sábado, 20 de abril de 2019

JESUS ERA NEGRO | Por que é importante saber que Jesus não era branco


Os historiadores estão de acordo que Jesus era um judeu do Oriente Médio, com pele escura. No entanto, ele é sempre representado como um branco. A acadêmica Robyn J. Whitaker faz uma reflexão sobre esse assunto.

Fui criada em um lar cristão. Em uma parede do meu quarto pendia um retrato de Jesus, que até hoje está lá. Pode parecer brega – como só algo dos anos 1970 pode ser -, mas, quando eu era pequena, eu adorava aquele quadro.

Na foto, Jesus se mostrava terno e gentil; vejo amor em seus olhos. Ele tem cabelos claros, olhos azuis e pele muito branca.

O problema é que Jesus não era branco. Porém, é normal que seja essa a crença exposta se visitarmos alguma igreja ou galeria de arte.

Como não há uma descrição física de Cristo na Bíblia, tampouco há espaço para dúvidas: o Jesus histórico, o homem que foi executado pelo Império Romano no século 1, era um judeu de pele escura, proveniente do Oriente Médio.

Moçambique | Idai: Prisão preventiva para três suspeitos de desvio de donativos


O Tribunal Judicial da Cidade da Beira decidiu manter a prisão preventiva de três pessoas arguidas num processo de desvio de donativos destinados às vitimas do ciclone Idai, que há um mês afetou o centro do país.

"O tribunal entende que os mesmos devem aguardar em prisão preventiva até a próxima audiência [marcada para o dia 24 de abril], altura em que serão ouvidas as figuras ora arroladas", disse hoje o juiz Sérgio Nunes, durante o julgamento.

Os três arguidos são suspeitos do desvio de 19 sacos de arroz, 19 sacos de farinha, 11 sacos de soja e um saco de feijão no bairro da Manga, na Beira.

Falando no fim da sessão, um dos advogados de defesa, Hermenegildo Cossa, disse que as autoridades moçambicanas infringiram a lei, ao invadir a residência dos réus sem mandado.

"Ficou demonstrado que não houve uma situação de flagrante delito. A invasão à casa dos arguidos deveria ter sido antecedida de um mandado de apreensão ou de busca. A polícia não pode invadir o domicílio das pessoas", afirmou Hermenegildo Cossa.

O ciclone Idai, que afetou também o Maláui e o Zimbabué, provocou pelo menos 603 mortos em Moçambique e afetou mais de 1,5 milhões de pessoas, segundo dados das autoridades moçambicanas.

Lusa | em SAPO mz

Moçambique | Dívidas ocultas: Privinvest contra-ataca para fugir à responsabilidade?


Uma guerra judicial está declarada no contexto das dívidas ocultas moçambicanas. Os envolvidas movem-se nos campos de batalha internacionais onde se degladiam para não sair no prejuízo. Agora entra em cena a Privinvest.

A 14 de março de 2019, a construtora naval Privinvest processou na Suíça o Estado moçambicano e as empresas estatais Ematum, MAM e Proindicus, envolvidas no escândalo das dívidas ocultas avaliadas em dois mil milhões de euros.

Segundo o jornal Bloomberg, a empresa com sede nos Emiratos Árabes Unidos quer ser indemnizada em cerca de 177 milhões de euros pelas perdas que supostamente teve por incumprimento contratual por parte das empresas em causa.

O jurista moçambicano Eduardo Elias entende que "a Privinvest está a fazer isso como forma de fugir a sua responsabilidade. Não é agora que vai dizer ou tentar convencer a quem quer que seja que as empresas moçambicanas é que ludibriaram para tirar dividendos."

Ministra da Justiça portuguesa diz que visita a Angola "excedeu" as expectativas


A ministra da Justiça portuguesa considerou na sexta-feira (18.04), em Luanda, que a visita de trabalho de três dias a Angola "excedeu" as expectativas, pois trouxe resultados concretos e aprofundou relações.

