terça-feira, 2 de junho de 2020

5G - novo campo da corrida aos armamentos


Manlio Dinucci*

Na mesma altura em que o Canadá acaba de autorizar a extradição da filha de um dos dirigentes da Huawei, Meng Wanzhou, para os Estados Unidos, o Serviço de Pesquisa do Congresso está a expor o conteúdo militar da tecnologia 5G.

Na base aérea de Nellis, no Nevada - anuncia o Pentágono - começará em Julho, a construção de uma rede experimental 5G que ficará operacional em Janeiro de 2021. Nesta base ocorreu, no passado mês de Março, o Red Flag, - o exercício aéreo mais importante dos Estados Unidos - com a presença de forças alemãs, espanholas e italianas. Estas últimas também incluiam caças F-35 que - comunica a Força Aérea – foram “integradas com os melhores activos da aviação americana”, de modo a “aproveitar ao máximo o potencial dos aviões e dos sistemas de armas fornecidos”, compreendendo, seguramente as armas nucleares.

No Red Flag 2021, provavelmente já estarão em funções para serem testadas num ambiente real, as redes móveis 5G formadas por torres que podem ser montadas e desmontadas em menos de uma hora para serem transferidas rapidamente, de acordo com as operações em curso. A base de Nellis é a quinta seleccionada pelo Pentágono para testar o uso militar da 5G: as outras encontram-se no Utah, na Geórgia, na Califórnia e em Washington.

Um documento do Serviço de Pesquisa do Congresso (National Security Implications of Fifth Generation 5G Mobile Technologies, de 22 de Maio de 2020) explica que esta tecnologia de transmissão de dados móveis, da quinta geração, pode ter “inúmeras aplicações militares”. Uma delas diz respeito a “veículos militares autónomos”, ou seja, veículos robóticos aéreos, terrestres e navais, capazes de realizar missões de ataque autonomamente, sem sequer serem pilotados à distância.

Dissuasão nuclear existe para que inimigo saiba que agressão contra Rússia terá retaliação


Rússia considera armamento nuclear exclusivamente como meio de dissuasão, sendo que seu uso deve ser feito em caso extremo, de acordo com novas bases da política estatal de contenção nuclear.

De acordo com decreto aprovado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, a política de dissuasão nuclear russa vê como um dos maiores perigos para o país a instalação de armas nucleares em países não nucleares.

"Os principais perigos militares, que de acordo com as mudanças no cenário político, militar e estratégico podem se tornar em ameaças militares para a Rússia e para sua neutralização dos quais existe a dissuasão nuclear, são: a instalação de armas nucleares e seus meios de lançamento no território de países não nucleares", diz o documento, cujo decreto de aprovação foi publicado no Portal Virtual de Informação Jurídica da Rússia.

Os EUA estão em colapso?


Pedro Tadeu | TSF | opinião

Os Estados Unidos tiveram motins por motivos raciais em 1965, na cidade de Los Angeles, por causa da prisão, numa operação stop, do jovem negro Marquette Frye. Ao fim de seis dias contaram-se 34 mortos e quatro mil presos.

Os Estados Unidos tiveram motins por motivos raciais em 1967 em Newark, quando dois polícias brancos e um taxista negro se envolveram em confrontos. Ao fim de cinco dias contaram-se 26 mortos e 1500 feridos.

Os Estados Unidos voltaram a ter motins por motivos raciais nesse mesmo ano de 1967. Foi na cidade de Detroit, após uma rusga policial em bairros de negros. Quatro dias de confrontos somaram 43 mortos e dois mil feridos.

Em 1968, após o assassinato do pastor e pacifista Martin Luther King Jr., líder da luta pelos direitos civis dos negros, a violência irrompeu em 125 cidades dos Estados Unidos. Contaram-se, pelo menos, 46 mortos e 2600 feridos.

Quatro polícias brancos espancaram até à morte um motociclista negro que passou um sinal vermelho numa zona de Miami. Daí resultaram os motins de 1980, que duraram três dias e deixaram 18 mortos e 400 feridos.

Sem solução para o problema dos conflitos raciais, os Estados Unidos voltaram a ter motins nos seis dias seguintes ao 29 de abril de 1992, quando um tribunal absolveu quatro policias, filmados a espancar um operário negro, Rodney King, em 3 de março de 1991. A violência atingiu Los Angeles, São Francisco, Las Vegas, Atlanta e Nova Iorque. Houve 59 mortos e 2.328 feridos.

A corrosão não parou e os Estados Unidos voltaram a ter motins por motivos raciais em abril de 2001, quando um jovem negro de 19 anos, Timothy Thomas, foi morto em Cincinnati por um polícia branco, durante uma perseguição. Os quatro dias de violência subsequentes causaram 70 pessoas feridas.

Rotineiramente, os Estados Unidos voltaram a ter motins por motivos raciais após a morte, em 2014, de um jovem negro de 18 anos, Michael Brown, baleado por um polícia branco em Ferguson, no Missouri. Foram dez dias de confrontos em agosto, que se repetiram em novembro, quando a acusação ao agente da autoridade foi retirada.

Como se nada tivesse mudado, os Estados Unidos voltaram a ter motins por motivos raciais em 2015 , após a morte de Freddie Gray, um jovem negro de 25 anos, filmado a ter uma discussão com um policia, antes de ser hospitalizado com o pescoço partido.

