domingo, 15 de julho de 2012

Carros queimados é a expressão da violência que irrompeu em Timor-Leste




Michael Bachelard* – Sydney Morning Herald - 15 de julho de 2012 – Tradução PG

A violência irrompeu em Timor Leste, aparentemente iniciada pela Fretilin, partido  excluído de um novo papel na nova coligação de governo.

A polícia confirmou que cerca de 58 carros foram queimados e pedras jogadas sob tráfego da capital, Díli. A agitação também se espalhou para os distritos exteriores de Viqueque e de Baucau.

Um número elevado de carros foram incendiados e os boatos iniciais sugeriram que uma pessoa havia morrido no conflito no subúrbio de Díli, em Comoro, em frente à sede do partido CNRT, no entanto, isso agora parece duvidoso.

Fontes em Díli dizem que a maioria das principais estradas estão bloqueadas com patrulhas da polícia das Nações Unidas a tentar ter controlo sob a situação na cidade-capital atingida pela pobreza.

Os moradores também relataram o som de petardos e de tiros sendo os incidentes filmados em todo o subúrbio de Comoro.

A frágil democracia conseguiu este ano efetuar uma eleição presidencial com segundo turno eleitoral para presidente, bem como a eleição parlamentar sem violência significativa, mas o anúncio feito pelo primeiro-ministro Xanana Gusmão de se aliar a dois partidos menores em uma coligação para formar governo para nos próximos cinco anos parece ter desencadeado uma resposta irritada de apoiantes da Fretilin.

Até agora, as esperanças eram elevadas no interior da Fretilin de que iam ser convidados a participar num "governo de unidade nacional".

Mas o Sr. Gusmão frustrou essas esperanças numa reunião especial do Congresso Nacional para a Reconstrução Timorense, em Comoro, Díli, ao anunciar que iria governar com o Partido Democrata e um novo partido que tinha rompido com a Fretilin, o Frenti-Mudança.

Fontes sugerem que a violência foi desencadeada por um dos delegados do CNRT na reunião que criticou fortemente os líderes e membros da Fretilin, que passou os últimos cinco anos na oposição.

Uma fonte disse que casas de propriedade de figuras do CNRT em alguns dos distritos periféricos podem ter sido incendiadas, mas tudo continua por confirmar.

Timor Leste foi devastado pela violência em 2006 e novamente em 2007, levando forças australianas e forças das Nações Unidas a estacionarem no país para ajudar a manter a paz.

O mais recente surto pode prejudicar os planos das forças de paz deixarem no final deste ano o país.

Na eleição da semana passada, o partido de Gusmão aumentou a sua votação de 24 por cento em 2007 para 36 por cento, 30 deputados. A Fretilin recebeu cerca de 30 por cento dos votos e 25 assentos no Parlamento, o PD (Partido Democrático) - apoiado pelo presidente cessante José Ramos-Horta - ganhou com 10 por cento de votos e oito lugares e Frenti-Mudança 3 por cento e dois lugares no Parlamento.

O secretário-geral do CNRT disse que vão formar uma coligação com o PD e o Frenti-Mudança no melhor interesse de um governo estável.

Um deputado da Fretilin, Estanislau da Silva, disse que não estava desapontado com a decisão do CNRT. ''Teríamos gostado de contribuir'', disse ele. ''Nós temos a experiência. Mas essa é uma decisão do CNRT".

A votação e as negociações foram vistas como um teste vital para saber se os 1300 soldados da ONU podem retirar-se do país. Eles são esperados sairem de Timor-Leste no final do ano.

*Com Mouzinho Lopes e Joyce Morgan em Dili

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