"Excedeu as minhas expectativas. Tinha boas expectativas relativamente a esta visita, mas devo dizer que saio daqui reconfortada, sobretudo com a ideia de que a visita excedeu tudo aquilo que pudesse pensar, não só em termos de proximidade emocional, mas também em termos de resultados operacionais, de trabalho, de procedimento, de atividades de cooperação entre os dois países. Foi um aprofundamento muito grande", salientou Francisca Van Dunem.

Num balanço aos jornalistas, a governante portuguesa declarou que o essencial da visita tinha a ver com a necessidade que existia de concretizar as ações que estão previstas em protocolos. "Avançamos bastante na área da Justiça já com as equipas no que diz respeito ao registo e notariado e há também a ideia de trocarmos experiências no que respeita à introdução do novo mapa judiciário. Angola iniciou agora um processo, diria que experimental, uma vez que é um processo gradual, com a instalação de Tribunais de Comarca em todo o país", afirmou.

"Fomos à província de Benguela, à cidade do Lobito, onde está já a funcionar o novo sistema de comarcas - estivemos nos dois [Lobito e Benguela] - em que há similitudes e daí a necessidade de troca de experiências", acrescentou.

Francisca Van Dunem “preocupada” com assassinato de portugueses em Angola


Pelo menos três cidadãos portugueses foram mortos em Angola desde Fevereiro, dois dos quais esta semana.

A ministra da Justiça de Portugal, Francisca Van Dunem, manifestou esta quinta-feira, em Luanda, a “preocupação” do Governo de Lisboa com os assassinatos de cidadãos portugueses em Angola, salientando, porém, confiar na capacidade de investigação das autoridades angolanas.

Dois cidadãos portugueses foram assassinados em Angola na última semana, um durante um assalto, em 13 deste mês, e outro na própria residência, na passada terça-feira, indicaram à agência Lusa familiares das duas vítimas, mortes que se juntam a uma outra, ocorrida em Fevereiro, de um empresário luso na província de Malanje.

“Não tinha conhecimento da notícia da ocorrência de uma terceira morte de um português em Angola e é óbvio que essa é uma questão que nos preocupa. Essas questões são tratadas através dos canais diplomáticos normais com as autoridades angolanas, no sentido do esclarecimento das circunstâncias destes crimes”, afirmou Francisca Van Dunem.

Está na hora de Angola e Portugal "porem a mão na massa"


A ministra da Justiça de Portugal, que iniciou terça-feira uma visita de três dias a Angola, diz que é preciso avançar com os protocolos de cooperação bilateral e que as relações entre os dois países estão "mais fortes".

"O que vai mudar [com a visita], do ponto de vista prático, é que vamos passar a ter aquilo que se chama pôr as mãos na massa. Vamos passar das proclamações à ação concreta, com as equipas a trabalharem em concreto", afirmou Francisca Van Dunem, após um encontro com o homólogo angolano, Francisco Queirós. Segundo a governante, objetivo é melhorar a relação no que se refere à área dos registos e notariado, em que já há protocolos estabelecidos.

No primeiro dia de trabalhos, na capital angolana, Luanda, onde nasceu, a ministra da Justiça de Portugal viu no terreno como funcionam os serviços de registos e notariado de Angola. "Tivemos oportunidade não só de trocar impressões para concretização de muitos pontos que estão estabelecidos em protocolos que Angola e Portugal têm celebrado e tivemos oportunidade de verificar in loco os progressos que já foram feitos nomeadamente nessas áreas do registo criminal e do registo civil", disse.

Angola | País tem 12 mil enfermeiros desempregados


Doze mil enfermeiros de nível superior, médio e básico, com as respectivas carteiras profissionais, encontram-se desempregados em todo o país, revelou quinta-feira, em Malanje, o bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola.

Paulo Luvualu fez este pronunciamento na cerimónia de outorga de diplomas aos 73 novos licenciados em Ciências de Enfermagem e nove em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior Politécnico de Malanje.

Segundo o bastonário, actualmente, a ordem controla 28 mil enfermeiros empregados. Paulo Luvualu disse ser notório o investimento que o Executivo e as famílias têm feito para formar técnicos de saúde, mas sublinhou que as dificuldades em inseri-los no mercado de trabalho acaba por os frustrar.

