Mostrar mensagens com a etiqueta AMÉRICA LATINA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta AMÉRICA LATINA. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de agosto de 2019

Cientista da Nasa analisa incêndios na Amazónia -- vídeo



Douglas Morton é um cientista da Nasa que participou da implantação do programa de monitoramento do desmatamento no Brasil. 

Para ele, o conhecimento científico e técnico para analisar e interpretar imagens de satélite no Brasil é tão alto que, após o desenvolvimento do sistema de monitoramento, ele tem funcionado operacionalmente com o Inpe sem muito envolvimento da Nasa. 

"Não estão queimando os resíduos de um campo de cultivo depois da colheita, e sim pilhas de troncos que secaram ao sol por meses."

Deutsche Welle | em Youtube

Europeus divididos sobre acordo com Mercosul


Presidente do Conselho Europeu diz ser difícil imaginar pacto enquanto a Amazónia queima. França e Irlanda também se opõem, enquanto Alemanha e Reino Unido defendem acordo. Mas preocupação com a floresta é consenso.

Os incêndios que devoram a Floresta Amazónica provocaram comoção e declarações de preocupação por parte de líderes europeus. Chefes de Estado e governo, contudo, estão divididos sobre até que ponto a crise deve influenciar o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

A questão amazónica será um dos temas centrais da cúpula do G7, que teve início neste sábado (24/08) na cidade de Biarritz, na costa sudoeste da França. Até o fim da cimeira, na segunda-feira, o anfitrião Emmanuel Macron, presidente francês, deverá tentar arrancar resultados concretos em relação à Amazónia dos colegas presentes, muitos deles líderes europeus.

Neste sábado, Macron lançou um apelo a todas as potências mundiais para que ajudem o Brasil e outros países da América do Sul a combater os incêndios na Floresta Amazónica, que chamou de "nosso bem comum". "Devemos responder de maneira concreta ao apelo das florestas que queimam agora na Amazónia", disse o francês em discurso transmitido na televisão.

sábado, 24 de agosto de 2019

DESTRUINDO O BRASIL


Liszt Vieira | Carta Maior

Em 23 de agosto, o Presidente da França anunciou que não vai firmar o Acordo com o Mercosul. A imprensa alemã já pede boicote a produtos brasileiros. A Irlanda e a Finlândia já propuseram boicotes. O apoio oficial do Presidente brasileiro ao desmatamento e às consequentes queimadas estimulou os incêndios que devastam a Amazónia. A questão se tornou internacional, agravada pelos ataques insanos aos governantes da Alemanha, França, Noruega, e aos países árabes em geral.

Seria necessário um livro para enumerar todas as sandices e ilegalidades cometidas por Bolsonaro desde que assumiu a presidência. Ele trava uma guerra contra os princípios básicos da civilização e da democracia. Quer destruir tudo e nada propõe de construtivo.

Já se disse que ele tem a pulsão de morte. Suas iniciativas levam, se realizadas, a aumentar o número de mortes no país. Armas para todos, mudar regras de trânsito, apoiar chacinas como os assassinatos de favelados ou de índios, são alguns dos inúmeros exemplos. Pratica a necropolítica no quadro geral do que já se chamou de Tanatocracia.

Governar, para ele, é fazer guerra. Utiliza a guerra de guerrilha. Todo dia se movimenta, ataca uma frente e recua para atacar outra. O objetivo é destruir a educação, a ciência, a cultura, os recursos naturais do meio ambiente, os direitos humanos, as organizações da sociedade civil, a política externa independente etc.

Seu método é a mentira. Verdade é o que ele quer que seja verdade. Se os fatos da realidade não confirmam seus desejos e opiniões insanas, que se danem os fatos. Ele vem desenvolvendo uma guerra sem quartel contra a ciência, a educação, os direitos humanos, o meio ambiente, a. cultura, todos vistos como inimigos a serem abatidos. Tem o perfil típico do ditador absolutista incapaz de conviver com as instituições democráticas.

Brasil | Bolsonaro e a barbárie contra o público


Nossa recente experiência democrática esbarra na fragmentação do convívio. Universalização do ensino foi maior trunfo em abrigar distintas realidades sociais – mas presidente parece estar disposto a destruir tudo que nos une

Diogo Tourino de Sousa, na Revista Escuta | em Outras Palavras

A tragédia brasileira foi retratada com primor pelo ensaio de Kléber Mendonça Filho, O som ao redor (2012). No drama, um bairro de classe média da zona sul da cidade do Recife tem sua rotina alterada com a chegada de uma milícia de rua, que oferece segurança aos moradores em troca de remuneração. O grupo, liderado pelo indizível Clodoaldo, entra no bairro com a anuência do seu mandão local, “seu” Francisco, uma caricata e ao mesmo tempo real figura da sociedade brasileira: impune, infenso ao som dos outros, retratado no ambiente controlado e silencioso do seu apartamento, o homem nada na praia a despeito dos alertas sobre o risco de tubarões.

