terça-feira, 26 de novembro de 2019

Moçambique | Há sinais que podem atrair investimento estrangeiro


A Capital Economics, que acompanha a economia de Moçambique, considera que a decisão da Standard & Poor's de retirar o país do incumprimento financeiro abre a porta ao FMI e encoraja os investidores.

O analista da Capital Economics, empresa de análise económica com sede em Londres, Virág Fórizs, disse à agência Lusa que "a decisão da Standard & Poor's (S&P) de melhorar o 'rating' de Moçambique [para CCC+], tirando-o do 'default', vai melhorar o sentimento dos investidores, ajudar o país a ganhar acesso aos mercados internacionais e pode reabrir a porta para um acordo com o Fundo Monetário Internacional".

A S&P foi a terceira das três maiores agências de 'rating' a tirar o país da categoria de default (incumprimento financeiro), atribuindo à economia do país uma perspetiva de evolução estável.

O analista da Capital Economics  acrescentou que apesar das autoridades quererem deixar para trás o escândalo das dívida ocultas, "a elevada dívida de Moçambique continua a ser uma preocupação".

O acordo com os credores dos títulos de dívida soberana, apontou, "representa apenas 4% do total da dívida", mas ainda assim, concluiu, "as perspetivas económicas do país são boas com o desenvolvimento dos investimentos no setor do gás natural".

Rússia anuncia investimentos milionários em Angola


As autoridades russas e investidores privados estão disponíveis para investir cerca de nove mil milhões de euros para financiar projetos com impacto socio-económico em Angola, segundo um responsável da Federação Russa.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente da Comissão Parlamentar para as Relações Internacionais da Federação Russa, Chepa Alexey, numa audiência com o Presidente da República de Angola, João Lourenço.

O dinheiro resulta de uma linha de crédito conjunta, da Federação Russa, setor privado russo e investidores internacionais, segundo a Agência Lusa.

Chepa Alexey indicou que os projetos estão ligados ao setor energético, incluindo a construção de barragens hidroelétricas, produção de energia eólica, painéis solares, linhas de transporte de energia elétrica, construção de estradas, habitações e outras infraestruturas.

O dinheiro destina-se a financiar "projetos de grande envergadura" do interesse comum da Federação Russa e de Angola, adiantou Chepa Alexey, líder de uma delegação de empresários russos que vai manter encontros bilaterais com representantes de congéneres angolanas.

Angola | O sector privado, o papel do Estado e a crise


Jornal de Angola | editorial

O Presidente da República, João Lourenço, voltou a reiterar ser necessário que Angola tenha um sector produtivo privado robusto, para que tenhamos uma economia em constante crescimento.

Em declarações proferidas numa reunião com homens de negócios na província do Cuanza-Sul, João Lourenço transmitiu a ideia de que o Estado não se vai substituir ao sector privado, que, em sua opinião, deve reocupar “o seu lugar e venha ocupar o espaço que é seu”.

O Presidente da República pretende um empresariado privado dinâmico , capaz de, segundo suas palavras, “fazer acontecer” e de ocupar “o lugar número um”, limitando-se o Estado a exercer o papel de regulador da actividade económica.

João Lourenço sempre defendeu que o Estado não deve ser o principal empregador, até porque tem poucos recursos financeiros para absorver muita mão -de -obra, e terá querido na reunião com empresários angolanos no Cuanza -Sul incentivar os que no sector privado realizam actividades produtivas a serem ousados e a procurarem caminhos que levem à revitalização da produção de bens e serviços.

Guiné-Bissau aguarda resultados com apelos à calma


Um dia depois das eleições presidenciais a Guiné-Bissau aguarda divulgação dos resultados de um processo considerado transparente pelos observadores internacionais. Resultados deverão ser publicados quarta-feira (27.11)

Depois de um dia de votação, na segunda-feira, (25.11) a Guiné-Bissau viveu uma acalmia total, embora haja muita expetativa à volta da divulgação dos resultados eleitorais.

Os candidatos e os partidos políticos mantém-se em silêncio, depois da Comissão Nacional de Eleições (CNE) ter pedido que se aguarde pela publicação dos resultados, prevista para esta quarta feira (27.11).

No domingo este órgão pediu aos candidatos e aos órgãos de comunicação social para que se abstivessem de divulgar quaisquer resultados, tendo a Secretária Executiva da entidade, Felisberta Moura Vaz, salientado que a CNE é a única entidade competente para divulgar os resultados.

"Apelar à comunidade nacional e internacional, em particular as candidaturas concorrentes, órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros, a absterem-se de veicular informações conducentes aos resultados eleitorais, esta competência insere-se exclusivamente à CNE”, referiu Moura Vaz.


Eleições. Guiné-Bissau recebe elogios de entidades internacionais


A missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental deixou elogios à forma como correram as eleições presidenciais na Guiné-Bissau, em clima calmo e de cordialidade.

Esta missão pede por isso que seja acelerado o processo para que possam ser conhecidos os resultados.

Souleymou Maiga alertou ainda para que todos os candidatos aceitem os resultados e se quiserem contestar, devem fazê-lo apenas através de meios legais, como conta a jornalista da RDP África, Gaelle de Castro.

As eleições foram no domingo. Os resultados provisórios das eleições presidenciais devem ser divulgados na quarta-feira.

RTP/Antena 1

O segredo do Governo: bloqueio à lei de combate à evasão fiscal das multinacionais


Mariana Mortágua* | Jornal de Notícias | opinião

Em 2018 a Google faturou 4200 milhões de dólares na Austrália, onde pagou 27 milhões em impostos porque a maior parte das receitas foram registadas em Singapura e depois transferidas para as Bermudas. A Uber declarou lucros de 786 milhões que, depois de transferidos para a Holanda, pagaram 8,5 milhões em impostos.

Este ano, as autoridades francesas acusaram a Google de ter escapado ao pagamento de impostos no valor de 1600 milhões através da Irlanda. E muitos outros casos têm vindo a público envolvendo multinacionais como a Amazon ou a Apple.

Um estudo recente ("The Missing Profits of Nations") estima que 40% dos lucros das empresas multinacionais estejam a ser desviados para offshores. Só na União Europeia, a perda de receita fiscal é de 20%. Segundo outra estimativa do FMI, a perda de receita fiscal mundial associada à evasão das multinacionais é de 450 mil milhões de euros, mais do dobro do PIB português.