Francisca Van-Dúnem considera positiva reforma judiciária em Angola


A ministra da Justiça de Portugal, Francisca Van-Dúnem, que deixou ontem a capital angolana, onde se encontrava em visita oficial desde terça-feira, considerou positiva a reforma judiciária em curso em Angola.

O processo, conforme explicou, “vai no sentido daquilo que do meu ponto de vista são os eixos fundamentais de uma reforma, que é assegurar a tutela jurisdicional efectiva dos direitos de todos, independentemente da distância em que residam do tribunal e da sua condição.” De acordo com a governante portuguesa, uma justiça próximo não tem a ver somente com a dimensão física da proximidade, mas também com a acessibilidade.

A ministra deu a conhecer que Portugal iniciou, em 2008, um projecto de reforma experimental, orientada na linha das reformas feitas por toda a Europa, consistente em concentrar tudo. “Ao contrário do que acontecia aqui, nós tínhamos um grande universo de unidades territoriais, com  149 comarcas”, número que teve depois de ser reduzido. Por isso, acrescentou, “aquilo que se está a fazer em Angola, do meu ponto de vista, é um método virtuoso, porque está a decorrer gradualmente, procurando perceber o que funciona e ter-se tempo e espaço para introduzir necessárias correcções.”

São Tomé | “País está calmo”, e a reivindicação dos militares foi satisfeita


Jorge Bom Jesus garantiu que o país está calmo, depois do confronto verbal que marcou a actualidade nacional entre o Presidente da República Evaristo Carvalho e o Governo.

O Presidente anunciou a convocação do conselho do Estado, para alegadamente travar a sistemática e premeditada subversão da ordem institucional no país. Uma ameaça para mostrar cartão vermelho ao governo, que mereceu resposta do Primeiro Ministro.

Jorge Bom Jesus, disse à Evaristo Carvalho, que tais acusações ou expedientes para convocação do conselho de Estado, só poderiam ter o objectivo de encobrir a a operação de luta contra a corrupção, em que estão envolvidas pessoas que se enriqueceram, enquanto o povo vive na miséria.

Novo Parlamento da Guiné-Bissau sem jovens e com poucas mulheres


Parlamento tomou posse nesta quinta-feira com 102 deputados, dos quais 14 mulheres e nenhum com menos de 35 anos de idade. Muitos guineenses desconfiam que não vai haver estabilidade numa Assembleia sem maioria absoluta.

A décima legislatura começou oficialmente nesta quinta-feira (18.04.) na Guiné-Bissau com a tomada de posse dos 102 deputados que compõem o novo Parlamento do país. A cerimónia decorreu numa unidade hoteleira de Bissau devido às obras de reabilitação do hemiciclo, na presença de várias entidades nacionais e estrangeiras.   

O novo Parlamento da Guiné-Bissau, já  empossado em Bissau, é composto por seis partidos políticos, nomeadamente, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que elegeu 47 deputados, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) com 27, o Partido da Renovação Social (PRS), que assim se tornou a terceira força política com 21 representantes, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB com cinco, e a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia elegeram um deputado, cada um. Dos 102 deputados eleitos nas legislativas de 10 de março não há nenhum jovem, como nota o jurista e ativista guineense, Lesmes Monteiro, que defende a inclusão de jovens no centro de decisão, e não como um meros espetadores:

Diáspora guineense em Portugal tem esperança no novo governo


Guineenses residentes em Portugal querem ver atualizadas no programa do novo Governo as promessas de ajuda anunciadas na mesa redonda de 2015, em Bruxelas. Para evitar que a Guiné-Bissau "volte a ser um país adiado".

futuro governo da Guiné-Bissau deve tornar público a lista de países e fundos prometidos durante a mesa redonda de Bruxelas, indicando a sua natureza e as contrapartidas. O apelo consta de uma Carta Aberta que o Movimento Cantanhez, com sede em Coimbra, endereçou ao PAIGC, ao partido vencedor das eleições legislativas de 10 de março.

