quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Guiné-Bissau | Vencedor da segunda volta depende de apoio dos derrotados


O vencedor da segunda volta das presidenciais guineenses vai depender de quem está em condições de reunir apoios de todos os candidatos derrotados na primeira volta, diz o analista político guineense Augusto Nhaga.

O analista político guineense Augusto Nhaga considera que na política tudo é possível, mas não tem dúvidas de que Umaro Sissoco Embaló poderá beneficar de algum mal estar entre o engenheiro Domigos Simões Pereria e os dois candidatos derrotados, nomeadamente José Mário Vaz e Nuno Nabiam.

Em entrevista à DW África, Augusto Nhaga diz que os dois candidatos que vão disputar a segunda volta das presidenciais conhecem os seus pontos fracos e fortes porque eram membros do PAIGC, até 2015.

O analista diz ainda que eles têm estilos políticos muito diferentes: um mais ocidentalizado e outro mais africanizado. Nhaga refere ainda que os votos na Guiné-Bissau se caracterizam-se pela crença no candidato e no partido e não tanto pela mensagem que eles difundem.

Querelas permanentes não valem a pena na Guiné-Bissau


O Presidente cessante, José Mário Vaz, sofreu um desastre na primeira volta das eleições na Guiné-Bissau. Para Johannes Beck, chefe da DW África, o resultado foi consequência da política pouco construtiva de Jomav.


José Mário Vaz, ou "Jomav", foi o primeiro Presidente da história da Guiné-Bissau a cumprir os cinco anos de mandato. Nenhum golpe, nenhuma guerra civil e também nenhuma doença forçaram uma saída antecipada, como aconteceu com todos os seus antecessores.

Mas Jomav perdeu o segundo recorde, a primeira reeleição de um Presidente em exercício desde a independência. Com 12,4% dos votos, só ficou em quarto lugar e ficou fora da segunda volta a 29 de dezembro.

Na minha opinião, Jomav é o único culpado pelo resultado desastroso que obteve. Durante o seu mandato, foi responsável pela instabilidade dos governos: nomeou sete e nove primeiros-ministros. Uma e outra vez, Jomav não manteve compromissos laboriosamente mediados pela CEDEAO, a Comunidade dos Estados da África Ocidental, colocando as animosidades pessoais acima dos interesses do seu país.

Macron exige aos aliados da NATO "maior envolvimento" na região do Sahel


O presidente francês Emmanuel Macron anunciou hoje estar disposto a rever as "modalidades de intervenção" da França no Sahel e pediu aos aliados "um maior envolvimento" contra "o terrorismo" na região, ao receber em Paris o secretário-geral da NATO.

"O contexto que estamos em vias de presenciar no Sahel conduz-nos hoje a encarar todas as opções estratégicas", declarou o presidente francês ao exigir "um maior envolvimento" dos seus aliados, três dias após a morte, referida como acidental, de 13 militares franceses da operação Barkhane, desencadeada na região do Sahel e do Saara em agosto de 2014 contra grupos armados salafistas jihadistas e na sequência das operações Serval e Épervier.

As conversações de hoje, no palácio do Eliseu, destinaram-se preparar a cimeira da NATO em Londres na próxima semana.

"Afirmo-o muito claramente, não basta o nosso compromisso com a segurança coletiva, temos de demonstrá-lo. Uma verdadeira aliança são atos, não palavras", referiu Macron em conferência de imprensa conjunta com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, após o final da reunião.

Portugal | Membro fundador anuncia saída do Livre por "postura" onde não se revê


Miguel Dias, candidato do Livre pelo círculo de Setúbal nas últimas legislativas, vai desvincular-se do partido.

Numa altura em que se assistem a divergências internas no Livre, Miguel Dias, membro fundador do partido, anunciou, na terça-feira, que vai cortar o 'cordão umbilical' que o liga ao partido. O candidato do Livre pelo círculo de Setúbal nas últimas legislativas, justifica a saída por uma "questão de forma e de postura política" com a qual não se revê. Por sua vez, um porta-voz do partido, em declarações à TSF, recusa-se a confirmar se a saída está relacionada com a polémica.

Miguel Dias anunciou a saída do partido nas redes sociais, onde explicou que esta "não foi uma decisão fácil nem leviana. É emocionalmente complexa a decisão de abandonar o LIVRE, partido" que ajudou "a fundar" e ao qual esteve vinculado durante seis anos. "As razões para a minha saída foram explicadas internamente", vincou.

Esclareceu ainda Miguel Dias que os motivos que estão na base da sua saída "não estão relacionados com conteúdo", porque os seus "valores ideológicos e as ideias políticas continuam a condizer em larga medida com o defendido com o partido". A saída é motivada, isso sim, por "questão de forma e de postura política" na qual não se revê.

Portugal | Ainda não Chega?

Paulo Baldaia | Jornal de Notícias | opinião

Um mês depois dos novos partidos chegarem ao Parlamento, já deu para perceber que os vícios são velhos. Um partido que de Livre tem pouco e está preso por algemas a uma deputada em quem não confia e outro que de tão Liberal só mantinha a liderança se o Estado se dispusesse a pagar-lhe ordenado de deputado.

E o que dizer mais sobre o Chega? Como o partido é apenas o Ventura mais um punhado de ideias que adquiriu num catálogo internacional da extrema-direita, sobram as contradições entre o que ele é hoje e o que ele foi e defendeu num passado recente. Coisa pouca para quem se dispõe a votar no Ventura e lhe interessam apenas as ideias do catálogo.

Convencidos que estávamos com esta lufada de ar fresco e espírito democrático, com os eleitores a premiarem a novidade e a pluralidade, continuamos a desvalorizar o perigo que representa a besta à solta. E sim, estou a chamar besta ao Ventura, pelas ideias que ele anda a colocar na ventoinha. O Ventura como apareceu, haverá de desaparecer, mas aquelas ideias estavam bem fechadas em gavetas que agora nos dispusemos a abrir. Alguém acredita verdadeiramente que polícias e militares da GNR disponíveis para abraçar ideias xenófobas e racistas só passaram a existir com o doutor Ventura? É claro que não! Mas esta normalização, com o argumento de que todas as ideias devem ser discutidas, não tem nada de democrático. E elas continuarão à solta por muitos anos, ao serviço da conveniência de uns trafulhas que ganham sempre que o medo se instala na memória coletiva.

Portugal | Incumprimento e peixeirada à Joacine convida a pensar. Livra!


O Curto de hoje, no Expresso, vem com a cafeína virada para o pensamento, a meditação que nos pode fazer compreender o que a deputada Joacine Moreira, talvez do Livre, também deve pensar, porque não é dona do Livre mas sim deputada eleita pelas listas do Livre. O Livre elaborou e apresentou a sua base programática aos eleitores e eles votaram no Livre por isso mesmo.

