terça-feira, 23 de junho de 2020

Covid-19: Bloqueios acentuam desigualdades económicas no Reino Unido


Crédito ao consumo dispara

Os bloqueios, impostos pela pandemia do novo coronavírus, levaram a um maior endividamento das famílias com baixos rendimentos, enquanto que, no sentido oposto, as famílias mais ricas viram as suas economias reforçadas, de acordo com um novo estudo citado pelo ‘Independent’.

O think tank da ‘Resolution Foundation’ aponta que a crise está a expor e a acentuar as maiores diferenças económicas no Reino Unido, bem como a consequente falta de capacidade financeira das famílias com baixos rendimentos de resistirem ao impacto da pandemia.

No seu novo estudo, o grupo revelou também que os cidadãos que mais correm risco de sofrer uma queda acentuada no sei nível de vida, são aqueles com as economias mais fracas e poucos recursos financeiros.

Com menos recursos disponíveis, as famílias mais pobres aumentaram a procura por crédito ao consumo, geralmente através de cartões de crédito com altas taxas de juros, segundo a ‘Resolution Foundation’.

Por outro lado, apenas uma em cada oito famílias com altos rendimentos aumentou o uso de crédito ao consumo. E uma em cada três dessas famílias mais ricas, cerca de 34%, viu as suas economias aumentarem significativamente durante a crise, visto que os seus gastos diários diminuíram.

«O Reino Unido pré-coronavírus foi marcado por desequilíbrios económicos crescentes e prejudiciais entre as famílias», afirmou George Bangham, economista da Resolution Foundation. «Estas diferenças financeiras foram expostas pela crise», acrescentou.

O responsável disse ainda: «Enquanto que as famílias com altos rendimentos aumentaram as suas economias, muitas famílias de baixos rendimentos reduziram as suas e foram obrigadas a recorrer ao crédito de juros. O impacto da crise do coronavírus vai permanecer nas famílias durante muitos anos».

França à beira de uma recessão sem precedentes


#Em português do Brasil

A queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 11%, um déficit público de 246 bilhões de euros - 11,4% do PIB -, uma dívida de 120,9% e a perda de pelo menos um Um milhão de empregos compõem o cenário mais do que preocupante projetado para 2020.

Após três meses, com atenção voltada para a luta contra um vírus responsável por quase 30.000 mortes em solo francês, seu impacto econômico começa a ser um tema dominante na opinião pública.

Para alguns, a terrível sequência já é uma realidade, considerando o anúncio, esta semana, pelo Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee), da supressão de 502.400 empregos no primeiro trimestre.


A cifra é extremamente preocupante, levando em consideração que a quarentena geral para interromper o spread do Covid-19 começou em 17 de março, quando faltavam apenas duas semanas para o trimestre, o que sugere que a estimativa divulgada na terça-feira pelo Banco A perda de um milhão de empregos na França este ano pode ficar aquém.



O ministro da Economia e Finanças, Bruno Le Maire, reconheceu que tempos difíceis virão, com falências e empregos eliminados.

'A seriedade da crise exige uma resposta massiva e imediata', disse o funcionário, que apresentou quarta-feira, juntamente com o chefe de Ação Pública e Contas, Gérald Darmanin, um terceiro orçamento revisado para 2020, a fim de enfrentar as conseqüências da crise. pandemia.

Após as correções de março e abril, a iniciativa inclui ajuda de 460 bilhões de euros, um quinto da riqueza nacional.

As sombras do colonialismo alemão


#Escrito em português do Brasil

Por um breve período, a Alemanha chegou a manter um dos maiores impérios coloniais do mundo. No contexto dos protestos antirracistas globais, esse cruel passado e seus protagonistas também ocupam o banco dos réus.

A estátua do mercador de escravos Edward Colston é atirada no porto de Bristol; em Boston, a de Cristóvão Colombo é decapitada; precavendo-se de uma destruição, os próprios governantes da Antuérpia removem uma escultura do rei Leopoldo 2º, responsabilizado pelas piores atrocidades em sua "colônia particular" do Congo.

Atualmente, símbolos coloniais são visados em todo o mundo como expressão de racismo branco. Por longos anos, ninguém se interessou por eles, mas a coisa mudou, o mais tardar, com a violenta morte do afro-americano George Floyd, por um policial branco em Minneapolis.

A Alemanha tem apenas uma breve história colonial, de 1884 ao fim da Primeira Guerra Mundial, quando teve que abrir mão de suas colônias na África, Oceania e Ásia Oriental. No entanto, em seu auge, o império colonial alemão era o quarto maior do mundo, e deixa vestígios até hoje.

Ruas e praças do país continuam ostentando os nomes de colonizadores como Carl Peters, Adolf Lüderitz ou Gustav Nachtigal. Até poucos anos atrás, o comandante das forças de proteção da África Oriental Alemã, Paul von Lettow-Vorbeck, dava nome a casernas e escolas.

Continua sendo mantida em Bad Lauterberg im Harz, Baixa Saxônia, uma estátua de Hermann von Wissmann, um dos governadores da colônia; assim como em Stendal, na Saxônia-Anhalt, está um busto de Nachtigal, que foi comissário imperial da África Ocidental Alemã.

Hungria | UE deve encontrar o antídoto para a tomada de poder de Viktor Orbán


Por iniciativa dos nossos parceiros Civico Europa, figuras políticas e culturais de todo o continente apelam às instituições e aos cidadãos da UE para que tomem medidas contra a última tomada de poder do Primeiro-Ministro húngaro, decretada a pretexto de combater a epidemia do coronavírus.