O bairro comporta o diverso. Da dona de casa que fuma maconha com o auxílio do aspirador de pó e se masturba com o movimento brusco da lavadora de roupas, sofrendo de forma épica com o latido do cachorro do vizinho, passando pelo playboy Dinho e seus pequenos furtos por diversão, até João, um corretor de imóveis algo banal, que alimenta uma relação de estranhos limites com a emprega doméstica. Mas o diverso que vive e sobrevive, nunca convive.

Isso até a chegada da milícia. Ao lado da promessa de ruas mais seguras num contexto em que a violência urbana impõe decisões fáusticas, o grupo de Clodoaldo promove o que não existia: a ligação entre o diverso. Os moradores, afundados na fragmentação do espaço público, confinados na lógica privatista de suas vidas, passam a ter entre si um elo de ligação, ainda que perverso.

É o grupo de Clodoaldo que “unirá”, eivado do barbarismo que o cenário impõe, as vidas esparramadas do bairro. Com ele tanto Bia, a dona de casa, quanto Gustavo, o corretor, ou mesmo Francisco, o mandão, interagem. Uma interação nunca horizontal, nem ao menos franca. Contudo, uma forma de interação que passou a ser comum nas cidades brasileiras.

Brasil vive um clima de pré-nazismo enquanto a oposição emudece


O silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios

Juan Árias | El Pais | opinião

O Brasil está vivendo, segundo analistas nacionais e internacionais, um clima político de pré-nazismo, enquanto a oposição progressista e democrática brasileira parece muda. Somente nos últimos 30 dias, de acordo com reportagem do jornal O Globo, o presidente Jair Bolsonaro proferiu 58 insultos dirigidos a 55 alvos diferentes da sociedade, dos políticos e partidos, das instituições, da imprensa e da cultura.

E à oposição ensimesmada, que pensa que o melhor é deixar que o presidente extremista se desgaste por si mesmo, ele acaba de lhes responder que “quem manda no Brasil” é ele e, mais do que se desfazer, cresce cada dia mais e nem os militares parecem capazes de parar seus desacatos às instituições.

Há quem acredite que o Brasil vive um clima de pré-fascismo, mas os historiadores dos movimentos autoritários preferem analisá-lo à luz do nazismo de Hitler. Lembram que o fascismo se apresentou no começo como um movimento para modernizar uma Itália empobrecida e fechada ao mundo. De modo que uma figura como Marinetti, autor do movimento futurista, acabou se transformando em um fervoroso seguidor de Mussolini que terminou por arrastar seu país à guerra.

nazismo foi outra coisa. Foi um movimento de purga para tornar a Alemanha uma raça pura. Assim sobraram todos os diferentes, estrangeiros e indesejados, começando pelos judeus e os portadores de defeitos físicos que prejudicavam a raça. De modo que o nazismo se associa ao lúgubre vocábulo “deportação”, que evoca os trens do horror de homens, mulheres e crianças amontoados como animais a caminho dos campos de extermínio.

Talvez a lúgubre recordação de minha visita em junho de 1979 ao campo de concentração de Auschwitz com o papa João Paulo II tenha me feito ler com terror a palavra “deportação” usada em um decreto do ministro da Justiça de Bolsonaro, o ex-juiz Sérgio Moro, em que ele defende que sejam “deportados” do Brasil os estrangeiros considerados perigosos.

AS AGRESSÕES À AMAZÓNIA


As agressões à Amazónia intensificaram-se de forma bárbara no governo do sr. Bolsonaro, mas não tiveram início com ele.  No tempo da ditadura militar-empresarial, o governo do general Garrastazu Medici (1969-1974) promoveu o projecto absurdo da construção da rodovia transamazonica, com mais de 5000 km. 

Por sua vez, no governo da sra. Dilma Rousseff a ministra escolhida para a Agricultura foi uma latifundiária interessada em continuar a expansão do agro-negócio, ou seja, continuar a estender as fronteiras agrícolas através da desflorestação. 

