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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

12 milhões USD | Um ginásio para os deputados angolanos em tempos de crise


 O Presidente angolano, João Lourenço, autorizou uma despesa de mais de 12 milhões de dólares para montar um ginásio e mobilar escritórios na Assembleia Nacional. Deputado da UNITA diz que o país tem outras prioridades.

Num decreto presidencial, o chefe de Estado angolano autorizou a aquisição do material avaliado em mais de 70 milhões de kwanzas (cerca de 200 mil euros). O contrato será celebrado com a empresa Sistec, S.A.

À semelhança do "Bairro dos Ministérios", com 28 edifícios ministeriais e várias unidades de apoio, o tema do ginásio está a gerar grande polémica em Angola e a intenção do governo está a ser muito criticada.

Em declarações à DW África, Nelito Ekuikui, da bancada da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), diz que o país tem outras prioridades. "Não é oportuno alocar verbas para a construção ou apetrechamento de um ginásio ao nível da Assembleia Nacional. O país tem prioridades e as prioridades do país estão devidamente identificadas", afirma o deputado mais jovem do Parlamento angolano.

Angola | Ex-ministro dos Transportes é condenado a 14 anos de prisão


Augusto Tomás e outros dois réus foram condenados por peculato, branqueamento de capital, associação criminosa e artifícios fraudulentos para desviar fundos do Estado no caso do Conselho Nacional de Carregadores (CNC).

O Tribunal Supremo angolano condenou esta quinta-feira (15.08) o ex-ministro dos Transportes Augusto Tomás a 14 anos de prisão. Outros réus implicados no caso do Conselho Nacional de Carregadores (CNC) foram condenados a penas que vão de dois a 12 anos de prisão.

O Ministério Público angolano acusou os réus de crimes de peculato, branqueamento de capital, associação criminosa e artifícios fraudulentos para desviar fundos do Estado. No fim de quase dois meses e meio de julgamento, Joel Leonardo, presidente do coletivo de juízes, leu o acórdão que ditou a prisão do ex-ministro angolano dos Transportes na governação do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.

Deputados angolanos encerram ano parlamentar sob críticas


Termina esta quinta-feira o ano parlamentar angolano. Cidadãos ouvidos pela DW fazem balanço negativo e criticam a não aproximação dos deputados à população e a não transmissão em direto das sessões parlamentares.

Os deputados angolanos entram de férias esta quinta-feira (15.08) e só regressam a 15 de outubro, data do início de mais um ano legislativo. Durante este ano, muita coisa foi feita, desde a aprovação de leis autárquicas ao novo Código Penal. Mas não houve transmissão dos debates mensais.

Na hora do balanço, a DW África andou pelas ruas da capital angolana e conversou com cidadãos como Félix Domingos, residente em Luanda, que dá nota negativa à atividade dos parlamentares angolanos. "Não fazem nada. Muita gente está aí e não faz quase nada", critica.

Edson Nisabel, outro morador, considera que os deputados têm de estar mais próximos da população. "Até porque há pessoas que não sabem qual é a importância dos deputados, não sabem o que os deputados têm que fazer", sublinha.

Talvez o desconhecimento sobre a atividade parlamentar se deva ao facto de as sessões não serem transmitidas pelas estações televisivas locais, diz a cidadã Ana Ferreira. "Aqui fora também precisamos de estar a par do que se está a passar ali dentro", diz.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

NO MORE TRUMP! -- Martinho Júnior



… “Os lóbis do armamento e da energia, que tradicionalmente e no quadro da aristocracia financeira mundial suportam o lado republicano dos mecanismos do poder dominante no quadro do império da hegemonia unipolar, como já não podiam exercer a plasticidade dum Obama, ou duma Hillary Clinton (que mesmo assim tiveram múltiplos reveses), só podiam, ao fazer cair as máscaras, adoptar um exercício fascizante nos relacionamentos internacionais, que se casasse com o capitalismo proteccionista protagonizado pela campanha e início da actividade presidencial de Donald Trump e a “tradicional excepcionalidade” estado-unidense, qualquer que fosse o grau dos crimes em evidência.”… - https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/grotesco.html

01- A 10 de Agosto de 2019, na Embaixada da Venezuela Bolivariana em Luanda, assinei a petição dirigida ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, contra as sanções e o bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela Bolivariana, segundo o “diktat” de Trump, o republicano de turno cuja administração exerce hoje na Casa Branca!

