quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Bolívia: e os indígenas resistem ao golpe…


Dez dias (e 23 mortes) passaram-se, mas ultradireita não foi capaz de silenciá-los. Exilado, o vice-presidente descreve a caça às cholas, a ação das milícias, a traição dos generais. E a covardia da classe média, tropa de choque do racismo colonial

Álvaro García Linera | Outras Palavras | Tradução: Simone Paz

Feito densa neblina noturna, o ódio percorre ferozmente os tradicionais bairros de classe média urbana da Bolívia. Seus olhos transbordam de ira. Não gritam, cospem; não reclamam, impõem. Seus clamores não são pela esperança nem pela irmandade, são de desprezo e de discriminação contra os índios. Montam suas motos, sobem em suas caminhonetes, agrupam-se em suas confrarias e faculdades privadas e saem à caça dos índios atrevidos que tiveram a coragem de arrebatar-lhes o poder.

Na cidade de Santa Cruz, organizam quadrilhas motorizadas em suas 4×4, com porretes nas mãos para surrar índios — os quais eles chamam de collas [pessoa de traços indígenas ou de estrato social desfavorecido] e que vivem nos bairros marginais ou nos mercados. Cantam hinos sobre matar collas e, se no meio do caminho aparecer alguma mulher de pollera [saia rodada que é o traje tradicional das cholas bolivianas], ela é espancada, ameaçada e coagida a abandonar aquele território. 

Em Cochabamba organizam comboios para impor sua supremacia racial na zona sul, onde habitam as classes abastadas, e hostilizam — como se fossem um destacamento da cavalaria — milhares de mulheres camponesas indefesas, que marcham pedindo paz. Em mãos, levam tacos de beisebol, correntes, granadas de gás. Alguns até exibem armas de fogo. Mulheres são suas vítimas preferidas, pegam uma prefeita de uma comunidade campesina para humilhá-la e arrastá-la pela rua: batem nela, urinam nela quando cai no chão, cortam-lhe o cabelo, ameaçam linchá-la e, quando percebem que estão sendo filmados, resolvem jogar tinta vermelha nela, simbolizando o que farão com o sangue dela.

Em La Paz, desconfiam de suas empregadas e ficam em silêncios quando elas levam a comida à mesa, no fundo, sentem medo delas, mas também as desprezam. Depois, saem às ruas para gritar, insultando Evo e, com ele, a todos os índios que ousaram construir uma democracia intercultural com igualdade. Quando são muitos, arrastam a bandeira wiphala, cospem e pisam nela, para cortá-la e queimá-la. É uma raiva visceral a que descarregam sobre esse símbolo indígena que gostariam de eliminar da face da terra, junto com todos aqueles que se reconhecem nele.

Netanyahu | Primeiro-ministro de Israel acusado de corrupção


Benjamin Netanyahu, atualmente à frente de um governo de gestão, falhou tentativa de formar novo executivo na sequência das eleições de setembro. Agora, confirma-se a acusação por fraude, suborno e quebra de confiança.

O procurador-geral de Israel, Avichai Mendelblit, anunciou esta quinta-feira que reteve as três acusações que a Polícia lhe sugeriu contra o primeiro-ministro, o conservador Benjamin Netanyahu. Fraude, suborno e quebra de confiança são os alegados crimes e podem mexer com a política israelita nas próximas semanas.

Em causa estão favores a patrões de certa imprensa, por via de leis ou outras estratégias, em troca de cobertura favorável, bem como favores políticos a um magnata de Hollywood em troca de presentes caros.

A acusação acontece em pleno impasse eleitoral em Israel, que já passou por duas eleições este ano. Netanyahu perdeu as últimas por uma unha negra para o ex-líder militar Benny Gantz. Convidado a formar governo por reunir mais consensos, Netanyahu falhou, como Gantz falharia depois. O poder está agora nas mãos do parlamento, a quem compete determinar um nome.

O processo por corrupção contra Netanyahu pode alterar significativamente os equilíbrios. É a primeira vez que um líder israelita é alvo de acusação.

Portugal | Movimento Zero é neofascista e infiltrou-se na PSP e GNR?


Na fotogaleria do Jornal de Notícias podemos ver imensas fotografias em que realmente Zero é palavra de ordem. 

Segundo afirmado na TSF e noutros órgãos de comunicação social, antes da realização da manifestação da PSP e da GNR, intervenientes-comentadores salientaram que o denominado Movimento Zero é omisso acerca dos seus responsáveis, não dão a cara, e que além disso suspeitam que façam parte de uma linha ideológica neofascista que se infiltrou na PSP e na GNR. Era então recomendado pelos comentadores naquela rádio que os agentes de autoridade a manifestarem-se não se deixassem manipular e se distanciassem do Movimento Zero. 

Pelo que o JN nos mostra a distanciação não aconteceu e as imagens na referida fotogaleria comprovam-no. Sendo assim há questões que devem ser esclarecidas, quem são os dirigentes do Movimento Zero? Até que grau forças político-partidárias estão infiltradas nas forças de segurança? (PG)

Portugal | Manifestação PSP/GNR terminou, em 21 de Janeiro há mais


Foi anunciada como a maior manifestação de sempre dos polícias. Entre as reivindicações que motivaram o protesto, e além dos aumentos salariais, estão a atualização dos suplementos remuneratórios (que “há mais de 10 anos não são revistos”), o pagamento de um subsídio de risco e mais e melhor equipamento de proteção pessoal

Organização fala em 13 mil participantes

É hora de balanço. Enquanto os manifestantes dispersam, a organização fala em 13 mil participantes.

Há resistentes. Apesar do fim da manifestação ter sido decretado pela organização, algumas dezenas de pessoas permanecem junto à escadaria da AR.

“Cumprimos os objetivo da manifestação. Cá estaremos outra vez dia 21 de janeiro se o que pedimos não for cumprido”, adianta a organização. “Pedia a todos vocês que se lembrassem dos colegas que estão do outro lado, que estão ao serviço”, ouviu-se. E são Bento encheu-se de palmas.

“Tenho a certeza que muitos colegas que queriam estar aqui a manifestar-se, foram impedidos de participar porque tiveram aqui de montar a segurança. Parecia que estavam à espera que alguém lhes viesse bater”.

O hino, de novo

“Vamos dar por terminada esta manifestação e ouvir novamente o hino nacional”, diz a organização. Entretanto André Ventura é escoltado por membros da organização para sair do meio da confusão.