Foi também no governo desta sra. Rousseff (dito "progressista") que tiveram início projectos de construção de hidroeléctricas na Amazónia – com as consequentes desflorestações e violações das reservas dos povos ancestrais que ali viviam, os índios.

A indignação com a tragédia que agora se verifica não deveria fazer esquecer o passado recente.  O culpado por este crime ambiental é, em última análise, o capitalismo.  

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Brasil | Bolsonaro, a opção de anular o mandato


Diante de uma agenda de destruição nacional e de um presidente sem limites, que desconcerta seus próprios aliados, surge uma hipótese: levar adiante – sem protelação – as denúncias de crime eleitoral, cassar a chapa e refazer as eleições


A escalada arriscada de posições e atitudes assumidas pela presidência da República nas últimas semanas, aliada à revelação de uma rede de corrupção e fraudes envolvendo membros do Judiciário, fez acender, até em quem outrora apoiou o projeto político de Jair Bolsonaro, uma luz de alerta quanto aos caminhos que estão sendo trilhados pelo país.

Ante a gravidade das denúncias que envolvem os procedimentos adotados por promotores e juízes à frente da Operação Lava Jato, os tradicionais aliados da mídia hegemônica, alguns militares e representantes do sistema financeiro entraram em ação para desacreditar os diálogos revelados. Estes apontam evidências de que a Lava Jato não respeitou o sistema legal brasileiro, violando a Constituição, o Código da Magistratura e o Código da Lei Penal. A seriedade destas denúncias exige uma resposta efetiva do Estado à sociedade brasileira.

Nas redes sociais e em debates, algumas pessoas começaram a levantar a possibilidade de impedimento do presidente por crimes de responsabilidade. Também no âmbito da Plataforma dos Movimentos Sociais Pela Reforma do Sistema Político refletimos sobre esta alternativa.

Compreendemos que o impedimento do presidente Jair Bolsonaro não resolve o sério processo de fragilização do sistema democrático, aprofundado nos últimos anos. É necessário analisar o papel do presidente Jair Bolsonaro em um contexto maior de disputas geopolíticas e de uma agressiva política de implementação de um projeto ultraneoliberal. Isso significa que o impedimento não resolve as questões estruturais que ameaçam a nossa soberania e democracia. A saída de Jair Bolsonaro apenas viabilizaria que seu lugar fosse ocupado por alguém um pouco mais cauteloso nos pronunciamentos públicos e no respeito aos ritos do cargo.

Queimem os fascistas, não as florestas -- a revolta que Bolsonaro causa


No Twittão Maior, de Carta Maior podemos ver a postagem que exibe a foto esclarecedora sobre a polémica postura de Jair Bolsonaro sobre os incêndios que consomem a Amazónia. Também ali o comentário é esclarecedor: "O clamor que corre o mundo aponta outro destino para o governo imposto ao país pela aliança da mídia com a escória, o dinheiro e o judiciário."

Em Portugal são imensas as contestações à figura de Bolsonaro, por configurar "um inapto para a função de PR, um fascista pela sua mentalidade boçal, tacanha, de troglodita. Senhor de uma forte dose de desumanidade". Há mesmo uma "máxima que o refere como alguém que "não foi parido mas sim cagado - que saiu pelo canal errado, para ele certo.

Não deixa de ser perturbante e triste saber que o Brasil elegeu um presidente como Bolsonaro e que o destino do país, na governação e na democracia que já vinha experimentando, no desenvolvimento, na justiça social, no reconhecimento da sua evolução quanto ao cumprimento dos Direitos Humanos e Defesa da Natureza, no seu prestigio, quebrou, ruiu. Tudo obra de um tal Bolsonaro e sua trupe de gentes estupidamente revanchistas e inaptas para governar seja o que for e muito menos um país como o Brasil. O povo brasileiro merece muito melhor. Um povo enganado por "boca mole", mentirosa, hipócrita, de fossa... de Bolsonaro e seus sequazes.

Governo brasileiro minimiza dimensão dos incêndios na Amazónia


O Governo brasileiro minimizou hoje as dimensões dos incêndios que lavram na Amazónia, declarando que os fogos "não estão fora de controlo" e que a maioria se encontra no "nível mais baixo" de emergência.

Num comunicado enviado à agência Lusa, intitulado "nove factos sobre os incêndios na Amazónia", o executivo brasileiro defende que todos os anos ocorrem incêndios florestais no Brasil, e que o país está, precisamente, a atravessar "o período crítico de ocorrência de queimadas"

O governo brasileiro refere ainda que os recursos financeiros disponibilizados para o controlo de fogos permanecem em níveis similares ao passado recente, e que 2.409 "brigadistas de incêndio" do Governo Federal estão à disposição dos executivos estaduais para atuar no local, frisando que se trata de um "contingente acima da média de anos anteriores".

