quinta-feira, 5 de julho de 2018

Portugal | ASSIMILADOS DE ESTRANGEIRISMOS ESTÃO A ABUSAR

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Não, nem sequer é aqui neste Curto que vai ler a constatação do abandalhamento do português por via dos abusos de inclusões de estrangeirismos. Mas disso vimos e ouvimos todos os dias e a todas as horas na comunicação social. Interromper as férias é muito aborrecido. E então tomem lá com esta justificável implicação. Grrr.

O PG começou hoje todo da lusofonia/CPLP, em beleza. Já deu um toque em Angola, em Moçambique e em Timor-Leste. Assim como tocou na divulgação sobre as declarações do MNE português sobre a reunião próxima da CPLP, de que ele diz maravilhas que vão acontecer. O homem é um diplomata muito otimista e vê coisas que não vimos. Imaginação fértil é do que padece Augusto Santos Silva. Mas vale, pela simpatia e aquela sua competência a ver o que mais ninguém vê mas aceita que até vê. Olá, loron diak. Não perceberam?

Pois é, estamos a ir na onda de empregar termos de outras línguas à mistura com o português. Aqui em baixo, no Curto, por uma senhora jornalista, Cristina Figueiredo, temos “silly”, e antes “season”, por pequeno exemplo. Mas disto há em barda pela comunicação social portuguesa, na rádio, nos jornais, nas tvs ou em outro qualquer pasquim. Está mal, mas eles é que têm “os livros”. Depois admiram-se que lhes chamem “cagões” – vaidosos, convencidos e etc.

Foi o que aconteceu aqui em cima no final do segundo parágrafo: loron diak, que significa bom dia em tétum. A língua timorense. É só uma provocação, não é uma “caganeirisse”. Certo é que a língua portuguesa está a ficar inundada de termos estranhos à nossa Pátria, que é a nossa língua, o que é um abuso cometido por assimilados de estrangeirismos que acabam por não ser carne nem peixe. Ficam assim a ser a “modos de uma coisa”. Não é assim que se defende e divulga corretamente a língua portuguesa, senhores jornalistas e outros escrevinhadores. Ainda mais com o prejuízo de muitas vezes não permitirem que imensos portugueses fiquem a entender o que escrevem ou o que dizem nas rádios e tvs. Novos métodos de comunicação? Rasguem esses vossos livros, aprendam português. Ou emigrem para a velha Albion ou outro lugar qualquer. Fazem cá menos falta que uma viola num enterro. Diziam os nossos avós. Só que agora já se canta e acontecem as coisas mais estranhas nos enterros. Tudo bem. Os mortos não falam, não sentem, nem se coçam.  Também não se indignam. Aleluia!

Segue o Curto. Este foi só um desabafo, numas férias de vez em quando interrompidas. Hau ba bahona. Saude barak. Entenderam? Oh, também não é preciso.

O Curto cumpre a função. É de ler. (MM | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

Drama(s) de verão?

Cristina Figueiredo | Expresso

Nem sempre a "season" é "silly".O verão passado lembra-nos bem como sol e calor podem ser trágicos sinónimos de tragédia. Mas a maioria das vezes, felizmente, a época é mesmo "tola" (numa tradução livre da expressão anglófona que já vem do século XIX), que é como quem diz, parca em notícias puras e duras, o que leva a que certas histórias ganhem uma proporção mediática que nunca teriam noutra altura do ano. Escrevo isto a pensar em três exemplos em concreto (seriam quatro, se contasse com o estacionamento da Madonna, mas a polémica parece ter estancado). Mas suspendo o raciocínio. Dou por mim a perguntar-me se em qualquer outra altura do ano não daríamos exatamente o mesmo tempo de antena ao...

1) salvamento dos jovens tailandeses presos na gruta;

2) futuro de Cristiano Ronaldo;

3) equilíbrio de forças na "geringonça"?

Provavelmente, sim. O que me leva a outra interrogação, e para esta não tenho resposta: é a "season" que já não é "silly" ou há uma "sillyzação" do ano inteiro? Dramas de verão ou de inverno são, por estes dias, os temas que dominam os noticiários.

Os miúdos tailandeses. Um daqueles casos em que a realidade ultrapassa a ficção. Quando a tragédia parecia inevitável, o milagre aconteceu: dez dias depois de desaparecerem, as crianças e o seu treinador foram encontrados vivos no interior de uma gruta, retidas devido às chuvas fortes que inundaram boa parte das câmaras subterrâneas e inviabilizaram o seu regresso à superfície. Dir-se-ia que tudo está bem quando acaba bem... o problema é que o caso está longe do fim. A operação de resgate é complexíssima e ainda não se sabe bem como (nem durante quanto tempo) se irá processar. O mergulhador Pedro Ivo Arriegas, da Associação de Estudos Subaquáticos, esteve ontem na Edição da Noite da SIC Notícias a explicar as dificuldades. Há mais informação no Observador, no Público, no Diário de Notícias ou (em inglês) neste artigo do The Guardian, com gráficos bastante esclarecedores.

