sábado, 23 de novembro de 2019

China - EUA e a geopolítica do lítio



Por vários anos, desde o impulso global para o desenvolvimento de veículos elétricos em grande escala, o elemento Lithium passou a se concentrar como um metal estratégico. Atualmente, a demanda é enorme na China, na UE e nos EUA, e garantir o controle do suprimento de lítio já está desenvolvendo sua própria geopolítica, não muito diferente da do controle do petróleo. 

China muda para fontes seguras

Para a China, que estabeleceu metas importantes para se tornar o maior produtor mundial de veículos elétricos, o desenvolvimento de materiais para baterias de lítio é uma prioridade para o período do 13º Plano Quinquenal (2016-20). Embora a China tenha suas próprias reservas de lítio, a recuperação é limitada e a China passou a garantir direitos de mineração de lítio no exterior.

Na Austrália, a empresa chinesa Talison Lithium, controlada pela Tianqi, explora e possui as maiores e mais altas reservas de espodumênio do mundo em Greenbushes, Austrália Ocidental, perto de Perth.

A Talison Lithium Inc. é o maior produtor de lítio primário do mundo. Seu site Greenbushes na Austrália produz hoje cerca de 75% das demandas de lítio da China e cerca de quarenta por cento da demanda mundial . Isso, assim como outras matérias-primas vitais da Austrália, estabeleceu relações com a Austrália, tradicionalmente uma empresa aliada dos EUA, de importância estratégica para Pequim. Além disso, a China se tornou o maior parceiro comercial da Austrália.

No entanto, a crescente influência econômica da China no Pacífico em torno da Austrália levou o Primeiro Ministro Scott Morrison a enviar uma mensagem de aviso à China para não desafiar a região estratégica do quintal da Austrália . No final de 2017, a Austrália, com crescente preocupação com a expansão da influência chinesa na região, retomou a cooperação informal no que às vezes é chamado de Quad, com EUA, Índia e Japão, revivendo uma tentativa anterior de verificar a influência chinesa no Pacífico Sul. A Austrália também intensificou recentemente os empréstimos a países estratégicos das ilhas do Pacífico para combater os empréstimos da China . Tudo isso claramente torna imperativo que a China se torne global em outros sites para garantir seu lítio, a fim de se tornar o ator-chave na economia emergente de veículos elétricos na próxima década.

À medida que o desenvolvimento de veículos elétricos se tornava prioridade no planejamento econômico chinês, a busca por lítio seguro se voltou para o Chile, outra fonte importante de lítio. Lá, a Tianqi da China acumula grande parte da SociedadQuimica Y Minera (SQM) do Chile, um dos maiores produtores mundiais de lítio. Se o Tianqi da China conseguir obter o controle do SQM, isso mudará a geopolítica do controle mundial de lítio, de acordo com relatórios da indústria de mineração .

O suprimento global de metais de lítio, um componente estratégico das baterias de íons de lítio usadas para alimentar veículos elétricos (VEs), está concentrado em muito poucos países.

Para dar uma idéia da demanda potencial de lítio, a bateria do Modelo S da Tesla requer 63 kg de carbonato de lítio, suficiente para alimentar aproximadamente 10.000 baterias de telefones celulares. Em um relatório recente, o banco Goldman Sachs chamou o carbonato de lítio de nova gasolina. Apenas um aumento de 1% na produção de veículos elétricos pode aumentar a demanda de lítio em mais de 40% da produção global atual, de acordo com o Goldman Sachs. Com muitos governos exigindo menor emissão de CO2, a indústria automobilística global está expandindo maciçamente os planos de veículos elétricos na próxima década, o que tornará o lítio potencialmente tão estratégico quanto o petróleo hoje.

A Itália na coligação “antiterrorismo”


Manlio Dinucci*

A Coligação Antiterrorista reuniu-se em 14 de Novembro de 2019 em Washington, a pedido expresso da França, ultrapassada pela reviravolta dos EUA na Síria. Essa reunião não mudou nada no jogo dos Estados Unidos e dos seus aliados, mas permitiu ao Secretário de Estado Mike Pompeo colocar, novamente, os franceses no seu lugar como simples executantes. É também uma oportunidade para Manlio Dinucci fazer um balanço sobre as proezas desta coligação.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, acolhendo em Roma, os cinco soldados feridos no Iraque, declarou que “o Estado italiano nunca recuará um centímetro diante da ameaça terrorista e reagirá com toda a sua força diante dos que semeiam terror”. Voou, então, para Washington, a fim de participar na reunião de grupo restrito da “Coligação Global contra o Daesh”, do qual fazem parte, sob orientação USA, a Turquia, a Arábia Saudita, o Catar, a Jordânia e outros países que apoiaram o Daesh/ISIS e formações terroristas análogas, fornecendo-lhes armas e treino de combate (conforme documentamos neste jornal).

A Coligação - que inclui a NATO, a União Europeia, a Liga Árabe, a Comunidade dos Estados do Sahel/Sahara e a Interpol, mais 76 Estados individuais - afirma no seu comunicado de 14 de Novembro, “ter libertado o Iraque e o nordeste da Síria” do controlo do Daesh/ISIS», embora seja evidente que as forças da Coligação deixaram, deliberadamente, a mão livre ao Daesh/ISIS [1].

Esta e outras formações terroristas foram derrotadas apenas, quando a Rússia interveio militarmente em apoio às forças do governo sírio.

RU | Jeremy Corbyn aposta no pós-capitalismo


Esquerda inglesa propõe revolução de serviços públicos. Radicaliza agenda ambiental, associando-a à garantia de ocupação para todos. E joga a conta sobre os muito ricos, desafiando a direita a mostrar quem é de fato anti-establishment

Antonio Martins | Outras Palavras

Em época especialmente áspera, quando o neoliberalismo teima em não sair de cena e emerge, ao mesmo tempo, uma ultradireita pronta para capturar o sentimento anti-establishment das maiorias – que espaço resta à esquerda? Fazer concessões à aristocracia financeira? Assumir a defesa da ordem burguesa, ameaçada pelos protofascistas? Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico e personagem incomum na política institucional, acaba de colocar na mesa uma saída audaciosa, que nega as alternativas anteriores. O manifesto que ele lançou hoje (21/11), e com o qual concorrerá às eleições de 12/12, reconhece a indignação das multidões, diante de um sistema que as amedronta e as despossui, e de uma “democracia” que já não lhes dá voz alguma.