"O Governo Federal está a atuar, por meio do Ibama(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), assim como em conjunto com os estados, para conter os focos de incêndios", refere o comunicado.

O executivo, liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro, insistiu que o país é uma "referência mundial" no combate terrestre aos fogos florestais, e que coordena a Rede Sul-Americana de Incêndios Florestais, providenciando treino e assistência a outros países.

A informação deste comunicado colide com outros dados também divulgados.

Macron diz que Bolsonaro mentiu e opõe-se a acordo com Mercosul


Em meio à crise das queimadas na Amazónia, governo francês acusa presidente brasileiro de desrespeitar compromissos firmados na cúpula do G20. Proteção do meio ambiente foi condição para acordo comercial com a UE.

Diante da crise gerada pelas queimadas na Amazónia, o governo do presidente francês, Emannuel Macron, disse nesta sexta-feira (23/08) que Jair Bolsonaro mentiu ao assumir compromissos em defesa do meio ambiente durante a cúpula do G20 no Japão, algo que, segundo a França, deve inviabilizar a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

"Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República [francesa] só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula [do G20] em Osaka", declarou o Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em nota.

"Nessas circunstâncias, a França se opõe ao acordo com o Mercosul", conclui o comunicado, lembrando que o Parlamento da França ainda precisa ratificar o acordo comercial.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Brasil | OAB e jornalistas voltam à vida


Duas entidades que se destacaram na luta contra ditadura, mas se calaram diante do golpe e do bolsonarismo, assumem cada vez mais seu papel para defender os direitos no país. Por isso, tornam-se principal alvo de represálias do governo

Lola Leal, no Rede Brasil Atual | em Outras Palavras

De um lado da Avenida Paulista, próximas às grades do Parque Trianon, duas fileiras de soldados do batalhão de choque da Policia Militar, com seus indefectíveis escudos e cassetetes intimidavam, como sempre, os que ali passavam. Do outro lado, junto ao Masp um caminhão de som ampliava as vozes dos que discursavam contra o atual governo e suas barbaridades. No meio, com as pistas da avenida fechada para veículos, entre os manifestantes destacava-se um grupo de cerca de 10 pessoas portando crachás da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Eram integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil.

Dois mundos separados pela avenida. A repressão truculenta de um lado, a defesa da dignidade humana de outro. Movidos apenas pelo compromisso com essa proteção, advogados e advogadas estão presentes, de forma discreta e anônima, em quase todos atos de rua prontos para enfrentar, apenas com os seus crachás, a hostilidade e, muitas vezes, a violência policial.

Brasil | Bolsonaro: “Sou presidente para interferir mesmo”


O mandatário neofascista aproveitou para acusar ONGs de estarem por trás das queimadas na Amazônia por terem perdido recursos e estarem querendo atingi-lo.

O presidente neofascista Jair Bolsonaro disse na quarta-feira (21.8), ao comentar críticas de que estaria interferindo politicamente em órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal, que foi eleito presidente para “interferir mesmo” e, caso contrário, seria um “banana”.

Em discurso em evento sobre o setor de aço em Brasília, o presidente também disse que se o Acordo de Paris sobre o clima fosse bom, os Estados Unidos não o teriam abandonado, mas afirmou que “por enquanto” o Brasil permanecerá no pacto que visa combater as mudanças climáticas.

– Olha, eu fui presidente para interferir mesmo, se é isso que eles querem – disse o presidente ao comentar críticas na imprensa de que estaria interferindo na PF e na Receita.

– Se é para ser um banana, um poste dentro da Presidência, eu estou fora, pô! – completou o presidente.

Incêndios no Brasil "refletem irresponsabilidade de Bolsonaro" -- Observatório


As declarações do Observatório do Clima surgem horas depois de o chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, ter dito que as ONG podem ser responsáveis pelos incêndios florestais que estão a ocorrer na região da Amazónia.

A coordenação do Observatório do Clima, coligação de cerca de 50 organizações não-governamentais (ONG) brasileiras em prol do ambiente, afirmou que o "recorde de queimadas no país reflete a irresponsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro".

"O fogo reflete a irresponsabilidade do Presidente com o bioma (conjunto de ecossistemas) que é património de todos os brasileiros, com a saúde da população da Amazónia e com o clima do planeta, cujas alterações alimentam a destruição da floresta e são por ela alimentadas, num círculo vicioso", declarou o grupo em comunicado.

