quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Arranca testagem em creches; Certificado nos restaurantes cai?

Os mais recentes desenvolvimentos sobre a Covid-19 em Portugal e no Mundo

O primeiro-ministro prepara-se para anunciar esta quinta-feira, depois do Conselho de Ministros, o levantamento de um conjunto de restrições que vigoraram por causa da Covid-19, mas com efeitos a partir de 1 de outubro para evitar "confusão" com as eleições autárquicas de domingo. "Estamos em vias de um momento de viragem, não porque a Covid-19 desapareça, mas porque graças à vacinação pode considerar-se a pandemia controlada", declarou António Costa na noite passada. 

Este "passo" rumo à meta final do plano de desconfinamento - a terceira fase - acontece num momento em que Portugal se aproxima de ter 85% da população vacinada, regista uma trajetória sólida de descida da taxa de incidência de infeções (atualmente em 137,4 casos por 100 mil habitantes) e em que a taxa de transmissão se encontra abaixo de 1, mais precisamente em 0,82.

Pode consultar nestes mapas interativos a evolução da pandemia de coronavírus em Portugal e no Mundo

Acompanhe aqui AO MINUTO os mais recentes desenvolvimentos sobre a Covid-19 em Portugal e no Mundo:

12h24 - Os funcionários das creches, do pré-escolar e a rede nacional de amas começaram hoje a ser testados à covid-19, numa ação que até 3 de outubro abrangerá 35 mil pessoas em todo o país.

11h30 - O certificado Covid-19 vai deixar de ser obrigatório na restauração  às sextas-feiras ao jantar e aos fins-de-semana a partir do dia 1 de outubro, segundo noticia o Público.  A medida fará parte do alívio previsto para a terceira fase de desconfinamento que o Governo vai aprovar hoje no Conselho de Ministros. O certificado de vacinação ou teste negativo vão continuar a ser necessários nas fronteiras e nos bares e discotecas. 

9h50 - África registou 424 mortes associadas à Covid-19 nas últimas 24 horas, elevando para 207.594 o total de óbitos desde o início da pandemia, e 11.235 novos infetados, de acordo com os dados oficiais mais recentes.

8h50 - Vacinação dos 12 aos 17 retomada no Brasil. O Ministério da Saúde brasileiro recuou e voltou a aprovar a vacinação dos adolescentes dos 12 aos 17 anos, dá conta o G1. A imunização nesta faixa etária foi retomada uma semana depois de o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticar campanha antecipada dos estados, frisando que existem "eventos adversos a serem investigados".

7h45 - O que esperar do Conselho de Ministros de hoje?

Na fase três do plano de desconfinamento, que o Governo deverá anunciar hoje, mas com efeitos só a partir de 1 de outubro, deixam de existir limites máximos para o número de pessoas em grupo no interior dos restaurantes, cafés, pastelarias e em esplanadas, bem como são levantados os limites de lotação para estabelecimentos, espetáculos culturais e eventos familiares.

Outra mudança quase certa passará pela reabertura dos bares e discotecas, embora os clientes apenas possam entrar caso apresentem um certificado de vacinação ou um teste Covid-19 com resultado negativo.

7h40- Atualização na Alemanha

A Alemanha diagnosticou, no último dia, 10.696 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, elevando para 4171.666 o número total de contágios desde o início da pandemia. De acordo com os dados atualizados esta quinta-feira pelo Instituto Robert Koch, nas últimas 24 horas, morreram vítimas da Covid-19 mais 115 pessoas.

No total, desde que a pandemia começou, morreram 93.238 pessoas devido à doença

7h30 - EUA aprova terceira dose para maiores de 65 anos e grupos de risco

O organismo que regula a comercialização de medicamentos nos Estados Unidos, autorizou uma terceira dose de vacina Pfizer para pessoas com mais de 65 anos e também para idosos em risco de saúde ou especialmente expostos à Covid-19.

7h00 - Bom dia! Iniciamos aqui um novo acompanhamento dos acontecimentos relacionados com a pandemia. Recorde as incidências da véspera aqui.

Melissa Lopes | Notícias ao Minuto

Veja atualizações do Notícias ao Minuto

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Portugal | Políticos no palco errado


Vítor Santos* | Jornal de Notícias | opinião

Com a entrada em força dos líderes partidários nacionais na campanha corre-se o risco de subalternizar aquilo que está verdadeiramente em causa nas eleições autárquicas, ao colocar na ordem do dia temas de âmbito nacional e até de política europeia, o que não é propriamente benéfico para o esclarecimento das populações e, no limite, até poderá causar danos na afluência dos eleitores às urnas.

A questão não é nova. Movidos por outras batalhas, os políticos nacionais sobem ao palco nas eleições locais, onde esgrimem assuntos que desviam a discussão do essencial. Mas a culpa não é só deles. Quando o combate é renhido, são os próprios aspirantes aos mandatos municipais que procuram conquistar votos à boleia das mais altas figuras dos partidos. O problema é que quando devíamos estar a discutir a forma como está a ser feita a transferência de competências ou a descer à terra para perceber as propostas e as respostas para a resolução de problemas nos microcosmos concelhios, levamos com a luta pela sobrevivência de Rui Rio à frente do PSD, ou com o braço de ferro velado entre António Costa e as forças da Esquerda, procurando, um e outros, marcar terreno para a aprovação do Orçamento do Estado, antecipando uma discussão que marcará a agenda, mais à frente, na Assembleia da República.

Dizer que em política as coisas estão todas interligadas, não deixando de ser verdade, tresanda a desculpa, e o mesmo acontece quando é apontada à Comunicação Social a origem do problema. A responsabilidade é toda dos políticos à escala nacional, por estes dias capazes de prometer chuva e sol em simultâneo e no mesmo sítio, desafiando as leis da Natureza sem medo de serem penalizados nas urnas. O melhor é deixarem as promessas para os candidatos às autarquias, sob pena de ajudarem a engrossar o caudal de abstencionismo que afeta a democracia em Portugal.

*Chefe de redação 

Bazuca: Temos um saco cheio de massa para quem votar PS

Rosas avisa PS, o "partido da bazuca", que tem que negociar se quer OE

O fundador do BE Fernando Rosas apelidou, na segunda-feira, o PS de "partido da bazuca" e acusou o Governo de "tentar manipular a votação das eleições autárquicas", avisando os socialistas que têm que negociar se querem Orçamento do Estado.

Fernando Rosas juntou-se na noite de segunda-feira à campanha autárquica do BE e fez em Braga um discurso onde o alvo principal foi o PS, com críticas e avisos aos socialistas.

"O PS tem feito uma campanha eleitoral em que o Governo tenta manipular a votação das eleições autárquicas insinuando benefícios com os fundos da bazuca europeia para aqueles que se portarem, ou seja, para aqueles que escolherem votar no PS", criticou, apelidando o PS de "partido da bazuca".

Rosas puxou da ironia e disse: "votem no PS porque se votarem no PS nós temos aqui um saco cheio de massa e distribuímos a quem se portar bem e a quem votar em nós".

Greve: Lisboa e a outra margem do Tejo com menos barcos

Greve na Transtejo/Soflusa condiciona barcos entre Lisboa e Margem Sul

As ligações fluviais da Transtejo/Soflusa entre a Margem Sul e Lisboa vão estar condicionadas entre hoje e quinta-feira ao início da manhã e ao final do dia, devido à greve dos trabalhadores, não sendo possível garantir o serviço regular.

Na sua página da Internet, a Transtejo/Soflusa (TTSL) alerta para os constrangimentos provocados pela greve dos trabalhadores, que foi marcada em plenários realizados em 06 e 07 de setembro, alegando que a empresa mantém a sua posição de não negociar aumentos salariais.