Juntei-me assim a milhões de patriotas venezuelanos, a largos milhares de cidadãos do mundo e aos angolanos que têm consciência de quanto essas sanções e esse bloqueio põem em causa os relacionamentos internacionais, contra a essência da própria Organização das Nações Unidas! (https://lux24.lu/2019/08/11/venezuela-13-milhoes-assinam-manifesto-para-levar-a-antonio-guterres/).

Fi-lo com meu nome próprio, na qualidade de antigo combatente e veterano da pátria de Agostinho Neto, o Presidente-fundador do Estado Angolano, ele mesmo coerente anti-imperialista enquanto dirigente de um dos mais decisivos movimentos de libertação em África e enquanto esteve, até ao fim de sua vida, à frente da República Popular de Angola! (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/o-pensamento-de-agostinho-neto-e-um.html).

Sem essas convicções anti-imperialistas, recordo, seria impossível em África vencer-se colonialismo e “apartheid”!...

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Angola | Recuo na construção do Bairro dos Ministérios mostra "fragilidades" do governo


UNITA aponta dedo ao Presidente João Lourenço afirmando que, dois anos depois de ter tomado posse, ainda se está a "assentar", o que é um perigo para estabilidade do país. Friends of Angola fala em "descredibilização".

Uma notícia avançada, a semana passada, pelo portal Maka Angola, deu conta do cancelamento da construção do controverso projeto do Bairro dos Ministérios. De acordo com este portal angolano, Rafael Marques, autor do artigo, terá recebido uma nota de agradecimento assinada pelo diretor de gabinete da Presidência, dando conta que o Chefe de Estado João Lourenço ficou sensibilizado com as revelações contidas no artigo que havia escrito anteriormente sobre o tema, e que por isso, "não haverá mais Bairro dos Ministérios", lê-se.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o maior partido da oposição em Angola, foi uma das vozes mais críticas ao projeto.

Por isso, e em entrevista à DW África, Raul Danda, vice-presidente do partido, afirma que "foi bom [da parte do governo] desistir de fazer uma despesa que, neste momento, não se justifica". "Não nos parece de facto oportuno fazer um Bairro dos Ministérios quando há outras prioridades [no país], quando há pessoas a morrerem de fome, quando há falta de água e de luz, quando não temos condições de saúde condignas", justifica.

Angola | PRA-JA: Chivukuvuku desmente financiamento de Isabel dos Santos


O PRA-JA ainda não está legalizado pelo Tribunal Constitucional, mas já surgiram suspeitas em relação ao financiamento do partido com alguns críticos a dizerem que foi Isabel dos Santos ajudar esta nova força política.

O Partido de Renascimento dos Angolanos – Juntos por Angola (PRA-JA), novo projeto político de Abel Chivukuvuku continua a gerar debate e polémica em Angola. Apesar de não estar ainda legalizado, muito já se se fala sobre o futuro partido. Lançado no passado dia 2 de agosto, o projeto já tem uma agenda bem definida.

"2019, o ano do PRA-JA, 2020, o PRA-JA nas eleições autárquicas, 2021 crescer e afirmar-se em todo país e 2022, alternativa para Angola”, referiu Chivukuvuku.

Juventude angolana atravessa maré de dificuldades


No Dia Internacional da Juventude (12.08), recordamos os principais problemas que afetam os jovens angolanos, desde desemprego, habitação e acesso ao ensino superior. Reajuste dos transportes pode ser um novo obstáculo.

O acesso aos transportes públicos é um dos problemas que mais afeta a juventude angolana. Para além de escassos, os meios de transporte preparam-se para reajustar os preços nos próximos dias. A entrada em vigor da nova tarifa dos comboios de Luanda estava prevista para sexta-feira (09.98), mas, entretanto, foi adiada sem data.

Francisco Teixeira, responsável do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), acredita que este reajuste vai "atrapalhar" a ida dos estudantes para as escolas. "Esta questão do reajustamento dos transportes públicos vai dificultar ainda mais e atrapalhar a normal frequência dos estudantes às aulas porque muitos vivem distantes das escolas e muitos deles andam longos quilómetros a pé", diz.

Mas o problema poderá estar resolvido em breve, quando os jovens estudantes, crianças, antigos combatentes e idosos passarão a estar isentos nos transportes públicos - rodoviário, marítimo e ferroviário.

