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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Referendo Timor-Leste - 20 anos | Celebrações evocam símbolos da libertação


António Sampaio, da Agência Lusa

Díli, 30 ago 2019 -- Música que marcou momentos da luta de Timor-Leste pela independência, incluindo o tema 'Timor', cantado por Luis Represas, com focos de telemóveis a simbolizarem velas, marcou hoje as cerimónias oficiais dos 20 anos do referendo de 1999.

A cor musical e das danças tradicionais foi a tónica lúdica numa cerimónia onde se homenagearam os muitos que lutaram para Timor-Leste ser independente e onde se ouviu uma curta mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Na sua mensagem, o português, à data primeiro-ministro, mostrou-se orgulhoso do seu papel e recordou que "Timor inspirou o mundo" e mostrou a importância do multilateralismo.

As cerimónias decorreram no recinto de Tasi Tolu -- cujo nome lhe é dado pelas três lagoas salgadas da zona -- e que tem acolhido alguns dos momentos mais marcantes das últimas décadas.

Foi ali que muitos dos líderes que hoje ainda continuam ativos, ainda que em cargos diferentes, testemunharam, a 20 de maio de 2002, e perante líderes do mundo interior, a subida da bandeira que marcou a restauração da independência de Timor-Leste.

Timor-Leste | PR recorda luta pela independência e pede esforço conjunto pelo futuro


Díli, 30 ago 2019 -- O Presidente da República timorense recordou hoje os principais momentos da luta pela independência de Timor-Leste, afirmando que continua a ser necessário um esforço conjunto para construir e consolidar o Estado.

"Ainda há um longo caminho a percorrer na construção e desenvolvimento da nossa democracia e do nosso Estado para garantirmos que o nosso povo expresse e desenvolva a nossa cultura e vontade política, e que continue a afirmar a nossa identidade nacional", afirmou hoje Francisco Guterres Lu-Olo

"Estas aspirações serão materializadas se conseguirmos garantir a participação democrática dos cidadãos e alcançar resultados económicos e sociais que beneficiem e tragam progresso para todos", afirmou.

Lu-Olo, que falava nas cerimónias oficiais dos 20 anos do referendo, disse que é necessário mais esforço em áreas múltiplas, desde as forças de segurança à justiça, da descentralização e reforma administrativa.

E em que são necessários "entendimentos e consensos" para responder aos desafios atuais, desde o aumento das receitas não-petrolíferas ao fortalecimento da economia, o combate à má-nutrição e a igualdade de género.

Um longo discurso proferido para uma extensa plateia, incluindo os principais líderes do país, o presidente da Assembleia da República portuguesas, chefes do Governo e ministros de vários países, incluindo Portugal, Austrália, Vanuatu, Indonésia e Cabo Verde, entre outros.

Timor-Leste | Uma ilha atravessada na garganta


Isto foi mesmo assim, juro. A avó Ermelinda avisou-me: "Se fores a Timor, bebe muito gin tónico. Tem quinino. Protege-te do paludismo." Ela sabia, tinha lá vivido com o meu avô, ainda antes da II Guerra. Foi o que fiz quando embarquei, algures em março de 1992, em Darwin, no norte da Austrália, num ferry sobrelotado de ativistas e jornalistas que pretendiam rumar a Díli, na "Missão Paz em Timor", a bordo de um ferry chamado "Lusitânia Expresso". O objetivo era colocar uma coroa de flores no cemitério de Santa Cruz, em homenagem às vítimas do massacre que em novembro do 1991 tinha colocado Timor nas primeiras páginas da imprensa mundial (de onde nunca mais saiu até ao referendo da independência, em 1999).

João Pedro Henriques | Diário de Notícias | opinião

A água tónica acabou mas o gin não e portanto, obediente, continuei a consumi-lo, a bem da saúde. Admito que já estaria ligeiramente desfocado quando, durante a noite - infernalmente quente e húmida - percebi que começava a surgir no radar do nosso ferry um pontinho luminoso verde. Era a ilha cujos destinos eu acompanhava há apenas alguns meses, ao serviço da Agência Lusa. Estava muito escuro quando, num telefone por satélite, ditei a notícia, excitadíssimo mas tentando disfarçar a névoa do gin: "Timor já nos radares do Lusitânia Expresso". Que orgulho foi dar essa "cacha" ao mundo!

Depois amanheceu e a silhueta da ilha foi-se revelando. Ficou claro: as montanhas onde se escondiam Xanana e os seus guerrilheiros eram a sério, altas, abruptas, só para profissionais. Ao mesmo tempo percebemos todos que as luzes que nos tinham acompanhado a noite toda num trajeto paralelo ao ferry eram mesmo de duas fragatas da Armada indonésia, uma a estibordo, outra a bombordo.

Rapidamente chegou de lá a ordem: parem e deem meia volta. Lágrimas, raiva, fúria - e a ordem cumprida sem demora. Foi tudo demasiado rápido. No regresso a casa chamaram-me estúpido: o quinino do gin tónico está na água, não no gin. Poderia não ter continuado a beber. Mas apetecia-me: ficou-me encravada na garganta uma pequena ilha algures no sudeste asiático.

E passam sete anos, passamos para setembro de 1999. A minha redação já era outra, a do Público. O referendo de autodeterminação tinha sido em agosto - passam hoje 20 anos - e era necessário render o jornalista que lá estivera o ano todo: Luciano Alvarez estava à beira da exaustão, se não mesmo para lá disso.

Fora o orgulho do jornalismo português todo quanto, em conjunto com o José Vegar, Jorge Araújo e Hernâni Carvalho, ficara sitiado na Unamet (a entidade da ONU organizadora da consulta), em Díli, enquanto as milícias timorenses pró-indonésias, apoiadas pelas forças militares e de segurança da potência invasora, destruíam a ilha toda, vingando-se da derrota nas urnas.