Marta Gonçalves | Hugo Tavares Silva | Expresso

Deputados timorenses defendem Autoridade Marítima antes da compra de meios navais


Díli, 21 nov 2019 (Lusa) - Uma comissão parlamentar timorense considera de "difícil implementação" a proposta aquisição de seis navios de patrulha marítima, defendendo que é essencial, antes disso, ter uma "visão conjunta e integrada" e meios em terra.

A questão da compra dos navios é um dos elementos apontados pela Comissão B do parlamento - que lida com negócios estrangeiros, segurança e defesa -- no seu relatório e parecer sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020, a que a Lusa teve acesso.

Os deputados consideram que o investimento previsto para a base naval de Hera e o programa de aquisição de seis navios de patrulha, incluindo o recrutamento de 600 efetivos, parece "de muito difícil implementação, tendo em consideração que ainda há o projeto de patrulhamento conjunto com a Austrália (cooperação bilateral) e os navios da PNTL a operar com uma missão idêntica".

"Todos estes meios a operar sem uma visão conjunta e integrada conduzirão a problemas sérios de organização no terreno na gestão diária e quotidiana, manutenção, logística", considera.

Para se efetivar a compra de meios navais, os deputados defendem que seja antes criada a proposta Autoridade Marítima "que integrará todas estas forças e determinará, sob um comando, uma missão conjunta e integrada".

Comissão parlamentar timorense aponta problemas no setor das obras públicas


Díli, 21 nov 2019 (Lusa) - A comissão parlamentar de Infraestruturas timorense tece críticas a vários elementos do processo de obras públicas, num parecer sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020 em que aponta vários problemas, incluindo sobre a própria "estrutura orçamental".

O relatório de análise da proposta do OGE, preparado pela Comissão E, de Infraestruturas, e a que a Lusa teve acesso, refere a "falta de coordenação" entre o Ministério das Obras Públicas, a Agência de Desenvolvimento Nacional (ADN), os municípios e outros Ministérios, "colocando em causa a prossecução das políticas definidas".

Entre outros aspetos, a comissão manifesta "séria preocupação" com o elevado aumento de gastos nas categorias de bens e serviços e transferências públicas, algo que considera que "não está devidamente justificado".

Critica ainda a alocação incorreta de gastos nas várias categorias de despesa e, como ocorre com outros relatórios, aponta o dedo à baixa execução do OGE de 2019 -- que deverá rondar apenas os 70%.

O relatório aponta, entre outras matérias a "não observância das regras de aprovisionamento e contratação pública em alguns projetos em curso, designadamente aqueles já implementados, mas sem conhecimento oficial pelo Governo".

Moçambique | Quem fornece armas ao general Nhongo?


As armas que a Junta Militar de Mariano Nhongo está a usar são aquelas que a RENAMO sempre teve. Quem o diz é o especialista em desarmamento Albino Forquilha, que afirma: "Existem muitas armas escondidas em Moçambique".

Em entrevista à DW África, o diretor da Força Moçambicana para a Investigação de Crimes e Reinserção Social (FOMICRES), Albino Forquilha, afirmou que as armas que a Junta Militar de Mariano Nhongo está a usar não são de apoio externo, mas sim aquelas que a RENAMO sempre teve.

Albino Forquilha, que garante que "existem muitas armas escondidas" no país,  diz que isto coloca Moçambique numa situação "perigosa".

De acordo com o ex-militar, as províncias de Inhambane, no sul, Sofala, Manica, Tete e Zambézia, no centro, e Niassa, no norte, são as regiões "com indicadores bastante fortes de haver esconderijos" de armas.

Forquilha disse ainda que durante o processo de desarmamento e acantonamento dos militares, pouco depois do fim da guerra em 1992, as Nações Unidas e o Governo de Moçambique não conseguiram responder às denúncias da população de existência de armas escondidas nas suas povoações.

Moçambique | 27 organizações internacionais condenam prisão de observadores


Está em curso uma campanha internacional pela "libertação imediata e incondicional" dos 18 observadores eleitorais do partido Nova Democracia detidos desde 15 de outubro em Moçambique.

A onda de solidariedade para com os observadores eleitorais do partido Nova Democracia detidos em Moçambique alastrou-se para fora do país. 27 organizações, na sua maioria da África Austral, já subscreveram uma iniciativa pela sua "libertação imediata e incondicional". 

A OMUNGA, organização angolana, é uma das que se solidarizou com os detidos e signatária da iniciativa lançada pela Amnistia Internacional. "Estamos a falar de uma questão de arbitrariedade em relação à questão da detenção dos jovens", diz João Malavindele, responsável da ONG.

"A OMUNGA, como uma organização de defesa dos direitos humanos, é contra esse tipo de arbitrariedades que alguns Estados ainda continuam a evidenciar como prática para poder silenciar aquelas pessoas que pensam diferente", sublinha.

Angola entre os países com maior área contaminada por minas terrestres


Angola libertou, nos últimos cinco anos, 90% das áreas suspeitas de contaminação por minas, mas os progressos não retiraram o país da lista dos 10 estados mais contaminados, segundo um relatório hoje divulgado.

De acordo com o relatório anual da Campanha Internacional para a Erradicação de Minas Terrestres (ICBL, na sigla em inglês), o Landmine Monitor, Angola mantém-se entre os países classificados como tendo contaminação massiva, ou seja, com mais de 100 quilómetros quadrados de áreas com minas terrestres e outros engenhos explosivos.

Além de Angola, incluem-se neste grupo o Chade, Afeganistão, Camboja, Tailândia, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Turquia, Iraque e Iémen, todos estados signatários do Tratado para a Erradicação das Minas Terrestres, que cumpre este ano duas décadas de existência.

Há 20 anos, 164 países comprometeram-se a banir o uso, produção, comércio e armazenagem de minas antipessoal, bem como a destruir os 'stocks' destes dispositivos, limpar as áreas contaminadas num período de 10 anos e fornecer assistência às vítimas destes engenhos explosivos, na sua maioria civis.

Angola | Novo líder da UNITA sinaliza rutura com o passado


Adalberto Costa Júnior, que sucedeu a Isaías Samakuva na liderança da UNITA, já começou a formar a sua máquina partidária, e trouxe mudanças. O principal partido da oposição em Angola enfrenta vários desafios.

Como braço-direito, Adalberto Costa Júnior escolheu uma mulher para 1.ª vice-presidente do partido, Arlete Liona Chimbinda. Ao contrário do que vinha sendo prática há 53 anos, desde a fundação da formação da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o novo líder introduziu duas vices-presidências, um secretário-geral e dois secretários-gerais adjuntos.

