segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Portugal | 25 de Novembro de 1975: Moderação da NATO imposta aos portugueses


Martinho Júnior, Luanda 

A noção contemporânea de liberdade não é relativa, muito menos moderada, a noção de liberdade não passa no crivo da rarefacção de democracia de que se alimenta a própria NATO, devoradora até da vontade institucional dos povos!...

Perante tal rarefacção, nem a representatividade democrática subsiste e qualquer participação ou protagonismo, ainda que procure seguir o rumo da lógica com sentido de vida, torna-se um “produto tóxico” que a aristocracia financeira mundial exclui deliberadamente, intragável para o processo em curso de domínio do império da hegemonia unipolar!

Está a ser assim paulatinamente no Google, no Facebook, ou no Twitter, para citar três exemplos de fermentação progressiva de censura!

01- De “mercado” em “mercado”, de consumismo em consumismo, a busca irracional do lucro, cada vez mais lucro ainda que seja lucro alcançado por via da especulação financeira, está inexoravelmente a esgotar os recursos da Terra e paulatinamente a azotar os povos e a asfixiar a própria natureza, cada vez mais ávida de água e de oxigénio!...

A degradação ambiental está intimamente associada ao processo de concentração de riqueza e de poder em cada vez menos mãos no âmbito da poderosa aristocracia financeira mundial que se capacitou para os expedientes de domínio e usa a dialética para seu próprio proveito, o proveito de 1% sobre o resto da humanidade!

Nação alguma, país algum, estado algum, povo algum escapa a esse poder concentracionário, mesmo que as economias locais, regionais e até continentais alcancem uma importante capacidade de diversificação, por que as tecnologias fluem a partir dos processos dominantes e só a partir deles, garantindo por via de processos sofisticados de “soft power” e duma assentada, as dependências, as ingerências e as manipulações, explorando a vocação irracionalmente consumista do homem!

A democracia nestes termos é simultaneamente uma ilusão, uma alienação e um processo filtrado de fomento ideológico que abre espaços à inércia dum conservadorismo de séculos que exaustivamente se alimentam as religiões e seus artificiosos ambientes socioculturais e sociopolíticos!

O silêncio: a pior resposta do Estado português

Encontro do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, e do Secretário de Estado norte-americano Michael Pompeo, em Washington, Junho de 2018. Créditos/ US Department of State
Seria de bom-tom que os portugueses soubessem o que têm a dizer as principais autoridades do Estado sobre as atrocidades que estão a ser cometidas na Bolívia e no Chile. O silêncio é a mais indigna das atitudes.

José Goulão | AbrilAbril | opinião

Chefe de Estado e o governo da República Portuguesa estão em silêncio perante as atrocidades contra a democracia e os direitos humanos praticadas na Bolívia e no Chile. Em circunstâncias onde o poder neoliberal se vê forçado a mostrar a sua verdadeira face ditatorial para evitar a aplicação plena da democracia, com todas as suas consequências, as principais figuras do Estado português escolhem o silêncio, talvez a maneira mais indigna de se identificarem com a crueldade do sistema – ao mesmo tempo que ignoram a Constituição da República.

Na Bolívia, depois do golpe com todos os velhos ingredientes político-militares, a repressão fascista com matizes racistas avança através do país e não poupa sequer os senadores eleitos que constituem a maioria absoluta do Senado. No Chile, a repressão do pinochetista Sebastián Piñera castiga cruelmente o levantamento popular que exige uma Constituição democrática e uma vida digna. A tudo isto as principais figuras do Estado português dizem nada. Respondem com um longo e profundo silêncio como se não lhes coubesse ter opinião própria e fossem obrigadas a respeitar o não menos profundo e longo silêncio da União Europeia. Tentemos decifrar o enigma – que tem, certamente, um eminente significado político.

Todos sabemos o quão loquazes são, por exemplo, o chefe de Estado e o ministro dos Negócios Estrangeiros. Essa veia comunicadora que lhes permite ter as palavras certas nos momentos certos para a comunicação social certa é de tal maneira expressiva e expectável que nos permite dispor de elementos para compreender os conteúdos dos seus silêncios sem uma exagerada margem de erro.

EUA | Despesa militar e taxa de lucro


Resenha de The Economics of Military Spending, A Marxist Perspective , de Adem Yavuz Elveren, Routledge, 2019

Michael Roberts [*]

O Instituto Watson para Assuntos Públicos e Internacionais, da Universidade Brown, publicou na semana passada o seu relatório anual "Costs of War" . Este refere-se aos custos de guerra apenas para os EUA. O relatório leva em consideração os gastos do Pentágono e sua conta Overseas Contingency Operations, bem como "gastos relacionados à guerra pelo Departamento de Estado, gastos passados e obrigatórios para cuidar dos veteranos de guerra, juros sobre a dívida contraída para pagar guerras e prevenção e resposta ao terrorismo pelo Departamento de Segurança Interna". A contagem final revelou: "Os Estados Unidos apropriaram-se e são obrigados a gastar cerca de US$5,9 milhões de milhões (em dólares actuais) na guerra ao terror ao longo do ano fiscal de 2019, incluindo guerra directa e gastos e obrigações futuras de gastos com veteranos de guerra após o 11 de Setembro".

O relatório constatou que "as forças armadas dos EUA efectuam actividades anti-terroristas em 76 países, ou cerca de 39% das nações do mundo, expandindo amplamente [sua missão] por todo o globo". Além disso, estas operações "foram acompanhadas por violações dos direitos humanos e liberdades civis, nos EUA e no exterior. " Na generalidade, os investigadores estimaram que "entre 480 mil e 507 mil pessoas foram mortas nas guerras dos Estados Unidos após o 11 de Setembro no Iraque, Afeganistão e Paquistão. Este "número de mortos "não inclui as mais de 500 mil mortes da guerra na Síria, que a devasta desde 2011", quando um levantamento jihadista apoiado pelo Ocidente desafiou o governo, um aliado da Rússia e do Irão. Naquele mesmo ano, a aliança militar ocidental da NATO liderada pelos EUA interveio na Líbia e ajudou os insurgentes a derrubarem o antigo líder Muammar el-Kadafi, deixando a nação num estado de guerra civil contínua.