A certa altura, quando os últimos da Unamet vieram embora, por absoluta falta de condições de segurança, o Luciano recuou para Darwin - e lá fui ter com ele, posto à pressa pela minha redação num vôo fretado pelo Governo português para levar até Díli uma missão de ajuda humanitária (bombeiros, sobretudo, numa escolha imbecil, visto que o essencial já tinha ardido e nem rescaldo era preciso).

Foram aí umas duas semanas de espera em Darwin até conseguir um avião que me pusesse em Díli - e o pesadelo era o de aquela ilha me escapar de novo por entre os dedos. O nó na garganta começava a ter a dimensão metafórica do Ramelau, a montanha mais alta de Timor - e que durante umas centenas de anos fora também a montanha mais alta de Portugal (2986 metros).

O avião que me levou era um pequeno Tupolev de uma coisa chamada "Air Vega", avião pilotado por dois ucranianos, que, imaginei, o teriam surripiado às Forças Armadas soviéticas quando o império colapsou. Aterrei em Díli numa manhã igual às outras todas de Díli: quente, húmida, sufocante. Nessa altura a ilha já estava "ocupada" por uma força armada da ONU composta essencialmente australianos. Mas os indonésios ainda não tinham saído. E nem Xanana (ainda em Jacarta) nem o bispo Ximenes Belo (em Lisboa) tinham voltado.

Vivia-se uma felicidade caótica e cheia de incerteza... A administração pública deixara de funcionar. A economia resumia-se a mercados de rua onde os agricultores vendiam as suas produções. Os chineses, entalados entre o racismo dos indonésios e o racismo dos timorenses, tinham fugido, fechando as suas lojas. A Indonésia desligara a rede telefónica (fixa e de telemóvel), o abastecimento de água não funcionava nem o saneamento básico, os políticos timorenses pró independência - alguns dos quais rapidamente convertidos à causa depois de anos de colaboração com as autoridades de Jacarta - entretinham-se em disputas idiotas sobre coisa nenhuma. Não havia um restaurante aberto, os dois hotéis de Díli estavam ambos semi destruídos (mas utilizáveis por ocupação à força das centenas de jornalistas que invadiram a cidade). A única instituição que funcionava era a Igreja - e foram freiras católicas que, a troco de meia dúzia de dólares de mensalidade, alimentaram muitos jornalistas durante semanas. Os cães nas ruas, esfomeados, comiam-se uns aos outros; os miúdos já não encontravam nenhuma fruta madura nas árvores. O Estado desaparecera; a economia privada também. E, pelo meio, restavam na sombra alguns timorenses das milícias pró-indonésias: um jornalista do Finantial Times foi assassinado em Díli logo nos primeiros dias da presença militar australiana.

Para todos ficou evidente: faltava tudo: economia, uma classe política digna desse nome, quadros técnicos (economistas, juristas, engenheiros, o que fosse) minimamente aptos, destino a dar a um número inexplicavelmente crescente de veteranos da guerrilha timorense, polícia, professores, tudo. Só existia a Igreja - e esta, depois de anos a proteger quem se rebelava contra os invasores indonésios, revelava agora a sua natureza profundamente conservadora, boicotando, por exemplo, as campanhas das agências internacionais de promoção da saúde pública que incluíam, por exemplo, a distribuição de preservativos. As Nações Unidas tinham uma longa missão ainda a desempenhar preparando o território para se tornar no primeiro país independente do século XXI.

Semanas depois Xanana chegou a Díli e soltou, para uma multidão à beira da histeria, o gutural "Viiiiiiiiiiiiiva Timor-Lorosae!" que nunca mais esqueceremos. Dias depois, o chefe dos timorenses foi ao aeroporto despedir-se dos últimos generais indonésios que regressavam a casa. Um deles protestou: "Chegou três horas atrasado..." Xanana respondeu: "E vocês partem com quase trinta anos de atraso."

30 de Agosto | Presidente timorense recorda morte de "dezenas e dezenas de milhar"


Díli, 29 ago 2019 (Lusa) - O Presidente de Timor-Leste, Francisco Guterres Lu-Olo, lembrou hoje que a demora na afirmação da justiça no país custou "dezenas e dezenas de milhar de vidas", considerando que numa população daquela dimensão, "se pode falar de um genocídio".

Francisco Guterres Lu-Olo falou na abertura de um jantar no Palácio da Presidência, na capital timorense, Díli, que contou com representantes de Estado e governamentais de países como Portugal, Cabo Verde, Austrália, Vanuatu, República Centro-Africana e de organizações como as Nações Unidas.

No seu discurso, na véspera do dia em que se assinalam vinte anos do referendo que concedeu a independência a Timor-Leste, o chefe de Estado timorense afirmou que se mostra preocupado com a paz, "que se assenta na justiça e no desenvolvimento sustentável".

Nesse sentido, Francisco Guterres Lu-Olo assinalou "a falta de respeito" pelo meio ambiente e os seus efeitos.

"A falta de respeito para com a mãe-terra traduz-se em drásticas alterações climáticas com repercussões na biodiversidade, na agricultura, causando por vezes longas secas, por vezes cheias devastadoras, tudo isso com preço em vidas humanas", disse.

O Presidente timorense criticou ainda a "incapacidade" do uso do diálogo para a resolução de conflitos, que, no seu ponto de vista, "tem dado origem a guerras com reflexos na movimentação humana e com sofrimento indizível", acrescentando que "a democracia está ameaçada".