Esta gigantesca evasão fiscal é feita através daquilo que ficou conhecido por "erosão da base tributária e transferência de lucros". Na prática, o que está em causa é o aproveitamento de diferentes legislações para transferir lucros para territórios onde os impostos são menores ou mesmo nulos. Estes territórios podem ser offshores, como as ilhas Caimão ou as ilhas Virgens Britânicas, mas também países da UE, como a Irlanda, a Holanda ou o Luxemburgo.

A gravidade da situação motivou várias propostas da OCDE e da União Europeia que, não indo tão longe quanto necessário, representam avanços face ao desastre atual. Uma delas é o chamado Reporte por país: a obrigação das multinacionais publicarem informações básicas sobre o local onde realizam os seus lucros e pagam os seus impostos. A proposta para alargar e melhorar este regime chegou a ser transformada numa Diretiva Europeia, aprovada pela Comissão em 2016 e pelo Parlamento Europeu em 2017, não tendo avançado desde então.

Ficámos a saber que esta medida está a ser bloqueada no Conselho Europeu, onde se reúnem os governos nacionais. E que uma das forças de bloqueio, ao lado do Luxemburgo e Irlanda, é o Governo português, que está há anos para tomar posição. O mesmo Governo do PS que declarou no seu programa querer "bater-se por uma maior justiça fiscal à escala europeia, combatendo a erosão das bases tributáveis entre diferentes estados".

Tendo sido já confirmada por fontes oficiais, esta não-posição do Governo português é muito grave, tanto mais porque foi mantida em segredo. O papel do Parlamento agora é exigir explicações e obrigar a uma tomada de posição. É o que faremos a partir de hoje.

*Deputada do BE

Portugal | Rui Pinto diz que PJ "blindou" acesso a dados eletrónicos de dono da Doyen


Rui Pinto acusou esta segunda-feira, através do Twitter, a Polícia Judiciária (PJ) de "blindar" o acesso a dados de uma cópia forense aos dispositivos eletrónicos de Nélio Lucas, antigo dono da Doyen.

"A Polícia Judiciária fez uma cópia forense aos dispositivos eletrónicos de Nélio Lucas, mas blindou-os para impossibilitar a sua utilização contra ele", lê-se na publicação. O pirata informático gaiense, denunciante do Football Leaks, questionou ainda a possibilidade de a PJ ter omitido os dados às autoridades espanholas.

Leia a publicação na íntegra:

"Em outubro de 2015 a Polícia Judiciária fez uma cópia forense aos dispositivos eletrónicos de Nélio Lucas, mas blindou-os para impossibilitar a sua utilização contra ele. E esta informação é ainda mais relevante pelo facto de Nélio Lucas e a Doyen Sports estarem a ser alvo de um processo-crime em Espanha por crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal, sendo previsível que nesses equipamentos existam elementos que poderiam ser muito importantes para robustecer a acusação, num processo que, como reconheceu o juiz José de La Mata, surgiu após as denúncias realizadas através da plataforma Football Leaks, e exigirá mecanismos de cooperação judiciária internacional, e análise de documentação abundante e complexa.

Numa altura em que se tornou por demais evidente o protecionismo das autoridades portuguesas para com a Doyen, falta saber se estas autoridades chegaram ao ponto de omitir estes dados à congénere espanhola..."

Jornal de Notícias

Portugal | O 25 de Novembro deve ser lembrado?


Pedro Tadeu | TSF | opinião

O 25 de Novembro não deve ser esquecido.

Não deve ser, em primeiro lugar, esquecido à esquerda, sobretudo aquela esquerda a que agora chamamos de esquerda radical, aquela que na época o país chamava de extrema-esquerda, a que se dizia estar ainda mais à esquerda do que o PCP, a esquerda da UDP e de outros grupos políticos que hoje se reúnem no Bloco ou em partidos menores.

Essa esquerda não deve esquecer os erros que cometeu e que a levaram à derrota na luta política de então.

A esquerda radical não devia esquecer o 25 de Novembro para se lembrar que responder a provocações armadilhadas pela direita é fazer o serviço à direita.

A esquerda radical não devia esquecer o 25 de Novembro para se lembrar que tentar conquistar o poder e impor uma nova sociedade, sem primeiro conquistar uma base mínima de apoio popular sólida, sem pensar antes de agir, é politicamente tão infantil, mas tão infantil, que até irrita!

A esquerda radical não devia esquecer o 25 de Novembro para se lembrar que o divisionismo, o sectarismo, as discussões internas parvas, a identificação de falsos inimigos e a intolerância não a levam a lado algum.

A esquerda radical não devia esquecer o 25 de Novembro para não cometer, 44 anos depois, os erros que a condenaram, durante décadas, à irrelevância política em Portugal.

Sou militante do PCP e acho que o meu partido também não devia esquecer o 25 de Novembro.

O PCP não devia esquecer o 25 de Novembro, porque a permanente reescrita e falsificação da história que os seus adversários insistem em produzir está a tentar empurrar os comunistas portugueses para o lugar de malfeitores políticos.

O PCP não devia esquecer o 25 de Novembro para que o país, por seu lado, não se esqueça que sem os comunistas, antes e depois do 25 de Abril, não veríamos inculcado no país o eixo central do ideal da nossa democracia e que junta liberdade, paz e justiça social como desígnio nacional.

Este ideal de democracia está, em muitos aspetos, longe de se alcançar, mas todas as forças políticas portuguesas, mesmos as mais novas, adotam esse objetivo comum que foi forjado, ao fim e ao cabo, durante o período revolucionário de 1975.

O PCP não devia, ainda, esquecer o 25 de Novembro para se lembrar que à sua direita política as alianças são só circunstanciais, e que haverá sempre quem queira trabalhar para a sua extinção, apesar do partido contar quase 100 anos de luta pelas classes trabalhadoras portuguesas.

O PS também não devia esquecer o 25 de Novembro.

O Partido Socialista liderou em 1975 um combate político onde todas as armas, todas as batotas, todas as mentiras foram utilizadas. Não foi bonito e o Partido Socialista atual, que tem belos pergaminhos democráticos, ainda não se confrontou com o lado negro da sua história, coisa que está sempre a exigir ao PCP. Por isso devia, também, lembrar-se do 25 de Novembro.

O PS não devia esquecer o 25 de Novembro para se lembrar, por exemplo, que o compromisso à esquerda, que durante o Verão Quente repetidamente recusou e que 40 anos depois, com António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa aceitou, não é, afinal, um bicho de sete cabeças e que muitas vezes, nas circunstâncias políticas certas, pode ser a melhor solução para o país.