"As queimadas são apenas o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do Governo de Jair Bolsonaro e do seu ministro do Meio Ambiente, o ímprobo Ricardo Salles, que turbinou o aumento da taxa de desflorestação no último ano", acrescentou a aliança de ONG.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Brasil | Os ‘famosos’ que se arrependeram do apoio a Bolsonaro


Altamiro Borges,  São Paulo | Correio do Brasil | opinião

A edição da revista Veja desta semana traz uma curiosa reportagem sobre “as celebridades arrependidas pelo apoio a Bolsonaro”. Assinada pela repórter Mariana Zylberkan, a matéria lista alguns “famosos” da mídia que já desembarcaram do jet-ski tresloucado do “capetão”, entre eles, o “humorista” Danilo Gentili, o “roqueiro” Lobão e o músico Fagner. 

“Desiludidos”, eles passaram a fazer críticas ao presidente e viraram alvo da fúria dos bolsominions. Após ajudarem a chocar o ovo da serpente fascista, a exemplo da asquerosa Veja, eles agora temem por suas vidas.

“Danilo Gentili costumava inflamar a tropa bolsonarista com suas piadas e pregações marcadas pelo antipetismo e grande afeição às ideias do presidente. Por essa fidelidade, ganhou uma boa recompensa: em 30 de maio, Jair Bolsonaro se tornou o primeiro chefe do Executivo a aceitar ser entrevistado por Gentili em seu programa, The Noite, no SBT.

A conversa rolou em clima de camaradagem. Mas o humor bolsonarista mudou depois que Gentili iniciou uma escalada de críticas ao presidente, principalmente em razão da decisão de indicar o filho ao posto de embaixador em Washington… Eduardo reagiu, eles trocaram farpas pelo Twitter e o exército bolsonarista nas redes sociais se inflamou contra o apresentador”.

Como registra a revista, em tom de crítica à intolerância fascista da famiglia Bolsonaro, “o episódio acabou por engrossar a lista das celebridades arrependidas do apoio dado ao presidente.

Um dos mais barulhentos fãs de Bolsonaro na época das eleições, o roqueiro Lobão pulou fora da tropa em meados de maio, fazendo também um grande barulho em torno disso. ‘Não tem capacidade intelectual para gerir o Brasil’, declarou em uma entrevista.

De uns tempos para cá, passou a chamar o presidente de ‘Bolsomico’ e se dispôs até a trabalhar pelo impeachment. Mais discreto, o cantor Fagner, que diz ter apoiado Bolsonaro porque desejava ‘mudança’, assumiu publicamente o arrependimento em entrevista ao programa Conversa com Bial, da Globo, em junho. ‘Parece que ele continua na campanha. Passa uma impressão de amadorismo’, afirmou”.

Desiludidos

A revista Veja garante que a legião dos desiludidos está crescendo rapidamente. Ela cita grupos que expressam seu descontentamento nas redes sociais e inspiram os memes de perfis no Twitter como “Jair Me Arrependi” (140 mil seguidores) e “Bolsominions Arrependidos” (95 mil).

“A desilusão encontra eco em pesquisas, na última, feita em julho pelo Datafolha, 61% responderam que Bolsonaro ‘fez pelo país menos do que se esperava’. Assim como Danilo Gentili, não estão achando mais graça alguma no governo”. Que pelo menos aprendam a votar no futuro e deixem de ser midiotas!

*Altamiro Borges, é jornalista.

O Brasil está sem dinheiro porque está sem governo


“O Brasil está sem dinheiro / os ministros estão apavorados / estamos aqui tentando sobreviver”. Dessa vez Jair Bolsonaro não mentiu, mas não é bem como disse. O Brasil está sem dinheiro porque está sem governo. E sem governo não há país que sobreviva como algo que seja ainda considerado país.

Janio de Freitas*

Faltam dinheiro e governo porque, com a produção industrial em queda contínua, o comércio em queda, queda até nos serviços e o crescente desemprego, a arrecadação de impostos e outras contribuições não alcança o mínimo necessário. Colapso a que Paulo Guedes, Bolsonaro e os militares retornados assistem com indiferença imobilizadora há quase nove meses. A solução que Guedes pesca em sua perplexidade é o seu apelo por dois ou três anos de paciência.