O documento, que dá corpo ao projeto "Pa Guiné ka Maina", apresenta um conjunto de propostas exequíveis ao futuro primeiro-ministro como contributo para o programa de Governo, de modo a "evitar que a Guiné-Bissau volte a ser um país adiado."

Sudão | Multidões nas ruas por nova solução política e exigir fim da junta militar


Milhares de cidadãos voltaram a sair às ruas de Cartum para pedir à junta militar, que governa o Sudão desde que o exército derrubou o Presidente Omar al-Bashir, que passe o poder a um governo civil.

Milhares de cidadãos querem que os militares do Sudão passem o poder a um governo civil o mais rapidamente possível.

Os manifestantes reuniram-se na quinta-feira (18.04) à frente do edifício do quartel-general do exército depois de a oposição convocar protestos para exigir que se acelere o processo de eleição de um novo governo.

Os organizadores do protesto, Associação de Profissionais Sudaneses, dizem que vão anunciar, no domingo (21.04), um conselho de governo provisório para substituir a atual junta militar, escreve a agência de notícias Associated Press.

PM da Líbia condena silêncio internacional perante ofensiva do marechal Haftar


O primeiro-ministro da Líbia, Fayez al-Serraj, que é apoiado pela Organização das Nações Unidas, condena o silêncio dos aliados internacionais perante a escalada da ofensiva militar liderada pelo marechal Khalifa Haftar.

Pelo menos 205 pessoas morreram e 913 ficaram feridas desde o início da ofensiva do Exército Nacional Líbio (ENL) do marechal Khalifa Haftar para conquistar Tripoli, capital líbia, indicou a Organização Mundial de Saúde (OMS) num balanço divulgado na quinta-feira (18.04).

Em entrevista à BBC, Fayez al-Serraj diz sentir-se abandonado pela comunidade internacional. Para o primeiro-ministro líbio, a falta de apoio dos parceiros internacionais poderá "conduzir a outras consequências", citando o risco dos extremistas do Estado Islâmico se aproveitaram da instabilidade naquele país.

EUA | A geração millennial renova os sindicatos


Sindicalismo dá mostras de vitalidade no centro do sistema. Jovens que ficaram de fora do “sonho de consumo” impulsionam onda de protestos e greves, desde 2018. Eles já não querem apenas salários melhores — querem voz na política

Rôney Rodrigues | Outras Palavras

Trump propagandeia que é o responsável por um boom económico “sem precedentes” nos EUA. O problema é que muitas trabalhadoras e trabalhadores não estão recebendo nenhum pedaço desse grande “bolo de prosperidade” – se é que ele existe. Decidiram, então, lutar por seus direitos, um fato insólito dado o frágil sistema de direitos trabalhistas estadunidense. Por isso, o ano passado foi histórico para os EUA, representando uma efervescência sindical depois de um refluxo de quase cinco décadas.

Afinal, desde a metade dos anos 1970, começou-se uma fase de implantação de políticas neoliberais: além de privatizações e desregulamentações, uma nova organização do trabalho: fragmentação e terceirizações, acompanhadas da transferência de fábricas para regiões com menos sindicatos e legislação trabalhista. Cresceram, também, os macjobs: empregos temporários e precários, sem direitos e sem benefícios e mal remunerados que exploram a força de trabalho principalmente de jovens, mulheres e imigrantes.

NATO contraria possibilidade de a Europa ser autónoma


O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros Alexander Grushko considerou em entrevista à Lusa que a NATO está a "regressar a 1949" e tenta contrariar a possibilidade de a Europa assegurar uma dimensão militar e de defesa autónomas.

"Parece que a NATO está a regressar a 1949, quando foi estabelecida para contrariar a designada ameaça da União Soviética, que não existia", considerou Alexander Grushko, que na quinta-feira manteve em Lisboa consultas políticas bilaterais centradas na intensificação do comércio e investimento e no reforço da cooperação no domínio cultural, para além da troca de pontos de vista sobre temas da agenda internacional.

