sábado, 30 de junho de 2018

Mundial2018 | É hoje o Portugal x Uruguai... Depois é uma questão de fazer contas

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No Mundial2018, na Rússia, Portugal defronta hoje o Uruguai. O encontro está marcado para as 19 horas em Lisboa, as diferenças horárias serão ditadas geograficamente pelos fusos horários. É uma questão de fazerem contas… como diria António Guterres.

A propósito da seleção portuguesa e da disputa de hoje com o Uruguai falou Fernando Santos, o selecionador português. É o que trazemos ao PG num artigo publicado no Observador da autoria de Bruno Roseiro.

Acreditamos que Portugal vai vencer o Uruguai. Depois é uma questão de fazer contas, como diria o outro. (PG)

Fernando Santos perdeu um café e riu-se de Trump sobre Ronaldo: “Agora ou se ganha ou não se ganha e eu quero ganhar”

Fernando Santos vê um Portugal mais consistente, elogia qualidade do Uruguai mas acredita na passagem aos quartos, numa conferência que lhe custou um café mas ainda valeu uma forte gargalhada.

E à quinta pergunta, um café por pagar. Depois de ter falado Adrien, Fernando Santos analisara também o encontro deste sábado com o Uruguai, num dos duelos mais aguardados dos oitavos de final e num dia que vai arrancar com um França-Argentina. Até aí, tinha deixado uma visão mais geral, falara de William Carvalho e comentara a série de 17 jogos sem perder em fases finais de grandes provas, contando com Campeonato da Europa, Taça das Confederações e Mundial. Depois, a questão da praxe: Portugal está dependente do que conseguirá fazer Cristiano Ronaldo em mais este jogo, desta vez a eliminar?

“Já tenho de pagar mais um café”, atirou para o assessor da Federação, Onofre Costa. “Nós tínhamos falado antes e ele tinha dito que me fariam essa pergunta, eu disse que desta vez não. Lá vou ter de pagar mais um café”, explicou entre sorrisos antes de repetir a resposta que tem dado sempre: “Percebo a pergunta, respeito mas todas as equipas estão sempre dependentes dos melhores jogadores e connosco é assim porque temos aquele que considero ser o melhor do mundo. Também se pode perguntar a mesma coisa ao treinador do Uruguai, que tem Suárez ou Cavani. Os melhores são sempre influentes”.

Mais à frente, com o tema a ser abordado de outra forma (“Tratando-se de um jogo a eliminar, o Cristiano vai estar mais empolgado?”, a resposta acabou por prolongar a mesma linha de raciocínio. “Se o Cristiano jogar sozinho, Portugal vai perder. Temos de ser tão fortes como a fortíssima equipa do Uruguai porque mesmo quando ele marca três golos num jogo tem de haver uma equipa como suporte. Se olharmos para os jogadores que têm jogado no nosso adversário, temos dois do Atl. Madrid, um do Inter, um da Juventus, na frente um do PSG e outro do Barcelona, ou seja, três que foram campeões nos seus países… São duas grandes equipas, mas também é verdade que, quando se anulam, as diferenças são feitas pelas individualidades, mas apenas porque existe esse suporte da equipa”, destacou, já depois de ter olhado para o Uruguai também como um todo.

“A maior virtude do Uruguai é a própria equipa do Uruguai.Tem uma equipa comandada pelo mesmo treinador há 12 anos, que é muito experiente, uma equipa fortíssima, com jogadores que conhecemos e reconhecemos. É certo que em 2018 não sofreu nenhum golo mas é muito forte nos vários setores. É complicado encontrar fraquezas porque é muito homogénea nos cinco momentos do jogo e procurámos estudar bem o adversário porque dentro dessa fortaleza há sempre alguma coisa que tentaremos explorar. Preparámos bem o jogo, o adversário e aquilo que temos de fazer”, frisou Fernando Santos, o engenheiro para quem é igual a formação em termos académicos: “Influência no futebol? Acabei o curso com 22 anos, aos 15 ou 16 já jogava futebol…”.

Deixando ainda a dúvida em relação à utilização de William Carvalho (“Teremos de ver mais umas horas, nisto umas horas são importantes”), e passando por cima de uma pergunta (que também teve logo uma espécie de aviso prévio para não levar a questão muito a sério) sobre o comentário de Trump para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre se achava possível Cristiano Ronaldo candidatar-se ao seu cargo — “Só vi o nosso Presidente quando cá esteve connosco, depois disso não tive oportunidade de falar com ele… Desculpe, sobre isso não vou falar”, atirou depois de ter soltado uma gargalhada em uníssono com o resto da sala —, o selecionador nacional relativizou ainda o atual registo de jogos sem perder da Seleção mas mostrou confiança em avançar na prova apesar do poderio dos sul-americanos.

“Acreditamos que podemos passar, assim como eles também acham que chegou a hora deles. Pela história, nós fomos campeões da Europa, eles já foram duas vezes campeões do mundo… São números que valem o que valem, o que interessa é o que se vai passar no jogo, tenha quanto tempo tiver. É preciso lutar e trabalhar muito, colocando em campo as nossas capacidades e qualidades. Mas estamos com grande confiança, tendo sempre, obviamente, grande respeito pelo adversário. Portugal quer muito, os jogadores querem muito chegar aos quartos e é em campo que tentaremos fazer a diferença num jogo diferente da fase de grupos porque, amanhã, não vale pontos — agora ou se ganha ou não se ganha e eu quero ganhar”, referiu.

“O que mudou depois de ter chegado? Termos ganho! Portugal sempre teve grandes seleções e jogadores, já tinha ido a uma final do Europeu, esteve em duas meias-finais do Mundial, não logrou vencer mas o futebol tem isso. O que foi importante foi ganhar. Há sempre alguma coisa que muda, mas é reflexo dos jogadores e do que conseguiram fazer em campo. Aqui, penso que Portugal tem crescido, tenho essa confiança que sim. Os jogadores encontram-se durante o ano dois ou três dias e acrescentando mais jogos e treinos é normal que a equipa vá ficando melhor em termos coletivos. Isto depois de termos calhado no grupo talvez mais difícil, que foi muito apertado e que um dos principais favoritos também sentiu isso mesmo”, concluiu, numa conferência onde pediu ainda para todos os portugueses cantarem o hino de mãos dadas para criar uma corrente para os quartos.

Bruno Roseiro | Observador - Enviado especial do Observador à Rússia (em Sochi) | Foto Paulo Novais/Lusa
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