Nós, Europeus, precisamos de lutar contra dois vírus, de forma simultânea e igualmente veemente: o Covid-19, que ataca os nossos corpos e, ainda, outra infeção que fere os nossos ideais e democracias.

Em 30 de março de 2020, Viktor Orbán introduziu um estado de emergência indeterminado na Hungria. Suspendeu o Parlamento nacional por um período ilimitado, permitindo ao seu governo a chefia por decreto, por si só e sem controlo, minando, ainda mais, as funções judiciais e da comunicação social.

Tal concentração de poder é sem precedentes na União Europeia. Ela não serve a luta contra o Covid-19 ou as suas consequências económicas; ao invés, abre a porta a todo o tipo de abusos, com ativos tanto públicos como privados agora à mercê de um executivo amplamente isento de prestação de responsabilidade. 
Esta concentração do poder é o culminar da deriva húngara de 10 anos em direção ao autoritarismo, e é perigosa.

De facto, é com grande preocupação que observamos, ao longo da última década, o Primeiro-Ministro Viktor Orbán embarcar o seu país num percurso divergente ao da norma e dos valores europeus. Esta tomada de poder, em resposta ao Covid-19, é apenas um novo e alarmante capítulo num longo processo de recuo democrático.


Covid-19: Países europeus recuam no desconfinamento com aparecimento de novos casos


Vários países europeus registam um aumento do número de novos casos de covid-19, o que está a fazer com que muitos governos recuem nas medidas de desconfinamento.

Em Espanha, o governo abriu as fronteiras e, no dia seguinte, foi obrigado a colocar vários distritos da região de Aragão em cerca sanitária devido a novos surtos, ligados a uma empresa de produção agrícola.

Na Alemanha, um foco de infeção numa fábrica de produção de carne levou a que o governo aplicasse novas medidas para combater a doença, uma delas, cerca sanitária onde vários dos trabalhadores dessa empresa vivem.

Também no País de Gales a hipótese de 'dar um passo atrás' no desconfinamento está em cima da mesa depois de 175 trabalhadores de uma empresa terem testado positivo para coronavírus; hipótese que já foi adotada por Portugal, que, nos últimos dias viu surgir um aumento de novos casos de infeção, muitos deles ligados a festas privadas ilegais.

O primeiro-ministro português recuou no desconfinanento em vários concelhos, um deles, Lisboa. Quem não cumprir arrisca ser punido até um ano de prisão.

Euronews 

Portugal | O covid-19 mata mais é os mais velhos… Que se lixem, até convém!


Pedro Cordeiro é hoje o autor de serviço do Expresso Curto e abre com a pergunta sobre se “Portugal terá sido melhor a confinar do que a desconfinar?” Evidentemente que a resposta só pode ser sim, principalmente para a região da grande Lisboa e arredores. 

A malta nova e farreira já está farta do confinamento e das disposições recomendadas pela DGS, pelo governo e outros organismos interessados em nos livrar da ameaça do covid-19. Afinal o covid-19 mata mais os velhos e quase nem toca seriamente nos mais jovens e esses querem que os velhos se lixem – apesar de estarem a usufruir daquilo que os mais velhos construíram, país livre, democrático, civilizado culto e o mais justo possível. As pisadas de tais construtores não têm sido seguidas pelos mais novos e o resultado da deriva está à vista do país em que sobrevivemos. Tal já era assim anunciado aquando da então badalada “geração rasca”. Piorou. A inutilidade desta constatação fica aqui exposta para consolo dos que concordam e insensibilidade dos que discordam. Afinal isto é só uma opinião e constatação dos que mais viveram e sobreviveram ao fartar vilanagem de imensos políticos, imensos médios e grandes empresários e/ou funcionários, pagos por todos nós, que se “orientaram” mais que o suficiente para na atualidade serem grandes senhores e senhoras – à descarada ou mais comedidos nas suas vidas de mel. À custa de tanta trapaça, assim aconteceu e acontece, agregado que já está ao ADN de tantos.

Basta de constatações que tantos vêem mas são ignoradas ou enquadradas em promessas falsas de resoluções de políticos que mesmo apesar de serem honestos lhes falta a coragem para enveredar pelo caminho justo para todos e não só para alguns. Acima de tudo a responsabilidade da continuidade do “deixa andar”, do “em terra de cegos quem tem olho é rei”, “para morrer que morram os meus pais e avós que são mais velhos” – e pesam no orçamento (apesar de tantos dos mais novos continuarem nas festanças à conta de magras reformas dos mais velhos, que "cravam"…)

Bom dia e um queijo. Expresso Curto a seguir. Manso. Como mansos e endrominados se querem os povos… O conveniente ripanço da paz podre e alienante.