"Se observarmos o estado das relações entre a NATO e a União Europeia, torna-se claro que a NATO está a tentar que as ambições da UE em garantir uma dimensão militar e de defesa autónoma fiquem sob o seu controlo", assinalou o responsável russo, 63 anos, no serviço diplomático desde 1977 e que entre 2012 e 2018 foi o representante permanente da Rússia na NATO, em Bruxelas.

"Estamos numa situação difícil. As relações NATO-Rússia não estão numa boa fase. Em 2014, a NATO decidiu suspender todas as iniciativas práticas com a Rússia, e na totalidade não temos qualquer agenda positiva", salientou, numa referência à degradação das relações entre Moscovo e o Ocidente na sequência do "caso Skripal", ou a anexação da Crimeia pela Rússia, que implicou a expulsão mútua de centenas de diplomatas e o reforço das sanções económicas ocidentais.

O euro, paraíso da especulação imobiliária

No âmbito dos acordos de Bretton Woods, os países impunham restrições aos movimentos de capitais, o que lhes permitia executar uma política monetária eficaz e manter alguma estabilidade da taxa de câmbio.

Com a revolução neoliberal, a ideologia e os interesses comerciais e financeiros acederam ao poder e impuseram a liberalização financeira e a livre circulação de capitais. Os anos oitenta e noventa foram esclarecedores quanto aos efeitos desta política. As crises financeiras na América Latina e na Ásia, com ondas de choque que se estenderam ao resto do mundo, mostraram o poder desestabilizador dos capitais especulativos. Jagdish Bhagwaty, um notável defensor do livre comércio, acabou por escrever um texto notável de crítica demolidora dos argumentos em defesa da livre circulação de capitais.

Joseph Stiglitz defende há muito tempo a necessidade de os países reduzirem a volatilidade do câmbio e o risco de bolhas especulativas através do controlo dos movimentos de capitais de curto prazo. Desde a mais recente crise financeira que a sua posição se tornou mais insistente (ver aqui).

Carlos Costa, o super-herói do Banco de Portugal


Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, declarou que fazia “figura de corpo presente” nas reuniões do conselho de crédito da Caixa Geral de Depósitos. 

Parece que só lá ia porque era preciso assegurar o número de administradores necessários para que as decisões fossem tomadas, a fazer lembrar o miúdo que era recrutado para um jogo de futebol porque faltava um para ficarmos iguais. Os que hesitavam, dizendo que jogavam pouco, acabavam por ficar à baliza, porque sempre era melhor, pelo menos atrapalhava.

Algumas pessoas ficaram escandalizadas com esta confissão, mas a verdade é que Carlos Costa não pode ser acusado de incoerência, porque continua a fazer a mesma figura como Governador de Banco de Portugal. Também aqui, ninguém poderá acusá-lo de ter tomado verdadeiramente alguma decisão.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Portugal | O que salta à vista é um país fragilizado


Independentemente da legitimidade dos grevistas, que não coloco em causa, a verdade é que com a greve dos motoristas de matérias perigosas salta à vista um país vulnerável. E apesar dos mecanismos ao dispor do Governo em caso de emergência, a verdade é que Portugal, num ápice, fica refém de um grupo profissional. Repito: esta conclusão não invalida a legitimidade de quem faz greve.

Em escassos dias, passou-se a olhar para o fundo dos depósitos. Fica-se com a ideia de que também neste particular vivemos sempre no limite, sem estratégia, apenas no limite.
Não deixa de causar alguma inquietação perceber que numa tarde instala-se o pânico e acaba-se o combustível.

Em suma, esta greve, independentemente da sua legitimidade, coloca em evidência um país cuja única estratégia parece ser a de viver no limite. É necessária uma reflexão, sobretudo num país que preferiu o automóvel a tudo o resto.

Portugal | Quem é o advogado de Maserati que dirige os camionistas


O país descobriu-o como vice-presidente do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas. Mas Pedro Pardal Henriques é advogado. E dele há más memórias em França e referências pouco claras em Portugal. Retrato de um desconhecido trazido à ribalta pelo protesto que parou Portugal.

