quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O chamado "aquecimento global" é um mito pseudo-científico


Marcel Leroux [*]

entrevistado por La Nouvelle Revue d'Histoire

A característica do clima é a mudança. Contudo, actualmente há um discurso a afirmar que as mudanças do presente estão a levar a um aquecimento global inevitável. O estudo do passado confirma essa interpretação?

Não porque, à escala paleoclimática, as mudanças foram muito mais significativas do que nos dizem. Assim, em África, durante o último glaciar máximo, ou seja, entre 18.000 e 15.000 anos antes da nossa época, as temperaturas médias foram 5ºC mais baixas que as actuais, o deserto estendeu-se consideravelmente para Sul e a floresta quase desapareceu, enquanto que durante o óptimo climático do Holoceno, entre 9.000 e 6.000 anos antes da nossa época, as temperaturas eram 2ºC mais altas que as actuais e as florestas superavam em muito sua extensão actual. Quanto ao Saara, recebeu chuvas relativamente intensas, tanto de origem mediterrânica como tropical. Estava salpicado de lagos e pântanos e os pastores visitavam-no, como demonstram numerosos desenhos rupestres.

Depois de perder a extensa memória paleoclimática, não estamos a perder também a nossa memória climática imediata?

Hoje em dia a memória é muito selectiva, porque esquecemos o Outono surpreendentemente frio de Agosto de 2006 e nos apressamos a esquecer o Inverno de 2005-2006, que bateu recordes de frio ou de neve, ou o Inverno de 2000 quando a Sibéria registou suas temperaturas mais baixas e a Mongólia pediu ajuda internacional. Para não falar da África, que durante os anos sessenta beneficiou-se de precipitações superiores ao normal. A área do Sahel retrocedeu para o Norte, fazendo recuar o deserto. Ao mesmo tempo, no Norte da Eurásia e do Canadá, a floresta boreal e a agricultura deslocaram-se para Norte. A seguir, a partir de 1972, quando se inverteu a tendência, as precipitações diminuíram drasticamente e o Sahel voltou a deslocar-se gradualmente para Sul.

Deveríamos ter medo do aquecimento previsto por alguns "peritos"?

Historicamente os períodos cálidos sempre foram bons, como por exemplo no princípio da nossa era durante os anos triunfantes da República Romana e do Império. Durante a epopeia viking da Gronelândia e América do Norte, entre 1150 e 1300, na Europa central e ocidental prevaleceu um óptimo climático que deslocou os cultivos, particularmente a vinha, de 4 a 5 graus de latitude para o Norte. O "doce século XII" representa na tradição escocesa uma "idade de ouro" com seus Invernos suaves e Verões secos. A seguir, depois de uma descida da temperatura, voltou-se a um período "quente" conhecido pelos especialistas como o óptimo climático medieval, que favoreceu, em particular, as longas viagens de descobrimentos.

Pelo contrário, os episódios de frio foram considerados como "escuros", como o que depois de 1410 rompeu as relações com a Gronelândia ou o da "Pequena Idade do Gelo" entre 1600 e 1850, que atingiu sua maior intensidade cerca de 1708-1709, que Reaumur chegou "o ano do grande Inverno", período durante o qual os glaciares alpinos atingiram uma grande extensão, como o demonstram em 1789 os "Cahiers de dóleances" ("Cadernos de queixas") dos agricultores chamoniardos cujas pradarias haviam sido invadidas pelo gelo. Portanto, é ridículo que os meios de comunicação afirmem que o calor é sinónimo de calamidade, especialmente para as pessoas que, durante o Inverno, só pensam no Verão, a sonhar com a sua aposentação para residir no Sul ou em Espanha, ou inclusive no Marrocos, ou seja, ao Sol! Desta maneira, a "incrível suavidade" de Dezembro de 2006 e a redução da factura de calefacção poderiam ser apresentadas pelos meios de comunicação como desastres.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Há uma nova rebelião global. Porquê?


Do Chile e Haiti à França; do Líbano ao Sudão e Hong Kong: multidões inquietam-se. Não se movem pela disputa clássica entre esquerda e direita. Mas pronunciam, em comum, um já basta – dirigido à desigualdade e à vida-mercadoria

Ben Ehrenreich, no The Nation | Tradução: Felipe Calabrez

Algo – alguém – continua batendo na porta. Está frio lá fora e está ficando mais frio, mas as pessoas do lado de dentro estão confortáveis no sofá com a TV ligada e um cobertor no colo. Então, vem aquela batida de novo: na porta da frente agora, depois na porta lateral e depois atrás. Talvez seja o vento. Agora batem nas janelas, no telhado e nas paredes da casa – quem sabia que eram tão finas? É difícil entender: como tantas pessoas podem bater de uma vez?

Mas eles estão, e está ficando mais alto. Na semana passada, as batidas vieram da Colômbia – em Bogotá, Cali, Cartagena, Barranquilla, Medellín, um toque de recolher declarado, o exército nas ruas – e na semana anterior no Irã, uma batida constante que rapidamente se espalhou por mais de 100 cidades . Cem manifestantes foram mortos, segundo a Anistia Internacional. O governo desligou a Internet no segundo dia dos protestos. Mas mesmo quando há uma conexão estável, é difícil reunir tudo: protestos estão acontecendo na Alemanha, Argélia, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Egito, Espanha, França, Guiné, Líbano, Haiti, Holanda, Honduras, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irã, Iraque, Reino Unido, Sudão e Zimbábue – tenho certeza de que estou deixando um lugar de fora – e isso apenas desde setembro. Alguns são do tipo fugaz e rotineiro que atrapalha o tráfego por um dia. Outros parecem mais revoluções, grandes o suficiente para derrubar governos, paralisar nações inteiras.

Algo está acontecendo aqui. Mas o que? E porque agora? Nas últimas doze semanas, os protestos espalharam-se por cinco continentes – a maior parte do planeta – desde as ricas Londres e Hong Kong até as famintas Tegucigalpa e Cartum. As manifestações são tão geograficamente díspares e aparentemente heterogéneas em causa e composição que ainda não vi nenhuma tentativa séria de vê-las como um fenómeno unificado.

Guiné-Bissau | Carlos Gomes Júnior apoia Umaro Sissoco Embaló na segunda volta


O ex-presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) Carlos Gomes Júnior anunciou o seu apoio, na segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau, ao candidato Umaro Sissoco Embaló.

O antigo primeiro-ministro guineense também participou como candidato na primeira volta das presidenciais, realizada a 24 de novembro, tendo obtido 2,66% dos votos. "O meu apoio é sem reservas e representa o meu desejo de ver a magistratura suprema entregue a alguém que pode unir os guineenses para os grandes desafios que nos esperam", afirmou no sábado (30.11) Cadogo, como é conhecido na Guiné-Bissau, durante a cerimónia de assinatura do acordo realizada numa unidade hoteleira de Bissau.