Como era de esperar, rebentaram manifestações violentas em Charlotte, Carolina do Norte, em setembro de 2016, após a morte de Keith Lamont Scott, 43 anos. Segundo a versão policial, Scott foi morto por um tiro por se recusar a soltar uma arma de fogo. Os membros de sua família afirmaram que ele só tinha um livro nas mãos.

Já ninguém pode espantar-se por há cinco dias os Estados Unidos da América terem voltado aos motins por motivos raciais, na sequência da morte do negro George Floyd, de 46 anos, depois de ter sido detido sob suspeita de ter tentado usar uma nota falsa de 20 dólares num supermercado de Minneapolis. Floyd foi filmado, durante oito minutos, deitado no chão com o joelho de um polícia em cima do pescoço. Floyd avisou que não conseguia respirar. Morreu no hospital. Já há, na sequência dos confrontos em múltiplas cidades, pelo menos, cinco mortos.

A violência racial nos Estados Unidos é crónica, já não surpreende ninguém, tal como não surpreende que o país tenha 2 milhões e 200 mil presos, tal como não surpreende que a taxa de negros metidos nas cadeias seja seis vezes superior ao número de cidadãos brancos presos.

Como há cerca de 11 milhões de prisioneiros no mundo, os Estados Unidos, com o seu recorde de encarcerados, contam 20% da população prisional de todo o planeta, quando só têm 4,3% da população mundial.

Os Estados Unidos incorporaram no seu modo de vida o crónico problema do racismo, da violência policial, da violência das armas, dos motins raciais.

Por isso, será de esperar que os Estados Unidos sobrevivam aos atuais motins raciais, tal como sobreviveram aos 10 motins que anteriormente recordei.

Bom, há uma particularidade nos dias de hoje que torna a situação um pouco diferente: é que esta crise social acontece ao mesmo tempo em que a COVID-19 mata mais de 104 mil norte-americanos, o desemprego atinge o valor recorde de 40 milhões de pessoas, a economia está em enormes dificuldades, o presidente Trump divide o país ao meio... Parece o colapso de um império!

São muitos problemas graves, a acontecerem todos ao mesmo tempo, e ninguém prevê que os próximos anos venham a facilitar as coisas, nem aos Estados Unidos, nem ao resto do mundo, nem, por consequência, a nós, aqui, em Portugal.

Estou, portanto, pessimista, e é muito mau começar a semana assim...

De joelhos ou a marchar. Polícias juntam-se a manifestantes em protestos nos EUA


Milhares de manifestantes em vários pontos dos Estados Unidos ajoelharam-se durante protestos, acompanhados por polícias, num gesto simbólico desde que George Floyd morreu, deitado no chão, com o joelho de um polícia sobre o pescoço.

Apesar de poder ter sido o motivo da morte do cidadão afro-americano George Floyd em Minneapolis (Minnesota) há uma semana, o movimento de ajoelhar-se tornou-se símbolo de protesto contra o racismo e a violência policial contra cidadãos afro-americanos desde um jogo de futebol americano há quatro anos.

A 26 de agosto de 2016, o jogador e ativista Colin Kaepernick ficou ajoelhado durante o hino nacional, gesto que foi considerado por alguns setores altamente ofensivo e desadequado para a cerimónia que antecedeu um jogo.

"Não me vou levantar para mostrar orgulho por uma bandeira de um país que oprime negros e pessoas de cor", disse Kaepernick, que na altura integrava a equipa San Francisco 49ers.

"Para mim, isto é mais do que futebol e seria egoísta da minha parte olhar para o lado", acrescentou, em declarações à imprensa.

Morreram mais 12 pessoas e há mais 195 infetados com covid-19 em Portugal


Há mais 12 vítimas mortais por covid-19 nas últimas 24 horas em Portugal. O total de mortes é agora de 1436. O número de infetados subiu mais 195 num dia.

De acordo com o boletim desta terça-feira da Direção-Geral da Saúde, nas últimas 24 horas foram registados menos mortes e menos infetados do que no dia anterior. Esta terça-feira foram registadas mais 12 vítimas mortais pelo novo coronavírus (um total de 1436) e mais 195 infetados (um total de 32895).

Há ainda mais 317 recuperados (ontem eram 143). Desde o início da pandemia, 19869 recuperaram da doença. De acordo com António Sales, secretário-geral da Saúde, a taxa de recuperados é de 60,4%.

Há menos seis pessoas nos cuidados intensivos face a segunda-feira: são 58 no total. Quanto aos casos internados, há 432 doentes com covid-19 nos hospitais portugueses.

No que toca às regiões, ontem não foi registado qualquer caso positivo no Norte, mas esta terça-feira há mais 29 infetados (16789 no total). Lisboa e Vale do Tejo tem mais 158 doentes com covid-19, sendo uma das zonas em Portugal Continental que continua a registar uma evolução positiva no número de infetados (11493 no total). No Centro, há 3753 doentes (mais seis infetados). Alentejo tem 260 casos e o Algarve regista 372 doentes de covid-19.

No arquipélago dos Açores há 137 doentes com o novo coronavírus e 91 infetados na Madeira. O número de vítimas mortais nas ilhas não se alterou face ao dia anterior.

Os municípios com maior número de infetados são Lisboa (2447), Gondomar (1083), Braga (1225), Loures (1089), Matosinhos (1281), Porto (1358), Sintra (1355) e Gaia (1578).


