domingo, 24 de novembro de 2019

Saiba como decorreram as eleições na Guiné-Bissau – minuto a minuto


Mais de 760 mil eleitores são, este domingo (24.11), chamados a votar nas eleições presidenciais na Guiné-Bissau para escolher, entre 12 candidatos, quem irá suceder a José Mário Vaz, que se recandidata ao cargo.

Todas as atualizações na hora de Bissau

18:28 Cidadãos transmitem em direto no Facebook a contagem dos votos. Albano Barai é um deles.

18:17 Termina a votação sem incidentes e, neste momento, faz-se a contagem dos votos um pouco por todo o país e também na diáspora.

18:00 Começa o encerramento das urnas nas eleições presidenciais guineenses. Neste momento, várias assembleias de voto estão a preparar a contagem dos votos para afixação das atas sínteses, relatam rádios do país. 

17:49 A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau reafirma, na sua segunda avaliação ao processo de votação, que tudo continua a decorrer com toda a normalidade, em todo o território nacional, bem como na diáspora e sem incidentes. A porta-voz da CNE, Felisberta Moura Vaz, sublinha que houve apenas uma situação que interrompeu a votação, no círculo 12, mesa 2, em Djabicunda, na região de Bafatá, leste da Guiné-Bissau. Mas diz que a situação foi ultrapassada e os eleitores continuam a votar.

"O funcionamento das mesas da assembleia de voto está a decorrer com total normalidade", afirma a CNE, quando falta uma hora para o fecho das urnas. A Comissão Nacional registou também a "afluência massiva2 às urnas, pelo que antevê que a taxa de participação será "positiva".  A CNE não confirmou as denúncias, feitas nas redes sociais, de tentativa do enchimento de urnas no interior do país. 

Standard & Poor's retira Moçambique da categoria de incumprimento financeiro


A agência de notação financeira Standard & Poor's melhorou o 'rating' de Moçambique, atribuindo à economia do país uma Perspetiva de Evolução Estável.

"O Governo de Moçambique completou uma troca de títulos de 'dívida problemática'. No seguimento dessa resolução, estamos a melhorar o 'rating' para emissões em moeda estrangeira de curto e longo prazo - de SD ('selective default' ou incumprimento financeiro seletivo, em português), para CCC+/C - e afirmamos as emissões em moeda nacional no patamar B-/B", lê-se numa nota divulgada pela agência de notação financeira.

"A Perspetiva de Evolução Estável equilibra, na nossa visão, os riscos associados aos elevados défices gémeos [orçamental e de balança comercial] com as perspetivas de melhoria no crescimento económico nos próximos 12 meses, apoiadas pelos grandes investimentos na indústria extrativa", acrescenta-se na nota que acompanha a retirada do país do 'default'.

Metro de superfície pode ser a solução para o problema dos transportes de Luanda?


Primeiro metro de superfície em Angola começa a ser construído em 2020. O investimento vai custar aos cofres do Estado cerca de três mil milhões de dólares. Cidadãos louvam a iniciativa, mas preferem "ver para crer".


Andar de transporte público em Luanda e noutras cidades angolanas é um verdadeiro problema. Quem o diz é o cidadão Pedro Soma, em declarações à DW África. Os taxistas, vulgo kandongueiros, têm sido a sua solução.

"É muito difícil, visto que há escassez e também há excesso de lotação nos transportes públicos tanto de autocarros como de comboios. Normalmente ando mais de táxi," conta.

Também Graciano Luís, outro residente da capital angolana, fala em escassez de transportes públicos. Os autocarros e os comboios que circulam por Luanda não satisfazem a demanda, diz.

"Não há autocarros suficientes e os que existem não chegam em determinados sítios. São apenas para alguns sítios restritos," lamenta.

Para Vasco da Gama, especialista em questões rodoviárias, a procura por transporte público é maior que a oferta. O autor do livro "A Problemática do Congestionamento em Luanda" diz ainda que o número de habitantes contrasta com os meios de transporte disponíveis. 

"Nós temos uma cidade, hoje, com oito milhões de habitantes para pouco mais de mil autocarros em linha, incluindo a isso uma linha de comboio. Nós estamos a falar que, em termos de capacidade de transportação das pessoas - dos cidadãos que queiram ir ao trabalho, à escola, aos passeios - temos um número maior se comparado com o número de transportes disponíveis," afirma.

Guiné-Bissau | Polícias togoleses reforçam segurança nas eleições


Mais de 100 polícias do Togo chegaram a Bissau entre sexta-feira e sábado para ajudar a garantir a segurança das eleições presidenciais de domingo, disse à Lusa fonte governamental.

"Cento e quarenta polícias do Togo chegaram entre sexta-feira e sábado para ajudarem a garantir a segurança das eleições presidenciais", confirmou fonte do Ministério do Interior guineense.

A cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), realizada no passado dia 08 no Níger, decidiu reforçar a segurança no país, depois de o Presidente cessante e candidato às presidenciais, José Mário Vaz, ter demitido o Governo liderado por Aristides Gomes e nomeado um outro.

A CEDEAO, que tem mediado a crise política no país desde 2016, condenou a decisão de José Mário Vaz e reforçou que só reconhece o Governo de Aristides Gomes, que tomou posse em junho, na sequência das legislativas realizadas em 10 de março.

Abriram as urnas para as presidenciais na Guiné-Bissau


As urnas para eleições presidenciais na Guiné-Bissau abriram hoje às 07h00 em todo o país, disse à Lusa fonte da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau garantiu na sexta-feira que estão reunidas as condições para que a votação para as presidenciais decorra "com tranquilidade" e "sem sobressaltos".

Segundo a CNE, estão inscritos para votar 761.676 eleitores. As urnas abrem às 07h00 e encerram às 17h00 (mesma hora em Lisboa).

Durante o dia, 6.500 elementos das forças de segurança e defesa vão garantir a segurança da votação.

A campanha foi marcada pela nomeação, por parte do Presidente, de um novo Governo, que foi recusado pela comunidade internacional e que exigiu a José Mário Vaz uma gestão mais limitada sob a ameaça de imposição de sanções.

