sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Oposição moçambicana pede demissão do Presidente Filipe Nyusi


O pedido surge depois de o Presidente ser citado no julgamento sobre dívidas ocultas em Nova Iorque. Nyusi foi mencionado como tendo recebido um milhão de dólares da Privinvest para financiar campanha eleitoral de 2014.

Os dois maiores partidos da oposição moçambicana pediram, nesta quinta-feira (21.11), a demissão do Presidente da República, Filipe Nyusi, depois ter sido citado no julgamento sobre as dívidas ocultas, nos Estados Unidos da América.

O libanês Jean Boustnai, negociador da Privinvest e considerado o pivot do escândalo das dívidas ocultas, disse na quarta-feira em tribunal que Nyusi recebeu um milhão de dólares da empresa para financiar a campanha eleitoral de 2014.

Face a estas declarações, o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), José Manteigas, entende que o Presidente se deve demitir, porque não está em condições morais para dirigir o país.

Em entrevista à DW África, o político diz ainda que Nyusi "não está em condições morais para fazer um discurso anticorrupção [e] para apelar ao cumprimento da lei e da Constituição. Portanto, a primeira posição que devia ter é demitir-se, pôr o cargo à disposição e explicar aos moçambicanos se é inocente ou se, de facto, recebeu esse dinheiro".

Moçambique | Zambézia: Polícia anuncia detenção de homens da "Junta Militar"


Polícia moçambicana deteve seis alegados guerrilheiros da autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO, que estariam a preparar ataque na província da Zambézia. Corporação assegura estar preparada para proteger cidadãos.

A polícia garante estar a postos para combater os homens armados que têm realizado ataques no centro de Moçambique. Desde agosto, 10 pessoas morreram nos ataques e o Presidente Filipe Nyusi prometeu, na semana passada, que o Estado iria perseguir os responsáveis.

Timóteo Bernardo, vice-comandante geral da Polícia da República de Moçambique, assegurou esta quinta-feira (21.11) numa conferência de imprensa em Quelimane que a corporação já pôs mãos à obra.

"A partir do nosso comandante-em-chefe, o Presidente da República, recebemos um comando para agirmos no sentido de assegurarmos a pacificação do país", sublinhou.

Angola | Tchizé dos Santos afastada do comité central do MPLA


Bureau Político do partido no poder em Angola aprovou ainda a suspensão da filha do ex-Presidente da condição de militante por dois anos. Tchizé dos Santos já tinha sido afastada, em outubro, do cargo de deputada.

O Bureau Político do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) aprovou, esta quinta-feira (21.11), o afastamento de Welwitschia dos Santos, também conhecida por Tchizé dos Santos, de membro do comité central do partido no poder em Angola e a suspensão por dois anos da condição de militante.

As sanções propostas pela comissão de disciplina e auditoria foram aprovadas naquela que foi a quarta reunião ordinária do Bureau Político do MPLA, orientada pelo líder do partido, João Lourenço.

O órgão de decisão do MPLA justifica a decisão tomada com o facto de a filha do ex-líder do MPLA e antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ter violado os princípios básicos dos estatutos e código de ética partidária.

Em junho deste ano, ocomité central do MPLA suspendeu a também deputada e aprovou a instauração de um processo disciplinar "por conduta que atenta contra as regras de disciplina do partido". 

Em outubro passado,a Assembleia Nacional de Angola aprovou a suspensão do mandato de deputada de Welwitschia dos Santos, por alegada ausência injustificada há vários meses do parlamento.

Deutsche Welle | Agência Lusa

Ex-chefe da secreta militar angolana condenado à prisão, mas defesa recorre


Antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar, general "Zé Maria", foi condenado a três anos de prisão efetiva por extravio de documentos. Mas execução da pena foi suspensa devido a recurso da defesa.

O Supremo Tribunal Militar deu como provado que o general António José Maria, um dos homens fortes durante a governação do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, extraviou documentos que continham informações de caráter militar e condenou-o a três anos de prisão efetiva.

O general foi absolvido do crime de insubordinação, de que também estava acusado. Mas o juiz António dos Santos Neto aceitou um recurso interposto pela defesa, e a execução da pena de prisão foi suspensa.

"A decisão que este tribunal proferiu está suspensa até à decisão do plenário", explicou o magistrado à imprensa. "Pode ser que a gente tenha falhado e o plenário vai rever."

Documentos sobre batalha célebre

Em causa está o extravio de documentos sobre a batalha do Cuito Cuanavale, que o Estado angolano terá adquirido por mais de dois milhões de dólares.

Segundo a sentença do tribunal, ficou provado que o general "Zé Maria" se aproveitou "do acesso que ainda tinha às instalações do SISM [Serviço de Inteligência e Segurança Militar] para retirar os documentos", recusando-se a devolvê-los e desrespeitando assim uma ordem do Presidente da República, João Lourenço.

Os documentos só foram recuperados mediante um mandado de busca e apreensão.

Guiné-Bissau | "Tudo pode acontecer" nas presidenciais de domingo


Guineenses vão a votos no domingo, 24 de novembro. Analista considera que não há vencedores à partida, tudo está em aberto. E alerta para possibilidade de alguns derrotados não reconhecerem os resultados.

Durante os 21 dias de campanha eleitoral, os 12 homens que ambicionam a Presidência da República guineense fizeram muitas promessas, trocaram acusações e até houve ataques pessoais. Dois grandes temas que marcaram a campanha foi a possibilidade de revisão da Constituição, para aumentar os poderes do Presidente, e a mediação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na crise política guineense.

Alguns candidatos classificam a intervenção da organização como "ingerência" nos assuntos internos do país, outros encaram isso como algo normal, tendo em conta que a Guiné-Bissau é membro da CEDEAO.

Apesar das divergências, a campanha foi pacífica. Não houve qualquer incidente de destaque. Um estudante universitário ouvido pela DW África nas ruas de Bissau espera que o clima continue assim nos próximos dias: "Espero que sejam eleições que corram de uma forma ordeira e que vença o candidato que possa, efetivamente, ajudar o país a sair deste marasmo".

"Devemos ajudar para que as eleições possam correr bem", acrescenta uma vendedeira. "Que cada um vá com a sua consciência e vote tranquilamente. É isso que espero que acontença nessas eleições", afirma outro cidadão.

Guineenses em Portugal confiantes nas mudanças que eleições trarão ao país


Guineenses em Portugal querem paz e concórdia entre políticos e dirigentes para poderem regressar ao seu país. Analista diz também que "impasse político poderá chegar ao fim" com esta votação.

