quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Pedido de força multinacional deve vir das autoridades guineenses", diz ONU

 

RTP - Lusa
 
O representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, disse hoje que qualquer pedido de uma força multinacional sob a égide da ONU para o país só deverá ser feito pelas autoridades guineenses.
 
O responsável da ONU respondeu desta forma a uma pergunta que lhe foi feita numa conferência de imprensa, em que falou dos passos que estão a ser dados pela sua instituição para ajudar a Guiné-Bissau a sair da crise criada com o golpe de Estado de 12 de abril passado.
 
Instado a comentar as declarações do primeiro-ministro deposto pelo golpe, Carlos Gomes Júnior, que defende o envio de uma força multinacional sob a bandeira da ONU para a Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba esclareceu que tal só poderá ser analisado ao nível do Conselho de Segurança, mas desde que venha um pedido das autoridades guineenses.
 
"Mas isso é uma coisa que leva o seu tempo. Olhem o caso do Mali. Mas, repito, seria preciso que o pedido nesse sentido fosse feito pelas autoridades da Guiné-Bissau", disse Mutaboba, lembrando que neste momento está na Guiné-Bissau uma força da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
 
Sobre quem deverá representar a Guiné-Bissau na próxima Assembleia-Geral das Nações Unidas a ter lugar em setembro, Mutaboba afirmou que tal decisão também compete às autoridades de cada país.
 
Mais esclarecedoras foram as respostas em relação ao momento político na Guiné-Bissau, sobre o qual o representante do secretário-geral da ONU disse ser preciso "mais diálogo, inclusão e harmonização de posições".
 
Joseph Mutaboba referiu que a ONU defende uma política de "mais diálogo" entre as forças vivas guineenses, partidos políticos, sindicatos, igrejas, associações de jovens e das mulheres, líderes tradicionais, "um governo inclusivo", como defende toda a comunidade internacional, e a harmonização de pontos de vista entre a CEDEAO e a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).
 
Com a finalidade de conversar com as autoridades dos dois blocos, que defendem posições antagónicas sobre a saída de crise para a Guiné-Bissau, o representante do secretário-geral da ONU inicia esta sexta-feira um périplo pelas capitais de alguns países que integram as duas organizações.
 
Joseph Mutaboba deverá visitar Senegal, Benim, Nigéria, Costa de Marfim, Etiópia, para falar com os responsáveis da CEDEAO e União Africana, e depois seguirá para Moçambique e Angola para se encontrar com as autoridades da CPLP.
 
Mutaboba rebateu mais uma vez a ideia apontada por vários setores guineenses como única solução para o país, isto é, a tutela da Guiné-Bissau pelas Nações Unidas.
 
"Já ouvi essa ideia várias vezes e a minha resposta é a mesma: Terão que ser as autoridades guineenses a avançar com uma proposta nesse sentido. Nós, das Nações Unidas, estaremos prontos para ajudar a Guiné-Bissau, como fizemos em Timor-Leste, que é um caso de sucesso", afirmou o representante do secretário-geral da ONU.
 

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