Francisco Teixeira, do MEA, desconhece as formas de atribuição do chamado passe social e lamenta o facto de a sua organização não ter sido consultada na concepção do documento. "Não sabemos que métodos foram usados nesse processo, não sabemos que critérios o Estado vai usar para atribuir o passe social aos estudantes e como vai chegar aos estudantes pobres. Deviam ter contactado as instituições de defesa dos estudantes. É caricato", afirma.

sábado, 10 de agosto de 2019

Angola e Ghana definem passos para a nova era de cooperação


Angola e o Ghana pretendem firmar passos concretos no que consideram de nova era da cooperação com a assinatura, ontem, em Luanda, de um Memorando no domínio da Educação para a mobilidade de professores e pesquisadores em instituições de ensino superior e centros de pesquisa científica.

Ontem, após as conversações oficiais, foram também assinados outros dois acordos: o Acordo sobre o funcionamento da Comissão Bilateral de Cooperação, visando estabelecer um quadro que permita a implementação da Comissão bilateral criada à luz do artigo 7º do Acordo Geral de Cooperação Económica, Científica, Técnica e Cultural e o Acordo sobre supressão de vistos recíproco em passaportes diplomáticos e de serviço. 

O acordo visa facilitar a mobilidade migratória a favor de cidadãos de ambos os países portadores de passaportes diplomáticos e de serviço.

Foram signatários dos três acordos, rubricados no Salão Nobre do Palácio Presidencial, o ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, e a ministra dos Negócios Estrangeiros e da Integração Regional do Ghana, Shirley Ayorkor Botchwey.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Angola | PGR diz que não há processos-crime contra José Eduardo dos Santos


Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola nega qualquer instauração de um processo-crime contra José Eduardo dos Santos, depois de rumores de que o ex-Presidente teria sido notificado pelo DNIAP.

A PGR reconheceu na quarta-feira (07.08) que a notificação enviada ao ex-Presidente do país José Eduardo dos Santos não teve em conta a imunidade de que este goza.

Uma nota a que a agência Lusa teve acesso refere que a notificação a José Eduardo dos Santos para comparecer naquele órgão foi emitida por um funcionário da Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP).

O mesmo documento adianta que durante a investigação e instrução processual dos vários processos-crime que correm os trâmites legais contra alguns gestores públicos "poderá ser preciso que o Presidente cessante preste algum esclarecimento para o bem da pessoa notificada".

A PGR salienta que "não foi instaurado e nem sequer existe algum processo-crime contra o ex-Presidente da República, o engenheiro José Eduardo dos Santos".

Fome e seca no sul de Angola | Estado de emergência já devia ter sido declarado?


Se Angola declarar o estado de emergência pode ter mais apoios da comunidade internacional e assim ter mais meios para combater o problema da seca e da fome no sul do país.

Mais de dois milhões de angolanos são afetados pela fome e seca, indica relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as vítimas há mais de 500 mil crianças com menos de cinco anos. ONU estima que o ano de 2020 a situação poderá vir a piorar.

Angola também tem sido atingida pelos efeitos das alterações climáticas. Isso tem afetado as populações mais a sul, sobretudo a nível económico e a agricultura. Os criadores de gado por exemplo sofreram algumas perdas e têm sido aliciados a vender os seus animais abaixo do valor de mercado. Milhares de famílias têm sofrido com a situação e inclusive as aulas já tiveram de ser interrompidas em algumas alturas.

Contudo o maior problema é mesmo a escassez de alimentos, que já levou a uma grande onda solidária por todo o país. Em maio passado o Presidente angolano João Lourenço visitou duas das províncias mais afetadas pela seca, Namibe e Cunene. Nessa visita foram anunciados avultados montantes financeiros para combater a seca na região.

Angola | Como está o regresso dos refugiados congoleses?


Há mais de 30 mil refugiados congoleses na província de Lunda Norte. Alguns deles querem regressar ao país de origem, mas para a maioria ainda é complicado obter documentos, ter acesso aos serviços de saúde ou trabalho.

O número de refugiados congoleses na província de Lunda Norte ainda é elevado, contudo já há muitos que mostram vontade de regressar à República Democrática do Congo (RDC). As autoridades angolanas juntamente com o governo de Kinshasa e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tentam dar as condições necessárias para os refugiados regressarem ao seu país de origem.

Segundo números da organização, Comunidade de Refugiados em Angola (CRA), ainda estão entre 30 a 40 mil refugiados congoleses em território angolano. Os refugiados dentro deste grupo têm várias pretensões, uns desejam ficar em Angola e outros querem regressar ao país de origem como explica Mussenguele Kopel coordenador da CRA.

