domingo, 29 de julho de 2018

CPLP

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Ana Paula Laborinho | Jornal de Notícias | opinião

Muitos não conseguirão identificar CPLP como Comunidade de Países de Língua Portuguesa e, mesmo que o façam, outros muitos perguntarão o que faz e para que serve. Outros ainda dirão que faz pouco e não atinge os seus objetivos. De uma forma ou outra, a CPLP ainda está afastada dos cidadãos que a ela pertencem e isso mesmo reconheceu o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, na cimeira de chefes de Estado e de Governo que se reuniu na ilha do Sal durante a semana que passou. Mas as críticas expressam também as expectativas de que a comunidade possa trazer reais benefícios aos seus povos e avance para resultados práticos.

A CPLP foi criada há 22 anos e, apesar de tudo, muito caminho foi feito no sentido da concertação político-diplomática e da cooperação, dois dos seus pilares constitutivos, a par da língua portuguesa como terceiro pilar essencial. Mas há novos desafios, sendo o primeiro de todos a circulação de pessoas e bens o que facilitará os negócios, a mobilidade académica, científica e cultural. Estando cada um dos países integrado em contextos regionais distintos, não se trata de um exercício fácil, mas há avanços significativos e foi o tema mais recorrente das intervenções ao mais alto nível.

Cabo Verde assume a presidência da Comunidade nos próximos dois anos e elegeu como lema "Pessoas, cultura, oceanos". Não podia ser mais certeiro. Os mares e os oceanos são uma riqueza com muito para explorar. Como foi dito, conhecemos melhor a Lua que os oceanos e estes são hoje um vasto domínio de intervenção que vai da economia e da ciência à segurança marítima. Também a cultura desenha novos desafios, não apenas pelos traços comuns ou pela sua diversidade, mas porque é um recurso estratégico que importa desenvolver desde logo através de um mercado da cultura comum que permita (mais uma vez) a mobilidade de artistas, bens e serviços culturais. Também a língua portuguesa participa deste eixo como foi destacado em todas as intervenções que fizeram o pleno na valorização do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) que nasceu ainda antes da CPLP.

Mas as pessoas continuam a ser o centro do projeto o que retoma a urgência de resultados virados para as suas necessidades e ambições. A CPLP representa um imenso potencial como testemunha o número de estados-membros associados que este ano aumentou de forma exponencial. Mas as pessoas, sempre as pessoas.

*Professora universitária
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