Supostamente Joacine concordou com o programa (propostas) do partido Livre e só tem de cumprir com o prometido. E o prometido é devido. Por isso era devido Joacine, deputada eleita pelo Livre, aprovar a condenação, a reprovação, a Israel pelas suas ações desumanas contra a Palestina e o seu povo. Joacine não tem mandato pelos eleitores para se abster quando sabemos que Israel, para além de crimes de guerra, desrespeita quotidianamente os Direitos Humanos. Joacine não é proprietária do Livre nem vice-versa mas deve aos que a elegeram o cumprimento do programa elaborado pelo partido Livre, porque foi o que os atraiu e acreditaram que cumpriria. Não cumpriu. Enganou os eleitores. Não foi carne nem peixe. Foi podre. A sua abstenção significou um voto a favor de Israel porque não condenou o evidente – os crimes de guerra e a repressão dantesca exercida sobre o povo palestiniano, as ocupações intermináveis, etc.

“Joacine falhou e foi arrogante”, dirão ainda os que se sentiram ludibriados com o incumprimento e a abstenção-surpresa decidida por Joacine, quando afinal programaticamente o Livre, no manifesto eleitoral, promete bem escarrapachado que desaprova as ações e as políticas de Israel nas ocupações sistemáticas do território palestiniano e nas violações dos Direitos Humanos.

Joacine, ao abster-se e não reprovar Israel, foi falsa para os eleitores e levou o Livre a cometer essa falsidade, capturando-o num limbo de cumplicidade a contra-gosto. O Livre começa muito mal servido com uma deputada assim e nem será possível prever onde esta toada à Joacine vai descambar.

Acresce ainda a ‘peixeirada’ à Joacine. Pública, à rédea solta e a valer mexericos escusados e que a vão penalizar se não mudar de rumo e de postura.

Sobre o tema, David Dinis faz a abertura do Curto do Expresso. Convida-nos a pensar. Depois parte para outros horizontes. Vá nessa viagem pela atualidade. Vale.

Bom dia.

SC - PG

Portugal | “Senti nojo do assalto de André Ventura à manifestação” - PSP


“Senti nojo do assalto de André Ventura à manifestação”, diz o ex-dirigente sindical da PSP que denunciou racismo nas polícias

Manuel Morais, ex-vice-presidente do maior sindicato da PSP, esteve na manifestação dos polícias, mas a trabalhar. Afasta-se do Movimento Zero, cujo anonimato serve apenas para “os responsáveis se desresponsabilizarem”, e está preocupado com o que aí vem

Terem passado cinco dias* desde a manifestação de polícias não significa que ela tenha acabado. Depois de as autoridades terem revelado preocupações com a infiltração do Chega! no Movimento 0 (M0), que ficou com o papel principal do protesto organizado pelos sindicatos da PSP e da GNR, agora é Manuel Morais a sublinhar o alarme. Durante 30 anos vice-presidente da ASPP (Associação Sindical dos Profissionais da Polícia), o maior sindicato da classe, demitiu-se no ano passado após ter alertado, numa tese de mestrado, para a existência de racismo nas polícias. Desta vez, Manuel Morais esteve na manifestação, mas a trabalhar, o que lhe permitiu ver o protesto de fora. “Senti nojo. Houve um assalto de Ventura à manifestação, o que não é admiração para ninguém atento”, frisa ao Expresso. “Se este é o caminho, preocupa-me muito.”

Instado a comentar a notícia do Expresso sobre as ideias do Chega! estarem a ser bem recebidas entre muitos elementos da PSP e da GNR, muitos deles parte do M0, Manuel Morais não mostra surpresa. “Claro que estão. Os polícias sentem-se empolgados com estas ideias, que vão passando.” São elas “castigar mais quem comete um crime, culpar imigrantes, são as ideias que já todos conhecem”, elenca. E André Ventura “aproveita isto muito bem”. Manuel Morais vai pontuando a conversa com a frase: “falo apenas na condição de cidadão atento e preocupado”.

PIB é ilusão perversa, diz Nobel de Economia


O mal-estar social alastra-se, o colapso da Natureza avança e a democracia declina. Se ainda assim o termómetro que afere o “sucesso” das sociedades nos diz que tudo vai bem — então, é preciso trocá-lo por outro. Já há como fazê-lo

Joseph Stiglitz | Outras Palavras | Tradução: Marina Rebuzzi

O mundo enfrenta três crises existenciais: uma crise climática, uma crise de desigualdade e a crise da democracia. Seremos capazes de avançar sem ultrapassar os limites do planeta? A economia moderna poderá oferecer prosperidade compartilhada? As democracias resistirão, caso as economias fracassem? São questões críticas, e mesmo assim as medidas hoje aceitas para aferir o desempenho económico não dão absolutamente nenhum sinal de que podemos estar enfrentando problemas. Cada uma dessas crises reforça o fato de que precisamos de ferramentas melhores para avaliar o desempenho económico e o progresso social.

O índice padrão de desempenho económico é o Produto Interno Bruto (PIB), a soma dos valores de bens e serviços produzidos em uma região durante um período determinado. O PIB vinha crescendo ano após ano, até que veio a crise financeira global de 2008. Ela foi a ilustração categórica da deficiência das métricas comummente utilizadas. Nenhuma destas métricas ofereceu aos políticos ou aos mercados uma advertência de que algo estava errado. Ainda que alguns economistas astutos tenham se alarmado, as medidas padrão sugeriam que tudo estava bem.

Desde então, de acordo com a métrica do PIB, os EUA vêm crescendo um pouco mais devagar do que em anos anteriores, mas não há nada com o que se preocupar. Os políticos, olhando para os números, sugerem pequenas reformas ao sistema económico e prometem que tudo dará certo.

Na Europa, o impacto de 2008 foi mais severo, especialmente nos países mais afetados pela crise do euro. Mesmo assim, tirando os altos índices de desemprego, as métricas convencionais não refletem plenamente os impactos adversos das medidas de “austeridade”, nem a magnitude do sofrimento da população ou os impactos de longo-prazo em seus padrões de vida.

A próxima revolução americana? Agitação civil antecipada



Preparando-se para a guerra civil?

As autoridades americanas estão há décadas se preparando cada vez mais para distúrbios civis em massa resultantes de ataques governamentais e corporativos à sociedade americana. Podemos lembrar que, no início dos anos 80, o Estado Oculto lançou sua guerra aberta à classe média pela selvagem recessão induzida pelo FED e pela revogação unilateral do contrato social que existia desde 1946. 

Naquela época, o governo dos EUA já havia antecipado inquietação pública generalizada, esperando protestos em massa e tumultos, e havia feito os preparativos para lidar com eles na forma de campos de internamento. Em um sentido real, o governo havia se preparado para outra guerra civil.

Como a maior parte da "Grande Transformação", ela começou durante o reinado de Reagan com o que foi chamado de "Rex 84" , uma abreviação de Readiness Exercise 1984 , um plano do governo dos EUA para deter um grande número de cidadãos americanos em caso de agitação civil. Esse plano diretor envolveu o FBI, o Departamento de Defesa, o grupo Medidas de Emergência, o Serviço Secreto, a CIA e 34 agências governamentais.