"Há um número que quer voltar, que é originário do Kasai. E tem a maioria que quer a integração local. Também tem o grupo que não está a encontrar como se integrar e que pede para encontrar reassentamentos”, conta o coordenador angolano.

Angola | QUE OPÇÕES PARA A JUVENTUDE? -- Martinho Júnior


Martinho Júnior, Luanda   

PATRIOTISMO OU MERCENARISMO?

As novas gerações, sem o saber, estão a pagar uma factura pesada que se arrasta do passado, que tem que ver com a antropologia cultural e sobretudo com a própria história e por que ela tem sido contada sem transparência, cheia de equívocos e mentiras, ou mesmo devassada por aqueles que afinal tanto têm a esconder!... 

Enquanto isso estiver a acontecer e as gerações anteriores não forem corajosamente transparentes no sentido de explicá-la com o objectivo de construir um país com justiça social, as facturas malparadas vão continuar a acumular-se, podendo um dia chegar ao desespero colectivo, que infelizmente não está longe de acontecer!...

A lógica com sentido de vida poderia salvar com a sua própria fluência as novas gerações, todavia o impacto das alienações e das ilusões por parte das mensagens dominantes e tendo o povo angolano como alvo, contrariam a civilização fazendo persistir desde o passado a barbárie, deserdando irreparavelmente a juventude!...

Atentem bem na imagem que acompanha este pequeno texto-comentário e verifiquem o desrespeito dos mercenários sobre a bandeira que emergiu vitoriosa da longa noite colonial!...

Até a bandeira hasteada no monumento fica pendurada triste, quando seu simbolismo passou a ser conspurcado desta maneira tão palpável e visível!

A OPÇÃO DOS MERCENÁRIOS FORMATADOS SOBRETUDO NO QUE DÊ LUCRO, SOBREPÕE-SE AO PATRIOTISMO NOS ACTOS DESTA REPÚBLICA!...

NÃO HÁ INDEPENDÊNCIA, NÃO HÁ SOBERANIA, NEM HÁ DIREITOS QUE DESTE MODO POSSAM ASSIM RESISTIR SAUDAVELMENTE NOS CAMINHOS LEGÍTIMOS DE INCESSANTE BUSCA POR JUSTIÇA SOCIAL E POR LIBERDADE!

Martinho Júnior - Luanda, 2 de Agosto de 2019

Imagem e pergunta: qual é a qualificação e o valor da bandeira que emergiu vitoriosa sobre a fortaleza colonial?

Anexos:

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Angola | Porque não há mais ex-ministros indiciados em Angola?


Apenas um antigo ministro do governo de Eduardo dos Santos, Augusto Tomás, está detido e aguarda julgamento. Ex-governante é acusado de desvio de dinheiro. Analistas consideram "estranha e seletiva" a atuação da justiça.

Augusto Tomás já foi formalmente acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso que que envolve o Conselho Nacional de Carregadores. O ex-ministro dos Transportes vai responder em tribunal pelos crimes de peculato na forma continuada, associação criminosa, branqueamento de capitais e abuso de poder na forma continuada, entre outros.

O analista político angolano Augusto Báfuabáfua estranha o facto de apenas um ex-governante estar indiciado quando é de domínio público que o país tem os cofres vazios. "É incrível como é que num país onde houve um desmesurado peculato, houve um desvio enorme não de dezenas, mas de centenas de milhões de dólares, para não dizer de biliões, e só o ministro é que é indiciado. É estranho", sublinha em entrevista à DW.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Angola | As parcelas subtraídas aos dinheiros públicos


Luciano Rocha | Jornal de Angola | opinião

Se algum dia for conhecida, a soma de todas as parcelas subtraídas fraudulentamente do erário vai deixar a maioria dos angolanos, mesmo quem julga já nada surpreender, de olhos esbugalhados e boca para a nuca.

Mesmo sem contas feitas, basta ouvir ou ler a quantidade de imóveis e viaturas que alguns arguidos - ou em vias disso, esperamos - se viram obrigados a devolver para se ter uma ténue ideia da enormidade das acções de minorias que se fizeram multimilionários em tão curtos espaços de tempo. Num país com menos de quatro décadas de independência, não há quem consiga juntar o que alguns comprovadamente têm e fizeram, até há bem pouco tempo, questão de exibir ostensiva e insultuosamente.