Mas em vez de atiçar seu ressentimento, em falatório hipócrita contra o sistema, acena com uma enorme transformação social e ambiental. Quer financiá-lo por meio de uma reforma tributária de dimensões históricas e de uma visão heterodoxa sobre finanças públicas. Corbyn tem apenas três semanas para descontar os cerca de 15 pontos percentuais de vantagem que as pesquisas dão a seu rival conservador, Boris Johnson – uma espécie de Donald Trump inglês. Tem contra si o poder econômico e a mídia. Nestas condições, uma eventual virada – difícil, mas não impossível – terá imensa repercussão internacional e abrirá novos horizontes para os que defendem e constroem lógicas pós-capitalistas.

Brasil | Por que Bolsonaro e os filhos vivem com medo?


Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro

Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Bolsonaro simula que manda em quem quiser mandar, mas desconfia do porteiro do condomínio e teme os arquivos do major Olímpio, do delegado Waldir, de Bebianno e de Joice Hasselmann.

Os filhos de Bolsonaro desconfiam de todos que dizem confiar neles. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro.

Eles temem traições entre os milicianos. Desconfiam do Queiroz, dos parentes do Queiroz, dos laranjas insatisfeitos com a partilha das rachadinhas, dos robôs das fake news.

Os Bolsonaros desconfiam do vice Hamilton Mourão. Não podem confiar em Rodrigo Maia. Bolsonaro abandonou o próprio partido por desconfiar dos gestores do cofre. E desconfia de Witzel.

Tudo do entorno dos Bolsonaros gera desconfiança. Bolsonaro sempre soube que os grandes empresários não confiam nele, muito menos os banqueiros. Os investidores estrangeiros sabem que ele não sabe de nada.

Resistência anti-golpista e anti-neofascista no Brasil fará um encontro em Lisboa - TV247


Olá pessoal,

A TV 247, canal da mídia alternativa brasileira que mais cresce no Youtube e que desde a primeira hora se posicionou como uma das principais vozes da  resistência anti-golpista e anti-neofascista no Brasil fará um encontro em Lisboa no próximo dia 30 de Novembro para dar uma pincelada sobre a atual situação preocupante que se vive naquele país e na região. Divulguem o evento a potenciais interessados em participar.

Alberto Castro, Londres | Colunista e correspondente internacional

Milhões manifestam-se nas ruas contra o presidente da Colômbia


No âmbito da greve geral e das manifestações que estão a ocorrer na Colômbia desde o dia 21 de Novembro registam-se agora dezenas de prisões. A Colômbia junta-se ao Chile e à Bolívia nos protestos sociais contra o neoliberalismo e o fascismo.

Segundo dados e informações prestados aos órgãos de comunicação social por Diogenes Orjuela da Central Unitária de Trabalhadores foram mobilizados mais de 1000 municípios da Colômbia e em algumas cidades reuniram-se dois milhões de pessoas.

Enquanto o povo se manifesta por melhorias sociais e económicas o Esquadrão de Polícia Móvel da Polícia Nacional afasta os manifestantes com gás lacrimogéneo, há violência e prisões na cidade de Bogotá, entre outras.

O presidente da Colômbia, Duque Márquez, está no poder apenas desde Agosto de 2018 mas já está a ser fortemente contestado pelas forças vivas da sociedade, onde se incluem estudantes, sindicalistas e indígenas, a reivindicar mais saúde e educação, o fim da corrupção nas universidades e o fim da violação dos direitos humanos contra líderes da comunidade indígena.


Leia em Jornal Tornado

Portugal | "Vem aí o diabo!" - Passos Coelho avisou. Afinal ele até sabia...


Ainda na qualidade de deputado Passos Coelho avisou. Alguns dias antes de abandonar o seu desempenho de deputado, exclamou: "vem aí o diabo!". Depois foi à sua vida académica e afastou-se da cena política (que se saiba). António Costa já era o primeiro-ministro. Estava a iniciar-se a chamada "Geringonça".

As boas relações de Passos com André Ventura decerto permitiram a antevisão distante no tempo do caminho que Ventura tomaria quando ainda era vereador pelo PSD, em Odivelas. Demitiu-se do PSD e criou o Chega, neofascista e  declaradamente racista e xenófobo lá mais para a frente no tempo. O tempo o dirá, já que Passos nada mais disse das suas relações com esse tal diabo.

Certo é que o diabo está entre nós. Ativo, sempre oportunista, insistentemente populista e até eleito deputado. Inacreditável. Isso mesmo refere no JN a jornalista Inês Cardoso, em artigo de opinião que transportámos para o PG. Leia a seguir em O diabo entre nós .

PG

Portugal | O diabo entre nós


Inês Cardoso* | Jornal de Notícias | opinião

Numa democracia com a memória da polícia política muito presente e o receio de um Estado autoritário à flor da pele, as forças de segurança têm sido, ao longo dos anos, pouco representadas no discurso político.

Na base da manifestação desta semana estão reivindicações legítimas. Com equipamento obsoleto e condições salariais que não acompanham o risco da profissão, os polícias atingiram um limite perigoso de descontentamento. Perante a falta de resposta dos partidos e dos sindicatos, abre-se a porta à influência e captura por grupos sem rosto, como o Movimento Zero.

Se na canalização desse descontentamento para as ruas houve um movimento inorgânico que se sobrepôs aos sindicatos, na meta quem capitalizou foi o deputado do Chega. A sua intervenção está carregada de falácias, fazendo uma confusão propositada entre os partidos de Esquerda na luta sindical e o contexto do seu discurso frente ao Parlamento. Um discurso que ignora as particularidades de uma classe com limitações e responsabilidades especiais no direito de manifestação e que a organização nunca deveria ter permitido.

Portugal | Quinta a fundo


Henrique Monteiro, em HenriCartoon

Hong Kong | Eleições locais de domingo realizam-se sob a forma de 'referendo'


Hong Kong, China, 23 nov 2019 (Lusa) - Os cidadãos de Hong Kong vão às urnas este domingo eleger representantes distritais, em eleições que se esperam sob forte aparato policial com o valor de um 'referendo', numa cidade dividida após cinco meses de protestos.

Cerca de quatro milhões de eleitores, mais de metade da população, são chamados a votar nos mais de 400 membros do conselho distrital, num escrutínio que geralmente passa despercebido, mas que este ano ganhou renovada importância no contexto do movimento pró-democracia.

Nas últimas eleições, em 2015, o campo pró-Pequim obteve 298 dos 431 assentos, enquanto o campo pró-democracia obteve 126 e os independentes sete.

Este ano, apesar do proeminente ativista Joshua Wong ter sido impedido de concorrer, uma decisão que o próprio descreveu como "censura política", não faltam candidatos do campo pró-democracia.