Muitos guineenses juntam-se na baixa de Lisboa, principalmente no Rossio. Falam dos problemas da vida como imigrantes, tratam de negócios e não se esquecem de trocar conversa sobre o que vai acontecendo na Guiné-Bissau, onde tem lugar, este domingo (24/11), um novo ato eleitoral, desta vez para a escolha do novo Presidente da República. 

Mamadou Djaló, há cerca de 20 anos de Portugal, garante, em declarações à DW África, que não vai faltar à votação. Diz que vai votar na mudança, porque quer o bem-estar do seu país. E afirma que já é hora de pôr um fim nos conflitos e na instabilidade. "Já há muitos anos na mesma lengalenga; é só guerras, guerras, só conflitos e nada mais", constata.

Ver para crer

Djaló, tal como o amigo ao lado, era comerciante na Guiné-Bissau, país que abandonou devido à instabilidade. "Como as coisas estavam a correr mal, fugi e vim para aqui trabalhar. Tirei curso de segurança, fui buscar os meus netos para estudar. Lá não há escolas. É isso que me trouxe cá", conta este guineense, que prevê o regresso ao seu país quando as coisas melhorarem.

"Tenho esperança que desta vez a Guiné-Bissau vai mudar. [Há que] aprender com Cabo Verde e com outros [países] que estão a trabalhar bem com democracia pura", afirma.

Mais acima do Largo de São Domingos, ao lado do Palácio da Independência, duas vendedeiras, que comercializam na rua alguns dos produtos tradicionais vindos da Guiné-Bissau, recusam-se a falar para a nossa reportagem. Não por medo. Preferem o silêncio, por experiências do passado, como sinal de quem quer ver primeiro para crer.

Em frente ao Teatro D. Maria II, perto da hora de almoço, estava reunido outro grupo de guineenses. Braima Djaló, há 34 anos em Portugal, não está recenseado, pelo que não vai votar. À DW explica: "Para falar verdade, não me recenseei. Não tinha tempo para ir recensear, estava doente. E agora, sem estar recenseado, não posso ir votar".

No entanto, aspira o melhor para a Guiné-Bissau nestas eleições presidenciais. "Todos estamos confiantes que os políticos se entendam para o bem do país e para o bem do povo", garante o guineense, que acrescenta: "Nós que estamos fora, no estrangeiro, não queremos ouvir complicações na Guiné. Queremos paz e estabilidade, porque muitos imigrantes estão aqui a sofrer".

O fascismo é a verdadeira face do capitalismo


Bertolt Brecht [*]

A verdade deve ser dita tendo em vista os resultados que produzirá na esfera da ação. Como exemplo de uma verdade da qual nenhum resultado, ou o errado, se segue, podemos citar a visão generalizada de que prevalecem más condições em vários países como resultado da barbárie. Nessa visão, o fascismo é uma onda de barbárie que desceu sobre alguns países com a força elementar de um fenómeno natural.

De acordo com essa visão, o fascismo é um terceiro poder novo ao lado (e acima) do capitalismo e do socialismo; não apenas o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam sobrevivido sem a intervenção do fascismo. E assim por diante. Esta é, obviamente, uma reivindicação fascista; aderir a isso é uma capitulação ao fascismo.

O fascismo é uma fase histórica do capitalismo; neste sentido, é algo novo e ao mesmo tempo antigo. Nos países fascistas, o capitalismo continua a existir, mas apenas na forma de fascismo; e o fascismo apenas pode ser combatido como capitalismo, como a forma de capitalismo mais nua, sem vergonha, mais opressiva e mais traiçoeira.

Mas como pode alguém dizer a verdade sobre o fascismo, a menos que esteja disposto a falar contra o capitalismo, que o traz à tona? Quais serão os resultados práticos de tal verdade?

Aqueles que são contra o fascismo sem serem contra o capitalismo, que lamentam a barbárie que sai da barbárie, são como pessoas que desejam comer carne de vitela sem matar o bezerro. Eles estão dispostos a comer o bezerro, mas não gostam da visão de sangue. Eles ficam satisfeitos com facilidade se o açougueiro lavar as mãos antes de pesar a carne. Eles não são contra as relações de propriedade que geram a barbárie; eles são apenas contra a própria barbárie. Eles levantam as suas vozes contra a barbárie e fazem-no em países onde prevalecem exatamente as mesmas relações de propriedade, mas onde os açougueiros lavam as mãos antes de pesar a carne.

Portugal | OK, põe-me KO


Miguel Guedes* | Jornal de Notícias | opinião

Há 30 anos, 21 de Abril de 1989, polícias (os "molhados") que se manifestavam na Praça do Comércio pelo direito de associação sindical foram brindados com os cães e canhões de água dos seus colegas do Corpo de Intervenção da PSP (os "secos").

Muitos consideraram que a convicção dos confrontos, mais do que perigosa para os estados gripais, não era inócua para a estado de saúde da democracia. Foi a primeira e última vez que assistimos a canhões de água a disparar contra pessoas. Há 6 anos, sindicatos e associações das forças de segurança invadiram as escadarias da Assembleia da República em confrontos muito tensos com os seus colegas. Soaram alertas.

Três décadas depois, já com um associativismo sindical que se devia querer maduro, as imagens dos "friendly fire" de 1989 e 2013 permanecem simbólicas da relevância que as forças policiais agregam em nome da defesa da democracia e do Estado de Direito. Ontem no Parlamento, com alguma previsibilidade, assistimos à tentativa de instrumentalização de uma manifestação supostamente apartidária por elementos da extrema-direita e por um deputado a soldo da sua agenda. O perigo também mora em casa. A Polícia portuguesa tem que ser obrigada a olhar para dentro.

Portugal | "Marcelo fala como dirigente sindical dos polícias, a maioria fascista"


O Presidente da República e o deputado do Chega são os visados da mais recente reflexão de Alfredo Barroso sobre a manifestação de polícias.

Cerca de 13 mil pessoas manifestaram-se, na quinta-feira, em frente à Assembleia da República por melhores condições de trabalho para as forças de segurança.

O protesto, composto maioritariamente por polícias e militares da GNR, decorreu de forma pacífica e até teve a participação do deputado do Chega, André Ventura, que discursou para os milhares de manifestantes que se encontravam à beira da escadaria da Assembleia da República.

Face ao exposto, e como já vem sendo habitual, o antigo socialista Alfredo Barroso teceu alguns comentários a propósito do tema e não resistiu a chamar "fascista" a André Ventura, quem considerou ter sido o "herói da festa".

Portugal | Políticos próximo do zero


Paulo Baldaia | TSF | opinião

Tenho gasto o meu latim a tentar convencer quem pode fazer alguma coisa que o movimento de extrema-direita em Portugal continuará num crescimento imparável se continuarmos a fazer tudo na mesma.

