domingo, 1 de julho de 2018

Racismo e xenofobia | Nós, os colaboracionistas

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Pedro Marques Lopes | Diário de Notícias | opinião

As agressões bárbaras a Nicol Quinayas, rapariga negra de 21 anos, não são um acontecimento excecional, como também o não são os insultos que o homem ao serviço dos STCP proferiu. Ainda há muito pouco tempo tivemos o episódio da esquadra de Alfragide e basta um apelo à memória para nos lembrarmos de várias situações que envolvem forças de segurança e negros. Aliás, são quase rotineiros os relatórios de entidades internacionais a acusar as nossas polícias de abusos e, apesar de não exclusivamente, quase sempre a negros.

Poderíamos concluir dizendo que temos um problema de racismo basicamente circunscrito às nossas forças de segurança. Reforçar com a enésima falha grave de, no caso das agressões a Nicol, a polícia não ter identificado o agressor no local, não ter chamado o 112 e só ter feito auto de notícia três dias depois - talvez por o caso ter tido repercussões mediáticas. E sim, sendo forças de segurança ou entidades ligadas ao setor público, este tipo de situações têm mais gravidade. É que estas instituições são, de forma mais ou menos direta, os nossos representantes. São as pessoas a quem delegamos a segurança ou outros interesses comunitários, somos nós.

Mas não, não é assim. A conversa de não termos um problema de racismo na nossa comunidade, de sermos um povo com uma relação diferente da de outros com gentes de outras raças é uma terrível mentira. Uma mentira mil vezes repetida. Uma mentira que ajuda um selvagem a espancar selvaticamente uma rapariga de 21 anos perante a passividade das pessoas que assistiam à cena. Uma mentira que permite que numa manifestação, poucos metros acima da Assembleia da República, se chame monhé ao primeiro-ministro. Uma mentira que permite a muitos chamar fundamentalista a quem se revolta por se utilizar linguagem objetivamente racista. Uma mentira que permite não termos negros com cargos relevantes na função pública, em cargos políticos, na administração de empresas privadas. Uma mentira que faz que ignoremos olimpicamente os insultos sistemáticos a negros em campos de futebol. Uma mentira que faz que sejamos, segundo um relatório da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, entre nove países (incluindo a Hungria), os que mais discriminamos os ciganos no acesso a direitos básicos.

Não tenhamos ilusões. Tivéssemos situação comparada à dos fluxos de imigrantes de outros países europeus e a reação de muitos de nós seria igual ou pior do que a dessas comunidades. E tenho poucas dúvidas de que inevitavelmente apareceria um tocador de flauta de Hamelin racista e xenófobo a quem não faltariam nossos concidadãos a segui-lo.

O vírus do racismo está bem vivo entre nós. Não basta existir e estar a ser alimentado de muitas formas e poder ser engordado por outras, ainda conta com a colaboração de quem não está infetado mas encolhe os ombros quando o vê diariamente, que promove a mentira de sermos um país de brandos costumes perante outras raças. Não se iluda, caro leitor, de uma forma ou de outra eu e você estávamos nos socos que deixaram a cara da Nicol naquele estado.

O inferno da Portela 

Só quem não apanhou nos últimos tempos um avião no terminal 1 do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, é que desconhece o caos que ali está instalado. As zonas de check-in parecem, o dia todo, o metro em hora de ponta e as filas para passar pela segurança estendem-se por centenas de metros.

No dia 14 de junho demorei hora e meia desde o momento em que passei a zona de validação do cartão de embarque até cruzar a segurança. É evidente que os recursos estão a ser todos explorados. Não há máquinas de verificação da bagagem de mão que estejam paradas e não há falta de trabalhadores. E, claro, nem vale a pena falar dos atrasos nos voos.

As músicas que nos salvam a vida

A rubrica faz parte de um programa da CBS, The Late Late Show. Nela, o apresentador James Corden convida um músico que leva num passeio de carro enquanto conversam e cantam.

Num dos últimos episódios, o convidado foi Paul McCartney. O passeio percorreu Liverpool, a casa onde Paul e John escreveram os primeiros êxitos, os locais onde se inspirou para muitas músicas que fazem parte da minha e da vida de tanta gente.

- Foto: Jornal de Notícias
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