Hong Kong-Macau | Região em período de teste para fórmula 'um país, dois sistemas'


Pequim, 23 nov 2019 (Lusa) -- Macau celebra em dezembro 20 anos da aplicação no território da fórmula de governo de Pequim 'um país, dois sistemas", um modelo que confere autonomia administrativa e que é hoje posto em causa por causa de Hong Kong.

A fórmula 'um país, dois sistemas', que garante "alto grau de autonomia" a Macau e Hong Kong, foi originalmente proposta pelo líder chinês Deng Xiaoping, no final dos anos 1970, como solução para reunificar Taiwan.

Taipé, no entanto, continua a operar como entidade política soberana. Em Hong Kong, uma das maiores crises políticas de sempre ameaça a autonomia do judiciário local. Resta Macau como exemplo de sucesso.

No final do século XX, os três territórios, historicamente chineses, permaneciam fora do controlo do Partido Comunista Chinês, que tomou o poder no continente, em 1949, após uma longa guerra contra o Governo nacionalista, que se refugiou em Taiwan.

Segundo a fórmula de Deng, Taipé poderia manter uma administração própria, o modo de vida capitalista e até o seu exército, desde que reconhecesse o governo comunista em Pequim como o único legítimo em toda a China.

Taiwan recusou e tornou-se, entretanto, uma democracia, onde o seu povo se identifica cada vez mais com a condição de "taiwanês", por oposição a uma identidade comum com os chineses do continente.

Mas, reconhecendo que a imposição em Macau e Hong Kong do sistema político chinês, após a transferência da soberania por Portugal e Reino Unido, respetivamente, entraria em choque com as sociedades e sistemas económicos locais, a China recorreu à fórmula 'um país, dois sistemas'.

Único deputado português na Assembleia Legislativa de Macau denuncia atos de censura


José Pereira Coutinho é o único português na Assembleia Legislativa de Macau e falou da censura na Assembleia, a descriminação face a associações africanas e o medo de Hong Kong.

O único deputado português na Assembleia Legislativa (AL) de Macau denunciou à Lusa atos de censura às suas intervenções no plenário, com a última tentativa a visar um parágrafo no qual abordava “escândalos de corrupção”.

“Na semana passada, na intervenção antes da ordem do dia, quiseram censurar a minha intervenção na AL”, acusou José Pereira Coutinho, em entrevista, referindo-se aos serviços da assembleia.

Em causa está o seguinte parágrafo: “Decorridos quase vinte anos após o estabelecimento da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau], não podemos deixar de lamentar a incapacidade e falta de coragem do Governo de apresentar propostas de leis relativas à aquisição de bens e serviços, concursos de empreitadas e construções que têm sido foco dos maiores escândalos de corrupção nos últimos tempos”.

Tal como acontece com as perguntas que são dirigidas ao chefe do Executivo, as intervenções em plenário têm de ser remetidas com antecedência. As primeiras uma semana antes, as segundas com um mínimo de 48 horas “com o argumento de que precisam de ser traduzidas”, explicou o deputado, na Al desde 2005. “O que acontece é que eles recebem as nossas intervenções antes da ordem do dia com 48 horas de antecedência, depois ligam-me, para pedir para cortar determinado parágrafo inteiro”, acusou aquele que é também conselheiro das comunidades portuguesas e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.

O deputado afirmou que os pedidos são realizados pelos serviços da AL, em que seja adiantada qualquer justificação. “Mas da minha parte sempre recusei”, salientou, destacando que “sempre que se toca em questões como a corrupção, como a situação do chefe do Executivo ou qualquer outro assunto de melindre, é-lhes inconveniente e pedem”.

Esta situação já foi vivida no passado com mais gravidade, nomeadamente em 2018, já que depois da recusa do deputado em eliminar o parágrafo, a versão chinesa do texto surgia sem conter a frase em questão, de acordo com Pereira Coutinho. “O que tem ocorrido no passado, uma ou outra vez, sem repetição, é que a versão chinesa está censurada, não obstante [manter-se] a minha versão portuguesa. Mas depois de eu ter chamado a atenção, deixaram de fazer isso”, ressalvou.

“Nunca senti quaisquer constrangimentos ou pressões ou ameaças nos últimos 20 anos em Macau. Sempre tive margem de manobra para fazer tudo”, ressalvou, contudo, o único deputado de nacionalidade portuguesa na AL. “Mas (…) por interpostas pessoas já me convenceram a refrear-me um bocadinho em determinados assuntos. Mas eu acho isso muito natural. Isto acontece também em Portugal, nos Estados Unidos, em qualquer país ocidental”, referiu. A agência Lusa pediu na quinta-feira, por email, uma reação ao presidente da AL de Macau, sem que tenha obtido resposta até ao momento.

Acesso a informação e fontes em Timor-Leste é grande desafio -- embaixador da UE


Díli, 23 nov 2019 (Lusa) -- O embaixador da União Europeia em Díli disse hoje que o acesso a informação e a fontes em Timor-Leste é um dos maiores desafios dos jornalistas, condicionando a sua capacidade de contribuir para o controlo das finanças públicas.

"A constituição aponta o direito à informação como um dos pilares do Estado. Mas continua a ser um desafio importante o acesso às fontes", disse Andrew Jacobs, no encerramento de uma formação de jornalistas.

"Transparência e direito à informação são pré-requisitos muito importantes para as auditorias sociais e é necessário um regime eficaz de transparência, divulgação proativa, obrigatória e partilha de todos os documentos relacionados com desenvolvimento e gastos públicos", afirmou.

Cerca de 20 jornalistas timorenses concluíram hoje um atelier de jornalismo em assuntos económico-financeiros, organizado no âmbito de esforços de melhoria da capacidade de controlo das finanças públicas em Timor-Leste.

Jacobs destacou a importância da formação para ajudar a fortalecer a capacidade de "supervisão pública da gestão financeira do Estado", defendendo mais ações em conjunto com a sociedade civil para trabalhar na erradicação da corrupção.

"Meios de comunicação social são fóruns onde será discutida a eficácia, transparência e legalidade de políticas de finanças publicas do país", disse, renovando o compromisso da UE em apoiar parceiros estatais e não estatais.

PR timorense condecora jornalista Max Stahl e pede que lhe seja conferida a nacionalidade


Díli, 22 nov 2019 (Lusa) - O Presidente da República timorense condecorou hoje o jornalista britânico Max Stahl, destacando a sua nobreza e coragem em defesa do direito à autodeterminação, e defendeu que lhe seja concedida a cidadania de Timor-Leste.

"Alguém que, com tanta nobreza, arriscou a sua vida em horas de extrema gravidade e que se entregou totalmente ao nosso país, ganhou o direito de ser cidadão timorense", afirmou Francisco Guterres Lu-Olo.