Adiós Madrid, Ciao Turim. A notícia começou a ser avançada na terça-feira e a SIC confirmou-a ao início da noite de ontem: Cristiano Ronaldo trocou o Real pela Juventus, vai receber 30 milhões de euros anuais de salário (o clube recebe 100 milhões pela sua saída) e deverá ser apresentado aos adeptos italianos dentro de poucos dias. O diário desportivo espanhol As assegura que foi o jogador quem se ofereceu ao clube de Turim e resume a três as razões para tanto: competitividade (a Juventus permite-lhe continuar a lutar por títulos); afecto mútuo (recorde-se que o estádio inteiro aplaudiu Ronaldo após aquele golo incrível de bicicleta a dois metros de altura que ele marcou aos italianos, em casa destes, nos quartos de final da Champions); e, claro, o salário. No Expresso Diário de ontem (só para assinantes) Bruno Vieira Amaral escreve que a relação de CR7 com o Real nunca foi uma história de amor: "Cristiano não fica no coração dos madridistas porque nunca lá entrou. E nunca lá entrou porque, para começo de conversa, Madrid não tem coração. O Real, sobretudo o de Florentino, tem bolsa e palmarés. Para reforçar este abre os cordões àquela, mas nunca entrega o coração que não tem". Ainda a notícia não estava confirmada e já havia outro tipo de consequências: o valor das ações da Juventus disparava na Bolsa italiana.

Ainda e sempre, a "tensão na geringonça".Começa a ser um clássico de todas as estações. A três meses de mais um Orçamento do Estado (o último da legislatura) ser entregue no Parlamento, vai alta a tensão da "geringonça" (nome "afetuoso" - garante o pai do mesmo, o historiador Vasco Pulido Valente - com que se convencionou designar a atual solução governativa assente num acordo entre PS, PCP, BE e PEV), que é como quem diz o "esticar da corda" por parte de PCP e BE em relação a um PS que se refugia no argumento de que 'já falta pouco para a meta para deitar a perder três anos' de uma cooperação que muitos estranharam mas, verdade seja dita, quase todos entranharam. Terça-feira houve reunião entre António Costa e Jerónimo de Sousa (ah, quem me dera ser mosca!), e ontem o primeiro-ministro encontrou-se também com Heloísa Apolónia, dos Verdes (há duas semanas tinha sido com Catarina Martins). São encontros normais no âmbito da negociação política entre as forças políticas que apoiam o Governo, mas que à luz do acordo sobre as leis laborais (assinado por todos os parceiros menos pela CGTP), do braço-de-ferro entre os professores e o ministério da Educação, e dos protestos crescentes na Saúde ou nos transportes adquirem novos contornos. Marcelo continua a acreditar na concórdia, em nome do país. Rui Rio vinca o óbvio: o OE é um teste (o derradeiro) à geringonça. Eu tenho para mim que o jogo vai continuar a ser jogado até ao último momento, com eleições apenas em outubro de 2019 e não antes.

OUTRAS NOTÍCIAS, CÁ DENTRO...

António Costa está em Maputo para uma visita de dois dias, a primeira de um"périplo" do primeiro-ministro a vários países da CPLP - algures, ainda não se sabe quando, há-de aterrar também em Luanda. Lembra o Público que há quatro anos que não havia uma cimeira bilateral Portugal/Moçambique. Nesta vão ser assinados dez acordos de cooperação.

O Princípe Aga Khan chega hoje a Portugal (fica até 11 de julho) para celebrar os seus 60 anos como líder espiritual da comunidade ismaelita. Vai ser recebido pelo Presidente da República e discursar na sala do senado da Assembleia da República. A "festa" leva até Lisboa 50 mil fiéis e vai provocar condicionamentos à circulação no Parque das Nações.

O Governo Regional da Madeira vai processar a TAP por considerar que sucessivos cancelamentos de voos da companhia para o arquipélago prejudicaram seriamente o turismo na região. Desde o início do ano que mais de 70 voos foram cancelados, afetando 10 mil passageiros. Miguel Albuquerque acusa a TAP de uma estratégia deliberada e vai exigir uma indemnização nos tribunais.

Nos Açores, a notícia é outra: há meses que quase não chove (!), em particular na Terceira. E a seca pode levar a uma queda de 30 a 40% na produção do leite.

Ontem um taxista agrediu um turista, alegadamente por o ter confundido com um motorista da uber. O cidadão, natural do Koweit, apresentou queixa e o Ministério Público é assim obrigado a abrir um processo. Neste contexto, tão pouco condizente com a imagem da Lisboa cosmopolita que Madonna escolheu para viver, importa recordar que o diploma que legaliza a atividade de plataformas como a Uber , que tinha sido vetado por Marcelo Rebelo de Sousa, será reapreciado na próxima semana no Parlamento.

A morte de Ricardo Camacho, dos Sétima Legião, consternou toda uma geração de portugueses e os jornais dão profuso eco disso mesmo. Na Blitz, Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão recordam o antigo companheiro.