FS | PG

Portugal | Festas legais e ilegais


António José Gouveia | Jornal de Notícias | opinião

Tanto o primeiro-ministro como o presidente da República voltaram a sublinhar a necessidade de "um quadro punitivo" ou "medidas mais duras", respetivamente, relacionadas com os ajuntamentos que se vão vendo um pouco por todo o país, mas com maior incidência em Lisboa e no Algarve, onde as festas ilegais começaram a proliferar, quebrando assim as regras antipandemia. Ambos, com razão, mostraram a sua preocupação por uma doença que não pára, trazendo para a contabilidade dos números más notícias. Portugal passou, num espaço de dois meses, de um exemplo para a Europa no combate à covid para um dos únicos países em que é vedada a entrada nas fronteiras de uma série de estados-membros da União. Centrados em que haja aqui um equilíbrio entre a erradicação da pandemia e o voltar à normalidade, tanto António Costa como Marcelo Rebelo de Sousa deveriam tentar compreender o comportamento dos portugueses com o verão à porta. Como latinos que somos, a vivência nesta época do ano é na rua e, se possível, até de madrugada. Como é verificável, os ajuntamentos em vários pontos das cidades do país são uma alternativa ao fecho obrigatório dos cafés e afins às 23 horas. O que fez o Governo? Diminuiu ainda mais o horário para as 20 horas. Tendo em conta este cenário, o que é melhor? Parece de bom senso que uma extensão do horário dos cafés e restaurantes para além do estipulado permitiria manter as pessoas dentro das regras e com maior segurança. A outra opção é juntarem-se às centenas em jardins e espaços públicos onde o controlo do distanciamento social não existe. No fundo, em vez de estarem concentradas no espaço público, estariam espalhadas pelos vários restaurantes, cafés e esplanadas e dentro do que são as regras básicas de combate à pandemia. Ou seja, um entretenimento controlado e confinado, como aliás o fizeram Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa este fim de semana. O presidente da República no Centro Cultural de Belém, para assistir ao concerto comemorativo do aniversário da Orquestra Metropolitana de Lisboa, e o primeiro-ministro num espetáculo no Teatro Nacional D. Maria II.

*Editor-executivo

EDP. Mexia e Manso Neto acusam MP de não ter nada novo e de condicionar testemunhas


Contestação à proposta do MP de agravamento das medidas de coação foi ontem entregue no Ticão. Carlos Alexandre deverá decidir esta semana.

António Mexia, CEO da EDP, e João Manso Neto, CEO da EDP Renováveis, contestam o agravamento das medidas de coação propostas pelo Ministério Público, afirmando que não existem factos novos desde 2018 nem ficou demonstrada a necessidade de agravar as medidas a que os arguidos tinham até agora. No documento entregue hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal, a defesa sustenta ainda que faltou fazer investigação sobre alguns pontos e que o Ministério Público ocultou e ignorou deliberadamente provas.

“Sob a capa de medidas de coação, o que este Ministério Público (MP) pretende impor aos arguidos são penas”, começa por referir o documento, acusando o Ministério Público de ter visto na circunstância de o processo estar agora nas mãos de Carlos Alexandre – um juiz que dizem ter “um perfil comummente identificado como próximo ao promotor da ação penal” – uma “oportunidade de satisfazer por antecipação a sua pretensão punitiva”.

A defesa conjunta dos dois arguidos, liderada pelo advogado João Medeiros, refere igualmente que “em face da total ausência de factos concretos narrados pelo MP, torna-se evidente que a medida promovida se revela desnecessária, inadequada e excessiva, quer na sua existência, que na concreta modelação de valor e tempo de prestação”.

Grande Lisboa com medidas mais restritivas a partir de hoje


A Área Metropolitana de Lisboa (AML) fica sujeita, a partir de hoje, a medidas mais restritivas numa tentativa de conter os casos de covid-19, que têm sido significativos na região.

Assim, o Governo limita a um máximo de 10 pessoas, salvo se pertencerem à mesma família, "o acesso, circulação ou permanência de pessoas em espaços frequentados pelo público, bem como as concentrações de pessoas na via pública" na AML.

"Todos os estabelecimentos de comércio a retalho e de prestação de serviços, bem como os que se encontrem em conjuntos comerciais", encerram às 20h00 na AML, de acordo com uma resolução aprovada na noite de segunda-feira e publicada no Diário da República.

A exceção são os restaurantes, "exclusivamente para efeitos de serviço de refeições no próprio estabelecimento", e também os restaurantes com serviço de 'take away' ou entrega no domicílio, "os quais não podem fornecer bebidas alcoólicas no âmbito dessa atividade".

A venda de bebidas alcoólicas é também proibida "nas áreas de serviço ou nos postos de abastecimento de combustíveis" da AML.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

O Pentágono contra o Presidente Trump


Há mais de dois meses abordáramos a possível declaração de lei marcial para lutar contra a epidemia de Covid-19 [1]. A União Europeia havia então denunciado o nosso artigo como sendo propaganda pró-Russa [2]. Mas os oficiais mais graduados acabam de sair da reserva.

O Secretário da Defesa, Mark Esper, distanciou-se do Presidente Trump. Ele tomou posição publicamente contra a mobilização dos militares para restabelecer a ordem, actualmente gravemente alterada por manifestações violentas por ocasião da morte de George Floyd.

O antigo Secretário-Geral da Defesa, Jim Mattis, deu, na semana passada, uma entrevista à The Atlantic, acompanhado pelo Presidente do Comité de Chefes do Estado-Maior, o General Mark Milley. Se o oficial mais graduado em exercício não disse uma palavra durante a reunião, no entanto, remeteu uma coluna de opinião ao magazine opondo-se à mobilização das Forças Armadas para fins de manutenção da ordem pública. E, o seu antigo chefe denunciou explicitamente a política divisionista do Presidente Donald Trump.