Segundo Carlos Gomes, a sua "consciência" guiou-o para "apostar em mais um jovem". "Umaro Sissoco Embaló é aquele que nas circunstâncias atuais melhor pode aglutinar sinergias para tirar o país da situação em que se encontra", salientou.

Na sua declaração, Carlos Gomes Júnior sublinhou a sua "profunda ligação ao PAIGC", partido que dirigiu durante 12 anos. "Para quem não sabe, durante sete anos estive longe do país e nenhum dirigente me contactou ou tentou saber como a minha família vivia", disse.

Em relação a Umaro Sissoco Embaló, Carlos Gomes Júnior afirmou que foi seu conselheiro político e foi a primeira pessoa que o pôs em contacto com vários líderes africanos. "Infelizmente só sabemos estragar e denegrir a imagem das pessoas", acrescentou.

Guiné-Bissau | CNE pondera processar José Mário Vaz


O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau admite "intentar uma ação judicial" contra o Presidente cessante por insinuar "falsidades e calúnias". José Mário Vaz está fora da corrida presidencial.

"As insinuações, falsidades e calúnias, proferidas nas declarações do candidato José Mário Vaz são apenas manobras de diversão, contudo, a CNE pondera intentar uma ação judicial, com vista a salvaguardar o seu bom nome e dos seus membros", referiu na sexta-feira (30.11) em comunicado divulgado à imprensa, José Pedro Sambú, presidente da CNE.

O Presidente cessante da Guiné-Bissau e candidato às eleições presidenciais realizados no domingo passado (24.11), José Mário Vaz, disse na quinta-feira (28.11) que aceita os resultados, mas salientou que a CNE sabe "perfeitamente" quem deveria estar na segunda volta.

José Mário Vaz não passou à segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, tendo obtido 12,41% dos votos.

"O candidato José Mário Vaz, bem sabe que os atos administrativos praticados pela CNE na decorrência do processo eleitoral podem ser impugnados por via judicial, à luz do contencioso eleitoral e nos termos permitidos por lei", salienta José Pedro Sambú.

Angola | UNITA quer renegociação da dívida, autárquicas em 2020...


... e acusa João Lourenço de minimizar problemas sociais

O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, defende uma auditoria e eventual renegociação da dívida angolana e acusa o Presidente angolano de desvalorizar os problemas sociais do país.

O líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) considera que as consequências da dívida na limitação das capacidades de realização e diversificação da economia angolana tornam "incontornável" uma auditoria. "Verificando-se que [a dívida] não é real, oferece oportunidades de ser renegociada" e iria dar indicadores muito objetivos sobre o peso da divida externa e interna.

"A divida interna ia ser seguramente muito menor e traria condições de renegociação e a divida externa a mesma coisa. Isto permitir retirar ao governo angolano um peso extraordinário e potenciar a sua capacidade de investir", advogou o dirigente do "Galo Negro", principal partido da oposição angolana, acusando o executivo liderado por João Lourenço de "não ter coragem" nem vontade política para avançar com este tipo de ações de transparência por ter consciência das suas responsabilidades.

Numa entrevista à agência Lusa, o presidente da UNITA salientou que o partido pediu uma comissão parlamentar de inquérito a partir da altura em que o peso da dívida no Orçamento Geral do Estado se aproximou de 50% da despesa, sem que existam garantias de que os valores são verdadeiros verdadeiro. "Temos muitos indicadores de que aquela conta é falsa", contrapôs, responsabilizando governantes e empresários que criaram a dívida com a conivência de instituições angolanas num "assalto ao erário público" consentido, a partir do qual se geraram as fortunas e os milionários que Angola tem.

"Muitas das obras pagas não existem ou foram inflacionadas, uma lógica que fez com o que pais perdesse mais de 700 mil milhões de dólares", notou. "Temos de fazer pressão, temos de fazer uma denúncia fortíssima e apelar a que os cidadãos escolham a alternância e optem por dirigentes responsáveis", exortou o líder do partido fundado por Jonas Savimbi, defendendo que "a pressão pode mudar os comportamentos tidos até aqui".

domingo, 1 de dezembro de 2019

REINTERPRETAR O MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO EM ÁFRICA – IX


Martinho Júnior, Luanda 

SUBSÍDIOS EM SAUDAÇÃO AO 11 DE NOVEMBRO DE 2019

Uma das maiores deficiências de que sofrem os africanos duma forma geral e os angolanos em particular, é a ausência de reflexão própria sobre os fenómenos antropológicos e históricos afectos ao seu espaço físico, geográfico e ambiental.

Essa falta de vontade e de perspectiva abre espaço ao conhecimento que chega de fora, em prejuízo do conhecimento que tem oportunidade de florescer dentro, ou seja: subvaloriza o campo experimental próprio, quantas vezes para sobrevalorizar as teorias injectadas do exterior!

Isso permite que outros não abram o jogo sobre essas interpretações dialéticas em função de seus interesses, manipulações e ingerências, aplicando a África, por tabela a Angola, as interpretações estruturalistas de feição, de conveniência e de assimilação!


Esta série pretende reabrir dossiers que do passado iluminam o longo caminho da libertação dos povos da América Latina e Caribe, de África e por tabela de Angola, sabendo que é apenas um pequeno contributo para o muito que nesse sentido há que digna e corajosamente fazer!

Abrir os links permite complementar com fundamentos, muitas das (re)interpretações do autor.

Nota: Esta série tendo como horizonte o 11 de Novembro de 2011, propiciará continuidade para outra que a ela se vai seguir.

Esperanças para a Ucrânia na Cúpula “Normandy Four”, a ser presidida em Paris


Bruna Adamatti*

O presidente da França, Emmanuel Macron, convidou seus confrades do Normandy Four (“Os quatro da Normandia”, em tradução livre) a se reunirem em Paris no dia 9 de Dezembro deste ano (2019), para dar continuidade aos diálogos conhecidos como “Normandy Format” (formato normando), sobretudo para discutir os conflitos na região de Donbass. Rússia, Alemanha, França e Ucrânia participarão da cúpula, cujas negociações serão retomadas após três anos de recesso.

Os líderes das nações comprometidas a resolverem os conflitos que iniciaram em 2014 no leste da Ucrânia possuem diferentes expectativas quanto ao resultado do encontro. De acordo com Steven Pifer, ex-embaixador americano na Ucrânia, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pende para um acordo de paz, Moscou parece interessada em sustentar a guerra.