À exceção do presidente do grupo parlamentar, Liberty Chiyaka, até há pouco tempo dirigente do partido na província do Huambo, os restantes membros do núcleo duro da UNITA são ilustres desconhecidos da generalidade dos angolanos e até mesmo de parte significativa da imprensa e dos analistas políticos.

Segundo uma nota do partido citada pela imprensa, Simão Dembo foi nomeado para o cargo de 2.º vice-presidente, Álvaro Daniel foi escolhido como secretário-geral, Mwata Virgilio Samussongo como secretário-geral adjunto e Lázaro Kakunha como secretário-geral adjunto para as autarquias.

"É uma equipa inesperada", comenta o analista e advogado Domingos Chipilika.

Angola | Não desistamos de nós


Caetano Júnior | Jornal de Angola | opinião

Os anos de 1980/90 talvez tenham sido, no pós-colonilização, os mais difíceis para os angolanos e estrangeiros que cedo escolheram o país para viver.

A Independência estava ainda longe da consolidação e o contexto era de absoluta carência de quadros, de experiência nos diferentes sectores e de conhecimento técnico, científico e geral. A “máquina colonizadora” perdera utilidade, pelo menos no então Ultramar, e a sua inoperância forçara a retirada, para a Metrópole, de quem tinha por missão mantê-la em funcionamento.

Assim, o País que acabava de sair à luz apanhou os seus filhos desprevenidos, embora a Luta de Libertação constituísse um processo necessário, irreversível e calculado e a Independência uma conquista que chegaria, mais cedo ou mais tarde, pouco importassem os encargos. Aliás, a destruição, pela vontade popular, de residências, instituições e estabelecimentos de comércio ilustra bem o despreparo de herdeiros da terra, ao tempo, para o trabalho de reconstrução que se estendia pela frente.

Mas dificilmente seria de outra forma. A potência colonizadora tratou, ao longo dos anos de ocupação, não apenas de infligir castigos corporais e psicológicos aos “nativos”, como também cuidou de os distanciar de quaisquer que fossem os instrumentos que lhes permitissem cultivar o conhecimento. Procurou e conseguiu mantê-los sob as trevas, ignorantes, desconhecedores de tudo o que lhes pudesse ser útil no porvir. Aliás, um povo já pouco instruído e cuja principal preocupação fosse atender as necessidades vitais diárias dificilmente pensaria em obter, por exemplo, um livro ou buscar conhecimento formador.

Milton Santos: Como superar o apartheid à brasileira


Para o Dia da Consciência Negra, memória de uma provocação do geógrafo. Para ele, racismo em nosso país tem indecente peculiaridade: aqui, os carrascos é que são os ressentidos. Escolas podem ser contraponto — por isso, são tão temidas…

Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira. As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Brasil | O racismo mata, mutila, machuca


Nesta terça-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, o deputado federal Coronel Tadeu (PSL), da base do governo Bolsonaro, destruiu charge do artista Latuff que denunciava a violência policial contra os negros em exposição na Câmara dos Deputados. Em 2018, dois trogloditas candidatos que depois viraram deputados, também apoiadores de primeira hora de Bolsonaro, destruíram placa em homanagem a Marielle, vereadora negra brutalmente assassinada.

Os dois fatos (bem como a morte de Marielle) estão diretamente relacionados e são sintomáticos do tempo que vivemos. O Brasil está mergulhado numa perigosa onda de ódio, ignorância e preconceito que procura criminalizar e intimidar todos que denunciam e resistem a tudo aquilo que temos de pior, como se o erro estivesse não nos problemas estruturais do país, mas naqueles que se rebelam contra eles e suas causas. Dentre estes problemas estão o racismo e a desigualdade, que seguem sendo ignorados ou minimizados por parcela considerável da população.

"Imagem da Guiné-Bissau no mundo depende de quem ganhar as eleições"


Alguns candidatos presidenciais tecem críticas à CEDEAO. Mas numa coisa todos concordam: é preciso melhorar a imagem externa da Guiné-Bissau. Analista diz que próximo Presidente será crucial nessa tarefa.

Todos os doze candidatos às presidenciais na Guiné-Bissau falam na necessidade de melhorar a imagem externa do país, depois das eleições, a 24 de novembro. Mas alguns criticam a postura da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) durante a crise política guineense, bem como o reforço da força militar da organização, a ECOMIB.

Um dos candidatos mais críticos é Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15).

Em vários comícios, Sissoco Embaló tem dito que a CEDEAO e outras organizações não podem substituir a "Constituição do país". Tem criticado ainda a recusa da comunidade internacional em reconhecer a demissão do Governo de Aristides Gomes pelo Presidente José Mário Vaz e mostrou-se contra a mediação da CEDEAO e, em particular, do Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé.

Guiné-Bissau | De onde vem o dinheiro da campanha eleitoral?


Na Guiné-Bissau, há suspeitas de que o dinheiro proveniente do crime organizado esteja a ser "lavado" na campanha eleitoral. Partidos visados negam. Jurista pede leis para controlar o dinheiro utilizado na campanha.

A campanha eleitoral, que termina na próxima sexta-feira na Guiné-Bissau, é alvo de crítica por parte de vários atores da sociedade guineense, não só pelos fracos conteúdos dos discursos políticos, mas também pela ostentação de meios, nomeadamente viaturas de alta cilindrada "zero quilómetros", na caça ao voto.

A logística eleitoral de "luxo" exibida pelos candidatos contrasta com a realidade da condição de vida dos eleitores, num país onde a maioria da população enfrenta graves problemas, sobretudo os que estão no interior do país. É fácil descobrir a diferença de meios entre partidos que já passaram ou ainda estão no poder com os que nunca estiveram na liderança na Guiné-Bissau.

"PAIGC com carros de luxo”

O antigo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior ("Cadogo"), candidato presidencial independente, é uma das vozes contestatárias.

"O PAIGC [Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau, no poder] hoje está na disposição de carros de luxo, enquanto os funcionários não são pagos e os combatentes da liberdade da pátria estão doentes, sem meios para se tratarem", referiu Cadogo, que, em 2012, enquanto candidato e líder do PAIGC também foi alvo da mesma crítica dos opositores.

O que mais tem merecido debate são as origens dos fundos e meios da campanha, que nenhum dos doze candidatos foi ainda capaz de explicar, nas diferentes ocasiões em que foram questionados sobre a matéria.