O antigo Director da CIA, o General David Petraeus, remeteu igualmente uma coluna de opinião à The Atlantic para solicitar que se renomeie uma dezena de bases militares, actualmente designadas com nomes de generais confederados.

Os EUA e a UE provocam crise alimentar na Síria


Tendo a coligação Internacional perdido toda a esperança de destruir a República Árabe Síria pela força, tentam agora os EUA e a União Europeia conseguir isso através da fome.

O cerco do país começou. As sanções económicas foram muito duramente reforçadas e se iniciarão já no meio de Junho. Qualquer pessoa ou entidade que negocie com a Síria será severamente condenada pelos EUA e pela União Europeia (Lei César).

Estas «sanções» são ilegais à vista do Direito Internacional. Aquelas que impedem o fornecimento de equipamentos médicos são crimes sob as Convenções de Genebra.

Os jiadistas no Norte e as tropas dos EUA no Sul começaram a incendiar os campos de maneira coordenada. A Síria apresentou queixa perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em alguns dias, os produtos alimentares importados tornaram-se impossíveis de encontrar e o preço dos produtos locais subiu em flecha. A libra síria entrou em colapso no mercado de câmbio. Hoje, ela é negociada no mercado negro a um quarto de seu valor oficial.

A Presidência da República preparou um plano para a autossuficiência alimentar, cuja aplicação prática exigirá vários anos. A Rússia salvará a população no curto prazo, mas o tempo é essencial para evitar a fome no médio prazo.

Começaram manifestações em 9 de Junho para exigir comida. Em algumas cidades, as pessoas vão procurar alimentos nas lixeiras. A Síria jamais conheceu problemas alimentares durante a guerra, salvo nas áreas ocupadas pelos jiadistas. Esses chantageavam a população para lhe dar acesso à alimentação.

O Presidente al-Assad demitiu o Presidente do Conselho de Ministros, Imad Khamis, em 11 de Junho de 2020. A Síria é um regime presidencialista como os EUA. Ela, não tem, portanto, primeiro-ministro, ao contrário do que a imprensa ocidental narra.

Voltairenet.org | Tradução Alva

Portugal | A ESCOLA FICOU NUMA REDOMA


A todos os que acreditam no discurso fofinho que diz que a experiência de manter os filhos em casa durante quatro meses com aulas através de um computador portátil tem sido enriquecedora, porque confrontou os pais e os docentes com novas exigências, tenho a comunicar o seguinte: acordem desse sonho pateta.

Pedro Ivo Carvalho | Jornal de Notícias | opinião

Porque aquilo que encarregados de educação, alunos e professores têm vivenciado desde que a pandemia os afastou do ensino presencial assemelha-se mais a um inferno laranja do que a um céu azul-celeste. Não quero ser tremendista, mas nunca como agora reconhecemos tanta importância aos educadores dos nossos filhos e ao contributo da escola para garantir o equilíbrio emocional dos estudantes e a harmonia das famílias. Bem hajam.

Mas o quadro que se nos apresenta é assustador: termos crianças arredadas, de março a setembro, das rotinas escolares, da aprendizagem, do convívio com colegas e professores, pode ter um efeito devastador sobretudo junto dos mais frágeis, que não beneficiam do fácil acesso às tecnologias, que estão privados de uma boa retaguarda familiar e cujo modesto poder aquisitivo dos pais não lhes permite estar em casa indefinidamente em teletrabalho a ligar e a desligar o "Teams". A isto, acresce o facto de, com o desconfinamento e a reabertura económica, tudo ter avançado menos a escola. Em certo sentido, os alunos ficaram esquecidos numa redoma.

O Ministério da Educação confirmou finalmente que, em setembro, todas as aulas serão presenciais (veremos), mas há ainda um mundo de incertezas até ao fim do verão. O enorme intervalo de tempo sem aulas justificaria que se implementassem medidas mitigadoras, como defende, por exemplo, a Unicef. Uma delas poderia passar por um regresso antecipado, de uma ou duas semanas, que ajudasse não apenas a sarar as feridas do agora, mas fundamentalmente que lançasse bases para o próximo ano letivo, não castigando ainda mais aquilo que se antevê vá ser um arranque de loucos. Sem aulas, sem professores e sem ajuda, houve muitos alunos que ficaram para trás. Nisso, a escola não cumpriu a sua vocação primordial: em vez de criar pontes educativas, ergueu muros de silêncio.

*Subdiretor

Portugal | Balanço é negativo para quem vive do seu trabalho


A CGTP-IN fez um balanço negativo dos efeitos da pandemia para os trabalhadores, uma vez que cerca de 100 mil trabalhadores ficaram desempregados e mais de um milhão perderam rendimentos.

«Fizemos uma análise dos três meses do surto epidémico e das medidas tomadas pelo Governo e concluímos que o balanço é muito negativo para os trabalhadores, pois mais de um milhão tiveram cortes no rendimento e cerca de 100 mil perderam o emprego, muitos sem terem sequer direito a subsídio de desemprego», disse a secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha, em conferência de imprensa na passada sexta-feira.

Os dados divulgados pela sindicalista constam de um documento elaborado com base em estatísticas do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, relativas ao período entre 2 de Março e 2 de Junho.

Para a Intersindical, «o impacto da crise no emprego é multifacetado», pois abrange os trabalhadores que perderam os empregos mas também os que se mantêm a trabalhar, mas têm os contratos de trabalho suspensos ou a duração do trabalho reduzida (lay-off), que são mais de 800 mil.