Ministro alemão apela ao desarmamento, mas rejeita remover bombas nucleares EUA


O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, rejeitou pedidos para retirar as bombas nucleares estadunidenses de seu país, apesar de viajar para Hiroshima nesta sexta-feira para mostrar apoio ao esforço global pelo desarmamento nuclear.

Os partidos alemães Verde e A Esquerda, bem como os social-democratas de Maas, pediram repetidamente ao governo que pare de armazenar cerca de duas dúzias de bombas termonucleares B61 na base aérea de Buechel, onde vários jatos de combate ficam a postos em caso de emergência.

"Mover armas nucleares de um país para outro não ajuda. Se elas desaparecem, devem desaparecer em todos os lugares", afirmou Maas, segundo a agência de notícias alemã dpa.

O principal diplomata alemão falou durante uma breve visita a Hiroshima, no Japão, a caminho da reunião dos ministros de Relações Exteriores do G20 em Nagoya.

Ele usou a escala para se reunir com sobreviventes do ataque nuclear de agosto de 1945 na cidade pela Força Aérea dos EUA, que havia matado 140.000 no final daquele ano.

Falando antes de sua viagem na quinta-feira, Maas disse que faria campanha pelo desarmamento nuclear e não proliferação. Ele argumentou nesta sexta-feira que o desarmamento exigia uma "base mais ampla" e não poderia ser alcançado por compromissos unilaterais.

Sputnik | © AP Photo / Stringer

Turquia testa sistemas de defesa russos apesar das ameaças dos EUA


A Turquia começou hoje a testar os sistemas russos de defesa antiaérea, apesar das repetidas ameaças de Washington sobre a aplicação de sanções em caso de ativação deste armamento, referiram os media turcos.

Aviões militares sobrevoaram ao início da tarde uma base na província de Ancara para testar os radares do sistema de defesa S-400 e a formação de operadores turcos responsáveis pela sua manutenção, referiu a agência noticiosa turca DHA.

Pouco antes, o ministério turco da Defesa tinha indicado em breve comunicado que os aparelhos sobrevoavam Ancara "no âmbito dos projetos conduzidos pela Direção da indústria da Defesa", um organismo dependente da presidência.

Os aviões, incluindo F-16, sobrevoaram a base aérea de Mürted (ex-Akinci), onde estão colocadas as baterias russas, precisou a DHA, acrescentando que estão previstas outras saídas na terça-feira para testar a capacidade do radar dos S-400 em detetar alvos potenciais.

Portugal-UE | Os extremos de Maria Luís Albuquerque


Ana Alexandra Gonçalves* | opinião

Quando quase todos, em nome da sanidade mental, já havíamos esquecido a ministra das Finanças do governo de Passos Coelho, esta ensaia um regresso lançando a confusão e tratando todos como se de crianças se tratassem, Nesta linha, Maria Luís afirma, em entrevista, que "temos de acabar com essa conversa de que há um extremo que é bom e outro que é mau", aproveitando claro está a confusão que o próprio Parlamento Europeu fez o favor de criar ao misturar comunismo e fascismo.

A confusão serve a uma direita pouco interessada no rigor histórico e apenas dedicada ao branqueamento do fascismo que confortavelmente se vai instalando e fazendo parte da norma. Assim mete-se no mesmo saco quem é marxista e quem é nazi - o absurdo ganha, deste modo, uma dimensão incomensurável, mas serve os intentos de quem apresentou recentemente um livro dedicado a Donald Trump, Jair Bolsonaro, Nova Direita Europeia e ao Estado de Israel".  A ignorância e inutilidade encontram espaço entre os fascistas.

*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

Portugal | Mamadou Ba deixa o Bloco de Esquerda devido a "profunda divergência"


Dirigente da SOS Racismo sai do Bloco de Esquerda devido a "profunda divergência", anunciou esta segunda-feira o próprio num comunicado divulgado à imprensa.

"A ligação com o Bloco de Esquerda que hoje termina, dura desde da sua fundação e, nesses 20 anos, para além da militância, partilhei responsabilidades coletivas enquanto membro da Mesa Nacional, da Comissão de Direitos e da Coordenadora Concelhia de Lisboa", começa por dizer o ativista na nota enviada à imprensa. 

Mamadou Ba explica de seguida  que a formalização da saída do Bloco de Esquerda foi "uma decisão tomada em janeiro deste ano, no rescaldo dos acontecimentos do Bairro da Jamaica".

Justifica ainda que a desvinculação "resulta de uma profunda divergência, pois o que renego não é o projeto que deu origem ao Bloco, mas no que o partido se tornou ao longo do tempo". 

Portugal | Joacine Kertar Livre. Jesus na terra abençoado por Deus


O Curto fora de horas, desculpem. Bom dia é sempre, enquanto for de dia e estivermos a ler isto e o que mais vier. Estamos vivos. Oxalá que sempre com saúde, sorte e dinheiro para gastos. Mas, se preferirem, porque já passa do meio-dia, desejamos também uma boa tarde… E já agora passem uma boa noite, durmam bem – os que dormem.

A dormir não tem estado Jorge Jesus lá pelo Brasil, país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza… Mas que beleza. E em Novembro o Flamengo foi o tal… que ganhou tudo, a Taça dos Libertadores e sagrou-se campeão do Brasil. Pronto, já abordámos esta parte, apesar de não darmos grande importância a esta parte. Deus no céu e Jesus desceu o Oceano Atlântico para fazer milagres a contento de milhões de brasileiros.

Se é facto que Jorge Jesus não tem estado a dormir, o mesmo não podemos dizer da deputada do Livre em Portugal, Joacine (nome giro). A milhões parece que a senhora mentiu quando afirmou que estava a ser abandonada pelo Livre em termos de comunicação. Tudo porque não sabia como votar acerca da reprovação de Israel e ninguém do Livre atendeu seus telefonemos nem SMS. Pergunta: Joacine, experimentou sinais de fumo? Ironia, claro. A boa disposição é nosso mote no PG.

Pelo sim pelo não a deputada Joacine absteve-se. Hem?! Omessa, então isso cabe na cabeça de alguém? Livre é livre, tem que ver com liberdade… Então e qual é a dúvida de que o partido político Livre pugna pela libertação da Palestina e reprovação de Israel?

Em consciência Joacine não desejava ser a favor ou contra da reprovação a Israel por parte do Parlamento de Portugal? Ah, então está bem. Mas então porque se filiou no Livre e ocupa o lugar de deputada possibilitada por esse partido – que é contra a ocupação e políticas criminosas de Israel praticadas sobre a Palestina e os palestinianos? Tal justificação não diz a gota com a perdigota.