Nas faixas etárias, as idades mais afetadas são as superiores aos 80 anos com 966 mortes. Nos doentes com menos de 50 anos, morreram 17 pessoas no total. Os menores de 40 anos continuam a registar apenas três vítimas mortais.

Jornal de Notícias

Portugal | Não aprendem nada


João Rodrigues* | opinião

Houve um tempo em que o Estado tinha centros mais robustos de apoio técnico à decisão política nos ministérios, com gente experiente e conhecedora, pensando estrategicamente para lá da espuma dos dias.

Estou a pensar, por exemplo, no Gabinete de Estudos Básicos de Economia Industrial (GEBEI) do Ministério da Indústria. O GEBEI de João Cravinho ou Félix Ribeiro foi destruído pelo cavaquismo. Não foi obviamente o único caso de esvaziamento deliberado da capacidade estatal, mas foi um caso recentemente estudado.

O Estado não precisava de política industrial digna desse nome e os estudos podiam ser de qualquer forma encomendados a peso de ouro aos Porters e às consultoras dos powerpoints desta dependente e medíocre vida. As leis podiam ser feitas em grandes escritórios de advocacia de negócios e assim sucessivamente.

Lembrei-me deste padrão a propósito da contratação de António Costa Silva, desta feita a custo zero, para definir a política de investimento para a recuperação ou lá o que é. Como se uma estratégia pudesse ser definida desta forma, em desgarrado modo individual de toca e foge, apenas porque parece que o Primeiro-Ministro ficou impressionado com umas intervenções geopolíticas deste alto quadro do capitalismo fóssil.

Não aprendem mesmo nada. É que aprender dá muito trabalho político-institucional.

*João Rodrigues em Ladrões de Bicicletas – 1 de Junho de 2020

Na imagem: António Costa e Silva

Portugal | A Segurança Social é dos trabalhadores


O sistema público universal e solidário de segurança social vem de Abril e dos seus valores, projectando-se como um pilar fundamental da qualidade de vida dos trabalhadores portugueses.

Manuel Guerreiro | AbrilAbril | opinião

É preciso saber-se de onde se vem para se ir para onde se quer. Pode parecer uma daquelas afirmações próprias de «dinossauros» a que, nos tempos em que vivemos, muitos poucos ligarão alguma coisa. Na verdade, o que está a dar é exigir tudo para receber muito, pouco interessa de onde vem, quem pagou ou vai pagar.

As televisões, rádios e jornais estão, a toda a hora, cheias de gente que reclama contribuições a fundo perdido, para compensar as empresas dos prejuízos pela quebra da actividade ou encerramento durante o confinamento; mais a dispensa das contribuições sociais; a redução do IVA; o alargamento dos prazos para pagarem os impostos e empréstimos vencidos; mais e mais lay-off para os trabalhadores receberem menos um terço do salário e a segurança social pagar 70% dos restantes dois terços, e mais, e mais… tudo quanto vier é ganho.

Os capitalistas são os «donos privados»: do título de propriedade; da transferência e realização de mais valias; de negócios rendosos; lucros e benesses e, através dos governos socializam – põem-nos todos a pagar – os eventuais prejuízos e os investimentos de capital necessários à recuperação das empresas, de que são exemplos mais badalados o Novo Banco e a TAP.

Portugal | Costa e Silva? É voltar a "grandes investimentos" em combustíveis fosseis


Joacine Katar Moreira considerou hoje que o primeiro-ministro está a "voltar aos 'tempos áureos'" dos "grandes investimentos" em combustíveis fósseis, devido à escolha de António Costa e Silva para conduzir um estudo sobre a recuperação da economia.

"Parece claro que o primeiro-ministro [o socialista António Costa] está a tentar voltar aos 'tempos áureos' em que grandes investimentos em infraestruturas dinamizavam economias assentes na exploração dos combustíveis fósseis", explicitou a deputada não inscrita, em comunicado divulgado hoje, sobre a decisão do Governo de escolher o presidente executivo da petrolífera Partex, António Costa e Silva, para conduzir um estudo sobre a recuperação da economia, na sequência da pandemia.

A deputada não inscrita sublinhou que a intenção do chefe do Governo para recuperar a economia nacional "parece ignorar a proposta promovida por pessoas e organizações de múltiplos setores da sociedade e das mais variadas áreas de atuação, o 'Manifesto por uma Recuperação Económica Justa e Sustentável'" em Portugal.

"A lógica subjacente é semelhante à do passado, focando-se numa recuperação económica mais ou menos verde, enquanto se recusa reconhecer a necessidade de uma mudança profunda de paradigma", prosseguiu a eleita (ex-Livre).

Joacine Katar Moreira realçou que a decisão do primeiro-ministro "faz 'tábua rasa' de algumas preocupações já manifestadas por cidadãos e diversos especialistas" relacionadas com o "futuro do planeta, severamente ameaçado pelo paradigma económico vigente".

Por isso, é "indispensável romper com um discurso, e seus agentes, que colocam 'a economia' acima da dignidade humana, do equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade, indissociáveis da nossa existência enquanto espécie".

George Floyd | EUA vivem "crise moral, além de socioeconómica"


O ator luso-americano Dinarte de Freitas, que viu os protestos sobre a morte de George Floyd chegarem ao seu bairro, em Los Angeles, disse que a situação espelha a crise e a discussão necessária nos Estados Unidos.

"Eu temo por este país", disse à Lusa o ator. "Neste momento, a América sofre uma crise moral, além de socioeconómica. Tudo isto a acontecer no meio de uma pandemia, a seis meses de uma eleição. O mundo está em convulsão", acrescentou.