A central sindical lembra ainda os que se encontram em teletrabalho –muitos tendo a cargo filhos menores de 12 anos cujas escolas foram encerradas–, os trabalhadores independentes com redução total ou parcial da sua actividade económica, e os trabalhadores com salários em atraso.

No documento, a CGTP-IN salienta o «forte aumento» de desempregados inscritos nos centros de emprego desde o início do surto epidémico e referiu os 134 mil novos pedidos de prestações de desemprego.

«As medidas que o Governo tem tomado, quer no Programa de Estabilização Económica, quer no Orçamento Suplementar, são insuficientes e desequilibradas pois não resolvem o problema dos despedimentos nem dos cortes salariais», considerou Isabel Camarinha.

AbrilAbril | Imagem: Tiago Petinga / Lusa

Portugal é o país da UE com maior almofada financeira


De todos os países da União Europeia, Portugal é o que tem uma maior percentagem de dívida em dinheiro e depósitos. O Eurostat mostrou também que, até ao final de 2019, o país era o terceiro com maior percentagem de dívida nas mãos das famílias.

Portugal tem 12,7% da sua dívida total guardada em depósitos e dinheiro, o que significa que é o país da União Europeia (UE) com uma "almofada" financeira maior, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira, dia 22 de junho, pelo Eurostat, relativos ao final do ano passado. 

De acordo com o instituto de estatística da UE, Portugal surge na "pole position" enquanto país que tem a maior cobertura da sua dívida em dinheiro e depósitos, uma tendência vincada após a crise de dívida soberana de 2012 e o consequente pedido de assistência financeira internacional, nessa mesma altura. Esta percentagem chegou a tocar nos 20%. Em caso de turbulência ou crise financeira, quanto maior for a "almofada" financeira, mais tempo pode o país estar sem recorrer ao financiamento de dívida nos mercados. 

Europa cria aliança para investigar covid-19


Numa sala de espera, perto de Lyon, França, Elliot aguarda pela vez de ser atendido pelo médico. Tem tosse e febre, dois dos sintomas da covid-19, a pandemia que assolou o mundo e à qual a Europa quer dar uma resposta coordenada.

O "I-Move-Covid-19" é apoiado por fundos da União Europeia relacionados com pesquisa e inovação, em sinergia com a política comunitária de coesão, e pretende estudar casos e o funcionamento da futura vacina e de outros antídotos contra o vírus. O objetivo é obter o máximo de informação, seguindo a mesma metodologia entre todos os parceiros e países participantes. E tudo tem início no hospital de cuidados primários francês, onde é diagnosticada a covid-19.

“Estamos na fase de desconfinamento e o que fazemos agora é tentar identificar o mais rapidamente possível novos casos e isolá-los, para evitar uma nova contaminação e um efeito de ricochete. O que procuramos com esta vacina é o fim deste surto. Assim que tivermos a vacina, será muito mais fácil", afirma Laurent Combes, médico de clínica geral no hospital.

OMS: Casos de Covid-19 atingem novo recorde diário


A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou domingo um novo recorde do aumento diário de novos casos de coronavírus. A Guiné-Bissau mantém-se como o PALOP mais afetado pela pandemia. Moçambique regista quinta morte.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, esta segunda-feira (22.06), que o aumento diário de novos casos de coronavírus bateu, no domingo (21.06), um novo recorde. Segundo a organização, foram registados em todo o mundo mais 183 mil casos de infeção.

O maior aumento de casos aconteceu no Brasil, com mais 54 mil novas infeções, seguido dos EUA, que reportaram 36 mil novos casos, e da índia, que registou cerca de 15 mil.

Especialistas dizem que este aumento pode dever-se não só ao aumento do número de infeções, mas também a um aumento mais generalizado da testagem para a Covid-19.

O número de mortos em África devido à Covid-19 chegou aos 8.115, mais 190 nas últimas 24 horas, e há um total de 306.567 infetados, segundo os dados mais recentes sobre a pandemia no continente. 

Quinto óbito em Moçambique

Também os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) contribuíram para este aumento de casos. Moçambique, por exemplo, registou, este domingo (21.06), a quinta morte e 45 novos casos de Covid-19, elevando o total de 688 para 733. Destes, 70 são casos importados.

A vítima de 38 anos, que "possuía outras patologias", estava internada no Centro de Isolamento da Polana Caniço, na cidade de Maputo, e morreu no dia 18 de junho, disse no domingo Armindo Tiago, ministro da Saúde de Moçambique.

Os 45 novos doentes, dos quais três são menores de 14 anos, foram registados nas províncias de Maputo (08), Nampula (06), Zambézia (01), Cabo Delgado (22), Gaza (01) e cidade de Maputo (07).

"Eles encontram-se em isolamento domiciliar e decorre neste momento o mapeamento da rede de contacto destas pessoas", acrescentou Armindo Tiago.

Também este domingo (21.06), o ministro declarou a cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, como o segundo ponto com "transmissão comunitária" do vírus no país. O primeiro foi a cidade de Nampula. Segundo explicou o ministro, foi registada na cidade de Pemba "uma elevada percentagem de amostras positivas, que atualmente corresponde a quase o dobro da média nacional."  

O Ministério da Saúde indicou ainda que 181 pessoas estão recuperadas, havendo ainda nove pessoas internadas. A maioria dos casos ativos no país está concentrada nas províncias de Nampula (2018), Cabo Delgado (125) e cidade de Maputo (75).