Neste contexto, o Atlantic Council aponta que o Kremlin afirma abertamente sua vontade de ter reconhecidas as auto-proclamadas “repúblicas” russas criadas em Donbass e que o governo ucraniano as incorpore numa Ucrânia federalizada de-facto. Após os incidentes com a Crimeia, a influência russa na região traz sentimentos de um restabelecimento da União Soviética, de modo que analistas inferem que, caso Zelensky não seja fortemente interpelado pela França e pela Alemanha frente a Putin, é tempo de abandonar ou de expandir o formato normando. Pifer acredita que, caso falhem as negociações, os Estados Unidos devem intervir junto aos países europeus, tornando o engajamento militar da Rússia mais oneroso, ou mesmo criando um plano próprio de paz.

EUA | George H. Walker Bush: A família Bush e o cartel mexicano de drogas

Bush (pai) e os Salinas
Prof Michel Chossudovsky | Global Research, December 01, 2019

Donald Trump ofereceu-se para intervir no México "para ir atrás dos cartéis de drogas" após "o assassinato brutal de uma família americana no México". O presidente mexicano recusou a generosa oferta de Trump.

Numa entrevista recente, o presidente Trump confirmou que seu governo está considerando categorizar os cartéis de drogas mexicanos como "organizações terroristas" semelhantes à Al Qaeda (com exceção de que são católicos e não muçulmanos). Doravante, eles seriam designados como "organizações terroristas estrangeiras".

Qual é a intenção? Estender a "Guerra ao Terrorismo" para a América Latina. 

A verdade não dita é:

1. A Al Qaeda e suas organizações terroristas relacionadas no Oriente Médio, África e Sudeste Asiático são criações da CIA.

2. A CIA protege o comércio global de biliões de dólares, bem como os cartéis mexicanos. Além disso, estima-se que 300 biliões de dólares em dinheiro de drogas sejam lavados rotineiramente em casinos nos Estados Unidos, incluindo Las Vegas e Atlantic City ... Assim como em Macau. Adivinha quem é o dono do casino mais rico do mundo.

4. Sabe-se que os políticos americanos e mexicanos têm laços com o comércio de drogas.

Para que não esqueçamos,  George HW Bush, pai de Bush Junior, desenvolveu laços pessoais estreitos com Carlos Salinas de Gortari  (ex-presidente do México) e seu pai Raul Salinas Lozano que, segundo o Dallas Morning News (27 de fevereiro de 1997),  era “Uma figura de destaque nos negócios de narcóticos que também envolveu seu filho, Raul Salinas de Gortari… E Raul era um amigo íntimo de Jeb Bush, (ex-governador da Flórida) e irmão de Georoge W. Bush.

O texto a seguir foi publicado em maio de 2015 sob o título   Jeb Bush, o Cartel de Drogas do México e "Comércio Livre". A família Bush e o crime organizado 

Michel Chossudovsky, 1 de dezembro de 2019

***
Jeb Bush é um candidato presidencial. [foi em 2015]

Mas Jeb não é apenas irmão de George W. e filho de George HW Bush.

Jeb Bush também tinha laços pessoais íntimos com Raul Salinas de Gortari , irmão do ex-presidente do México Carlos Salinas de Gortari. Nos anos 90, Raul ,  o "chefão das drogas", segundo a  promotora federal suíça  Carla del Ponte, era uma das principais figuras do cartel mexicano de drogas.

Jeb Bush - antes de se tornar governador do Estado do Sol - era amigo íntimo de Raul Salinas de Gortiari:

“Também tem havido muita especulação no México sobre a natureza exata da estreita amizade de  Raul Salinas com o filho do ex-presidente George Bush, Jeb. É sabido aqui que, durante muitos anos, as duas famílias passaram férias juntos - as Salinases na casa de Jeb Bush em Miami, os Bushes na fazenda de Raul, Las Mendocinas,  sob o vulcão em Puebla.

Muitos no México acreditam que o relacionamento se tornou um canal de retorno para negociações delicadas e cruciais entre os dois governos, levando ao patrocínio do NAFTA pelo presidente Bush. ”(Intelectual proeminente e ex-ministro de Relações Exteriores do México Jorge G. Castañeda, The Los Angeles Times  e Houston Chronicle, 9 de março de 1995, ênfase adicionada)

O relacionamento pessoal entre as famílias Bush e Salinas era uma questão de registo público. O ex-presidente George HW Bush desenvolveu laços pessoais estreitos com Carlos Salinas e seu pai, Raul Salinas Lozano.

Raul Salinas Lozano era o patriarca da família, pai de Carlos e Raul Junior. Segundo o ex-secretário particular de Raul Salinas Lozano (em declaração às autoridades americanas):

“... O Sr. Salinas Lozano foi uma figura de destaque nos negócios de narcóticos que também envolveu seu filho, Raul Salinas de Gortari, seu genro, Jose Francisco Ruiz Massieu, o oficial nº 2 do Partido Revolucionário Institucional do governo, ou PRI, e outros políticos importantes, de acordo com os documentos. Ruiz Massieu foi assassinado em 1994. ”(Dallas Morning News, 26 de fevereiro de 1997, grifo nosso).

O ex-presidente George HW Bush e Raul Salinas Lozano eram “amigos íntimos”.

No centro da revolta global, o feminismo


Cientista política argentina busca entender o protagonismo das mulheres, nas lutas atuais contra o neoliberalismo. Suas hipóteses falam da revalorização do desejo e da percepção de que politica precisa sacudir ruas, casas, fábricas e camas

Veronica Gago, entrevistada por Roxana Sandá | Tradução: Antonio Martins | Ilustração: Stephanie Pollo

Uma raiva de séculos envolve a América Latina e ressoa com amargura. O movimento de mulheres, lésbicas, trans e travestis levanta-se contra a caça feroz desencadeada após o golpe de Estado na Bolívia e faz frente ao aparato repressivo no Chile. São milhares de corpos acendendo fogos de rebelião para desafiar as fobias racistas e de classe, as fobias colonialistas e dominantes que cospem sobre quem luta por uma alternativa de poder feminista, antipatriarcal, antiextrativista e descolonizante. Os jovens enfrentam o maquinismo neoliberal para que não continue empobrecendo suas famílias. Enquanto se escreve este texto, a resistência já dura semanas. “A História é nossa e o futuro também”, declaram graffitis pintados na urgência.

Por um momento, os olhos da cientista política, professora e militante feminista Verónica Gago se umedecem. Pensa nos rios de sangue que estão correndo, ms também na sequência de lutas que estão rompendo os limites de um poder de morte. O livro que ela acaba de apresentar, “La potencia feminista – El deseo de cambiarlo todo” [“A potência feminista – O desejo de mudar tudo (Edições Tinta Limón, Buenos Aires)] é uma caixa de ferramentas para ser usada contra a ofensiva neoliberal e conservadora, mas também uma investigação tramada ao calor das assembleias, das mobilizações, das greves internacionais do 8 de março, que conecta as violência econômicas, financeiras, políticas, institucionais, coloniais e sociais.