Catarina Carvalho e Fernanda Câncio | Diário de Notícias

É advogado. Não é camionista. Mas é vice-presidente de um sindicato de motoristas de camiões. Pedro Pardal Henriques tem sido, aliás, a cara do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas reivindicando, aos microfones e nas tvs, aumentos de salários e melhorias de condições de trabalho. Uma figura desconhecida, num sindicato desconhecido, legalizado há três meses, em janeiro de 2019. Um homem relativamente diferente dos que conduzem camiões, fato de escritório debaixo do colete laranja. Trouxe-o para a ribalta o êxito do protesto que provocou pânico nos portugueses sem combustível para ir à terra nas férias da Páscoa.

E, no entanto, poucos levantaram um sobrolho quando o seu nome era anunciado como advogado e vice-presidente de um sindicato que não tinha nada a ver com advocacia. Nem quando chegou aos protestos, a Aveiras, num Maserati preto. Mas houve quem tivesse levantado, não apenas um sobrolho, mas dois, de espanto, ao ver Pedro Pardal Henriques em todas as televisões. Os que o conheciam das suas outras vidas, enquanto advogado, enquanto homem de negócios, enquanto membro da Câmara do Comércio e Indústria Franco Portuguesa. E que não tinham dele a melhor das memórias.

Rússia confirma primeiro encontro entre Putin e Kim


Kremlin afirma que encontro inédito entre líder norte-coreano e presidente russo será ainda em abril. Cúpula ocorrerá na Rússia, num momento de tensão entre EUA e Pyongyang e de busca de Moscou por afirmação global.

Em meio a tensões entre Washington e Pyongyang, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, agendou uma visita à Rússia para um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin. O Kremlin confirmou, nesta quinta-feira (18/04), que uma reunião entre Kim e Putin ocorrerá na segunda metade de abril.

"O presidente da Comissão de Assuntos Estatais da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong-un, visitará a Rússia na segunda quinzena de abril a convite de Vladimir Putin", indicou o Kremlin em comunicado.

O governo russo anunciou o encontro poucas horas depois de a Coreia do Norte ter divulgado testes de uma nova "arma tática" capaz de transportar uma "ogiva poderosa" e ter condicionado a continuidade do diálogo com Washington à saída do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, da equipe de negociações.

Salvem o planeta como a Notre-Dame, pediu Greta Thunberg no Parlamento Europeu


Alterações climáticas

A jovem activista discursou no Parlamento Europeu e pediu que os líderes europeus salvassem o mundo como vão salvar a catedral. Greta Thunberg apelou à necessidade de agir rápido, antes que os danos sejam irreversíveis: “Vamos ter que mudar para ‘modo catedral’.”

“O meu nome é Greta Thunberg, venho da Suécia e quero que entrem em pânico.” Foi, mais uma vez, assim que a activista de 16 anos deu início a uma intervenção no Parlamento Europeu, esta terça-feira, 16 de Abril. A jovem que inspirou um movimento de estudantes contra as alterações climáticas alertou os líderes europeus para a urgência de salvar o planeta, da mesma forma que se quer salvar a Catedral de Notre-Dame depois do incêndio.

“Ontem [segunda-feira], o mundo inteiro assistiu com tristeza e desespero ao fogo que assolou a Notre-Dame, em Paris. Mas a Notre-Dame vai ser reconstruída”, disse Greta, em Estrasburgo, citada pela Reuters. “Espero que [a catedral] tenha fundações fortes e espero que nós também as tenhamos, mas não tenho a certeza.” Durante o discurso de mais de dez minutos, a activista alertou para a necessidade de reverter o panorama de produção de emissão de gases poluentes e apresentou estimativas que prevêem que em 2030 “vamos estar numa posição irreversível, que irá provavelmente levar ao fim da nossa civilização como a conhecemos”. A menos que haja “mudanças em todos os aspectos da sociedade”.