Golpe de Estado na Guiné-Bissau "passou à reforma", diz Chefe das Forças Armadas


Biaguê Na Ntan, exortou, este sábado (16.11), o Governo a confiar nos soldados do país e assegurou que os militares estão hoje submetidos à Constituição, pelo que nunca mais irão realizar golpes de Estado.

Falando nas cerimónias evocativas do dia das Forças Armadas guineenses, que se assinala este sábado (16.11), o general Biaguê Na Ntan defendeu, perante elementos do Governo e do corpo diplomático, que o golpe de Estado "passou à reforma" na Guiné-Bissau.

"Vamos respeitar a Constituição da República, submetermo-nos ao poder político. Posso-vos garantir, tranquilizem o povo da Guiné-Bissau: A partir de hoje nenhum militar vai sair à rua para fazer golpe de Estado", disse o general Na Ntan.

As últimas semanas no país, que terá eleições presidenciais a 24 de novembro, foram marcadas por tensões políticas, com o Presidente em funções a ter nomeado um novo governo, contra a vontade do executivo em funções e da comunidade internacional. Governo este que, entretanto, se demitiu.

Nessa disputa, as forças militares guineenses mantiveram-se neutrais e não forçaram a imposição do novo governo, apesar de nomeado pelo líder supremo das Forças Armadas.

O responsável militar guineense salientou que as suas palavras também se dirigem à comunidade internacional, nomeadamente aos elementos das Nações Unidas e da força de manutenção de paz da África Ocidental (Ecomib), estacionada na Guiné-Bissau desde 2012, na sequência de um golpe de militar.

"As Forças Armadas da Guiné-Bissau não se vão envolver na política e nem estão interessadas em fazer golpe", sublinhou o general.

Portugal | Se for cardíaco, tente não falecer


Pedro Ivo Carvalho | Jornal de Notícias | opinião

Não há um português sério que não esteja comprometido com o Governo, o de turno ou outro qualquer, no objetivo de melhorar os serviços públicos de saúde.

Mitigar as falhas na resposta do Estado a uma cada vez mais exigente e envelhecida população constitui porventura o maior desafio da ação política e legislativa contemporânea, não só porque todos os dias descobrimos um novo fundo sombrio do problema, mas porque se trata de uma área de vida ou de morte que envolve sofrimento.

Acresce que é na saúde que mais facilmente se desvirtua o princípio de que somos todos iguais aos olhos da Constituição, mas uns acabam por ser mais iguais do que outros. No caso, os que têm seguro de saúde ou ADSE. Não é aceitável que um doente cardíaco da Guarda tenha de esperar cinco anos por uma primeira consulta.

José Mário Branco | Ele veio de longe e vai para longe,sempre inquieto


Aqui está o Curto do Expresso Bilderberg. Hoje é Vítor Matos que o “deita” cá para fora. José Mário Branco é a “vedeta fúnebre”. Uf! Exclamarão de si para si e para amigos de confiança dos seus grupos. “Que alívio”. Este já feneceu e passou para o “outro lado”, já aqui não está para desinquietar a sociedade alienada que o neoliberalismo tem formado e atualmente continua a formar com muito mais força.

Por outro lado, publicamente, dizem e escrevem a lamentar a morte do maldito comunista, do maldito revolucionário. A hipocrisia está-lhes no sangue. São os chicos-espertos que por aí abundam. São imensos dessa estirpe que vão para os governos, para deputados, que abundam na política da esquerda à direita. Tudo para se “safarem” na vida. “Maduros” que se vendem por troca de uma vida melhor, muito melhor e de poderes esconsos que quase sempre lhes dá o benefício de praticarem trafulhices e crimes que quase sempre são contemplados pela impunidade. 

Os “lamentos” e os “elogios” desses acerca de José Mário Branco, cheiram a tanta falsidade que o ar desde ontem está empestado, mal cheiroso. Sim, porque a hipocrisia e o “fazer de conta” também emana odores… desagradáveis. Evidentemente.

Faleceu um grande homem? Não. Pessoas como José Mário Branco nunca morrem. Hão-de viver sempre na memória e nas sociedades dos que os conhecem e dos que os conhecerão pela história, pelo que eles significam nas vidas terrenas e significam nas suas vidas eternas. Em cultura, em justiças, no combate pela liberdade e democracia defacto e não aquela com que nos pretendem iludir hoje, agora e sempre, até os povos consentirem.

Ele veio de longe e vai para longe mas deixa-nos um enorme legado, assente na luta quotidiana de justiça e liberdade. Por isso ele viveu e vive nos que sentem a mesma inquietação que não é só dele mas de todos nós.

Expresso Curto a seguir. Sem recomendações, nem reparos. Leia tudo. Só isto, simplesmente.

Bom dia, se conseguirem.

MM | PG

"Inquietação". Portugal a uma só voz no 'adeus' a José Mário Branco


Políticos, cantores e artistas juntam-se no reconhecimento e homenagem ao incontornável músico português que morreu na terça-feira, aos 77 anos. As cerimónias fúnebres de José Mário Branco começam esta quarta-feira, a partir das 17h00, no salão nobre da Voz do Operário, em Lisboa, sendo o funeral na quinta-feira à tarde.

José Mário Branco morreu esta terça-feira aos 77 anos mas a sua arte ficará para sempre. Esta é a mensagem que políticos, partidos, cantores, autores e artistas quiseram deixar no dia em que um dos mais importantes cantautores da música portuguesa partiu, fazendo referência à resistência e à convicção que sempre demonstrou.

Marcelo Rebelo de Sousa reagiu, ainda na manhã de ontem, na antena da RTP, à morte de José Mário Branco. "Consternação, reconhecimento e gratidão" foram as palavras que o Presidente da República usou para se referir ao autor, acrescentando que tentou que este fosse condecorado em vida, "mas ele, com a sua independência, sempre recusou". Agora, é algo que dependerá da vontade "da família", fez sobressair o Chefe de Estado.

Por sua vez, o primeiro-ministro António Costa lembrou o cantautor, recordando o "grande militante político" que traduziu na música essa militância e expressão. Já no Twitter, o líder do Governo tinha escrito: "Não esqueceremos a sua música, a sua inquietação."