Além disso Joacine tem feito outro tipo de declarações que têm sido um “desastre”. Que só foi eleita porque ela fez tudo para isso e conseguiu… Sem apoios nem ajudas do Livre. Ai sim?

Eu, eu, eu, eu… Eu vencedora! Eu faz-tudo! Eu vítima! Então e as bases programáticas e as propostas eleitorais do Livre não valem nada? Lá o que diz é que a reprovação a Israel cabe no voto do Partido…

Chega de disparates, Joacine. Quanto mais chafurdar mais se “enterra”.

Adiante, que o ocorrido não cabe em nada e uma abstenção significa algo a favor de Israel, neste caso.

Curto já a seguir. Curta. Resto de boa segunda-feira, se conseguir. E não se esforce para entender a deputada do Livre, Joacine Katar Moreira. Não dá para entender, a não ser que se mude para o Chega.

Chega, basta, adiante. O Expresso Curto, em atraso, aqui no PG. Avante.

MM | PG

Portugal | Joacine e o amor à sobrevivência


Pedro Ivo Carvalho* | Jornal de Notícias | opinião

O que leva a deputada única de um partido que nunca esteve representado no Parlamento a entrar em guerra com esse partido apenas um mês após a estreia?

E o que leva esse partido a repreender publicamente a deputada, por esta não ter respeitado a linha programática, abstendo-se numa votação estéril (mais uma) que visava condenar uma "nova agressão israelita a Gaza"? (a propósito: começa a ser confrangedora esta sucessão de votos de louvor, repúdio e outros estados de alma no Parlamento).

Bem, mas respondendo às perguntas: soberba, vaidade e inadaptação. Joacine quis ser o Livre, mas o Livre descobriu agora que talvez não seja boa ideia fazer a vontade a Joacine. Algo que, durante este tempo todo, um e outro foram suportando, mas que, uma vez estalado o verniz da realidade, se percebe que não passa de uma interesseira convergência de vontades. É indiscutível que Joacine alcandorou o partido a níveis históricos. E é evidente que o partido aproveitou a boleia na nuvem da fama para subir mais alto. Ambos lucraram.

Portugal | Ação em tribunal tenta anular concessão de lítio em Montalegre


A Associação Montalegre com Vida interpôs uma ação administrativa com vista à anulação do contrato de concessão para a exploração de lítio assinado entre a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e a Lusorecursos Portugal Lithium.

Armando Pinto, porta-voz da associação, afirmou hoje à agência Lusa que "a ação administrativa comum foi submetida na quinta-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, contra o [então] Ministério do Ambiente e Transição Energética, que em março tutelava a DGEG, e a empresa Lusorecursos Portugal Lithium, S.A".

O responsável referiu que a associação "vem, desta forma, arguir a anulabilidade do contrato de concessão 'Romano', celebrado em 28 de março de 2019 entre a DGEG e a Lusorecursos Portugal Lithium, S.A".

"Consideramos que o contrato é ilegal, não foi cumprido aquilo que está na lei. A empresa que indicaram, até ao prazo legal, não é aquela que efetivamente assinou o contrato", argumentou Armando Pinto.

Embaixada de Portugal em Díli renova esforços para agilizar processes de nacionalidade


Díli, 25 nov 2019 (Lusa) -- A Embaixada de Portugal em Díli informou hoje os utentes que continua a fazer todos os esforços para procurar acelerar as dezenas de processos de pedido de nacionalidade que chegam diariamente a este posto consular.

"A Embaixada de Portugal tem feito um esforço grande no sentido da agilização dos processos de nacionalidade e a prova disso é que, há cerca de um mês foi permitido, excecionalmente, que os requerentes entregassem, sem marcação, a resposta da Paróquia ao ofício da Embaixada", refere uma nota divulgada na página oficial da embaixada no Facebook.

Para que esse novo procedimento funcionasse, era necessária a "colaboração de todos, sobretudo dos próprios interessados".

Porém, "a cada semana era maior e menos ordeiro o número de pessoas que aqui se concentravam, impedindo o acesso de outros utentes e funcionários à Embaixada, forçando a entrada, pondo muitas vezes em risco a integridade física de quem se encontrasse junto à porta, em total desrespeito pelas mais elementares regras de urbanidade", refere.

Motivo pelo qual, sublinha, a Embaixada de Portugal "viu-se forçada, por razões de ordem pública e segurança, a retomar a regra do atendimento, para todos, apenas por marcação".

China reitera apoio a Carrie Lam após oposição vencer eleições locais


Pequim, 25 nov 2019 (Lusa) - As autoridades chinesas reiteraram hoje o seu apoio à chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, após os candidatos da oposição terem alcançado uma ampla vitória nas eleições do conselho distrital da região semiautónoma.

"A nossa posição é inequívoca: o Governo central apoia firmemente a chefe do Executivo, Carrie Lam, para liderar o governo e governar de acordo com a lei, acabar com a violência e restaurar a ordem", apontou Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em conferência de imprensa.

Embora tenha enfatizado o apoio de Pequim a Lam, o porta-voz evitou avaliar diretamente os resultados de umas eleições tidas como um indicador do amplo apoio aos protestos antigovernamentais que há seis meses atingem Hong Kong, apesar dos contornos cada vez mais violentos, com frequentes atos de vandalismo e confrontos com a polícia.

As manifestações iniciaram-se devido a um projeto de lei que permitiria extraditar criminosos para países sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Pró-democratas garantem vitória esmagadora nas eleições de Hong Kong


Os candidatos pró-democracia nas eleições de domingo para os conselhos distritais obtiveram um resultado esmagador face ao campo pró-Pequim, conquistando quase 90% dos assentos do Conselho Distrital, segundo a emissora RTHK.

Os candidatos pró-democratas, até às 09:00 (01:00 em Lisboa) alcançaram pelo menos 390 assentos dos 452 em jogo, numa eleição com uma participação recorde de 71,2% que demonstrou o forte apoio para as organizações que mobilizaram os protestos que levaram à rua milhões de pessoas em Hong Kong desde junho.

Nas últimas eleições, em 2015, o campo pró-Pequim tinha obtido quase dois terços dos assentos nos conselhos distritais. Agora, os pró-Pequim perderam mais de 240 assentos, em comparação com 2015.