Estas condições levam o chefe de Estado timorense a assumir "tempos de incerteza" no futuro da humanidade, mas que ainda assim se mostra esperançoso de que, "alicerçados nos valores" que levaram à independência de Timor-Leste, estas ameaças possam ser afastadas.

JYO // PJA

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

30 de Agosto | REFERENDO DE INDEPENDÊNCIA DE TIMOR-LESTE – 20 ANOS


Em 30 de Agosto de 1999 realizou-se em Timor-Leste o referendo para a independência da ex-colónia portuguesa sob o domínio da Indonésia após cerca de 25 anos de invasão (1975) violenta e assassina das forças militares e militarizadas do regime do ditador Shuarto.

Na atualidade, em 30 de Agosto, amanhã, comemora-se no país os 20 anos da votação em referendo que abriu caminho à independência e posterior reconhecimento mundial da República Democrática de Timor-Leste.

Sobre o tema trazemos o texto parcial de Wikipédia e seguidamente, do Jornal Tornado, parcialmente, apresentamos o artigo de J.T. Matebian, em Timor-Leste. Depois é só seguir as ligações que deixamos e inteirar-se nas referidas fontes sobre o ocorrido historicamente e como está Timor-Leste na atualidade.

Passados 20 anos grassa a pobreza e a riqueza também. Mais de dois terços de pouco mais de um milhão de timorenses sobrevive pobremente, muitas vezes miseravelmente. A classe média situa-se em menos de um terço da referida população, enquanto que a elite – políticos, familiares e algum empresariado enriqueceu surpreendentemente, exponencialmente, imoralmente. Concluiu-se há muito que Indonésia e a ONU (UNTAET) deixaram naquele país o vírus da corrupção bem ativo, infelizmente.

Com regozijo e em memória aos mais de 200 mil timorense assassinados durante a ocupação do regime ditatorial de Shuarto deixamos a porta aberta para o acesso à causa de Timor-Leste nestas comemorações dos 20 anos de alguma liberdade, independência e democracia. Também de reconstrução do país do sol nascente, Timor Lorosae.

Redação PG

Referendo de independência de Timor-Leste de 1999

O referendo sobre a independência do Timor-Leste foi realizado em 30 de agosto de 1999, como decisão política sobre o Timor-Leste, um país do Sudeste Asiático. As origens do referendo deram-se com o pedido feito pelo Presidente da IndonésiaBacharuddin Jusuf Habibie, ao Secretário-geral das Nações UnidasKofi Annan, em 27 de janeiro de 1999. O pedido consistia em realizar um referendo em Timor-Leste, no qual seria dado, à província indonésia, o poder de escolha de uma maior autonomia dentro da Indonésia ou a independência.

Nos meses anteriores, o Presidente Jusuf Habibie tinha feito várias declarações públicas em que ele mencionava que os custos de manutenção de subsídios monetários para apoiar a província não foram equilibrados por qualquer benefício mensurável para a Indonésia. Devido a esta desfavorável análise custo-benefício, a decisão mais racional seria ser dada, à província, que não fazia parte dos limites originais da Indonésia até 1945, a escolha democrática sobre se queria ou não permanecer na Indonésia. Esta escolha também ficou em pauta com o programa de democratização geral de Habibie, no período pós-Suharto.

Como etapa de acompanhamento para o pedido de Habibie, a ONU organizou reunião entre o governo indonésio e o governo português(que detinha a autoridade colonial anterior sobre Timor-Leste).[1] Em 5 de maio de 1999, essas negociações resultaram no "Acordo entre a República da Indonésia e a República Portuguesa sobre a Questão de Timor-Leste". O referendo seria realizado para determinar se Timor Leste permaneceria parte da Indonésia como uma Região Autónoma Especial, ou separar-se-ia da Indonésia.[2] O referendo foi organizado e monitorado pela Missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNAMET) e 450 000 pessoas estavam aptas a votar, incluindo 13 000 timorenses fora dos limites territoriais do Timor-Leste.



20 anos de referendo em Timor-Leste

A UNTAET transmitiu de facto o poder aos timorenses?


Esta é a pergunta colocada pelo político e académico Avelino Coelho, após 20 anos da data que assinalou o referendo em Timor-Leste, em 30 de Agosto de 1999, e depois do governo transitório da ONU ter cumprido a sua missão.

Passadas duas décadas do referendo em Timor-Leste e da restauração da independência em 2002 persistem os problemas socioeconómicos neste país lusófono. Para tentar analisar-se a situação em que este país se encontra, decidimos auscultar a opinião de um dos nacionalistas mais coerentes e respeitados de Timor-Leste, Avelino Maria Coelho da Silva.

Interpelado pelo nosso Jornal sobre o day after do Referendo, Avelino Coelho interroga-se: “a UNTAET transmitiu de facto o poder aos timorenses?”.

O referendo e as questões não resolvidas

As negociações tripartidas conduzidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e envolvendo Portugal e a Indonésia, apesar da controvérsia que gerou, culminaram, em 5 de Maio de 1999, com a assinatura de um acordo para a realização de uma consulta Popular em Timor-Leste que ocorreu no dia 30 de Agosto de 1999, há duas décadas.

Por ocasião da efeméride, o Parlamento Nacional de Timor-Leste  anunciou a edição para breve de um livro «sobre o Referendo» para honrar a memória de todos aqueles que sofreram no arrastado conflito político-militar cujos excessos provocaram a morte de muitos milhares de pessoas.

A propósito do referendo, Avelino Coelho, conhecido durante a luta de libertação pelo nome de código “Shalar kosi / FF”, e considerado um dos principais líderes da Frente Clandestina, referiu que o referendo expressou “a realização histórica de um povo que acreditou no seu direito e por ela, denodadamente, se bateu, apesar das incomensuráveis dificuldades e desafios”.