"O nosso irmão Max Stahl é tão timorense quanto nós. Solicito ao Parlamento Nacional a atenção para este caso por uma questão da mais elementar justiça", disse.

Lu-Olo falava depois de condecorar Max Stahl -- jornalista que filmou o massacre de Santa Cruz a 12 de novembro de 1991 -- com o Colar da Ordem da Liberdade, o mais alto galardão que pode ser dado a um cidadão.

"As imagens de Max Stahl contribuíram muito para alterar as atitudes e ajudar a comunidade internacional a entender que, a manifestação sem medo dos jovens, representava também o desejo profundo de um povo em luta, de um povo que, pelos vistos, sendo corajoso e indomável, soube organizar-se e lutar sob o lema 'Resistir é vencer'", disse o Presidente.

Massacre de Santa Cruz, a fuga para a vida
O decreto de condecoração recorda o papel de Max Stahl, que deu visibilidade da opressão indonésia em Timor-Leste, recolhendo imagens do massacre de Santa Cruz "que influenciaram fortemente a opinião pública internacional" sobre a situação no território.

"A influência no pensamento da comunidade internacional a favor da nossa luta aconteceu graças à filmagem do massacre em Santa Cruz", refere o decreto.

"Max Stahl manifestou a sua coragem apesar de estar em situação de opressão na altura. O massacre de Santa Cruz foi considerado como um ponto de viragem da nossa luta pela libertação da pátria ocupada", nota ainda.

Manifestando "profunda emoção", o chefe de Estado explicou que a condecoração reconhece "tudo o quanto este amigo fez até à data por este país e por este povo que ajudou a libertar da cruel dominação estrangeira".

Lu-Olo recordou os que "lutaram destemidamente e, com determinação por Timor-Leste, movidos pelo dever de servir a pátria e o povo".

Manter-se caído não é opção, a luta por Timor-leste aconteceu e acontece todos os dias
Christopher Wenner, que começou a ser conhecido como Max Stahl, iniciou a sua ligação a Timor-Leste a 30 de agosto de 1991 quando, "disfarçado de turista" entrou no território para filmar um documentário para uma televisão independente inglesa.

Entrevistou vários líderes da resistência e, depois de sair por causa do visto, acabou por regressar, entrando por terra, acabando, a 12 de novembro desse ano por filmar o massacre de Santa Cruz.

"Importa aqui relembrar a sua grande coragem em filmar num dia de indescritível crueldade contra jovens indefesos", recordou Lu-Olo.

"Depois de um interrogatório de 9 a 10 horas na esquadra da polícia de Comoro, Max regressa nesta mesma noite ao cemitério de Santa Cruz, arriscando mais uma vez a sua própria vida, para retirar as cassetes enterradas numa campa recente", disse.

O material que recuperou acabou por ser tirado do país pela holandesa Saskia Kowenberg -- que deverá ser galardoada no próximo dia 28 de novembro, com as imagens a serem emitidas poucos dias depois em todo o mundo.

O Presidente recordou que, desde a independência, Max Stahl tem desenvolvido um amplo projeto para a criação em Timor-Leste de um arquivo audiovisual que ajudará a deixar registos da luta contra a ocupação para gerações vindouras.

"Max Stahl manifestou um desempenho corajoso no percurso da nossa luta. Na época depois da ocupação, Sr. Max Stahl continua a contribuir para o desenvolvimento de Timor-Leste, entre outras coisas, através de uma organização que se chama Centro Audiovisual Max Stahl cujas atividades estão ligadas à preservação, divulgação e desenvolvimento dos arquivos da memória histórica. Os contributos mostrados pelo corajoso jornalista e repórter de guerra merecem ser reconhecidos e valorizados.

Hoje. Max Stahl, um timorense com merecido destaque na perpétua história de Timor-Leste
O chefe de Estado disse que a história mostra que "os timorenses não estavam sozinhos durante os anos da luta" com apoio de cidadãos em vários países.

"Max Stahl veio para filmar, mas entregou-se de corpo e alma ao nosso amado Timor-Leste livre e independente.  Vive hoje em Timor-Leste com a família tendo estado a contribuir, de uma forma inexcedível, para elevar o nível profissional dos nossos repórteres", afirmou.

"Há 28 anos que comunga os nossos ideais e trabalha connosco nas horas boas e nas difíceis! Compartilha connosco as nossas vitórias e fracassos, as nossas emoções, as nossas preocupações e as nossas esperanças num país em estado de consolidação.

Stahl, que vai ter que sair temporariamente de Timor-Leste para tratamentos médicos, já tinha sido agraciado em 2009 com a Ordem de Timor-Leste, na altura com o grau de Insígnia.

ASP // FST

Imagens em Google, legendas PG

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Oposição moçambicana pede demissão do Presidente Filipe Nyusi


O pedido surge depois de o Presidente ser citado no julgamento sobre dívidas ocultas em Nova Iorque. Nyusi foi mencionado como tendo recebido um milhão de dólares da Privinvest para financiar campanha eleitoral de 2014.

Os dois maiores partidos da oposição moçambicana pediram, nesta quinta-feira (21.11), a demissão do Presidente da República, Filipe Nyusi, depois ter sido citado no julgamento sobre as dívidas ocultas, nos Estados Unidos da América.

O libanês Jean Boustnai, negociador da Privinvest e considerado o pivot do escândalo das dívidas ocultas, disse na quarta-feira em tribunal que Nyusi recebeu um milhão de dólares da empresa para financiar a campanha eleitoral de 2014.

Face a estas declarações, o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), José Manteigas, entende que o Presidente se deve demitir, porque não está em condições morais para dirigir o país.

Em entrevista à DW África, o político diz ainda que Nyusi "não está em condições morais para fazer um discurso anticorrupção [e] para apelar ao cumprimento da lei e da Constituição. Portanto, a primeira posição que devia ter é demitir-se, pôr o cargo à disposição e explicar aos moçambicanos se é inocente ou se, de facto, recebeu esse dinheiro".

Moçambique | Zambézia: Polícia anuncia detenção de homens da "Junta Militar"


Polícia moçambicana deteve seis alegados guerrilheiros da autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO, que estariam a preparar ataque na província da Zambézia. Corporação assegura estar preparada para proteger cidadãos.

A polícia garante estar a postos para combater os homens armados que têm realizado ataques no centro de Moçambique. Desde agosto, 10 pessoas morreram nos ataques e o Presidente Filipe Nyusi prometeu, na semana passada, que o Estado iria perseguir os responsáveis.

