quarta-feira, 16 de abril de 2014

A LIBERDADE E SUA SUBVERSÃO



Martinho Júnior, Luanda

1 – Quando a revolução cubana assumiu o poder foi em nome de e em estrita identidade e consonância com o povo cubano e com a humanidade, esgotadas que pareciam estar as opções do império através da imposição de vassalos no poder da maior das Antilhas, do género do ditador Fulgêncio Batista.

Desde então, todos os dias os revolucionários respeitadores da história, do seu povo, dos princípios da revolução e da democracia popular e participativa, se interrogam acerca da liberdade, por que desde logo, a revolução cubana se deparou com uma essencial dificuldade: perante um socialismo humano, abrangente e inteligente, que queriam e querem construir em Cuba, o império atiça as liberdades vistas sob um ponto de vista individual, egoísta e consumista, aquele tipo de “liberdades” que são de toda a conveniência das corporações multinacionais, dos cartéis, dos monopólios, dos “lobbies” e dos “mercados” ao seu inteiro dispor!

Ao longo dos mais de 50 anos da revolução cubana, os dois conceitos estiveram sempre presentes em todos os acontecimentos que se reportassem a Cuba: dum lado o conceito colectivo, solidário, internacionalista, amplo, aberto e humanístico, o conceito que ensina que os cubanos devem pagar a sua dívida para com a humanidade, o conceito socializante, do outro o que, sendo da conveniência do império, que divide, restringe, entorpece e formata, o conceito individualizante.

O primeiro tornava-se por si num dos esteios que reforça o caminho para a paz, uma paz alternativa que foge à fluência das atrocidades do império, o segundo é por si o caminho que dá oportunidade às manipulações, às ingerências, às tensões, aos conflitos e às guerras!

Essa dialéctica tem estado presente em todos os momentos da revolução cubana, constituindo uma das bases inteligentes com que a ela se tem defendido, por que é atacando a sua essência que o império tem buscado, busca e buscará, fazer-se sempre sentir e aos seus interesses e conveniências!

2 – A compreensão desse fenómeno, nesses termos, possibilitou desde o seu início, à revolução e ao povo cubano, a fazerem frente a todo o tipo de riscos, de ameaças, de ingerências e de manipulações por parte do império e agora, com as “novas tecnologias”, isso não está a ser diferente, por que passou a haver possibilidades de reprodução quase de ordem geométrica, até por que Cuba, ao saber defender-se e ao ser um exemplo inspirador à escala global nessa sua defesa, passou também a ser um “principal laboratório experimental” para cada “ementa” que o império procura criar, para activar ali antes, o que depois ele aplica onde quer que seja no mundo.

A oportunidade para o império utilizar essas “novas tecnologias” começou desde logo com o colapso do socialismo na Europa e a implosão da URSS, que trouxeram alterações profundas à escala global e determinou as condições para o impulso em busca de completa hegemonia “unipolar”, como um instrumento poderoso nas políticas capitalistas neo liberais.

O domínio do espaço, da electrónica, das comunicações e dos “media”, para além da economia e das finanças globais, são reciprocamente fulcrais para o exercício do domínio militar e do esforço inteligente nos relacionamentos a todos os níveis com os outros, à medida que as desigualdades desses relacionamentos são cada vez mais sentidas pelo globo afora!

3 – Uma Cuba bloqueada, isolada, vulnerável e fragilizada, foi o que o império pretendeu sempre, mas Cuba também aí soube dar luta, quaisquer que fossem as conjunturas.

O relacionamento de Cuba com África e com a América Latina é disso um exemplo, assente em algo a que o império foge, por que é incomportável ao seu carácter de relacionamentos: continuidade da luta de libertação solidária e socializante, educação, saúde, investigação biotecnológica, farmacêutica… o homem sempre no centro de todas as atenções, em particular aquela parte da humanidade que vegeta no pântano do subdesenvolvimento crónico.

A tendência cresceu ainda mais desde que a Venezuela assumiu a sua revolução e a ALBA, como a CELAP, como a UNASUR criaram capacidades socializantes, comprimindo os poderes das oligarquias latino-americanas, tradicionalmente servis e agenciadas ao e pelo império.