Trabalhadores das duas empresas (com uma administração comum), que fazem as ligações fluviais entre a denominada Margem Sul (do Tejo) e Lisboa, estiveram em 20 de maio em greve de três e duas horas por turno, voltando a paralisar em junho e julho em greve parcial.

Segundo a informação disponibilizada pela empresa, e por se tratar de uma greve parcial por turnos, estão previstas as ligações do Barreiro para o Terreiro do Paço entre as 11:25 (primeiro barco) e as 17:35 (último barco) e, no período noturno, a partir das 22:00.

No sentido contrário, prevê-se a ligação entre o Terreiro do Paço e o Barreiro entre as 11:55 e as 18:00 e depois a partir das 22:30.

A SAÍDA DA FRANÇA DA OTAN?

# Publicado em português do Brasil

Germán Gorráiz López | Katehon

No caso de ser reeleito presidente nas eleições presidenciais da primavera de 2022, Macron tentará catalisar o chauvinismo dos franceses restaurando o atavismo de la Grandeur, uma doutrina que combinaria o culto à independência econômica, política e militar da França com a consolidação da missão da Nação e da cultura francesa no mundo. Assim, Macron assumirá o poder de decisão em Defesa e Negócios Estrangeiros que se tornará "domínio reservado do Presidente" e adotará uma abordagem "ativista" nos assuntos internacionais, envolvendo-se pessoalmente e tendo "o compromisso com a intervenção humanitária e aumentando o peso específico da França na Geopolítica Mundial como espinha dorsal de sua política externa ", com o qual a política interna ficará reduzida a um mero instrumento de política externa que funciona como um catalisador dos valores de La Grandeur. as estruturas militares da NATO e a revitalização da Francofonia como entidade política e económica na cena mundial no horizonte de 2025.

Distanciamento dos EUA

O acordo estratégico entre Austrália, Reino Unido e Estados Unidos conhecido como AUKUS, envolve a venda de submarinos nucleares norte-americanos para a Austrália, ao mesmo tempo em que ocorre um fiasco econômico para a França estimado em 50 bilhões de euros. Assim, a ruptura unilateral pelo Governo australiano de um mega-contrato com a França para 12 submarinos convencionais, teria provocado a ira do Governo francês e a convocação de consultas de seus embaixadores em Washington e Canberra, que junto com a possível paralisação da a venda dos caças Rafaele para a Índia poderia provocar o descontentamento da França em relação ao “outrora parceiro americano” e poderia traduzir-se na saída da França das estruturas da Aliança Atlântica no horizonte de 2023.

Por outro lado, assistimos a algumas declarações surpreendentes do ex-ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, recolhidas pelo jornal "The Telegrah" nas quais afirma que "Londres poderia hospedar mísseis nucleares americanos em solo britânico em meio a tensões com a Rússia", o que poderia ser entendida como o retorno a uma corrida armamentista como a mantida durante a Guerra Fria com a URSS (ressuscitando o projeto de Parceria entre os EUA e a Europa para fornecer ao Reino Unido os mísseis Polaris de julho de 1962). Nesse contexto, a informação do canal de televisão alemão ZDF deve ser colocada em seu programa noturno 'Frontal 21' de que “Os Estados Unidos planejam implantar 20 novas bombas nucleares B61-12, cada uma com potência equivalente a 80 vezes que foi lançado em Hiroshima "adicionando isso".

É CARO SER POBRE

Por que o sistema financeiro falha tanto - e como a fintech pode consertá-lo

# Publicado em português do Brasil

Junaid Wahedna* | Asia Times | opinião

Mesmo antes da pandemia de Covid-19, o aumento da desigualdade de renda era um dos principais desafios que as economias em todo o mundo enfrentavam.

Em 2018, o relatório da Oxfam “Uma Economia para 99%” revelou que o homem mais rico do Vietnã ganhava mais em um dia do que a pessoa mais pobre em uma década. Foi apenas uma das muitas afirmações surpreendentes, e o relatório reflete uma tendência mais ampla na Ásia - que, apesar de ter visto um crescimento recorde nos últimos 20 anos, tem lutado para distribuir a nova riqueza de maneira uniforme. 

Coletivamente, as seis maiores economias do Sudeste Asiático - Indonésia, Tailândia, Filipinas, Vietnã, Cingapura e Malásia, também conhecido como ASEAN-6 - têm um PIB de cerca de US $ 3 trilhões, que crescia 5 a 6% cada ano até 2020 , quando a pandemia varreu o globo e interrompeu o crescimento econômico em suas trilhas. 

Mas, embora a região tenha uma população de 670 milhões e tenha experimentado um crescimento econômico consistentemente acima das médias globais históricas, metade da população permanece sem conta bancária - sem acesso a produtos financeiros - e outro quinto (18%) não tem banco, sem acesso a qualquer outro do que uma conta bancária, de acordo com pesquisa da Fitch Ratings em 2020 . 

E a disparidade de renda tem sido um problema persistente nos últimos anos para a Indonésia, que tem a sexta pior desigualdade do mundo, de acordo com a Oxfam. Os quatro homens mais ricos da Indonésia têm mais riqueza do que 100 milhões das pessoas mais pobres do país.

DISPUTAS

Jorge Cadima* | opinião

«A agressividade do imperialismo não terminou. Está no ADN do sistema. Vão procurar novas vias» - como o revela o acordo EUA/GB/Austrália, visando nova e ainda mais irresponsável escalada na militarização do Pacífico, mas arrastando consigo novas clivagens inter-imperialistas -. «Mas o fracasso afegão foi um momento de viragem na consciência do planeta, e do próprio povo dos EUA, sobre a decadência da super-potência capitalista. Vai agravar a sua crise.»

A retirada dos EUA/NATO do Afeganistão lançou o pandemónio entre as classes dirigentes imperialistas. As recriminações multiplicam-se. O criminoso Blair, co-responsável pela invasão de 2001 e que, com Bush e Durão Barroso, mentiu descaradamente para «justificar» outra invasão, a do Iraque, lançou-se numa diatribe sem precedentes contra o presidente dos EUA. Classificou de «imbecil» a crítica de Biden às «guerras sem fim» (Newsweek, 22.8.21). Estes inusuais ataques revelam a ferocidade da guerra intestina que assola os centros de poder nos EUA, Reino Unido e UE.

Biden não é amante da paz. A sua longa carreira política tem servido o imperialismo norte-americano. Enquanto presidente, as suas políticas face à China, Cuba, Irão, Rússia, Venezuela, Bielorrússia e outros países evidenciam que não desistiu das agressões imperialistas. Mas algo tem de mudar.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Democratize a pós-pandemia

# Publicado em português do Brasil

Pedro Brieger | Rebelión | opinião

A pandemia alterou quase todos os aspectos da vida diária, trabalho, relacionamento com o ambiente familiar, política, etc. No contexto de quarentenas estritas, numerosos processos eleitorais na América Latina entre 2020 e 2021 foram afetados; precauções deveriam ser tomadas para prevenir a disseminação de covid-19.

Paradoxalmente, as dificuldades causadas pela pandemia obrigaram o avanço na expansão dos aparelhos eletrônicos a serem mais conectados.

 Foi assim que a grande maioria das pessoas vacinadas o fez com informações que chegavam diretamente ao celular, embora ainda existam milhões que não estão conectadas a nenhuma rede e sofreram ainda mais desligamentos.

Posto isto, pode-se começar a pensar que a chamada “pós-pandemia”, que atingirá taxas desiguais em todos os países, pode servir também para expandir os poucos mecanismos democráticos existentes. Hoje existem duas maneiras básicas de influenciar os rumos de um país. Por um lado, o voto tradicional a cada dois, quatro ou seis anos e, por outro, a pressão das ruas das mobilizações de massa. 