Se o poder político, legislando na Assembleia da República ou governando em cada um dos ministérios, continuar a fazer tábua rasa da evidência de que há uma parte significativa dos portugueses que vive em pobreza extrema, bem para lá do que medem os índices oficiais, essas pessoas vão dar força ao Ventura.

Mas não são apenas os pobres, eleitores típicos de esquerda, que estão disponíveis para votar Chega. A hipocrisia política com que o PCP e a CGTP estiveram no apoio ao governo socialista, criticando mas aprovando, também atirou muitas corporações para os abraços dos extremistas e dos sindicatos inorgânicos, criados propositadamente para defender grupos específicos.
O que aconteceu ontem, com os polícias a privilegiarem o Chega para defender no Parlamento as suas reivindicações, dando-lhe o palco, mostra como é fácil a extrema-direita crescer também onde quem sempre mandou foi a esquerda: a rua.

O que mais assusta nisto tudo é que os políticos do arco do poder continuam a pensar que tudo não passa de um fenómeno restrito e passageiro. Estão convencidos que nasceu do nada e em nada se vai transformar. O problema é que o povo pagará custos bem mais altos do que esses políticos que não querem ver o que está a acontecer. É bem verdade que o pior cego é o que não quer ver!

Portugal | A MANIFESTAÇÃO DO MOVIMENTO ZERO


Ontem, quinta-feira (21), Portugal assistiu a uma mega manifestação do Movimento Zero num palco de Lisboa, a Assembleia da República. Afinal não foi uma manifestação liderada pelos homens e mulheres que asseguram a segurança aos cidadãos em Portugal, a GNR e a PSP, como julgávamos que ia acontecer.

Está fora de questão sobre a maior parte das razões que os profissionais daquelas instituições têm para protestar contra os tratos de polé de governos que tudo tem feito para não os ouvir a exigir o que em boa verdade é imperioso ser-lhes concedido sem favores: a sua dignificação e o reconhecimento pelo bem do seu desempenho.

A questão é que o Movimento Zero, apontado como neofascista, abafou a voz da razão aos PSPs e aos GNRs que ali se deslocaram. A comprová-lo ficaram as camisolas vestidas do referido movimento, assim como a voz de um já muito referido recém-deputado declaradamente racista e com várias declarações que o colam ao neofascismo, ao oportunismo, ao popularismo de uma direita extremista, adepta de políticas de ódio. Ideologia contrária à democracia, transparência e tolerância que queremos aprofundada cada vez mais.

É evidente que o presidente do sindicato dos profissionais da PSP se demarcou do Movimento Zero, pôs paninhos de àgua fria no escaldante ambiente que foi declaradamente, comprovadamente, requentado pelo Movimento Zero e por André Ventura, um reconhecido e declarado racista, para não pôr mais na escrita. Que esse tal André se aproveitou poderá ser evidente, mas, então, como se justifica que tantos agentes vestissem as camisolas do pernicioso e não identificado Movimento Zero?

É exatamente por isso e o que mais foi visto e ouvido que não é difícil concluir que afinal a manifestação - que seria dos profissionais de duas instituições apreciadas e a quem tanto os portugueses devem – pertencem ao anónimo e apontado neofascista Movimento Zero.

Uma lástima foi o que ontem vimos e ouvimos sobre aquela manifestação que devia de pertencer justamente aos agentes da PSP e da GNR.

Resta ter a esperança de que os organizadores sindicais tenham aprendido e que os agentes não se deixem manipular por execráveis desestabilizadores dos que têm, sem sobra de dúvidas, toda a razão nas suas reivindicações profissionais e da retoma das suas dignidades como portugueses que são.

Nem Venturas, nem zeros – à esquerda ou à direita – valem uma ínfima parte do valor dos agentes de segurança de Portugal e dos portugueses. Quem se esqueceu disso?

Leia no Expresso, a seguir, o Curto. Hoje está repleto de interesse nas abordagens. E o Zero não falta. Nem o Ventura fascistoide, que é deputado, populista e racista.

MM | PG

“PINOCHETAZZO” SOBRE A AMÉRICA LATINA! - Martinho Júnior


 Martinho Júnior, Luanda 

O imperial fantasma do “Chicago boy” Pinochet, paira como um monstruoso condor sobre toda a América Latina e Caraíbas, do Rio Grande ao Cabo Horn!

Essa sulfúrica espada de Dâmocles manipulada pelo império da hegemonia unipolar, pende sobre as nações, os estados e os povos, irremediavelmente suspensa e pronta a abater, desenhando-se em todos e quaisquer horizontes e só Cuba Revolucionária, assim como a Venezuela Bolivariana, criaram organicamente escudos e anticorpos vitais, graças à lucidez e às frutíferas experiências dos Comandantes Fidel de Castro e Hugo Chavez e seus dignos povos, com capacidade e pujança para vencer e vencer e vencer o monstro, apesar do ódio desse monstro e apesar da barbaridade das sanções e bloqueios!...

01- O universo progressista continua a produzir suas próprias ilusões, não podendo ainda escapar a elas, pelo que está condenado a alimentar ainda muitas utopias irrealizáveis nos seus horizontes: apesar da sua clarividência e identidade, cada vez coloca mais raposas nos seus próprios galinheiros e, com a proliferação das raposas, as galinhas acabam sempre por estar à mercê do seu trágico destino!

Explico-me:

. Na superestrutura ideológica o fantasma fascizante de Pinochet flui em seu éter fundamentalista e radicalista, formatado no sopro da “civilização judaica-cristã ocidental”, no prolongamento transatlântico do sopro do “Le Cercle”, tão experimentado em transversalidades ao sabor das “redes stay behind” da NATO, como das “revoluções coloridas” e “primaveras árabes” de última geração;

. Nos instrumentos de poder de estado, os oficiais das Forças Armadas são “formados” geração após geração, na Escola das Américas, assim como os oficiais das Polícias, “aprendem” em escolas do FBI, de forma a garantir a matriz do jogo do império por toda a América Latina e Caraíbas;

. No aparelho da Justiça, são as Universidades dos Estados Unidos a chancela para curriculuns doutrinários “bem-sucedidos”, indispensáveis para se dar caça àqueles que alguma vez ousarem desafiar o imperial fantasma;

. Na economia, as oligarquias formadas sobretudo ao sabor da tão primária indústria extractivista, animam seu próprio destino embaladas pelas correntes neoliberais que escancaram as portas de todos os mais vulneráveis países às transnacionais entre si concorrentes e também por isso ávidas de matérias-primas baratas e de mão-de-obra escrava, dócil e submissa;

. Nas relações internacionais as disputas entre hegemonia unipolar e multilateralismo, faz-se indexada a um capitalismo que pouco espaço dá às nações e aos povos que aspiram legitimamente à civilização e não à barbárie, a um mundo efectivamente melhor e respeitador quer da humanidade, quer do próprio planeta!...