Segundo o jornal South China Morning Post, os pró-democratas venceram 17 dos 18 conselhos distritais, todos anteriormente sob controlo das forças pró-governamentais.

Os dados preliminares oficiais, quando falta apenas conhecer os vencedores de 58 dos 452 lugares em disputa dão conta da conquista de 344 lugares pelos pró-democratas.

O coordenador da Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH), Jimmy Sham, que tem liderado o movimento pró-democracia em Hong Kong responsável pelas maiores manifestações, venceu o distrito de Lek Yuen, em Sha Tin.

Após a sua vitória, Jimmy Sham afirmou aos jornalistas que as eleições locais foram um referendo que refletiu a vontade da opinião pública de que sejam realizadas reformas democráticas no território.

Macau | Lançada petição de apoio aos manifestantes de Hong Kong


Amanda Lei lançou um apelo para que Macau não fique em silêncio. A cidadã de Macau, apresentou uma petição à Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, para que “as pessoas de Macau possam mostrar o seu apoio aos manifestantes de Hong Kong”.

Começando por referir que a intensificação das manifestações e as sondagens à população têm demonstrado que o Governo de Hong Kong tem vindo a “ignorar as exigências do público”, a petição aponta o dedo à “operação violenta da polícia” como principal causa para os “conflitos sociais de grande escala” que Hong Kong tem vivido nos últimos tempos.

“Quando as motivações de milhões de pessoas foram ignoradas pela Chefe do Executivo de Hong Kong, desconsiderando a vontade do público, foram trazidas achas para o protesto. Quando quem ocupa cargos públicos não foi responsabilizado, acenderam-se as tochas e quando os agentes indisciplinados da força policial de Hong Kong entraram em acção, tornaram-se no motor para atirar mais achas para a fogueira do confronto”, pode ler-se no texto da petição.

Assim, dirigindo-se directamente ao Governo de Hong Kong para que “condene o abuso de poder por parte da força policial contra os manifestantes”, através da recolha de assinaturas, a petição criada por Amanda Lei visa “apoiar os manifestantes de Hong Kong no combate à violência policial, (…) na luta pelas cinco exigências e na luta pela democracia e liberdade”.

domingo, 24 de novembro de 2019

Saiba como decorreram as eleições na Guiné-Bissau – minuto a minuto


Mais de 760 mil eleitores são, este domingo (24.11), chamados a votar nas eleições presidenciais na Guiné-Bissau para escolher, entre 12 candidatos, quem irá suceder a José Mário Vaz, que se recandidata ao cargo.

Todas as atualizações na hora de Bissau

18:28 Cidadãos transmitem em direto no Facebook a contagem dos votos. Albano Barai é um deles.

18:17 Termina a votação sem incidentes e, neste momento, faz-se a contagem dos votos um pouco por todo o país e também na diáspora.

18:00 Começa o encerramento das urnas nas eleições presidenciais guineenses. Neste momento, várias assembleias de voto estão a preparar a contagem dos votos para afixação das atas sínteses, relatam rádios do país. 

17:49 A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau reafirma, na sua segunda avaliação ao processo de votação, que tudo continua a decorrer com toda a normalidade, em todo o território nacional, bem como na diáspora e sem incidentes. A porta-voz da CNE, Felisberta Moura Vaz, sublinha que houve apenas uma situação que interrompeu a votação, no círculo 12, mesa 2, em Djabicunda, na região de Bafatá, leste da Guiné-Bissau. Mas diz que a situação foi ultrapassada e os eleitores continuam a votar.

"O funcionamento das mesas da assembleia de voto está a decorrer com total normalidade", afirma a CNE, quando falta uma hora para o fecho das urnas. A Comissão Nacional registou também a "afluência massiva2 às urnas, pelo que antevê que a taxa de participação será "positiva".  A CNE não confirmou as denúncias, feitas nas redes sociais, de tentativa do enchimento de urnas no interior do país. 

Standard & Poor's retira Moçambique da categoria de incumprimento financeiro


A agência de notação financeira Standard & Poor's melhorou o 'rating' de Moçambique, atribuindo à economia do país uma Perspetiva de Evolução Estável.

"O Governo de Moçambique completou uma troca de títulos de 'dívida problemática'. No seguimento dessa resolução, estamos a melhorar o 'rating' para emissões em moeda estrangeira de curto e longo prazo - de SD ('selective default' ou incumprimento financeiro seletivo, em português), para CCC+/C - e afirmamos as emissões em moeda nacional no patamar B-/B", lê-se numa nota divulgada pela agência de notação financeira.

"A Perspetiva de Evolução Estável equilibra, na nossa visão, os riscos associados aos elevados défices gémeos [orçamental e de balança comercial] com as perspetivas de melhoria no crescimento económico nos próximos 12 meses, apoiadas pelos grandes investimentos na indústria extrativa", acrescenta-se na nota que acompanha a retirada do país do 'default'.

Metro de superfície pode ser a solução para o problema dos transportes de Luanda?


Primeiro metro de superfície em Angola começa a ser construído em 2020. O investimento vai custar aos cofres do Estado cerca de três mil milhões de dólares. Cidadãos louvam a iniciativa, mas preferem "ver para crer".


Andar de transporte público em Luanda e noutras cidades angolanas é um verdadeiro problema. Quem o diz é o cidadão Pedro Soma, em declarações à DW África. Os taxistas, vulgo kandongueiros, têm sido a sua solução.

"É muito difícil, visto que há escassez e também há excesso de lotação nos transportes públicos tanto de autocarros como de comboios. Normalmente ando mais de táxi," conta.

Também Graciano Luís, outro residente da capital angolana, fala em escassez de transportes públicos. Os autocarros e os comboios que circulam por Luanda não satisfazem a demanda, diz.

"Não há autocarros suficientes e os que existem não chegam em determinados sítios. São apenas para alguns sítios restritos," lamenta.

Para Vasco da Gama, especialista em questões rodoviárias, a procura por transporte público é maior que a oferta. O autor do livro "A Problemática do Congestionamento em Luanda" diz ainda que o número de habitantes contrasta com os meios de transporte disponíveis. 

"Nós temos uma cidade, hoje, com oito milhões de habitantes para pouco mais de mil autocarros em linha, incluindo a isso uma linha de comboio. Nós estamos a falar que, em termos de capacidade de transportação das pessoas - dos cidadãos que queiram ir ao trabalho, à escola, aos passeios - temos um número maior se comparado com o número de transportes disponíveis," afirma.