Desse modo o império só tem recebido “maus exemplos” por parte de Cuba revolucionária e de seu povo, que por todos os meios tentam combater em terrenos que lhe são fugidios, escapadiços, voláteis: luta contra o analfabetismo, luta contra a cegueira, luta por mais educação, por mais saúde pública abrangente e preventiva… castigos inadmissíveis para aqueles 1% que só conhecem a gestão dum domínio desigual e a neutralização dos outros, seja qual for a via, o método e as consequências!

Na tentativa de pôr cobro a essa “afronta”, as “novas tecnologias” aplicadas às experiências de ingerência e manipulação em Cuba, passaram a ser também aplicadas noutras partes da América Latina, de forma imediata, simultânea (onde quer que houvesse o cheiro a médicos ou a educadores cubanos)…

4 – Os casos de Alan Gross e agora a descoberta do plano Zun Zuneo, inscrevem-se na presente conjuntura de ingerências, manipulações e tensões da arquitectura e engenharia do império cioso de sua hegemonia unipolar, numa conjuntura em que a mesma “ementa” tem dado frutuosos resultados, nas “revoluções coloridas”, como nas “primaveras árabes”!

Ao tornar Cuba num laboratório de experiências com a utilização em seu estrito proveito de “novas tecnologias” com capacidade de massificação, o império desafia não só Cuba mas a todos os povos e nações do universo e Cuba, sabendo-o, partilha a sua própria defesa, o seu próprio exemplo, com outros povos e nações suas “companheiras de rota”, por que a batalha das ideias passa também por essa luta de David contra Golias!

Ao nunca renunciar à batalha das ideias Cuba aceita o repto e bate-se, com os povos irmãos de todo o mundo, com as vanguardas progressistas de todo o mundo, onde quer que haja subversão da liberdade, quando um qualquer ZunZuneo o império teça, ou quando um Alan Gross qualquer se manifeste, onde quer que seja e sobretudo na América Latina, onde a ampla liberdade socialista está a conseguir contrabalançar o projecto envenenado da liberdade que de tão individualizada, particularizada e nano, se tornou servil, vassala, entorpecida e impotente face ao monstro e às suas monstruosidades!

Figura: O Zun Zuneo posto a nu.

A consultar:
. Raul denuncia plan anti-cubano dos Estados Unidos – http://port.pravda.ru/news/sociedade/08-04-2014/36572-plano_anticubano-0/
. Plan anti cubano de Estados Unidos corrobora denuncia de Raul Castro – http://www.granma.cu/cuba/2014-04-03/plan-anticubano-de-estados-unidos-corrobora-denuncia-de-raul-castro
. El “Twiter cubano” es una gota más en el cubo de la propaganda sucia en Internet – http://www.cubadebate.cu/opinion/2014/04/07/el-twitter-cubano-es-una-gota-mas-en-el-cubo-de-la-propaganda-sucia-de-internet/#.U0OQ2rdOW1s
. Cables detail concerns of US contractor held in Cuba – http://www.miamiherald.com/2011/09/01/2385954/wikileaks-cables-detail-concerns.html
. Denuncia ETECSA uso de las telecomunicaciones por EE.UU. com fines ilícitos contra Cuba – http://www.cubaminrex.cu/es/denuncia-etecsa-uso-de-las-telecomunicaciones-por-eeuu-con-fines-ilicitos-contra-cuba
. Social Media and the Destabilization of Cuba: USAID’s Secret “Cuban Twitter” Intended to Stir Unrest – http://www.globalresearch.ca/social-media-and-the-destabilization-of-cuba-usaids-secret-cuban-twitter-intended-to-stir-unrest/5376720
. Una sociedad en movimiento – http://www.puntofinal.cl/
. La subversión de USAID en América Latina no se limita a Cuba – http://www.escambray.cu/2014/la-subversion-de-usaid-en-america-latina-no-se-limita-a-cuba/

Sem comentários:

Mais lidas da semana