Timóteo Bernardo, vice-comandante geral da Polícia da República de Moçambique, assegurou esta quinta-feira (21.11) numa conferência de imprensa em Quelimane que a corporação já pôs mãos à obra.

"A partir do nosso comandante-em-chefe, o Presidente da República, recebemos um comando para agirmos no sentido de assegurarmos a pacificação do país", sublinhou.

Angola | Tchizé dos Santos afastada do comité central do MPLA


Bureau Político do partido no poder em Angola aprovou ainda a suspensão da filha do ex-Presidente da condição de militante por dois anos. Tchizé dos Santos já tinha sido afastada, em outubro, do cargo de deputada.

O Bureau Político do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) aprovou, esta quinta-feira (21.11), o afastamento de Welwitschia dos Santos, também conhecida por Tchizé dos Santos, de membro do comité central do partido no poder em Angola e a suspensão por dois anos da condição de militante.

As sanções propostas pela comissão de disciplina e auditoria foram aprovadas naquela que foi a quarta reunião ordinária do Bureau Político do MPLA, orientada pelo líder do partido, João Lourenço.

O órgão de decisão do MPLA justifica a decisão tomada com o facto de a filha do ex-líder do MPLA e antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ter violado os princípios básicos dos estatutos e código de ética partidária.

Em junho deste ano, ocomité central do MPLA suspendeu a também deputada e aprovou a instauração de um processo disciplinar "por conduta que atenta contra as regras de disciplina do partido". 

Em outubro passado,a Assembleia Nacional de Angola aprovou a suspensão do mandato de deputada de Welwitschia dos Santos, por alegada ausência injustificada há vários meses do parlamento.

Deutsche Welle | Agência Lusa

Ex-chefe da secreta militar angolana condenado à prisão, mas defesa recorre


Antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar, general "Zé Maria", foi condenado a três anos de prisão efetiva por extravio de documentos. Mas execução da pena foi suspensa devido a recurso da defesa.

O Supremo Tribunal Militar deu como provado que o general António José Maria, um dos homens fortes durante a governação do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, extraviou documentos que continham informações de caráter militar e condenou-o a três anos de prisão efetiva.

O general foi absolvido do crime de insubordinação, de que também estava acusado. Mas o juiz António dos Santos Neto aceitou um recurso interposto pela defesa, e a execução da pena de prisão foi suspensa.

"A decisão que este tribunal proferiu está suspensa até à decisão do plenário", explicou o magistrado à imprensa. "Pode ser que a gente tenha falhado e o plenário vai rever."

Documentos sobre batalha célebre

Em causa está o extravio de documentos sobre a batalha do Cuito Cuanavale, que o Estado angolano terá adquirido por mais de dois milhões de dólares.

Segundo a sentença do tribunal, ficou provado que o general "Zé Maria" se aproveitou "do acesso que ainda tinha às instalações do SISM [Serviço de Inteligência e Segurança Militar] para retirar os documentos", recusando-se a devolvê-los e desrespeitando assim uma ordem do Presidente da República, João Lourenço.

Os documentos só foram recuperados mediante um mandado de busca e apreensão.

Guiné-Bissau | "Tudo pode acontecer" nas presidenciais de domingo


Guineenses vão a votos no domingo, 24 de novembro. Analista considera que não há vencedores à partida, tudo está em aberto. E alerta para possibilidade de alguns derrotados não reconhecerem os resultados.

Durante os 21 dias de campanha eleitoral, os 12 homens que ambicionam a Presidência da República guineense fizeram muitas promessas, trocaram acusações e até houve ataques pessoais. Dois grandes temas que marcaram a campanha foi a possibilidade de revisão da Constituição, para aumentar os poderes do Presidente, e a mediação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na crise política guineense.

Alguns candidatos classificam a intervenção da organização como "ingerência" nos assuntos internos do país, outros encaram isso como algo normal, tendo em conta que a Guiné-Bissau é membro da CEDEAO.

Apesar das divergências, a campanha foi pacífica. Não houve qualquer incidente de destaque. Um estudante universitário ouvido pela DW África nas ruas de Bissau espera que o clima continue assim nos próximos dias: "Espero que sejam eleições que corram de uma forma ordeira e que vença o candidato que possa, efetivamente, ajudar o país a sair deste marasmo".

"Devemos ajudar para que as eleições possam correr bem", acrescenta uma vendedeira. "Que cada um vá com a sua consciência e vote tranquilamente. É isso que espero que acontença nessas eleições", afirma outro cidadão.

Guineenses em Portugal confiantes nas mudanças que eleições trarão ao país


Guineenses em Portugal querem paz e concórdia entre políticos e dirigentes para poderem regressar ao seu país. Analista diz também que "impasse político poderá chegar ao fim" com esta votação.

Muitos guineenses juntam-se na baixa de Lisboa, principalmente no Rossio. Falam dos problemas da vida como imigrantes, tratam de negócios e não se esquecem de trocar conversa sobre o que vai acontecendo na Guiné-Bissau, onde tem lugar, este domingo (24/11), um novo ato eleitoral, desta vez para a escolha do novo Presidente da República. 

Mamadou Djaló, há cerca de 20 anos de Portugal, garante, em declarações à DW África, que não vai faltar à votação. Diz que vai votar na mudança, porque quer o bem-estar do seu país. E afirma que já é hora de pôr um fim nos conflitos e na instabilidade. "Já há muitos anos na mesma lengalenga; é só guerras, guerras, só conflitos e nada mais", constata.

Ver para crer

Djaló, tal como o amigo ao lado, era comerciante na Guiné-Bissau, país que abandonou devido à instabilidade. "Como as coisas estavam a correr mal, fugi e vim para aqui trabalhar. Tirei curso de segurança, fui buscar os meus netos para estudar. Lá não há escolas. É isso que me trouxe cá", conta este guineense, que prevê o regresso ao seu país quando as coisas melhorarem.

"Tenho esperança que desta vez a Guiné-Bissau vai mudar. [Há que] aprender com Cabo Verde e com outros [países] que estão a trabalhar bem com democracia pura", afirma.

Mais acima do Largo de São Domingos, ao lado do Palácio da Independência, duas vendedeiras, que comercializam na rua alguns dos produtos tradicionais vindos da Guiné-Bissau, recusam-se a falar para a nossa reportagem. Não por medo. Preferem o silêncio, por experiências do passado, como sinal de quem quer ver primeiro para crer.

Em frente ao Teatro D. Maria II, perto da hora de almoço, estava reunido outro grupo de guineenses. Braima Djaló, há 34 anos em Portugal, não está recenseado, pelo que não vai votar. À DW explica: "Para falar verdade, não me recenseei. Não tinha tempo para ir recensear, estava doente. E agora, sem estar recenseado, não posso ir votar".