Portugal | Trabalho e taxas de sindicalização


Manuel Carvalho Da Silva | Jornal de Notícias | opinião

Sempre que as sociedades atravessam períodos de crise ou de descalabro, o trabalho e os trabalhadores são muito maltratados: os sindicatos, fortemente atacados, perdem representatividade e força.

Sempre que se retomam a afirmação das liberdades, da democracia, da justiça social e da economia ao serviço de todos, os sindicatos são chamados à participação, tornando-se atores importantíssimos nos processos de desenvolvimento.

Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), dizem-nos que Portugal tinha, em 2016, uma taxa de sindicalização de 15,3%. Há outras estimativas no plano nacional que oscilam conforme as fontes a que recorrem e o universo de trabalhadores considerados. Quais as causas desta baixa taxa?

Os sindicatos deparam-se com profundas mudanças na divisão internacional e social do trabalho, com alterações estruturais das empresas, da forma de organização e prestação do trabalho, com impactos brutais da financeirização da economia, com uma precarização crescente. Quem comanda as agendas destas mudanças, a partir da cartilha neoliberal, é o poder económico e financeiro a quem o poder político se vem subjugando e oferecendo legislação antilaboral e políticas públicas a seu favor. Assim se vai desvalorizando o trabalho e as instituições de representação dos seus interesses específicos, bem como o seu papel de mediação.

Portugal | "Há psicopatas na banca e nas mais altas esferas da política"


ENTREVISTA

Joana Amaral Dias, autora do 'Psicopatas Portugueses', é a entrevistada de hoje do Vozes ao Minuto.

Psicóloga e comentadora televisiva, Joana Amaral Dias é também conhecida pelos livros que escreve.

O seu mais recente trabalho, 'Psicopatas Portugueses', conta a história de 13 psicopatas que, segundo a autora, deviam "figurar na galeria de horrores de qualquer país".

No entanto, não são muito conhecidos: ou porque se trata de crimes que ocorreram noutros séculos ou porque as autoridades quiseram "varrer para debaixo do tapete".

O interessante desta obra, explicou Joana Amaral Dias, é que aborda a questão do ponto de vista da psicologia forense. Mais do que contar a história destes crimes, a especialista descreve e explica os processos mentais que estiveram na sua origem.

As vendas, contou, estão a ser "espetaculares" com o livro a chegar já à sua quinta edição em apenas cinco meses e "é possível" que a caminho esteja já um segundo volume com mais histórias de psicopatas afinal, disse, "material não falta".

E não falta porque o povo português, ao contrário do que o Estado Novo fez crer, não é assim de "tão brandos costumes".

Como surgiu a ideia para escrever este livro? 

Surgiu de uma forma super natural. Eu faço crónica criminal e a certa altura precisei de consultar informação sobre um caso para mostrar no programa e dei-me conta que não havia nenhum livro sobre os grandes casos de homicidas em Portugal que fosse escrito por alguém da psicologia ou da psiquiatria. Fiquei muito espantada ao descobrir isto e, havendo esse vazio, achei que fazia sentido fazer esse estudo.  

Quanto tempo precisou para concluir o livro? 

A investigação é sempre a parte mais morosa. Havia casos, os mais badalados, sobre os quais havia muita informação, como foi o caso do Rei Ghob, mas depois havia uma série de casos com muito pouca informação. A parte da investigação demorou mais de um ano e depois mais cerca de um ano para escrever.  

Por que razão escolheu estes 13 casos? 

São casos que ilustram bem quadros mentais específicos e essa é uma das preocupações deste livro: mostrar casos com um contexto clínico de funcionamento mental muito diferente. A Luísa de Jesus, a Maria José e o João Barbosa não estavam tão documentados, precisei de fazer muita investigação, mas depois havia o caso do cabo Antunes que tinha sido varrido para debaixo do tapete, sendo que este é um caso muitíssimo ilustrativo daquilo que é um assassino aniquilador, que é o tipo de assassino que estamos habituados a ver nos Estados Unidos, mas que também há em Portugal. 

E qual foi o seu objetivo ao escrever este livro? 

São vários. Primeiro, isto é um livro de divulgação científica para o grande público, para as pessoas que não são da área para, justamente, poder mostrar a quem se interessa o que pode estar por trás destas histórias. Refiro-me não só ao tipo de funcionamento mental de alguém que tira a vida a outra pessoa, mas também ao contexto sociocultural que pode estar na base de tudo isto e daí este ser um livro que conta histórias reais. 

Não há ficção? 

Nenhum facto é ficcionado. O livro conta como é que tudo se passou e que leitura é que isso tem do ponto de vista psicológico. É uma obra muito centrada naquilo que é o funcionamento mental do homicida e menos centrada na vítima, porque há essa curiosidade natural de as pessoas de tentarem perceber que mecanismos são esses e, por outro lado, também para desmistificar aquela ideia que está muito difundida sobre o homicida que ‘era tão bom vizinho’ e que ‘não havia sinais de que pudesse fazer uma coisa destas’. Isso não é verdade. 

Portugal | 25 de Novembro: Mário Tomé contra "o disparate" da condecoração


Mário Tomé, militar de Abril e ex-deputado da UDP, é contra "o disparate" da distinção com a Ordem da Liberdade dos militares envolvidos no 25 de Novembro, o movimento que pôs fim ao processo revolucionário em 1975.

"A Ordem da Liberdade, que não foi dada a muitos dos que tiveram um papel fulcral no 25 em Abril, querem dá-la agora a quem fez o 25 de Novembro? É um disparate completo", afirmou à Lusa, num comentário à proposta do CDS para que os envolvidos neste movimento, civis e militares, sejam agraciados com a distinção.

E, apesar de usar outros argumentos, Vasco Lourenço duvida ser possível pôr em prática uma das ideias do CDS -- a distinção com a Ordem da Liberdade dos civis e militares envolvidos nos acontecimentos de há 44 anos.

"Além do facto de muitos capitães de Abril ainda não terem sido condecorados, apesar da sua ação relevante no 25 de Abril (conspiração e operação militar), pergunto: quem está em condições, isto é, tem competência para decidir sobre quem deve ser condecorado?", perguntou.