Ninguém sabe que as pressões exercidas por grupos de poder por meio de reuniões secretas e da instalação de pautas pelos meios de comunicação relacionados podem influenciar muito mais do que um processo eleitoral.

Portugal | O triunfo da irracionalidade

Paulo Baldaia* | Diário de Notícias | opinião

Antigamente, os malucos ficavam a falar sozinhos, hoje, abrem os telejornais. A extrema-direita agradece a atenção que damos aos seus malucos, sejam juizes, médicos, historiadores, candidatos autárquicos ou simples anónimos. Por ocuparem cada vez mais o nosso tempo, não significa que haja cada vez mais malucos, significa "apenas" (com muitas aspas) que o politicamente correcto alargou até ao infinito o conceito de liberdade de expressão e os malucos saíram das catacumbas.

Cá estamos todos, a contribuir para o triunfo da irracionalidade. Tão preocupante como a tranquilidade com que a comunicação social dá cada vez mais tempo de antena aos malucos é a desistência da justiça e das forças de segurança de fazer cumprir a lei. Deixou de haver limites e, assim, a irracionalidade vai em crescendo até ao dia em que as coisas correrem verdadeiramente mal e a desgraça não tiver culpados porque, está-se bem a ver, os malucos são inimputáveis.

Esta campanha das autárquicas, juntamente com a campanha dos negacionistas, vem comprovar que a extrema-direita, no recrutamento dos seus soldados e oficiais, privilegia a irracionalidade e a mentira. Perante candidatos que não conseguem articular uma simples frase no debate com os adversários ou os que deliram com "indianos vingativos", já ninguém pode alegar que é preciso dar uma oportunidade a quem pensa diferente. Quer dizer, poder, pode, mas há um momento a partir do qual se tem de começar a falar em cumplicidade.

PS "não toca" no "bife do lombo dos interesses do capital"

Jerónimo diz que PS "não toca" no "bife do lombo dos interesses do capital"

O secretário-geral do PCP criticou es domingo a postura do PS por 'chumbar' diplomas no parlamento como a redução do preço das botijas de gás, mas deixar intacto o "bife de lombo dos interesses do capital".

A precisamente uma semana das eleições, a campanha autárquica da CDU intensificou-se, assim como o tom das críticas ao PS, o principal adversário. Desta vez o local escolhido foi o antigo bairro da Icesa. Não houve passinho de dança, mas Jerónimo de Sousa bateu o pé ao som de "Venham mais cinco", de Zeca Afonso, interpretado pelo coletivo Sons da Liberdade.

Quando a música parou a cantiga foi outra e o dirigente comunista apontou o dedo ao PS pela permissividade com os grandes grupos económicos do país.

"No bife do lombo dos interesses do capital o PS não toca e alinha com PSD, CDS-PP e seus sucedâneos", pelo contrário, "prossegue uma política de favorecimento dos grupos económicos", considerou Jerónimo de Sousa, enquanto discursava neste bairro na freguesia de Vialonga, liderada pela CDU, no concelho de Vila Franca de Xira, governado pelos socialistas.

Portugal | Rui Rio: a derrota anunciada nas autárquicas

Simões Ilharco | Diário de Notícias | opinião

“Vai ser difícil ganharmos, por causa da distância que nos separa do PS", disse Rui Rio. Foi a derrota anunciada do PSD nestas eleições autárquicas. Rio andou sempre as zigue-zagues. Tinha dito que o seu sonho era governar a seguir às autárquicas e agora admite perdê-las. Mas a maior 'cambalhota' foi, sem dúvida, a de querer viabilizar Orçamentos do PS e depois aproximar-se do Chega. Não dá para entender.

Rio foi um líder de transição entre Passos Coelho e Paulo Rangel. Mesmo que consiga melhores resultados do que em 2017 não se aguentará na liderança do PSD. O affaire Rangel é irreversível. Eu posso não concordar, mas admito que a grande maioria dos sociais-democratas o quer. E há que respeitar esta vaga de fundo, digamos assim.

Moedas ainda foi hipótese, mas a sua má prestação no debate televisivo com Medina fê-lo perder a Câmara e a liderança do partido. Rangel terá de fazer oposição a Costa, coisa que Rio não fazia e que lhe custou caro. Muito caro, mesmo. Rio cometeu um erro de palmatória: quis ser estadista na oposição, o que, manifestamente, não dá.

Se chegar a primeiro-ministro, Paulo Rangel não poderá repetir os erros de Costa e que foram bastantes. O laissez faire, laissez passer do PS, e que é o expoente maximo do liberalismo económico, deverá acabar. Como social-democrata, Rangel terá de equacionar a intervenção do Estado nos sectores-chave da economia, sendo mais interventor do que Costa. Não pode deixar andar como este faz, deixando correr o marfim, se a expressão me é permitida. Não se intitulando socialista, Rangel terá, porém, para bem do país, de governar mais à esquerda do que António Costa. Nem pode consentir tudo à banca.

O liberalismo do PS só acentuou as injustiças e desigualdades. Se não houver uma mão correctora no sistema, este torna-se mais desigual. Não podemos acreditar na mão invisível de Adam Smith, como Costa parece acreditar.

O PSD tem de ser mais humanista do que o PS e com maior espírito reformista. As grandes reformas ficaram todas por fazer. O Governo de Rangel não pode ser meramente de gestão como foi o de António Costa.

O pior que nos poderia acontecer - e o povo português, honrado e trabalhador, não o merecia - seria dar razão a Sá Carneiro, quando este nos diagnosticou: "Portugal, país provisório e sucessivamente adiado".

A BBC, OS OUTROS, E AS NOTÍCIAS FALSAS CONTRA A SÍRIA

A BBC admite ter difundido uma reportagem de propaganda contra a Síria

BBC admitiu ter realizado uma reportagem que «não correspondia aos seus critérios profissionais» a propósito da Síria.

Este documentário da Radio 4 fora transmitido em Novembro de 2020. Ele tentava desacreditar o inspector da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW-OPAQ), que tinha denunciado o relatório da sua própria organização como uma falsificação, acusando-o de ter sido corrompido pelo Wikileaks. Acusava igualmente um editorialista do Daily Mail, Peter Hitchens, que tinha relatado a manipulação da OPAQ, de ser um apoiante do «regime de Bashar».

A acusação segundo a qual a República Árabe Síria teria utilizado gás contra a sua própria população não assenta em nenhum argumento credível. No entanto, foi um dos mais utilizados elementos de propaganda contra ela.

Fonte: «Mayday: The Canister on the Bed, Radio 4, 20 November 2020», BBC Executive Complaints Unit, Septembre 2, 2021.

Voltairenet.org | Tradução: Alva

Eleições: Rússia Unida anuncia vitória nas legislativas

Poucos minutos antes do fecho das mesas eleitorais na parte europeia da Rússia, os comunistas denunciaram a ocorrência de fraude em várias regiões do país, desde a parte europeia à Sibéria e ao Extremo Oriente, e exigiram a perseguição criminal dos "falsificadores".

O partido do Kremlin, Rússia Unida, reivindicou este domingo a vitória nas eleições legislativas russas, mas a sua maioria constitucional na Duma, a câmara baixa do parlamento, está ainda por apurar, após a contagem de 21% dos votos.

"Permitam-me que vos felicite por uma clara e limpa vitória", declarou Andrei Turchak, secretário-geral do partido no poder, na sua sede, em Moscovo, perante vários dos cabeças de lista do partido presidencial, mas com algumas ausências notadas, como as dos ministros da Defesa, Sergei Shoigu, e dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov.

O presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobianin, afirmou que os resultados das eleições para a Duma determinarão "o destino do país, a sua estratégia de desenvolvimento, a sua soberania, a sua economia e a proteção social dos seus cidadãos".

Para entender o singular colonialismo israelita

# Publicado em português do Brasil

Há diversas características históricas e políticas que definem o regime de opressão aos palestinos, imposto ao longo das últimas décadas. Quais são eles? Qual o papel dos EUA e Europa? É possível chamar de apartheid? Há soluções para o conflito?

Gercyane Mylena* | Outras Palavras

Israelenses e Palestinos: Conflito e Solução

Como devemos pensar sobre o conflito entre Israel e a Palestina? Por favor, note que pergunto: como pensar sobre antes do quê pensar. Antes de chegarmos a quaisquer conclusões substanciais – certamente antes de tomarmos lados – temos de ser claros quanto à forma como a questão deve ser encarada.

Seria um erro começar apelando para uma moral. É realmente necessário fazer um juízo de valor moral e com certeza não defendo evitá-lo. Mas não devemos começar com juízos de valor moral. Atribuir culpas por atrocidades, por exemplo, não é um bom ponto de partida. Em qualquer guerra, ambos os lados podem – e recorrentemente cometem – atrocidades hediondas: matar e mutilar desarmados inocentes, destruir suas casas, privá-los da sua subsistência. E é claro que todas estas atrocidades devem ser condenadas.

Agora, é consideravelmente fácil perceber que Israel comete atrocidades em escala muito maior de magnitude do que seus opositores palestinos (ou outros árabes). Mas isto, por si só, não é base suficiente para tomar partido. Israel opera danos muito maiores e comete verdadeiras atrocidades, antes de tudo, porque pode: é muito mais forte. Tem uma enorme máquina de guerra, uma das maiores do mundo em termos absolutos, e de longe a mais formidável em relação à sua dimensão.

Além disso, perguntar “quem começou?” não é de grande utilidade. Cada lado afirma que “retalia” por conta de crimes perpetrados pelo outro. Os meios de comunicação social chamam-lhe o “ciclo de violência”; na realidade, não é realmente um ciclo, mas uma espiral em cadeia. Até que ponto se vai para trás? E mesmo se recuarmos tanto como “para trás”, e encontrarmos quem disparou o primeiro tiro – e depois? Talvez quem disparou o primeiro tiro se justificasse ao fazê-lo, não é?

Deveríamos primeiro abordar a questão em modo de descrição e análise. Devemos perguntar: qual é a natureza do conflito; de que é que se trata? A compreensão deve preceder o julgamento. Quando compreendermos do que se trata, cada um de nós pode aplicar os seus critérios morais e julgar. E só então, depois de compreendermos a natureza do conflito e de fazermos um juízo moral, podemos determinar o que constituiria uma possível resolução, e tentar descobrir o que seria necessário para alcançar essa solução.

França sente-se enganada perante a desonestidade da Austrália

# Publicado em português do Brasil

'Nós nos sentimos enganados': França ainda está furiosa depois que Austrália nega contrato de submarino de US $ 90 bilhões

'Talvez não sejamos amigos', lembra o embaixador, alegando que Scott Morrison 'nos manteve no escuro intencionalmente'

A raiva francesa com a decisão do governo de Morrison de descartar seu programa de submarinos de US $ 90 bilhões com a França continua a ferver, com o embaixador chamado de volta do país dizendo que se sentiu "enganado" pelo anúncio.

Jean-Pierre Thebault foi mandado de volta a Paris após o anúncio do Aukus , que fará com que a Austrália entre em uma “parceria permanente” estratégica com os EUA e o Reino Unido.

Parte do acordo ainda a ser determinado incluirá o compartilhamento de tecnologia de submarino com propulsão nuclear com a Austrália, levando o governo de Morrison a romper seu contrato existente com a França.

No domingo, Scott Morrison disse que seu governo informou ao presidente da França, Emmanuel Macron, que o acordo estava encerrado "por volta das 8h30" na noite anterior ao anúncio do acordo. Mas os detalhes já vazaram para a mídia e os franceses disseram que se sentiram “pegos de surpresa” com a decisão.

“Nós descobrimos através da imprensa que a pessoa mais importante deste governo australiano nos manteve no escuro intencionalmente até o último minuto”, disse Thebault à rádio ABC na segunda-feira. “Esta não é uma atitude correta australiana em relação à França. E talvez não sejamos amigos. ”

Campanha eleitoral alemã entra na reta final

# Publicado em português do Brasil

A uma semana da eleição para decidir a sucessão de Angela Merkel, sociais-democratas lideram as pesquisas. Conservadores e verdes apostam num terceiro e último debate na TV para convencer os 40% de indecisos.

A uma semana das eleições legislativas, os líderes dos três principais partidos alemães realizam seu último debate na TV neste domingo (19/09), na reta final da corrida para suceder a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Segundo as sondagens, o ministro das Finanças e vice-chanceler social-democrata, Olaf Scholz, venceu os dois debates anteriores, apresentando-se como um gestor calmo e experiente, qualidades essenciais para os alemães.

O conservador Armin Laschet, que seria considerado o herdeiro natural de Angela Merkel, por pertencer ao mesmo partido, tem sido combativo nesta reta final, após um início de campanha marcado por tropeços, que lhe custaram o favoritismo nas sondagens.

O impopular Laschet nunca conseguiu retomar a iniciativa. O bloco conservador, que inclui sua legenda, a União Democrata Cristã (CDU), e o partido irmão da CSU da Baviera, perdeu terreno e está posicionado em segundo nas pesquisas, com entre 20 e 22% da intenção de votos, contra 25 a 26% para o Partido Social-Democrata (SPD).

Os verdes e sua candidata, Annalena Baerbock – que inicialmente causou rebuliço, ao ser nomeada para liderar a sigla nas eleições em momento de alta do partido, mas cometeu vários erros atribuídos à sua inexperiência –, atualmente estão com 15 e 17%, valor que parece distanciá-la do sonho de chefiar o governo alemão. 

Os liberais do FDP e os ultradireitistas do AfD obtêm cerca de 11%, seguidos pelos socialistas do A Esquerda, com 6%.

O candidato liberal, Christian Lindner, voltou a definir seu partido como "o único que pode garantir uma política de centro". Em comícios, tem sublinhado que seu FDP poderá exercer uma "influência decisiva" no novo governo se conseguir na semana que ainda resta alcançar os verdes e tomar o terceiro lugar na corrida eleitoral.

Sem Merkel, a CDU está nua

# Publicado em português do Brasil

Quanto mais se aproximam as eleições, mais evidente fica o vazio que Merkel deixa para trás. Sem a chanceler, a CDU parece um partido de homens velhos com uma agenda política sem imaginação, escreve Astrid Prange*.

O que aconteceu com o partido de Angela Merkel? Desde a retirada anunciada da chanceler federal da política, a conservadora CDU tem sofrido um ataque de fraqueza após o outro. Será que Merkel não estaria deixando para trás só um país inteiro mas também seu próprio partido como órfãos?

Uma coisa é certa: o candidato conservador a chanceler Armin Laschet está desabando nas pesquisas de intenção de voto. Desde julho, ele e seu partido perderam dez pontos percentuais, caindo de 30% para 20%.