No entanto, aspira o melhor para a Guiné-Bissau nestas eleições presidenciais. "Todos estamos confiantes que os políticos se entendam para o bem do país e para o bem do povo", garante o guineense, que acrescenta: "Nós que estamos fora, no estrangeiro, não queremos ouvir complicações na Guiné. Queremos paz e estabilidade, porque muitos imigrantes estão aqui a sofrer".

O fascismo é a verdadeira face do capitalismo


Bertolt Brecht [*]

A verdade deve ser dita tendo em vista os resultados que produzirá na esfera da ação. Como exemplo de uma verdade da qual nenhum resultado, ou o errado, se segue, podemos citar a visão generalizada de que prevalecem más condições em vários países como resultado da barbárie. Nessa visão, o fascismo é uma onda de barbárie que desceu sobre alguns países com a força elementar de um fenómeno natural.

De acordo com essa visão, o fascismo é um terceiro poder novo ao lado (e acima) do capitalismo e do socialismo; não apenas o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam sobrevivido sem a intervenção do fascismo. E assim por diante. Esta é, obviamente, uma reivindicação fascista; aderir a isso é uma capitulação ao fascismo.

O fascismo é uma fase histórica do capitalismo; neste sentido, é algo novo e ao mesmo tempo antigo. Nos países fascistas, o capitalismo continua a existir, mas apenas na forma de fascismo; e o fascismo apenas pode ser combatido como capitalismo, como a forma de capitalismo mais nua, sem vergonha, mais opressiva e mais traiçoeira.

Mas como pode alguém dizer a verdade sobre o fascismo, a menos que esteja disposto a falar contra o capitalismo, que o traz à tona? Quais serão os resultados práticos de tal verdade?

Aqueles que são contra o fascismo sem serem contra o capitalismo, que lamentam a barbárie que sai da barbárie, são como pessoas que desejam comer carne de vitela sem matar o bezerro. Eles estão dispostos a comer o bezerro, mas não gostam da visão de sangue. Eles ficam satisfeitos com facilidade se o açougueiro lavar as mãos antes de pesar a carne. Eles não são contra as relações de propriedade que geram a barbárie; eles são apenas contra a própria barbárie. Eles levantam as suas vozes contra a barbárie e fazem-no em países onde prevalecem exatamente as mesmas relações de propriedade, mas onde os açougueiros lavam as mãos antes de pesar a carne.

Portugal | OK, põe-me KO


Miguel Guedes* | Jornal de Notícias | opinião

Há 30 anos, 21 de Abril de 1989, polícias (os "molhados") que se manifestavam na Praça do Comércio pelo direito de associação sindical foram brindados com os cães e canhões de água dos seus colegas do Corpo de Intervenção da PSP (os "secos").

Muitos consideraram que a convicção dos confrontos, mais do que perigosa para os estados gripais, não era inócua para a estado de saúde da democracia. Foi a primeira e última vez que assistimos a canhões de água a disparar contra pessoas. Há 6 anos, sindicatos e associações das forças de segurança invadiram as escadarias da Assembleia da República em confrontos muito tensos com os seus colegas. Soaram alertas.

Três décadas depois, já com um associativismo sindical que se devia querer maduro, as imagens dos "friendly fire" de 1989 e 2013 permanecem simbólicas da relevância que as forças policiais agregam em nome da defesa da democracia e do Estado de Direito. Ontem no Parlamento, com alguma previsibilidade, assistimos à tentativa de instrumentalização de uma manifestação supostamente apartidária por elementos da extrema-direita e por um deputado a soldo da sua agenda. O perigo também mora em casa. A Polícia portuguesa tem que ser obrigada a olhar para dentro.

Portugal | "Marcelo fala como dirigente sindical dos polícias, a maioria fascista"


O Presidente da República e o deputado do Chega são os visados da mais recente reflexão de Alfredo Barroso sobre a manifestação de polícias.

Cerca de 13 mil pessoas manifestaram-se, na quinta-feira, em frente à Assembleia da República por melhores condições de trabalho para as forças de segurança.

O protesto, composto maioritariamente por polícias e militares da GNR, decorreu de forma pacífica e até teve a participação do deputado do Chega, André Ventura, que discursou para os milhares de manifestantes que se encontravam à beira da escadaria da Assembleia da República.

Face ao exposto, e como já vem sendo habitual, o antigo socialista Alfredo Barroso teceu alguns comentários a propósito do tema e não resistiu a chamar "fascista" a André Ventura, quem considerou ter sido o "herói da festa".

Portugal | Políticos próximo do zero


Paulo Baldaia | TSF | opinião

Tenho gasto o meu latim a tentar convencer quem pode fazer alguma coisa que o movimento de extrema-direita em Portugal continuará num crescimento imparável se continuarmos a fazer tudo na mesma.

Se o poder político, legislando na Assembleia da República ou governando em cada um dos ministérios, continuar a fazer tábua rasa da evidência de que há uma parte significativa dos portugueses que vive em pobreza extrema, bem para lá do que medem os índices oficiais, essas pessoas vão dar força ao Ventura.

Mas não são apenas os pobres, eleitores típicos de esquerda, que estão disponíveis para votar Chega. A hipocrisia política com que o PCP e a CGTP estiveram no apoio ao governo socialista, criticando mas aprovando, também atirou muitas corporações para os abraços dos extremistas e dos sindicatos inorgânicos, criados propositadamente para defender grupos específicos.
O que aconteceu ontem, com os polícias a privilegiarem o Chega para defender no Parlamento as suas reivindicações, dando-lhe o palco, mostra como é fácil a extrema-direita crescer também onde quem sempre mandou foi a esquerda: a rua.

O que mais assusta nisto tudo é que os políticos do arco do poder continuam a pensar que tudo não passa de um fenómeno restrito e passageiro. Estão convencidos que nasceu do nada e em nada se vai transformar. O problema é que o povo pagará custos bem mais altos do que esses políticos que não querem ver o que está a acontecer. É bem verdade que o pior cego é o que não quer ver!

Portugal | A MANIFESTAÇÃO DO MOVIMENTO ZERO


Ontem, quinta-feira (21), Portugal assistiu a uma mega manifestação do Movimento Zero num palco de Lisboa, a Assembleia da República. Afinal não foi uma manifestação liderada pelos homens e mulheres que asseguram a segurança aos cidadãos em Portugal, a GNR e a PSP, como julgávamos que ia acontecer.

