenses e além, visto o tal modo de norma procedimental adotado naquela transação, sobre a questão de, a quem é que a tal doação se destinava direta e originalmente; a nosso S. Exa. So Presi, Dr. JOMAV, pessoalmente, ou ao Estado da República da Guiné-Bissau.
        
Foi o porquê deste ato ter-me levado logo a colocar-me uma série de questões que, para mim, ainda continuam atuais, agora acrescida de mais outra, após este ates aludido ato de entrevista, a saber:

(1) Pode o Gerente de uma Agencia Mista do Estado da Guiné-Bissau e um outro, neste caso o do Senegal, portanto uma Instituição estatal, proceder à doação de tanta soma de dinheiro “cash” (em cheque), assim, tão simplesmente, a alguém; a nosso Estado, ou a nosso S. Exa. So Presi, ou via este, a uma ou outra entidade estatal?

(2) Como é que se gere os fundos e se costuma levantar as importantes somas de dinheiro naquela Agencia Mista?

(3) Será este gesto, neste quadro, um gesto legal ou um a considerar como a tentativa de uma camuflada sedução (tráfico de influências; aliciamento; corrupção) ao encontro do nosso S. Exa. So Presi? E no fundo, no fundo, partindo de quem?

(4) E para já, quanto é que o Gerente levantou de facto, em relação a esta operação nos cofres daquela Agencia, apenas esta soma doada a So Presi (ou a outra entidade)?

(5) Porque é que o nosso So Presi não o mandou ir depositar a tal soma de tanto dinheiro (em cheque) no tesouro, logo imediatamente, como isso se deve pelos imperativos procedimentais segundo ele mesmo (“o dinheiro do Estado no Cofre do Estado”)?

(6) E de outro lado, porque é que o nosso S. Exa. So Presi, por sua vez, também decidiu entregar assim, “cash” (em cheque), esta mesma soma e toda, a So Premiê Baciro, sem a diretiva deste mandar deposita-la imediatamente no tesouro como se deve, mesmo pensando no objetivo então anunciado da sua utilização posterior para a construção da tal dita Avenida?

(7) E, após tudo isso, ia o So Premiê, pela iniciativa própria, mandar depositar este dinheiro (cheque) no tesouro (“cofre de Estado”) ou não, na sua totalidade?

(8) Mas ainda, com efeito, e à partida de tudo, a construção desta "Avenida João Bernardo Vieira – Nino”, encontrava-se já prevista no Orçamento Geral de Estado do Executivo do So Premiê Baciro? Previsto para que montante?

(9) E, como tanto o Programa deste Governo e assim como seu Orçamento Geral de Estado, a que tudo indicava, iam ser difícil a serem aprovados devidamente pela ANP, e se isso não viesse acontecer, em que pé é que tudo iria ficar? Etc. etc.

E agora, até a presente data (23.06.2018), não se viu nada da construção desta "Avenida João Bernardo Vieira - Nino"… Nada mesmo! Puto!

(1) O que é que se fez com esta importante soma de dinheiro então, entretanto?

(2) Com efeito e para já, este cheque com esta importante soma de dinheiro, após ter sido entregue a So Premiê Baciro, porque é que este, por iniciativa própria, não o mandou depositar no tesouro?

(3) E ainda, não sendo assim, foi logo então, ou não foi depositado numa conta bancaria e de quem, no qual banco? Etc.

Eis diferentes aspetos deste assunto colocados, segundo a mim, desde à partida deste affaire e atualmente, ainda devendo ser esclarecidos em todo o primeiro lugar. E que podem e devem ser esclarecidos.

Ora, em vez disso, primeiro veio So Ex Premiê Baciro três meses atrás e agora segue também aí o nosso S. Exa. So Presi, Dr. JOMAV, nesta antes citada sua entrevista gravada no dia 13 de Junho de 2018 e publicada mais tarde, sobre o balanço dos seus 4 anos do exercício do poder presidencial; os dois a fazer-nos o Pingue-pongue de “entreguei-lhe/não me devolveu” o cheque de 500’000’000,00 (quinhentos milhões) de F CFA’s. Deixando assim o mundo todo sem saber em que pé é que se está agora nisso.

Que a leitora/o leitor me desculpe, mas ora bolas pa, o que é isso?! Que banalização da gestão da coisa pública e das instituições do Estado?! E que descrédito de alguém, no posto do Presidente da República, tendo feito dos géneros da matéria aqui em pauta, a sua; a palavra de ordem, a diretiva para a governação dos fundos do Estado (do povo), ou seja, o seu grande slogan; essa fórmula grande de, “DINHEIRO DO ESTADO NO COFRE DO ESTADO”.

Eis, é por tudo isso é que, na realidade, e bem visto, o que fez e disse o nosso S. Exa. So Presi, Dr. JOMAV nesta tal referida sua entrevista do balanço dos seus 4 anos do exercício do poder presidencial, referindo-se a este assunto é pura e simplesmente um ato de autodenuncia. Uma autodenuncia, para já e sobretudo se tudo vir ficar assim, de terem os dois, ele e Baciro, desviado esta soma em cumplicidade conjunta. E nesse conluio, sendo o Gerente, o ator aliciante (corruptor) de partida; aliciante dos dois e o cúmplice instigador de toda a operação, caso que tenha agido fora das normas procedimentais da sua instituição e além. Em todo o caso, em tudo, coisa claríssima de A a Z para a justiça.

Brincadeira pa. Falou-se tanto e fala-se ainda sempre tanto do “DINHEIRO DO ESTADO NO COFRE DO ESTADO” e depois isso. Sem vergonha. Grande troça do Estado bissau-guineense e pura falta de respeito para com todos os cidadãos bissau-guineenses (Mulheres e Homens). Mas acima de tudo, uma irresponsabilidade política gritante sem igual no mais alto nível dos escalões do nosso Estado. Será que estes três implicados diretamente nesse affaire não vêm e nem sentem isso tudo. Se interroga!

Bom, por enquanto é assim. Mas que todavia se saiba e que saibam bem! O povo bissau-guineense não é burro e muito menos lixo. Um modo de liderança assente no rigor, na disciplina e no respeito irrestrito das normas e Leis da República há de voltar neste país, a Guiné-Bissau. Isso será, sem falta, tal como foi no passado, no “tempo de Cabral”, como costuma dizer o povo.

Obrigado.
Pela honestidade intelectual.
Por uma Guiné-Bissau de Homem Novo (Mulheres e Homens), íntegro, idóneo e, pensador com a sua própria cabeça. Incorruptível!
Que reine o bom senso.  
Amizade.
A. Keita*

*Pesquisador Independente e Sociólogo (DEA/ED) | E-mail: abikeita@yahoo.fr
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