Mas a crise dos conservadores surpreende só na aparência. Porque quanto mais próximas estão as eleições parlamentares de 26 de setembro, mais claro será o vazio que Merkel deixa para trás. Sem uma mulher à frente, os democratas-cristãos parecem um grupo de senhores grisalhos que procuram manter o mundo de ontem.

domingo, 19 de setembro de 2021

AUKUS é a tentativa dos EUA de pôr a Austrália contra a China

# Publicado em português do Brasil

AndrewKorybko* | OneWorld

A Austrália foi escolhida pelos EUA para ser seu principal parceiro para 'conter' a China devido ao ódio cuidadosamente cultivado de sua liderança por aquele país, sua posição geográfica e sua cultura anglo-americana compartilhada, tornando-se assim o chamado 'primeiro entre iguais 'dos membros do hemisfério oriental do Quad.

Os líderes americanos, australianos e britânicos anunciaram a formação de um novo arranjo militar trilateral entre seus países denominado AUKUS. Esses três membros da aliança de inteligência Five Eyes aprofundarão sua cooperação tecnológica a ponto de cooperar em inteligência artificial (IA), questões cibernéticas (presumivelmente capacidades de guerra ofensiva), capacidades de ataque de longo alcance, computação quântica e sistemas subaquáticos. Sua primeira ordem de ação será entregar uma frota de submarinos com propulsão nuclear para a Austrália, a qual, embora não declarada abertamente por seus líderes, tem como premissa muito clara “conter” a China.

O momento é muito simbólico, pois ocorre antes da primeira cúpula presencial do Quadrilateral Security Dialogue (Quad) nos Estados Unidos, em 24 de setembro. A Austrália e os Estados Unidos são dois membros dessa estrutura, o que adiciona outra camada estratégica à cooperação recém-anunciada. Além disso, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, acabou de se reunir com seu homólogo australiano em Washington, onde elogiou a aliança deles como "nunca foi tão forte, nunca foi tão importante". Tudo isso vem logo após o 70 º aniversário do Tratado ANZUS, que lançou as bases para a sua parceria estratégica militar contemporânea.

As relações da Austrália com a China se deterioraram drasticamente nos últimos anos, depois que Canberra começou a se envolver em uma série de provocações contra Pequim. Seu “Esquema de Transparência de Influência Estrangeira” de 2018 é amplamente considerado como tendo sido promulgado devido a suspeitas paranóicas sobre a influência chinesa no país. A Austrália passou então a se comportar de forma mais assertiva no Pacífico Sul sob o pretexto de “conter” a China ali. Tudo aumentou tremendamente no ano passado depois que o país apoiou afirmações conspiratórias sobre as origens do COVID-19 e começou a interferir em Hong Kong e no Mar da China Meridional. O comércio bilateral naturalmente sofreu como resultado.

NATO GASEADA E EM TONS MEIO HISTÉRICOS

A Rússia não pretende conduzir um diálogo com a OTAN em tons meio histéricos

Na Rússia, eles expressaram seu desacordo em conduzir negociações na OTAN em tons meio histéricos. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Como observou Sergei Lavrov, a Rússia pode negociar com a Aliança do Atlântico Norte, apenas a nível profissional, relata a TASS.

"Estamos prontos para conversar, mas falar profissionalmente, e não em tons tão emocionais e meio histéricos", disse Lavrov após uma reunião conjunta do Conselho de Ministros das Relações Exteriores, do Conselho de Ministros da Defesa e do Comitê de Secretários do Conselho de Segurança do CSTO na capital do Tajiquistão.

Lavrov comentou sobre a declaração de Zelensky sobre o "mais sujo" gás russo, observando que essa declaração "não foi feita de grande inteligência".

Alina Ibragimova | Pravda

O papel da OEA no golpe de 2019 na Bolívia é indiscutível

Diante das evidências destacadas em novo relatório, o secretário-geral, Luís Almagro, deve assumir responsabilidade política

# Publicado em português do Brasil 

Guillaume Long* | Pátria Latina

Em 17 de agosto, um grupo interdisciplinar de especialistas independentes em direitos humanos, conhecido como GIEI, divulgou um relatório sobre violações de direitos humanos cometidas no contexto da crise em torno das eleições de 2019 na Bolívia.

Entre suas muitas conclusões, o documento de 468 páginas estabelece que as forças de segurança do Estado boliviano cometeram “massacres” após o golpe que levou Jeanine Áñez ao poder em 2019. O relatório inclui uma série de recomendações sobre o tratamento das vítimas, responsabilização dos envolvidos nas violações dos direitos humanos e denuncia a prevalência do racismo generalizado, tanto no Estado como na sociedade boliviana.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos destacou a conclusão do relatório do GIEI de que “graves violações dos direitos humanos ocorreram no Estado Plurinacional da Bolívia, incluindo tortura sistemática, execuções sumárias e violência sexual e de gênero, durante o após a crise eleitoral de 2019”.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que é formalmente um apêndice da OEA, mas goza de autonomia em relação ao gabinete do secretário-geral da OEA, também apoiou as conclusões e as recomendações do GIEI. Foi a CIDH, sob a liderança do ex-secretário executivo, Paulo Abrão, que pressionou o governo de Áñez a aceitar a criação de um grupo independente de especialistas para investigar violações de direitos humanos.

O apoio da CIDH ao relatório GIEI foi inequívoco. Seu presidente e dois vice-presidentes falaram na cerimônia de 17 de agosto em La Paz, na qual o relatório foi apresentado formalmente ao presidente boliviano, Luis Arce. Para Abrão, que também esteve presente através de uma chamada virtual, a publicação do relatório deve ter sido uma espécie de reivindicação.

México: ultradireita inicia cruzada contra López Obrador

# Publicado em português do Brasil

Reunião entre ultraconservadores mexicanos e do Vox espanhol aponta para uma articulação internacional contra o governo do país. Sob o espantalho de “conter comunismo”, investem para arregimentar empresariado, judiciário e mídia

Francesco Manetto, no El País Brasil | em Outras Palavras

Uma reunião, uma foto, e abriu-se a caixa de Pandora. O líder do partido ultradireitista espanhol Vox, Santiago Abascal, aterrissou há 10 dias na Cidade do México, onde se reuniu com senadores do conservador Partido Ação Nacional (PAN) e inclusive com dois políticos do centrista Partido Revolucionário Institucional (PRI). O encontro desatou um vendaval nas duas agremiações, que fazem oposição ao Governo centro-esquerdista de Andrés Manuel López Obrador. O PAN afastou o operador político que organizou o ato, e o PRI se desvinculou completamente de qualquer acordo com o Vox. Abascal chegou procurando adesões à chamada Carta de Madri, uma espécie de manifesto “em defesa da liberdade na esfera ibérica”. Ou seja, o germe de uma guerra cultural, uma cruzada que ele pretende travar na região agitando o espantalho de uma suposta ameaça comunista.

O PAN é uma organização conservadora que abriga algumas vozes e setores radicais, mas em seu conjunto os especialistas não o consideram comparável ao Vox, fundado em 2013 justamente como cisão de uma força neoliberal com ideário mais amplo, o Partido Popular, com o qual depois, entretanto, viria a pactuar. A pergunta é se há no México de López Obrador espaço eleitoral para a extrema direita e para um discurso autoritário que vá além de manifestações pontuais. E quem pode encarnar essa retórica, que quase sempre anda de mãos dadas com o fanatismo religioso e o ultracatolicismo. Francisco Abundis, diretor da consultoria de análise de opinião Parametría, vê o país resistente a essa tendência. “Política e religião não costumam se misturar. De saída, o mexicano não gosta de juntar as duas coisas”, afirma. Além disso, os dados indicam que, mesmo no caso de cidadãos crentes e praticantes, o percentual de eleitores disposto a seguir as instruções de um sacerdote é reduzido. Essa predisposição é menor, ao menos entre os católicos, aponta Abundis.