Já Eduardo Ferro Rodrigues manifestou-se consternado com a notícia da morte de José Mário Branco, considerando que foi um "antifascista", um dos maiores nomes da canção portuguesa e uma "figura ímpar da música de intervenção". O presidente da Assembleia da República considerou que, para memória futura, ficarão "álbuns incontornáveis da música portuguesa". 

ministra da Cultura foi outra das personalidades que recordou o cantautor no dia da sua morte. Numa mensagem publicada na conta oficial do Ministério, na rede social Twitter, Graça Fonseca considerou que José Mário Branco é um "nome maior da música portuguesa" e uma "voz de luta e de intervenção".

Também os partidos políticos mais à Esquerda foram unânimes no reconhecimento ao músico. O Bloco de Esquerda, do qual José Mário Branco foi dirigente, prestou homenagem destacando o "artista, cantor e compositor" e também "um lutador político antifascista e combatente contra as opressões e as desigualdades". 

Francisco Louçã foi uma das figuras ligadas ao partido que elevou a sua voz na lembrança ao músico. Ressalvou, no Facebook: "não houve nem haverá muitos mais como ele e só posso lembrá-lo como um dos homens mais genuínos que tive a sorte de conhecer e de partilhar ideias e projetos".

Partido Socialista, pela voz de Ana Catarina Mendes, lamentou "profundamente a morte de José Mário Branco pelo enorme vazio que deixa na cultura portuguesa, pela luta que travou na resistência antifascista, pela convicção num mundo solidário e justo, pelo legado que deixa às novas gerações". A líder parlamentar do PS disse ainda que o autor é "um símbolo da resistência antifascista" e um "exemplo para a geração de Abril". 

Jerónimo de Sousa referiu-se a José Mário Branco como o músico que "transformou a canção numa arma" depois de 25 de Abril. O secretário-geral do PCP manifestou ainda as suas "condolências à família" e salientou que a morte do músico é "uma perda para a cultura" e para o país.

Partido LIVRE lamentou a morte do músico, afirmando que para artistas da sua dimensão "a morte nunca existirá" e que "resistir é vencer". "Para figuras da dimensão de José Mário Branco, a morte nunca existirá", sublinhou em comunicado.

Quanto aos dirigentes do Partido Ecologista Os Verdes, manifestaram "profundo pesar" pela morte do músico José Mário Branco, falecido aos 77 anos, dizendo que "o mundo da cultura fica mais pobre".

Também a  CGTP não ficou de fora e lembrou que o autor "participou solidariamente em muitas das ações e iniciativas promovidas" pela central sindical.  Foi "com profundo pesar” que recebeu a notícia sobre o “falecimento de uma das figuras maiores da nossa cultura".
Artes choram partida de José Mário Branco. 

"Tenho uma dor muito profunda, de repente esta morte súbita. Sempre fomos extremamente leais. Nunca houve um desentendimento. [...] As nossas vidas tocaram-se muito e tocaram-se em muitas aventuras criativas e pessoais". Sérgio Godinho, em afirmações emotivas à agência Lusa, recordou aquele que foi um dos seus "irmãos de armas".

Já o fadista Camané, que tinha José Mário Branco como produtor, falou num "grande compositor e músico fantástico", lembrando "um dos melhores compositores e melhores artistas e intérpretes da música portuguesa".

O contrabaixista Carlos Bica, defendeu que José Mário Branco "foi e continua a ser um dos melhores compositores portugueses de todos os tempos", referindo que guardará "para sempre", na memória e no coração, "a pessoa excecional que ele foi".


Entre as muitas homenagens e testemunhos deixados por figuras e instituições públicas nas redes sociais contam-se ainda os do escritor Francisco José Viegas, do argumentista Filipe Homem Fonseca, do jornalista Carlos Vaz Marques, do psiquiatra Júlio Machado Vaz, do festival Iminente, do Museu do Fado, da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLAB), do fotojornalista João Pina, do artista Alexandre Farto (Vhils), do ator Nuno Lopes e dos humoristas Nuno Markl e Bruno Nogueira. 

José Mário Branco é um dos mais importantes autores da música portuguesa e deixa um legado de 50 anos de música de inquietação, interventiva e militante. 

Nascido a 25 de maio de 1942, no Porto, José Mário Branco foi um renovador da música portuguesa, em particular a partir dos anos imediatamente anteriores à Revolução de Abril de 1974, e cujo trabalho se estendeu também ao cinema, ao teatro e à ação cultural.

Exilou-se em França, em 1963, depois de perseguido pela PIDE, a polícia política da ditadura, militante comunista que se opôs ao regime ditatorial de Salazar e a uma participação na guerra colonial, e só regressou a Portugal depois da Revolução de Abril.

As cerimónias fúnebres do músico começam hoje, decorrendo no salão nobre da Voz do Operário das 17h00 às 22h30 e amanhã a partir das 11h00. O funeral parte para o cemitério do Alto de São João pelas 17h30 de amanhã.

Notícias ao Minuto com Lusa | Imagem: Lusa

Portugal | Camelo em pista de gelo


Paulo Baldaia* | Jornal de Notícias | opinião

Segunda-feira, dia 18 de novembro de 2019, duas da tarde. Escrevo este texto numa esplanada de Carcavelos. Está sol, a sensação térmica supera os 20 graus, há turistas no areal a bronzear-se.

É o novo normal, as pessoas estranham é quando chove no outono. Leio nos jornais que dois terços do país estão em seca severa ou extrema e que existem aldeias onde a água só chega em camiões-cisterna. O deserto aproxima-se a passos largos e o clima em Portugal assemelha-se cada vez mais ao do Norte de África.

Repito informação de uma realidade que todos bem conhecemos para tentar perceber o que leva um governante a anunciar orgulhosamente que os impostos dos portugueses vão ajudar a pagar a construção de um pavilhão do gelo em Lisboa. Puseram o país a olhar (imaginar) como boi para esse palácio. Não é uma pista de gelo, como aquela que existe em Viseu, paga e explorada por privados, ou aquela que a própria Federação de Desportos de Inverno quer montar na Covilhã, orçamentada em 400 mil euros. É um pavilhão para a prática de desportos de inverno, para custar milhões de euros. É este o novo desígnio para o país, construir uma infraestrutura que permita aos turistas fazer patinagem no gelo ou "curling", depois de uma volta de camelo nas portas do deserto ao sul do Tejo. Com um bocadinho de imaginação, ainda conseguem fazer um circo no gelo e o camelo faz umas horas extras de patinagem, para gáudio dos turistas.

Atenas acusa União Europeia de ver Grécia como “parque de estacionamento” de migrantes


O chefe do Governo conservador lamentou que Bruxelas “ignore o problema” do recrudescimento das chegadas de migrantes à Grécia.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, acusou a União Europeia de considerar a Grécia e outros países da Europa como “parques de estacionamento convenientes para refugiados e migrantes”, garantindo que não vai continuar a aceitar a situação.