Dinarte de Freitas, conhecido pelo personagem Pedro da série "The Gifted" e que entrou na 3.ª temporada de "Stranger Things", disse esperar que a situação acalme e os protestos ajudem à mudança. "Pelo menos que se continue esta conversa mas de uma forma pacífica, e que estes grupos extremistas que andam a incentivar à violência e ao vandalismo possam ser identificados e exista uma ação para os deter".

Depois de um fim de semana de grande agitação, em que o ator se viu envolvido num confronto entre manifestantes e a polícia, que disparou balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar a população, os ânimos não acalmaram.

"Há ambulâncias e helicópteros cá fora", descreveu. "Os protestos voltam a ser aqui perto de casa. Vi muitas pessoas a taparem as fachadas dos negócios e restaurantes", afirmou.

Los Angeles decretou recolhimento obrigatório nos últimos dias, com a Guarda Nacional a patrulhar as ruas perante protestos que terminaram em vandalismo e pilhagens. O ruído de helicópteros da polícia a sobrevoarem a cidade tem sido constante e foram detidas mais de duas mil pessoas.

"Os protestos começaram de forma pacífica, inclusivamente vi grupos étnicos com trajes dos países a dançar, vi pessoas que estavam calmamente a passar", disse Dinarte de Freitas. "Há a ideia que existem grupos extremistas dentro dos protestos que estão a tentar criar o caos e de certa forma afastar o foco da conversa que as pessoas querem ter", sublinhou.

Neste bairro conhecido como Miracle Mile, perto de Beverly Hills, o supermercado Trader Joe's foi invadido e houve uma tentativa de o incendiar, o Whole Foods foi pilhado, as lojas de departamento Nordstrom no espaço The Grove foram saqueadas, um carro da polícia ardeu e uma loja de "vaping" foi vandalizada, entre outros incidentes.

"Muitas das lojas ainda não tinham tido a oportunidade de reabrir ao público" depois do confinamento causado pela covid-19, disse o ator. "Muitos são negócios pequenos. Nas fachadas puseram cartazes a dizer esta loja pertence a um imigrante ou a alguém de uma minoria, de forma a evitar que vandalizem a propriedade".

Com as dificuldades do confinamento e os prejuízos causados pelo vandalismo, há o receio de que muitos destes pequenos comerciantes "depois não consigam voltar ao trabalho".

Ainda assim, o ator referiu que quando saiu de casa após uma noite de confrontos viu "muitos jovens de várias etnias a limparem as fachadas e os estragos, muitos com vassouras e pás, entre negros, latinos e brancos a ajudar", descreveu. "Isso foi especial de ver", concluiu.

No meio das manifestações, Dinarte de Freitas assistiu a um sentimento de "muita frustração" por parte dos jovens afro-americanos, netos de pessoas que viveram o tempo da segregação, "uma tristeza profunda quase que geracional".

"Consegue-se perceber a raiva nestes jovens", disse, acrescentando: "Não acredito que seja uma raiva contra o branco em si, é uma raiva contra a forma como são tratados, a falta de oportunidades, o económico e social".

O cenário que se vive em vários pontos do condado de LA, que atingiu desde a baixa até Santa Mónica, Beverly Hills e Long Beach, é semelhante ao que se verifica em diversos estados e levou o Presidente, Donald Trump, a fazer uma comunicação ao país.

O chefe de Estado, falando em Washington, D.C., apelou aos governadores dos estados afetados que controlem a violência e disse que se não o fizerem irá convocar o exército para repôr a normalidade.

O ator considerou também é preciso ter bom senso quando o polícia dá uma ordem: "No meio das pessoas boas também existe o chamado oportunista, que são estes grupos extremistas que podem ter uma arma, algo que possa magoar o polícia, e temos uma situação de caos completo".

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Reuters

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EUA | Pelo menos 5.600 pessoas detidas desde início dos protestos por Floyd


Pelo menos 5.600 pessoas foram detidas nos Estados Unidos desde o início dos protestos contra a morte do afro-americano George Floyd às mãos da polícia, segundo a agência de notícias Associated Press.

As detenções tiveram lugar sobretudo em cidades em que as manifestações se tornaram mais violentas e num momento em que a polícia e os governadores são instados pelo Presidente, Donald Trump, a endurecer as ações para reprimir os protestos.

Em Minneapolis, onde Floyd morreu, foram efetuadas 155 detenções, 800 em Nova Iorque e mais de 900 em Los Angeles.

A indignação foi sentida um pouco por todo o país. De Nova Iorque a Los Angeles, de Filadélfia a Seattle, centenas de milhares de norte-americanos têm-se manifestado contra a brutalidade policial, o racismo e a desigualdade social.

As manifestações terminaram muitas vezes em confrontos com a polícias, em pilhagens e tumultos, levando várias cidades a mobilizar a Guarda Nacional e a impor o recolher obrigatório.

George Floyd foi assassinado às mãos da polícia norte-americana, devido à pressão feita no seu pescoço, e o afro-americano estava sob o efeito de drogas, concluiu o médico legista responsável pela autópsia.

O afro-americano de 46 anos teve uma "parada cardíaca e pulmonar" por causa da forma como foi imobilizado pela polícia, indicou em comunicado, esta segunda-feira, o médico legista do condado de Hennepin.