Está fora de questão sobre a maior parte das razões que os profissionais daquelas instituições têm para protestar contra os tratos de polé de governos que tudo tem feito para não os ouvir a exigir o que em boa verdade é imperioso ser-lhes concedido sem favores: a sua dignificação e o reconhecimento pelo bem do seu desempenho.

A questão é que o Movimento Zero, apontado como neofascista, abafou a voz da razão aos PSPs e aos GNRs que ali se deslocaram. A comprová-lo ficaram as camisolas vestidas do referido movimento, assim como a voz de um já muito referido recém-deputado declaradamente racista e com várias declarações que o colam ao neofascismo, ao oportunismo, ao popularismo de uma direita extremista, adepta de políticas de ódio. Ideologia contrária à democracia, transparência e tolerância que queremos aprofundada cada vez mais.

É evidente que o presidente do sindicato dos profissionais da PSP se demarcou do Movimento Zero, pôs paninhos de àgua fria no escaldante ambiente que foi declaradamente, comprovadamente, requentado pelo Movimento Zero e por André Ventura, um reconhecido e declarado racista, para não pôr mais na escrita. Que esse tal André se aproveitou poderá ser evidente, mas, então, como se justifica que tantos agentes vestissem as camisolas do pernicioso e não identificado Movimento Zero?

É exatamente por isso e o que mais foi visto e ouvido que não é difícil concluir que afinal a manifestação - que seria dos profissionais de duas instituições apreciadas e a quem tanto os portugueses devem – pertencem ao anónimo e apontado neofascista Movimento Zero.

Uma lástima foi o que ontem vimos e ouvimos sobre aquela manifestação que devia de pertencer justamente aos agentes da PSP e da GNR.

Resta ter a esperança de que os organizadores sindicais tenham aprendido e que os agentes não se deixem manipular por execráveis desestabilizadores dos que têm, sem sobra de dúvidas, toda a razão nas suas reivindicações profissionais e da retoma das suas dignidades como portugueses que são.

Nem Venturas, nem zeros – à esquerda ou à direita – valem uma ínfima parte do valor dos agentes de segurança de Portugal e dos portugueses. Quem se esqueceu disso?

Leia no Expresso, a seguir, o Curto. Hoje está repleto de interesse nas abordagens. E o Zero não falta. Nem o Ventura fascistoide, que é deputado, populista e racista.

MM | PG

“PINOCHETAZZO” SOBRE A AMÉRICA LATINA! - Martinho Júnior


 Martinho Júnior, Luanda 

O imperial fantasma do “Chicago boy” Pinochet, paira como um monstruoso condor sobre toda a América Latina e Caraíbas, do Rio Grande ao Cabo Horn!

Essa sulfúrica espada de Dâmocles manipulada pelo império da hegemonia unipolar, pende sobre as nações, os estados e os povos, irremediavelmente suspensa e pronta a abater, desenhando-se em todos e quaisquer horizontes e só Cuba Revolucionária, assim como a Venezuela Bolivariana, criaram organicamente escudos e anticorpos vitais, graças à lucidez e às frutíferas experiências dos Comandantes Fidel de Castro e Hugo Chavez e seus dignos povos, com capacidade e pujança para vencer e vencer e vencer o monstro, apesar do ódio desse monstro e apesar da barbaridade das sanções e bloqueios!...

01- O universo progressista continua a produzir suas próprias ilusões, não podendo ainda escapar a elas, pelo que está condenado a alimentar ainda muitas utopias irrealizáveis nos seus horizontes: apesar da sua clarividência e identidade, cada vez coloca mais raposas nos seus próprios galinheiros e, com a proliferação das raposas, as galinhas acabam sempre por estar à mercê do seu trágico destino!

Explico-me:

. Na superestrutura ideológica o fantasma fascizante de Pinochet flui em seu éter fundamentalista e radicalista, formatado no sopro da “civilização judaica-cristã ocidental”, no prolongamento transatlântico do sopro do “Le Cercle”, tão experimentado em transversalidades ao sabor das “redes stay behind” da NATO, como das “revoluções coloridas” e “primaveras árabes” de última geração;

. Nos instrumentos de poder de estado, os oficiais das Forças Armadas são “formados” geração após geração, na Escola das Américas, assim como os oficiais das Polícias, “aprendem” em escolas do FBI, de forma a garantir a matriz do jogo do império por toda a América Latina e Caraíbas;

. No aparelho da Justiça, são as Universidades dos Estados Unidos a chancela para curriculuns doutrinários “bem-sucedidos”, indispensáveis para se dar caça àqueles que alguma vez ousarem desafiar o imperial fantasma;

. Na economia, as oligarquias formadas sobretudo ao sabor da tão primária indústria extractivista, animam seu próprio destino embaladas pelas correntes neoliberais que escancaram as portas de todos os mais vulneráveis países às transnacionais entre si concorrentes e também por isso ávidas de matérias-primas baratas e de mão-de-obra escrava, dócil e submissa;

. Nas relações internacionais as disputas entre hegemonia unipolar e multilateralismo, faz-se indexada a um capitalismo que pouco espaço dá às nações e aos povos que aspiram legitimamente à civilização e não à barbárie, a um mundo efectivamente melhor e respeitador quer da humanidade, quer do próprio planeta!...

Governos conservadores empoderam o racismo



A Nação brasileira é constituída por diferentes matrizes, de várias partes do mundo que, ao longo desses 519 anos de história, tornaram o Brasil um país plural, com uma população diferente de qualquer outra em qualquer parte do mundo.

Wadson Ribeiro* | Vermelho | opinião

Aqui, além dos nativos, se instalaram europeus, árabes, asiáticos e, de forma mais volumosa, escravos vindos da África. Essa diversidade, que de acordo com Darcy Ribeiro fez do povo brasileiro um povo novo, fruto de toda essa miscigenação, que conferiu ao Brasil a unicidade e a riqueza cultural de seu povo, mas, por outro lado, não corrigiu as assimetrias socioeconômicas advindas da colonização e que ainda hoje se manifestam.

Há duas semanas, durante o clássico entre Atlético e Cruzeiro os irmãos Adrierre e Natan da Silva, torcedores do Atlético, agrediram o segurança do Mineirão Fábio Coutinho chamando-o de “macaco” e cuspindo em sua direção. Dias antes, a cuidadora de idosos Eliangela Carlos Lopes, denunciou à Polícia mineira um anúncio de emprego recebido que vetava a seleção de negros. Em outro episódio condenável, o representante do MBL (Movimento Brasil Livre) em Minas, Tiago Dayrell, ofendeu a cozinheira de um restaurante da capital chamando-a de crioula. Esse fato, aliás, parece ter sido premeditado, pois o agressor filmou a confusão que provocou para sensacionalizar nas redes sociais, algo típico desse movimento de caráter fascista.