China | Liberdade, responsabilidade e tolerância


José Carlos Matias | PlataformaMacau | opinião

A reportagem que publicamos esta semana sobre o jornal universitário Orange Post reveste-se de um significado especial. Ilustra uma consciência cívica e jornalística de um grupo de jovens que cultivam um espaço importante de cidadania e jornalismo. É também um laboratório no qual os estudantes experimentam um primeiro contacto com o exercício da liberdade de imprensa e sentido de responsabilidade social. Macau precisa de mais espaços deste género para promover e normalizar entre os jovens e a sociedade um saudável ambiente de pluralismo e espírito crítico. Sem receios de represálias. O jornalismo é, na sua essência, um bem público - vital para o exercício da cidadania - que se encontra sob elevada pressão, a nível global, em virtude do incómodo que provoca a poderes públicos e privados, da falência de modelos de negócio tradicionais e de uma proliferação de um ambiente de "pós-verdade", que o corrói, dilacerando o entendimento do que são os factos e a realidade.

A busca da verdade é a raison d"être do jornalismo, não no sentido absoluto ou filosófico, mas em termos práticos e com honestidade intelectual, e seguindo as boas regras que alicerçam o nosso papel social de serviço público e parte de um sistema de pesos e contrapesos.

Macau tem um dos maiores PIB 'per capita' do mundo, mas riqueza está mal distribuída


Macau, China, 24 nov 2019 (Lusa) -- O secretário-geral da Cáritas Macau disse em entrevista à Lusa que o território possui um dos maiores Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita' do mundo, mas que a riqueza está mal distribuída.

"Somos muitos ricos 'per capita' mas a riqueza não está distribuída de acordo com o nosso desenvolvimento", lamentou Paul Pum, responsável da instituição desde 1991, primeiro enquanto assistente do diretor, depois de 2000 na qualidade de secretário-geral.

Para ilustrar a disparidade, Paul Pum deu o seguinte exemplo que respeita à evolução do território desde a passagem da administração para a China: "O Governo aumentou em 14 vezes, desde 1999, [a despesa] na área social, mas o preço da habitação cresceu 21 vezes".

Ou seja, concluiu, "não se conseguiu acompanhar a inflação, por isso não conseguimos alcançar o progresso".

Contudo, ressalvou, "hoje temos menos gente pobre porque com as políticas do Governo tem-se feito um esforço imenso para reduzir a pobreza e aqueles que têm menores rendimentos, e não apenas aqueles que mal podem sobreviver".

Isto porque, explicou, "foram estendidos os limites a quem poderia beneficiar de apoio e hoje mais pessoas podem ser ajudadas".

Hong Kong já vota em eleições que são referendo ao movimento de protestos


Os eleitores em Hong Kong começaram já a votar para eleger 452 representantes nos 18 conselhos distritais da cidade, num escrutínio transformado em barómetro do apoio público aos protestos antigovernamentais que se arrastam há quase seis meses.

Os conselhos distritais são organismos fundamentalmente consultivos, com pouco poder, mas a eleição adquiriu um forte simbolismo e as filas estendem-se por muitos metros à entrada das estações de voto no território semi-autonómo chinês.

Um resultado forte da oposição será lido como a manutenção do apoio público ao movimento pró-democracia, ainda que os protestos se tenham tornado cada vez mais violentos.

O poder em Hong Kong e no Governo chinês em Pequim têm esperanças de que o arrastamento dos protestos e as perturbações do dia-a-dia na cidade tenham voltado os eleitores contra o movimento pró-democracia e que isso mesmo fique expresso nas urnas.
Os últimos dias ficaram marcados por uma interrupção da violência, explicada pela vontade dos manifestantes garantirem que as eleições não seriam adiadas.

"Precisamos de mostrar ao mundo que a nossa causa é legítima. Não acredito que Pequim não responda à voz do povo de Hong Kong", disse este sábado à agência Associated Press Alex Wong, um estudante mascarado e vestido de preto durante uma marcha pacífica.

sábado, 23 de novembro de 2019

China - EUA e a geopolítica do lítio



Por vários anos, desde o impulso global para o desenvolvimento de veículos elétricos em grande escala, o elemento Lithium passou a se concentrar como um metal estratégico. Atualmente, a demanda é enorme na China, na UE e nos EUA, e garantir o controle do suprimento de lítio já está desenvolvendo sua própria geopolítica, não muito diferente da do controle do petróleo. 

China muda para fontes seguras

Para a China, que estabeleceu metas importantes para se tornar o maior produtor mundial de veículos elétricos, o desenvolvimento de materiais para baterias de lítio é uma prioridade para o período do 13º Plano Quinquenal (2016-20). Embora a China tenha suas próprias reservas de lítio, a recuperação é limitada e a China passou a garantir direitos de mineração de lítio no exterior.

Na Austrália, a empresa chinesa Talison Lithium, controlada pela Tianqi, explora e possui as maiores e mais altas reservas de espodumênio do mundo em Greenbushes, Austrália Ocidental, perto de Perth.

A Talison Lithium Inc. é o maior produtor de lítio primário do mundo. Seu site Greenbushes na Austrália produz hoje cerca de 75% das demandas de lítio da China e cerca de quarenta por cento da demanda mundial . Isso, assim como outras matérias-primas vitais da Austrália, estabeleceu relações com a Austrália, tradicionalmente uma empresa aliada dos EUA, de importância estratégica para Pequim. Além disso, a China se tornou o maior parceiro comercial da Austrália.

No entanto, a crescente influência econômica da China no Pacífico em torno da Austrália levou o Primeiro Ministro Scott Morrison a enviar uma mensagem de aviso à China para não desafiar a região estratégica do quintal da Austrália . No final de 2017, a Austrália, com crescente preocupação com a expansão da influência chinesa na região, retomou a cooperação informal no que às vezes é chamado de Quad, com EUA, Índia e Japão, revivendo uma tentativa anterior de verificar a influência chinesa no Pacífico Sul. A Austrália também intensificou recentemente os empréstimos a países estratégicos das ilhas do Pacífico para combater os empréstimos da China . Tudo isso claramente torna imperativo que a China se torne global em outros sites para garantir seu lítio, a fim de se tornar o ator-chave na economia emergente de veículos elétricos na próxima década.