Em economia não existe o conceito de paciência. Na vida dos países, muito menos. Muito diferente foi o assegurado aos eleitores na campanha, pelo candidato, por Guedes, por consultorias e jornalistas do apoio a Bolsonaro. Durante meses, ouviu-se que já neste primeiro ano de governo o crescimento econômico seria de 3%, se não mais. Desde o primeiro mês de 2019, no entanto, as previsões foram submetidas a sucessivos cortes mensais. Ainda a quatro meses e meio do fim de ano, já estão em 0,8% ou menos, havendo quem admita 0% no final.

Esse resultado às avessas não se explica pelo mau legado de Henrique Meirelles e Temer, que, de fato, nada fizeram pela reativação da economia. Era por haver conhecimento geral daquela insanidade que o bolsonarismo buscava seduzir com os prometidos 3% de crescimento já. Além do golpe da internet, portanto, o estelionato eleitoral, na expressão criada por Delfim Netto.

sábado, 17 de agosto de 2019

Brasil | Congresso quer ser (ainda mais) reacionário e misógino


Escândalo: partidos de direita agem para revogar as mínimas cotas que favorecem candidaturas femininas. Brasil torna-se caso raro de atraso na América Latina: México, Argentina e Bolívia têm ou terão, em 2020, 50% de mulheres no Legislativo

Beatriz Pedreira  no Nexo Jornal | em Outras Palavras

Na contramão do movimento internacional que tem ampliado a participação de mulheres na política, surgem e começam a avançar com celeridade no Congresso Nacional propostas que buscam diminuir a representação obrigatória de mulheres em eleições e livrar de punições os partidos que não cumprirem a cota mínima. E os interessados têm pressa, pois no foco estão as eleições municipais de 2020. Para valer no próximo ano, quando serão escolhidos novos vereadores em mais de 5.000 cidades, as mudanças precisam ser aprovadas até o início de outubro, já que alterações nas regras eleitorais precisam ser feitas até um ano antes da votação.

É absurdo que líderes de partidos na Câmara coloquem propostas como essas em pauta, principalmente depois das eleições em que a maior bancada feminina da história chegou ao Congresso, fruto justamente de ações afirmativas que garantiram essa ampliação.

Desde 1997, a lei eleitoral exige que os partidos e coligações indiquem 30% de mulheres na lista de candidatos a cargos legislativos. Entretanto, na prática, as candidaturas femininas só se fortaleceram nas eleições de 2018, quando uma nova regra destinou uma reserva do fundo partidário para mulheres, o que proporcionou mais recursos e estrutura a essas campanhas, mas também resultou em graves denúncias de esquemas de candidaturas laranjas. Não à toa, os partidos que propõem as mudanças são os mesmos investigados pela Operação Sufrágio Ostentação, da Polícia Federal, que apura o uso de mulheres como laranjas na disputa eleitoral do ano passado.

Brasil | “Eu quero sair daqui com 100% de inocência”, diz Lula a Bob Fernandes


"Moro tem que se explicar e não tem mais toga. Se ele se escondeu atrás da toga, ele não tem mais toga", disse o ex-presidente Lula em entrevista

“Eu quero sair daqui com 100% de inocência”, disse o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, ao jornalista Bob Fernandes, em entrevista concedida na ultima quarta-feira (14) e transmitida ao vivo hoje pela TVE Bahia. Sobre o atual governo de Jair Bolsonaro, Lula disse que “o papel do ministro Paulo Guedes é destruir a economia brasileira”.

É a primeira entrevista de Lula a uma televisão pública, desde que passou a cumprir pena em abril de 2018, completando já 500 dias encarcerado. Na entrevista, Lula disse que “a Suprema Corte poderia fazer uma correção no processo” que o condenou, após o The Intercept Brasil ter revelado as mensagens entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

Lula criticou duramente o coordenador da força-tarefa de Curitiba, o chamando de “narcisista” e disse que “desde o dia que ele deu uma coletiva dizendo que não tinha provas contra mim, mas apenas convicções, o Conselho Nacional do Ministério Público” deveria ter afastado Dallagnol.

O ex-presidente também ressaltou o poder de influência do Departamento de Justiça dos Estados Unidos na Lava Jato: “Tudo que está acontecendo tem o dedo dos Estados Unidos, que manda mais no Sergio Moro do que a mulher dele”. Sobre isso, o GGN está preparando um especial e conta com a sua colaboração. SAIBA MAIS AQUI!

