segunda-feira, 29 de outubro de 2012

SINAIS CONTROVERSOS – V

 

Martinho Júnior, Luanda
 
9 – É contudo a partir do “eixo maduro” da “Open Society” que pouco a pouco os Estados Unidos e organizações por si controladas, de há pouco mais de 20 anos a esta parte foram elaborando o espectro político e de intervenção social de feição em Angola, destacando-se entre outras, no caso angolano, personalidades que “estagiaram”nessa “forja” como Justino Pinto de Andrade e Rafael Marques de Morais, dois exemplos de figuras “preparatórias” e “intervenientes” para a “mudança dialéctica” da 2ª fase dos relacionamentos dos Estados Unidos para com Angola.
 
Sob o ponto de vista filosófico, ideológico e político, “enterrado” Karl Marx em Angola, tornou-se possível “abrir as portas” a Karl Popper e ao seu “liberalismo democrático”, ou seja, a maneira mis arguta e inteligente de, em pleno capitalismo neo liberal, defendendo os interesses da aristocracia financeira mundial e das suas corporações multinacionais, ir colocando no poder as“moscas” de sua conveniência, mesmo que isso fosse um dia feito às custas do movimento de libertação!
 
Assim sendo, para a“Open Society” só há um tipo de “democracia representativa”: aquela aberta ao liberalismo e aos mecanismos que o promovem, aquela aberta a processos elitistas, procurando fazer esquecer que em África isso é mais que meio caminho andado para o neo colonialismo!
 
Nesses termos é o“fim da história”, ou pelo menos a história contada à maneira “liberal” da conveniência dos poderosos!
 
A “Open Society”chega ao extremo: o seu fundador, George Soros, é um “híbrido” entre especulador e filantropo, um “especu-tropo”… o que serão aqueles que o seguem?...
 
A “Open Society” em Angola dedica-se hoje em dia a uma “independência”, a das análises sócio-político-económicas conjugadas com o activismo “cívico” que seguem a linha Karl Popper – George Soros, deixando as questões “operativas”, sob os pontos de vista sócio-político e de agitação-propaganda, mais entregues a essas duas entidades que, por vias distintas seguem, uma (Justino Pinto de Andrade) a“carreira política” e outra (Rafael Marques de Morais) uma trilha de“activismo” jornalístico “de investigação” que se evidencia na panorâmica da própria “media independente e democrática”… pago pela National Endowment for Democracy, uma reconhecida (por muitos) intermediária da CIA!...
 
Em qualquer dos casos para os “operativos”, as mensagens têm ultimamente recorrido muito mais a aspectos psico-emocionais do que a discursos burilados, estando qualquer deles a “especializarem-se” contra o Presidente Eduardo dos Santos, tirando partido de trajectória de aproximação forçada dele em relação aos próprios interesses que os tutelam e “lançam” e à própria “Open Society”: os interesses“inequívocos” dos Estados Unidos da América agora em versão da administração do democrata Barack Hussein Obama, “abrindo sociedades” para melhor conduzir o capitalismo neo liberal e o neo colonialismo por via das “mudanças dialécticas”no plasma sócio-política de cada país!
 
A “dialéctica da mudança” da secreta “Presidencial Study Directive 11” conferem a “orientação”última às agências norte americanas como por exemplo a “Open Society”, a NED e a USAID, para que os destinatários, no escalão inferior da hierarquia em pirâmide e “no terreno” cumpram com as “suas obrigações”: é para isso que se está a fazer a globalização capitalista neo liberal de acordo com os interesses da hegemonia, do império, onde a aristocracia financeira mundial é de facto o fulcro do poder nos dois lados do Atlântico Norte e o elemento decisório!
 
Constate-se como a“Open Society Initiative for Southern Africa” introduz o entendimento que faz sobre Angola, ocupando o espaço sócio-político “à esquerda”, anos depois do MPLA ter abandonado a perspectiva de socialismo que detinha, que foi muito útil para fazer a guerra e, por influência do império, Parece nada servir para a paz:
 
“Over a decade since the end of its long-running civil war, Angola remains a closed and repressive society, where a small political, military and business elite enjoys a lavish lifestyle while the vast majority of the population lives in acute poverty with little – or no – access to water, sanitation, health, shelter, education and other basic human rights. Elections, economic growth and a new constitutionshould have contributed to a more open and democratic society. But the opposite is the case. Instead of speeding up the transition towards genuine democracy, both the 2012 and 2008 elections saw the ruling MPLA party secure a super-majority and consolidate its control of the country (even though the MPLA's share of the vote did drop from 82% to 70%). The 2012 elections were also the first time that President Jose Eduardo dos Santos was directly elected– representing his first ‘genuine’ mandate after 32 years in office. And another 5 years in State House.
 
Meanwhile, years of impressive oil-based GDP growth – around 7% per annum – have not translated into gains for the poor and the marginalised but rather into super-profits for those in power and those with access to natural resources and public funds. Angola is one of the most unequal societies on earth, with 38 percent of the population still living below the poverty line. Angola has one of the highest child mortality rates – with almost 1 in 5 children dying before the age of 5. Maternal mortality is also extremely high. Overall, Angola is ranked 143rd out 182 countries in the UN’s Human Development Index”…
 
Justino e Rafael são por si “provocações” ao bom estilo das “damas de branco” do “laboratório”de Cuba, na tese dessa “mudança dialéctica” que visa “instalar a alternância”conveniente, absorvendo outros mais condimentos: eles estão a fazer aproveitamento dos contextos das “revoluções coloridas” e das “primaveras árabes”, duma forma pouco criativa, pois até os símbolos e os “slogans” se identificam com os símbolos e os “slogans” de outras paragens (Ucrânia, Sérvia, Geórgia, Tunísia, Egipto…), não há mais nada que inventar, pois está tudo inventado!
 
Basta, um dos“slogans” mais utilizados “contra o ditador”, por exemplo, é igual a Kmara (Geórgia,“revolução rosa”), ou a Pora (Ucrânia, “revolução laranja”), Kefaya (Egipto)…
 
A mão verde aberta do Bloco Democrático inspira-se no mais sofisticado símbolo do Pora (Ucrânia), ou do “tradicional” punho negro fechado do Otpor (Sérvia)…
 
A partir de 2010 as mensagens de captação e mobilização foram sendo cada vez mais dirigidas em sintonia com a “juventude revolucionária”, à medida que se foi aproximando o período eleitoral, ainda que outras franjas da sociedade, entre elas as dos antigos combatentes e membros da comunidade de inteligência angolana não tivessem sido descuradas, dada a sua situação histórica de vinte anos de periferia, em alguns casos à beira da indigência, talvez por que eles eram antes alguns dos garantes da trajectória socialista que se estava a procurar fazer arrancar em Angola para depois da luta contra o “apartheid”!
 
Entende-se a atracção de alguns para se auto-intitularem “de esquerda”! (continua)
 
 
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