Grupos neonazistas se multiplicam pelo Brasil


Brasil já tem 334 células neonazistas de extrema-direita em atividade. A maioria se concentra nas regiões Sul e Sudeste, mas há registros também em cidades como Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Feira de Santana (BA).

O Brasil contém 334 células nazistas em atividade no Brasil, de acordo com uma pesquisa feita por Adriana Abreu Magalhães Dias, antropóloga da Unicamp.

A maioria dos grupos se concentra nas regiões Sul e Sudeste e se dividem em até 17 movimentos distintos, entre hitleristas, supremacistas/separatistas, de negação do Holocausto ou seções locais da Ku Klux Klan.

A pesquisa mostra que há registros de grupos localizados em cidades como Fortaleza, João Pessoa, Feira de Santana (BA) e Rondonópolis (MT). Porém, o estado com mais células é São Paulo, com 99 grupos, sendo 28 só na capital. Santa Catarina vem logo atrás com 69 células, seguido por Paraná (66) e Rio Grande do Sul (47).

Há exemplos também de estados que estavam sem registros de atividades até pouco tempo, mas começam a ganhar corpo, como Goiás, que já possui seis grupos nazistas. As células são compostas por três a 40 pessoas.

Em suas pesquisas especializadas na ascensão da extrema direita, Adriana também identificou mais de 6.500 endereços eletrônicos de organizações nazistas somente em língua portuguesa e dezenas de milhares de neonazistas brasileiros em fóruns internacionais.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Bolívia: e os indígenas resistem ao golpe…


Dez dias (e 23 mortes) passaram-se, mas ultradireita não foi capaz de silenciá-los. Exilado, o vice-presidente descreve a caça às cholas, a ação das milícias, a traição dos generais. E a covardia da classe média, tropa de choque do racismo colonial

Álvaro García Linera | Outras Palavras | Tradução: Simone Paz

Feito densa neblina noturna, o ódio percorre ferozmente os tradicionais bairros de classe média urbana da Bolívia. Seus olhos transbordam de ira. Não gritam, cospem; não reclamam, impõem. Seus clamores não são pela esperança nem pela irmandade, são de desprezo e de discriminação contra os índios. Montam suas motos, sobem em suas caminhonetes, agrupam-se em suas confrarias e faculdades privadas e saem à caça dos índios atrevidos que tiveram a coragem de arrebatar-lhes o poder.

Na cidade de Santa Cruz, organizam quadrilhas motorizadas em suas 4×4, com porretes nas mãos para surrar índios — os quais eles chamam de collas [pessoa de traços indígenas ou de estrato social desfavorecido] e que vivem nos bairros marginais ou nos mercados. Cantam hinos sobre matar collas e, se no meio do caminho aparecer alguma mulher de pollera [saia rodada que é o traje tradicional das cholas bolivianas], ela é espancada, ameaçada e coagida a abandonar aquele território. 

Em Cochabamba organizam comboios para impor sua supremacia racial na zona sul, onde habitam as classes abastadas, e hostilizam — como se fossem um destacamento da cavalaria — milhares de mulheres camponesas indefesas, que marcham pedindo paz. Em mãos, levam tacos de beisebol, correntes, granadas de gás. Alguns até exibem armas de fogo. Mulheres são suas vítimas preferidas, pegam uma prefeita de uma comunidade campesina para humilhá-la e arrastá-la pela rua: batem nela, urinam nela quando cai no chão, cortam-lhe o cabelo, ameaçam linchá-la e, quando percebem que estão sendo filmados, resolvem jogar tinta vermelha nela, simbolizando o que farão com o sangue dela.

Em La Paz, desconfiam de suas empregadas e ficam em silêncios quando elas levam a comida à mesa, no fundo, sentem medo delas, mas também as desprezam. Depois, saem às ruas para gritar, insultando Evo e, com ele, a todos os índios que ousaram construir uma democracia intercultural com igualdade. Quando são muitos, arrastam a bandeira wiphala, cospem e pisam nela, para cortá-la e queimá-la. É uma raiva visceral a que descarregam sobre esse símbolo indígena que gostariam de eliminar da face da terra, junto com todos aqueles que se reconhecem nele.

Netanyahu | Primeiro-ministro de Israel acusado de corrupção


Benjamin Netanyahu, atualmente à frente de um governo de gestão, falhou tentativa de formar novo executivo na sequência das eleições de setembro. Agora, confirma-se a acusação por fraude, suborno e quebra de confiança.

O procurador-geral de Israel, Avichai Mendelblit, anunciou esta quinta-feira que reteve as três acusações que a Polícia lhe sugeriu contra o primeiro-ministro, o conservador Benjamin Netanyahu. Fraude, suborno e quebra de confiança são os alegados crimes e podem mexer com a política israelita nas próximas semanas.

Em causa estão favores a patrões de certa imprensa, por via de leis ou outras estratégias, em troca de cobertura favorável, bem como favores políticos a um magnata de Hollywood em troca de presentes caros.

A acusação acontece em pleno impasse eleitoral em Israel, que já passou por duas eleições este ano. Netanyahu perdeu as últimas por uma unha negra para o ex-líder militar Benny Gantz. Convidado a formar governo por reunir mais consensos, Netanyahu falhou, como Gantz falharia depois. O poder está agora nas mãos do parlamento, a quem compete determinar um nome.

O processo por corrupção contra Netanyahu pode alterar significativamente os equilíbrios. É a primeira vez que um líder israelita é alvo de acusação.

Portugal | Movimento Zero é neofascista e infiltrou-se na PSP e GNR?


Na fotogaleria do Jornal de Notícias podemos ver imensas fotografias em que realmente Zero é palavra de ordem. 

Segundo afirmado na TSF e noutros órgãos de comunicação social, antes da realização da manifestação da PSP e da GNR, intervenientes-comentadores salientaram que o denominado Movimento Zero é omisso acerca dos seus responsáveis, não dão a cara, e que além disso suspeitam que façam parte de uma linha ideológica neofascista que se infiltrou na PSP e na GNR. Era então recomendado pelos comentadores naquela rádio que os agentes de autoridade a manifestarem-se não se deixassem manipular e se distanciassem do Movimento Zero. 

Pelo que o JN nos mostra a distanciação não aconteceu e as imagens na referida fotogaleria comprovam-no. Sendo assim há questões que devem ser esclarecidas, quem são os dirigentes do Movimento Zero? Até que grau forças político-partidárias estão infiltradas nas forças de segurança? (PG)