Um feminicídio a cada 29 horas na Argentina [Um a cada 8 horas, no Brasil] obriga a sair do binarismo vítima-algoz e a atravessar os conflitos enfiando transversalidade na “tremor simultâneo das camas, casas e territórios” de que fala a investigadora, sem deixar nada de fora porque as lutas feministas atravessam tudo. Uma advertência: nestas páginas, ler a consigna “NiUnaMenos” [“NemUmaAMenos”] implica reconceitualizar as violências machistas e politizá-las, para reconhecer seu horror e desarmá-lo, a ponto de converter em migalhas a retórica da vitimização. Mas quando nos assaltem as letrras de “NosMueveElDeseo” [“NosMoveODesejo”], esta aventura em chave plurinacional, estaremos diante da capacidade experimental, desejante, massiva e radical com que se constrói uma proposta revolucionária: o desejo de mudar tudo. Eis a entrevista:

A que se refere A potência feminista?

É uma maneira de denominar a força do processo que os feminismos protagonizaram nos últimos anos e de dar conta de tudo o que abriram, puseram em debate e alvoraçaram: nas relações sociais, nas formas de fazer alianças políticas, nas dinâmicas de rua, nas maneiras de dar conta do sofrimento e no modo de criar lutas transversais. Potência feminista quer dizer que experimentamos uma força concreta que desloca e modifica os limites do que acreditamos que podemos e somos capazes de fazer, de transformar e de desejar. E esta potência tem muito a ver com outra das caracterizações em que mais insisto no livro: a conjunção que os feminismos conseguiram entre massividade e radicalidade. Ela marca uma novidade histórica. Claro que sempre houve grupos, dinâmicas, debates feministas variados, fundamentais, radicais. Mas o fato de tudo isso tomar uma escala de massas e transnacional, como ocorreu nos últimos tempos, revirou a cena. Esta expansividade do feminismo no interior de organizações, espaços e territórios existenciais dos mais diversos faz com que o movimento – que é intergeracional e pluralista – consiga fazer intervenções políticas conjunturais muito fortes, ao mesmo tempo em que altera as vidas quotidianas.

A simultaneidade do tremor nas camas, ruas, casas, territórios, lugares de trabalho (eles próprios redefinidos pelo feminismo) introduz uma transversalidade materialista, que não deixa nada de fora, nada sem tocar. E uma questão que abraça todos estes planos é como se reconceitua, de maneira prática, desde as instâncias coletivas, as violências domésticas (incluindo as financeiras), institucionais, racistas, laborais. Isso permite um diagnóstico feminista do aumento de violências, um mapeamento e uma caracterização precisa das conflitividades sociais do presente.

OTAN aumentará gastos militares em US$ 400 biliões até 2024


O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, declarou que o total de gastos militares dos Estados membros da Aliança aumentará em US$ 400 biliões até o final de 2024.

"Os Estados apresentaram seus planos atualizados à OTAN e vemos os resultados. Com base nesses planos, posso anunciar que o aumento acumulado nos gastos com defesa até o final de 2024 chegará a US$ 400 biliões", disse Stoltenberg.

O secretário-geral da organização enfatizou que é "um avanço sem precedentes que fortalece a OTAN", acrescentando que até o final de 2020, os aliados europeus e o Canadá farão um investimento de US$ 130 biliões.

Stoltenberg também observou que este ano nove membros da Aliança cumprem a diretiva de fornecer 2% do PIB para a defesa, enquanto a maioria dos aliados planeia atingir essa taxa até 2024.

Por que Turquia não apoiou plano da OTAN de 'proteção' contra Rússia? Analista explica


Turquia rejeitou aprovar o plano da OTAN sobre "proteção" da Polônia e dos Países Bálticos, informam fontes na aliança citadas pela agência Reuters.

Segundo informações, as autoridades da Turquia deram instruções ao seu representante na OTAN para assumir uma posição firme durante os encontros e conversações privadas, exigindo que a Aliança Atlântica reconheça primeiro as forças de autodefesa curdas na Síria como grupos terroristas.

"Elas [as autoridades turcas] mantêm os europeus orientais como reféns, bloqueando a aprovação deste planeamento militar até obterem concessões", disse uma fonte diplomática à agência. Por outro lado, outra fonte afirmou que o comportamento da Turquia era "destrutivo" para a OTAN.

1º de Dezembro | Portugal libertou-se do invasor castelhano há 439 anos


Este ano, em mais uma comemoração da restauração da independência ocorrida em 1640, recordamos a libertação do jugo espanhol que durante 60 anos nos oprimiu e ocupou. Não nos aconteceu o mesmo que à Catalunha, senão atualmente ainda estaríamos a pugnar pela independência de Portugal do reino de Espanha. Espanha, um país composto por várias nações que se subjugaram ao Reino de Castela... E assim continuam.

Num total de 439 anos após a restauração da independência lusa, este é mais um ano de júbilo e homenagem aos portugueses revoltosos que expulsaram os espanhóis de Portugal, com maior ou menor violência (e mortes) e entregaram ao rei D. João IV a competência de restaurar o país de norte a sul, de este a oeste. Tarefa que, segundo os historiadores, assumiu e cumpriu até à sua morte.

De parte dessa história recolhemos um vídeo alusivo da RTP. Assim como um texto que publicamos a seguir. O regozijo de sermos portugueses(as) manifesta-se hoje e torna mais fácil de entender nestas datas comemorativas porque lutamos pela justiça que todos os povos merecem. Nós também.

Redação PG

Portugal | A GAGUÊS DA JOACINE, E DO LIVRE


Refere a Biografia de Joacine Katar Tavares Moreira, a nova deputada do Livre, que ela nasceu em Bissau; que com oito anos veio para Portugal; como tantos emigrantes, vindos das Ex-Colónias Portuguesas, nossos irmãos de língua e destino comum; e por cá se integrou; fazendo parte por direito e cidadania do nosso colectivo.

Octavio Serrano* |  opinião

Na minha curiosidade pela actividade parlamentar dos novos partidos, vi o vídeo da sua primeira intervenção; sofredora de uma gaguez congénita, a Joacine limitou-se a questionar o primeiro-ministro sobre algumas questões muito directas, relacionadas com a emigração africana em Portugal; mesmo assim deu para notar, o desfasamento existente entre a sua capacidade intelectual e a sua incapacidade de a transmitir no seu discurso; sem dúvida foi confrangedora a sua intervenção; para ela, determinada que estaria em discursar o mais fluentemente possível; e para quem a ouviu; pois um discurso entre-cortado por uma gaguez profunda, provoca dó e consternação; um silêncio sepulcral instalou-se na Assembleia de Republica, enquanto a Joacine se esforçava; esperemos que o contributo da Joacine consiga ultrapassar o ónus da sua fala; pois acredito no que ela afirma: o seu pensamento não é gago; Joacine afirmo; tem a minha solidariedade pessoal; mas não politica!

