sexta-feira, 6 de julho de 2018

Londres e Moscovo trocam acusações após novo caso de envenenamento

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Ministro britânico do Interior cobra explicações da Rússia por intoxicação de casal com mesma substância usada contra ex-espião Skripal. Já Moscou pede a Londres que não entre em "jogos políticos sujos".

Rússia e Reino Unido voltaram a trocar acusações nesta quinta-feira (05/07) após o novo caso de envenenamento com o agente nervoso Novichok, o mesmo que foi usado para intoxicar há quatro meses o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha.

O governo da Rússia pediu às autoridades britânicas que não entrem em "jogos políticos sujos" ao relacionar o envenenamento de duas pessoas na cidade de Amesbury, no sul da Inglaterra, com o caso Skripal, ocorrido a poucos quilômetros de distância.

O ministro britânico do Interior, Sajid Javid, exigiu que a Rússia explique o ocorrido, depois de ter acusado Moscou pelo envenenamento dos Skripal. "Os olhos do mundo estão na Rússia atualmente, e não só por causa da Copa do Mundo", afirmou o político, ao acusar o governo russo de tentar minar a segurança do Reino Unido e do mundo.

"É completamente inaceitável que nosso povo seja alvo deliberado ou acidental, ou que nossas ruas, nossos parques, nossas cidades sejam lixeiras para veneno", disse Javid no Parlamento britânico.

A porta-voz do Ministério do Exterior da Rússia, Maria Zakharova, se declarou "impressionada" com as declarações de Javid. "Fazemos um pedido às forças de segurança britânicas para que não se deixem levar por jogos políticos sujos promovidos por determinadas forças em Londres e que comecem, finalmente, a colaborar com os órgãos de segurança da Rússia", declarou.

Ela afirmou que, desde que aconteceu o envenenamento do ex-espião e de sua filha Yulia na cidade de Salisbury, em 4 de março, também no sul da Inglaterra, a Rússia ofereceu cooperação para a investigação em várias ocasiões pela via diplomática. "Estou autorizada a dizer que os serviços de segurança russos estão prontos para esse trabalho", ressaltou Zakharova.

A porta-voz garantiu que a Rússia está seriamente preocupada com a situação criada com esse novo caso, que o governo britânico suspeita que esteja relacionado com o anterior, e desejou uma rápida recuperação às vítimas.

O ministro britânico do Interior confirmou nesta quinta-feira as suspeitas de Londres de que os dois incidentes estejam relacionados, embora disse acreditar que o casal britânico não tenha sido um alvo deliberado, mas que a intoxicação seja consequência do caso Skripal.

Entretanto, Javid ressaltou que não foram encontradas evidências de que os novos intoxicados visitaram as zonas de Salisbury onde estiveram os Skripal. O ministro quis, assim, afastar a hipótese, levantada por alguns veículos de imprensa britânicos, de que a intoxicação poderia ser consequência de um trabalho de limpeza insuficiente em Salisbury após o primeiro ataque.

Mais tarde, nesta quinta-feira, a polícia britânica divulgou, após a realização de novos testes, que o casal de vítimas teve contato com o agente nervoso ao "manipular um objeto contaminado", sem especificar qual seria esse item.

Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, que ajuda nas investigações com sua unidade antiterrorismo, detetives estão tentando agora identificar a fonte de contaminação em vários locais em Amesbury e Salisbury.

Investigadores estão monitorando também pessoas próximas ao casal em busca de sintomas similares. "Até agora, ninguém apresentou os mesmos sintomas relacionados ao incidente", afirmou a polícia.

Os dois afetados, identificados como Charlie Rowley e Dawn Sturgess, de 45 e 44 anos, respectivamente, foram encontrados inconscientes no sábado passado, após passarem mal, numa residência na cidade de Amesbury, a 13 quilômetros de Salisbury. Eles estão internados em estado crítico num hospital no condado de Wiltshire.

A Rússia sempre negou qualquer relação com o envenenamento de Serguei Skripal e sua filha, Yulia, e o Kremlin tachou de alarmante o novo caso de envenenamento produzido no condado de Wiltshire, no qual, segundo Londres, foi utilizado o mesmo agente tóxico do ataque contra o ex-espião russo.

Skripal, de 67 anos, e sua filha, de 33, foram envenenados em 4 de março com o agente tóxico Novichok, um grupo de substâncias tóxicas fabricado na União Soviética nos anos 1970 e 1980. O governo britânico acusa a Rússia de ter orquestrado o ataque.

Em represália, o Reino Unido e aliados, incluindo Estados Unidos e nações europeias, expulsaram dezenas de diplomatas russos, enquanto Moscou fez o mesmo com diplomatas estrangeiros. Ao todo, as ordens de expulsão atingiram mais de 300 funcionários em vários países.

MD/EK/efe/ap/dpa/lusa | Deutsche Welle
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