No relatório, listou "outros parâmetros importantes: arteriosclerose e pressão alta; envenenamento por fentanil [um opiáceo]; uso recente de anfetaminas".

George Floyd, suspeito pela polícia de falsificar uma nota falsificada de 20 dólares (18 euros), morreu quando foi detido em Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, há uma semana.

De acordo com imagens que já percorreram o mundo, um agente manteve-o imobilizado no chão, ajoelhado sobre o seu pescoço por quase nove minutos.

O polícia, Derek Chauvin, 44, foi demitido, detido e acusado de homicídio. Os três outros agentes presentes no momento dos eventos também foram despedidos, mas não foram até ao momento sujeitos a qualquer acusação.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Reuters /  Eric Miller


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A pandemia é um portal de entrada


Como o coronavírus ameaça a Índia, o que o país e o mundo deveriam fazer

Arundhati Roy [*]

Quem agora pode usar o termo "viral" sem estremecer um pouco? Quem consegue olhar para tudo – uma maçaneta de porta, uma caixa de cartão, um saco de legumes – sem imaginar que está enxameado com aquelas borbulhas invisíveis, não mortas, sem vida, salpicadas de ventosas à espera de se prenderem aos nossos pulmões?

Quem pode pensar em beijar um estranho, saltar para um autocarro ou mandar o seu filho para a escola sem sentir verdadeiro medo? Quem pode pensar em prazeres comuns e não avaliar o seu risco? Quem entre nós não é um epidemiologista, virologista, estatístico e profeta charlatão? Qual cientista ou médico não está a rezar secretamente por um milagre? Que padre não está – pelo menos secretamente – a submeter-se à ciência?

E mesmo enquanto o vírus se propaga, quem não ficaria entusiasmado com o aumento dos cantos de aves nas cidades, com os pavões a dançarem nos cruzamentos de ruas e com o silêncio nos céus?

O número de casos no mundo inteiro esta semana avançou para mais de um milhão. Mais de 50 mil pessoas já morreram. Projecções sugerem que o número irá inchar para centenas de milhares, talvez mais. O vírus circula livremente pelos caminhos do comércio e do capital internacional – e a terrível doença que trouxe consigo encerrou seres humanos nos seus países, nas suas cidades e nas suas casas.

Mas, ao contrário do fluxo de capitais, este vírus visa propagar-se, não o lucro Portanto, inadvertidamente, em certa medida, ele inverteu o sentido do fluxo. Escarneceu dos controlos de imigração e biométricos, da vigilância digital e de qualquer outra espécie de análise de dados, e atingiu mais duramente – até agora – as nações mais ricas e mais poderosas do mundo, fazendo parar violentamente o motor do capitalismo. Temporariamente talvez, mas pelo menos tempo suficiente para examinarmos as suas partes, fazermos uma avaliação e decidirmos se queremos ajudar a repará-lo, ou se queremos procurar um motor melhor.

Os mandarins que estão a gerir esta pandemia gostam de falar de guerra. Eles nem sequer usam a guerra como metáfora, usam-na literalmente. Mas se fosse realmente uma guerra, então quem estaria melhor preparado senão os EUA? Se não fossem máscaras e luvas que os seus soldados da linha da frente precisassem, mas armas, bombas inteligentes, destruidores de bunkers, submarinos, caças e bombas nucleares, haveria escassez?

Israel | Ministro pede a exército para se preparar para anexar Cisjordânia


O ministro da Defesa de Israel pediu hoje ao exército para se preparar para a anexação de partes da Cisjordânia ocupada, medida que é vista como uma aparente antecipação ao que poderão ser as reações palestinianas.

A declaração de Benny Gantz foi proferida depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter analisado hoje a eventual anexação com Jared Kushner, conselheiro e genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, autor do plano da Casa Branca para o Médio Oriente que favorece largamente Israel.

Na declaração, Gantz, sem mais pormenores, pediu aos militares para acelerarem a preparação para a anexação e ao chefe das forças armadas israelitas para que o faça "antes dos passos políticos na agenda da questão palestiniana".

Além dos protestos palestinianos e regionais a que qualquer passo nessa direção poderá desencadear, a medida de Gantz poderá também vir a pôr em causa os laços de Israel com os Estados do Golfo Árabe.

Um desses países, os Emirados Árabes Unidos (EAU), pediu hoje a Israel para cancelar o plano para anexar partes da Cisjordânia ocupada, adicionando uma longa lista de Estados que condenaram já a previsível movimentação israelita.

Covid-19: Cabo Verde regista mais 22 casos e aumenta total para 457


Cabo Verde regista mais 22 novos casos do novo coronavírus, dos quais 21 na Praia e um na ilha do Sal, elevando o total acumulado no país para 457, desde 19 de março, informaram hoje as autoridades de saúde.

Em comunicado, o Ministério da Saúde e da Segurança Social revelou que o Laboratório de Virologia analisou 124 amostras no domingo, tendo 21 dado resultado positivo na cidade da Praia.

O outro caso positivo foi diagnosticado na ilha do Sal, que aumenta assim para quatro ilhas com casos da doença, depois de Santiago, Boa Vista e São Vicente.

A nota refere que os casos acumulados aumentaram para 458, mas o diretor nacional de Saúde, Artur Correia, esclareceu à agência Lusa que foram registados 22 casos no dia, dando sim um total no país de 457.

No domingo, as autoridades de saúde de Cabo Verde tinham anunciado novo caso em São Vicente, uma mulher grávida que foi transferida da ilha do Sal.