Liberdade para Julian Assange


Devemos levantar nossas vozes contra a tirania dos EUA

Prabir Purkayastha

A prisão de Julian Assange pela polícia do Reino Unido na embaixada equatoriana, depois de o governo de Moreno ter retirado seu asilo, provocou uma condenação mundial. Noam Chomsky, John Pilger, o Prémio Nobel Mairead Maguire estão entre as principais figuras que condenaram a prisão de Assange. Na Índia, N Ram, Arundhati Roy, Gopal Gandhi, Indira Jain, P Sainath e Romila Thapar, condenaram esta prisão e declararam: "Sua prisão (de Assange) e a tentativa de extraditá-lo para os EUA são, claramente, ataques à liberdade. da imprensa e ao direito de publicar".

Após a prisão de Assange, foi confirmada sua razão para pedir asilo: os EUA revelaram uma acusação secreta de um Grande Júri contra Assange. Assange sempre sustentou que se se entregasse ao Reino Unido ou à Suécia, os EUA o extraditariam para enfrentar um julgamento nos EUA. A acusação do Grande Júri contra Assange é de uma "conspiração" sob a Lei de Fraude e Abuso de Computadores (Computer Fraud and Abuse Act). Pompeo, o secretário de Estado dos EUA, já descreveu o WikiLeaks como uma organização de inteligência não estatal e portanto, a possibilidade de agravar a acusação de espionagem, a qual implica penalidades significativamente maiores, incluindo a sentença de morte. 

Enquanto as novas tecnologias digitais criaram os media sociais, o capitalismo de vigilância e o novo estado de segurança apoiado pela vigilância em massa, Assange utilizou as mesmas tecnologias para criar um novo tipo de jornalismo. Ele mostrou que jornalistas e denunciantes podem se comunicar e trocar informações sem que sua privacidade seja comprometida . Este foi o seu crime: mostrar que o estado de vigilância poderia ser derrotado no seu próprio jogo. 

EUA | Democratas têm informação nova sobre Trump e não têm medo de a utilizar


Afinal, o relatório de Robert Mueller não é tão assim tão tedioso, tão pálido, tão desprovido de novidades como se esperava. Afinal, sempre houve “esforço concertado de Trump para impedir a investigação” e um Trump enquanto candidato a presidente que “pediu aos seus associados que conseguissem os emails de Hillary Clinton”, além de 30 perguntas de Mueller às quais o Presidente respondeu com “não sei, não me lembro”. Agora, há uma vaga de nova revolta democrata que não vai parar de explorar as potenciais armadilhas legais que ainda pode colocar no caminho de Trump antes das eleições de 2020

Ao saber das principais conclusões do relatório do procurador-especial Robert Mueller reveladas esta quinta-feira, Donald Trump escreveu no Twitter que o jogo tinha terminado. “Game Over”, foram as suas palavras, acompanhadas de uma imagem editada da série “Game of Thrones”. Mas pode não ser bem assim. Embora não tenham sido encontrados indícios de conluio entre Trump e a Rússia nas presidenciais de 2016 ou de tentativas de obstrução à justiça norte-americana por parte de Trump, o relatório é coisa para deixar o Presidente norte-americano, no mínimo, desconfortável.

O procurador-especial já foi chamado pelos democratas à Câmara dos Representantes e é provável que muitos dos deputados democratas (que formam a maioria nessa câmara) continuem a insistir no “impeachment” de Trump. Também William Barr, o novo procurador-geral, irá ao Comité Judiciário a 2 de maio e espera-se um interrogatório duro, já que muitos democratas, como é o caso do próprio presidente desse comité, Jerry Nadler, acreditam que não há razão para que a leitura que Barr faz do relatório seja tão branda com Trump e os seus associados. Barr já tinha tido acesso a uma versão mais pequena do relatório e na altura disse que o relatório ilibava o presidente, tanto de conluio com os russos durante a campanha para as presidenciais de 2016, como de obstrução à justiça. Mas, depois de se ler o relatório, há várias passagens que parecem provar precisamente o contrário.