Angola com novo caso importado

A tendência de aumento de casos regista-se também em Angola e Cabo Verde. Em Angola, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, anunciou ontem (21.06) sete novos casos de Covid-19, o que faz elevar o total para 183 infeções.

No habitual balanço epidemiológico, Mufinda adiantou que dois destes casos são de transmissão local e um é importado. Trata-se de um cidadão norte-americano que chegou ao país no dia 11 de junho e esteve em quarentena, estando a ser estudado o vínculo de transmissão dos restantes.

No total, Angola regista 97 casos ativos, 77 recuperados e nove óbitos.

Cabo Verde com 27 novos positivos

Já Cabo Verde registou, este domingo (21.06), mais 27 casos positivos, 25 dos quais na ilha do Sal, elevando o total acumulado para 890. As ilhas de Santiago mantêm-se como as mais afetadas, com 719 casos. No total, os restantes positivos estão no Sal (98), Boa Vista (57), São Vicente (10), Santo Antão (04) e São Nicolau (02).

Cabo Verde regista ainda oito mortes, enquanto dois doentes foram transferidos para os seus países e 388 foram dados como recuperados pelas autoridades sanitárias.

O país conta neste momento com 493 doentes ativos, que, segundo o Ministério da Saúde, continuam em isolamento institucional mantendo-se estáveis. À exceção de dois que estão em estado grave.

Guiné-Bissau ultrapassa 1500 casos

Guiné-Bissau é o PALOP com mais casos do novo coronavírus. Conta já com 1.541 casos e 17 mortos, dois dos quais confirmados esta semana, segundo o coordenador do Centro de Operações de Emergência de Saúde (COES) Dionísio Cumba, no anúncio de sexta-feira (19.06). O número de recuperados mantém-se nos 153.

O coordenador do COES disse que há 44 pessoas internadas em três hospitais do país: 31 no hospital de Cumura, seis no Hospital Nacional Simão Mendes e sete, que estão a oxigénio, no hospital de Bor.

Por regiões, Dionísio Cumba disse que o Setor Autónomo de Bissau é o que regista o maior número de infeções por Covid-19 com 1.451 casos, seguido da região de Biombo, com 53, Cacheu, com 26, Bafatá, sete, Gabu, dois, e Oio, dois.

São Tomé e Príncipe regista 693 casos e 12 mortos. O número de pessoas recuperadas aumentou para 199, enquanto dois dos 12 pacientes internados no hospital de campanha tiveram alta, informou a porta-voz do Ministério da Saúde, Isabel dos Santos na sexta-feira (19.06).

Alemanha sobe taxa de infeção

Também na Alemanha, e devido a uma série de novos surtos locais, o ministro da Saúde Jens Spahn, pediu este domingo (21.06) ao Parlamento que reavalie as medidas de contenção da doença em curso no país. A Alemanha registou, este domingo, mais 537 casos positivos e 3 mortes, de acordo com o Instituto Robert Koch, a agência de controlo de doenças do país.

Os novos números elevam o número total de infeções para mais de 190.000, com quase 9.000 vítimas mortais. Embora os números sejam considerados relativamente baixos, a Alemanha registou um pico na taxa de reprodução durante o fim-de-semana, uma vez que foram registados novos focos em todo o país. Vários blocos de habitação estão atualmente sob quarentena rigorosa.

A nível mundial, já foram confirmadas quase 9 milhões de infeções do novo coronavírus e já morreram mais de 467.000 pessoas.

Deutsche Welle | Lusa

SIRP, NATO, HEGEMONIA UNIPOLAR, O IMPÉRIO E... ANGOLA!


DIREITO DE RECIPROCIDADE!


Quando se vão abrir os arquivos do SIRP em relação a Angola e a alguns dos contenciosos que estão a ser considerados críticos sobre Angola?

Quando se vão abrir os arquivos da NATO em relação às suas operações encobertas?

Quando o Pentágono abre seus arquivos em relação a África?

Esta “reciprocidade” é tanto mais legítima quanto as insidiosas campanhas contra o estado angolano, de república em república, passa por este “eixo” de campanha, em plena campanha contra a IVª república!

O actual governo português tem responsabilidades nessas campanhas!

Constatem esta notícia "VOAdora" (deveria ter direitos de autor)! (MJ)


"É preciso abrir os arquivos da DISA", diz dirigente da Fundação 27 de Maio

Os arquivos da antiga polícia secreta angolana DISA devem ser abertos para que se possa investigar o que se passou no 27 de Maio de 1997 quando confrontos em Luanda acabaram por resultar na prisão e morte de dezenas de milhares de pessoas, disse o general Silva Mateus, da Fundação 27 de Maio.

Silva Mateus acrescentou que a sua organização considera “incontornável”, a identificação dos responsáveis pelos massacres, bem como os seus mandantes “para que sejam conhecidos por todos”.

Para esse efeito, afirmou, “é preciso que se abram os arquivos da DISA”.

As declarações do general surgem depois de membros da Comissão para Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos em Angola terem admitido haver “um longo caminho a percorrer” até se obterem consensos para a conclusão do processo de perdão e reconciliação dos angolanos.

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, Francisco Queiroz, reconheceu, recentemente, tratar-se de "um assunto muito sensível, que mexe com sentimentos profundos de dor e mágoas".