Assessor descarta entrada da Ucrânia na OTAN: 'Não queremos conflito com a Rússia'


O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Robert O'Brien, rejeitou a ideia da Ucrânia se juntando à OTAN, o que poderia levar a organização a um conflito direto com a Rússia.

"Não acho que a OTAN como um todo seja atraente para aceitar a Ucrânia e entrar em conflito direto com a Rússia", declarou o alto funcionário dos EUA em um fórum de segurança no Canadá.

O'Brien enfatizou que "o Ocidente não quer um conflito com a Rússia" e "a OTAN foi fundada para evitar esse conflito".

Por outro lado, o consultor de Segurança Nacional dos EUA indicou que seu país continuará apoiando a Ucrânia em sua luta com a Rússia.

Moscovo declarou repetidamente que não faz parte do conflito interno ucraniano que eclodiu em 2014, após uma violenta mudança de governo.

Think tank alerta OTAN sobre 'inferioridade' britânica no campo de batalha contra Rússia


Relatório surge em meio a um conflito entre a França e o resto da aliança, que irrompeu depois de Macron questionar publicamente a relevância da OTAN.

Um think tank (organização de influência social e política), sediado em Londres, afirmou que as forças britânicas e da OTAN seriam completamente "ultrapassadas" em um eventual conflito com a Rússia.

O Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI, na sigla em inglês), uma entidade britânica líder em questões de defesa e segurança, elaborou um relatório sobre as tendências da tecnologia de fogo e os efeitos destes sistemas em um futuro campo de batalha.

Uma anotação no site do RUSI afirma que "a crescente densidade e sofisticação do Sistema Integrado de Defesa Antiaérea da Rússia promete assaltar o apoio aéreo das forças terrestres da OTAN nas primeiras semanas de qualquer conflito de alta intensidade no Leste Europeu".

Se for esse o caso, as forças terrestres da OTAN teriam de contar com a força da sua artilharia, que neste momento tem "menos munições, alcance inferior e menos armas" se comparada à artilharia da Rússia, sugere o relatório.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

RU | Ligações da juíza de Assange e do seu marido com o establishment militar britânico


Conflito de interesse 

Mark Curtis e Matt Kennard [*]

Lorde Arbuthnot de Edrom, ex-ministro da Defesa, é presidente remunerado do conselho consultivo da corporação militar Thales Group e, até o início deste ano, foi conselheiro da empresa de armas Babcock International. Ambas as empresas têm grandes contratos com o Ministério da Defesa do Reino Unido (MOD).

As revelações põem em evidência preocupações quanto a conflitos de interesse. A sua esposa, sra. Arbuthnot, começou a presidir o processo legal de Assange em 2017 e decidiu em Junho último que iniciaria uma audiência plena em Fevereiro próximo a fim de considerar o pedido de extradição do Reino Unido feito pelo governo Trump.

Exige-se aos juízes britânicos que declarem quaisquer potenciais conflitos de interesses aos tribunais, mas entendemos que a sra. Arbuthnot não o fez.

Lady Arbuthnot nomeou recentemente um juiz distrital para julgar o caso de extradição de Assange, mas continua a ser a figura legal que supervisiona o processo. De acordo com o serviço de tribunais do Reino Unido, o magistrado-chefe é "responsável por ... apoiar e orientar colegas juízes distritais".

Actualmente Assange está detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, em condições descritas pelo relator especial da ONU sobre tortura, Nils Meltzer , como "tortura psicológica". Se for transferido para os EUA, Assange enfrenta prisão perpétua com acusações de espionagem.

Lady Arbuthnot beneficiou-se financeiramente das organizações expostas pela WikiLeaks

Quando Lady Arbuthnot estava no seu cargo anterior, como juíza distrital em Westminster, ela beneficiou-se pessoalmente de financiamentos, juntamente com o marido, de duas fontes expostas pelo WikiLeaks nas suas divulgações de documentos.

O registo de interesses do parlamento britânico mostra que, em Outubro de 2014, a sra. Arbuthnot recebeu ingressos no valor de 1.250 libras para o Chelsea Flower Show em Londres, juntamente com o seu marido. Os ingressos foram fornecidos pela Bechtel Management Company Ltd, parte da grande corporação militar dos EUA, a Bechtel, cujos contratos com o Ministério da Defesa do Reino Unido incluem um projecto de até 215 milhões de libras para transformar sua Organização de Equipamentos e Apoio da Defesa, o organismo que compra e suporta todo o equipamento usado pelas forças armadas britânicas.

Outra linha de negócios da Bechtel é " cibersegurança industrial ", expressão que é frequentemente um eufemismo para guerra cibernética e tecnologia de vigilância.

As divulgações da WikiLeaks acerca da Bechtel mostraram conexões estreitas da empresa com a política externa dos EUA. Os telegramas publicados em 2011, por exemplo, mostram que a embaixadora dos EUA no Egipto, Margaret Scobey, pressionou o Ministério da Electricidade e Energia a aceitar uma proposta da Bechtel para consultoria técnica e concepção da primeira central nuclear do Egipto.

Em outro benefício pessoal declarado ao parlamento, a sra. Arbuthnot, mais uma vez junto com o seu marido, teve voos e despesas no valor de 2.426 libras esterlinas pagos para uma visita a Istambul em Novembro de 2014. Isto foi para "promover e incrementar relações bilaterais entre a Grã-Bretanha e a Turquia em alto nível", de acordo com a declaração de registo de interesses de Arbuthnot.

Estas despesas foram pagas pelo Tatlidil britânico-turco, um fórum estabelecido em 2011 durante a visita a Londres do primeiro-ministro turco a Recep Tayyip Erdoðan e anunciado com o então primeiro-ministro David Cameron. Tatlidil descreve seus objectivos como "facilitar e fortalecer as relações [sic] entre a República da Turquia e o Reino Unido ao nível de governo, diplomacia, negócios, academia e media".

Seu papel principal é realizar uma conferência anual de dois dias, com a presença do presidente da Turquia e de ministros turcos e britânicos. Lord Arbuthnot também participou do Tatlidil em Wokingham, uma cidade nos arredores de Londres, em Maio de 2018.

Como sujeitos de fugas não desejadas, tanto a Bechtel quanto a Tatlidil têm motivos para se opor ao trabalho de Assange e da WikiLeaks. Embora os pagamentos tenham sido inscritos no registo parlamentar de interesses, as partes no processo judicial não foram informadas acerca deles. Apesar de o julgamento de Assange ter atraído críticas significativas por todo o mundo, a sra. Arbuthnot não considerou necessário mencionar estes pagamentos às partes, ao público e aos media.

ONG pedem investigação antes de empréstimo do FMI à Guiné Equatorial


Organizações dos direitos humanos, incluindo a OXFAM e a Amnistia Internacional, pedem ao FMI o adiamento de novas linhas de crédito à Guiné Equatorial. Defendem que os recursos podem financiar absusos no país.