Mas, passaram 20 anos do referendo, e persistem muitos problemas socioeconómicos neste país lusófono, havendo inúmeras questões não resolvidas. A reflexão em torno das consequências da realização do referendo, segundo Coelho, é por isso “um imperativo nacional na medida em que apesar de termos anunciado a nossa independência, é sabido que mesmo depois da Libertação, persistem os problemas sócio-económicos, sem solução, e arrastam-se cada vez mais, distanciando as famílias das vítimas da realização dos sonhos pelos quais os seus ente queridos deram a vida”.

ARDE ANGOLA II – Martinho Júnior


“O camaleão vai atrás da borboleta, permanece camuflado por muito tempo, para depois avançar lenta e gentilmente: primeiro coloca uma perna, depois outra. Por fim, quando menos se espera, ele lança o dardo de sua língua e a borboleta desaparece – a Inglaterra é o camaleão e eu sou a borboleta” – Rei Lobengula – http://pagina--um.blogspot.com/2010/10/globalizacao-o-camaleao-voraz-que.html

Martinho Júnior, Luanda 

… Seguir os passos de Nelson Mandela ao comprometer-se com elites que em relação à natureza tapam por via de suas próprias implicações o seu papel no Grupo Bilderberg e no “apartheid”, (https://www.greatlimpopo.org/2015/07/remembering-nelson-mandela-founding-patron-of-peace-parks-foundation/) é uma forma ingénua e avulsa de “meter a raposa no galinheiro” e engordá-la com as suas próprias opções de caça em “jogos africanos”…( https://paginaglobal.blogspot.com/2013/12/que-eternidade-para-mandela-i.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2013/12/que-eternidade-para-mandela-ii.html).

Por que razão na celebração do 100º aniversário natalício de Nelson Mandela se foi buscar Obama, que tanto tem a ver com a disseminação do caos em África ao destroçar a Líbia e não se foi buscar o Comandante Raul de Castro, que tanto tem a ver com a libertação do continente do colonialismo e do “apartheid”?… (https://tudoparaminhacuba.wordpress.com/2018/07/29/que-eternidade-para-nelson-mandela/).

De facto esse é um dos poderosos artifícios elitistas conseguidos por via da globalização capitalista neoliberal (https://gara.naiz.eus/paperezkoa/20130706/411802/es/Sudafrica-pacto-faustico-ANC-fue-costa-mas-pobres), pois assim se inibe a vocação de Angola para, numa lógica com sentido de vida, se despertar para uma geoestratégia de desenvolvimento sustentável tendo como força o conhecimento e o estudo da fulcral região central das grandes nascentes e, com isso alcançar-se o patamar de gestação duma cultura de inteligência patriótica imprescindível em relação ao futuro da própria identidade nacional! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2014/08/desbravando-logica-com-sentido-de-vida-i.html).

África merece um longo processo de educação dos seus povos e isso não se resolve com e apenas a cumplicidade de elites cujas opções foram sempre de exclusão e nunca de integração! (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/pequena-reflexao-sobre-guerra-e-paz.html).

Tenho vindo a levantar sempre com sentido de oportunidade a ténue fronteira do que é civilização e do que é barbárie, particularmente quando os fenómenos em observação se tornam abrangentes, a ponto de só se poder compreendê-los quando é dado relevo a essa abrangência e aos seus inerentes contraditórios.

Angola | incêndios florestais deixam o país em alerta


Angola também sofreu recentemente com os incêndios florestas, apesar destes terem uma origem diferente dos incêndios na Amazónia. A opinião pública angolana espera que haja medidas e soluções no futuro.

Os incêndios na Amazónia trouxeram a debate sobre a questão da preservação do meio ambiente em todo mundo. Em Angola, os cidadãos ouvidos pela DW África pedem a adoção de políticas públicas de sensibilização.

O Governo angolano promete apostar em espaços verdes, mas nega que Angola tenha um problema de incêndios semelhante ao da Amazónia. Imagens da NASA mostram uma mancha vermelha dos fogos maior em África do que na América do Sul. Enquanto a floresta da Amazónia está a arder no Brasil, há países africanos onde há muito mais fogos.

No Brasil foram registados cerca de 2.000 fogos desde a semana passada, em Angola, por exemplo, houve registo de mais do triplo, quase 7.000 focos de incêndio, segundo os dados da NASA.

Angola e uma nova ordem económica com venda de capitais públicos?



Durante a campanha eleitoral, o então candidato a deputado e presidencial João Lourenço, afirmava que era necessário “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal” porque havia – e ainda há – muita coisa que estava mal, nomeadamente, a nível político, social e, principalmente – com os efeitos colaterais que têm sobre os problemas sociais e políticos – a nível económico e financeiro. 

Depois de eleito, houve actos políticos que visaram, ou indiciaram, haver vontade de alterar certas coisas a nível económico e financeiro, como, por exemplo, o retorno de capitais indevidamente retidos – ou levados para – no exterior– já se viu, realmente algum efeito prático da medida; o Banco Nacional de Angola (BNA) vai dizendo que sim, mas, apesar das devoluções serem anónimas, pelo menos, o BNA, deveria mostra uma “folha de Excel” com a lista dos montantes que foram devolvidos e como foram aplicados e até agora nada se viu; na comunicação social, oficial, oficiosa ou privada, nada li; talvez lapso meu...

Mas, também uma vontade de solicitar ajuda externa – quando não se tem capacidade interna para o fazer, fica bem pedi-lo ao exterior; não é mostrar incapacidade, mas assumir que toda a ajuda ["desinteressada”] é sempre bem-vinda – foi, quase logo no início, evidenciada. Um pedido, nesse sentido, seguiu para as duas organizações criadas em Bretton Woods: Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI).