À medida que o desenvolvimento de veículos elétricos se tornava prioridade no planejamento econômico chinês, a busca por lítio seguro se voltou para o Chile, outra fonte importante de lítio. Lá, a Tianqi da China acumula grande parte da SociedadQuimica Y Minera (SQM) do Chile, um dos maiores produtores mundiais de lítio. Se o Tianqi da China conseguir obter o controle do SQM, isso mudará a geopolítica do controle mundial de lítio, de acordo com relatórios da indústria de mineração .

O suprimento global de metais de lítio, um componente estratégico das baterias de íons de lítio usadas para alimentar veículos elétricos (VEs), está concentrado em muito poucos países.

Para dar uma idéia da demanda potencial de lítio, a bateria do Modelo S da Tesla requer 63 kg de carbonato de lítio, suficiente para alimentar aproximadamente 10.000 baterias de telefones celulares. Em um relatório recente, o banco Goldman Sachs chamou o carbonato de lítio de nova gasolina. Apenas um aumento de 1% na produção de veículos elétricos pode aumentar a demanda de lítio em mais de 40% da produção global atual, de acordo com o Goldman Sachs. Com muitos governos exigindo menor emissão de CO2, a indústria automobilística global está expandindo maciçamente os planos de veículos elétricos na próxima década, o que tornará o lítio potencialmente tão estratégico quanto o petróleo hoje.

A Itália na coligação “antiterrorismo”


Manlio Dinucci*

A Coligação Antiterrorista reuniu-se em 14 de Novembro de 2019 em Washington, a pedido expresso da França, ultrapassada pela reviravolta dos EUA na Síria. Essa reunião não mudou nada no jogo dos Estados Unidos e dos seus aliados, mas permitiu ao Secretário de Estado Mike Pompeo colocar, novamente, os franceses no seu lugar como simples executantes. É também uma oportunidade para Manlio Dinucci fazer um balanço sobre as proezas desta coligação.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, acolhendo em Roma, os cinco soldados feridos no Iraque, declarou que “o Estado italiano nunca recuará um centímetro diante da ameaça terrorista e reagirá com toda a sua força diante dos que semeiam terror”. Voou, então, para Washington, a fim de participar na reunião de grupo restrito da “Coligação Global contra o Daesh”, do qual fazem parte, sob orientação USA, a Turquia, a Arábia Saudita, o Catar, a Jordânia e outros países que apoiaram o Daesh/ISIS e formações terroristas análogas, fornecendo-lhes armas e treino de combate (conforme documentamos neste jornal).

A Coligação - que inclui a NATO, a União Europeia, a Liga Árabe, a Comunidade dos Estados do Sahel/Sahara e a Interpol, mais 76 Estados individuais - afirma no seu comunicado de 14 de Novembro, “ter libertado o Iraque e o nordeste da Síria” do controlo do Daesh/ISIS», embora seja evidente que as forças da Coligação deixaram, deliberadamente, a mão livre ao Daesh/ISIS [1].

Esta e outras formações terroristas foram derrotadas apenas, quando a Rússia interveio militarmente em apoio às forças do governo sírio.

RU | Jeremy Corbyn aposta no pós-capitalismo


Esquerda inglesa propõe revolução de serviços públicos. Radicaliza agenda ambiental, associando-a à garantia de ocupação para todos. E joga a conta sobre os muito ricos, desafiando a direita a mostrar quem é de fato anti-establishment

Antonio Martins | Outras Palavras

Em época especialmente áspera, quando o neoliberalismo teima em não sair de cena e emerge, ao mesmo tempo, uma ultradireita pronta para capturar o sentimento anti-establishment das maiorias – que espaço resta à esquerda? Fazer concessões à aristocracia financeira? Assumir a defesa da ordem burguesa, ameaçada pelos protofascistas? Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico e personagem incomum na política institucional, acaba de colocar na mesa uma saída audaciosa, que nega as alternativas anteriores. O manifesto que ele lançou hoje (21/11), e com o qual concorrerá às eleições de 12/12, reconhece a indignação das multidões, diante de um sistema que as amedronta e as despossui, e de uma “democracia” que já não lhes dá voz alguma.

Mas em vez de atiçar seu ressentimento, em falatório hipócrita contra o sistema, acena com uma enorme transformação social e ambiental. Quer financiá-lo por meio de uma reforma tributária de dimensões históricas e de uma visão heterodoxa sobre finanças públicas. Corbyn tem apenas três semanas para descontar os cerca de 15 pontos percentuais de vantagem que as pesquisas dão a seu rival conservador, Boris Johnson – uma espécie de Donald Trump inglês. Tem contra si o poder econômico e a mídia. Nestas condições, uma eventual virada – difícil, mas não impossível – terá imensa repercussão internacional e abrirá novos horizontes para os que defendem e constroem lógicas pós-capitalistas.

Brasil | Por que Bolsonaro e os filhos vivem com medo?


Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro

Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Bolsonaro simula que manda em quem quiser mandar, mas desconfia do porteiro do condomínio e teme os arquivos do major Olímpio, do delegado Waldir, de Bebianno e de Joice Hasselmann.

Os filhos de Bolsonaro desconfiam de todos que dizem confiar neles. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro.

Eles temem traições entre os milicianos. Desconfiam do Queiroz, dos parentes do Queiroz, dos laranjas insatisfeitos com a partilha das rachadinhas, dos robôs das fake news.

Os Bolsonaros desconfiam do vice Hamilton Mourão. Não podem confiar em Rodrigo Maia. Bolsonaro abandonou o próprio partido por desconfiar dos gestores do cofre. E desconfia de Witzel.

Tudo do entorno dos Bolsonaros gera desconfiança. Bolsonaro sempre soube que os grandes empresários não confiam nele, muito menos os banqueiros. Os investidores estrangeiros sabem que ele não sabe de nada.

Resistência anti-golpista e anti-neofascista no Brasil fará um encontro em Lisboa - TV247


Olá pessoal,

A TV 247, canal da mídia alternativa brasileira que mais cresce no Youtube e que desde a primeira hora se posicionou como uma das principais vozes da  resistência anti-golpista e anti-neofascista no Brasil fará um encontro em Lisboa no próximo dia 30 de Novembro para dar uma pincelada sobre a atual situação preocupante que se vive naquele país e na região. Divulguem o evento a potenciais interessados em participar.