Governos conservadores empoderam o racismo



A Nação brasileira é constituída por diferentes matrizes, de várias partes do mundo que, ao longo desses 519 anos de história, tornaram o Brasil um país plural, com uma população diferente de qualquer outra em qualquer parte do mundo.

Wadson Ribeiro* | Vermelho | opinião

Aqui, além dos nativos, se instalaram europeus, árabes, asiáticos e, de forma mais volumosa, escravos vindos da África. Essa diversidade, que de acordo com Darcy Ribeiro fez do povo brasileiro um povo novo, fruto de toda essa miscigenação, que conferiu ao Brasil a unicidade e a riqueza cultural de seu povo, mas, por outro lado, não corrigiu as assimetrias socioeconômicas advindas da colonização e que ainda hoje se manifestam.

Há duas semanas, durante o clássico entre Atlético e Cruzeiro os irmãos Adrierre e Natan da Silva, torcedores do Atlético, agrediram o segurança do Mineirão Fábio Coutinho chamando-o de “macaco” e cuspindo em sua direção. Dias antes, a cuidadora de idosos Eliangela Carlos Lopes, denunciou à Polícia mineira um anúncio de emprego recebido que vetava a seleção de negros. Em outro episódio condenável, o representante do MBL (Movimento Brasil Livre) em Minas, Tiago Dayrell, ofendeu a cozinheira de um restaurante da capital chamando-a de crioula. Esse fato, aliás, parece ter sido premeditado, pois o agressor filmou a confusão que provocou para sensacionalizar nas redes sociais, algo típico desse movimento de caráter fascista.

Grupos neonazistas se multiplicam pelo Brasil


Brasil já tem 334 células neonazistas de extrema-direita em atividade. A maioria se concentra nas regiões Sul e Sudeste, mas há registros também em cidades como Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Feira de Santana (BA).

O Brasil contém 334 células nazistas em atividade no Brasil, de acordo com uma pesquisa feita por Adriana Abreu Magalhães Dias, antropóloga da Unicamp.

A maioria dos grupos se concentra nas regiões Sul e Sudeste e se dividem em até 17 movimentos distintos, entre hitleristas, supremacistas/separatistas, de negação do Holocausto ou seções locais da Ku Klux Klan.

A pesquisa mostra que há registros de grupos localizados em cidades como Fortaleza, João Pessoa, Feira de Santana (BA) e Rondonópolis (MT). Porém, o estado com mais células é São Paulo, com 99 grupos, sendo 28 só na capital. Santa Catarina vem logo atrás com 69 células, seguido por Paraná (66) e Rio Grande do Sul (47).

Há exemplos também de estados que estavam sem registros de atividades até pouco tempo, mas começam a ganhar corpo, como Goiás, que já possui seis grupos nazistas. As células são compostas por três a 40 pessoas.

Em suas pesquisas especializadas na ascensão da extrema direita, Adriana também identificou mais de 6.500 endereços eletrônicos de organizações nazistas somente em língua portuguesa e dezenas de milhares de neonazistas brasileiros em fóruns internacionais.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Bolívia: e os indígenas resistem ao golpe…


Dez dias (e 23 mortes) passaram-se, mas ultradireita não foi capaz de silenciá-los. Exilado, o vice-presidente descreve a caça às cholas, a ação das milícias, a traição dos generais. E a covardia da classe média, tropa de choque do racismo colonial

Álvaro García Linera | Outras Palavras | Tradução: Simone Paz

Feito densa neblina noturna, o ódio percorre ferozmente os tradicionais bairros de classe média urbana da Bolívia. Seus olhos transbordam de ira. Não gritam, cospem; não reclamam, impõem. Seus clamores não são pela esperança nem pela irmandade, são de desprezo e de discriminação contra os índios. Montam suas motos, sobem em suas caminhonetes, agrupam-se em suas confrarias e faculdades privadas e saem à caça dos índios atrevidos que tiveram a coragem de arrebatar-lhes o poder.

Na cidade de Santa Cruz, organizam quadrilhas motorizadas em suas 4×4, com porretes nas mãos para surrar índios — os quais eles chamam de collas [pessoa de traços indígenas ou de estrato social desfavorecido] e que vivem nos bairros marginais ou nos mercados. Cantam hinos sobre matar collas e, se no meio do caminho aparecer alguma mulher de pollera [saia rodada que é o traje tradicional das cholas bolivianas], ela é espancada, ameaçada e coagida a abandonar aquele território. 

Em Cochabamba organizam comboios para impor sua supremacia racial na zona sul, onde habitam as classes abastadas, e hostilizam — como se fossem um destacamento da cavalaria — milhares de mulheres camponesas indefesas, que marcham pedindo paz. Em mãos, levam tacos de beisebol, correntes, granadas de gás. Alguns até exibem armas de fogo. Mulheres são suas vítimas preferidas, pegam uma prefeita de uma comunidade campesina para humilhá-la e arrastá-la pela rua: batem nela, urinam nela quando cai no chão, cortam-lhe o cabelo, ameaçam linchá-la e, quando percebem que estão sendo filmados, resolvem jogar tinta vermelha nela, simbolizando o que farão com o sangue dela.

Em La Paz, desconfiam de suas empregadas e ficam em silêncios quando elas levam a comida à mesa, no fundo, sentem medo delas, mas também as desprezam. Depois, saem às ruas para gritar, insultando Evo e, com ele, a todos os índios que ousaram construir uma democracia intercultural com igualdade. Quando são muitos, arrastam a bandeira wiphala, cospem e pisam nela, para cortá-la e queimá-la. É uma raiva visceral a que descarregam sobre esse símbolo indígena que gostariam de eliminar da face da terra, junto com todos aqueles que se reconhecem nele.

Netanyahu | Primeiro-ministro de Israel acusado de corrupção


Benjamin Netanyahu, atualmente à frente de um governo de gestão, falhou tentativa de formar novo executivo na sequência das eleições de setembro. Agora, confirma-se a acusação por fraude, suborno e quebra de confiança.

O procurador-geral de Israel, Avichai Mendelblit, anunciou esta quinta-feira que reteve as três acusações que a Polícia lhe sugeriu contra o primeiro-ministro, o conservador Benjamin Netanyahu. Fraude, suborno e quebra de confiança são os alegados crimes e podem mexer com a política israelita nas próximas semanas.

Em causa estão favores a patrões de certa imprensa, por via de leis ou outras estratégias, em troca de cobertura favorável, bem como favores políticos a um magnata de Hollywood em troca de presentes caros.