Oito organizações equato-guineenses e internacionais que há vários anos acompanham a governação e os direitos humanos na Guiné Equatorial, apelam ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a não conceder para já o empréstimo solicitado pelo Executivo de Malabo em dezembro de 2018.

Na carta endereçada ao chefe de missão do FMI para a Guiné Equatorial, consideram prematuro, de momento, votar a favor do suposto acordo de cedência de fundos ao país governado pelo presidente Teodoro Obiang Nguema.

As referidas organizações, entre as quais a Amnistia Internacional, pedem que sejam feitas investigações ao regime de Obiang Nguema para se perceber, entre outras, questões relacionadas com a boa governação.

Moçambique | Corpos na vala comum em Quelimane dividem FRELIMO e RENAMO


Em Quelimane, província central da Zambézia, FRELIMO acusa edilidade dirigida pela RENAMO de desvio de dinheiro destinado a sepultar quase 150 corpos não reclamados. RENAMO não responde acusações.

A FRELIMO, partido no poder em Moçambique, acusa a edilidade de Quelimane, governada pela RENAMO, maior partido da oposição, de ter sepultado 147 corpos numa vala comum num cemitério municipal.

Segundo acusação da bancada da FRELIMO, esta foi a solução encontrada pela RENAMO, depois de desviar fundos destinados ao fabrico de caixões para corpos não reclamados nas unidades de saúde de Quelimane.

A RENAMO pede por isso uma investigação ao elevado índice de mortes no Hospital Central de Quelimane.

Naquela unidade sanitária são recolhidos semanalmente mais de 15 corpos abandonados na morgue, segundo o vereador para área de saúde no Concelho Autárquico de Quelimane, Celso Malua.

Moçambique | Presidente do MDM critica FRELIMO e RENAMO por uso de armas


Daviz Simango insurgiu-se contra a estratégia apontada pela FRELIMO, partido no poder, para combater os ataques de homens armados. O líder do MDM pede diálogo sobre a questão da violência em Cabo Delgado.

Na madrugada desta terça-feira (26.11) registou-se mais um ataque armado no povoado de Chibuto, distrito de Gondola, em Manica, que matou uma pessoa. Um residente local foi torturado pelos atores do ataque violento. O ataque ocorreu ao longo da Estrada Nacional N1, a trinta quilómetros do cruzamento de Inchope.

O líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), segunda maior força da oposição, Daviz Simango, critica a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder, e Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), maior partido da oposição, pelo uso das armas e pede uma solução pacífica para o conflito armado.

"Definitivamente ninguém pode matar o outro, nós condenamos qualquer tipo de força maior que tira a vida a um cidadão", sublinha Simango.

O líder do MDM afirmou ainda que o acordo de agosto, assinado em Maputo, entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi e o líder da oposição, Ossufo Momade, não trouxe nenhum fruto: "Não faz sentido que, depois de 6 de agosto, quando se assinou o acordo de paz de Maputo, vais a uma votação e as armas tocam na mesa de votação. Não faz sentido, depois de 6 de agosto, os carros serem queimados. O país está a precisar duma nova ordem política e essa nova ordem política tem de ser diferente da tradição".

Angola | Inundações deixam mais de 500 desalojados no Kwanza-Norte


Moradores lembram que inundações são frequentes na região. Por seu lado, governador do Kwanza-Norte pede às famílias desalojadas para que se dirijam para centro de reassentamento nos arredores da cidade do Dongo.

As chuvas intensas que caíram, na terça-feira (19.11), na velha cidade do Dondo, no município de Kambambe, província do Kwanza-Norte, deixaram um rasto de destruição. Dezenas de casas ficaram inundadas e outras desabaram, explicou Ilídio Diogo, comandante municipal do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros daa região. "É uma situação de calamidade que deixou 90 habitações inundadas e 11 residências desabadas, das quais três destruídas parcialmente e oito totalmente", disse.

Os bairros mais afetados foram Kibululu, Kafuma, Terra Nova, Cazenga, Kissanga, Cerâmica e Cassesse.

Em Espanha Justiça quer julgar casos de corrupção ligados a Angola


A Justiça espanhola quer julgar 20 pessoas e oito empresas, entre elas a empresa pública Mercasa, por irregularidades na construção de um mercado de abastecimento em Luanda. Em causa estão cerca de 20 milhões de euros.

Segundo a Audiência Nacional, um tribunal especial que trata dos casos mais graves de corrupção, para obter o contrato foram pagas comissões às autoridades e funcionários angolanos, tendo os arguidos também ficado com uma parte dos fundos, que ascenderam a quase 20 milhões de euros.

O juiz responsável pela investigação do caso destaca o mais "absoluto desprezo à Lei" por parte das empresas investigadas e, sobretudo, da empresa pública Mercasa, a quem faltaram "as mais elementares normas legais e éticas", movido por uma política de "lucro a qualquer preço", numa atitude "absolutamente insuportável" para uma empresa de caráter público.

O auto divulgado na segunda-feira (27.11), que encerra a fase de instrução do processo e propõe o julgamento dos arguidos, considera chave o papel desempenhado pelo responsável pela distribuição das comissões, o fugitivo luso-angolano Guilherme Oliveira Taveira Pinto, que realizou trabalhos para a Mercasa e para a Defex, uma outra empresa pública envolvida.

Guiné-Bissau | DSP e Sissoco disputam Presidência na segunda volta


Candidato do PAIGC, Domingos Simões Pereira, venceu as presidenciais sem os 50% + 1 para vencer à primeira volta. Umaro Sissoco Embaló é o segundo mais votado. Os dois antigos primeiros-ministros vão a votos em dezembro.

A 29 de dezembro, os guineenses vão novamente às urnas para eleger o futuro chefe de Estado. Será a terceira votação no país este ano. Os dois candidatos mais votados nas sétimas eleições presidenciais realizadas na Guiné-Bissau, no passado domingo, dia 24, vão disputar a segunda volta do pleito, para escolher o sucessor do Presidente derrotado, José Mário Vaz (Jomav).

O líder do PAIGC e candidato presidencial Domingos Simões Pereira obteve 222.870 votos, o equivalente a 40,13%, contra os 153530 mil - 27,65% - de Umaro Sissoco Embaló, terceiro vice-coordenador do MADEM-G15, de acordo com os resultados provisórios divulgados nesta quarta-feira (27.11), pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). Os dados apontam ainda para uma abstenção acima dos 25%.

Os dois candidatos, antigos primeiros-ministros na era Jomav Presidente, tiveram apoios dos dois partidos mais votados nas eleições legislativas de 10 de março último, o PAIGC, no poder, e o, MADEM-G15, líder da oposição. O MADEM é um partido criado por dissidentes do PAIGC em divergência com a direção de Simões Pereira. 