O meu desacordo, não será por o Livre pretender ser representante político de sectores culturalmente diversos e minoritários; que muitas vezes chocam com o nosso tradicionalismo, de ser português; veja-se o caso do assessor da Joacine; gosta de usar saias; será problema dele! As senhoras, não usam também calças? Se o Rafael Martins, quer andar vestido de freira, é uma opção pessoal dele; mas espero, que o Rafael continue a usar sempre as suas saias; senão um dia destes, alguém com toda a razão, alvitrará que o moço só usou as saias para que fosse noticia!

Portugal | Velório na saúde


Domingos De Andrade* | Jornal de Notícias | opinião

A Saúde e a Educação são os verdadeiros barómetros de como um Estado e os governos, que temporariamente são encarregados pelos eleitores da coisa pública, tratam os seus cidadãos.

Deixemos as questões do Ensino para outras núpcias. Não que a falta de investimento não seja visível, apesar do esforço do ministro Tiago Brandão Rodrigues, um resistente que veio de fora do circuito da política, mas que tem por via de uma paixão pela Educação tentado manter a Escola como o único elevador social do país.

Mais problemático é o que se passa na Saúde, não bastando já acreditar que os milagres se operam em função da habilidade ou inabilidade do detentor da pasta, que tem servido, sem exceção nesta década, sobretudo como muralha e alvo privilegiado das reivindicações das diversas corporações.

Aquilo a que assistimos, quase diariamente, é a um misto de impotência, resiliência e desistência dos profissionais do setor, face ao desespero dos doentes. Mas, essencialmente, ao desmoronar da confiança dos cidadãos naquele que deveria ser outro grande pilar do Estado social.

"Ordens superiores" | O setor da Justiça em Portugal não é autónomo nem independente


Sindicato dos magistrados vai fazer levantamento de casos com interferências superiores

António Ventinhas diz que o sindicato tem conhecimento de casos em que superiores hierárquicos deram ordens "ilegais" para controlar alguns processos.

Sindicato dos Magistrados do Ministério Público vai fazer um levantamento para denunciar casos em que os superiores hierárquicos interferem na condução de processos criminais, mandando arquivar ou constituir alguém como arguido, disse à Lusa o presidente do sindicato.

A decisão de fazer este levantamento foi tomada numa reunião de delegados sindicais que decorre sábado e domingo em Óbidos e que, segundo António Ventinhas, foi a questão principal do dia.

Os sindicalistas decidiram ser necessário "fazer um levantamento de todas as situações" que consideram estar "a violar o estatuto do Ministério Público" e que são "ordens ilegais", afirmou.

Apesar de não ter querido avançar com nenhum caso concreto, António Ventinhas garantiu que há interferências nos processos.

TSF | Lusa

*Título PG

Investigador aponta federalismo como solução para crise catalã


O major-general Raul Cunha, que publicou recentemente um estudo sobre a independência do Kosovo, considera, em declarações à Lusa, que o federalismo "sem conflito" pode ser a solução para a crise catalã, em Espanha.

"A Catalunha é uma situação diferente e tal como no Kosovo eu advogava que podia existir uma grande autonomia e que se podia viver sem grandes conflitos, na Catalunha penso que também. A Catalunha deve ser encarada com características próprias, como diz o seu povo, e como uma parte autónoma de uma entidade maior que é a Espanha", disse à Lusa Raul Cunha.

Sendo assim, diz, a federalização da Espanha poder ser uma das soluções, "mas sem conflito" e, sobretudo, sem o agudizar de tensões.

"No caso da Espanha (o federalismo) é o mais óbvio e isto funciona tanto para a Catalunha, como para a Galiza ou como para o País Basco", defende, sublinhando que devem ser evitadas intervenções externas.

"Tenho muito receio das intervenções externas, sobretudo pelo que vi no Kosovo. A não ser que seja uma intervenção muito moderada, muito bem pensada e, sobretudo, imparcial e que queira uma situação pacífica e que não tenha fantasias. É preciso criar situações em que se possa conviver, sem conflito", frisa.

Cidades da Alemanha testam transporte público gratuito


Münster e Karlsruhe estão entre os municípios que promovem ação voltada a incentivar mudança no trânsito. Em Hannover, prefeitura disponibiliza mais opções de transporte para evitar superlotação.

Diversas cidades da Alemanha testam neste sábado (30/11) o transporte público gratuito. Hannover, Münster e Karlsruhe estão entre os municípios que participam da ação para promover uma mudança no trânsito ao incentivar cidadãos a deixarem de lado o carro e utilizarem ônibus, metrôs e bondes.

"Se quisermos levar a proteção do clima a sério e alcançar uma mudança no trânsito, é necessário também coragem para experimentar", afirmou o chefe da Üstra, empresa de transporte público de Hannover, Volkhardt Klöppner.

Na cidade localizada no noroeste da Alemanha, a prefeitura disponibilizou ônibus e trens extras para evitar a superlotação. Além disso, em algumas linhas foram oferecidos mais horários de partida. Partes do centro de Hannover foram ainda bloqueadas para a circulação de carros. O dia de experimento deve custar aos cofres públicos 600 mil euros, mais de 2,8 milhões de reais.

"Queremos encarar tudo que já foi dado como desculpa para não usar o transporte público", disse o chefe do departamento de transportes de Hannover, Ulf-Birger Franz.

Ele destacou o caráter de teste da ação, que pretende observar "como cidadãos reagem a esse tipo de oferta" e se aqueles que não usam o transporte público estariam dispostos a mudar de comportamento. A iniciativa está sendo acompanhada cientificamente.

Ações semelhantes ocorrem em Münster e Karlsruhe, onde, porém, o transporte público gratuito será oferecido em todos os próximos sábados até o Natal. Outras cidades dos estados de Baden-Württemberg e da Baviera também participam do movimento.

Em janeiro deste ano, Luxemburgo foi o primeiro país europeu a anunciar que passará a oferecer transporte público gratuito. A medida faz parte do novo conceito de mobilidade do país, voltado para reduzir emissões que causam o aquecimento global.

Deutsche Welle | CN/afp/ots                      

Nova Comissão Europeia inicia funções com celebração do Tratado de Lisboa


A nova Comissão Europeia inicia hoje funções, com a presidente Von der Leyen a participar numa cerimónia de celebração dos 10 anos do Tratado de Lisboa, que marca também a 'estreia' do novo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Quatro dias depois de ter recebido finalmente o voto favorável do Parlamento Europeu, o novo executivo comunitário, que integra a comissária Elisa Ferreira, responsável pela pasta da Coesão e Reformas, inicia hoje o seu mandato de cinco anos, no mesmo dia em que se celebra o décimo aniversário da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, assinado em Lisboa em dezembro de 2007, durante a anterior presidência portuguesa da UE.