A acusação acontece em pleno impasse eleitoral em Israel, que já passou por duas eleições este ano. Netanyahu perdeu as últimas por uma unha negra para o ex-líder militar Benny Gantz. Convidado a formar governo por reunir mais consensos, Netanyahu falhou, como Gantz falharia depois. O poder está agora nas mãos do parlamento, a quem compete determinar um nome.

O processo por corrupção contra Netanyahu pode alterar significativamente os equilíbrios. É a primeira vez que um líder israelita é alvo de acusação.

Portugal | Movimento Zero é neofascista e infiltrou-se na PSP e GNR?


Na fotogaleria do Jornal de Notícias podemos ver imensas fotografias em que realmente Zero é palavra de ordem. 

Segundo afirmado na TSF e noutros órgãos de comunicação social, antes da realização da manifestação da PSP e da GNR, intervenientes-comentadores salientaram que o denominado Movimento Zero é omisso acerca dos seus responsáveis, não dão a cara, e que além disso suspeitam que façam parte de uma linha ideológica neofascista que se infiltrou na PSP e na GNR. Era então recomendado pelos comentadores naquela rádio que os agentes de autoridade a manifestarem-se não se deixassem manipular e se distanciassem do Movimento Zero. 

Pelo que o JN nos mostra a distanciação não aconteceu e as imagens na referida fotogaleria comprovam-no. Sendo assim há questões que devem ser esclarecidas, quem são os dirigentes do Movimento Zero? Até que grau forças político-partidárias estão infiltradas nas forças de segurança? (PG)

Portugal | Manifestação PSP/GNR terminou, em 21 de Janeiro há mais


Foi anunciada como a maior manifestação de sempre dos polícias. Entre as reivindicações que motivaram o protesto, e além dos aumentos salariais, estão a atualização dos suplementos remuneratórios (que “há mais de 10 anos não são revistos”), o pagamento de um subsídio de risco e mais e melhor equipamento de proteção pessoal

Organização fala em 13 mil participantes

É hora de balanço. Enquanto os manifestantes dispersam, a organização fala em 13 mil participantes.

Há resistentes. Apesar do fim da manifestação ter sido decretado pela organização, algumas dezenas de pessoas permanecem junto à escadaria da AR.

“Cumprimos os objetivo da manifestação. Cá estaremos outra vez dia 21 de janeiro se o que pedimos não for cumprido”, adianta a organização. “Pedia a todos vocês que se lembrassem dos colegas que estão do outro lado, que estão ao serviço”, ouviu-se. E são Bento encheu-se de palmas.

“Tenho a certeza que muitos colegas que queriam estar aqui a manifestar-se, foram impedidos de participar porque tiveram aqui de montar a segurança. Parecia que estavam à espera que alguém lhes viesse bater”.

O hino, de novo

“Vamos dar por terminada esta manifestação e ouvir novamente o hino nacional”, diz a organização. Entretanto André Ventura é escoltado por membros da organização para sair do meio da confusão.

Marta Gonçalves | Hugo Tavares Silva | Expresso

Deputados timorenses defendem Autoridade Marítima antes da compra de meios navais


Díli, 21 nov 2019 (Lusa) - Uma comissão parlamentar timorense considera de "difícil implementação" a proposta aquisição de seis navios de patrulha marítima, defendendo que é essencial, antes disso, ter uma "visão conjunta e integrada" e meios em terra.

A questão da compra dos navios é um dos elementos apontados pela Comissão B do parlamento - que lida com negócios estrangeiros, segurança e defesa -- no seu relatório e parecer sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020, a que a Lusa teve acesso.

Os deputados consideram que o investimento previsto para a base naval de Hera e o programa de aquisição de seis navios de patrulha, incluindo o recrutamento de 600 efetivos, parece "de muito difícil implementação, tendo em consideração que ainda há o projeto de patrulhamento conjunto com a Austrália (cooperação bilateral) e os navios da PNTL a operar com uma missão idêntica".

"Todos estes meios a operar sem uma visão conjunta e integrada conduzirão a problemas sérios de organização no terreno na gestão diária e quotidiana, manutenção, logística", considera.

Para se efetivar a compra de meios navais, os deputados defendem que seja antes criada a proposta Autoridade Marítima "que integrará todas estas forças e determinará, sob um comando, uma missão conjunta e integrada".

Comissão parlamentar timorense aponta problemas no setor das obras públicas


Díli, 21 nov 2019 (Lusa) - A comissão parlamentar de Infraestruturas timorense tece críticas a vários elementos do processo de obras públicas, num parecer sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020 em que aponta vários problemas, incluindo sobre a própria "estrutura orçamental".

O relatório de análise da proposta do OGE, preparado pela Comissão E, de Infraestruturas, e a que a Lusa teve acesso, refere a "falta de coordenação" entre o Ministério das Obras Públicas, a Agência de Desenvolvimento Nacional (ADN), os municípios e outros Ministérios, "colocando em causa a prossecução das políticas definidas".

Entre outros aspetos, a comissão manifesta "séria preocupação" com o elevado aumento de gastos nas categorias de bens e serviços e transferências públicas, algo que considera que "não está devidamente justificado".

Critica ainda a alocação incorreta de gastos nas várias categorias de despesa e, como ocorre com outros relatórios, aponta o dedo à baixa execução do OGE de 2019 -- que deverá rondar apenas os 70%.

O relatório aponta, entre outras matérias a "não observância das regras de aprovisionamento e contratação pública em alguns projetos em curso, designadamente aqueles já implementados, mas sem conhecimento oficial pelo Governo".

Moçambique | Quem fornece armas ao general Nhongo?


As armas que a Junta Militar de Mariano Nhongo está a usar são aquelas que a RENAMO sempre teve. Quem o diz é o especialista em desarmamento Albino Forquilha, que afirma: "Existem muitas armas escondidas em Moçambique".

Em entrevista à DW África, o diretor da Força Moçambicana para a Investigação de Crimes e Reinserção Social (FOMICRES), Albino Forquilha, afirmou que as armas que a Junta Militar de Mariano Nhongo está a usar não são de apoio externo, mas sim aquelas que a RENAMO sempre teve.

Albino Forquilha, que garante que "existem muitas armas escondidas" no país,  diz que isto coloca Moçambique numa situação "perigosa".

De acordo com o ex-militar, as províncias de Inhambane, no sul, Sofala, Manica, Tete e Zambézia, no centro, e Niassa, no norte, são as regiões "com indicadores bastante fortes de haver esconderijos" de armas.

Forquilha disse ainda que durante o processo de desarmamento e acantonamento dos militares, pouco depois do fim da guerra em 1992, as Nações Unidas e o Governo de Moçambique não conseguiram responder às denúncias da população de existência de armas escondidas nas suas povoações.

Moçambique | 27 organizações internacionais condenam prisão de observadores


Está em curso uma campanha internacional pela "libertação imediata e incondicional" dos 18 observadores eleitorais do partido Nova Democracia detidos desde 15 de outubro em Moçambique.