O PS não devia esquecer o 25 de Novembro para se lembrar de que há uma grande diferença entre o socialismo que traz no nome e as cedências que constantemente faz aos grandes interesses do capital (como se dizia em 1975) e que corrompem e destroem o equilíbrio da nossa sociedade.

Quanto à direita, essa adora recordar-se do 25 de Novembro, é um tema que incrivelmente une o PSD ao Chega, e não precisa que lhe lembrem da data.

Mas há uma coisa que a direita, o PSD, o CDS, a Iniciativa Liberal e o Chega, não deviam ignorar: não se pode equiparar o 25 de Novembro ao 25 de Abril, não se pode comparar o dia em que os portugueses se dividiram até à beira da guerra civil com o dia em que todos se uniram para obter a liberdade e cantarem, nas ruas, o lema "o povo unido jamais será vencido".

Para glosar Ramalho Eanes, o antigo Presidente da República e líder militar do lado vitorioso do golpe de há 44 anos, diria que devemos lembrar-nos do 25 de Novembro, mas não o devemos celebrar.

Para celebrar podemos hoje, talvez, dar todos, à esquerda e à direita, um viva ao 25 de Abril.
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Na imagem: Ramalho Eanes e Jaime Neves, com a CIA e a NATO colados à pele. A direita portuguesa e o PS agradeceram. Frank Carlucci, da CIA e embaixador dos EUA em Portugal, também se desfez em agradecimentos, até hoje. (PG)

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Portugal | 25 de Novembro de 1975: Moderação da NATO imposta aos portugueses


Martinho Júnior, Luanda 

A noção contemporânea de liberdade não é relativa, muito menos moderada, a noção de liberdade não passa no crivo da rarefacção de democracia de que se alimenta a própria NATO, devoradora até da vontade institucional dos povos!...

Perante tal rarefacção, nem a representatividade democrática subsiste e qualquer participação ou protagonismo, ainda que procure seguir o rumo da lógica com sentido de vida, torna-se um “produto tóxico” que a aristocracia financeira mundial exclui deliberadamente, intragável para o processo em curso de domínio do império da hegemonia unipolar!

Está a ser assim paulatinamente no Google, no Facebook, ou no Twitter, para citar três exemplos de fermentação progressiva de censura!

01- De “mercado” em “mercado”, de consumismo em consumismo, a busca irracional do lucro, cada vez mais lucro ainda que seja lucro alcançado por via da especulação financeira, está inexoravelmente a esgotar os recursos da Terra e paulatinamente a azotar os povos e a asfixiar a própria natureza, cada vez mais ávida de água e de oxigénio!...

A degradação ambiental está intimamente associada ao processo de concentração de riqueza e de poder em cada vez menos mãos no âmbito da poderosa aristocracia financeira mundial que se capacitou para os expedientes de domínio e usa a dialética para seu próprio proveito, o proveito de 1% sobre o resto da humanidade!

Nação alguma, país algum, estado algum, povo algum escapa a esse poder concentracionário, mesmo que as economias locais, regionais e até continentais alcancem uma importante capacidade de diversificação, por que as tecnologias fluem a partir dos processos dominantes e só a partir deles, garantindo por via de processos sofisticados de “soft power” e duma assentada, as dependências, as ingerências e as manipulações, explorando a vocação irracionalmente consumista do homem!

A democracia nestes termos é simultaneamente uma ilusão, uma alienação e um processo filtrado de fomento ideológico que abre espaços à inércia dum conservadorismo de séculos que exaustivamente se alimentam as religiões e seus artificiosos ambientes socioculturais e sociopolíticos!

O silêncio: a pior resposta do Estado português

Encontro do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, e do Secretário de Estado norte-americano Michael Pompeo, em Washington, Junho de 2018. Créditos/ US Department of State
Seria de bom-tom que os portugueses soubessem o que têm a dizer as principais autoridades do Estado sobre as atrocidades que estão a ser cometidas na Bolívia e no Chile. O silêncio é a mais indigna das atitudes.

José Goulão | AbrilAbril | opinião

Chefe de Estado e o governo da República Portuguesa estão em silêncio perante as atrocidades contra a democracia e os direitos humanos praticadas na Bolívia e no Chile. Em circunstâncias onde o poder neoliberal se vê forçado a mostrar a sua verdadeira face ditatorial para evitar a aplicação plena da democracia, com todas as suas consequências, as principais figuras do Estado português escolhem o silêncio, talvez a maneira mais indigna de se identificarem com a crueldade do sistema – ao mesmo tempo que ignoram a Constituição da República.

Na Bolívia, depois do golpe com todos os velhos ingredientes político-militares, a repressão fascista com matizes racistas avança através do país e não poupa sequer os senadores eleitos que constituem a maioria absoluta do Senado. No Chile, a repressão do pinochetista Sebastián Piñera castiga cruelmente o levantamento popular que exige uma Constituição democrática e uma vida digna. A tudo isto as principais figuras do Estado português dizem nada. Respondem com um longo e profundo silêncio como se não lhes coubesse ter opinião própria e fossem obrigadas a respeitar o não menos profundo e longo silêncio da União Europeia. Tentemos decifrar o enigma – que tem, certamente, um eminente significado político.

Todos sabemos o quão loquazes são, por exemplo, o chefe de Estado e o ministro dos Negócios Estrangeiros. Essa veia comunicadora que lhes permite ter as palavras certas nos momentos certos para a comunicação social certa é de tal maneira expressiva e expectável que nos permite dispor de elementos para compreender os conteúdos dos seus silêncios sem uma exagerada margem de erro.

EUA | Despesa militar e taxa de lucro


Resenha de The Economics of Military Spending, A Marxist Perspective , de Adem Yavuz Elveren, Routledge, 2019

Michael Roberts [*]

O Instituto Watson para Assuntos Públicos e Internacionais, da Universidade Brown, publicou na semana passada o seu relatório anual "Costs of War" . Este refere-se aos custos de guerra apenas para os EUA. O relatório leva em consideração os gastos do Pentágono e sua conta Overseas Contingency Operations, bem como "gastos relacionados à guerra pelo Departamento de Estado, gastos passados e obrigatórios para cuidar dos veteranos de guerra, juros sobre a dívida contraída para pagar guerras e prevenção e resposta ao terrorismo pelo Departamento de Segurança Interna". A contagem final revelou: "Os Estados Unidos apropriaram-se e são obrigados a gastar cerca de US$5,9 milhões de milhões (em dólares actuais) na guerra ao terror ao longo do ano fiscal de 2019, incluindo guerra directa e gastos e obrigações futuras de gastos com veteranos de guerra após o 11 de Setembro".