Mais de 760.000 guineenses foram chamados no domingo às urnas para eleger o próximo Presidente da Guiné-Bissau, entre 12 candidatos. As eleições foram consideradas pelas missões de observadores nacionais e internacionais com livres, justas e transparentes. O ato da votação decorreu sem incidentes e com elevado nível de civismo - a chave do sucesso eleitoral, disse à DW África o sociólogo Miguel de Barros. "O carisma dos candidatos vai decidir a segunda volta", nota.

Guiné-Bissau | Jomav, o grande derrotado pelo povo nas eleições


José Mário Vaz entra definitivamente para os anais históricos da Guiné-Bissau como o primeiro Presidente da República a terminar o mandato. No entanto, ficou apenas em quarto lugar nestas presidenciais. Humilhante?

Os resultados provisórios divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) confirmam um grande dilema para José Mário Vaz (Jomav), que terá de entregar a cadeira presidencial a um dos primeiros-ministros que demitiu, por diferenças políticas, Domingos Simões Pereira ou Umaro Sissoko Embaló, que vão a segunda volta. Jomav falhou a reeleição, sendo o quarto mais votado, com 12,41% dos votos.

Domingos Simões Pereira, o candidato apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), obteve 40,13% dos votos e Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), conseguiu 27,65% dos votos. Os dois antigos chefes de Governo disputam a segunda volta das presidenciais a 29 de dezembro.

Os dados evidenciam que o Presidente cessante e candidato a um segundo mandato foi o "grande perdedor" das eleições presidenciais de 23 de novembro. É um caso inédito para um chefe de Estado em funções na jovem democracia do país, porque pela primeira vez um Presidente se recandidata ao cargo e não consegue ir a segunda volta.

José Mário Vaz nem sequer alcançou os votos necessários para chegar à segunda volta do escrutínio, tendo sido superado pelo candidato que derrotou em 2014, Nuno Gomes Nabiam. O líder de APU-PDGB foi o terceiro mais votado destas eleições presidenciais, com 13,16% dos votos, e Jomav, que se lançou à corrida como independente, caiu para o quarto lugar, muito abaixo das suas expetativas.

A perturabadora proletarização das mentes


Livro lança alerta incômodo: digitalização atual é ameaça à experiência comum da espécie humana. Capturada, reduzida a fragmentos e mercantilizada, ela torna-se um farrapo. Produz lucros, mas é incapaz de gerar qualquer esperança coletiva

Leonid Bilmes em Truthdig | Outras Palavras | Tradução: Felipe Calabrez | Imagem: Le Valet (arte de rua)

RESENHA DE:

The Age of Disruption: Technology and Madness in Computational Capitalism
De Bernard Stiegler. Polity Press. 380 páginas
[Disponível para download aqui]

Por que a esperança política está desaparecendo em tantos jovens hoje? Essa é a pergunta que Bernard Stiegler lança em seu novo livro, “A Era da Ruptura: Tecnologia e Loucura no Capitalismo Computacional”. Já no início, ele cita as palavras de um adolescente cuja perspectiva niilista, ele afirma, é representativa do zeitgeist da juventude contemporânea:

Quando falo com jovens da minha geração […] todos dizem a mesma coisa: não temos mais o sonho de constituir família, de ter filhos, ou de um ofício, ou de ideais. […] Tudo isso acabou, porque temos certeza de que seremos a última geração, ou uma das últimas, antes do fim.

Essas palavras desesperadas servem de leitmotiv para a desconstrução fervorosa de Stiegler do mal-estar econômico, político e espiritual. Ele refere-se assustadoramente à presente “ausência de época” — isto é, a atual falta de qualquer ethos político significativo. Essa “ausência de época”, durante um período de mudanças ecológicas críticas, é o motivo pelo qual muitos ficaram desapontados, tornando-se rapidamente (na prosa pesadamente acentuada de Stiegler) “loucos de tristeza, loucos de pesar, loucos de raiva”.

A voz de Stiegler é, por turnos, imperiosa, agressiva, confessional e compassiva. Sua análise filosófica – quando o vento retórico em suas velas afrouxa um pouco – é intrincada e brilhante. Embora a apreensão exija algum conhecimento da rede conceitual rizomática que sustenta seu argumento, seus garras geralmente são reconhecidos precisamente por sua italização do texto.

Portugal | Saúde.pt: O interlúdio punk da corrida ao ouro


O debate sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) encontra-se num interlúdio punk: ruidoso, agressivo, atonal e atordoador. Nesta fase confundem-se justas reivindicações sociais e profissionais com interesses individuais e sectorializados; misturam-se a filosofia e os objetivos do Serviço Público com a ideologia e o modus teórico-prático do mercado e amalgamam-se descontentamentos geradores de alarme social e de irritação profissional, convenientemente amplificados pelos media.

Este cenário de agitação sócio-política em torno do SNS foi exacerbado após a aprovação da nova Lei de Bases da Saúde (LBS) e encontra-se em fase aguda, agora, nas vésperas da discussão do Orçamento Geral de Estado (OGE) para 2020, o primeiro desta legislatura. De facto, o mero vislumbre da possibilidade de contenção da mercantilização do sector da saúde tem sido o bastante para tentar decapitar o Ministério da Saúde no novo Governo e, assim, contribuir para impedir o efetivo desenvolvimento da nova LBS com os parceiros políticos que a aprovaram.

Destruir o SNS rapidamente e em força parece ser a palavra de ordem subliminar ainda que todos os intervenientes (de forma aparente e conveniente) afirmem defender o serviço público e até acusem o Estado de suborçamentação.

É neste enquadramento de investida ruidosa, potenciada pelo imediatismo irrefletido do facebook e do twitter, que se torna fundamental lembrar que a atual situação do SNS advém de algumas décadas de prossecução de uma política ideológico-económica (embora com cambiantes) de desestruturação estatal, propiciadora de individualismos profissionais, institucionais e corporativos, adversa à capacidade de conceção, de planeamento e de coordenação coerente que agora parece exigir-se no imediato.

Ajuda aos jovens? Palermas, chapéus há muitos!


Hoje temos Curto no PG, por acaso comprido. Também se pode considerar que são dois em um: sobre o Expresso Curto de ontem, terça-feira, por Rui Gustavo, em abordagens várias mas na maior incidência sobre a pobreza de facto e a pobreza de espírito e convicções dos que chegaram à conclusão de que quem  "Ganha mais de 468 euros? Não é pobre". 

Estão convidados a ler e a espantarem-se ou indignarem-se com as conclusões de uns quantos "iluminados" de barriga cheia que chegaram àquela conclusão. Provavelmente uns chulos, uns parasitas da sociedade que frequentaram universidades (via cunhas e manigâncias) e dali saíram sem sequer conseguirem aptidões para ingressarem em equipas de tratadores de animais de um jardim zoológico qualquer, do tipo Vasco Santana que na mentira e no desenrasque ficou famoso com a frase "palerma, chapéus há muitos!". E, na realidade chapéus existem muitos, mas talvez nem tantos quantos os penduras que chegaram à conclusão que empresta o título ao sublinhado e abordado pelo referido jornalista do  Curto de ontem.