Alberto Castro, Londres | Colunista e correspondente internacional

Milhões manifestam-se nas ruas contra o presidente da Colômbia


No âmbito da greve geral e das manifestações que estão a ocorrer na Colômbia desde o dia 21 de Novembro registam-se agora dezenas de prisões. A Colômbia junta-se ao Chile e à Bolívia nos protestos sociais contra o neoliberalismo e o fascismo.

Segundo dados e informações prestados aos órgãos de comunicação social por Diogenes Orjuela da Central Unitária de Trabalhadores foram mobilizados mais de 1000 municípios da Colômbia e em algumas cidades reuniram-se dois milhões de pessoas.

Enquanto o povo se manifesta por melhorias sociais e económicas o Esquadrão de Polícia Móvel da Polícia Nacional afasta os manifestantes com gás lacrimogéneo, há violência e prisões na cidade de Bogotá, entre outras.

O presidente da Colômbia, Duque Márquez, está no poder apenas desde Agosto de 2018 mas já está a ser fortemente contestado pelas forças vivas da sociedade, onde se incluem estudantes, sindicalistas e indígenas, a reivindicar mais saúde e educação, o fim da corrupção nas universidades e o fim da violação dos direitos humanos contra líderes da comunidade indígena.


Leia em Jornal Tornado

Portugal | "Vem aí o diabo!" - Passos Coelho avisou. Afinal ele até sabia...


Ainda na qualidade de deputado Passos Coelho avisou. Alguns dias antes de abandonar o seu desempenho de deputado, exclamou: "vem aí o diabo!". Depois foi à sua vida académica e afastou-se da cena política (que se saiba). António Costa já era o primeiro-ministro. Estava a iniciar-se a chamada "Geringonça".

As boas relações de Passos com André Ventura decerto permitiram a antevisão distante no tempo do caminho que Ventura tomaria quando ainda era vereador pelo PSD, em Odivelas. Demitiu-se do PSD e criou o Chega, neofascista e  declaradamente racista e xenófobo lá mais para a frente no tempo. O tempo o dirá, já que Passos nada mais disse das suas relações com esse tal diabo.

Certo é que o diabo está entre nós. Ativo, sempre oportunista, insistentemente populista e até eleito deputado. Inacreditável. Isso mesmo refere no JN a jornalista Inês Cardoso, em artigo de opinião que transportámos para o PG. Leia a seguir em O diabo entre nós .

PG

Portugal | O diabo entre nós


Inês Cardoso* | Jornal de Notícias | opinião

Numa democracia com a memória da polícia política muito presente e o receio de um Estado autoritário à flor da pele, as forças de segurança têm sido, ao longo dos anos, pouco representadas no discurso político.

Na base da manifestação desta semana estão reivindicações legítimas. Com equipamento obsoleto e condições salariais que não acompanham o risco da profissão, os polícias atingiram um limite perigoso de descontentamento. Perante a falta de resposta dos partidos e dos sindicatos, abre-se a porta à influência e captura por grupos sem rosto, como o Movimento Zero.

Se na canalização desse descontentamento para as ruas houve um movimento inorgânico que se sobrepôs aos sindicatos, na meta quem capitalizou foi o deputado do Chega. A sua intervenção está carregada de falácias, fazendo uma confusão propositada entre os partidos de Esquerda na luta sindical e o contexto do seu discurso frente ao Parlamento. Um discurso que ignora as particularidades de uma classe com limitações e responsabilidades especiais no direito de manifestação e que a organização nunca deveria ter permitido.

Portugal | Quinta a fundo


Henrique Monteiro, em HenriCartoon

Hong Kong | Eleições locais de domingo realizam-se sob a forma de 'referendo'


Hong Kong, China, 23 nov 2019 (Lusa) - Os cidadãos de Hong Kong vão às urnas este domingo eleger representantes distritais, em eleições que se esperam sob forte aparato policial com o valor de um 'referendo', numa cidade dividida após cinco meses de protestos.

Cerca de quatro milhões de eleitores, mais de metade da população, são chamados a votar nos mais de 400 membros do conselho distrital, num escrutínio que geralmente passa despercebido, mas que este ano ganhou renovada importância no contexto do movimento pró-democracia.

Nas últimas eleições, em 2015, o campo pró-Pequim obteve 298 dos 431 assentos, enquanto o campo pró-democracia obteve 126 e os independentes sete.

Este ano, apesar do proeminente ativista Joshua Wong ter sido impedido de concorrer, uma decisão que o próprio descreveu como "censura política", não faltam candidatos do campo pró-democracia.

Hong Kong-Macau | Região em período de teste para fórmula 'um país, dois sistemas'


Pequim, 23 nov 2019 (Lusa) -- Macau celebra em dezembro 20 anos da aplicação no território da fórmula de governo de Pequim 'um país, dois sistemas", um modelo que confere autonomia administrativa e que é hoje posto em causa por causa de Hong Kong.

A fórmula 'um país, dois sistemas', que garante "alto grau de autonomia" a Macau e Hong Kong, foi originalmente proposta pelo líder chinês Deng Xiaoping, no final dos anos 1970, como solução para reunificar Taiwan.

Taipé, no entanto, continua a operar como entidade política soberana. Em Hong Kong, uma das maiores crises políticas de sempre ameaça a autonomia do judiciário local. Resta Macau como exemplo de sucesso.

No final do século XX, os três territórios, historicamente chineses, permaneciam fora do controlo do Partido Comunista Chinês, que tomou o poder no continente, em 1949, após uma longa guerra contra o Governo nacionalista, que se refugiou em Taiwan.

Segundo a fórmula de Deng, Taipé poderia manter uma administração própria, o modo de vida capitalista e até o seu exército, desde que reconhecesse o governo comunista em Pequim como o único legítimo em toda a China.

Taiwan recusou e tornou-se, entretanto, uma democracia, onde o seu povo se identifica cada vez mais com a condição de "taiwanês", por oposição a uma identidade comum com os chineses do continente.

Mas, reconhecendo que a imposição em Macau e Hong Kong do sistema político chinês, após a transferência da soberania por Portugal e Reino Unido, respetivamente, entraria em choque com as sociedades e sistemas económicos locais, a China recorreu à fórmula 'um país, dois sistemas'.