O relatório constatou que "as forças armadas dos EUA efectuam actividades anti-terroristas em 76 países, ou cerca de 39% das nações do mundo, expandindo amplamente [sua missão] por todo o globo". Além disso, estas operações "foram acompanhadas por violações dos direitos humanos e liberdades civis, nos EUA e no exterior. " Na generalidade, os investigadores estimaram que "entre 480 mil e 507 mil pessoas foram mortas nas guerras dos Estados Unidos após o 11 de Setembro no Iraque, Afeganistão e Paquistão. Este "número de mortos "não inclui as mais de 500 mil mortes da guerra na Síria, que a devasta desde 2011", quando um levantamento jihadista apoiado pelo Ocidente desafiou o governo, um aliado da Rússia e do Irão. Naquele mesmo ano, a aliança militar ocidental da NATO liderada pelos EUA interveio na Líbia e ajudou os insurgentes a derrubarem o antigo líder Muammar el-Kadafi, deixando a nação num estado de guerra civil contínua.

Ministro alemão apela ao desarmamento, mas rejeita remover bombas nucleares EUA


O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, rejeitou pedidos para retirar as bombas nucleares estadunidenses de seu país, apesar de viajar para Hiroshima nesta sexta-feira para mostrar apoio ao esforço global pelo desarmamento nuclear.

Os partidos alemães Verde e A Esquerda, bem como os social-democratas de Maas, pediram repetidamente ao governo que pare de armazenar cerca de duas dúzias de bombas termonucleares B61 na base aérea de Buechel, onde vários jatos de combate ficam a postos em caso de emergência.

"Mover armas nucleares de um país para outro não ajuda. Se elas desaparecem, devem desaparecer em todos os lugares", afirmou Maas, segundo a agência de notícias alemã dpa.

O principal diplomata alemão falou durante uma breve visita a Hiroshima, no Japão, a caminho da reunião dos ministros de Relações Exteriores do G20 em Nagoya.

Ele usou a escala para se reunir com sobreviventes do ataque nuclear de agosto de 1945 na cidade pela Força Aérea dos EUA, que havia matado 140.000 no final daquele ano.

Falando antes de sua viagem na quinta-feira, Maas disse que faria campanha pelo desarmamento nuclear e não proliferação. Ele argumentou nesta sexta-feira que o desarmamento exigia uma "base mais ampla" e não poderia ser alcançado por compromissos unilaterais.

Sputnik | © AP Photo / Stringer

Turquia testa sistemas de defesa russos apesar das ameaças dos EUA


A Turquia começou hoje a testar os sistemas russos de defesa antiaérea, apesar das repetidas ameaças de Washington sobre a aplicação de sanções em caso de ativação deste armamento, referiram os media turcos.

Aviões militares sobrevoaram ao início da tarde uma base na província de Ancara para testar os radares do sistema de defesa S-400 e a formação de operadores turcos responsáveis pela sua manutenção, referiu a agência noticiosa turca DHA.

Pouco antes, o ministério turco da Defesa tinha indicado em breve comunicado que os aparelhos sobrevoavam Ancara "no âmbito dos projetos conduzidos pela Direção da indústria da Defesa", um organismo dependente da presidência.

Os aviões, incluindo F-16, sobrevoaram a base aérea de Mürted (ex-Akinci), onde estão colocadas as baterias russas, precisou a DHA, acrescentando que estão previstas outras saídas na terça-feira para testar a capacidade do radar dos S-400 em detetar alvos potenciais.

Portugal-UE | Os extremos de Maria Luís Albuquerque


Ana Alexandra Gonçalves* | opinião

Quando quase todos, em nome da sanidade mental, já havíamos esquecido a ministra das Finanças do governo de Passos Coelho, esta ensaia um regresso lançando a confusão e tratando todos como se de crianças se tratassem, Nesta linha, Maria Luís afirma, em entrevista, que "temos de acabar com essa conversa de que há um extremo que é bom e outro que é mau", aproveitando claro está a confusão que o próprio Parlamento Europeu fez o favor de criar ao misturar comunismo e fascismo.

A confusão serve a uma direita pouco interessada no rigor histórico e apenas dedicada ao branqueamento do fascismo que confortavelmente se vai instalando e fazendo parte da norma. Assim mete-se no mesmo saco quem é marxista e quem é nazi - o absurdo ganha, deste modo, uma dimensão incomensurável, mas serve os intentos de quem apresentou recentemente um livro dedicado a Donald Trump, Jair Bolsonaro, Nova Direita Europeia e ao Estado de Israel".  A ignorância e inutilidade encontram espaço entre os fascistas.

*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

Portugal | Mamadou Ba deixa o Bloco de Esquerda devido a "profunda divergência"


Dirigente da SOS Racismo sai do Bloco de Esquerda devido a "profunda divergência", anunciou esta segunda-feira o próprio num comunicado divulgado à imprensa.

"A ligação com o Bloco de Esquerda que hoje termina, dura desde da sua fundação e, nesses 20 anos, para além da militância, partilhei responsabilidades coletivas enquanto membro da Mesa Nacional, da Comissão de Direitos e da Coordenadora Concelhia de Lisboa", começa por dizer o ativista na nota enviada à imprensa. 

Mamadou Ba explica de seguida  que a formalização da saída do Bloco de Esquerda foi "uma decisão tomada em janeiro deste ano, no rescaldo dos acontecimentos do Bairro da Jamaica".

Justifica ainda que a desvinculação "resulta de uma profunda divergência, pois o que renego não é o projeto que deu origem ao Bloco, mas no que o partido se tornou ao longo do tempo". 

Portugal | Joacine Kertar Livre. Jesus na terra abençoado por Deus


O Curto fora de horas, desculpem. Bom dia é sempre, enquanto for de dia e estivermos a ler isto e o que mais vier. Estamos vivos. Oxalá que sempre com saúde, sorte e dinheiro para gastos. Mas, se preferirem, porque já passa do meio-dia, desejamos também uma boa tarde… E já agora passem uma boa noite, durmam bem – os que dormem.

A dormir não tem estado Jorge Jesus lá pelo Brasil, país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza… Mas que beleza. E em Novembro o Flamengo foi o tal… que ganhou tudo, a Taça dos Libertadores e sagrou-se campeão do Brasil. Pronto, já abordámos esta parte, apesar de não darmos grande importância a esta parte. Deus no céu e Jesus desceu o Oceano Atlântico para fazer milagres a contento de milhões de brasileiros.