Portugal | Rendilhadas Rentistas Rendas & Rendeiros

Joana Amaral Dias* | Diário de Notícias | opinião

Rendeiro, Salgado ou Berardo demonstram ad nauseum como a justiça portuguesa não quer prender criminosos de colarinho branco. De preferência, deixa-os por aí a exercer os seus muitos direitos e várias garantias enquanto gatunos de algibeira sobrelotam as prisões portuguesas. Já o peixe graúdo comete crimes, nunca devolve os milhões que esbulhou e continua em liberdade.

Vejamos o ilustrativo caso de João Rendeiro. Em julho de 2020, foi finalmente condenado a quase seis anos de prisão efectiva pelos crimes de falsidade informática e falsificação de documentos. Esta decisão não admitia recurso. Era definitiva. A única coisa que o réu podia fazer era um pedido de clarificação ao tribunal constitucional. Claro que o ex-banqueiro aproveitou.... E quando finalmente esse tribunal Superior respondeu foi para inglês ver, só pode, até porque o condenado, entretanto, pirou-se e passeia-se alegremente por Londres, em cujo nevoeiro talvez encontre Vale e Azevedo que também se escapuliu para essa cidade. Bom, relativamente ao antigo chefe do BPP, em rigor, nem sequer se pode afirmar que fugiu. Realmente, mesmo com a tal condenação sem recurso, nenhuma autoridade andava no seu encalce, nem foi mudada a medida de coação, nem foi emitido um mandato de prisão.

Afinal, já foi há mais de uma década que o banco de Portugal, "depois de verificada a inviabilidade dos esforços de recapitalização e recuperação desta instituição", decretou o fim do Banco Privado Português" e que, logo de seguida, a polícia judiciária conduziu buscas nas casas de ex-responsáveis dessa instituição. Depois de correr muita tinta nos tribunais e nos jornais, após o Estado ter injectado muito dinheiro dos nossos impostos para salvar o dito BPP, o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu a tal condenação de João Rendeiro. Então, se essa decisão foi tomada de facto e de direito há mais de um ano, como foi possível decorrer todo este tempo, deixar uma sentença judicial definitiva por cumprir e permitir que, calmamente e sem qualquer contrariedade, João Rendeiro saísse do país? Só se pode concluir que as autoridades queriam mesmo que a sentença fosse às malvas e que o banqueiro fosse à sua vida.

Vejamos (e só para recordar esta recta final) - depois do tribunal constitucional ter indeferido a solicitação de Rendeiro, a coisa transitou em julgado em Setembro, tendo que depois passar para o Tribunal Supremo que, por sua vez, manda-a para o Tribunal da Relação que, por fim, mandá-la-á para o tribunal de primeira instância. Só depois de todo este rally-paper onde Kafka se cruza com os Monty Python , é que (talvez) prendessem Rendeiro. Tarde demais.

Claro que há muito a resolver como terminar com o efeito suspensivo dos recursos a partir da decisão da segunda instância ou usar os milhões gastos no Citius para impedir que os processos rodopiem nos tribunais adiando o cumprimento das sentenças. Mas sem uma revisão profunda ao nosso processo penal garantístico, que oferece aos ricos ou influentes vias verdes e cartas em branco, pouco mudará. Aliás, num outro processo João Rendeiro também já foi condenado em primeira instância. Talvez a minha neta por nascer escreva a história da respectiva saga de recursos para os tribunais superiores. Quem a lerá?

*Psicóloga clínica. Escreve de acordo com a antiga ortografia

Portugal | Polícia fardado assaltado no multibanco

Sindicato fala de "ataque gravíssimo ao Estado de Direito"

Um chefe da PSP foi golpeado num braço, sem gravidade, ao tentar defender-se de um roubo quando fazia um depósito bancário em trabalho, numa caixa multibanco em Moscavide. Sindicato dos Profissionais de Polícia fala em "ataque gravíssimo ao Estado de Direito"

Um chefe do Comando da PSP, do núcleo financeiro, foi assaltado esta sexta-feira, depois de almoço, enquanto fazia um depósito bancário, em serviço, numa caixa multibanco, em Moscavide.

Segundo informa o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, o elemento da polícia deslocava-se fardado quando foi vítima de roubo. Desarmado, ao tentar defender-se acabou por ser golpeado num braço, sem gravidade.

O crime, com recurso a arma branca, foi cometido por três suspeitos que após o roubo "fugiram do local em viatura ali pronta para esse fim", informa ainda o comunicado.

"Não obstante a oposição do polícia, não conseguiu evitar o roubo. A PSP de imediato desenvolveu e prossegue diligências com vista à identificação dos suspeitos, sendo o ilícito comunicado à autoridade judiciária", informou a ainda o Comando Metropolitano de Lisboa.

Sindicato dos Profissionais da Polícia fala em "ocorrência gravíssima"

Mário Andrade, presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), sustenta ao Expresso acreditar tratar-se de um crime premeditado. "É muito estranho saber-se que vai ali um elemento policial fardado e o que ele vai fazer", explica, assim como confessa ser pouco comum um agente ir desarmado fazer depósitos de dinheiro da PSP.

"Mas não deixa de ser gravíssimo assaltar-se um elemento policial fardado. Não é grave, é gravíssimo. É um ataque ao Estado de Direito", acrescentou o dirigente sindical.

Joana Ascensão | Expresso

Portugal | PRR a mais nas autárquicas?

Manuel Carvalho Da Silva* | Jornal de Notícias | opinião

A construção do poder local democrático tal como o temos hoje estruturado e consolidado na sua missão foi, sem dúvida, uma das grandes conquistas que o 25 de Abril propiciou aos portugueses.

Rapidamente se tornou num dos principais pilares para o progresso que Portugal alcançou em indicadores relativos a direitos fundamentais como a saúde, o ensino e a proteção social. No plano do exercício da política, o poder local é, provavelmente (embora não em todas as suas práticas), o espaço mais vivo da democracia. Este facto torna as eleições autárquicas muito importantes. Elas são sempre um momento oportuno para se identificarem novos desafios ao nível de cada freguesia e concelho; para inventariar e definir políticas nacionais que abram horizontes às políticas locais; para analisar défices e potencialidades detetados no plano da articulação dos poderes, por forma a que estes sejam eficazes.

O Governo e, em particular, o primeiro-ministro - dado o peso da sua palavra - têm colocado o Programa de Reestruturação e Resiliência (PRR) com enorme presença na campanha eleitoral em curso. A sua presença seria sempre inevitável e necessária no atual contexto, por três factos fundamentais: primeiro, a democracia ou é exercida e revitalizada constantemente com programas políticos que se renovam para satisfazer objetivos e justos anseios das populações, ou estiola e morre; segundo, o PRR tem duas dimensões de enorme interesse para o poder local, a habitação e a saúde e educação; terceiro, a Administração Pública tem dimensões centrais e locais que se devem articular devidamente para serem eficazes. Contudo, o PRR é (no essencial bem) um conjunto de políticas limitadas e dirigidas. Pedir-lhe o que ele não poderá dar significa gerar falsas expectativas nas populações.

Ataque com facada a Bolsonaro na campanha eleitoral foi farsa?

Fakeada? Alexandre Frota quer investigar "farsa" do atentado a Bolsonaro

Documentário que levanta a possibilidade do ataque de 6 de setembro de 2018 ter sido forjado encaixa nas suspeitas do deputado que já pediu uma CPI. Carlos Bolsonaro é figura central do caso, segundo o filme

O deputado brasileiro Alexandre Frota pediu na segunda-feira, dia 13, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a facada de que Jair Bolsonaro foi alvo no dia 6 de setembro de 2018, um dia e um mês antes da primeira volta da eleição presidencial daquele ano. Motivou o pedido de Frota, um ex-bolsonarista hoje no PSDB, de centro-direita, um documentário lançado na véspera a levantar a possibilidade de o atentado ter sido forjado pelo próprio candidato.