Único deputado português na Assembleia Legislativa de Macau denuncia atos de censura


José Pereira Coutinho é o único português na Assembleia Legislativa de Macau e falou da censura na Assembleia, a descriminação face a associações africanas e o medo de Hong Kong.

O único deputado português na Assembleia Legislativa (AL) de Macau denunciou à Lusa atos de censura às suas intervenções no plenário, com a última tentativa a visar um parágrafo no qual abordava “escândalos de corrupção”.

“Na semana passada, na intervenção antes da ordem do dia, quiseram censurar a minha intervenção na AL”, acusou José Pereira Coutinho, em entrevista, referindo-se aos serviços da assembleia.

Em causa está o seguinte parágrafo: “Decorridos quase vinte anos após o estabelecimento da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau], não podemos deixar de lamentar a incapacidade e falta de coragem do Governo de apresentar propostas de leis relativas à aquisição de bens e serviços, concursos de empreitadas e construções que têm sido foco dos maiores escândalos de corrupção nos últimos tempos”.

Tal como acontece com as perguntas que são dirigidas ao chefe do Executivo, as intervenções em plenário têm de ser remetidas com antecedência. As primeiras uma semana antes, as segundas com um mínimo de 48 horas “com o argumento de que precisam de ser traduzidas”, explicou o deputado, na Al desde 2005. “O que acontece é que eles recebem as nossas intervenções antes da ordem do dia com 48 horas de antecedência, depois ligam-me, para pedir para cortar determinado parágrafo inteiro”, acusou aquele que é também conselheiro das comunidades portuguesas e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.

O deputado afirmou que os pedidos são realizados pelos serviços da AL, em que seja adiantada qualquer justificação. “Mas da minha parte sempre recusei”, salientou, destacando que “sempre que se toca em questões como a corrupção, como a situação do chefe do Executivo ou qualquer outro assunto de melindre, é-lhes inconveniente e pedem”.

Esta situação já foi vivida no passado com mais gravidade, nomeadamente em 2018, já que depois da recusa do deputado em eliminar o parágrafo, a versão chinesa do texto surgia sem conter a frase em questão, de acordo com Pereira Coutinho. “O que tem ocorrido no passado, uma ou outra vez, sem repetição, é que a versão chinesa está censurada, não obstante [manter-se] a minha versão portuguesa. Mas depois de eu ter chamado a atenção, deixaram de fazer isso”, ressalvou.

“Nunca senti quaisquer constrangimentos ou pressões ou ameaças nos últimos 20 anos em Macau. Sempre tive margem de manobra para fazer tudo”, ressalvou, contudo, o único deputado de nacionalidade portuguesa na AL. “Mas (…) por interpostas pessoas já me convenceram a refrear-me um bocadinho em determinados assuntos. Mas eu acho isso muito natural. Isto acontece também em Portugal, nos Estados Unidos, em qualquer país ocidental”, referiu. A agência Lusa pediu na quinta-feira, por email, uma reação ao presidente da AL de Macau, sem que tenha obtido resposta até ao momento.

Acesso a informação e fontes em Timor-Leste é grande desafio -- embaixador da UE


Díli, 23 nov 2019 (Lusa) -- O embaixador da União Europeia em Díli disse hoje que o acesso a informação e a fontes em Timor-Leste é um dos maiores desafios dos jornalistas, condicionando a sua capacidade de contribuir para o controlo das finanças públicas.

"A constituição aponta o direito à informação como um dos pilares do Estado. Mas continua a ser um desafio importante o acesso às fontes", disse Andrew Jacobs, no encerramento de uma formação de jornalistas.

"Transparência e direito à informação são pré-requisitos muito importantes para as auditorias sociais e é necessário um regime eficaz de transparência, divulgação proativa, obrigatória e partilha de todos os documentos relacionados com desenvolvimento e gastos públicos", afirmou.

Cerca de 20 jornalistas timorenses concluíram hoje um atelier de jornalismo em assuntos económico-financeiros, organizado no âmbito de esforços de melhoria da capacidade de controlo das finanças públicas em Timor-Leste.

Jacobs destacou a importância da formação para ajudar a fortalecer a capacidade de "supervisão pública da gestão financeira do Estado", defendendo mais ações em conjunto com a sociedade civil para trabalhar na erradicação da corrupção.

"Meios de comunicação social são fóruns onde será discutida a eficácia, transparência e legalidade de políticas de finanças publicas do país", disse, renovando o compromisso da UE em apoiar parceiros estatais e não estatais.

PR timorense condecora jornalista Max Stahl e pede que lhe seja conferida a nacionalidade


Díli, 22 nov 2019 (Lusa) - O Presidente da República timorense condecorou hoje o jornalista britânico Max Stahl, destacando a sua nobreza e coragem em defesa do direito à autodeterminação, e defendeu que lhe seja concedida a cidadania de Timor-Leste.

"Alguém que, com tanta nobreza, arriscou a sua vida em horas de extrema gravidade e que se entregou totalmente ao nosso país, ganhou o direito de ser cidadão timorense", afirmou Francisco Guterres Lu-Olo.

"O nosso irmão Max Stahl é tão timorense quanto nós. Solicito ao Parlamento Nacional a atenção para este caso por uma questão da mais elementar justiça", disse.

Lu-Olo falava depois de condecorar Max Stahl -- jornalista que filmou o massacre de Santa Cruz a 12 de novembro de 1991 -- com o Colar da Ordem da Liberdade, o mais alto galardão que pode ser dado a um cidadão.

"As imagens de Max Stahl contribuíram muito para alterar as atitudes e ajudar a comunidade internacional a entender que, a manifestação sem medo dos jovens, representava também o desejo profundo de um povo em luta, de um povo que, pelos vistos, sendo corajoso e indomável, soube organizar-se e lutar sob o lema 'Resistir é vencer'", disse o Presidente.

Massacre de Santa Cruz, a fuga para a vida
O decreto de condecoração recorda o papel de Max Stahl, que deu visibilidade da opressão indonésia em Timor-Leste, recolhendo imagens do massacre de Santa Cruz "que influenciaram fortemente a opinião pública internacional" sobre a situação no território.

"A influência no pensamento da comunidade internacional a favor da nossa luta aconteceu graças à filmagem do massacre em Santa Cruz", refere o decreto.