No curto evento, que decorrerá na Casa da História Europeia, na capital da UE, participarão ainda o novo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que também inicia hoje o seu mandato, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, e a nova presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.

Na segunda-feira, Ursula Von der Leyen ruma a Madrid e discursará na sessão inaugural da Conferência da ONU sobre o Clima, e na quarta-feira presidirá, em Bruxelas, à primeira reunião do seu colégio de comissários, dando de seguida uma conferência de imprensa na sede da Comissão Europeia.

A «Comissão Von der Leyen», que sucede à «Comissão Juncker», deveria ter iniciado funções em 01 de outubro, mas o 'chumbo' de três comissários designados pelo Parlamento Europeu provocou um atraso de um mês no processo, que ficou concluído finalmente na passada quarta-feira, com a assembleia a aprovar, em Estrasburgo, o conjunto do colégio, com 461 votos a favor, 157 contra e 89 abstenções, num total de 707 votos expressos.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Lusa

China acusa alta comissária da ONU de interferência em assuntos do país


A China acusou hoje a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, de interferência "inadequada" nos seus assuntos internos, por causa da situação em Hong Kong.

A acusação surge depois de Michelle Bachelet ter apelado à realização de uma investigação sobre o eventual uso excessivo da força por parte da polícia em Hong Kong.

Na coluna que escreveu sobre o assunto, no South China Morning Post, Michelle Bachelet foi "incorreta" e "violou os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas", disse, em comunicado, a missão chinesa junto da ONU em Genebra.

O artigo inclui "comentários inadequados sobre a situação na Região Administrativa Especial de Hong Kong...(e) interfere nos assuntos internos da China", de acordo com o comunicado de Pequim.

A China expressa "fortes críticas" ao escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Genebra.

Num artigo publicado hoje, Michelle Bachelet pediu às autoridades de Hong Kong que conduzissem uma "investigação verdadeiramente independente e imparcial, por parte de um juiz, sobre os relatos de uso excessivo da força pela polícia" chinesa.

Hong Kong vive há meses uma situação de grande instabilidade, com vários protestos nas ruas contra o que é considerado como um controlo crescente por parte de Pequim das liberdades da região semi-autónoma.

Houve confrontos violentos entre os manifestantes e a polícia. Os manifestantes exigem que a polícia seja responsabilizada pelas suas ações e pedem eleições completamente livres.

A China nega querer atropelar a liberdade em Hong Kong e acusa as manifestações de serem "revoluções coloridas" de inspiração estrangeira para desestabilizar o regime de Pequim.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Reuters

Leia em Notícias ao Minuto: 

A inteligência artificial chinesa chega à Europa blefando?


Bloqueada durante anos na alienação digital, a UE estabeleceu uma nova norma em matéria de proteção de dados e privacidade, eliminando algum controlo a partir do Silicon Valley. Mas com a chegada da maioridade das aplicações baseadas em IA, as empresas chinesas, por sua vez, lutam por um pedaço desse espaço.

Vincent Lorin for VoxEurop

Sete anos. Foi o tempo necessário para as startups chinesas de inteligência artificial (IA), depois de apanharem a onda da revolução do “deep learning“, reunirem as suas forças. Ao atingir a massa crítica, com uma peculiar capacidade em visão computacional – um conjunto de técnicas que permite aos computadores “ver” e “compreender” as imagens digitais – elas estão a expandir-se para países participantes da Iniciativa Belt & Road Initiative (BRI).

Na Malásia, a SenseTime – a startup de IA mais valiosa do mundo – participa na construção de um parque tecnológico de mil milhões de dólares em Kuala Lumpur, enquanto melhora os recursos de vigilância do estado.

No Paquistão, a Megvii – que lançou uma oferta pública de aquisição em Hong Kong – está a instalar sistemas de reconhecimento facial em instalações de energia eléctrica e a lançar projectos de fábricas “inteligentes” no Japão e na Coreia do Sul.

Em África, a CloudWalk gere um programa de reconhecimento facial em larga escala no governo do Zimbabué, acedendo a bases de dados nacionais com milhões de rostos.

Elas são apoiados, nos seus desenvolvimentos, pela Digital Silk Road, um investimento de 200 mil milhões de dólares em infra-estruturas digitais lançado por Pequim em 2017, na tentativa de integrar grandes regiões da Ásia, África e partes da Europa sob um único “guarda-chuva” digital, sustentado por uma rede global de cabos de [acesso à] Internet no alto mar (incluindo 6.300 km de fibra óptica entre o Paquistão e o Djibuti) e coberta pelo BeiDou, o sistema chinês de geoposicionamento por satélite.

sábado, 30 de novembro de 2019

O desafio da economia diante das mudanças climáticas


Apesar de crescimento econômico ameaçar o clima, ele é necessário, sobretudo em países mais pobres. Perante este impasse, especialistas defendem que o capitalismo passe a priorizar investimentos sustentáveis.

Em seu romance de ficção científica de 2012 News From Gardenia (Notícias de Gardênia, em tradução livre), o autor Robert Llewellyn observa um mundo que acaba ficando bem. Os seres humanos vivem harmoniosamente com o ambiente natural ao seu redor. O capitalismo de mão pesada parece ter entrado em colapso, substituído por uma troca local de bens e serviços. As comunidades parecem mais saudáveis ​​e felizes, mas é uma catástrofe global inespecífica na história que forçou a mudança.

O arco narrativo é tal que Greta Thunberg também concordaria com ele. O crescimento econômico é um "conto de fadas" que mata o planeta, disse a jovem ativista em setembro. "Desacelerem por opção agora", pediu ela aos líderes da Cúpula da Ação Climática da ONU, "ou as mudanças climáticas nos forçarão a fazê-lo – talvez mais cedo do que mais tarde".

Sublinhando seu ponto de vista, o movimento Greve pelo Futuro (nome internacional: Fridays For Future) de Thunberg convoca um Dia sem Compras nesta sexta-feira (29/11), em plena Black Friday, uma tradição comercial dos EUA que se segue ao Dia de Ação de Graças e dá a largada para a temporada de compras de Natal.

Para a maioria dos economistas, no entanto, uma solução de baixo ou nenhum crescimento para as mudanças climáticas não é algo a ser levado a sério e certamente não pode ser aplicado em escala global. "O campo da Greta é mais um fenômeno econômico avançado", diz à DW Adam Tooze, professor de história da economia na Universidade de Columbia. "Está no domínio da política razoável para economias avançadas dizer que não precisamos de mais crescimento."

Protestos pedem mais ações para conter mudanças climáticas


Nova mobilização do movimento Greve pelo Futuro reuniu milhares de pessoas em Berlim, Varsóvia, Lisboa, Tóquio e Johanesburgo. Na França, manifestantes tentaram bloquear depósito do site Amazon.