A onda de solidariedade para com os observadores eleitorais do partido Nova Democracia detidos em Moçambique alastrou-se para fora do país. 27 organizações, na sua maioria da África Austral, já subscreveram uma iniciativa pela sua "libertação imediata e incondicional". 

A OMUNGA, organização angolana, é uma das que se solidarizou com os detidos e signatária da iniciativa lançada pela Amnistia Internacional. "Estamos a falar de uma questão de arbitrariedade em relação à questão da detenção dos jovens", diz João Malavindele, responsável da ONG.

"A OMUNGA, como uma organização de defesa dos direitos humanos, é contra esse tipo de arbitrariedades que alguns Estados ainda continuam a evidenciar como prática para poder silenciar aquelas pessoas que pensam diferente", sublinha.

Angola entre os países com maior área contaminada por minas terrestres


Angola libertou, nos últimos cinco anos, 90% das áreas suspeitas de contaminação por minas, mas os progressos não retiraram o país da lista dos 10 estados mais contaminados, segundo um relatório hoje divulgado.

De acordo com o relatório anual da Campanha Internacional para a Erradicação de Minas Terrestres (ICBL, na sigla em inglês), o Landmine Monitor, Angola mantém-se entre os países classificados como tendo contaminação massiva, ou seja, com mais de 100 quilómetros quadrados de áreas com minas terrestres e outros engenhos explosivos.

Além de Angola, incluem-se neste grupo o Chade, Afeganistão, Camboja, Tailândia, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Turquia, Iraque e Iémen, todos estados signatários do Tratado para a Erradicação das Minas Terrestres, que cumpre este ano duas décadas de existência.

Há 20 anos, 164 países comprometeram-se a banir o uso, produção, comércio e armazenagem de minas antipessoal, bem como a destruir os 'stocks' destes dispositivos, limpar as áreas contaminadas num período de 10 anos e fornecer assistência às vítimas destes engenhos explosivos, na sua maioria civis.

Angola | Novo líder da UNITA sinaliza rutura com o passado


Adalberto Costa Júnior, que sucedeu a Isaías Samakuva na liderança da UNITA, já começou a formar a sua máquina partidária, e trouxe mudanças. O principal partido da oposição em Angola enfrenta vários desafios.

Como braço-direito, Adalberto Costa Júnior escolheu uma mulher para 1.ª vice-presidente do partido, Arlete Liona Chimbinda. Ao contrário do que vinha sendo prática há 53 anos, desde a fundação da formação da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o novo líder introduziu duas vices-presidências, um secretário-geral e dois secretários-gerais adjuntos.

À exceção do presidente do grupo parlamentar, Liberty Chiyaka, até há pouco tempo dirigente do partido na província do Huambo, os restantes membros do núcleo duro da UNITA são ilustres desconhecidos da generalidade dos angolanos e até mesmo de parte significativa da imprensa e dos analistas políticos.

Segundo uma nota do partido citada pela imprensa, Simão Dembo foi nomeado para o cargo de 2.º vice-presidente, Álvaro Daniel foi escolhido como secretário-geral, Mwata Virgilio Samussongo como secretário-geral adjunto e Lázaro Kakunha como secretário-geral adjunto para as autarquias.

"É uma equipa inesperada", comenta o analista e advogado Domingos Chipilika.

Angola | Não desistamos de nós


Caetano Júnior | Jornal de Angola | opinião

Os anos de 1980/90 talvez tenham sido, no pós-colonilização, os mais difíceis para os angolanos e estrangeiros que cedo escolheram o país para viver.

A Independência estava ainda longe da consolidação e o contexto era de absoluta carência de quadros, de experiência nos diferentes sectores e de conhecimento técnico, científico e geral. A “máquina colonizadora” perdera utilidade, pelo menos no então Ultramar, e a sua inoperância forçara a retirada, para a Metrópole, de quem tinha por missão mantê-la em funcionamento.

Assim, o País que acabava de sair à luz apanhou os seus filhos desprevenidos, embora a Luta de Libertação constituísse um processo necessário, irreversível e calculado e a Independência uma conquista que chegaria, mais cedo ou mais tarde, pouco importassem os encargos. Aliás, a destruição, pela vontade popular, de residências, instituições e estabelecimentos de comércio ilustra bem o despreparo de herdeiros da terra, ao tempo, para o trabalho de reconstrução que se estendia pela frente.

Mas dificilmente seria de outra forma. A potência colonizadora tratou, ao longo dos anos de ocupação, não apenas de infligir castigos corporais e psicológicos aos “nativos”, como também cuidou de os distanciar de quaisquer que fossem os instrumentos que lhes permitissem cultivar o conhecimento. Procurou e conseguiu mantê-los sob as trevas, ignorantes, desconhecedores de tudo o que lhes pudesse ser útil no porvir. Aliás, um povo já pouco instruído e cuja principal preocupação fosse atender as necessidades vitais diárias dificilmente pensaria em obter, por exemplo, um livro ou buscar conhecimento formador.

Milton Santos: Como superar o apartheid à brasileira


Para o Dia da Consciência Negra, memória de uma provocação do geógrafo. Para ele, racismo em nosso país tem indecente peculiaridade: aqui, os carrascos é que são os ressentidos. Escolas podem ser contraponto — por isso, são tão temidas…

Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira. As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Brasil | O racismo mata, mutila, machuca


Nesta terça-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, o deputado federal Coronel Tadeu (PSL), da base do governo Bolsonaro, destruiu charge do artista Latuff que denunciava a violência policial contra os negros em exposição na Câmara dos Deputados. Em 2018, dois trogloditas candidatos que depois viraram deputados, também apoiadores de primeira hora de Bolsonaro, destruíram placa em homanagem a Marielle, vereadora negra brutalmente assassinada.

Os dois fatos (bem como a morte de Marielle) estão diretamente relacionados e são sintomáticos do tempo que vivemos. O Brasil está mergulhado numa perigosa onda de ódio, ignorância e preconceito que procura criminalizar e intimidar todos que denunciam e resistem a tudo aquilo que temos de pior, como se o erro estivesse não nos problemas estruturais do país, mas naqueles que se rebelam contra eles e suas causas. Dentre estes problemas estão o racismo e a desigualdade, que seguem sendo ignorados ou minimizados por parcela considerável da população.

"Imagem da Guiné-Bissau no mundo depende de quem ganhar as eleições"


Alguns candidatos presidenciais tecem críticas à CEDEAO. Mas numa coisa todos concordam: é preciso melhorar a imagem externa da Guiné-Bissau. Analista diz que próximo Presidente será crucial nessa tarefa.