No Curto de hoje, da lavra de João Silvestre, também jornalista do burgo Pinto de Balsemão Impresa, a malhação é sobre os jovens e as "ajudas". Também eles, desde pequeninos, muitos deles, são, para além de jovens, uns pobres deste país à beira-mar plantado e vocacionado ao bom trato de uns quantos ricaços, licenciados em vigarices, ilegalidades e corrupções. Olhai Salgado e a liberdade permanente com que se passeia pelo mundo... E outros. E tantos.

Sem mais considerações e "espadanares" saímos daqui direto para a vaca fria que serve de introdução aos Curtos que referimos. Já a seguir a dos jovens e as pseudo ajudas de uma cáfila que nem sabe o que isso é. Resta dizer-lhes: "Palermas, chapéus há muitos!".

Apesar das dificuldades, lutem por terem um bom dia. Por nós, aqui, fechamos a loja...

Saúde.

MM | PG 

Portugal | Corrupção


Pedro Marques Lopes | Diário de Notícias | opinião

Um processo que seja aberto e que acabe sem acusação prova que a justiça não funciona; uma acusação que acaba em absolvição mostra que as garantias processuais só servem para defender os ricos e os poderosos; uma calúnia ou uma vaga suspeita num tabloide é suficiente para se mostrar que há ali marosca e que mais uma vez um malandro sairá impune.

Operação Marquês e o caso BES chegariam para pensarmos que temos um problema com a corrupção. Infelizmente, não parece que o assunto se resuma a esses dois megaprocessos. Existem indícios, e em alguns casos mais do que isso, da existência de outros processos de bem menor dimensão mas semelhantes.

Há, depois, questões menos faladas ou, pelo menos, menos evidentes que se enquadram num problema mais vasto. A corrupção das cunhas, dos processos administrativos que passam para o topo da pilha, dos favores, dos colegas de partido que são escolhidos para fornecedores de serviços variados (de jurídicos a de jardinagem, passando pelos muito conhecidos serviços de comunicação e imagem) nas câmaras que o partido gere sem outro critério que não seja o da troca de favores.

Estou convicto de que muito do tráfico de influência e corrupção passa por essas aparentemente pequenas e grandes, digamos, irregularidades.

A luta contra estes fenómenos tem, claro está, de ser sem tréguas.

Portugal afinal vai aprovar a diretiva sobre impostos das multinacionais


Depois das perguntas do DN, o governo decidiu viabilizar a lei que estava "bloqueada" no Conselho Europeu há dois anos.

O assunto estava "bloqueado" no Conselho há muito tempo. Desde julho de 2017, data em que o Parlamento Europeu aprovou, com emendas, a proposta lançada pela Comissão em abril de 2016, que não havia condições para que o Conselho desse luz verde à nova legislação sobre transparência fiscal das multinacionais.

A lei prevê, entre outras coisas, que as multinacionais tornem públicas informações sobre o local onde realizam os seus lucros e onde pagam os seus impostos na União Europeia, país por país. E terão de divulgar, também, pormenorizadamente, a atividade que praticam nas "jurisdições fiscais que não respeitam as normas de boa governação fiscal" (os chamados paraísos fiscais).

Por várias razões, os Estados europeus divergiam sobre a necessidade de se aprovar tal legislação (que a Comissão e o Parlamento queriam). A favor da lei da transparência estavam a Espanha, a França e a Itália, por exemplo. Contra estavam os Estados que mais beneficiam com as operações de planeamento fiscal das grandes empresas, como o Luxemburgo, a Irlanda e Malta. E era ao lado deste grupo que Portugal aparecia, graças a uma leitura "jurídica" do processo.

Por isso, o governo de António Costa foi acusado por um deputado alemão dos Verdes, Sven Giegold, de estar "a proteger os evasores fiscais". "Com as suas preocupações legais, o governo português está a proteger os evasores fiscais. As preocupações manifestadas quanto à base jurídica estão, de facto, a matar a proposta da Comissão. A unanimidade dos Estados membros da UE para a transparência fiscal pública das grandes empresas nunca será alcançada e não é necessária", criticou Giegold, em declarações ao DN, na passada sexta-feira.

As mentiras acerca de Assange têm de parar já


John Pilger [*]

Jornais e outros media nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália declararam recentemente uma paixão pela liberdade de expressão, especialmente pelo seu direito de publicar livremente. Eles estão preocupados com o "efeito Assange".

É como se a luta dos que dizem a verdade, como Julian Assange e Chelsea Manning, fosse agora uma advertência para eles:   que os bandidos que em Abril arrastaram Assange para fora da embaixada equatoriana possam algum dia chegar a eles.

Um refrão comum foi reflectido pelo Guardian na semana passada. A extradição de Assange, diz o jornal, "não é uma questão de quão sensato é o sr. Assange, muito menos de quão afável. Não é acerca do seu carácter, nem do seu juízo. É uma matéria de liberdade de imprensa e do direito do público de saber".

O que o Guardian está a tentar fazer é separar Assange dos seus feitos notáveis, os quais tanto fizeram o Guardian lucrar como revelaram a sua própria vulnerabilidade, bem como a sua propensão para bajular o poder rapinante e enlamear aqueles que revelam os seus duplos padrões.

O veneno que tem alimentado a perseguição a Julian Assange não é tão óbvio neste editorial como habitualmente; não há ficção acerca de Assange emporcalhar com fezes as paredes da embaixada ou de ser abominável para com o seu gato.

Ao invés disso, as menções mistificatórias ao seu "carácter" e "juízo" e "afabilidade" perpetuam uma difamação monstruosa que agora tem quase uma década. Nils Melzer, o Relator das Nações Unidas sobre Tortura, utilizou uma descrição mais adequada. "Tem havido", escreveu ele, "uma implacável e desenfreada campanha de assédio público". Ele explica o assédio como "um fluxo infindável de declarações humilhantes, acanalhadas e ameaçadoras na imprensa". Esta "acumulação ridícula" equivale a tortura e poderia levar à morte de Assange.

Tendo testemunhado muito do que Melzer descreve, posso atestar a verdade das suas palavras. Se Julian Assange vier a sucumbir às crueldades despejadas sobre ele, semana após semana, mês após mês, ano após ano, como advertem médicos, jornais como o Guardian partilharão a responsabilidade.

«Primaveras Árabes», o regresso?


Em Israel não há governo, enquanto as manifestações se sucedem no Sudão, na Argélia, no Líbano, no Iraque, no Koweit e no Irão.

Em cada um destes países, o papel de organizações dos EUA, ou ligadas aos EUA, revela-se, tal como foi o caso aquando das «Primaveras Árabes», em 2010-11.