Guiné-Bissau | Polícias togoleses reforçam segurança nas eleições


Mais de 100 polícias do Togo chegaram a Bissau entre sexta-feira e sábado para ajudar a garantir a segurança das eleições presidenciais de domingo, disse à Lusa fonte governamental.

"Cento e quarenta polícias do Togo chegaram entre sexta-feira e sábado para ajudarem a garantir a segurança das eleições presidenciais", confirmou fonte do Ministério do Interior guineense.

A cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), realizada no passado dia 08 no Níger, decidiu reforçar a segurança no país, depois de o Presidente cessante e candidato às presidenciais, José Mário Vaz, ter demitido o Governo liderado por Aristides Gomes e nomeado um outro.

A CEDEAO, que tem mediado a crise política no país desde 2016, condenou a decisão de José Mário Vaz e reforçou que só reconhece o Governo de Aristides Gomes, que tomou posse em junho, na sequência das legislativas realizadas em 10 de março.

Abriram as urnas para as presidenciais na Guiné-Bissau


As urnas para eleições presidenciais na Guiné-Bissau abriram hoje às 07h00 em todo o país, disse à Lusa fonte da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau garantiu na sexta-feira que estão reunidas as condições para que a votação para as presidenciais decorra "com tranquilidade" e "sem sobressaltos".

Segundo a CNE, estão inscritos para votar 761.676 eleitores. As urnas abrem às 07h00 e encerram às 17h00 (mesma hora em Lisboa).

Durante o dia, 6.500 elementos das forças de segurança e defesa vão garantir a segurança da votação.

A campanha foi marcada pela nomeação, por parte do Presidente, de um novo Governo, que foi recusado pela comunidade internacional e que exigiu a José Mário Vaz uma gestão mais limitada sob a ameaça de imposição de sanções.

Portugal | Trabalho e taxas de sindicalização


Manuel Carvalho Da Silva | Jornal de Notícias | opinião

Sempre que as sociedades atravessam períodos de crise ou de descalabro, o trabalho e os trabalhadores são muito maltratados: os sindicatos, fortemente atacados, perdem representatividade e força.

Sempre que se retomam a afirmação das liberdades, da democracia, da justiça social e da economia ao serviço de todos, os sindicatos são chamados à participação, tornando-se atores importantíssimos nos processos de desenvolvimento.

Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), dizem-nos que Portugal tinha, em 2016, uma taxa de sindicalização de 15,3%. Há outras estimativas no plano nacional que oscilam conforme as fontes a que recorrem e o universo de trabalhadores considerados. Quais as causas desta baixa taxa?

Os sindicatos deparam-se com profundas mudanças na divisão internacional e social do trabalho, com alterações estruturais das empresas, da forma de organização e prestação do trabalho, com impactos brutais da financeirização da economia, com uma precarização crescente. Quem comanda as agendas destas mudanças, a partir da cartilha neoliberal, é o poder económico e financeiro a quem o poder político se vem subjugando e oferecendo legislação antilaboral e políticas públicas a seu favor. Assim se vai desvalorizando o trabalho e as instituições de representação dos seus interesses específicos, bem como o seu papel de mediação.

Portugal | "Há psicopatas na banca e nas mais altas esferas da política"


ENTREVISTA

Joana Amaral Dias, autora do 'Psicopatas Portugueses', é a entrevistada de hoje do Vozes ao Minuto.

Psicóloga e comentadora televisiva, Joana Amaral Dias é também conhecida pelos livros que escreve.

O seu mais recente trabalho, 'Psicopatas Portugueses', conta a história de 13 psicopatas que, segundo a autora, deviam "figurar na galeria de horrores de qualquer país".

No entanto, não são muito conhecidos: ou porque se trata de crimes que ocorreram noutros séculos ou porque as autoridades quiseram "varrer para debaixo do tapete".

O interessante desta obra, explicou Joana Amaral Dias, é que aborda a questão do ponto de vista da psicologia forense. Mais do que contar a história destes crimes, a especialista descreve e explica os processos mentais que estiveram na sua origem.

As vendas, contou, estão a ser "espetaculares" com o livro a chegar já à sua quinta edição em apenas cinco meses e "é possível" que a caminho esteja já um segundo volume com mais histórias de psicopatas afinal, disse, "material não falta".

E não falta porque o povo português, ao contrário do que o Estado Novo fez crer, não é assim de "tão brandos costumes".

Como surgiu a ideia para escrever este livro? 

Surgiu de uma forma super natural. Eu faço crónica criminal e a certa altura precisei de consultar informação sobre um caso para mostrar no programa e dei-me conta que não havia nenhum livro sobre os grandes casos de homicidas em Portugal que fosse escrito por alguém da psicologia ou da psiquiatria. Fiquei muito espantada ao descobrir isto e, havendo esse vazio, achei que fazia sentido fazer esse estudo.  

Quanto tempo precisou para concluir o livro? 

A investigação é sempre a parte mais morosa. Havia casos, os mais badalados, sobre os quais havia muita informação, como foi o caso do Rei Ghob, mas depois havia uma série de casos com muito pouca informação. A parte da investigação demorou mais de um ano e depois mais cerca de um ano para escrever.  

Por que razão escolheu estes 13 casos? 

São casos que ilustram bem quadros mentais específicos e essa é uma das preocupações deste livro: mostrar casos com um contexto clínico de funcionamento mental muito diferente. A Luísa de Jesus, a Maria José e o João Barbosa não estavam tão documentados, precisei de fazer muita investigação, mas depois havia o caso do cabo Antunes que tinha sido varrido para debaixo do tapete, sendo que este é um caso muitíssimo ilustrativo daquilo que é um assassino aniquilador, que é o tipo de assassino que estamos habituados a ver nos Estados Unidos, mas que também há em Portugal. 

E qual foi o seu objetivo ao escrever este livro? 

São vários. Primeiro, isto é um livro de divulgação científica para o grande público, para as pessoas que não são da área para, justamente, poder mostrar a quem se interessa o que pode estar por trás destas histórias. Refiro-me não só ao tipo de funcionamento mental de alguém que tira a vida a outra pessoa, mas também ao contexto sociocultural que pode estar na base de tudo isto e daí este ser um livro que conta histórias reais. 