"A investigação deixa muitas dúvidas, muitas perguntas sem respostas e temas que deviam ter sido investigados mais a fundo, por isso, seria muito importante que essa CPI fosse adiante", disse Alexandre Frota ao DN. "Fiz o meu dever como deputado, o documentário levanta algumas suspeitas que eu já tinha, inclusivamente, porque essa investigação não prosseguiu como deveria ter prosseguido", continua o ex-ator, que chegou a tentar visitar Bolsonaro no dia do atentado, sem sucesso.

O documentário em causa foi exibido no site Brasil 247 sob o título "Bolsonaro e Adélio, Uma Fakeada no Coração do Brasil, referindo-se aos nomes do agredido e do agressor e utilizando um jogo de palavras entre "facada" e "fake".

O ataque a Bolsonaro ocorreu em Juiz de Fora, cidade do estado de Minas Gerais, durante um ato de campanha. Atingido no abdómen, o candidato foi atendido logo depois na Santa Casa da Misericórdia da localidade e, mais tarde, transferido para o hospital israelita Albert Einstein, em São Paulo. O autor do atentado, Adélio Bispo de Oliveira foi preso em flagrante e está, desde 2019, numa prisão de alta segurança na cidade de Campo Grande.

África falha objectivo de vacinar 40% da população em 2021

Das 6 mil milhões de doses distribuídas ao nível global, apenas 2% foram aplicadas no continente; países de rendimento alto administraram 48 vezes mais doses do que os de rendimento baixo

A Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou que África tem um défice de cerca de 500 milhões de doses para alcançar o objectivo global: vacinar totalmente 40% da população até ao final deste ano.

Esta escassez acontece numa altura em que os casos da Covid-19 atingem os 8 milhões e a iniciativa global Covax reduziu, em 150 milhões, as entregas ao continente.

Com o corte, a expectativa é que o mecanismo de vacinas entregue, ainda este ano, 470 milhões de doses, para 17% da população, muito abaixo da meta de 40%.

Entretanto, cerca de 95 milhões de doses adicionais devem chegar ao continente, via Covax, ao longo de Setembro. Mas, mesmo com o aumento das entregas, o continente conseguiu garantir vacinação completa para apenas 50 milhões de pessoas, ou 3,6% da sua população.

Até ao dia 14 deste mês, houve registo de 8.06 milhões de casos de Covid-19 em África, cerca de 125 mil novos casos na semana passada. Apesar da diminuição de 27% em relação à semana anterior, 19 países continuam a relatar um número alto ou crescente de casos.

As mortes diminuíram 19%, para 2.531, na semana até 12 de Setembro. A variante Delta, considerada altamente transmissível, foi encontrada em 31 nações africanas, a Alfa em 44 e a Beta em 39.

Expresso das Ilhas (cv) | ONU News

São Tomé e Príncipe: PM promete remodelar o Governo

Jorge Bom Jesus promete "lealdade e abertura" no relacionamento com o novo chefe de Estado de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, que venceu a segunda volta das últimas presidenciais, a 5 de setembro.

O primeiro-ministro são-tomense confirma que vai remodelar a atual estrutura governativa depois da saída, por razões de saúde, de Óscar de Sousa, anterior tutelar da pasta da Defesa e Ordem Interna.

Circulavam rumores em São Tomé de um suposto envolvimento na preparação de uma alegada intentona. Jorge Bom Jesus afirma que a decisão faz parte das dinâmicas dos governos e não apenas por força dos resultados das últimas eleições presidenciais que deram vitória a Carlos Vila Nova, fiel à Acão Democrática Independente (ADI), principal força da oposição. 

"No próximo ano, teremos as eleições legislativas. Faltará ao Governo, sensivelmente, um ano de governação até às eleições legislativas e vamos tentar modelar o Governo, talhá-lo para os próximos 12 meses e, em função disso, naturalmente a área da Defesa", prometeu.

Falta de recolha de lixo causa mais surtos de malária em Angola

Falta de recolha do lixo ganha contornos preocupantes em Ndalatanto

Os populares da cidade de Ntalatando mostram-se preocupados com a falta de saneamento básico. Os moradores acusam o poder local de se preocupar com o povo só quando vai receber visita do Governo central.

A população da capital provincial do Kwanza Norte, Ndalatando, acusa o poder local de limpar a cidade só quando recebe a visita de um governante ou dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder. De acordo com a comunidade local, durante esta semana as autoridades locais trabalharam arduamente na limpeza e manutenção da cidade só para receber a visita do Presidente de Angola, João Lourenço.

"Nos últimos dias trataram os jardins, pintaram os edifícios e fizeram manutenção nas principais vias só para tentar mostrar ao Presidente que estão a desenvolver a cidade", disse à DW um dos citadinos de Ndalatando, neste sábado (18.09), Dia Mundial da Limpeza.

Os amontoados de lixo em várias esquinas dos bairros de Ndalatando, que dista a 256 quilómetros de Luanda, está a preocupar os moradores. Em resposta, a administração municipal de Cazengo diz que o problema tem a ver com a falta de meios técnicos e humanos para a recolha de lixo.

Ouvido pela DW, João Pedro Miguel, morador do bairro Vieta, diz que os amontoados de lixo em Ndalatando, são "principais postais" de visita da cidade, o que desagrada os moradores que temem doenças e queixam-se de mau cheiro.

"Estamos a ver os amontoados de lixo a invadir as instituições públicas, o exemplo concreto é a escola do ensino primário número 50, no bairro Vieta e tantas outras, onde o lixo está em todo lado, as pessoas até já passam a rasca", disse o morador desapontando com a situação.

Angola | Manifestação contra a pobreza no Dia do Herói

No Dia do Herói Nacional, jovens saíram às ruas no Bengo para exigir melhores condições de vida, combate à fome, à pobreza e ao elevado custo de vida. "O mais importante é resolver os problemas do povo", lembram.

Foi com o slogan "nós queremos luz, água, saúde e educação” que manifestantes na zona de Panguila, província angolana do Bengo, chamaram a atenção dos governantes esta sexta-feira, (17.09.), Dia do Herói Nacional.

Numa marcha pacífica, que contou com o asseguramento da Polícia Nacional, frases como "basta de promessas falsas, nos prometeram e não estão a cumprir. Por que?" constavam dos panfletos dos manifestantes.

Os jovens foram às ruas no dia em que se homenageia o primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, para se cumprir com as palavras do herói nacional de que "o mais importante é resolver os problemas do povo".

Um dos manifestantes disse à DW África que a falta de condições mínimas de vida na sua comunidade o motivou a juntar-se à marcha: "Somos tratados como cabritos. As nossas crianças crescem mal. Não temos direito à informação, direito ao hospital, escola e água". 

Tropas da SADC ajudam a desmantelar base rebelde

MOÇAMBIQUE

As forças militares da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) anunciaram o desmantelamento de uma base rebelde em Cabo Delgado, em que foram apreendidas várias armas e resgatadas três mulheres idosas.

"A Missão da África Austral (SAMIM, sigla inglesa) em apoio às Forcas Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) lançaram no dia 14 de setembro uma operação ofensiva e capturaram uma base fortificada dos rebeldes Al Sunnah wa Jama'ah (ASWJ, uma das designações do movimento insurgente) a sul do rio Messalo", lê-se em comunicado.  

A SAMIM diz que a base Sheik Ibrahim foi usada como um campo de treino onde agora foram apreendidas armas "deixadas para trás pelos rebeldes", incluindo armamento pesado. 