Milhares de manifestantes pelo mundo saíram às ruas nesta sexta-feira (29/11) para exigir que líderes políticos adotem medidas concretas para combater o aquecimento global. O movimento ocorre três dias antes do início da Conferência sobre as Mudanças Climática (COP25) em Madri.  A mobilização mundial foi iniciada pelo movimento Greve pelo Futuro (Fridays for Future) e, segundo os organizadores, ocorreu em 2.400 cidades em 157 países.

Na Alemanha, o movimento levou às ruas habitantes de 500 cidades. Os organizadores calcularam que 100 mil pessoas aderiram aos protestos. Dezenas de milhares de estudantes concentraram-se em frente do Portão de Brandemburgo, em Berlim.

Ainda na capital alemã, cerca de duas dúzias de ativistas ambientais saltaram para as águas geladas do rio Spree em frente à sede do Bundestag (Câmara baixa do Parlamento) para protestar contra o pacote climático do governo alemão. Eles afirmaram que o conjunto de medidas não é suficiente para reduzir os gases que provocam o efeito de estufa no país. Parte do pacote foi bloqueado hoje pelo Bundesrat (Câmara alta do parlamento), que representa os 16 estados do país, por divergências sobre quem vai financiar algumas das medidas.

Portugal | Quando a esquerda se perde


Ana Alexandra Gonçalves* | opinião

A esquerda perde-se, fractura-se, desconjuntura-se. É quase um aforismo. A direita com maior facilidade encontra terreno comum e com uma facilidade ainda maior aperta a mão a quem tiver de apertar para levar a sua avante.

Vem isto a propósito dos desentendimentos - chamemos-lhe assim - entre a candidata eleita pelo Livre, Joacine Katar Moreira e o próprio Livre. Depois de um voto contra as orientações do partido e subsequente chamada de atenção; depois de entrevistas facultadas pela agora candidata com lavagem de roupa suja; depois da escolha do silêncio por parte do partido, mas não por parte da candidata, sobra as fragilidades de uma esquerda que tão facilmente se perde.

A comunicação social, que ataca e explora ferozmente todas as fragilidades da esquerda, sobretudo da esquerda mais à esquerda, não deixa cair o assunto e a deputada eleita pelo Livre faz questão de usar essa comunicação social para deitar cá para fora o que sente. Sem filtros. Quando a esquerda se perde. Novamente. Vezes e vezes sem conta.

*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

Portugal | Emprego e pobreza


Manuel Carvalho Da Silva | Jornal de Notícias | opinião

Segundo os dados recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2018, cerca de 17% das pessoas auferiam rendimentos líquidos inferiores a 501 euros por mês. Isto significa, na fria linguagem da estatística, que estavam "em risco" de pobreza.

A percentagem e o número absoluto de portugueses nessa situação de "risco" - depois da contabilização das transferências de apoios sociais para essa população - havia aumentado bastante nos anos negros do "ajustamento" e regredido consideravelmente a partir de 2015, no conjunto da população. Constata-se, contudo, que tal regressão não se verificou entre os empregados onde, pelo contrário, até aumentou entre 2017 e 2018. Esse aumento ainda foi mais grave entre os desempregados.

O agravamento da pobreza no conjunto dos desempregados, pode dever-se ao facto de o aumento significativo de emprego neste período ter absorvido muitos desempregados, tendencialmente os mais qualificados e ativos, continuando no desemprego os que dispõem de menos recursos de todo o tipo. Se assim é, deve-se definir políticas específicas para não deixar cada vez mais desprotegidas estas pessoas.

A sociedade portuguesa não pode condescender face à persistência da pobreza entre quem trabalha. À tese de que é preciso fazer crescer o bolo da riqueza produzida antes de este ser repartido, há que contrapor a exigência de a riqueza ser melhor repartida exatamente quando é criada, desde logo através da melhoria dos salários e da qualidade do emprego. É que o bolo até cresceu, mas a percentagem dos lucros que vai para o investimento produtivo é cada vez menor; e a fatia do bolo que cabe ao trabalho manteve-se na dimensão a que tinha sido reduzida pelas políticas de desvalorização salarial do "ajustamento", feito pela troika e pelo Governo PSD/CDS.

Portugal | Parlamento retira Cuba da lista de países amigos


Com o PCP ausente, os deputados da Comissão de Negócios Estrangeiros retiraram Cuba e Arábia Saudita da lista de Grupos Parlamentares de Amizade. Comunista João Oliveira considera que deliberação "não é aceitável".

Os deputados da Comissão de Negócios Estrangeiros retiraram esta terça-feira uma série de países da lista de Grupos Parlamentares de Amizade, organismos da Assembleia da República importantes para a diplomacia com países amigos de Portugal. Numa reunião que não contou com a presença de deputados do PCP, dois dos países retirados são Cuba e Arábia Saudita, apurou a SÁBADO.

À SÁBADO, o presidente da comissão Sérgio Sousa Pinto explica que a exclusão de Cuba deve-se à "falta de reciprocidade": "Cuba não tem grupo de amizade com Portugal". Ora, a reciprocidade é um dos dois requisitos necessários previstos no regulamento dos Grupos Parlamentares de Amizade. Outros dois membros efetivos da comissão parlamentar confirmaram a decisão: "Sob o ponto de vista legal, de acordo com o regulamento que preside, há duas condições: uma é a reciprocidade na amizade e outra é terem parlamentos plurais", conta um deputado. 

A Itália na primeira linha da “guerra dos drones”


Manlio Dinucci*

Está no espírito dos militares possuir o maior número de armas disponíveis. É o caso dos italianos com os drones americanos. Está no pensamento ocidental usar as tecnologias que possuímos, não porque precisamos delas, mas porque dispomos delas. Assim, sem nenhuma reflexão, a Itália encontra-se incorporada nas guerras dos EUA em África e no Médio Oriente.

Aterrou na base USA/NATO, em Sigonella, na Sicília, depois de um voo de 22 horas a partir da base aérea de Palmdale, na Califórnia, o primeiro drone do sistema AGS (Alliance Ground Surveillance) da NATO, uma versão aperfeiçoada do drone Global Hawk dos EUA (Falcão Global). De Sigonella, principal base operacional, este e mais quatro aviões do mesmo tipo com pilotagem remota, apoiada por diferentes estações terrestres móveis, permitirão “vigiar”, ou seja, espiar vastas áreas terrestres e marítimas do Mediterrâneo e de África, do Médio Oriente e do Mar Negro.

Os drones NATO teleguiados de Sigonella, capazes de voar durante 16.000 km a uma altitude 18.000 m, irão transmitir para a base os dados recolhidos. Estes, depois de serem analisados pelos operadores de mais de 20 estações, serão inseridos na rede criptografada, chefiada pelo Supremo Comandante Aliado na Europa, sempre um general USA, nomeado pelo Presidente dos Estados Unidos.