Artur Correia esclareceu igualmente que este caso foi diagnosticado como sendo de São Vicente, mas importado da ilha do Sal, tal como os primeiros casos registados no país, que também foram importados de outros países.

Com estes novos 22 casos, Cabo Verde passa a ter um acumulado de 457, desde 19 de março, distribuídos pelas ilhas de Santiago (396), Boa Vista (56), São Vicente (04) e Sal (01).

Do total, registaram-se quatro óbitos, dois doentes transferidos para os seus países e 206 pessoas recuperadas, fazendo com que o país tenha neste momento 245 casos ativos.

“Os doentes com infeção ativa, continuam em isolamento e com evolução favorável, com exceção de um doente que se mantém em estado crítico”, adiantou o Ministério da Saúde.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 372 mil mortos e infetou mais de 6,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,5 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China. 

A Semana com Lusa

Guiné-Bissau | Nenhuma maioria parlamentar oferece estabilidade governativa


Vice-presidente de PRS: 
“QUALQUER MAIORIA PARLAMENTAR NESTE MOMENTO NÃO OFERECE ESTABILIDADE GOVERNATIVA”

O vice-presidente do Partido da Renovação Social (PRS), Jorge Malú, disse esta segunda-feira, 01 de junho de 2020, que cada grupo de partidos políticos está a reivindicar uma maioria, mas advertiu que qualquer maioria neste momento não oferece confiança nem garantias de estabilidade governativa e por isso, sustenta que é preciso prosseguir com o trabalho junto das estruturas partidárias no sentido de unir as forças para uma estabilidade governativa.

Jorge Malú falava à imprensa a saída do encontro de auscultação com o presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Cipriano Cassamá, para a busca de solução política no relativa à formação de um governo até no dia 18 do mês em curso, de acordo com a indicação do Chefe de Estado, Úmaro Sissoco Embaló.

A iniciativa do presidente da ANP insere-se no âmbito da recomendação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que instou as autoridades e as forças políticas nacionais no sentido de encontrarem uma solução que permita a formação de um governo na base da Constituição da República e respeitando os resultados das eleições legislativas de 10 de março de 2019, ganhas pelos libertadores (PAIGC). 

Jorge Malú disse que no momento existem dois grupos de partidos que reclamam 7ma maioria parlamentar, numa altura em que todos os órgãos da soberania se mostram preocupados com a crise política e parlamentar que persiste no país.

“Compreendemos perfeitamente essa preocupação dos titulares dos órgãos da soberania, por isso é que estamos a ver a possibilidade de encontrar entendimento a nível das formações políticas, de forma democrática em que a maioria é determinada pelo voto e a ANP é o único espaço para demostrar essa maioria parlamentar”, salientou.

O dirigente dos renovadores assegurou que existe um governo que resultou de um acordo de incidência parlamentar de três formações políticas a quem deve ser permitido apresentar o seu instrumento de governação para ver se tem maioria ou não. Acrescentou que esse é o pedido que fizeram ao presidente da ANP, de forma “a saber, na verdade, quem tem a verdadeira maioria parlamentar”.

Aguinaldo Ampa | O Democrata (gb) | Imagem: A.A.

Covid-19: Sistema de saúde da Guiné-Bissau "pode colapsar"


A ONU divulgou um relatório sobre o impacto socioeconómico da Covid-19 na Guiné-Bissau. O documento alerta para um sistema de saúde em risco, para dificuldades económicas e para a incerteza do futuro escolar.

A pandemia do novo coronavírus pode ser fatal para o sistema de saúde da Guiné-Bissau. O alerta é feito pelas Nações Unidas, numa altura em que a Covid-19 já infetou quase 1.200 pessoas no país e fez oito vítimas mortais. 

"Se em tempos normais o sistema de saúde local é altamente frágil, com a Covid-19 pode colapsar", pode ler-se num relatório sobre o impacto socioeconómico da Covid-19 na Guiné-Bissau, divulgado pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento. O documento analisou ainda a grave crise económica na agricultura e coloca um ponto de interrogação quanto ao futuro escolar.

Angola | Como deve ser recordado Jonas Savimbi, um ano depois do seu enterro?


À DW Àfrica, Rafael Massanga Savimbi, filho do líder fundador da UNITA, diz que o seu pai deve ser recordado "como um cidadão patriota a serviço da pátria". Mas reconhece: é preciso assumir passivo.

A União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) recordou o seu líder fundador com um minuto de silencio na manhã desta segunda-feira (01.06). Há um ano, os restos mortais de Jonas Savimbi foram depositados em Lopitanga, província angolana do Bié.

Entrevista à DW Africa, Rafael Massanga Savimbi, um dos filhos de Jonas Savimbi, explicou como o seu pai devia ser lembrado pelo Estado angolano.  

"Jonas Savimbi tem sido recordado como um angolano, como um cidadão patriota que dedicou toda a sua vida ao serviço da sua pátria. Hoje feito o balanço, feita uma analise mais fria dos factos, a maioria dos angolanos conclui que Jonas Savimbi é dos expoentes máximos do nacionalismo angolano, que contribuiu na luta para a independência e luta pela democratização do nosso país".

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Francisco Queiroz: “O 27 de Maio foi uma sucessão de erros políticos históricos lamentáveis”


ANGOLA

Referente às declarações na entrevista que apresentamos, do JA, salientamos o  breve preâmbulo por Martinho Júnior, angolano, analista e interventor da luta por Angola, com vasta participação no Página Global, nosso camarada e amigo de há anos que se perdem na contagem.