Ao mencionar a diferença de tratamento dada a ele em comparação a todos os outros investigados da Operação Lava Jato, Lula citou o exemplo de Eduardo Cunha:

“Você acha normal uma PF que vai na minha casa, na casa dos meus netos e pega o tablet de um moleque de 4 anos, e ficaram 1 ano com o tablet aqui preso, e não tiveram coragem de pegar o telefone do Eduardo Cunha, porque o Moro falou ‘não, não pega o telefone’. Ora, o que tinha no telefone de Cunha que o Moro não queria que ninguém soubesse? Por que eles não aceitaram uma delação do Eduardo Cunha? Tudo isso o sr. Moro tem que explicar e não tem mais toga. Se ele se escondeu atrás da toga, ele não tem mais toga.”

Com Bolsonaro, Brasil se torna o cocó do mundo


Até quando se permitirá isso?

Até quando se permitirão os desmandos de Bolsonaro? Suas atitudes estão desmoralizando o Brasil internacionalmente, tornando-nos – a todos nós – objeto de chacota.

A charge acima mostra Bolsonaro fazendo cocó na bandeira brasileira. Não apenas nela, sobre a cúpula do Supremo, sobre o Ministério Público, sobre as Forças Armadas, sobre o Congresso.

Até quando se permitirá isso?

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A Colômbia sob a pressão de "criminosos de paz" (2)

Simon Trinidad, sequestrado no Equador e extraditado para uma masmorra nos EUA
Maurice Lemoine [*]

...em nome dos comandantes militares do antigo Estado-Maior Central das FARC, comandantes das frentes e das colunas, afetados pela traição do Acordo de Paz de Havana perpetrada pelo Estado, reiteramos, de uma forma autocrítica, que foi um grave erro ter entregado armas a um Estado trapaceiro, confiantes na boa fé do parceiro.   Que ingenuidade não nos termos lembrado das sábias palavras de nosso comandante-em-chefe Manuel Marulanda Vélez, que nos advertiu que as armas eram a única garantia de cumprimento desses acordos. - Jesús Santrich, ex-comandante das FARC


Santrich tomou conhecimento desses rumores. E descobre que, apesar das ordens da JEP, continua preso. Ele anunciou sempre a cor. Em nenhum caso sofrerá o destino do seu camarada Ricardo Palmera Pineda (conhecido como "Simón Trinidad"), preso em 2 de janeiro de 2003, no Equador, entregue por Uribe, um ano depois, aos Estados Unidos, e enterrado vivo durante 60 anos numa prisão de alta segurança, no meio do deserto, no Colorado. Absolvido pelos tribunais norte-americanos depois dos três primeiros julgamentos (dois por narcotráfico e um por tomada de reféns), Simón Trinidad foi finalmente condenado por pertencer ao Secretariado (o Estado-Maior) das FARC – de que não era membro! –, responsável pela "tomada de reféns" de três mercenários norte-americanos em missão de espionagem e capturados pela guerrilha, depois de esta ter abatido o seu avião, em fevereiro de 2003. Num mundo normal, estes homens são classificados como "prisioneiros de guerra" ... 

Mergulhado neste precedente e como ele mais tarde confirmará ao senador de esquerda Iván Cepeda, Santrich tenta suicidar-se, abrindo as veias. Quando, na tarde do dia 17, acontece o simulacro da sua libertação, as dezenas de câmaras que o aguardam no portão da prisão filmam um homem meio comatoso e, sobretudo, após a chegada da polícia, de surpresa, a sua detenção imediata.

O Procurador, em seguida, afirma ter novas provas contra ele. Elementos que ele nunca comunicou à JEP e provenientes da "testemunha protegida" Marlon Marín e da "cooperação internacional" dos Estados Unidos. Esta tentativa de "julgamento-expresso" fracassará. Em 29 de maio, de uma vez por todas, o Supremo Tribunal ordenou a imediata libertação de Santrich e interrompeu qualquer tentativa de extraditá-lo.

Pode, a partir daí, considerar-se que "tudo está bem no melhor dos mundos". A primeira decisão que permitiu tal abordagem foi a do Conselho de Estado. Este considerou que Santrich manteve a sua investidura como deputado, na medida em que, se ele não tinha tomado posse e ocupado o seu lugar ao assumir o cargo na nova Assembleia, em 20 de julho de 2018, foi por uma razão de força maior – tinha sido preso! O Supremo Tribunal de Justiça confirmou que Santrich era deputado e acrescentou que, portanto, a sua acusação por "narcotráfico" só poderia ser julgada por si. Pelo que, em 10 de junho, Santrich pôde finalmente prestar juramento no cargo de vice-presidente da Assembleia e, em 11 de junho, sentar-se pela primeira vez como membro do Parlamento. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Colômbia sob a pressão de "criminosos de paz" (1)