Não há ficção? 

Nenhum facto é ficcionado. O livro conta como é que tudo se passou e que leitura é que isso tem do ponto de vista psicológico. É uma obra muito centrada naquilo que é o funcionamento mental do homicida e menos centrada na vítima, porque há essa curiosidade natural de as pessoas de tentarem perceber que mecanismos são esses e, por outro lado, também para desmistificar aquela ideia que está muito difundida sobre o homicida que ‘era tão bom vizinho’ e que ‘não havia sinais de que pudesse fazer uma coisa destas’. Isso não é verdade. 

Portugal | 25 de Novembro: Mário Tomé contra "o disparate" da condecoração


Mário Tomé, militar de Abril e ex-deputado da UDP, é contra "o disparate" da distinção com a Ordem da Liberdade dos militares envolvidos no 25 de Novembro, o movimento que pôs fim ao processo revolucionário em 1975.

"A Ordem da Liberdade, que não foi dada a muitos dos que tiveram um papel fulcral no 25 em Abril, querem dá-la agora a quem fez o 25 de Novembro? É um disparate completo", afirmou à Lusa, num comentário à proposta do CDS para que os envolvidos neste movimento, civis e militares, sejam agraciados com a distinção.

E, apesar de usar outros argumentos, Vasco Lourenço duvida ser possível pôr em prática uma das ideias do CDS -- a distinção com a Ordem da Liberdade dos civis e militares envolvidos nos acontecimentos de há 44 anos.

"Além do facto de muitos capitães de Abril ainda não terem sido condecorados, apesar da sua ação relevante no 25 de Abril (conspiração e operação militar), pergunto: quem está em condições, isto é, tem competência para decidir sobre quem deve ser condecorado?", perguntou.

China | Liberdade, responsabilidade e tolerância


José Carlos Matias | PlataformaMacau | opinião

A reportagem que publicamos esta semana sobre o jornal universitário Orange Post reveste-se de um significado especial. Ilustra uma consciência cívica e jornalística de um grupo de jovens que cultivam um espaço importante de cidadania e jornalismo. É também um laboratório no qual os estudantes experimentam um primeiro contacto com o exercício da liberdade de imprensa e sentido de responsabilidade social. Macau precisa de mais espaços deste género para promover e normalizar entre os jovens e a sociedade um saudável ambiente de pluralismo e espírito crítico. Sem receios de represálias. O jornalismo é, na sua essência, um bem público - vital para o exercício da cidadania - que se encontra sob elevada pressão, a nível global, em virtude do incómodo que provoca a poderes públicos e privados, da falência de modelos de negócio tradicionais e de uma proliferação de um ambiente de "pós-verdade", que o corrói, dilacerando o entendimento do que são os factos e a realidade.

A busca da verdade é a raison d"être do jornalismo, não no sentido absoluto ou filosófico, mas em termos práticos e com honestidade intelectual, e seguindo as boas regras que alicerçam o nosso papel social de serviço público e parte de um sistema de pesos e contrapesos.

Macau tem um dos maiores PIB 'per capita' do mundo, mas riqueza está mal distribuída


Macau, China, 24 nov 2019 (Lusa) -- O secretário-geral da Cáritas Macau disse em entrevista à Lusa que o território possui um dos maiores Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita' do mundo, mas que a riqueza está mal distribuída.

"Somos muitos ricos 'per capita' mas a riqueza não está distribuída de acordo com o nosso desenvolvimento", lamentou Paul Pum, responsável da instituição desde 1991, primeiro enquanto assistente do diretor, depois de 2000 na qualidade de secretário-geral.

Para ilustrar a disparidade, Paul Pum deu o seguinte exemplo que respeita à evolução do território desde a passagem da administração para a China: "O Governo aumentou em 14 vezes, desde 1999, [a despesa] na área social, mas o preço da habitação cresceu 21 vezes".

Ou seja, concluiu, "não se conseguiu acompanhar a inflação, por isso não conseguimos alcançar o progresso".

Contudo, ressalvou, "hoje temos menos gente pobre porque com as políticas do Governo tem-se feito um esforço imenso para reduzir a pobreza e aqueles que têm menores rendimentos, e não apenas aqueles que mal podem sobreviver".

Isto porque, explicou, "foram estendidos os limites a quem poderia beneficiar de apoio e hoje mais pessoas podem ser ajudadas".

Hong Kong já vota em eleições que são referendo ao movimento de protestos


Os eleitores em Hong Kong começaram já a votar para eleger 452 representantes nos 18 conselhos distritais da cidade, num escrutínio transformado em barómetro do apoio público aos protestos antigovernamentais que se arrastam há quase seis meses.

Os conselhos distritais são organismos fundamentalmente consultivos, com pouco poder, mas a eleição adquiriu um forte simbolismo e as filas estendem-se por muitos metros à entrada das estações de voto no território semi-autonómo chinês.

Um resultado forte da oposição será lido como a manutenção do apoio público ao movimento pró-democracia, ainda que os protestos se tenham tornado cada vez mais violentos.

O poder em Hong Kong e no Governo chinês em Pequim têm esperanças de que o arrastamento dos protestos e as perturbações do dia-a-dia na cidade tenham voltado os eleitores contra o movimento pró-democracia e que isso mesmo fique expresso nas urnas.
Os últimos dias ficaram marcados por uma interrupção da violência, explicada pela vontade dos manifestantes garantirem que as eleições não seriam adiadas.

"Precisamos de mostrar ao mundo que a nossa causa é legítima. Não acredito que Pequim não responda à voz do povo de Hong Kong", disse este sábado à agência Associated Press Alex Wong, um estudante mascarado e vestido de preto durante uma marcha pacífica.

sábado, 23 de novembro de 2019

China - EUA e a geopolítica do lítio



Por vários anos, desde o impulso global para o desenvolvimento de veículos elétricos em grande escala, o elemento Lithium passou a se concentrar como um metal estratégico. Atualmente, a demanda é enorme na China, na UE e nos EUA, e garantir o controle do suprimento de lítio já está desenvolvendo sua própria geopolítica, não muito diferente da do controle do petróleo. 

China muda para fontes seguras

Para a China, que estabeleceu metas importantes para se tornar o maior produtor mundial de veículos elétricos, o desenvolvimento de materiais para baterias de lítio é uma prioridade para o período do 13º Plano Quinquenal (2016-20). Embora a China tenha suas próprias reservas de lítio, a recuperação é limitada e a China passou a garantir direitos de mineração de lítio no exterior.