Donald Trump atua como "dono do mundo", diz embaixador da Palestina


O Presidente norte-americano atua como "dono do mundo" e tomou "todas as decisões", incluindo reconhecer Jerusalém como capital de Israel, para acabar com as relações com os palestinianos, considera o embaixador da Palestina em Portugal.

"Infelizmente não temos qualquer relação (com a administração dos Estados Unidos). (Donald) Trump tomou todas as decisões para acabar com (...) as relações com os palestinianos", declara Nabil Abuznaid em entrevista à agência Lusa.

A 06 de dezembro de 2017, faz na próxima sexta-feira dois anos, o Presidente dos Estados Unidos reconheceu Jerusalém como capital de Israel, desencadeando a cólera dos palestinianos e rompendo com décadas de consenso internacional.

O estatuto da cidade é um dos problemas mais difíceis do conflito, os palestinianos reivindicam Jerusalém Oriental, ocupada por Israel em 1967 e depois anexada, como capital do Estado a que aspiram.

Abuznaid recorda que Trump também encerrou a missão da Palestina em Washington, deixou de financiar organizações de apoio aos palestinianos, nomeadamente aos refugiados, "mudou a embaixada para Jerusalém (na sequência do reconhecimento da cidade como capital israelita)" e acabou com o consulado nesta cidade "que negociava com os palestinianos" há muitos anos.

"Ele mudou tudo (...) age como se fosse o dono do mundo", diz o diplomata sobre o Presidente dos Estados Unidos.

Bolívia: o golpe visto em profundidade


Quem compõe as hordas que atacam forças populares. Como oposição fragmentada se articulou contra Evo. O papel da OEA no golpe. Por que governo se descolou das bases. Quais as perspectivas após o “acordo” para novas eleições

A primeira versão deste artigo (redigido em 14/11/2019) foi publicada, em 16/11/2019, no blog A terra é redonda sob o título A crise de hegemonia na Bolívia. Esta foi ligeiramente melhorada e atualizada, além de inserirmos referências bibliográficas pertinentes.

Introdução

As violentas jornadas da direita com traços fascistas de outubro e novembro de 2019 tinham como objetivo provocar a renúncia de Evo Morales à presidência da Bolívia. Morales foi praticamente obrigado a deixar o cargo para que a oposição parasse de incendiar prédios públicos, violentar e torturar militantes, funcionários públicos integrantes do partido de governo Movimento ao Socialismo (MAS) com conivência da polícia e do exército. Esse golpe e a situação política boliviana atual, cheias de incerteza sobre o desenlace imediato e de médio prazo, merecem uma reflexão crítica sobre o caráter do golpe e que serve como introdução para uma análise mais aprofundada acerca da natureza das reformas e transformações socioeconômicas realizadas pelo governo Morales no país desde 2006.

Brasil | "Aumento da pobreza extrema é resultado de uma maior desigualdade"


Em entrevista à DW Brasil, pesquisador da USP diz que a pobreza extrema no Brasil, que atingiu seu nível mais alto em seis anos, está mais ligada ao aumento da concentração de renda do que ao fraco desempenho econômico.

O crescimento da pobreza extrema no Brasil, que atingiu no ano passado seu nível mais alto desde 2012, com cerca de 13,5 milhões de pessoas com renda mensal de até 145 reais, decorre mais do aumento da concentração de renda do que do fraco desempenho econômico no período.

A conclusão é de um estudo em elaboração por Rogério Barbosa, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP, em parceria com Pedro de Souza e Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início do mês.

A pesquisa separou e calculou o efeito da evolução da renda total e o efeito da desigualdade sobre a pobreza extrema, no período de 2015 a 2018. A evolução da renda sozinha, se tivesse beneficiado toda a população, teria reduzido o percentual dos brasileiros em pobreza extrema em 0,25 ponto percentual. Porém, o aumento da desigualdade de renda, isolado, foi responsável por aumentar a taxa de pobreza extrema na população em 1,98 ponto percentual.

Somados os dois efeitos, o percentual de brasileiros em extrema pobreza aumentou 1,72 ponto percentual de 2015 a 2018, ou cerca de 3,6 milhões de pessoas a mais vivendo na miséria. "Apesar de o bolo ter crescido, as pessoas que extraíam dali uma menor quantidade extraem agora ainda menos", diz Barbosa à DW Brasil.

O pesquisador explica que a elevação da concentração de renda, nesse caso, não diz respeito ao 1% mais rico contra o resto da população, mas entre a população com acesso ao mercado formal de trabalho, que conseguiu se proteger dos efeitos da crise econômica, em contraste com os que estavam fora do mercado ou que trabalham por conta própria.

Para ele, o resultado mostra a fragilidade da tese de que uma nova classe média teria surgido durante a gestão dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Segundo Barbosa, as pessoas no meio da distribuição de renda, que em 2018 recebiam cerca de 800 reais per capita por mês, mantiveram um vínculo frágil com o mercado de trabalho formal e não conseguiram se resguardar dos efeitos da recessão. "Quem sobreviveu à crise foi a velha classe média", diz.

Barbosa também chama atenção para o fato de que houve redução do número de beneficiários do Bolsa Família, enquanto aumentava o número de pessoas em pobreza extrema no país. "Seria esperado que as políticas de proteção social funcionassem como um alcochoamento […], mas isso não foi verificado."

Cresce tentação autoritária entre governos da América do Sul


Brasil, Chile, Equador suspendem seus projetos de reformas devido aos protestos crescentes. Medidas necessárias excluem, porém, os privilegiados. Assim, economia da região se arrasta, impossibilitando redução da pobreza.

O ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, não é conhecido por ser especialmente cauteloso. No entanto, em sua fala em Washington, no fim de novembro, surpreendeu com uma estratégia de recuo, ao suspender temporariamente – devido aos protestos nos vizinhos sul-americanos – o abrangente pacote de reformas do aparato estatal e do sistema tributário, anunciado há apenas três semanas.

"Não queremos dar nenhum pretexto para as pessoas irem às ruas", disse, contrito, segundo o jornal Estado de S. Paulo: "Vamos ver o que está acontecendo primeiro. Vamos entender o que está acontecendo."

Assim, o Brasil é o último governo latino-americano a sustar um pacote de reformas abrangentes. Antes, o Equador e o Chile haviam recuado em seus planos. Na Colômbia, o povo também está protestando, em parte contra a reforma da aposentadoria.

As reformas não foram o estopim direto para os protestos em nível nacional, mas sim aumentos de preços dos transportes públicos ou combustíveis, ou possíveis manipulações eleitorais. Ainda assim, os projetos nacionais de reforma intensificaram as manifestações.