O comportamento da gatunagem de “colarinho branco” deve-se, entre outros factores, ao nepotismo, que, como peste, se espalhou por todos os sectores da vida angolana. E que, mesmo tendo tido o berço no Vaticano e sido inventado para arranjar “tachos” a sobrinhos de Papas, alguns verdadeiros, outros nem tanto, não é santo, nem nada que se pareça. Antes, pelo contrário, nocivo a qualquer sociedade. E a nossa não é excepção, como dolorosamente sabemos. Não fosse ele, o mais provável era a corrupção e a impunidade não terem atingido as dimensões a que chegaram e deixaram o país no estado em que está, com as vítimas a pagarem por crimes alheios. De lesa-pátria, sublinhe-se. Praticados por inqualificáveis criaturas que nortearam as vidas unicamente por interesses próprios, indiferentes ao sofrimento que as rodeava e fingiam não ver, no afã de ter mais, cada vez mais. Cá dentro e lá fora.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Angola | Seca causa uma morte e deixa milhares na penúria


A seca severa que assola a província do Cuando Cubango causou a morte de uma criança de três anos, na comuna do Licua, município de Mavinga, e milhares de pessoas correm o risco de perder a vida, devido à penúria alimentar, informou ontem à imprensa a administradora comunal local, Cristina Kapapu.

A responsável disse que a criança morreu este mês no bairro Samayovo, situado a mais de 100 quilómetros da sede comunal do Licua, quando na companhia dos pais procurava alimentos na mata. Segundo relatos dos familiares, a vítima e os país, na caminhada que fizeram pela mata, do Licua ao bairro Samayovo, durante duas semanas, alimentarem-se de frutos silvestres, e a petiz ficou debilitada devido à fome, e acabou por falecer.

Por falta de alimentos, segundo Cristina Kapapu, mais de 20 pessoas contraíram anemia grave no bairro Samayovo, “e se não receberem assistência médica urgente podem morrer”.

Samayovo tem 2.686 habitantes, dos quais 80 por cento estão afectados pela penúria alimentar, que está a atingir contornos alarmantes. “A par da fome, os populares debatem-se ainda com a falta de vestuário, calçado, água potável, escolas, instrumentos de trabalho e inputs agrícolas.Não conseguem desenvolver a agricultura de subsistência nas margens dos rios por falta de materiais de trabalho. Portanto, se não houver intervenção das autoridades competentes teremos vários casos de mortes”, advertiu a administradora.

Angola | Luanda ainda é "El Dorado" e interior ficou esquecido


Luanda continua a ser um chamariz para os jovens que vivem no interior de Angola. Mas analista diz que é preciso mudar este cenário, para que o interior também se possa desenvolver.

Luanda continua a ser um "El Dorado" para muitos jovens angolanos a residir no interior do país, que veem a capital como um dos únicos locais onde podem trabalhar e concretizar os seus sonhos.

"Aqui não há emprego e Luanda tem mais empresas", afirma Orlando Luassi, um motorista a morar na cidade do Huambo. "Se estiver aqui dois ou três meses, sem fazer nada, é um prejuízo. Mas, em Luanda, em poucos dias se consegue um emprego ou faz-se táxi."

André Paixão, um agricultor que trocou o campo pelo mototáxi, também conta que já lhe passou pela cabeça rumar para Luanda em busca de melhores oportunidades. "A dinâmica de uma capital é diferente do interior", diz em entrevista à DW.

O jovem até já fez contas ao que poderia ganhar se fosse para Luanda: "Lá, o preço do táxi é 150 [kwanzas, cerca de 40 cêntimos de euro] e aqui é 100 [26 cêntimos]."

Construir um bairro dos ministérios em Luanda é "meter a carroça à frente dos bois"


Centro Político Administrativo de Luanda vai ser erguido em três anos numa parceria público-privada. Edificado contará com 28 edifícios ministeriais e várias unidades de apoio. Custos do megaprojeto não foram revelados.

Ministérios, casas protolocolares, hóteis, lojas e vários serviços de apoio institucional são algumas das valências que o novo "Bairro dos Ministérios" deverá ter. O empreendimento está previsto para a orla marítima de Luanda, na Chicala, uma das áreas mais nobres da capital angolana.