Se é facto que Jorge Jesus não tem estado a dormir, o mesmo não podemos dizer da deputada do Livre em Portugal, Joacine (nome giro). A milhões parece que a senhora mentiu quando afirmou que estava a ser abandonada pelo Livre em termos de comunicação. Tudo porque não sabia como votar acerca da reprovação de Israel e ninguém do Livre atendeu seus telefonemos nem SMS. Pergunta: Joacine, experimentou sinais de fumo? Ironia, claro. A boa disposição é nosso mote no PG.

Pelo sim pelo não a deputada Joacine absteve-se. Hem?! Omessa, então isso cabe na cabeça de alguém? Livre é livre, tem que ver com liberdade… Então e qual é a dúvida de que o partido político Livre pugna pela libertação da Palestina e reprovação de Israel?

Em consciência Joacine não desejava ser a favor ou contra da reprovação a Israel por parte do Parlamento de Portugal? Ah, então está bem. Mas então porque se filiou no Livre e ocupa o lugar de deputada possibilitada por esse partido – que é contra a ocupação e políticas criminosas de Israel praticadas sobre a Palestina e os palestinianos? Tal justificação não diz a gota com a perdigota.

Além disso Joacine tem feito outro tipo de declarações que têm sido um “desastre”. Que só foi eleita porque ela fez tudo para isso e conseguiu… Sem apoios nem ajudas do Livre. Ai sim?

Eu, eu, eu, eu… Eu vencedora! Eu faz-tudo! Eu vítima! Então e as bases programáticas e as propostas eleitorais do Livre não valem nada? Lá o que diz é que a reprovação a Israel cabe no voto do Partido…

Chega de disparates, Joacine. Quanto mais chafurdar mais se “enterra”.

Adiante, que o ocorrido não cabe em nada e uma abstenção significa algo a favor de Israel, neste caso.

Curto já a seguir. Curta. Resto de boa segunda-feira, se conseguir. E não se esforce para entender a deputada do Livre, Joacine Katar Moreira. Não dá para entender, a não ser que se mude para o Chega.

Chega, basta, adiante. O Expresso Curto, em atraso, aqui no PG. Avante.

MM | PG

Portugal | Joacine e o amor à sobrevivência


Pedro Ivo Carvalho* | Jornal de Notícias | opinião

O que leva a deputada única de um partido que nunca esteve representado no Parlamento a entrar em guerra com esse partido apenas um mês após a estreia?

E o que leva esse partido a repreender publicamente a deputada, por esta não ter respeitado a linha programática, abstendo-se numa votação estéril (mais uma) que visava condenar uma "nova agressão israelita a Gaza"? (a propósito: começa a ser confrangedora esta sucessão de votos de louvor, repúdio e outros estados de alma no Parlamento).

Bem, mas respondendo às perguntas: soberba, vaidade e inadaptação. Joacine quis ser o Livre, mas o Livre descobriu agora que talvez não seja boa ideia fazer a vontade a Joacine. Algo que, durante este tempo todo, um e outro foram suportando, mas que, uma vez estalado o verniz da realidade, se percebe que não passa de uma interesseira convergência de vontades. É indiscutível que Joacine alcandorou o partido a níveis históricos. E é evidente que o partido aproveitou a boleia na nuvem da fama para subir mais alto. Ambos lucraram.

Portugal | Ação em tribunal tenta anular concessão de lítio em Montalegre


A Associação Montalegre com Vida interpôs uma ação administrativa com vista à anulação do contrato de concessão para a exploração de lítio assinado entre a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e a Lusorecursos Portugal Lithium.

Armando Pinto, porta-voz da associação, afirmou hoje à agência Lusa que "a ação administrativa comum foi submetida na quinta-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela, contra o [então] Ministério do Ambiente e Transição Energética, que em março tutelava a DGEG, e a empresa Lusorecursos Portugal Lithium, S.A".

O responsável referiu que a associação "vem, desta forma, arguir a anulabilidade do contrato de concessão 'Romano', celebrado em 28 de março de 2019 entre a DGEG e a Lusorecursos Portugal Lithium, S.A".

"Consideramos que o contrato é ilegal, não foi cumprido aquilo que está na lei. A empresa que indicaram, até ao prazo legal, não é aquela que efetivamente assinou o contrato", argumentou Armando Pinto.

Embaixada de Portugal em Díli renova esforços para agilizar processes de nacionalidade


Díli, 25 nov 2019 (Lusa) -- A Embaixada de Portugal em Díli informou hoje os utentes que continua a fazer todos os esforços para procurar acelerar as dezenas de processos de pedido de nacionalidade que chegam diariamente a este posto consular.

"A Embaixada de Portugal tem feito um esforço grande no sentido da agilização dos processos de nacionalidade e a prova disso é que, há cerca de um mês foi permitido, excecionalmente, que os requerentes entregassem, sem marcação, a resposta da Paróquia ao ofício da Embaixada", refere uma nota divulgada na página oficial da embaixada no Facebook.

Para que esse novo procedimento funcionasse, era necessária a "colaboração de todos, sobretudo dos próprios interessados".

Porém, "a cada semana era maior e menos ordeiro o número de pessoas que aqui se concentravam, impedindo o acesso de outros utentes e funcionários à Embaixada, forçando a entrada, pondo muitas vezes em risco a integridade física de quem se encontrasse junto à porta, em total desrespeito pelas mais elementares regras de urbanidade", refere.

Motivo pelo qual, sublinha, a Embaixada de Portugal "viu-se forçada, por razões de ordem pública e segurança, a retomar a regra do atendimento, para todos, apenas por marcação".

China reitera apoio a Carrie Lam após oposição vencer eleições locais


Pequim, 25 nov 2019 (Lusa) - As autoridades chinesas reiteraram hoje o seu apoio à chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, após os candidatos da oposição terem alcançado uma ampla vitória nas eleições do conselho distrital da região semiautónoma.

"A nossa posição é inequívoca: o Governo central apoia firmemente a chefe do Executivo, Carrie Lam, para liderar o governo e governar de acordo com a lei, acabar com a violência e restaurar a ordem", apontou Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em conferência de imprensa.

Embora tenha enfatizado o apoio de Pequim a Lam, o porta-voz evitou avaliar diretamente os resultados de umas eleições tidas como um indicador do amplo apoio aos protestos antigovernamentais que há seis meses atingem Hong Kong, apesar dos contornos cada vez mais violentos, com frequentes atos de vandalismo e confrontos com a polícia.

