domingo, 1 de julho de 2018

Brasil | Bolsonaro ama Trump, o carrasco de crianças

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Os brasileiros que estão chocados com o facínora Donald Trump, que enjaula crianças e as separa dos pais imigrantes, devem ficar mais atentos aos monstros em sua própria casa. O fascista Jair Bolsonaro, que desponta em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, é um seguidor do carrasco.

Altamiro Borges | Vermelho | opinião

Em novembro de 2016, logo após a vitória do republicano no colégio eleitoral, ele postou: “Parabéns ao povo dos EUA pela eleição de Trump. Vence aquele que lutou contra ‘tudo e todos’. Em 2018, será o Brasil no mesmo caminho”. Em outubro passado, quando visitou o país e fez continência diante da bandeira ianque, ele mostrou todo seu servilismo: “Trump serve de exemplo para mim”. Já na semana passada, quando a política migratória criminosa do império foi criticada nas Nações Unidas, ele saiu em sua defesa: “Os EUA acabam de deixar o tendencioso e parcial Conselho de Direitos Humanos da ONU”.

Metido a valentão – apesar de morrer de medo de debates –, o fascista nativo não esconde que deseja seguir as mesmas políticas do psicopata do império. Matéria publicada na Folha de São Paulo no dia 21 de junho mostra que ele inclusive tenta estreitar os laços com o seu ídolo. “A família do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) acionou emissários nos EUA para tentar uma aproximação com o presidente americano Donald Trump. A expectativa é que aliados do pré-candidato pavimentem um caminho para que o próprio seja recebido pelo chefe da Casa Branca entre o primeiro e o segundo turnos da eleição, supondo que estará no páreo... Admirador de Trump, Jair Bolsonaro força uma associação entre ele e o americano, que era visto nos Estados Unidos como um outsider destemperado em cuja vitória o establishment jamais apostou”.

De fato, ambos têm muitas coisas em comum. O ex-capitão do Exército brasileiro e o empresário ianque defendem com paixão os privilégios da cloaca burguesa. Trump apresentou uma reforma tributária que beneficia o 1% de ricaços do país; já Bolsonaro disse recentemente que é contra a tributação de grandes fortunas. Os dois também são inimigos mortais dos direitos dos trabalhadores e de seus sindicatos. O deputado nativo inclusive votou favoravelmente a “reforma trabalhista” do vampiro Michel Temer, que faz o país regredir ao período da escravidão, e até postou um vídeo com ataques furiosos ao sindicalismo. Eles também estão ligados aos interesses de poderosos grupos empresariais – banqueiros, ruralistas, indústrias de armamento, entre outros.

Além da unidade na pauta econômica, outro ponto que aproxima os dois facínoras é o estímulo ao ódio e ao preconceito. Trump é conhecido por suas posições racistas e xenófobas. Jair Bolsonaro não fica atrás. Em abril passado, por exemplo, ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por seu discurso contra quilombolas, indígenas, estrangeiros e mulheres em uma palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro. Segundo a procuradora Raquel Dodge, “Bolsonaro usou expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais”. Na denúncia, a PGR transcreveu vários trechos da palestra, que agora os advogados de defesa do fascistoide tentam desesperadamente justificar para evitar a cassação da sua candidatura.

O belicista Donald Trump e o militarista Jair Bolsonaro também são partidários da violência. O senhor do império enjaula crianças imigrantes, patrocina golpes de Estado e dispara bombas. Já o fascista nativo é um adorador da morte. Em 2003, o deputado Jair Bolsonaro usou os microfones da Câmara Federal para elogiar os grupos de extermínio. “Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio são muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o apoio, porque no Rio de Janeiro só as pessoas inocentes são dizimadas. Na Bahia, as informações que tenho – lógico que são grupos ilegais, mas meus parabéns – [são as de que] a marginalidade tem decrescido”. A informação era totalmente mentirosa, uma típica “fake news” da extrema-direita para enganar os eleitores incautos.

*  Jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
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