domingo, 30 de março de 2014

MpD: Maior partido da oposição insiste em "novo rumo" para "salvar" Cabo Verde




O presidente do Movimento para a Democracia (MpD, oposição cabo-verdiana) insistiu hoje nas críticas à política económica do Governo, defendendo um "novo rumo" para que o partido chegue ao poder em 2016 e "salve" o país.

Ulisses Correia e Silva falava na abertura da Direção Nacional do MpD, órgão máximo entre convenções, onde destacou o "fraco" crescimento económico (1,2% em 2012), alta taxa de desemprego (16,7%) e elevados índices de pobreza (25%), que têm provocado a deterioração da segurança e endividado o país (98% do PIB).

"Mais de 130.000 pessoas (de uma população estimada em meio milhão de habitantes) vivem com menos de 150 escudos (1,36 euros) por dia e mais de 90.000 estão no desemprego ou no subemprego", afirmou Correia e Silva, criticando os 13 anos de sucessivos governos do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

"Que conceito é este de progresso que arrasta as pessoas para o desemprego, que coloca as famílias e os trabalhadores na pobreza, que coloca mais de 30% dos jovens fora do sistema escolar por falta de rendimento dos pais, que arrasta as empresas para a falência, que tem o país endividado e classificado como alto risco e lixo", elencou.

Para o líder do MpD, eleito na convenção de junho de 2013 e que se mantém como presidente da Câmara da Cidade da Praia, o Governo de Cabo Verde "já deu sobejas provas" de que não vai conseguir mudar de rumo, uma vez que, disse, tem um conceito de desenvolvimento "desfocado das pessoas".

"O momento económico e social é de grande responsabilidade. Entidades reputadas, como o Banco Mundial (BM), Grupo de Apoio Orçamental (GAO) e União Europeia (UE) caracterizam a situação económica e social atual como a mais crítica na história económica de Cabo Verde", salientou.

Nesse sentido, afirmou que o MpD deve preparar-se para a tripla votação de 2016 - presidenciais, legislativas e autárquicas - para a vencer para que, depois, possa alterar as políticas e colocar Cabo Verde na lista dos primeiros dez pequenos países insulares avaliados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), das Nações Unidas.

Acusando o executivo de José Maria Neves, à frente dos sucessivos governos desde 2001, de ter "partidarizado" a administração pública, Correia e Silva afirmou que o primeiro-ministro "açambarcou" e "partidarizou" as agendas internacionais, como a da ONU Pós-2015, para promover a transformação económica de Cabo Verde até 2030.

Salientou que, com o MpD no poder - já foi Governo entre 1991 e 2001 -, haverá uma "nova geração de políticas económicas", visando a redução do défice orçamental, a reavaliação da estratégia para criar impacto do investimento público no crescimento económico e o aumento da produtividade e da eficácia no setor público.

A aposta, insistiu, tem de ser no capital humano, mas também no Turismo, sustentabilidade ambiental, em que terá de prevalecer um Governo "reformista", dando prioridade ao emprego e à focalização das políticas públicas na família e no país.

"A pobreza e a pobreza extrema, o desemprego elevado, a falta de rendimentos, a baixa competitividade, o abandono escolar e as altas taxas de mortalidade infantil não são fatalidades, mas resultados de atitudes e políticas concretas do Governo", concluiu.

A Direção Nacional do MpD, de 51 membros, só apresentará os resultados da reunião, que prosseguiu à porta fechada, numa conferência de imprensa marcada para segunda-feira.

Lusa, em Notícias ao Minuto

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