Bolsonaro não é só contra a Amazónia, é contra o Brasil


“Sem respeitar os tratados internacionais em relação as salva-guardas ambientais, em que é signatário, e sem cumprir sua própria legislação ambiental, o Brasil se torna pária no mundo globalizado e terá sua pauta de exportações imensamente prejudicada, pois essas exigências fazem parte dos acordos multilaterais do mercado mundial”

Dalton Macambira, Rio de Janeiro | Correio do Brasil | opinião

Após defender a ditadura militar e se declarar fã incondicional do torturador e assassino Brilhante Ustra, em oito meses de governo, Bolsonaro elegeu como alvos principais de sua “cruzada anticivilizatória”: a educação, os professores e os ambientalistas. Esse ódio ao saber, a cultura e ao meio ambiente são manifestações próprias de governos autoritários, que buscam no obscurantismo, de cunho claramente fascista, destruir as bases de uma sociedade democrática e do estado de direito.

A polémica mais recente do presidente foi colocar em prática o que afirmara desde a campanha eleitoral, quando disse que iria acabar com a farra das multas ambientais, sendo que depois de eleito cogitou seriamente extinguir o Ministério do Meio Ambiente, numa clara demonstração de que fragilizaria os órgãos de fiscalização do uso dos recursos naturais no país. Mesmo reconhecendo que o Ibama e o ICMBio não têm os recursos necessários para o exercício de sua missão institucional, o capitão reformado brigou com a Alemanha e a Noruega, principais doadores do Fundo Amazónia que tem sido fundamental para financiar as ações de comando e controle na região.

Brasil | "SÓ ME RESTA PERGUNTAR: ONDE VOCÊS APRENDERAM A SER NAZISTAS?"


Carta pública aos ex-colegas da Lava-Jato
por Eugênio Aragão

Sim. Ex-colegas, porque, a despeito de a Constituição me conferir a vitaliciedade no cargo de membro do Ministério Público Federal, nada há, hoje, que me identifique com vocês, a não ser uma ilusão passada de que a instituição a que pertenci podia fazer uma diferença transformadora na precária democracia brasileira. Superada a ilusão diante das péssimas práticas de seus membros, nego-os como colegas.

Já há semanas venho sentindo náuseas ao ler suas mensagens, trocadas pelo aplicativo Telegram e agora reveladas pelo sítio The Intercept Brasil, num serviço de inestimável valor para nossa sociedade deformada pela polarização que vocês provocaram. Na verdade, já sabia que esse era o tom de suas maquinações, porque já os conheço bem, uns trogloditas que espasmam arrogância e megalomania pela rede interna da casa. Quando aí estava, tentei discutir com vocês, mostrar erros em que estavam incidindo no discurso pequeno e pretensioso que pululava pelos computadores de serviço. Fui rejeitado por isso, porque Narciso rejeita tudo que não é espelho. E me recusava a me espelhar em vocês, fedelhos incorrigíveis.

A mim vocês não convencem com seu pobre refrão de que “não reconhecem a autenticidade de mensagens obtidas por meio criminoso”. Por muito menos, vocês “reconheceram” diálogo da Presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff com o Ex-Presidente Lula, interceptado e divulgado de forma criminosa. Seu guru, hoje ministro da justiça de um desqualificado, ainda teve o desplante de dizer que era irrelevante a forma como fora obtido acesso ao diálogo, pois relevaria mais o seu conteúdo. Tomem! Isso serve que nem uma luva nas mãos ignóbeis de vocês. Quem faz coisa errada e não se emenda acaba por ser atropelado pelo próprio erro.

Bolsonaro e o silêncio do Governo português


Se há algo que devia unir a humanidade é a inescapável conclusão de que todos precisamos de oxigénio. Se isso bastasse para salvar a Amazónia poderíamos dormir descansados.

Joana Mortágua* | Jornal i | opinião

A Amazónia está a arder. Já todos vimos as imagens, na descrição da tragédia não resta muito espaço para as palavras. A Amazónia faz parte do nosso património afetivo e de sobrevivência com o planeta que habitamos. Se há algo que devia unir a humanidade é a inescapável conclusão de que todos precisamos de oxigénio. Se isso bastasse para salvar a Amazónia poderíamos dormir descansados. Não basta, e é preciso entender porquê.

Bíblia, Boi e Bala. Um B para a frente parlamentar evangélica, defensora da generalização da “cura gay” e outros atentados aos direitos humanos. Um B para agrupar todos os parlamentares com interesses no agronegócio, também chamada de bancada ruralista. Um B para os armamentistas, frente parlamentar de militares e polícias convictos de que os problemas de segurança do Brasil se resolvem pondo uma arma na mão e uma bomba nas garantias democráticas de cada cidadão. E um B para os unir a todos: Bolsonaro.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Guiné-Bissau | A polémica em torno da revisão dos cadernos eleitorais


Preparação das presidenciais continua a gerar muita polémica na Guiné-Bissau, com contestações dos partidos à iniciativa do governo de realizar algumas correções nos cadernos eleitorais.

A polémica gira à volta das correções às omissões constatadas pelo Governo e os partidos políticos, nos cadernos eleitorais. Em março último, um pouco mais de 25 mil eleitores), apesar de terem sido recenseados, não puderam votar nas eleições legislativas, porque os seus nomes não constaram nos cadernos eleitorais.

Agora, a iniciativa das correções dos cadernos, visa, segundo as autoridades, identificar os cidadãos em causa, resolver a situação, com a inclusão dos seus nomes nos cadernos e permitir que possam votar nas presidenciais marcadas para novembro próximo.