Jesus Santrich, ex-comandante das FARC, Maio 2019
Maurice Lemoine [*]

… os dois homens [Macron e Duque], infelizmente, não tiveram tempo de evocar os 7 milhões de deslocados internos colombianos, nem os 462 dirigentes sociais, comunitários, indígenas, camponeses e defensores dos direitos humanos assassinados no país, de janeiro de 2016 a fevereiro de 2019 (incluindo 172 em 2018), a crer no Provedor de Justiça (Ombudsman) Carlos Negret, nem os 133 ex-guerrilheiros executados (assim como 34 membros das suas famílias), depois de haverem deposto as armas, confiantes na palavra do Estado.

Em visita oficial à França, o presidente colombiano, Iván Duque, foi recebido, em 19 de junho, no Palácio do Eliseu. Na ocasião, o presidente Emmanuel Macron recordou o empenhamento de Paris no pleno êxito dos acordos de paz, assinados em 24 de novembro de 2016, entre o poder e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), "acordos financeiramente apoiados numa base bilateral, com a intermediação da União Europeia", realçou ele. No que lhe diz respeito, Duque evocou sobretudo "a sua preocupação com as consequências na Colômbia da crise migratória venezuelana". Em linha com o seu interlocutor – Paris e Bogotá reconheceram o "imaginário presidente"venezuelano, Juan Guaido, e invocaram o Tribunal Penal Internacional (TPI) para julgar o legítimo chefe de Estado, Nicolás Maduro, que, obstinadamente, se recusa a deixar-se derrubar – Macron anunciou que a França irá duplicar este ano sua contribuição para o Alto Comissariado da ONU para os refugiados (ACNUR) e para o Comité Internacional da Cruz vermelha (CICV), colocando sobre a mesa 1 milhão de euros para ajudar os migrantes e deslocados venezuelanos.

Com uma agenda manifestamente muito carregada, os dois homens, infelizmente, não tiveram tempo de evocar os 7 milhões de deslocados internos colombianos [1] , nem os 462 dirigentes sociais, comunitários, indígenas, camponeses e defensores dos direitos humanos assassinados no país, de janeiro de 2016 a fevereiro de 2019 (incluindo 172 em 2018), a crer no Provedor de Justiça (Ombudsman) Carlos Negret, nem os 133 ex-guerrilheiros executados (assim como 34 membros da sua família), depois de haverem deposto as armas, confiantes na palavra do Estado [2] .

Para não deixar o campo aberto a uma possível e leve sensação de desconforto, o ministro da Transição Ecológica, François Henri Goullet de Rugy ("macronista" de fresca data, tendência "o verde está no fruto" [3] ), assinou um acordo bilateral de cooperação para a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais com o seu homólogo Ricardo Lozano, que fazia parte da delegação colombiana. Também aí, por uma questão de equilíbrio e de não ingerência nos assuntos internos de um Estado soberano, foi assumido não mencionar a autorização dada por Bogotá para a exploração não convencional, por fraturação hidráulica (" fracking "), do petróleo e do gás de xisto presentes no subsolo colombiano; as primeiras experiências vão arrancar continuamente em 33.915 quilómetros quadrados, nos departamentos de Santander, César, Bolívar e Antioquia [4] . Caro ao presidente francês – como este recordou por ocasião da assinatura de um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) – a implementação do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas encontrar-se-á, sem dúvida, muito facilitado...

Paradoxalmente, foi dos Estados Unidos que, para o presidente de extrema-direita Iván Duque, vieram as contrariedades. Com efeito, em 18 de maio, numa manchete de uma " primeira página " muito notada, o New York Times afirmou: "As novas ordens do exército colombiano para matar preocupam" [5] . Baseada em documentos oficiais e testemunhos anónimos de oficiais de alta patente, a investigação revelou as instruções do comandante-em-chefe das forças armadas nomeado por Duque, em dezembro de 2018, o general Nicacio Martínez, exigindo das suas tropas que duplicassem o número de "capturas" e de "eliminação de criminosos". A injunção recorda a sinistra prática dos "falsos positivos" que, para "fazer número", levaram à execução de civis apresentados como guerrilheiros mortos em combate – 2.248 vítimas, entre 1988 e 2014 (oficialmente), dos quais, mais de 90% durante os dois mandatos do mentor de Duque, Álvaro Uribe (2002-2010).