Na Austrália, a empresa chinesa Talison Lithium, controlada pela Tianqi, explora e possui as maiores e mais altas reservas de espodumênio do mundo em Greenbushes, Austrália Ocidental, perto de Perth.

A Talison Lithium Inc. é o maior produtor de lítio primário do mundo. Seu site Greenbushes na Austrália produz hoje cerca de 75% das demandas de lítio da China e cerca de quarenta por cento da demanda mundial . Isso, assim como outras matérias-primas vitais da Austrália, estabeleceu relações com a Austrália, tradicionalmente uma empresa aliada dos EUA, de importância estratégica para Pequim. Além disso, a China se tornou o maior parceiro comercial da Austrália.

No entanto, a crescente influência econômica da China no Pacífico em torno da Austrália levou o Primeiro Ministro Scott Morrison a enviar uma mensagem de aviso à China para não desafiar a região estratégica do quintal da Austrália . No final de 2017, a Austrália, com crescente preocupação com a expansão da influência chinesa na região, retomou a cooperação informal no que às vezes é chamado de Quad, com EUA, Índia e Japão, revivendo uma tentativa anterior de verificar a influência chinesa no Pacífico Sul. A Austrália também intensificou recentemente os empréstimos a países estratégicos das ilhas do Pacífico para combater os empréstimos da China . Tudo isso claramente torna imperativo que a China se torne global em outros sites para garantir seu lítio, a fim de se tornar o ator-chave na economia emergente de veículos elétricos na próxima década.

À medida que o desenvolvimento de veículos elétricos se tornava prioridade no planejamento econômico chinês, a busca por lítio seguro se voltou para o Chile, outra fonte importante de lítio. Lá, a Tianqi da China acumula grande parte da SociedadQuimica Y Minera (SQM) do Chile, um dos maiores produtores mundiais de lítio. Se o Tianqi da China conseguir obter o controle do SQM, isso mudará a geopolítica do controle mundial de lítio, de acordo com relatórios da indústria de mineração .

O suprimento global de metais de lítio, um componente estratégico das baterias de íons de lítio usadas para alimentar veículos elétricos (VEs), está concentrado em muito poucos países.

Para dar uma idéia da demanda potencial de lítio, a bateria do Modelo S da Tesla requer 63 kg de carbonato de lítio, suficiente para alimentar aproximadamente 10.000 baterias de telefones celulares. Em um relatório recente, o banco Goldman Sachs chamou o carbonato de lítio de nova gasolina. Apenas um aumento de 1% na produção de veículos elétricos pode aumentar a demanda de lítio em mais de 40% da produção global atual, de acordo com o Goldman Sachs. Com muitos governos exigindo menor emissão de CO2, a indústria automobilística global está expandindo maciçamente os planos de veículos elétricos na próxima década, o que tornará o lítio potencialmente tão estratégico quanto o petróleo hoje.

A Itália na coligação “antiterrorismo”


Manlio Dinucci*

A Coligação Antiterrorista reuniu-se em 14 de Novembro de 2019 em Washington, a pedido expresso da França, ultrapassada pela reviravolta dos EUA na Síria. Essa reunião não mudou nada no jogo dos Estados Unidos e dos seus aliados, mas permitiu ao Secretário de Estado Mike Pompeo colocar, novamente, os franceses no seu lugar como simples executantes. É também uma oportunidade para Manlio Dinucci fazer um balanço sobre as proezas desta coligação.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, acolhendo em Roma, os cinco soldados feridos no Iraque, declarou que “o Estado italiano nunca recuará um centímetro diante da ameaça terrorista e reagirá com toda a sua força diante dos que semeiam terror”. Voou, então, para Washington, a fim de participar na reunião de grupo restrito da “Coligação Global contra o Daesh”, do qual fazem parte, sob orientação USA, a Turquia, a Arábia Saudita, o Catar, a Jordânia e outros países que apoiaram o Daesh/ISIS e formações terroristas análogas, fornecendo-lhes armas e treino de combate (conforme documentamos neste jornal).

A Coligação - que inclui a NATO, a União Europeia, a Liga Árabe, a Comunidade dos Estados do Sahel/Sahara e a Interpol, mais 76 Estados individuais - afirma no seu comunicado de 14 de Novembro, “ter libertado o Iraque e o nordeste da Síria” do controlo do Daesh/ISIS», embora seja evidente que as forças da Coligação deixaram, deliberadamente, a mão livre ao Daesh/ISIS [1].

Esta e outras formações terroristas foram derrotadas apenas, quando a Rússia interveio militarmente em apoio às forças do governo sírio.

RU | Jeremy Corbyn aposta no pós-capitalismo


Esquerda inglesa propõe revolução de serviços públicos. Radicaliza agenda ambiental, associando-a à garantia de ocupação para todos. E joga a conta sobre os muito ricos, desafiando a direita a mostrar quem é de fato anti-establishment

Antonio Martins | Outras Palavras

Em época especialmente áspera, quando o neoliberalismo teima em não sair de cena e emerge, ao mesmo tempo, uma ultradireita pronta para capturar o sentimento anti-establishment das maiorias – que espaço resta à esquerda? Fazer concessões à aristocracia financeira? Assumir a defesa da ordem burguesa, ameaçada pelos protofascistas? Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico e personagem incomum na política institucional, acaba de colocar na mesa uma saída audaciosa, que nega as alternativas anteriores. O manifesto que ele lançou hoje (21/11), e com o qual concorrerá às eleições de 12/12, reconhece a indignação das multidões, diante de um sistema que as amedronta e as despossui, e de uma “democracia” que já não lhes dá voz alguma.

Mas em vez de atiçar seu ressentimento, em falatório hipócrita contra o sistema, acena com uma enorme transformação social e ambiental. Quer financiá-lo por meio de uma reforma tributária de dimensões históricas e de uma visão heterodoxa sobre finanças públicas. Corbyn tem apenas três semanas para descontar os cerca de 15 pontos percentuais de vantagem que as pesquisas dão a seu rival conservador, Boris Johnson – uma espécie de Donald Trump inglês. Tem contra si o poder econômico e a mídia. Nestas condições, uma eventual virada – difícil, mas não impossível – terá imensa repercussão internacional e abrirá novos horizontes para os que defendem e constroem lógicas pós-capitalistas.