...E LÁ FORA

Os números oficiais referem 113 mas podem ser mais, muito mais, as vítimas da erupção do vulcão do Fogo, na Guatemala. Os voluntários dos resgates estimam que o número possa subir até aos 3000.

Um casal britânico (ele 45 anos, ela 44) foi encontrado inanimado em Amesbury, no sudoeste inglês, e as análises clínicas provaram estar intoxicado com o agente químico Novichok, o mesmo que quase vitimou o russo Sergei Skripal e a sua filha Julia (numa localidade próxima) e abriu uma grave crise diplomática entre o reino Unido e a Rússia. Os dois cidadãos estão ainda em estado crítico. A unidade de contraterrorismo da polícia britânica está a investigar a "coincidência".

Hoje é dia de primárias no PP espanhol. Quase 70 mil militantes têm até às 20h30 para escolherem nas urnas o sucessor de Mariano Rajoy (que se demitiu da presidência do partido na sequência da moção de censura que derrubou o seu Governo, em maio). Há seis candidatos ao lugar mas a disputa das preferências do eleitorado deve centrar-se em Soraya Sáenz e Maria Dolores de Cospedal. Mais noticiário aqui e aqui.

Em Espanha ainda, o chefe do Governo Pedro Sanchez conseguiu passar um primeiro teste nas Cortes, ao fazer aprovar à segunda votação a nova direcção da RTVE. Os deputados do Ciudadanos abandonaram a câmara em protesto e o PP admitiu recorrer ao Constitucional mas, para já, a lista passou.

Uma mulher escalou a base da Estátua da Liberdade (30 metros de altura), em Nova Iorque, para protestar contra as leis da imigração, num gesto ainda mais simbólico por ontem ser 4 de julho, o dia em que se celebra o dia da independência de um país que não seria nada do que é sem os imigrantes que o fizeram.

AS MANCHETES DOS JORNAIS E REVISTAS

"Mortes em praxe de Braga sem solução na justiça" (Jornal de Notícias)
"Governo da Madeira processa TAP por danos no turismo" (Público)
"Megafraude em Braga. BCP perdoou 45 milhões mas Santander não cede" (i)
"Um ano à espera de um exame para despistar cancro no figado"(Diário de Notícias)
"Saco azul paga votos no PSD" (Correio da Manhã)
"PS quer impedir uso reiterado do período experimental" (Jornal de Negócios)
"Duelo de milhões nas casas de férias" (Visão)
"As estrelas das dietas" (Sábado)
"Viagem a uma galáxia quase sempre muito distante" (A Bola)
"CR Juve" (Record)
"Bissouma negociado" (O Jogo)

O QUE ANDO A LER E A VER

Estive recentemente no Alto Douro, região que desconhecia. Voltei de lá fascinada com a paisagem, a natural e a que o homem criou. E refiro-me não só aos terraços de xisto em que crescem as vinhas históricas, como ao maravilhoso rio tornado navegável à conta das barragens e dessa formidável obra de engenharia que são as eclusas. Há todo um mundo para lá do Pinhão - onde começa ou termina a maioria dos cruzeiros turísticos -, toda uma história - pouco divulgada - para conhecer. E meia dúzia de dias no local sabe a pouco. Daí que mal cheguei a casa tenha ido à estante buscar "Vindima", o primeiro romance de Miguel Torga, publicado em 1945, e durante muitos anos considerado - "injustamente", ajuizou Urbano Tavares Rodrigues - uma "obra menor" do consagrado autor que nos habituámos a conhecer (e estudar) através de "Bichos" ou "Contos da Montanha". É um retrato de um Douro marcadamente dividido ao meio entre senhores e empregados, ricos e pobres, que já não é o de hoje mas que o explica. E muito. Como o próprio Torga reconhece, num prefácio escrito para a edição inglesa do livro (43 anos depois da edição original): "Conhecer o passado ajuda às vezes a entender o presente".

Por coincidência, alguns dias depois, o zapping levou-me ao Porto Canal e ao programa "Caminhos da história", apresentado pelo historiador portuense Joel Cleto. Já tinha visto um ou outro episódio desta série que conta histórias menos conhecidas da nossa História. O de 23 de junho foi precisamente sobre "os rabelos e o barão de Forrester", um inglês que se perdeu de amores pelo Douro, gastou boa parte da sua fortuna a cartografar o percurso do rio e acabou, cruel ironia do destino, por morrer (em 1861) nas águas tumultuosas do cachão da Valeira, que ele assinalara precisamente como um dos pontos mais perigosos do percurso fluvial (e que só desapareceu com a construção da barragem da Valeira, em 1976).

E o Curto fica por aqui. Entre o passado e, sobretudo, o presente, os sites do Expresso, da SIC Notícias, da Tribuna e do Blitz dão-lhe as orientações de que precisa para não se perder no caudal noticioso de todos os dias. Tenha um dia bom e, se for o caso, boas férias (as temperaturas começam hoje a subir e há francas possibilidades de o verão se tornar mais... estival).
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