As manifestações iniciaram-se devido a um projeto de lei que permitiria extraditar criminosos para países sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Pró-democratas garantem vitória esmagadora nas eleições de Hong Kong


Os candidatos pró-democracia nas eleições de domingo para os conselhos distritais obtiveram um resultado esmagador face ao campo pró-Pequim, conquistando quase 90% dos assentos do Conselho Distrital, segundo a emissora RTHK.

Os candidatos pró-democratas, até às 09:00 (01:00 em Lisboa) alcançaram pelo menos 390 assentos dos 452 em jogo, numa eleição com uma participação recorde de 71,2% que demonstrou o forte apoio para as organizações que mobilizaram os protestos que levaram à rua milhões de pessoas em Hong Kong desde junho.

Nas últimas eleições, em 2015, o campo pró-Pequim tinha obtido quase dois terços dos assentos nos conselhos distritais. Agora, os pró-Pequim perderam mais de 240 assentos, em comparação com 2015.

Segundo o jornal South China Morning Post, os pró-democratas venceram 17 dos 18 conselhos distritais, todos anteriormente sob controlo das forças pró-governamentais.

Os dados preliminares oficiais, quando falta apenas conhecer os vencedores de 58 dos 452 lugares em disputa dão conta da conquista de 344 lugares pelos pró-democratas.

O coordenador da Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH), Jimmy Sham, que tem liderado o movimento pró-democracia em Hong Kong responsável pelas maiores manifestações, venceu o distrito de Lek Yuen, em Sha Tin.

Após a sua vitória, Jimmy Sham afirmou aos jornalistas que as eleições locais foram um referendo que refletiu a vontade da opinião pública de que sejam realizadas reformas democráticas no território.

Macau | Lançada petição de apoio aos manifestantes de Hong Kong


Amanda Lei lançou um apelo para que Macau não fique em silêncio. A cidadã de Macau, apresentou uma petição à Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, para que “as pessoas de Macau possam mostrar o seu apoio aos manifestantes de Hong Kong”.

Começando por referir que a intensificação das manifestações e as sondagens à população têm demonstrado que o Governo de Hong Kong tem vindo a “ignorar as exigências do público”, a petição aponta o dedo à “operação violenta da polícia” como principal causa para os “conflitos sociais de grande escala” que Hong Kong tem vivido nos últimos tempos.

“Quando as motivações de milhões de pessoas foram ignoradas pela Chefe do Executivo de Hong Kong, desconsiderando a vontade do público, foram trazidas achas para o protesto. Quando quem ocupa cargos públicos não foi responsabilizado, acenderam-se as tochas e quando os agentes indisciplinados da força policial de Hong Kong entraram em acção, tornaram-se no motor para atirar mais achas para a fogueira do confronto”, pode ler-se no texto da petição.

Assim, dirigindo-se directamente ao Governo de Hong Kong para que “condene o abuso de poder por parte da força policial contra os manifestantes”, através da recolha de assinaturas, a petição criada por Amanda Lei visa “apoiar os manifestantes de Hong Kong no combate à violência policial, (…) na luta pelas cinco exigências e na luta pela democracia e liberdade”.

domingo, 24 de novembro de 2019

Saiba como decorreram as eleições na Guiné-Bissau – minuto a minuto


Mais de 760 mil eleitores são, este domingo (24.11), chamados a votar nas eleições presidenciais na Guiné-Bissau para escolher, entre 12 candidatos, quem irá suceder a José Mário Vaz, que se recandidata ao cargo.

Todas as atualizações na hora de Bissau

18:28 Cidadãos transmitem em direto no Facebook a contagem dos votos. Albano Barai é um deles.

18:17 Termina a votação sem incidentes e, neste momento, faz-se a contagem dos votos um pouco por todo o país e também na diáspora.

18:00 Começa o encerramento das urnas nas eleições presidenciais guineenses. Neste momento, várias assembleias de voto estão a preparar a contagem dos votos para afixação das atas sínteses, relatam rádios do país. 

17:49 A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau reafirma, na sua segunda avaliação ao processo de votação, que tudo continua a decorrer com toda a normalidade, em todo o território nacional, bem como na diáspora e sem incidentes. A porta-voz da CNE, Felisberta Moura Vaz, sublinha que houve apenas uma situação que interrompeu a votação, no círculo 12, mesa 2, em Djabicunda, na região de Bafatá, leste da Guiné-Bissau. Mas diz que a situação foi ultrapassada e os eleitores continuam a votar.

"O funcionamento das mesas da assembleia de voto está a decorrer com total normalidade", afirma a CNE, quando falta uma hora para o fecho das urnas. A Comissão Nacional registou também a "afluência massiva2 às urnas, pelo que antevê que a taxa de participação será "positiva".  A CNE não confirmou as denúncias, feitas nas redes sociais, de tentativa do enchimento de urnas no interior do país. 

Standard & Poor's retira Moçambique da categoria de incumprimento financeiro


A agência de notação financeira Standard & Poor's melhorou o 'rating' de Moçambique, atribuindo à economia do país uma Perspetiva de Evolução Estável.

"O Governo de Moçambique completou uma troca de títulos de 'dívida problemática'. No seguimento dessa resolução, estamos a melhorar o 'rating' para emissões em moeda estrangeira de curto e longo prazo - de SD ('selective default' ou incumprimento financeiro seletivo, em português), para CCC+/C - e afirmamos as emissões em moeda nacional no patamar B-/B", lê-se numa nota divulgada pela agência de notação financeira.

"A Perspetiva de Evolução Estável equilibra, na nossa visão, os riscos associados aos elevados défices gémeos [orçamental e de balança comercial] com as perspetivas de melhoria no crescimento económico nos próximos 12 meses, apoiadas pelos grandes investimentos na indústria extrativa", acrescenta-se na nota que acompanha a retirada do país do 'default'.

Metro de superfície pode ser a solução para o problema dos transportes de Luanda?


Primeiro metro de superfície em Angola começa a ser construído em 2020. O investimento vai custar aos cofres do Estado cerca de três mil milhões de dólares. Cidadãos louvam a iniciativa, mas preferem "ver para crer".


Andar de transporte público em Luanda e noutras cidades angolanas é um verdadeiro problema. Quem o diz é o cidadão Pedro Soma, em declarações à DW África. Os taxistas, vulgo kandongueiros, têm sido a sua solução.