À época, inúmeros estudos sociológicos haviam posto em destaque as características dos países atingidos para explicar este fenómeno. Mas elas eram diferentes segundo os países. O terreno propício não era, pois, a causa.

Na realidade, segundo os documentos internos do Foreign Office («Ministério dos Negócios Estrangeiros inglês»-ndT), revelados por um alto funcionário britânico, Derek Pasquill, as «Primaveras Árabes» foram uma operação imaginada, em 2005, pelo MI6 no modelo da «Revolta Árabe» de Lawrence da Arábia. Salvo que já não se tratava de colocar os Wahhabitas e os Saud no Poder, mas, sim os Irmãos Muçulmanos. O Primeiro-ministro de Sua Majestade, Tony Blair, vendeu este projecto aos EUA, que o concretizou alguns anos mais tarde apoiando-se para isso nos alunos de Gene Sharp [1].

Ignora-se, de momento, se os Britânicos estão igualmente implicados nesta nova «Primavera Árabe», mas a Corrente Patriótica Livre do General-Presidente Michel Aoun prepara actualmente uma brochura sobre as conexões mascaradas dos EUA no Líbano, tal como o Egipto de Hosni Mubarak o tinha feito.

Voltaire.net.org | Tradução Alva

[1] «La Albert Einstein Institution: no violencia según la CIA » («O Instituto Albert Einstein: a não-violência versão da CIA» -ndT), por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 10 de febrero de 2005.

Na Roménia, adeus aos social-democratas, a hora é dos liberal-conservadores


Robert Schwartz*

Com nepotismo e corrupção, social-democratas da Romênia cavaram a própria cova. O presidente liberal foi reeleito com dois terços dos votos, e nunca houve um momento tão bom para um recomeço, opina Robert Schwartz.

Clima de enterro na central do partido PSD – social-democrata de nome – cuja candidata, Viorica Dancila, perdeu no segundo turno das eleições presidenciais da Romênia. Deprimidos, as companheiras e companheiros olham vazio para as câmeras, como se tivessem entendido que essa derrota fulminante foi a última pazada de cal da cova política aberta para a legenda pós-comunista. Que descansem em paz, pensarão alguns críticos.

"Eles quiseram assim, se apoderaram do partido e o levaram à ruína", é o que se ouvia de uma ou outra voz social-democrata na noite deste domingo (24/11). "Eles" são a camarilha do ex-líder do Partido Social Democrata, Liviu Dragnea, e Dancila, sua vice.

Primeira-ministra, ela assumiu também a liderança do PSD quando seu mentor Dragnea foi encarcerado por corrupção e abuso de poder. Poucas semanas atrás, o governo dela teve que renunciar, antigos correligionários lhe voltaram as costas, declarando sua confiança no Partido Liberal Nacional (PNL).

terça-feira, 26 de novembro de 2019

RU | Quando a esquerda volta a instigar a juventude


Inspirações para sair do labirinto: no Reino Unido, o Momentum, criado há quatro anos, ressuscitou o Partido Trabalhista, livrou-o de uma burocracia encarquilhada e pensa agora vencer as eleições e reverter décadas de neoliberalismo

Ruby Lott-Lavigna |  em Vice | Outras Palavras | Tradução: Simone Paz e Gabriela Leite

Estou num escritório surrado em Finsbury Park, na região norte de Londres. Um letreiro colado à parede apresenta uma contagem regressiva até 12 de dezembro. Diz: “30 dias para o socialismo”. Outro cartaz lista os restaurantes locais, juntamente com um lembrete que incentiva as pessoas a “considerarem gastar seu dinheiro em um deles, em vez de numa cadeia sonegadora de impostos”. Tirando essas placas da parede, o espaço se parece com qualquer outro escritório — laptops em todo lugar, tapetes feios, o murmúrio baixo da conversa telefônica. A diferença é que as pessoas que trabalham aqui não tentarão vender nada para você. Eles estão aqui para ganhar uma eleição.

São os escritórios do Momentum, a organização de base filiada ao Partido Trabalhista britânico, que foi criada em 2015. O Momentum, originalmente uma fusão de grupos de apoiadores de Jeremy Corbyn, formada durante sua campanha pela liderança trabalhista, está agora registrado legalmente, tem um conselho de administração e mais de 130 grupos locais em todo o Reino Unido. Após a convocação de eleições gerais para dezembro, a equipe mudou-se para este escritório para dar conta da expansão de cerca de 13 mobilizadores para 40.

O Momentum faz campanha por um governo trabalhista e é conhecido por sua importante presença nas redes (leia-se: ótimos memes), por ter uma grande base de jovens apoiadores e por gostar muito das políticas propostas por Jeremy Corbyn. Embora funcione de maneira semelhante a outros grupos adjacentes ao partido, como o Progress ou o Labor First, o Momentum ganhou atenção especial por seu papel crítico na eleição de 2017, ajudando os trabalhistas a quebrar a maioria do Partido Conservador. Enquanto estes batiam a cabeça, o Momentum sabia que havia alcançado algo enorme.

“A história da eleição [2017] é que, essencialmente, a Momentum, em conjunto com a liderança, tinha uma abordagem muito ousada, positiva e enérgica da campanha, que não se baseava na simples defesa de cadeiras para os trabalhistas”, me conta Laura Parker, coordenadora nacional do movimento. “Fomos muito, muito, muito melhores do que todos imaginavam que seríamos, e uma grande parte disso deve-se ao fato dos membros do Momentum terem pensado: eu não estou ligando pra isso [o número de cadeiras no Parlamento]”.

A prisão dos nacionalistas catalães: Governo espanhol constrói estado policial


Alex Lantier*

A condenação de doze nacionalistas catalães pela Suprema Corte espanhola a dez anos de prisão por sedição, que foi seguida pela ameaça de impor um estado de emergência na Catalunha após uma repressão policial a protestos em massa, marca um grande passo em direção à ditadura, não apenas na Espanha, mas em toda a Europa. A decisão de segunda-feira é uma sentença infame e ilegítima de um tribunal que é desacreditado por suas recentes declarações de apoio ao regime fascista.

Os réus, liderados pelo ex-vice-presidente da Catalunha, Oriol Junqueras, convocaram protestos pacíficos que levaram a um referendo de independência catalã em 1º de outubro de 2017. A polícia paramilitar espanhola reprimiu violentamente os eleitores durante o referendo, ferindo mais de 1.000 pessoas enquanto os eleitores respondiam aos espancamentos da polícia nos locais de votação com desobediência civil em massa.

Invertendo a realidade, o tribunal alegou que essa situação não constituiu uma violência estatal ilegítima contra a população, mas uma revolta popular violenta contra a autoridade legítima do estado – e que Junqueras e outros eram, portanto, culpados de sedição por incitá-la.

Em meio a crescentes chamados por uma greve geral, um confronto está se formando entre a classe trabalhadora e o estado policial que está surgindo na Espanha e em toda a Europa.