Numa entrevista publicada esta terça-feira no jornal alemão Handelsblatt, o chefe do Governo conservador lamentou que Bruxelas “ignore o problema” do recrudescimento das chegadas de migrantes à Grécia. Mais de 1350 pessoas chegaram às ilhas gregas do mar Egeu entre sexta-feira e segunda-feira, de acordo com a Guarda Costeira grega. “Isto não pode continuar assim”, lamentou Kyriakos Mitsotakis, eleito em 7 de Julho passado.

“A Europa considera países de entrada, como a Grécia, como parques de estacionamento convenientes para refugiados e migrantes. É isto a solidariedade europeia? Não! Não aceito mais esta situação”, sublinhou o primeiro-ministro grego.

Catalunha | Amnistia Internacional questiona condenação de líderes independentistas


A Amnistia Internacional questionou hoje as sentenças de prisão impostas a políticos e dirigentes de associações cívicas independentistas catalãs, considerando que o crime de sedição é "vago" e permite uma interpretação "excessivamente ampla e perigosa".

A organização internacional defensora dos direitos humanos apresentou hoje as suas conclusões sobre o julgamento dos dirigentes principais responsáveis pela tentativa de independência de 2017 da Catalunha.

"Embora os líderes políticos catalães possam ter cometido um crime, que poderia ser legitimamente julgado em função dos cargos que ocupavam, a sua condenação por sedição - um crime definido com excessiva imprecisão - viola o princípio da legalidade internacional dos direitos humanos", afirma a Amnistia Internacional no documento, a propósito das condenações dos antigos membros do Governo catalão e da ex-presidente do parlamento regional, Carme Forcadell.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A luta de classes ferve na América Latina


O imperialismo norte-americano acentuou uma acção global contra regimes que tinham garantido importantes conquistas na América do Sul, mas os povos de vários países levantaram-se e não desistem de mudanças.

António Abreu | AbrilAbril | opinião

Em poucas semanas, o imperialismo norte-americano acentuou uma acção global contra regimes que tinham garantido, com os seus povos, importantes conquistas na América do Sul. Essa acção, presente há muito neste continente, foi também uma reacção a progressos e afirmações políticas das forças de esquerda neste período. Mas os povos de vários países, com regimes de direita e ligados a oligarcas, a grupos de indústria extractiva, com bandoleiros contratados para o crime político, levantaram-se e não desistem de mudanças que melhorem as suas condições de vida, a democracia e a participação efectiva nela dos cidadãos, que resistem aos desastres ambientais que multinacionais promovem.

Na Bolívia, as imagens que nos chegam são de grande violência de grupos de direita contra as pessoas que protestam contra o golpe e querem o regresso de Morales e das liberdades. A 6 de Novembro a presidente da câmara de Vinto foi assaltada, cortaram-lhe o cabelo, agrediram-na e simularam o seu estrangulamento, derramaram sobre ela tinta1. E tudo isto, invocando Deus e Jesus Cristo!… Estas milícias estão ligados a movimentos pentecostais reaccionários armados.

A 11 de Novembro, já depois de Evo Morales ter renunciado, queimaram as casas do presidente e de seus familiares, bem como as de dirigentes dos partidos que os apoiam e de ministros.

Evo acabou por sair do país e pedir asilo ao México. Fê-lo em declaração que a nossa imprensa, rádios e TV ignoraram no seu significado. É que, depois de ser pressionado pelo chefe da polícia e das forças armadas para resignar, Evo fê-lo para evitar um banho de sangue contra os populares e que o atingiria necessariamente a ele e família.

É preciso chamar a isto golpe de estado, denunciar os seus autores e quem está por detrás deles (latifundiários, banqueiros, grandes meios de comunicação social, capital estrangeiro norte-americano e europeu).

Seis projectos contraditórios de ordem mundial


Thierry Meyssan*

As seis principais potências mundiais abordam a reorganização das relações internacionais em função das suas experiências e dos seus sonhos. Prudentemente, pensam primeiro defender os seus interesses antes de promover a sua visão do mundo. Thierry Meyssan descreve as respectivas posições antes que a luta comece.

A retirada dos EUA da Síria, mesmo que tenha sido imediatamente corrigida, indica, com certeza, que Washington não pretende ser mais o gendarme do mundo, o «Império necessário». Sem esperar, desestabilizou todas as regras das relações internacionais. Entramos, assim, num período de transição no decurso do qual cada grande potência persegue uma nova agenda. Eis aqui as principais.

Os três «grandes»

Os Estados Unidos da América

O colapso da União Soviética poderia ter provocado o colapso dos EUA na medida em que os dois Impérios estavam encostados um ao outro. Nada disso se passou. O Presidente George Bush Sr. garantiu com a Operação «Tempestade no Deserto» que Washington se tornasse o líder incontestado de todas as nações, depois desmobilizou 1 milhão de soldados e anunciou a busca da prosperidade.

As empresas transnacionais selaram então um pacto com Deng Xiaoping para que os seus produtos fossem fabricados por trabalhadores chineses, vinte vezes mais mal pagos do que os seus homólogos norte-americanos. Seguiu-se, por isso, um desenvolvimento considerável dos transportes internacionais de mercadorias, depois o desaparecimento progressivo de empregos e das classes médias nos EUA. O capitalismo industrial foi suplantado por um capitalismo financeiro.

No final dos anos 90, Igor Panarine, professor da Academia Diplomática Russa, analisa o colapso económico e psicológico da sociedade norte-americana. Ele emite a hipótese de desagregação desse país, baseado no modelo do que acontecera com a União Soviética, com o aparecimento de novos Estados. Para repelir o colapso, Bill Clinton saca o seu país do Direito Internacional com a agressão à Jugoslávia pela OTAN. Mostrando-se este esforço insuficiente, personalidades dos EUA imaginam adaptar o seu país ao capitalismo financeiro e organizar, pela força, o comércio internacional, a fim de que o período a seguir seja um «novo século americano». Com George Bush Jr., os Estados Unidos abandonaram a sua posição de nação líder e tentaram transformar-se num Poder unipolar absoluto. Assim, lançaram a «guerra sem fim» ou «guerra ao terrorismo» para destruir, uma a uma, todas as estruturas estatais do «Médio-Oriente Alargado». Barack Obama prosseguiu esta meta para isso associando uma infinidade de aliados.