Brasil | Por que Bolsonaro e os filhos vivem com medo?


Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro

Bolsonaro e os três filhos formam a família mais poderosa e mais atormentada do Brasil. A mais acossada desde o Império. Bolsonaro simula que manda em quem quiser mandar, mas desconfia do porteiro do condomínio e teme os arquivos do major Olímpio, do delegado Waldir, de Bebianno e de Joice Hasselmann.

Os filhos de Bolsonaro desconfiam de todos que dizem confiar neles. Não há filhos mais assombrados por sombras e medos do que os três filhos de Bolsonaro.

Eles temem traições entre os milicianos. Desconfiam do Queiroz, dos parentes do Queiroz, dos laranjas insatisfeitos com a partilha das rachadinhas, dos robôs das fake news.

Os Bolsonaros desconfiam do vice Hamilton Mourão. Não podem confiar em Rodrigo Maia. Bolsonaro abandonou o próprio partido por desconfiar dos gestores do cofre. E desconfia de Witzel.

Tudo do entorno dos Bolsonaros gera desconfiança. Bolsonaro sempre soube que os grandes empresários não confiam nele, muito menos os banqueiros. Os investidores estrangeiros sabem que ele não sabe de nada.

Resistência anti-golpista e anti-neofascista no Brasil fará um encontro em Lisboa - TV247


Olá pessoal,

A TV 247, canal da mídia alternativa brasileira que mais cresce no Youtube e que desde a primeira hora se posicionou como uma das principais vozes da  resistência anti-golpista e anti-neofascista no Brasil fará um encontro em Lisboa no próximo dia 30 de Novembro para dar uma pincelada sobre a atual situação preocupante que se vive naquele país e na região. Divulguem o evento a potenciais interessados em participar.

Alberto Castro, Londres | Colunista e correspondente internacional

Milhões manifestam-se nas ruas contra o presidente da Colômbia


No âmbito da greve geral e das manifestações que estão a ocorrer na Colômbia desde o dia 21 de Novembro registam-se agora dezenas de prisões. A Colômbia junta-se ao Chile e à Bolívia nos protestos sociais contra o neoliberalismo e o fascismo.

Segundo dados e informações prestados aos órgãos de comunicação social por Diogenes Orjuela da Central Unitária de Trabalhadores foram mobilizados mais de 1000 municípios da Colômbia e em algumas cidades reuniram-se dois milhões de pessoas.

Enquanto o povo se manifesta por melhorias sociais e económicas o Esquadrão de Polícia Móvel da Polícia Nacional afasta os manifestantes com gás lacrimogéneo, há violência e prisões na cidade de Bogotá, entre outras.

O presidente da Colômbia, Duque Márquez, está no poder apenas desde Agosto de 2018 mas já está a ser fortemente contestado pelas forças vivas da sociedade, onde se incluem estudantes, sindicalistas e indígenas, a reivindicar mais saúde e educação, o fim da corrupção nas universidades e o fim da violação dos direitos humanos contra líderes da comunidade indígena.


Leia em Jornal Tornado

Portugal | "Vem aí o diabo!" - Passos Coelho avisou. Afinal ele até sabia...


Ainda na qualidade de deputado Passos Coelho avisou. Alguns dias antes de abandonar o seu desempenho de deputado, exclamou: "vem aí o diabo!". Depois foi à sua vida académica e afastou-se da cena política (que se saiba). António Costa já era o primeiro-ministro. Estava a iniciar-se a chamada "Geringonça".

As boas relações de Passos com André Ventura decerto permitiram a antevisão distante no tempo do caminho que Ventura tomaria quando ainda era vereador pelo PSD, em Odivelas. Demitiu-se do PSD e criou o Chega, neofascista e  declaradamente racista e xenófobo lá mais para a frente no tempo. O tempo o dirá, já que Passos nada mais disse das suas relações com esse tal diabo.

Certo é que o diabo está entre nós. Ativo, sempre oportunista, insistentemente populista e até eleito deputado. Inacreditável. Isso mesmo refere no JN a jornalista Inês Cardoso, em artigo de opinião que transportámos para o PG. Leia a seguir em O diabo entre nós .

PG

Portugal | O diabo entre nós


Inês Cardoso* | Jornal de Notícias | opinião

Numa democracia com a memória da polícia política muito presente e o receio de um Estado autoritário à flor da pele, as forças de segurança têm sido, ao longo dos anos, pouco representadas no discurso político.

Na base da manifestação desta semana estão reivindicações legítimas. Com equipamento obsoleto e condições salariais que não acompanham o risco da profissão, os polícias atingiram um limite perigoso de descontentamento. Perante a falta de resposta dos partidos e dos sindicatos, abre-se a porta à influência e captura por grupos sem rosto, como o Movimento Zero.

Se na canalização desse descontentamento para as ruas houve um movimento inorgânico que se sobrepôs aos sindicatos, na meta quem capitalizou foi o deputado do Chega. A sua intervenção está carregada de falácias, fazendo uma confusão propositada entre os partidos de Esquerda na luta sindical e o contexto do seu discurso frente ao Parlamento. Um discurso que ignora as particularidades de uma classe com limitações e responsabilidades especiais no direito de manifestação e que a organização nunca deveria ter permitido.

Portugal | Quinta a fundo


Henrique Monteiro, em HenriCartoon

Hong Kong | Eleições locais de domingo realizam-se sob a forma de 'referendo'


Hong Kong, China, 23 nov 2019 (Lusa) - Os cidadãos de Hong Kong vão às urnas este domingo eleger representantes distritais, em eleições que se esperam sob forte aparato policial com o valor de um 'referendo', numa cidade dividida após cinco meses de protestos.

Cerca de quatro milhões de eleitores, mais de metade da população, são chamados a votar nos mais de 400 membros do conselho distrital, num escrutínio que geralmente passa despercebido, mas que este ano ganhou renovada importância no contexto do movimento pró-democracia.

Nas últimas eleições, em 2015, o campo pró-Pequim obteve 298 dos 431 assentos, enquanto o campo pró-democracia obteve 126 e os independentes sete.

Este ano, apesar do proeminente ativista Joshua Wong ter sido impedido de concorrer, uma decisão que o próprio descreveu como "censura política", não faltam candidatos do campo pró-democracia.