Todos os doze candidatos às presidenciais na Guiné-Bissau falam na necessidade de melhorar a imagem externa do país, depois das eleições, a 24 de novembro. Mas alguns criticam a postura da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) durante a crise política guineense, bem como o reforço da força militar da organização, a ECOMIB.

Um dos candidatos mais críticos é Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15).

Em vários comícios, Sissoco Embaló tem dito que a CEDEAO e outras organizações não podem substituir a "Constituição do país". Tem criticado ainda a recusa da comunidade internacional em reconhecer a demissão do Governo de Aristides Gomes pelo Presidente José Mário Vaz e mostrou-se contra a mediação da CEDEAO e, em particular, do Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé.

Guiné-Bissau | De onde vem o dinheiro da campanha eleitoral?


Na Guiné-Bissau, há suspeitas de que o dinheiro proveniente do crime organizado esteja a ser "lavado" na campanha eleitoral. Partidos visados negam. Jurista pede leis para controlar o dinheiro utilizado na campanha.

A campanha eleitoral, que termina na próxima sexta-feira na Guiné-Bissau, é alvo de crítica por parte de vários atores da sociedade guineense, não só pelos fracos conteúdos dos discursos políticos, mas também pela ostentação de meios, nomeadamente viaturas de alta cilindrada "zero quilómetros", na caça ao voto.

A logística eleitoral de "luxo" exibida pelos candidatos contrasta com a realidade da condição de vida dos eleitores, num país onde a maioria da população enfrenta graves problemas, sobretudo os que estão no interior do país. É fácil descobrir a diferença de meios entre partidos que já passaram ou ainda estão no poder com os que nunca estiveram na liderança na Guiné-Bissau.

"PAIGC com carros de luxo”

O antigo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior ("Cadogo"), candidato presidencial independente, é uma das vozes contestatárias.

"O PAIGC [Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau, no poder] hoje está na disposição de carros de luxo, enquanto os funcionários não são pagos e os combatentes da liberdade da pátria estão doentes, sem meios para se tratarem", referiu Cadogo, que, em 2012, enquanto candidato e líder do PAIGC também foi alvo da mesma crítica dos opositores.

O que mais tem merecido debate são as origens dos fundos e meios da campanha, que nenhum dos doze candidatos foi ainda capaz de explicar, nas diferentes ocasiões em que foram questionados sobre a matéria.

Golpe de Estado na Guiné-Bissau "passou à reforma", diz Chefe das Forças Armadas


Biaguê Na Ntan, exortou, este sábado (16.11), o Governo a confiar nos soldados do país e assegurou que os militares estão hoje submetidos à Constituição, pelo que nunca mais irão realizar golpes de Estado.

Falando nas cerimónias evocativas do dia das Forças Armadas guineenses, que se assinala este sábado (16.11), o general Biaguê Na Ntan defendeu, perante elementos do Governo e do corpo diplomático, que o golpe de Estado "passou à reforma" na Guiné-Bissau.

"Vamos respeitar a Constituição da República, submetermo-nos ao poder político. Posso-vos garantir, tranquilizem o povo da Guiné-Bissau: A partir de hoje nenhum militar vai sair à rua para fazer golpe de Estado", disse o general Na Ntan.

As últimas semanas no país, que terá eleições presidenciais a 24 de novembro, foram marcadas por tensões políticas, com o Presidente em funções a ter nomeado um novo governo, contra a vontade do executivo em funções e da comunidade internacional. Governo este que, entretanto, se demitiu.

Nessa disputa, as forças militares guineenses mantiveram-se neutrais e não forçaram a imposição do novo governo, apesar de nomeado pelo líder supremo das Forças Armadas.

O responsável militar guineense salientou que as suas palavras também se dirigem à comunidade internacional, nomeadamente aos elementos das Nações Unidas e da força de manutenção de paz da África Ocidental (Ecomib), estacionada na Guiné-Bissau desde 2012, na sequência de um golpe de militar.

"As Forças Armadas da Guiné-Bissau não se vão envolver na política e nem estão interessadas em fazer golpe", sublinhou o general.

Portugal | Se for cardíaco, tente não falecer


Pedro Ivo Carvalho | Jornal de Notícias | opinião

Não há um português sério que não esteja comprometido com o Governo, o de turno ou outro qualquer, no objetivo de melhorar os serviços públicos de saúde.

Mitigar as falhas na resposta do Estado a uma cada vez mais exigente e envelhecida população constitui porventura o maior desafio da ação política e legislativa contemporânea, não só porque todos os dias descobrimos um novo fundo sombrio do problema, mas porque se trata de uma área de vida ou de morte que envolve sofrimento.

Acresce que é na saúde que mais facilmente se desvirtua o princípio de que somos todos iguais aos olhos da Constituição, mas uns acabam por ser mais iguais do que outros. No caso, os que têm seguro de saúde ou ADSE. Não é aceitável que um doente cardíaco da Guarda tenha de esperar cinco anos por uma primeira consulta.

José Mário Branco | Ele veio de longe e vai para longe,sempre inquieto


Aqui está o Curto do Expresso Bilderberg. Hoje é Vítor Matos que o “deita” cá para fora. José Mário Branco é a “vedeta fúnebre”. Uf! Exclamarão de si para si e para amigos de confiança dos seus grupos. “Que alívio”. Este já feneceu e passou para o “outro lado”, já aqui não está para desinquietar a sociedade alienada que o neoliberalismo tem formado e atualmente continua a formar com muito mais força.

Por outro lado, publicamente, dizem e escrevem a lamentar a morte do maldito comunista, do maldito revolucionário. A hipocrisia está-lhes no sangue. São os chicos-espertos que por aí abundam. São imensos dessa estirpe que vão para os governos, para deputados, que abundam na política da esquerda à direita. Tudo para se “safarem” na vida. “Maduros” que se vendem por troca de uma vida melhor, muito melhor e de poderes esconsos que quase sempre lhes dá o benefício de praticarem trafulhices e crimes que quase sempre são contemplados pela impunidade. 

Os “lamentos” e os “elogios” desses acerca de José Mário Branco, cheiram a tanta falsidade que o ar desde ontem está empestado, mal cheiroso. Sim, porque a hipocrisia e o “fazer de conta” também emana odores… desagradáveis. Evidentemente.

Faleceu um grande homem? Não. Pessoas como José Mário Branco nunca morrem. Hão-de viver sempre na memória e nas sociedades dos que os conhecem e dos que os conhecerão pela história, pelo que eles significam nas vidas terrenas e significam nas suas vidas eternas. Em cultura, em justiças, no combate pela liberdade e democracia defacto e não aquela com que nos pretendem iludir hoje, agora e sempre, até os povos consentirem.