Refere Martinho Júnior:

"SE EM ANGOLA ALGUNS INSISTEM NO MODELO SUL-AFRICANO A FIM DE RESOLVER AS QUESTÕES QUE SE PRENDEM ÀS VÍTIMAS DOS CONFLITOS, HÁ QUE SUBLINHAR O FACTO DE QUE GOVERNO ALGUM DA ANGOLA INDEPENDENTE PODE SER COLOCADO AO NÍVEL DO GOVERNO DO "APARTHEID" E PORTANTO NÃO PODE HAVER CÓPIA, MAS UMA OUTRA SOLUÇÃO, TAMBÉM ELA NUM QUADRO DUMA ANGOLA INDEPENDENTE E SOBERANA, NASCIDA DA LUTA DE LIBERTAÇÃO EM ÁFRICA PORQUE ANGOLA ERA VÍTIMA DA OPRESSÃO, ENQUANTO O "APARTHEID" ERA A OPRESSÃO E FAZIA PARTE DA OPRESSÃO MAIOR, A DO ÂMBITO DA IIIª GUERRA MUNDIAL NASCIDA NO MESMO DIA EM QUE ACABOU A IIª, HÁ 75 ANOS!... (MJ) "


ENTREVISTA

“O 27 de Maio foi uma sucessão de erros políticos históricos lamentáveis”

Santos Vilola | Jornal de Angola | 28 de Maio, 2020

Há 43 anos acontecia em Angola uma purga precipitada por acontecimentos políticos e ideológicos do regime do MPLA, que proclamou a Independência do país a 11 de Novembro de 1975. Morreu muita gente vítima da perseguição política do regime e, também, da acção de insurgentes contra o poder político estabelecido. O ministro Francisco Queiroz esclarece, ao Jornal de Angola, que os crimes cometidos nos acontecimentos que ficaram conhecidos como “fraccionismo” foram amnistiados ao longo dos anos de governação.

Em 2018, na pessoa do ministro Francisco Queiroz, o Governo reconhecia publicamente ter havido excessos em relação a alguns acontecimentos do passado. Que excessos são esses?

Desde 2018 até agora, o estudo do fenómeno do 27 de Maio aprofundou-se bastante graças ao trabalho envolvente e abrangente da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, criada pelo Despacho 73/19, de 16 de Maio, do Presidente João Lourenço. Essa comissão tem estado a reunir e a debater vários assuntos voltados à reconciliação e avalia todos os episódios que envolveram violência política e que geraram vítimas. Portanto, o estudo destes fenómenos levaram a perceber melhor o 27 de de Maio.

Como é que o Governo vê, hoje, os acontecimentos do 27 de Maio?

Na verdade, tratou de uma sucessão de erros políticos históricos muito lamentáveis, com impacto muito forte na sociedade. E o que se pretende é que não voltem a acontecer esses erros. Mas esses erros enquadram-se num contexto histórico muito complexo. Tratou-se de erros que ocorreram num período caracterizado pela Guerra Fria (em que estavam em confronto duas grandes potências - os Estados Unidos e a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e todos os Estados viviam ou na constelação de uma ou na de outra potência. Era um contexto complicado do ponto de vista da hegemonia que cada um queria ter sobre o mundo. Também era um período em que o Estado só tinha cerca de um ano e meio de existência. Não tinha ainda a consolidação das instituições e, mesmo, a capacidade endógena dos próprios angolanos para gerirem o país, como temos hoje. Um ano e meio de independência é nada.

Foi só isso?

Não, também ainda estava muito presente a questão da luta de libertação nacional. Os problemas enormes de vária índole e muito complexos que se viveram durante a luta de libertação, ainda estavam bastante presentes na mente daqueles que lutaram pela libertação do país. Por outro lado, também se vivia muito os efeitos da colonização. Do ponto de vista psicológico ainda não estávamos libertados. Tínhamos a independência, mas ainda não estávamos livres do domínio colonial. Os efeitos da colonização ainda eram muito presentes. E vivia-se um período de grande entusiasmo revolucionário. A juventude, sobretudo, vivia com entusiasmo esse momento empolgante. Havia um romantismo - aquilo que o escritor Pepetela chamou de “geração da utopia”, do socialismo e do comunismo. Tudo isso estava muito presente na sociedade, mas, sobretudo na juventude.

Pobreza em Angola incide sobretudo em agregados com mais de sete membros


O Relatório de Pobreza para Angola 2020 concluiu que a pobreza aumenta cinco vezes mais em agregados com sete ou mais membros. Incidência da pobreza em Angola é de 41%.

A pobreza aumenta cinco vezes mais em agregados com sete ou mais membros em Angola se comparado com famílias com uma ou duas pessoas, segundo o Relatório de Pobreza para Angola 2020 consultado esta segunda-feira pela Lusa.

O Relatório de Pobreza para Angola 2020: Inquérito sobre Despesas e Receitas (IDR – 2018/2019), particularmente sobre a Pobreza Monetária, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano, aponta a composição do agregado como determinantes da pobreza.

Doentes angolanos em Portugal têm tratamento "desumano"


A Associação de Apoio aos Doentes Angolanos em Portugal diz que é desumana a forma como os pacientes têm sido tratados. O pagamento dos subsídios está atrasado há quase um ano. Vigília frente à Embaixada é uma hipótese.