Mas, a iniciativa não é do agrado aos partidos da oposição, que já falam da preparação de uma série de fraudes eleitorais. Até a Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), um dos integrantes do executivo e uma das formações políticas que suporta o atual Governo no Parlamento, também está contra as correções das omissões.

ARDE ANGOLA I -- Martinho Júnior

“O camaleão vai atrás da borboleta, permanece camuflado por muito tempo, para depois avançar lenta e gentilmente: primeiro coloca uma perna, depois outra. Por fim, quando menos se espera, ele lança o dardo de sua língua e a borboleta desaparece – a Inglaterra é o camaleão e eu sou a borboleta” – Rei Lobengula – http://pagina--um.blogspot.com/2010/10/globalizacao-o-camaleao-voraz-que.html


… De há mais de quinze anos que mantenho a tónica de necessidade de implementar os conceitos inerentes à lógica com sentido de vida, tendo todos os sentidos por dentro dos fenómenos que afectam África e sobretudo Angola, enquanto alvos dilectos das políticas elitistas e neoliberais-neocoloniais!
A barbárie que tem avançado sobre África e sobre Angola em nome do lucro e não em nome da vida, está a provocar o pior dos cenários:
… Depois A SECA E OS CENÁRIOS DA MISÉRIA E DA FOME… (https://www.youtube.com/watch?v=L3mFgN_sGXU).


Há dez anos publiquei no Página Um uma sequência de oportunas intervenções sobre a deriva em direcção ao abraço do controlo elitista de conceitos climático-ambientais e geoestratégicos que tinham tudo a ver com a interpretação numa lógica com sentido de vida e não com o lucro propiciado pelos “mercados” de contingência, muito menos o lucro derivado de interesses, processos e conveniências neoliberais…

Essa intenção se alguma vez acabasse por ser levada avante, visava determinar Angola ao conhecimento, ao controlo e à gestão da região central das grandes nascentes numa perspectiva de geoestratégia para um desenvolvimento sustentável e a gestação duma cultura de inteligência patriótica, mas é óbvio que inteligências dominantes têm constituído até hoje não só inultrapassáveis aliciantes que já levam três décadas desde o seu surgimento, mas também capazes de integrar meios que Angola está muito longe de possuir, ou mesmo de por si ter acesso… o que aumenta a dependência angolana, numa escala inimaginável, em relação aos expedientes elitistas anglo-saxónicos que abordam os fenómenos naturais em toda a região, incentivados pelo poder do “loby” dos minerais e sobretudo pelo cartel dos diamantes! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2016/01/geoestrategia-para-um-desenvolvimento.html).

ONG apelam ao combate à seca no sul de Angola


O Governo angolano ainda não decretou o estado de emergência para fazer face à seca no sul de Angola. As ajudas são poucas e a seca continua a afetar severamente as populações locais.

A seca no sul de Angola tem piorado, sendo os meses de julho, agosto e setembro os mais quentes nesta região. O Governo não declarou o estado de emergência e organizações não-governamentais (ONG) no terreno apelam a uma ação imediata das autoridades competentes.

Este é um problema que já tem muitos anos e milhares de famílias são afetadas pela fome e falta de recursos. A ajuda tem chegado aos poucos, mas não é suficiente.
Fome, mortes e fuga de pessoas

Há muitas necessidades urgentes para as populações que vivem nas províncias mais a sul de Angola. A agricultura não consegue gerar os recursos necessários e isso afeta a alimentação.

O padre Pio Jacinto Wacussanga, da Associação Construindo Comunidades, diz que a questão alimentar é uma prioridade, e que o Governo devia definir uma cesta básica alimentar, para beneficiar todos os afetados pela seca e pela fome.

"A primeira coisa imediata para mudar a situação é definir muito bem o direito à alimentação adequada. É necessário que o Estado, do ponto de vista da legislação, [preveja] por exemplo sistemas de alimentação para poder prover as famílias afetadas", afirma.

Angola | "Comparar fogos em África aos da Amazónia é nonsense"


O ministro angolano da Comunicação Social, João Melo, afirmou que comparar as queimadas em vários países africanos do centro-sul, como Angola, com os fogos da Amazónia "é nonsense", admitindo, no entanto, o problema.

Na sua conta do Twitter, de domingo (25.08), o ministro fez alusão a um artigo da agência Bloomberg, que se baseava em fotos da NASA, a agência espacial norte-americana, e punha Angola no topo mundial em número de fogos, considerando que a comparação não faz sentido.

"O artigo atribuído à Bloomberg afirmando, com base em fotos da NASA, que há mais fogos em Angola, Congo e outros países do centro-sul de África do que na Amazónia é um completo nonsense. Como comparar queimadas, tradicionais nesta região, com o incêndio da maior floresta do mundo?", escreveu João Melo.

Notas para Reflexão Nacional – Quo vadis São Tomé e Príncipe


Diógenes Pires Amaral* | Téla Nón | opinião

São Tomé e Príncipe, actualmente encontra se mergulhado numa profunda crise de múltiplas facetas económica, política, social, moral, cultural…

Há semanas esteve reunido o Conselho de Estado, órgãos de consulta do Chefe de Estado. Pelo o que foi dado a conhecer ao público através da imprensa, o Conselho constatou que, duma maneira geral, as instituições da República Democrática de São Tomé e Príncipe funcionam com múltiplas deficiências graves. Os órgãos de soberania estão de costas viradas.

A necessária interação que deveria existir entre os mesmos vem sendo substituída por confronto público de competência e militância. O sistema institucional santomense corre, por conseguinte, o risco de perder credibilidade, portanto a legitimidade.