"As forças da SAMIM também encontraram um manancial de livros de treino militar, conteúdos em vídeo e dispositivos de comunicação. Esta descoberta fornecerá mais informações sobre as operações do grupo insurgente e dará aos países da SADC indicações sobre o nível de ameaça de terrorismo e extremismo na região", sublinha-se no documento. 

sábado, 18 de setembro de 2021

Nord Stream 2: o mercado prevaleceu sobre a extorsão

# Publicado em português do Brasil

Hedelberto LópezBlanch* | Rebelión 

Durante três anos, as administrações dos Estados Unidos fizeram de tudo para impedir a construção do gasoduto Nord Stream 2 enquanto tentavam impor sua política hegemônica ultrapassada, em um mundo globalizado cujas nações observaram que as leis do mercado e da economia podem superar qualquer obstáculo.

Desde 2017, quando os primeiros investimentos e assinatura de acordos começaram a realizar um segundo gasoduto da Rússia à Alemanha, (com o primeiro Nord Stream concluído em 2012, grandes benefícios foram alcançados), o ex-presidente dos EUA Donald Trump lançou uma série de " sanções "contra a Rússia e as empresas que aderirem ao projeto, enquanto pressiona as autoridades alemãs e europeias a desistirem de realizar a obra.

Seu sucessor, Joe Biden, continuou com a mesma política, mas no final teve que desistir porque, de acordo com a porta-voz da Casa Branca Jen Psaki, "os Estados Unidos não tinham como impedir o Nord Stream 2, que já estava quase 95% concluído". .

De qualquer forma, as últimas extorsões do Departamento do Tesouro foram impostas em junho contra 13 navios russos e três entidades, incluindo um serviço de resgate marítimo, por sua participação nessa construção, mas também não foram eficazes para impedir a obra.

O governo federal alemão emitiu várias declarações em relação às pressões de Washington e numa das mais recentes, assinalou que "rejeita as sanções por as considerar uma ingerência na soberania europeia", já que nessa obra "mais que cem empresas da Europa que cumprem a legislação em vigor ”.

Em 10 de setembro, a empresa russa Gazprom anunciou que o gasoduto havia sido concluído, que o projeto aumentaria as capacidades de entrega do Nord Stream 1 e dobraria o fornecimento de gás natural para a Alemanha.

Produtos farmacêuticos pagam impostos baixos...

Produtos farmacêuticos pagam impostos baixos, apesar de seus grandes lucros com as vacinas COVID-19

# Publicado em português do Brasil

As empresas farmacêuticas multinacionais Moderna, BioNTech e Pfizer estão obtendo enormes lucros - US $ 26 bilhões - com as vacinas COVID-19, desenvolvidas com dinheiro e apoio público, enquanto deixam milhões de pessoas desprotegidas. “É hora de a reforma do sistema tributário promovida pelo G20 e pela OCDE incluir uma tributação mínima de grandes empresas que fica perto de 25%”, afirmam da People's Vaccine Alliance.

As multinacionais farmacêuticas Moderna, BionTech e Pfizer estão obtendo lucros exorbitantes por causa de seu monopólio sobre as vacinas COVID-19 tecnologia de mRNA com margens de lucro no caso da Moderna ou BionTech em torno de 69%, diz a Alliance People's Vaccine.

Só nos primeiros seis meses deste ano, as três empresas obtiveram lucros de 26 bilhões de dólares, dos quais dois terços são lucros líquidos da Moderna e da BioNTech. De acordo com os dados financeiros do segundo trimestre divulgados recentemente pelas próprias empresas, a People's Vaccine Alliance estima “que a Moderna faturou mais de 6 bilhões de dólares em receitas até agora, dos quais 4,3 bilhões de dólares seriam benefícios líquidos, ou seja , margem de 69% para comercialização das vacinas. A Moderna espera trazer suas vendas totais de vacinas para US $ 20 bilhões até o final de 2021 ”.

Eles não só alcançaram volumes de faturamento muito altos, mas também da People's Vaccine Alliance eles afirmam ter detectado que pelo menos a Moderna e a Pfizer também pagam muito poucos impostos, a Moderna pagou uma taxa global efetiva de imposto corporativo de 7% e a Pfizer de 15% , bem abaixo da taxa nominal estabelecida na maioria dos países onde seu negócio real está localizado, como é o caso dos Estados Unidos onde a taxa nominal do imposto sobre as sociedades é de 21%. “Que essas grandes e lucrativas empresas possam pagar tão pouco é um claro reflexo de um sistema disfuncional que descarrega o esforço de sustentar os gastos públicos com as famílias trabalhadoras, que acabam contribuindo proporcionalmente com muito mais”, destacam da People's Vaccine Alliance .

Na eleição da Alemanha, o centro pode conter queda

# Publicado em português do Brasil

Loren Balhorn | Jacobin

Quando Angela Merkel terminar seu quarto e último mandato como chanceler alemã na próxima semana (26.09), isso realmente marcará o fim de uma era. Embora não seja o chefe de governo que mais atua no país (uma honra ainda reservada ao fundador Otto von Bismarck ), o reinado de Merkel foi notável. Seus dezesseis anos no cargo testemunharam uma ampla consolidação do poder político e econômico da Alemanha, estabelecendo-a firmemente como o poder supremo na União Europeia. Essa ascensão dentro da UE foi acompanhada por um crescimento econômico quase contínuo em casa - impulsionado pelo setor de baixos salários criado pelas reformas neoliberais anteriores do chanceler Gerhard Schröder.

Embora grande parte da Europa tenha lutado para se recuperar da crise financeira de 2008, o PIB alemão recuperou suas perdas em meados de 2011 e registrou números de crescimento trimestrais consistentes desde então. A desigualdade social também aumentou consideravelmente - a Alemanha agora tem o dobro de bilionários do que quando a líder da democracia cristã (CDU) Merkel foi eleita pela primeira vez em 2005 - mas muitos eleitores não parecem se importar. Poucos dias antes de ela deixar o cargo, quase dois terços dos alemães dizem que estão “satisfeitos” com seu desempenho. Os salários podem estar estagnados, mas pelo menos há empregos estáveis ​​e um estado federal que, até agora, parece capaz de lidar com crises (das quais já existiram). O aluguel tornou-se inacessível em muitas áreas urbanas, mas o governo ainda subsidia muitas maneiras de as famílias construírem uma casa nos subúrbios. Resumidamente:

A explicação para o aparente sucesso de Merkel é simples. Ela deu aos eleitores alemães o que eles valorizam mais do que qualquer outra coisa: estabilidade. A CDU sempre integrou alguns trabalhadores à sua coalizão, principalmente os das áreas rurais e pequenos locais de trabalho sem sindicatos. Mas, sob Merkel, o partido se tornou um grande partido de barraca por excelência. Depois de receber um resultado pior do que o esperado em 2005, Merkel se voltou para o centro, recuou de novas reformas no mercado de trabalho e passou a maior parte dos últimos dezesseis anos governando com os social-democratas (SPD). Seu mandato viu uma série de reformas relativamente progressivas, incluindo a legalização do casamento gay e a instituição de um salário mínimo. Embora sua CDU continue sendo um grupo de profissionais de classe média e capitalistas, grandes e pequenos,

Seus oponentes políticos levaram a lição a sério e, à medida que se aproxima a eleição para escolher seu substituto, até mesmo o candidato do SPD, Olaf Scholz, está fazendo o possível para se projetar como um herdeiro digno de seu estilo moderado. Os números das pesquisas sugerem que outra grande coalizão entre a CDU de Merkel e o SPD é quase impossível. Mas seja qual for a combinação de partidos que acabe assinando o próximo acordo de coalizão, as chances são de que serão mais quatro anos de merkelismo - apenas sem Merkel.

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