"Max Stahl manifestou a sua coragem apesar de estar em situação de opressão na altura. O massacre de Santa Cruz foi considerado como um ponto de viragem da nossa luta pela libertação da pátria ocupada", nota ainda.

Manifestando "profunda emoção", o chefe de Estado explicou que a condecoração reconhece "tudo o quanto este amigo fez até à data por este país e por este povo que ajudou a libertar da cruel dominação estrangeira".

Lu-Olo recordou os que "lutaram destemidamente e, com determinação por Timor-Leste, movidos pelo dever de servir a pátria e o povo".

Manter-se caído não é opção, a luta por Timor-leste aconteceu e acontece todos os dias
Christopher Wenner, que começou a ser conhecido como Max Stahl, iniciou a sua ligação a Timor-Leste a 30 de agosto de 1991 quando, "disfarçado de turista" entrou no território para filmar um documentário para uma televisão independente inglesa.

Entrevistou vários líderes da resistência e, depois de sair por causa do visto, acabou por regressar, entrando por terra, acabando, a 12 de novembro desse ano por filmar o massacre de Santa Cruz.

"Importa aqui relembrar a sua grande coragem em filmar num dia de indescritível crueldade contra jovens indefesos", recordou Lu-Olo.

"Depois de um interrogatório de 9 a 10 horas na esquadra da polícia de Comoro, Max regressa nesta mesma noite ao cemitério de Santa Cruz, arriscando mais uma vez a sua própria vida, para retirar as cassetes enterradas numa campa recente", disse.

O material que recuperou acabou por ser tirado do país pela holandesa Saskia Kowenberg -- que deverá ser galardoada no próximo dia 28 de novembro, com as imagens a serem emitidas poucos dias depois em todo o mundo.

O Presidente recordou que, desde a independência, Max Stahl tem desenvolvido um amplo projeto para a criação em Timor-Leste de um arquivo audiovisual que ajudará a deixar registos da luta contra a ocupação para gerações vindouras.

"Max Stahl manifestou um desempenho corajoso no percurso da nossa luta. Na época depois da ocupação, Sr. Max Stahl continua a contribuir para o desenvolvimento de Timor-Leste, entre outras coisas, através de uma organização que se chama Centro Audiovisual Max Stahl cujas atividades estão ligadas à preservação, divulgação e desenvolvimento dos arquivos da memória histórica. Os contributos mostrados pelo corajoso jornalista e repórter de guerra merecem ser reconhecidos e valorizados.

Hoje. Max Stahl, um timorense com merecido destaque na perpétua história de Timor-Leste
O chefe de Estado disse que a história mostra que "os timorenses não estavam sozinhos durante os anos da luta" com apoio de cidadãos em vários países.

"Max Stahl veio para filmar, mas entregou-se de corpo e alma ao nosso amado Timor-Leste livre e independente.  Vive hoje em Timor-Leste com a família tendo estado a contribuir, de uma forma inexcedível, para elevar o nível profissional dos nossos repórteres", afirmou.

"Há 28 anos que comunga os nossos ideais e trabalha connosco nas horas boas e nas difíceis! Compartilha connosco as nossas vitórias e fracassos, as nossas emoções, as nossas preocupações e as nossas esperanças num país em estado de consolidação.

Stahl, que vai ter que sair temporariamente de Timor-Leste para tratamentos médicos, já tinha sido agraciado em 2009 com a Ordem de Timor-Leste, na altura com o grau de Insígnia.

ASP // FST

Imagens em Google, legendas PG

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Oposição moçambicana pede demissão do Presidente Filipe Nyusi


O pedido surge depois de o Presidente ser citado no julgamento sobre dívidas ocultas em Nova Iorque. Nyusi foi mencionado como tendo recebido um milhão de dólares da Privinvest para financiar campanha eleitoral de 2014.

Os dois maiores partidos da oposição moçambicana pediram, nesta quinta-feira (21.11), a demissão do Presidente da República, Filipe Nyusi, depois ter sido citado no julgamento sobre as dívidas ocultas, nos Estados Unidos da América.

O libanês Jean Boustnai, negociador da Privinvest e considerado o pivot do escândalo das dívidas ocultas, disse na quarta-feira em tribunal que Nyusi recebeu um milhão de dólares da empresa para financiar a campanha eleitoral de 2014.

Face a estas declarações, o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), José Manteigas, entende que o Presidente se deve demitir, porque não está em condições morais para dirigir o país.

Em entrevista à DW África, o político diz ainda que Nyusi "não está em condições morais para fazer um discurso anticorrupção [e] para apelar ao cumprimento da lei e da Constituição. Portanto, a primeira posição que devia ter é demitir-se, pôr o cargo à disposição e explicar aos moçambicanos se é inocente ou se, de facto, recebeu esse dinheiro".

Moçambique | Zambézia: Polícia anuncia detenção de homens da "Junta Militar"


Polícia moçambicana deteve seis alegados guerrilheiros da autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO, que estariam a preparar ataque na província da Zambézia. Corporação assegura estar preparada para proteger cidadãos.

A polícia garante estar a postos para combater os homens armados que têm realizado ataques no centro de Moçambique. Desde agosto, 10 pessoas morreram nos ataques e o Presidente Filipe Nyusi prometeu, na semana passada, que o Estado iria perseguir os responsáveis.

Timóteo Bernardo, vice-comandante geral da Polícia da República de Moçambique, assegurou esta quinta-feira (21.11) numa conferência de imprensa em Quelimane que a corporação já pôs mãos à obra.

"A partir do nosso comandante-em-chefe, o Presidente da República, recebemos um comando para agirmos no sentido de assegurarmos a pacificação do país", sublinhou.

Angola | Tchizé dos Santos afastada do comité central do MPLA


Bureau Político do partido no poder em Angola aprovou ainda a suspensão da filha do ex-Presidente da condição de militante por dois anos. Tchizé dos Santos já tinha sido afastada, em outubro, do cargo de deputada.

O Bureau Político do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) aprovou, esta quinta-feira (21.11), o afastamento de Welwitschia dos Santos, também conhecida por Tchizé dos Santos, de membro do comité central do partido no poder em Angola e a suspensão por dois anos da condição de militante.