Os partidos políticos, os mais importantes pilares do sistema democrático, carecem de reformas profundas, ainda não estão preparados para garantir um funcionamento adequado do sistema democrático.

As oposições no interior dos partidos vão-se extremando e conflitualizando cada vez mais. A concertação vai perdendo valor enquanto instrumento que facilita o esbater das diferenças. Cada interesse prefere permanecer autêntico, específico, e não deixa espaço para a interpenetração e apaziguamento.

Como pilares imprescindíveis do sistema, os partidos políticos devem ser sujeitos a reformas periódicas, não devem continuar a ser utilizados como instrumentos descartáveis ao serviço de agendas pessoais, pondo em risco a estabilidade do sistema.

Moçambique | Ameaças de Mariano Nhongo: “Esta é uma matéria de Estado”-- RENAMO


Mariano Nhongo prometeu segunda-feira (26.08) inviabilizar a realização das eleições de 15 de outubro, via ataques armados. Para a RENAMO esta “é uma matéria de Estado que deve garantir a defesa e tranquilidade do país”.

Vinte e quatros horas depois do presidente da autoproclamada "Junta Militar da RENAMO”, Mariano Nhongo ter ameaçado em entrevista à DW África inviabilizar a realização das eleições gerais de 15 de outubro, em Moçambique, a Resistência Nacional Moçambicana [RENAMO], através do seu porta-voz, José Manteigas diz que esta ameaça configura um crime.

Para Manteigas, esta "é uma matéria de Estado (…) é o Estado que tem que garantir a defesa e tranquilidade do país”. O político nega que o líder da RENAMO, Ossufo Momade não tenha sido eleito pelos militares, afirmando que "estes estão representados nos órgãos internos da RENAMO”.

O porta-voz da Perdiz apela a autoproclamada "Junta Militar” a não recorrer à força das armas para viabilizar as suas reivindicações.

DW África: Em entrevista exclusiva à DW África, esta segunda-feira (26.08), o presidente da autoproclamada "Junta Militar da RENAMO”, Mariano Nhongo prometeu inviabilizar a realização das eleições gerais, porque o partido de que diz ser líder "supostamente” foi excluído do processo eleitoral. Como lidar com esta situação de ter-se um partido com dois líderes?

José Manteigas (JM): A RENAMO reconhecida no ordenamento jurídico moçambicano como partido político é esta liderada por Ossufo Momade. Agora, se Mariano Nhongo não vai permitir a realização das eleições, isso não é o nosso posicionamento. Nós vamos concorrer em todos os círculos eleitorais do país, quer nas presidenciais, assim como, para as assembleias provinciais. Este é o desafio que temos pela frente, por isso sempre dissemos que estamos focados nas eleições.

Moçambique | "Não haverá eleições se o Governo não negociar connosco”

Mariano Nhogo - à esquerda
Ameaça Mariano Nhongo

O líder da autoproclamada "Junta Militar da RENAMO” ameaça inviabilizar a realização das eleições de 15 de outubro, se o executivo não negociar com seu grupo a implementação do DDR, e acusa o Governo de enganar o povo.

Em entrevista exclusiva à DW África, esta segunda-feira (26.08), Nhongo voltou acusar o líder da RENAMO, Ossufo Momade de ser um homem infiltrado no seio do maior partido da oposição moçambicana, acrescentando que "a RENAMO são os militares. Nós nunca vamos aceitar Ossufo candidatar-se às eleições pela RENAMO”.

Por outro lado, o presidente da autoproclamada "Junta Militar da RENAMO”, garante que continua disposto a negociar com o Governo sobre o DDR [Desarmamento, Desmobilização e Reintegração].

DW África: O senhor Mariano Nhongo sempre disse que quer negociar com o Governo a implementação do DDR. Já iniciou os contactos para isso?

Mariano Nhongo (MN): Não. Ainda vou reunir-me com os deputados da RENAMO, no Parlamento moçambicano, para criarmos uma comissão que vai iniciar os contactos com o Governo.

DW África: Quando é que será esta reunião com os deputados? E quem são eles?

MN: Ainda hoje (26.08) falei com eles, mas não está definida a data. Você quer saber quem são os deputados? Não conhece os deputados da RENAMO no Parlamento? São estes mesmo com quem vou me reunir.

Moçambique | Casos de corrupção demoram a ser julgados


Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula manifesta preocupação com a morosidade da Justiça em julgar processos de corrupção. Tribunal Judicial da Província diz que problema tem a ver com a falta de juízes.

Cresce a pilha de casos de corrupção por julgar na província moçambicana de Nampula, no norte de Moçambique. A Justiça tem demorado a escoar os processos e o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula mostra-se impaciente.

No ano passado, só 16 dos 119 processos por corrupção foram a julgamento, segundo o gabinete ligado ao Ministério Público. Este ano, já terá havido uma melhoria: dos 54 processos encaminhados ao tribunal, 31 foram a julgamento. Ainda assim, é preciso acelerar o ritmo, segundo Fredy Jamal, procurador e porta-voz do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula.

"Naquilo que é o combate à corrupção em termos processuais, fazendo uma comparação em relação a 2018-2019, é importante realçar que o gabinete não está satisfeito em relação aos números de processos julgados em 2019, mas não deixamos de dizer que houve uma subida de processos julgados que já nos dá algum alento", afirmou em entrevista à DW África.

Fredy Jamal defende que se estabeleçam metas em relação a casos de corrupção. "Não estamos a dizer que o tribunal devia criar secções de combate à corrupção, mas se tivéssemos metas de julgamentos desse tipo de crime poderia equilibrar aquilo que é o esforço que o Ministério Público faz e aquilo que o judicial faz, porque este combate não é só do gabinete", disse.

