quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Snowden: O MAIS PERIGOSO DA NSA É QUE NINGUÉM A SUPERVISIONA

 


O denunciante explica o porquê de as queixas internas terem sido enterradas e porque ele sabe que a Rússia não tem como acessar os arquivos secretos.
 
Jon Queally, para o Common Dreams – Carta Maior
 
É isso que o denunciante da NSA Edward Snowden disse, em uma entrevista online para o New York Times, feita este mês, referindo-se à montanha de documentos secretos que ele disponibilizou para jornalistas selecionados em nome do “interesse público”.

Pela conversa, feita por troca de emails criptografados, Snowden diz que abriu mão das cópias dos documentos que ele tinha antes de viajar de Hong Kong para a China, em junho.

“Se membros do governo no mais alto escalão podem quebrar a lei sem medo de nenhuma punição ou mesmo de qualquer repercussão, os poderes secretos se tornam extremamente perigosos” – Edward Snowden.

“Qual seria o valor de carregar comigo outra cópia do material?” disse ele ao Times.

Desde que Snowden foi a público como a fonte das informações vazadas, sempre houve controvérsia se os governos chinês ou russo teriam tido acesso aos arquivos secretos por conta da tentativa de Snowden de fugir do governo dos EUA. Mas essa é a primeira vez que ele explica porque tem tanta certeza de que os arquivos não foram comprometidos.

De acordo com o Times:

“Membros da inteligência estadunidense têm demonstrado grande preocupação com a possibilidade de os arquivos terem caído nas mãos de agências de inteligência estrangeiras, mas o sr. Snowden disse acreditar que a NSA sabe que ele não cooperou com os russos ou com os chineses. Ele disse estar revelando publicamente não ter mais nenhum documento da agência para explicar porque estava tão confiante que a Rússia não havia tido acesso a eles. Ele havia relutado em divulgar essa informação antes, diz ele, por medo de expor os jornalistas ainda mais.

Numa ampla entrevista ao longo de vários dias, Snowden deu respostas detalhadas contra acusações imputadas a ele por membros do alto escalão do governo dos EUA e outros críticos, deu novas informações sobre os motivos que o levaram a ficar tão decepcionado com a NSA e divulgar os documentos, e conversou sobre o debate internacional a respeito da vigilância que resultou das revelações.”

Entre os vários tópicos cobertos pela entrevista, Snowden respondeu especificamente às acusações de que ele poderia ter cumprido esse papel de denunciar seguindo os protocolos internacionais e levando as preocupações dele aos seus superiores na NSA. De acordo com Snowden, tais ações não teriam dado em nada. Novamente, do Times:

“O sr. Snowden disse ainda que dentro da agência havia muitas discordâncias – com alguns, era algo até palpável. Mas ele disse que as pessoas eram mantidas na linha por ‘medo e uma falsa imagem de patriotismo’, que ele descreveu como ‘obediência a autoridade’."

Ele disse acreditar que se questionasse as operações de vigilância da NSA de dentro, seus esforços teriam sido ‘enterrados para sempre’ e ele teria sido ‘desacreditado e arruinado’. Ele disse que ‘o sistema não funciona’, acrescentando que ‘você deve apresentar os erros justamente para os responsáveis pelos erros’.

Snowden disse que decidiu fazer alguma coisa quando viu uma cópia de um relatório de 2009. O relatório era sobre o programa de escutas sem autorização judicial durante a administração Bush. Ele disse ter encontrado o documento por uma ‘busca de palavras sujas’, descrita como uma forma de o administrador do sistema checar se não há num computador coisas que não deveriam estar lá.

‘Era confidencial demais para estar ali’, ele disse, a respeito do relatório. Ele abriu o documento para ter certeza de que não deveria estar ali, e depois de ver o que era revelado, ‘a curiosidade foi mais forte’, disse Snowden.

Depois de ler sobre o programa, que passava ao largo das leis sobre vigilância, e de ter concluído que aquilo era algo completamente ilegal, ele disse: ‘Se membros do governo no mais alto escalão podem quebrar a lei sem medo de nenhuma punição ou mesmo de qualquer repercussão, os poderes secretos se tornam extremamente perigosos’.

Ele não quis dizer quando exatamente leu o tal relatório, ou falar sobre quando aconteceram suas ações subsequentes de coleta de documentos da NSA para posterior divulgação. Mas disse que ler o relatório o ajudou a cristalizar sua decisão. ‘Não se pode ler algo como aquilo e não se perceber o significado disso para todos os sistemas que temos’, disse ele.
 
Créditos da foto: Guardian
 

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