As sanções propostas pela comissão de disciplina e auditoria foram aprovadas naquela que foi a quarta reunião ordinária do Bureau Político do MPLA, orientada pelo líder do partido, João Lourenço.

O órgão de decisão do MPLA justifica a decisão tomada com o facto de a filha do ex-líder do MPLA e antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ter violado os princípios básicos dos estatutos e código de ética partidária.

Em junho deste ano, ocomité central do MPLA suspendeu a também deputada e aprovou a instauração de um processo disciplinar "por conduta que atenta contra as regras de disciplina do partido". 

Em outubro passado,a Assembleia Nacional de Angola aprovou a suspensão do mandato de deputada de Welwitschia dos Santos, por alegada ausência injustificada há vários meses do parlamento.

Deutsche Welle | Agência Lusa

Ex-chefe da secreta militar angolana condenado à prisão, mas defesa recorre


Antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar, general "Zé Maria", foi condenado a três anos de prisão efetiva por extravio de documentos. Mas execução da pena foi suspensa devido a recurso da defesa.

O Supremo Tribunal Militar deu como provado que o general António José Maria, um dos homens fortes durante a governação do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, extraviou documentos que continham informações de caráter militar e condenou-o a três anos de prisão efetiva.

O general foi absolvido do crime de insubordinação, de que também estava acusado. Mas o juiz António dos Santos Neto aceitou um recurso interposto pela defesa, e a execução da pena de prisão foi suspensa.

"A decisão que este tribunal proferiu está suspensa até à decisão do plenário", explicou o magistrado à imprensa. "Pode ser que a gente tenha falhado e o plenário vai rever."

Documentos sobre batalha célebre

Em causa está o extravio de documentos sobre a batalha do Cuito Cuanavale, que o Estado angolano terá adquirido por mais de dois milhões de dólares.

Segundo a sentença do tribunal, ficou provado que o general "Zé Maria" se aproveitou "do acesso que ainda tinha às instalações do SISM [Serviço de Inteligência e Segurança Militar] para retirar os documentos", recusando-se a devolvê-los e desrespeitando assim uma ordem do Presidente da República, João Lourenço.

Os documentos só foram recuperados mediante um mandado de busca e apreensão.

Guiné-Bissau | "Tudo pode acontecer" nas presidenciais de domingo


Guineenses vão a votos no domingo, 24 de novembro. Analista considera que não há vencedores à partida, tudo está em aberto. E alerta para possibilidade de alguns derrotados não reconhecerem os resultados.

Durante os 21 dias de campanha eleitoral, os 12 homens que ambicionam a Presidência da República guineense fizeram muitas promessas, trocaram acusações e até houve ataques pessoais. Dois grandes temas que marcaram a campanha foi a possibilidade de revisão da Constituição, para aumentar os poderes do Presidente, e a mediação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na crise política guineense.

Alguns candidatos classificam a intervenção da organização como "ingerência" nos assuntos internos do país, outros encaram isso como algo normal, tendo em conta que a Guiné-Bissau é membro da CEDEAO.

Apesar das divergências, a campanha foi pacífica. Não houve qualquer incidente de destaque. Um estudante universitário ouvido pela DW África nas ruas de Bissau espera que o clima continue assim nos próximos dias: "Espero que sejam eleições que corram de uma forma ordeira e que vença o candidato que possa, efetivamente, ajudar o país a sair deste marasmo".

"Devemos ajudar para que as eleições possam correr bem", acrescenta uma vendedeira. "Que cada um vá com a sua consciência e vote tranquilamente. É isso que espero que acontença nessas eleições", afirma outro cidadão.

Guineenses em Portugal confiantes nas mudanças que eleições trarão ao país


Guineenses em Portugal querem paz e concórdia entre políticos e dirigentes para poderem regressar ao seu país. Analista diz também que "impasse político poderá chegar ao fim" com esta votação.

Muitos guineenses juntam-se na baixa de Lisboa, principalmente no Rossio. Falam dos problemas da vida como imigrantes, tratam de negócios e não se esquecem de trocar conversa sobre o que vai acontecendo na Guiné-Bissau, onde tem lugar, este domingo (24/11), um novo ato eleitoral, desta vez para a escolha do novo Presidente da República. 

Mamadou Djaló, há cerca de 20 anos de Portugal, garante, em declarações à DW África, que não vai faltar à votação. Diz que vai votar na mudança, porque quer o bem-estar do seu país. E afirma que já é hora de pôr um fim nos conflitos e na instabilidade. "Já há muitos anos na mesma lengalenga; é só guerras, guerras, só conflitos e nada mais", constata.

Ver para crer

Djaló, tal como o amigo ao lado, era comerciante na Guiné-Bissau, país que abandonou devido à instabilidade. "Como as coisas estavam a correr mal, fugi e vim para aqui trabalhar. Tirei curso de segurança, fui buscar os meus netos para estudar. Lá não há escolas. É isso que me trouxe cá", conta este guineense, que prevê o regresso ao seu país quando as coisas melhorarem.

"Tenho esperança que desta vez a Guiné-Bissau vai mudar. [Há que] aprender com Cabo Verde e com outros [países] que estão a trabalhar bem com democracia pura", afirma.

Mais acima do Largo de São Domingos, ao lado do Palácio da Independência, duas vendedeiras, que comercializam na rua alguns dos produtos tradicionais vindos da Guiné-Bissau, recusam-se a falar para a nossa reportagem. Não por medo. Preferem o silêncio, por experiências do passado, como sinal de quem quer ver primeiro para crer.

Em frente ao Teatro D. Maria II, perto da hora de almoço, estava reunido outro grupo de guineenses. Braima Djaló, há 34 anos em Portugal, não está recenseado, pelo que não vai votar. À DW explica: "Para falar verdade, não me recenseei. Não tinha tempo para ir recensear, estava doente. E agora, sem estar recenseado, não posso ir votar".

No entanto, aspira o melhor para a Guiné-Bissau nestas eleições presidenciais. "Todos estamos confiantes que os políticos se entendam para o bem do país e para o bem do povo", garante o guineense, que acrescenta: "Nós que estamos fora, no estrangeiro, não queremos ouvir complicações na Guiné. Queremos paz e estabilidade, porque muitos imigrantes estão aqui a sofrer".