Timor-Leste | Jornalista da Lusa condecorado destaca cobertura da agência


Díli, 27 ago 2019 (Lusa) - O jornalista da Lusa António Sampaio, que esteve destacado em Timor-Leste durante o referendo que garantiu a independência do território da Indonésia, será condecorado com a Ordem de Timor-Leste no próximo dia 30 de agosto.

Para o jornalista, a cobertura dada pela Lusa ao referendo foi "o cimentar da presença em Timor-Leste da agência".

"A Lusa acompanhava há muitos anos a situação de Timor e decidiu, desde esse momento, que ia ter uma presença permanente. A Lusa nunca mais saiu de Timor, desde 1999", disse o jornalista, acrescentando que a agência tem uma delegação no país que foi inaugurada em 2002", explicou o jornalista, por telefone, a partir de Díli.

António Sampaio, agora com 47 anos, foi um dos vários jornalistas da agência destacados para acompanhar o processo que viria a dar a independência a Timor-Leste, com o referendo de 30 de agosto de 1999, que esta semana cumpre vinte anos.

O jornalista chegara a Timor-Leste em março desse ano, meses depois da queda do ex-Presidente da Indonésia, Suharto, e semanas depois de o então chefe de Estado indonésio, o Presidente Jusuf Habibie, mostrar abertura para um referendo.

"Quando há aquele anúncio de 27 de janeiro de 1999, do Presidente Habibie, de que os timorenses poderiam fazer um referendo, isso fez acelerar as coisas", afirmou Sampaio.

Entre as várias situações vividas pelo jornalista em Timor-Leste durante o primeiro período em que lá esteve a trabalhar, destacou o 05 de maio de 1999, data em que os então chefes de diplomacia de Portugal e da Indonésia - Jaime Gama e Ali Alatas, respetivamente - assinaram um acordo sob os auspícios do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, que permitiu a realização do referendo.

"Estar em Díli no 05 de maio foi o primeiro de vários momentos importantes de poder acompanhar", explicou, acrescentando: "Depois o ano foi um corrupio de momentos de grande excitação, de grande emoção, de grande alegria, mas marcados também por momentos de grande violência, de grandes massacres".

Estes momentos, contou, "colocaram os jornalistas a serem obrigados, muitas vezes, a tentarem manter-se frios perante um conflito em que os mortos eram dados com nome e apelido".

"O conflito era um conflito que nós conhecíamos bem, que a Lusa conhecia bem, mas estar a vivê-lo aqui [em Timor-Leste], com esta proximidade, num momento de grande carga emotiva, colocou desafios adicionais ao que foi uma situação que em momentos foi muito complicada", disse o agora delegado da agência.

Para o jornalista, 1999 foi "um ano de excessos", tendo destacado a "rapidez com que tudo aconteceu".

"Passava-se de um momento de grande emoção e de grande alegria nas ruas para momentos de grande medo e de grande intensidade. Acho que isso é que caracterizou 1999, sendo que o culminar dessa onda de subida e descida de emoção é entre o dia 30 [de agosto, dia do referendo] e 04 de setembro", apontou António Sampaio.

O atual delegado da Lusa em Timor-Leste reconhece que "havia sempre uma intimidação aos jornalistas", e que estes "eram sempre rodeados, havia sempre uma ameaça latente", mas que nunca fora intimidado ou ameaçado de forma direta.

Ainda assim, a ação das forças paramilitares pró-indonésias de Timor-Leste, apoiadas e financiadas pelos militares e soldados indonésios condicionou a ação de vários jornalistas.

"No dia 05 de setembro -- seis dias depois do referendo - nós temos de sair [do Hotel Mahkota, atual Hotel Timor] há uma confusão muito grande sobre se íamos ou não ter avião (...) só tivemos voo às 19:00 e somos obrigados a embarcar em camiões militares a meio da manhã, para ir para o aeroporto de Díli. Umas horas depois soubemos que o hotel tinha sido destruído, inclusive o quarto 209, que foi a primeira redação da Lusa em Timor-Leste", declarou António Sampaio.

Agora, vinte anos depois, o jornalista refere que "mesmo que Timor tenha, mediaticamente, desaparecido do foco da atenção em Portugal, a Lusa continua a distribuir informação sobre Timor diariamente, e eu acho que isso é algo de que a agência se deve honrar".

Sobre a condecoração que vai receber do Estado timorense, António Sampaio diz sentir-se honrado.

"É um sinal de reconhecimento. Tanto tempo depois, o Estado timorense ainda estar a reconhecer pessoas que, à sua maneira, deram algum apoio a contar o que se estava a passar aqui", concluiu.

António Sampaio manteve-se como correspondente e, mais tarde, como delegado da Lusa em Timor-Leste até 2004. Viria a regressar por três vezes, de forma pontual, ao país, até 2015, quando, após passagens por Genebra e Madrid, retomou o cargo de delegado da Lusa no país, que ainda hoje ocupa.

Criada em 2009, a Ordem de Timor-Leste pretende "com prestígio e dignidade, demonstrar o reconhecimento de Timor-Leste por aqueles, nacionais e estrangeiros, que na sua atividade profissional, social ou mesmo num ato espontâneo de heroicidade ou altruísmo, tenham contribuído significativamente em benefício de Timor-Leste, dos timorenses ou da humanidade".

As condecorações vão ser entregues nas cerimónias oficiais dos 20 anos do referendo no recinto de Tasi Tolo, a leste de Díli, local onde a 20 de maio 2002 foi formalmente restaurada a independência de Timor-Leste.

JYO // JPF

Na foto: António Sampaio / TATOLI