Depois que os protestos eclodiram na noite de terça-feira em Barcelona contra as condenações de prisão, o primeiro-ministro do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, declarou, ao encontrar líderes dos principais partidos parlamentares da Espanha, que seu governo “não descartava nenhum cenário” para a solução da situação catalã. Liderados pelo recém-criado partido fascista Vox, esses partidos estão realizando várias exigências: invocar o artigo 155 da constituição espanhola para suspender o governo regional catalão eleito ou mobilizar o exército.

É uma tarefa elementar colocada aos trabalhadores em toda a Espanha e ao redor do mundo exigir a libertação dos presos políticos nacionalistas catalães e defender os trabalhadores e a juventude da Catalunha contra a ameaça de repressão militar e governo autoritário de Madri.

Exigir a libertação dos prisioneiros nacionalistas catalães não implica nenhum apoio ao seu programa regressivo de dividir a classe trabalhadora na Espanha, formando uma república capitalista independente na Catalunha, ou ao seu histórico de austeridade social imposta aos trabalhadores catalães. A desconfiança popular na independência da Catalunha, inclusive entre uma estreita maioria de catalães, é legítima e politicamente justificada. Mas a prisão dos líderes nacionalistas é parte integrante de uma campanha fascista cujos principais alvos são a classe trabalhadora espanhola e internacional.

A formação do ser neoliberal


Empresário de si mesmo. Iludido pelo consumo. Alienado da natureza. Suscetível a seitas que o impedem de desabar. Em novo livro, Pierre Dardot e Christian Laval mostram como a nova racionalidade capitalista criou o sujeito que a reproduz

Eleutério F. S. Prado | Outras Palavras

Os economistas de direita costumam ridicularizar a ideia de economista neoliberal, assim como o conceito de neoliberalismo. Será que eles são apenas competentes na formulação e na aplicação de teorias econômicas ou, ademais, eles são na verdade bons produtores de fake-theories que são funcionais – isto é, permitem que as coisas funcionem melhor e de acordo com as conveniências do sistema econômico ora existente? É preciso examinar isto cuidadosamente.

No livro El ser neoliberal (Gedisa, 2018), publicado na Espanha, os pesquisadores franceses Pierre Dardot e Christian Laval mais uma vez interpretam o neoliberalismo, não como uma ideologia, mas como uma racionalidade e uma mentalidade que se impõe. Uma ideologia é uma representação do mundo – nele baseada, mas em última análise falsa ou apenas aparente. Uma racionalidade é algo que constitui o ser social em sua prática cotidiana, posta historicamente por meio de práticas de poder que, segundo Foucault, são também formas de governar as mentalidades.

O modo de produção capitalista sob a regência do neoliberalismo é, segundo os autores, inseparável da produção contínua de uma subjetividade apropriada. No referido livro, Dardot e Laval travam um diálogo com o psicanalista espanhol Enric Berenguer sobre essa questão. Como pano de fundo, esses três intelectuais encontram-se claramente preocupados não só com os sintomas mórbidos que proliferam na sociedade atual, mas também, principalmente, com a forte deterioração da democracia liberal em quase todos os países do Ocidente. Tomando tudo isso como um sintoma, eles analisam o neoliberalismo como um modo de constituição de um novo sujeito. Eis como Berenguer resume a abordagem psicossocial e crítica dos dois autores franceses:

Isto significa que as mudanças subjetivas que se pode verificar nos homens e nas mulheres do nosso tempo, alterações que abarcam a forma de viver, mas também de sofrer, não são meras consequências ou efeitos secundários de um sistema. Ao contrário, a produção da subjetividade é um elemento fundamental em sua reprodução e expansão. Para dizer brevemente, um novo sujeito assume em si e por si mesmo os objetivos e os funcionamentos do sistema, converte-se em agente principal de sua expansão. Nessa perspectiva, para falar em termos marxistas, não se trata de pensar apenas que há um modo de produção que se reflete nas formas de consciência, mais ou menos alienadas. Mas sim, de um modo de subjetividade, um modo de vida, que é essencial ao próprio modo de produção, assim como chave para que ele se imponha em nível planetário.

Imprensa oficial chinesa ignora resultado das eleições em Hong Kong

Pequim, 26 nov 2019 (Lusa) - A ampla vitória dos candidatos da oposição nas eleições do conselho distrital de Hong Kong foi hoje ignorada pela imprensa chinesa, com apenas as edições em inglês a referirem uma votação "distorcida" a favor do campo pró-democracia.

A imprensa controlada pelo regime chinês, que no fim de semana apelou aos cidadãos de Hong Kong que fossem às urnas "dizer não à violência" com o voto nos candidatos pró-Pequim, absteve-se hoje de publicar os resultados eleitorais.

Na segunda-feira à noite, o jornal da noite na televisão estatal CCTV absteve-se de falar sobre as eleições em Hong Kong, enquanto o jornal oficial do Partido Comunista, o Diário do Povo, observou que as manifestações que assolam o território "perturbaram seriamente o processo eleitoral", mas também sem detalhar os resultados.

A imprensa oficial de Pequim em inglês, que é voltada para leitores estrangeiros, preferiu desvalorizar o resultado.

Num editorial, o jornal oficial China Daily considerou que as eleições foram "distorcidas por manobras intimidadoras" e "golpes".

No seu serviço em inglês, a agência noticiosa China News Agency afirmou que a eleição para os conselheiros distritais foi "sabotada" por "manifestantes".

"A campanha de alguns candidatos patriotas foi gravemente interrompida", garantiu a agência. "Um candidato foi ferido durante um ataque e o assédio aos candidatos patriotas continuou no dia da eleição", acusou.

O jornal Global Times reconheceu que o resultado da pesquisa vai incentivar à "reflexão", mas que não é necessário "interpretar demais a vitória" do campo pró-democracia.

O jornal observou que, segundo o método de votação, este venceu "80% dos assentos com apenas 60% dos votos".

Os partidos pró-democracia venceram pelo menos 388 dos 452 assentos, depois de não terem conseguido um único conselho nas últimas eleições locais, realizadas há quatro anos, enquanto os candidatos pró-Pequim caíram para 59.

Cerca de três milhões de pessoas votaram, quase o dobro do que em 2015, representando mais de 70% dos eleitores registados.

Os resultados destas eleições são um indicador do amplo apoio aos protestos antigovernamentais que há seis meses atingem Hong Kong, apesar dos contornos cada vez mais violentos, com frequentes atos de vandalismo e confrontos com a polícia.

As manifestações iniciaram-se devido a um projeto de lei que permitiria extraditar criminosos para países sem acordos prévios, como é o caso da China continental. Apesar de, entretanto, retirado, o projeto de lei deu origem a um movimento que exige reformas democráticas e se opõe à crescente interferência de Pequim no território.

À semelhança de Macau, para a antiga colónia britânica foi acordado um período de 50 anos após a transferência da soberania para a China, mantendo um elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, de acordo com a fórmula 'um país, dois sistemas'.

JPI // MIM