A representante da UNITA no Grupo Técnico e Científico da Comissão, Clarisse Kaputo, declarou à VOA que a identificação dos locais onde foram enterradas as vítimas é a base para que se possam realizar os “funerais condignos”.

“Toda a gente está interessada em ouvir desse organismo quais são os trâmites para que os lesados possam encontrar a paz de espírito mas também para, pelo menos, homenagearem os seus parentes, fazendo o seu processo de luto condigno e também um perdão condigno”, defendeu a dirigente da UNITA.

A Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos foi criada pelo Presidente João Lourenço com o objetivo de se estabelecer “as bases de consolidação da paz e da reconciliação, unir os angolanos e afastar os fantasmas que ainda ensombram o passado recente de Angola”.

A comissão elaborou um Plano de Reconciliação que prevê a construção de um memorial único para todas as vítimas dos conflitos políticos registados no país, a ser erguido em Luanda, na encosta da Boavista, município do Sambizanga.

Venâncio Rodrigues | VOA - Voz da América

Imagens: 1- General Silva Mateus: 2 - Instrumento de tortura usado pelos agentes da DISA

Angola | O investimento privado e procedimentos burocráticos


Jornal de Angola | editorial

Vivemos em tempo de pandemia, geradora de uma crise sanitária, económica e financeira, situação que entretanto deve inibir as instituições de promoção do investimento privado de continuarem a incentivar os potenciais investidores a aplicarem os seus capitais no país.

Num momento em que, em virtude da pandemia de Covid-19, há uma grande retracção do investimento privado, faz sentido que os organismos do Estado vocacionados para atrair capitais necessários para a actividade económica criem mecanismos mais expeditos para que muitas empresas possam funcionar, nomeadamente as pequenas e as médias unidades de produção.

É difícil para muitos países encontrar as soluções ideais para os problemas nestes tempos de crise sanitária e económica. O que cada país deve fazer é, em função das suas condições específicas, optar por caminhos que impeçam taxas elevadas de desemprego e a paralisação da actividade produtiva.

OS TRÊS ESPELHOS


Mauro Luis Ias[*]

#Escrito em português do Brasil

"A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais –
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais."
Edgar Allan Poe


Não se deve culpar o espelho pelas inversões que ele nos mostra. Como disse Marx, a religião e o Estado são uma consciência invertida porque são a consciência de um mundo invertido.

Por três vezes o espelho nos mostrou, mas seguimos fazendo a mesma pergunta que poetas e escritores ilustres já fizeram: quem é esse estranho que me olha desde o espelho? Não se deve culpar o espelho pelas inversões que ele nos mostra. Nos espelhos, assim como na religião e na ideologia, o reflexo só pode ser construído a partir daquilo que no real se apresenta. Como já disse Marx, a religião e o Estado são uma consciência invertida porque são a consciência de um mundo invertido.

Em 2016 o espelho mostrou, diante de um pais estarrecido, o Congresso cassando o mandato da presidente eleita em 2014 nos marcos da normalidade democrática – isto é, em uma eleição marcada pelo financiamento privado de campanha (naquele ano, ainda financiamento empresarial), com distribuição desigual de recursos e impedimentos ao acesso ao tempo de televisão, construído sobre promessas e mentiras, com o descarado uso da máquina governamental e a distribuição de cargos, favores e recursos. Vimos no espelho os deputados envoltos na bandeira nacional pronunciarem irracionalidades e preconceitos, elogiar torturadores e carrascos – tudo embrulhado grotescamente em saudações à família, à moral e aos bons costumes.

Ali estava o poder judiciário, na figura do presidente do STF (lá colocado por aqueles que seriam derrubados), garantindo que se cometeria o casuísmo e a ilegalidade na forma correta do rito legal. Ali estavam os poderosos meios de comunicação construindo narrativas sob a ditadura editorial que apenas faz aquilo que seus proprietários ordenam, filtrando a voz das ruas raivosas para que digam aquilo que a pauta determinava calmamente.

Aquilo que aparecia na imagem grotesca foi, entretanto, pacientemente construído. Foram anos de pactos e conciliações, acordos e recuos: recuos para conciliar e conciliações para recuar ainda mais. Agora as vítimas oravam no altar do Estado democrático de direito que lhes respondia, como toda divindade que sai dos seres humanos e depois volta de forma estranhada e hostil, exigindo o sacrifício de seus criadores para salvar a incorpórea criatura.

domingo, 21 de junho de 2020

Europa encara o futuro de sua segurança sem Estados Unidos


#Escrito em português do Brasil

Anúncio da retirada parcial dos militares americanos em solo alemão força a repensar a estratégia de segurança de todo o continente. A Alemanha deverá assumir mais responsabilidade e rever sua política nuclear.

O choque ainda não foi absorvido: poucos dias após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que retiraria cerca de um terço de suas tropas da Alemanha, o assunto ocupa todas as camadas da política nacional alemã.

Prefeitos de regiões estruturalmente fracas preocupam-se com uma perda maciça de poder aquisitivo; o ministro do Exterior Heiko Maas teme por uma debilitação ainda maior das relações teuto-americanas; e os planejadores militares se perguntam o que essa decisão significa para a estrutura de segurança europeia. 

Afinal, a Alemanha é um dos componentes centrais das estratégias de defesa americanas na Europa, sendo até mesmo local de estacionamento de armas nucleares dos EUA, a serem transportadas por aviões de combate até seu alvo, caso necessário.