Domingos Fragoso está há três anos em Portugal na condição de doente com deficiência renal crónica terminal, a realizar consultas de pré-transplante, já inscrito na lista de espera. Conta que dificuldades nunca faltaram. Mas o mais lamentável é o atraso no pagamento dos subsídios por parte do Governo de Angola, sublinha.

"Estamos há mais de 10 meses sem subsídios. [É uma situação] terrivelmente lamentável e torna-nos a vida difícil", conta o paciente à DW.

Domingos Fragoso está hospedado na Pensão Alvalade, em Lisboa. Tem contornado as dificuldades com a ajuda de familiares em Angola, mas há quem não tenha esse apoio. A solução está nas mãos do poder central, em Luanda, acrescenta.

"Luanda é que manda os pagamentos para aqui. Inclusive, já há constrangimentos nalguns hospitais e unidades privadas por falta de pagamentos", diz.

Moçambique | Dois cabecilhas de grupos terroristas são abatidos em Cabo Delgado


As Forças de Defesa e Segurança de Moçambique abateram 78 insurgentes no distrito de Macomia, incluindo dois cabecilhas. O governo provincial de Cabo Delgado garante que aquela vila está sob o controlo das autoridades.

As autoridades moçambicanas afirmam que o distrito de Macomia, na província nortenha de Cabo Delgado, tende a voltar à normalidade depois da invasão de grupos terroristas.

O ministro da Defesa Nacional de Moçambique, Jaime Neto, disse este domingo (31.05) que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) abateram 78 terroristas e feriram outros 60. Os insurgentes atacavam a vila de Macomia desde a quinta-feira passada (28.05).

Jaime Neto disse ainda que entre os terroristas abatidos constam dois cabecilhas de nacionalidade tanzaniana. Um deles é o insurgente Njorogue, envolvido nos primeiros ataques armados em Moçambique em 2017. "Nesta contraofensiva, foram abatidos dois principais chefes. Consta que o Njorogue foi aquele que iniciou com os ataques a Mocímboa da Praia no dia 05 de Outubro de 2017", afirmou.

As forças governamentais apreenderam diversos materiais com os atacantes, incluindo viaturas, motocicletas, bicicletas e outros bens roubados da população. Depois da expulsão dos terroristas de Macomia, as FDS continuam a procurar pelos insurgentes para identificar as suas bases.

"A nossa força neste momento vai trabalhar dia e noite para perseguir principalmente aqueles cabecilhas. Vamos também fazer a limpeza dos lugares onde eventualmente encontram-se escondidos", diz.

O ministro Jaime Neto referiu que o sucesso destas operações depende, em grande medida, do envolvimento da população, através de denúncias. "Aproveitar esta oportunidade para apelar à população para continuar a colaborar da mesma maneira que tem estado a colaborar, porque no final do dia a perda é para todos nós. Os terroristas estão a destruir administrações distritais e bancos", sublinhou.

Hong Kong | Agora é a hora de introduzir legislação de segurança nacional

Chow Pak-chin* | China Daily | opinião

Mais uma vez, Hong Kong está sob os holofotes internacionais depois que o principal órgão legislativo da China, o Congresso Nacional do Povo, aprovou uma decisão autorizando seu Comité Permanente a promulgar uma lei de segurança nacional para Hong Kong.

A maioria das pessoas de Hong Kong, que valorizam a estabilidade e a prosperidade da cidade a longo prazo, aplaudiram a decisão de Pequim, argumentando que será bom para a segurança geral da cidade e da pátria.

A nova lei - que deverá ser promulgada em alguns meses - tem como objetivo impedir, interromper e punir atos em Hong Kong que ameacem a segurança nacional. O objetivo é impedir a atividade secessionista e subversiva, bem como a interferência estrangeira e o terrorismo.

Agora é um momento importante para introduzir esta legislação.  Hong Kong tem enfrentado protestos antigovernamentais cada vez mais violentos.  Alguns manifestantes vêm adotando táticas terroristas desde junho passado.  Embora a nova lei não abranja exatamente o mesmo que as leis de segurança nacional prescritas no artigo 23 da Lei Básica, é uma barreira adequada, pois pode ser introduzida sem a necessidade de a retardar no Conselho Legislativo.

Hong Kong precisa urgentemente dessa medida legal para salvaguardar a segurança nacional, pois a ameaça de violência continua a aumentar.  Desde que os protestos da “Ocupação Central” ocorreram em Hong Kong em 2014, a cidade continuou a cair em espiral descendente e sem lei.

Mais e mais pessoas de Hong Kong estão acordando para a realidade de que a única maneira de acabar com a violência é através de medidas legais e legislativas. Sem estabilidade social e política, qualquer discussão sobre prosperidade a longo prazo para a cidade é apenas conversa fiada.

A maioria dos países e regiões precisa, e realmente tem, leis de segurança nacional, então Hong Kong certamente não será uma exceção. Por exemplo, os Estados Unidos têm quase 20 leis dessa natureza, incluindo a Lei de Segurança Interna de 2002, que foi introduzida após os ataques de 11 de setembro de 2001. A Lei de Segurança Nacional Americana de 1947 foi um catalisador da grande reestruturação das agências militares e de inteligência do governo dos EUA após a Segunda Guerra Mundial.  É uma das mais antigas leis de segurança nacional do mundo.  

O Reino Unido, a França e a Austrália, como a maioria dos países ocidentais, também têm suas próprias versões.