terça-feira, 7 de agosto de 2018

Inteligência alemã alerta para radicalização de crianças

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Chefe alemão de inteligência chama de "alarmante" a radicalização de crianças muçulmanas, após relatório apontar que jovens estão sendo doutrinados cada vez mais cedo. Conservadores querem vigilância antes dos 14 anos.

Crianças que crescem em famílias muçulmanas fundamentalistas na Alemanha representam uma "ameaça potencial considerável", afirmou nesta segunda-feira (06/08) o presidente do Departamento de Proteção à Constituição da Alemanha (BfV, na sigla em alemão), Hans-Georg Maassen.

Um novo relatório do BfV, divulgado por jornais do grupo de mídia Funke, alertou haver sinais de que a "radicalização de menores e jovens adultos" está se tornando mais comum e ocorrendo cada vez mais rápido e mais cedo.

As crianças em algumas dessas famílias são "educadas desde o nascimento com uma visão de mundo extremista que legitima a violência contra outros e deprecia aqueles que não fazem parte de seu grupo", segundo as conclusões do serviço de inteligência alemão.

Os especialistas acreditam que, na Alemanha, haja um "número de três dígitos" de famílias islâmicas radicalizadas com várias centenas de crianças.

O relatório do BfV aponta ainda que a ameaça parte não só de famílias que viajaram para zonas em guerra no Oriente Médio, mas também daquelas que permanecem na Alemanha.

Em entrevista ao Funke, Maassen advertiu que o que ele descreveu como socialização jihadista das crianças em curso no país é "alarmante" e pode representar um desafio significativo para as autoridades nos próximos anos.

As conclusões do BfV levaram políticos da União Democrata Cristã (CDU), partido da chanceler federal alemã, Angela Merkel, a pressionarem por uma nova redução da idade mínima para a vigilância de crianças – em 2016, o limite caiu de 16 para 14 anos.

"Não se trata de criminalizar menores de 14 anos, mas de evitar ameaças significativas ao nosso país, como o terrorismo islâmico, que também tem crianças como alvo", afirmou o deputado Patrick Sensburg, da CDU, ao grupo Funke.

Stephan Mayer, um porta-voz da União Social Cristã (CSU), partido irmão da CSU, defendeu que tal medida seria para proteger as crianças afetadas, afirmando que pessoas muito jovens viajaram para regiões em crise na Síria e no Iraque para se juntar ao jihadismo.

Legendas como A Esquerda e o Partido Verde se disseram contrários a permitir a vigilância de menores de 14 anos, medida que também foi condenada por entidades de direitos humanos.

A organização humanitária alemã Humanist Union (HU) disse ser irracional considerar crianças uma ameaça à ordem constitucional democrática, uma vez que "suas ideias e opiniões ainda não estão totalmente desenvolvidas e estão sujeitas a mudanças".

"Colocar crianças sob vigilância é, portanto, uma violação maciça de seus direitos fundamentais", afirmou Martin Kutscha, membro do conselho da HU, à DW.

No ano passado, o chefe da BfV já havia expressado preocupação com potenciais repatriados, especialmente com menores de idade que partiram com seus pais para as zonas de combate.

"Vemos o perigo de que os filhos de jihadistas retornem das regiões de combate para a Alemanha, socializados no islã e doutrinados nesse sentido", advertira Maassen em meados de novembro. "Assim, uma nova geração de jihadistas também poderia crescer aqui."

De acordo com o BfV, mais de 950 radicais islâmicos partiram da Alemanha para a Síria e o Iraque até o final do ano passado. Um quinto deles seriam mulheres, e 5% menores de idade, informou o órgão, acrescentando que por volta de um terço desses radicalizados já teria retornado ao país.

Em dezembro passado, o serviço secreto doméstico alemão calculou haver na Alemanha um total de 1.870 radicais islâmicos violentos.

EK/afp/dpa/dw
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