Ele veio de longe e vai para longe mas deixa-nos um enorme legado, assente na luta quotidiana de justiça e liberdade. Por isso ele viveu e vive nos que sentem a mesma inquietação que não é só dele mas de todos nós.

Expresso Curto a seguir. Sem recomendações, nem reparos. Leia tudo. Só isto, simplesmente.

Bom dia, se conseguirem.

MM | PG

"Inquietação". Portugal a uma só voz no 'adeus' a José Mário Branco


Políticos, cantores e artistas juntam-se no reconhecimento e homenagem ao incontornável músico português que morreu na terça-feira, aos 77 anos. As cerimónias fúnebres de José Mário Branco começam esta quarta-feira, a partir das 17h00, no salão nobre da Voz do Operário, em Lisboa, sendo o funeral na quinta-feira à tarde.

José Mário Branco morreu esta terça-feira aos 77 anos mas a sua arte ficará para sempre. Esta é a mensagem que políticos, partidos, cantores, autores e artistas quiseram deixar no dia em que um dos mais importantes cantautores da música portuguesa partiu, fazendo referência à resistência e à convicção que sempre demonstrou.

Marcelo Rebelo de Sousa reagiu, ainda na manhã de ontem, na antena da RTP, à morte de José Mário Branco. "Consternação, reconhecimento e gratidão" foram as palavras que o Presidente da República usou para se referir ao autor, acrescentando que tentou que este fosse condecorado em vida, "mas ele, com a sua independência, sempre recusou". Agora, é algo que dependerá da vontade "da família", fez sobressair o Chefe de Estado.

Por sua vez, o primeiro-ministro António Costa lembrou o cantautor, recordando o "grande militante político" que traduziu na música essa militância e expressão. Já no Twitter, o líder do Governo tinha escrito: "Não esqueceremos a sua música, a sua inquietação."

Já Eduardo Ferro Rodrigues manifestou-se consternado com a notícia da morte de José Mário Branco, considerando que foi um "antifascista", um dos maiores nomes da canção portuguesa e uma "figura ímpar da música de intervenção". O presidente da Assembleia da República considerou que, para memória futura, ficarão "álbuns incontornáveis da música portuguesa". 

ministra da Cultura foi outra das personalidades que recordou o cantautor no dia da sua morte. Numa mensagem publicada na conta oficial do Ministério, na rede social Twitter, Graça Fonseca considerou que José Mário Branco é um "nome maior da música portuguesa" e uma "voz de luta e de intervenção".

Também os partidos políticos mais à Esquerda foram unânimes no reconhecimento ao músico. O Bloco de Esquerda, do qual José Mário Branco foi dirigente, prestou homenagem destacando o "artista, cantor e compositor" e também "um lutador político antifascista e combatente contra as opressões e as desigualdades". 

Francisco Louçã foi uma das figuras ligadas ao partido que elevou a sua voz na lembrança ao músico. Ressalvou, no Facebook: "não houve nem haverá muitos mais como ele e só posso lembrá-lo como um dos homens mais genuínos que tive a sorte de conhecer e de partilhar ideias e projetos".

Partido Socialista, pela voz de Ana Catarina Mendes, lamentou "profundamente a morte de José Mário Branco pelo enorme vazio que deixa na cultura portuguesa, pela luta que travou na resistência antifascista, pela convicção num mundo solidário e justo, pelo legado que deixa às novas gerações". A líder parlamentar do PS disse ainda que o autor é "um símbolo da resistência antifascista" e um "exemplo para a geração de Abril". 

Jerónimo de Sousa referiu-se a José Mário Branco como o músico que "transformou a canção numa arma" depois de 25 de Abril. O secretário-geral do PCP manifestou ainda as suas "condolências à família" e salientou que a morte do músico é "uma perda para a cultura" e para o país.

Partido LIVRE lamentou a morte do músico, afirmando que para artistas da sua dimensão "a morte nunca existirá" e que "resistir é vencer". "Para figuras da dimensão de José Mário Branco, a morte nunca existirá", sublinhou em comunicado.

Quanto aos dirigentes do Partido Ecologista Os Verdes, manifestaram "profundo pesar" pela morte do músico José Mário Branco, falecido aos 77 anos, dizendo que "o mundo da cultura fica mais pobre".

Também a  CGTP não ficou de fora e lembrou que o autor "participou solidariamente em muitas das ações e iniciativas promovidas" pela central sindical.  Foi "com profundo pesar” que recebeu a notícia sobre o “falecimento de uma das figuras maiores da nossa cultura".
Artes choram partida de José Mário Branco. 

"Tenho uma dor muito profunda, de repente esta morte súbita. Sempre fomos extremamente leais. Nunca houve um desentendimento. [...] As nossas vidas tocaram-se muito e tocaram-se em muitas aventuras criativas e pessoais". Sérgio Godinho, em afirmações emotivas à agência Lusa, recordou aquele que foi um dos seus "irmãos de armas".

Já o fadista Camané, que tinha José Mário Branco como produtor, falou num "grande compositor e músico fantástico", lembrando "um dos melhores compositores e melhores artistas e intérpretes da música portuguesa".

O contrabaixista Carlos Bica, defendeu que José Mário Branco "foi e continua a ser um dos melhores compositores portugueses de todos os tempos", referindo que guardará "para sempre", na memória e no coração, "a pessoa excecional que ele foi".


Entre as muitas homenagens e testemunhos deixados por figuras e instituições públicas nas redes sociais contam-se ainda os do escritor Francisco José Viegas, do argumentista Filipe Homem Fonseca, do jornalista Carlos Vaz Marques, do psiquiatra Júlio Machado Vaz, do festival Iminente, do Museu do Fado, da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLAB), do fotojornalista João Pina, do artista Alexandre Farto (Vhils), do ator Nuno Lopes e dos humoristas Nuno Markl e Bruno Nogueira. 

José Mário Branco é um dos mais importantes autores da música portuguesa e deixa um legado de 50 anos de música de inquietação, interventiva e militante. 

Nascido a 25 de maio de 1942, no Porto, José Mário Branco foi um renovador da música portuguesa, em particular a partir dos anos imediatamente anteriores à Revolução de Abril de 1974, e cujo trabalho se estendeu também ao cinema, ao teatro e à ação cultural.

Exilou-se em França, em 1963, depois de perseguido pela PIDE, a polícia política da ditadura, militante comunista que se opôs ao regime ditatorial de Salazar e a uma participação na guerra colonial, e só regressou a Portugal depois da Revolução de Abril.

As cerimónias fúnebres do músico começam hoje, decorrendo no salão nobre da Voz do Operário das 17h00 às 22h30 e amanhã a partir das 11h00. O funeral parte para o cemitério do Alto de São João pelas 17h30 de amanhã.

Notícias ao Minuto com Lusa | Imagem: Lusa