"É muito difícil, visto que há escassez e também há excesso de lotação nos transportes públicos tanto de autocarros como de comboios. Normalmente ando mais de táxi," conta.

Também Graciano Luís, outro residente da capital angolana, fala em escassez de transportes públicos. Os autocarros e os comboios que circulam por Luanda não satisfazem a demanda, diz.

"Não há autocarros suficientes e os que existem não chegam em determinados sítios. São apenas para alguns sítios restritos," lamenta.

Para Vasco da Gama, especialista em questões rodoviárias, a procura por transporte público é maior que a oferta. O autor do livro "A Problemática do Congestionamento em Luanda" diz ainda que o número de habitantes contrasta com os meios de transporte disponíveis. 

"Nós temos uma cidade, hoje, com oito milhões de habitantes para pouco mais de mil autocarros em linha, incluindo a isso uma linha de comboio. Nós estamos a falar que, em termos de capacidade de transportação das pessoas - dos cidadãos que queiram ir ao trabalho, à escola, aos passeios - temos um número maior se comparado com o número de transportes disponíveis," afirma.

Guiné-Bissau | Polícias togoleses reforçam segurança nas eleições


Mais de 100 polícias do Togo chegaram a Bissau entre sexta-feira e sábado para ajudar a garantir a segurança das eleições presidenciais de domingo, disse à Lusa fonte governamental.

"Cento e quarenta polícias do Togo chegaram entre sexta-feira e sábado para ajudarem a garantir a segurança das eleições presidenciais", confirmou fonte do Ministério do Interior guineense.

A cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), realizada no passado dia 08 no Níger, decidiu reforçar a segurança no país, depois de o Presidente cessante e candidato às presidenciais, José Mário Vaz, ter demitido o Governo liderado por Aristides Gomes e nomeado um outro.

A CEDEAO, que tem mediado a crise política no país desde 2016, condenou a decisão de José Mário Vaz e reforçou que só reconhece o Governo de Aristides Gomes, que tomou posse em junho, na sequência das legislativas realizadas em 10 de março.

Abriram as urnas para as presidenciais na Guiné-Bissau


As urnas para eleições presidenciais na Guiné-Bissau abriram hoje às 07h00 em todo o país, disse à Lusa fonte da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau garantiu na sexta-feira que estão reunidas as condições para que a votação para as presidenciais decorra "com tranquilidade" e "sem sobressaltos".

Segundo a CNE, estão inscritos para votar 761.676 eleitores. As urnas abrem às 07h00 e encerram às 17h00 (mesma hora em Lisboa).

Durante o dia, 6.500 elementos das forças de segurança e defesa vão garantir a segurança da votação.

A campanha foi marcada pela nomeação, por parte do Presidente, de um novo Governo, que foi recusado pela comunidade internacional e que exigiu a José Mário Vaz uma gestão mais limitada sob a ameaça de imposição de sanções.

Portugal | Trabalho e taxas de sindicalização


Manuel Carvalho Da Silva | Jornal de Notícias | opinião

Sempre que as sociedades atravessam períodos de crise ou de descalabro, o trabalho e os trabalhadores são muito maltratados: os sindicatos, fortemente atacados, perdem representatividade e força.

Sempre que se retomam a afirmação das liberdades, da democracia, da justiça social e da economia ao serviço de todos, os sindicatos são chamados à participação, tornando-se atores importantíssimos nos processos de desenvolvimento.

Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), dizem-nos que Portugal tinha, em 2016, uma taxa de sindicalização de 15,3%. Há outras estimativas no plano nacional que oscilam conforme as fontes a que recorrem e o universo de trabalhadores considerados. Quais as causas desta baixa taxa?

Os sindicatos deparam-se com profundas mudanças na divisão internacional e social do trabalho, com alterações estruturais das empresas, da forma de organização e prestação do trabalho, com impactos brutais da financeirização da economia, com uma precarização crescente. Quem comanda as agendas destas mudanças, a partir da cartilha neoliberal, é o poder económico e financeiro a quem o poder político se vem subjugando e oferecendo legislação antilaboral e políticas públicas a seu favor. Assim se vai desvalorizando o trabalho e as instituições de representação dos seus interesses específicos, bem como o seu papel de mediação.

Portugal | "Há psicopatas na banca e nas mais altas esferas da política"


ENTREVISTA

Joana Amaral Dias, autora do 'Psicopatas Portugueses', é a entrevistada de hoje do Vozes ao Minuto.

Psicóloga e comentadora televisiva, Joana Amaral Dias é também conhecida pelos livros que escreve.

O seu mais recente trabalho, 'Psicopatas Portugueses', conta a história de 13 psicopatas que, segundo a autora, deviam "figurar na galeria de horrores de qualquer país".

No entanto, não são muito conhecidos: ou porque se trata de crimes que ocorreram noutros séculos ou porque as autoridades quiseram "varrer para debaixo do tapete".

O interessante desta obra, explicou Joana Amaral Dias, é que aborda a questão do ponto de vista da psicologia forense. Mais do que contar a história destes crimes, a especialista descreve e explica os processos mentais que estiveram na sua origem.

As vendas, contou, estão a ser "espetaculares" com o livro a chegar já à sua quinta edição em apenas cinco meses e "é possível" que a caminho esteja já um segundo volume com mais histórias de psicopatas afinal, disse, "material não falta".

E não falta porque o povo português, ao contrário do que o Estado Novo fez crer, não é assim de "tão brandos costumes".

Como surgiu a ideia para escrever este livro? 

Surgiu de uma forma super natural. Eu faço crónica criminal e a certa altura precisei de consultar informação sobre um caso para mostrar no programa e dei-me conta que não havia nenhum livro sobre os grandes casos de homicidas em Portugal que fosse escrito por alguém da psicologia ou da psiquiatria. Fiquei muito espantada ao descobrir isto e, havendo esse vazio, achei que fazia sentido fazer esse estudo.  

Quanto tempo precisou para concluir o livro? 

A investigação é sempre a parte mais morosa. Havia casos, os mais badalados, sobre os quais havia muita informação, como foi o caso do Rei Ghob, mas depois havia uma série de casos com muito pouca informação. A parte da investigação demorou mais de um ano e depois mais cerca de um ano para escrever.  

Por que razão escolheu estes 13 casos? 