"Como é que se constrói um bairro dos ministérios com uma população que não tem acesso a água de qualidade, que não tem energia, que não tem educação? Estamos a meter a carroça à frente dos bois", comenta o ativista e militar angolano Osvaldo Caholo.
Bairro de luxo num país em crise

sábado, 27 de julho de 2019

Presidente João Lourenço continua onda de exonerações em Angola


O Presidente angolano, João Lourenço, exonerou os embaixadores do país em Moçambique, Cabo Verde, Marrocos, República Democrática do Congo e Singapura.

Segundo uma nota da Casa Civil do Presidente da República, divulgada na sexta-feira (26.07), foram exonerados Brito António Sozinho, Benigno Vieira Lopes, Josefa da Cruz, Fidelino Figueiredo e José João Manuel dos cargos de embaixadores em Moçambique, Marrocos, Cabo Verde, Singapura e República Democrática do Congo, respetivamente.

O chefe de Estado angolano nomeou José João Manuel embaixador em Moçambique e Baltazar Diogo Cristóvão para embaixador em Marrocos. Júlia de Assunção Cipriano Machado é a nova embaixadora de Angola em Cabo Verde, enquanto Miguel da Costa assume o cargo na República Democrática do Congo, ficando ainda por nomear o novo embaixador em Singapura.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Angola | Da acção dos marimbondos ao Banco Mundial e o FMI


Luciano Rocha | Jornal de Angola | opinião

Muitos angolanos, cada vez em maior número, vivem nova fase de incertezas quanto ao presente e futuro imediato, que o outro, o mais longínquo - se viverem até lá - há-de apoquentá-los quando chegar.

Muitos angolanos, designadamente os da cidade, são assim. E, por essa forma de estar na vida, além das interrogações que ciclicamente se colocam a eles próprios, têm, também, como é lógico, frequentes “amargos de boca”, que não há mbrututu, “laranja do Loje” mel ou açúcar que lhes valha. Por mais sustos pelos quais passem, mesmo que, nas fases de maior aperto, prometam “corrigirem-se”, quando dão por ela estão, em roda de amigos, a rirem-se deles próprios, vangloriar-se da forma como deram a volta à situação. 

Quando a crise económica internacional rebentou, muitos de nós mantivemos o nível de vida, com o qual jamais tínhamos pensado pouco tempo antes. Isto, mesmo que nos chegassem, ao momento, imagens e testemunhos dramáticos de encerramentos, quase que em catadupa, de empresas, algumas, até então, das mais prestigiadas a nível mundial. Com o consequente desemprego de famílias inteiras, que, de um dia para o outro, se viram a viver na rua. Por terem perdido a casa, cuja prestação de compra não pagaram na data estipulada, e a comerem o que lhes era dado por instituições de caridade. Todo este cenário dantesco era, não raro, acentuado com as cores da morte por suicídio daqueles a quem nada mais restava na vida do que o desespero.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Angola | Marimbondos “Limpam” Palácio Presidencial


A manutenção e gestão do palácio presidencial e dos edifícios que fazem parte do seu complexo protocolar, incluindo o Conselho de Ministros, estava a cargo de uma empresa privada de gestores públicos, sendo que o contrato que valida este acordo foi assinado pela secretária do departamento jurídico dessa empresa.

Por parte da Presidência da República, assina o director-geral do Gabinete de Obras Especiais (GOE). A questão aqui é: porque é que a Presidência da República aceitaria assinar um contrato com uma empresa representada por uma simples secretária de departamento?

No palácio presidencial encontra-se o coração do poder em Angola. Na época de José Eduardo dos Santos, aí estava também o epicentro da corrupção no país.

A 1 de Julho de 2016, Sulema Azaida Malua, secretária do departamento jurídico da empresa Riverstone Oaks Corporation (ROC), assinou, em nome da SG Services – Lda., dois contratos relativos à “Gestão Operacional e Manutenção Preventiva do Palácio Presidencial e Áreas Protocolares”. Apesar de ambos os documentos terem a mesma designação, o segundo contrato diz respeito aos reembolsos pelos gastos da empresa na execução do primeiro contrato.

Para o primeiro contrato, a SG Services recebia, anualmente, um valor que ascendia a 2,61 mil milhões de kwanzas. O segundo contrato, referente aos reembolsos, tinha o valor anual de 3,3 mil milhões kwanzas.

No total, pela limpeza e manutenção do palácio presidencial, a SG Services embolsava anualmente 5,6 mil milhões de kwanzas. Ao câmbio oficial, em 2016, esse montante equivalia a 35 milhões de dólares anuais!

A presidência de João Lourenço pôs termo a estes contratos a 16 de Maio de 2018, segundo fonte oficiosa.