sábado, 29 de março de 2014

"Obiang não tem interesse" que se fale português diz ativista da Guiné Equatorial




O ativista e opositor político da Guiné Equatorial Juan Tomás Avila afirmou hoje em Lisboa que não existem estruturas de ensino do português por decisão do Presidente Teodore Obiang, que "não tem nenhum interesse" em que a população fale outras línguas.

"Na Guiné Equatorial não se vai falar português. Possivelmente há alguém que saiba português, pelos estudos que tem, mas os guineenses não vão falar português porque nunca os ensinaram", disse, comentando as promessas de ensino do português feitas pelo Governo de Malabo e que sustentaram o parecer favorável dos chefes da diplomacia lusófona à entrada do país na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), juntamente com a moratória à pena de morte.

E isto "porque Obiang não vai pôr a infraestrutura" para que o povo aprenda o português, disse o ativista, recordando que esta decisão do país em aderir à lusofonia é semelhante ao que se passou com a francofonia, organização à qual o país aderiu no passado.

"O mesmo se passou com a língua francesa, que nós não falamos porque Obiang não tem nenhum interesse com nenhuma língua, nem com o saber", afirmou o ativista equato-guineense, que lamentou o desconhecimento que Portugal tem em relação ao seu país.

"Obiang não tem nenhum interesse que as crianças tenham acesso à educação", explicou o ativista, que disse desconhecer a presença de professores de português no país.

A Guiné Equatorial, que verá a sua candidatura à CPLP ser analisada na cimeira de julho, em Díli, é um dos maiores produtores de petróleo de África e é considerada um dos regimes mais fechados do mundo por organizações de direitos humanos.

Na sua intervenção, Juan Avila falou sobre vários casos de execuções extrajudiciais, responsabilizando o regime, e denunciou situações de tortura sobre opositores.

"Obiang é um ditador, está isolado e constantemente quer entrar em organismos onde pode exibir o seu poderio económico", salientou o ativista, que denunciou também as diferenças existentes num país que tem o maior rendimento per capita de África mas onde, na capital, Malabo, "não há água potável" e as "pessoas vivem em péssimas condições".

Por outro lado, a Guiné Equatorial "é o país menos visitado do mundo", com seis mil turistas por ano, porque "Obiang não quer lá visitas".

"A questão da pena de morte" é "apenas uma questão política" porque o regime "mata de outros modos", salientou.

Lusa, em RTP

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