São casos que ilustram bem quadros mentais específicos e essa é uma das preocupações deste livro: mostrar casos com um contexto clínico de funcionamento mental muito diferente. A Luísa de Jesus, a Maria José e o João Barbosa não estavam tão documentados, precisei de fazer muita investigação, mas depois havia o caso do cabo Antunes que tinha sido varrido para debaixo do tapete, sendo que este é um caso muitíssimo ilustrativo daquilo que é um assassino aniquilador, que é o tipo de assassino que estamos habituados a ver nos Estados Unidos, mas que também há em Portugal. 

E qual foi o seu objetivo ao escrever este livro? 

São vários. Primeiro, isto é um livro de divulgação científica para o grande público, para as pessoas que não são da área para, justamente, poder mostrar a quem se interessa o que pode estar por trás destas histórias. Refiro-me não só ao tipo de funcionamento mental de alguém que tira a vida a outra pessoa, mas também ao contexto sociocultural que pode estar na base de tudo isto e daí este ser um livro que conta histórias reais. 

Não há ficção? 

Nenhum facto é ficcionado. O livro conta como é que tudo se passou e que leitura é que isso tem do ponto de vista psicológico. É uma obra muito centrada naquilo que é o funcionamento mental do homicida e menos centrada na vítima, porque há essa curiosidade natural de as pessoas de tentarem perceber que mecanismos são esses e, por outro lado, também para desmistificar aquela ideia que está muito difundida sobre o homicida que ‘era tão bom vizinho’ e que ‘não havia sinais de que pudesse fazer uma coisa destas’. Isso não é verdade. 

Portugal | 25 de Novembro: Mário Tomé contra "o disparate" da condecoração


Mário Tomé, militar de Abril e ex-deputado da UDP, é contra "o disparate" da distinção com a Ordem da Liberdade dos militares envolvidos no 25 de Novembro, o movimento que pôs fim ao processo revolucionário em 1975.

"A Ordem da Liberdade, que não foi dada a muitos dos que tiveram um papel fulcral no 25 em Abril, querem dá-la agora a quem fez o 25 de Novembro? É um disparate completo", afirmou à Lusa, num comentário à proposta do CDS para que os envolvidos neste movimento, civis e militares, sejam agraciados com a distinção.

E, apesar de usar outros argumentos, Vasco Lourenço duvida ser possível pôr em prática uma das ideias do CDS -- a distinção com a Ordem da Liberdade dos civis e militares envolvidos nos acontecimentos de há 44 anos.

"Além do facto de muitos capitães de Abril ainda não terem sido condecorados, apesar da sua ação relevante no 25 de Abril (conspiração e operação militar), pergunto: quem está em condições, isto é, tem competência para decidir sobre quem deve ser condecorado?", perguntou.

China | Liberdade, responsabilidade e tolerância


José Carlos Matias | PlataformaMacau | opinião

A reportagem que publicamos esta semana sobre o jornal universitário Orange Post reveste-se de um significado especial. Ilustra uma consciência cívica e jornalística de um grupo de jovens que cultivam um espaço importante de cidadania e jornalismo. É também um laboratório no qual os estudantes experimentam um primeiro contacto com o exercício da liberdade de imprensa e sentido de responsabilidade social. Macau precisa de mais espaços deste género para promover e normalizar entre os jovens e a sociedade um saudável ambiente de pluralismo e espírito crítico. Sem receios de represálias. O jornalismo é, na sua essência, um bem público - vital para o exercício da cidadania - que se encontra sob elevada pressão, a nível global, em virtude do incómodo que provoca a poderes públicos e privados, da falência de modelos de negócio tradicionais e de uma proliferação de um ambiente de "pós-verdade", que o corrói, dilacerando o entendimento do que são os factos e a realidade.

A busca da verdade é a raison d"être do jornalismo, não no sentido absoluto ou filosófico, mas em termos práticos e com honestidade intelectual, e seguindo as boas regras que alicerçam o nosso papel social de serviço público e parte de um sistema de pesos e contrapesos.

Macau tem um dos maiores PIB 'per capita' do mundo, mas riqueza está mal distribuída


Macau, China, 24 nov 2019 (Lusa) -- O secretário-geral da Cáritas Macau disse em entrevista à Lusa que o território possui um dos maiores Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita' do mundo, mas que a riqueza está mal distribuída.

"Somos muitos ricos 'per capita' mas a riqueza não está distribuída de acordo com o nosso desenvolvimento", lamentou Paul Pum, responsável da instituição desde 1991, primeiro enquanto assistente do diretor, depois de 2000 na qualidade de secretário-geral.

Para ilustrar a disparidade, Paul Pum deu o seguinte exemplo que respeita à evolução do território desde a passagem da administração para a China: "O Governo aumentou em 14 vezes, desde 1999, [a despesa] na área social, mas o preço da habitação cresceu 21 vezes".

Ou seja, concluiu, "não se conseguiu acompanhar a inflação, por isso não conseguimos alcançar o progresso".

Contudo, ressalvou, "hoje temos menos gente pobre porque com as políticas do Governo tem-se feito um esforço imenso para reduzir a pobreza e aqueles que têm menores rendimentos, e não apenas aqueles que mal podem sobreviver".

Isto porque, explicou, "foram estendidos os limites a quem poderia beneficiar de apoio e hoje mais pessoas podem ser ajudadas".

Hong Kong já vota em eleições que são referendo ao movimento de protestos


Os eleitores em Hong Kong começaram já a votar para eleger 452 representantes nos 18 conselhos distritais da cidade, num escrutínio transformado em barómetro do apoio público aos protestos antigovernamentais que se arrastam há quase seis meses.

Os conselhos distritais são organismos fundamentalmente consultivos, com pouco poder, mas a eleição adquiriu um forte simbolismo e as filas estendem-se por muitos metros à entrada das estações de voto no território semi-autonómo chinês.

Um resultado forte da oposição será lido como a manutenção do apoio público ao movimento pró-democracia, ainda que os protestos se tenham tornado cada vez mais violentos.

O poder em Hong Kong e no Governo chinês em Pequim têm esperanças de que o arrastamento dos protestos e as perturbações do dia-a-dia na cidade tenham voltado os eleitores contra o movimento pró-democracia e que isso mesmo fique expresso nas urnas.
Os últimos dias ficaram marcados por uma interrupção da violência, explicada pela vontade dos manifestantes garantirem que as eleições não seriam adiadas.

"Precisamos de mostrar ao mundo que a nossa causa é legítima. Não acredito que Pequim não responda à voz do povo de Hong Kong", disse este sábado à agência Associated Press Alex Wong, um estudante mascarado e vestido de preto durante uma marcha pacífica.