Esta política trouxe os seus frutos, mas apenas um pequeníssimo número beneficiou dela, os «super-ricos». Os Norte-Americanos reagiram elegendo Donald Trump para a presidência do Estado Federal. Este rompe com a herança dos seus predecessores e, tal como Mikhaïl Gorbatchev na URSS, tenta salvar os EUA afastando-o dos seus compromissos mais onerosos. Ele relançou a sua economia encorajando as indústrias nacionais contra as que haviam deslocalizado os seus postos de trabalho. Subvencionou a extracção de petróleo de xisto e conseguiu tomar o controle do mercado mundial de hidrocarbonetos apesar do cartel formado pela OPEP e pela Rússia. Consciente de que o seu exército é, antes de mais, uma enorme burocracia, esbanjando um orçamento colossal para resultados insignificantes, cessou o apoio ao Daesh (E.I.) e ao PKK, negociando com a Rússia uma via para terminar com a «guerra sem fim» perdendo no processo o mínimo possível.

No período que se segue, os Estados Unidos serão prioritariamente guiados pela necessidade de economizar em todas as suas acções no exterior, indo até ao seu abandono, se necessário. O fim do imperialismo não é uma escolha, mas uma questão existencial, um reflexo de sobrevivência.

Suécia arquiva acusação de estupro contra Assange


Promotoria diz que provas contra fundador do Wikileaks, atualmente preso no Reino Unido, perderam força após quase uma década e não são suficientes para um indiciamento.

Promotores suecos decidiram nesta terça-feira (19/11) encerrar as investigações sobre acusações de estupro contra o fundador do portal Wikileaks Julian Assange, atualmente preso no Reino Unido.

O ativista de 48 anos também que luta contra uma possível extradição para os Estados Unidos, onde é acusado de publicar documentos confidenciais militares e diplomáticos através do Wikileaks,

A promotora sueca Eva-Marie Persson disse que as os depoimentos da suposta vítima eram "coerentes, extensos e detalhados" e que as provas da acusação, no processo iniciado em 2010, eram confiáveis, mas que após quase uma década, "as evidências foram enfraquecidas consideravelmente devido ao longo período de tempo que se passou desde o ocorrido".

"Após conduzir uma extensa avaliação de tudo que surgiu no curso das investigações preliminares, concluí que as provas não são fortes suficientes para formar as bases para um indiciamento", disse a promotora.

"Milícias" de extrema direita manipulam temores dos alemães


Grupos de justiceiros vêm "patrulhando" áreas de cidades alemãs que supostamente não contam com presença regular da polícia. Mas analistas apontam que os motivos dos participantes da iniciativa são mais tenebrosos.

Um grito rompe o silêncio de uma tarde de terça-feira em frente à Catedral de Berlim, no centro da cidade. "Ei, você!", grita Oliver Niedrich, um patrulheiro de uma milícia local, antes de perseguir duas mulheres que pediam esmolas. Ele acredita que elas são batedoras de carteiras, mas não fornece provas.

As mulheres fogem antes que Niedrich as apanhe. Mas a perseguição é suficiente para atrair a atenção de espectadores nervosos – e policiais que patrulham a área.

"Às vezes, encontramos pessoas que não gostam particularmente muito de nós", afirma Niedrich, depois de a polícia checar sua identificação e mandá-lo embora. "A polícia vem por nossa causa, mas nós não nos importamos – pelo menos eles vêm para a área."

Ele sabe que suas ações – incluindo a utilização de coletes vermelhos que dão um ar oficial – são tecnicamente legais, desde que não resultem na detenção de alguém ou envolvam violência.

O peculiar totalitarismo do século XXI


Resgate de Sheldon Wolin, o cientista político que descreveu a fusão entre Estado e corporações. Resultado: precariedade e insegurança constantes, para impor a tirania dos mercados; e violência, quando as multidões despertam…

Chris Hedges, em Trutthdig | Outras Palavras | Tradução: Eleutério F. S. Prado

Sheldon Wolin, o mais importante teórico contemporâneo no campo da ciência política nos Estados Unidos, morreu há pouco mais de quatro anos, aos 93. Em seus livros Democracia Incorporada: democracia administrada e o espectro do totalitarismo invertido1 e Política e visão2 – uma vasta pesquisa sobre o pensamento político ocidental que o seu ex-aluno, Cornel West, considera “magistral” –, Wolin expõe a realidade da democracia falida dos Estados Unidos, as causas por trás do declínio do império americano e a ascensão de uma nova e aterrorizante configuração política, formada pelo poder das corporações, que ele chama de “totalitarismo invertido”.

Wendy Brown, professora de ciência política na Universidade da Califórnia, em Berkeley, ex-aluna também de Wolin, disse-me num correio eletrônico: “resistindo aos monopólios do marxismo, na esquerda, e da teoria democrática, pelo liberalismo, Wolin desenvolveu uma análise distinta – distintamente americana – da atualidade política e das possibilidades da democracia radical. Ele foi especialmente presciente ao teorizar sobre o forte estatismo do que hoje chamamos de neoliberalismo; eis que revelou a existência de uma nova fusão do poder econômico com o poder político, a qual considerou que envenena a democracia em sua raiz.”

Wolin, ao longo de sua vida acadêmica, mapeou a involução da democracia e, em seu último livro, Democracia incorporada, detalhou a forma peculiar que o totalitarismo corporativo assumia nos Estados Unidos. “Não é possível apontar para qualquer instituição nacional que possa ser descrita com precisão como democrática” – escreveu ele nesse livro – “certamente não nas eleições altamente gerenciadas e saturadas de dinheiro, no Congresso infestado por lobistas, na presidência imperial, no sistema judicial e penal classista e, muito menos, na mídia.”

O totalitarismo invertido é diferente das formas clássicas de totalitarismo. Ele não encontra a sua expressão em um demagogo ou líder carismático, mas no anonimato sem rosto do Estado corporativo. Esse totalitarismo invertido mantém uma fidelidade aparente à política eleitoral, à Constituição, às liberdades civis, à liberdade de imprensa, à independência do judiciário e à iconografia das tradições e da linguagem do patriotismo americano, mas aproveita em efetivo todos os mecanismos de poder existentes para tornar o cidadão impotente.