Estudo indica que coronavírus já circulava na Itália em dezembro


#Escrito em português do Brasil

Análises em amostras de águas residuais coletadas em Milão e Turim confirmam presença do vírus dois meses antes do registro dos primeiros casos. Descoberta pode reforçar estratégias de defesa contra a doença.

O novo coronavírus já estaria circulando em Milão e Turim, no norte da Itália, em dezembro, dois meses antes do registro dos primeiros casos de covid-19 no país, afirmaram autoridades de saúde italianas nesta quinta-feira (19/06). Essa é conclusão de um estudo que analisou amostras de águas residuais coletadas no último mês de 2019 nas duas cidades.

O primeiro caso de transmissão local do vírus foi detectado em meados de fevereiro na região da Lombardia, no norte do país. A Itália foi a primeira nação europeia a ser atingida pela doença surgida na China, e a primeira no mundo a impor uma quarentena nacional.

A descoberta do Instituto Nacional de Saúde reforça a tese de que o Sars-Cov-2 estava presente no país muito antes de ser detectado na população. Além disso, sugere que o vírus apareceu na Itália na mesma época em que sua existência foi reportada pela primeira vez na China.

Trump ignora pandemia e retoma campanha à reeleição


#Escrito em português do Brasil

Presidente dos EUA realiza primeiro comício em meio à crise do coronavírus e culpa a imprensa pela baixo comparecimento. Ele disse que ordenou desaceleração dos testes de covid-19 e criticou protestos os antirracismo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou neste sábado (20/06) seu primeiro evento de campanha após meses de paralisação e de proibições de reuniões públicas em várias partes do país, em razão da pandemia de covid-19.

Apesar da doença continuar a avançar no país, o presidente defendeu as medidas adotadas por seu governo desde o início da crise e sugeriu a desaceleração da realização dos testes, ao reclamar que eles apenas contribuem para que mais casos sejam identificados. A declaração foi vista como uma tentativa de maquiar os números da covid-19 no país, o mais atingido pelo coronavírus em todo o mundo.

Numa tentativa de dar novo impulso à campanha para a reeleição, após a queda de popularidade registrada em várias pesquisas, Trump também disparou fortes críticas aos protestos contra o racismo e a violência policial, que tomaram as ruas do país nas últimas semanas.

Trump não é polícia do mundo

Durante o discurso na cerimónia de formação da Academia Militar dos EUA, Trump disse o seguinte: “Não cabe ao exército americano resolver conflitos em países longínquos de que ninguém ouviu falar. Não somos a polícia do mundo”. 

David Chan | Plataforma | opinião

Não somos a polícia do mundo! Será este um comunicado de que os EUA não voltarão a interferir em assuntos internos de outros países? Com certeza que não, ou irá o país deixar de se envolver nas questões de Hong Kong e Taiwan, ou seja, assuntos internos chineses? Irá Trump finalmente desistir? Se quando diz “não somos a polícia do mundo” não está a falar de assuntos internos de outros países, qual o objetivo ao declarar que não é polícia do mundo?

Trump está na verdade a arranjar desculpas para a estratégia de saída militar, para, por exemplo, retirar o exército do Afeganistão. No dia 11 de junho o presidente acordou com o governo iraquiano a retirar parte de 52 mil militares. Recentemente anunciou também que iria ordenar o regresso de 9500 tropas sediadas na Alemanha, mas para tal precisava de uma razão, por isso arranjou a desculpa de que os EUA não são polícias do mundo.

Esta estratégia tem dois objetivos principais. O primeiro é reduzir a responsabilidade a nível internacional. Daqui para a frente o país não irá ser tão culpabilizado como polícia mundial, e por isso não valerá a pena pedir ajuda aos EUA. Não irão mais proteger outros países sem nada em troca, apenas os interesses nacionais importam. Quem quiser a proteção militar americana terá de pagar para tal. O segundo objetivo é alargar a estratégia de controlo chinês e russo. Os EUA abandonaram o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e não aprovaram o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares para poderem criar pequenas bombas nucleares e as usarem contra a China e a Rússia. Tal requer dinheiro, e por isso Trump espera assim conseguir reunir fundos suficientes para investir no controlo chinês e russo. Podemos presumir que o país continuará a lutar pela hegemonia, apenas não irá assumir tanta responsabilidade pelas respetivas ações. 

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China quer estabelecer "órgão de segurança nacional" em Hong Kong


Pequim, 20 jun 2020 (Lusa) -- A China vai instituir um "órgão de segurança nacional" em Hong Kong, segundo o texto de um controverso projeto de lei preparado pelo parlamento chinês e divulgado hoje pela agência Xinhua.

O texto prevê também que a lei em preparação tenha precedência sobre as da antiga colónia britânica que entrariam em conflito com ela, de acordo com o projeto que se prepara para impor o regime comunista, apesar dos apelos dos países ocidentais que dizem temer o fim da autonomia do território.

Após as enormes manifestações do ano passado contra a influência de Pequim, o regime do Presidente Xi Jinping anunciou o mês passado uma lei sobre a segurança nacional em Hong Kong, vista pela oposição democrata local como um meio de a silenciar.

O princípio da lei foi aprovado no final de maio na sessão plenária anual da Assembleia Nacional Popular (ANP, o parlamento chinês), que atribuiu ao seu comité permanente a missão de redigir um projeto de lei. O seu texto foi divulgado hoje pela agência Nova China.