“Ao contrário dos nazistas, que tornaram a vida incerta para os ricos e privilegiados, que proporcionaram programas sociais para a classe trabalhadora e os pobres, o totalitarismo invertido explora os pobres, reduzindo ou enfraquecendo os programas de saúde e os serviços sociais, regrando a educação para formar uma força de trabalho insegura, sempre ameaçada pela importação de trabalhadores de baixa remuneração” – escreveu Wolin. “O emprego em uma economia de alta tecnologia, volátil e globalizada, afigura-se normalmente tão precário quanto durante uma depressão à moda antiga. O resultado é que a cidadania, ou o que resta dela, é praticada sob um estado contínuo de preocupação. Hobbes tinha, pois, razão: quando os cidadãos se sentem inseguros e, ao mesmo tempo, se veem impulsionados por aspirações competitivas, eles passam a desejar a estabilidade política e não o envolvimento cívico, a proteção e não o envolvimento político.”

Portugal | ABANDONADOS E MAIS VELHOS QUE TRAPOS


Mais velhos que trapos. Parece ser assim que os idosos em Portugal são considerados. São algo que "empata", que atrasa, que adoece facilmente e gasta recursos para lhes prolongarem a vida de abandono e de indiferença a que os mais novos e a sociedade portuguesa os vota - se necessário mesmo a pais e mães. Sobrevivem sozinhos nas suas casas de há décadas. Limitados fisicamente. Abandonados.

Concluiu a GNR que desses tristes e abandonados que anteriormente também construíram o país, que com caráter obrigatório foram na juventude para uma guerra colonial, que foram perseguidos pela PIDE e vítimas da ditadura salazar-fascista, que foram explorados e oprimidos até se libertarem do regime que os oprimia e obterem a liberdade e a democracia... esses, os velhos, os empatas, atingem números de cerca de 42 mil pelo país. Certamente que são muitos mais. Sempre abandonados por tudo e todos. Também pelo Estado que tanto lhes deve. Abandonados pelos políticos vigentes, por quase todos, que enchem a boca sobre a velhice dolorosa mas que deixam perceber no intimo que o ideal era que morressem sem causar a necessidade de cuidados e despesa. As vantagens anunciadas ou em prática para os que padecem de velhice são falácias dos políticos e mal quistas pelos que hoje exibem as suas juventudes como se não viessem a envelhecer. É isso que se constata, é isso mesmo que imensos velhos sentem na pele, nas suas vidas a acabar a transbordar de tristezas.

Com humanidade e moderação o Curto aborda os velhos, a velhice. Estão convidados a explorar a abertura da peça que se segue, fruto da autoria de Jorge Araújo. Assunto tratado pela rama porque esse é imposição do natural modelo do Curto, do Expresso.

Com bengala ou sem ela vá ler. Use os óculos se convier e puder. É que há óculos que já são quase tão velhos como os velhos que atualmente precisam deles mas não os têm, ou têm mas compraram-nos há muitos anos e as dioptrias já são outras. As reformas de miséria não dão para adquirir novos óculos atualizados e os existentes não vêem para ler. Verdades que tocam aos abandonados, os velhos de um país ingrato, como tantos outros do neoliberalismo exacerbado que atualmente nos rege, em muito semelhante ao fascismo-salazarista que fomentava a iliteracia, a ignorância e analfabetismo... Era como não ver, a não ser para ser explorado, oprimido e reprimido... se contestasse.

Atualmente existe o quase obrigatório comportamento do politicamente correto contestando... para nada. Porque falar não é decreto nem resulta em cedências por parte dos governantes, dos políticos. A resposta frequente é que "não há dinheiro"... Mas já há dinheiro para os banqueiros para os corruptos, para os criminosos que compõem as elites e que escapam impunes à Justiça. Olhai Salgado e outros. Salgado é velho e feliz. Os milhares de milhões de euros debulhados a todos os portugueses (novos e velhos) são parte da sua felicidade. Nunca na vida ele fez outra coisa. Prova de que o crime compensa, para esses.

Siga para o Curto, do Expresso. Bom dia.

SC | PG

Portugal | Morreu o músico e grande revolucionário José Mário Branco*


Era um dos grandes nomes da música de intervenção portuguesa

O músico e compositor José Mario Branco morreu, esta terça-feira, aos 77 anos, avança a RTP3. José Mário Branco é autor de uma obra singular no panorama musical português, passando por géneros como a música de intervenção e o fado, entre outros.

Nascido no Porto, a 25 de maio de 1942, José Mário Monteiro Guedes Branco era filho de professores do ensino primário.

Estudou História nas Universidades de Coimbra e do Porto, mas acabou por abandonar o curso. Começou por ser ativo na Igreja Católica, mas acabou por juntar-se ao Partido Comunista Português, durante o Estado Novo, tendo sido perseguido pela PIDE, o que lavou ao seu exílio em França, em 1963. Só regressaria a Portugal já em 1974, onde funda o Grupo de Acção Cultural - Vozes na Luta.

Cantou sobre o que o inquietava a si e ao povo, foi uma das vozes mais reivindicativas do seu tempo. Entre as suas obras mais conhecidas estão os discos "Ser solidário", "Margem de Certa Maneira", "A noite", e o emblemático "FMI".

Portugal | SNS: O mais importante é...


Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião

O pagamento de despesas médicas é a maior causa de falência pessoal nos EUA. Mais que o desemprego ou um imprevisto, é o pagamento dos cuidados de saúde que atira as pessoas para a miséria, depois de terem vendido ou penhorado todos os seus bens.

São 530 mil pessoas por ano nesta situação, sendo que a maioria tem seguro privado de saúde. É o caso de Susanne LeClair, da Florida, que contou ao jornal inglês "The Guardian" como, depois da primeira cirurgia para o cancro comparticipada pelo seguro, começou a receber as faturas de todos os tratamentos não comparticipados, que somam agora 52 mil dólares. Um em cada seis americanos tem dívidas médicas que, no total, somam 81 mil milhões de dólares. A situação é mais dramática para um em cada 12 que não tem acesso a um seguro.

Os EUA são só um exemplo entre vários países que rejeitaram a ideia de um serviço público e universal de saúde, deixando que os cuidados médicos se tornassem num negócio que apenas cuida de quem tem recursos financeiros e que leva milhares de pessoas à falência ou mesmo à ausência de tratamento.

Depois de 1974 Portugal fez outra escolha. Durante décadas os impostos de todos foram canalizados para financiar um Serviço Nacional de Saúde que, com maior ou menor facilidade, atende a todos. A ninguém em Portugal é recusado o acesso a cuidados médicos, seja rico ou pobre. E essa garantia é uma coisa preciosa, que nos pertence e nos une enquanto povo.