OIT | 36% dos trabalhadores em todo o mundo trabalham em excesso


2,78 milhões de trabalhadores morrem anualmente

Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado esta quinta-feira, estima que 36% dos trabalhadores em todo o mundo trabalham em excesso (mais de 48 horas semanais). E destaca que 2,78 milhões de trabalhadores morrem anualmente devido a acidentes de trabalho e doenças profissionais

O mundo do trabalho está a mudar e o excesso de horas laborais é uma das preocupações da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A OIT estima que 36,1% dos trabalhadores em todo o mundo trabalham em excesso, ou seja, mais de 48 horas semanais, o que contribui para problemas de segurança e saúde no seu emprego.

Este é um dos destaques do relatório "Segurança e saúde no centro do futuro do trabalho: Tirando partido de 100 anos de experiência", que foi apresentado em Genebra esta quinta-feira. No documento, a OIT analisa os 100 anos de dedicados à melhoria das condições de saúde e segurança no trabalho, e destaca os problemas emergentes nesta área no mundo do trabalho.

Costa destaca "serenidade" do Governo e condena aproveitamentos políticos


O primeiro-ministro considerou que, na sequência da crise do abastecimento de combustíveis, a grande lição a tirar é que são "intoleráveis os aproveitamentos políticos" e que os conflitos sociais resolvem-se com serenidade, sem acrescentar dramatismo.

Esta posição foi transmitida à agência Lusa por António Costa, horas depois de o sindicato dos motoristas de substâncias perigosas e a Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) terem chegado a acordo, o que permitiu a suspensão da greve iniciada na segunda-feira.

"A grande lição que temos de tirar é que, perante conflitos sociais, é absolutamente intolerável qualquer tipo de aproveitamento político. O que é necessário fazer é agir com serenidade para não acrescentar dramatismo a uma situação que, por si, já é bastante complexa", declarou o primeiro-ministro.

Na perspetiva do líder do executivo, ao longo da greve decretada pelos motoristas, que gerou uma crise no abastecimento de combustíveis em todo o país, o Governo procurou sempre "criar as condições" para que as partes se sentassem à mesa "e o conflito fosse ultrapassado em paz, no respeito por uns e por outros".

Portugal | Sindicato diz-se contra a greve mas teve que acionar "bomba atómica"


O presidente do sindicato de motoristas de matérias perigosas assegurou à Lusa que o setor é contra a greve, forma de luta que consideram prejudicial para patrões e trabalhadores, mas, sem outra opção, tiveram que recorrer à "bomba atómica".

"Temos noção do que se passou e sempre dissemos, desde o início da constituição da associação que, posteriormente, deu início ao sindicato, que não somos a favor da greve. Até nos plenários costumávamos dizer [que é] a 'bomba atómica'", afirmou o presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento, em entrevista à Lusa.

Para o sindicato, a greve "não traz benefícios ao trabalhador ou à entidade patronal e, muito menos, para o nosso país".

Porém, após três plenários, e na ausência de outros meios para fazer valer as suas reivindicações, os motoristas deram "luz verde" para o sindicato "carregar no botão da bomba atómica", quase parando o país durante três dias.

Portugal | Dar para o peditório

Miguel Guedes* | Jornal de Notícias | opinião

Um ovo de Páscoa sem octanas a quem tentar compreender a vertigem com que milhares de depósitos semicheios se precipitaram para bombas de combustível nos últimos dias. Uma espécie de caça ao tesouro, sem (es)folar.

O atraso com que o Governo chegou à questão, aparentemente tão surpreendido como o cidadão comum, não pode justificar tudo. Independentemente das razões que impelem os motoristas de transporte de matérias perigosas a exercer o legítimo direito à greve, fica a imagem de um país sob a ameaça de paralisação súbita e iminente pela mão da cada vez mais forte disrupção dos tradicionais sindicatos e da contratação colectiva. Enquanto os acordos à esquerda procuram reverter algumas das mudanças da legislação laboral introduzidas nos tempos da troika, assistimos a uma velha e a uma nova Direita que, ao mesmo tempo que vocifera contra o Estado, exige mais rápido intervencionismo estatal ao sabor da sua habitual demagogia.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Portugal - combustíveis | Neossindicalismos aparentados a outros neos


Jorge Rocha* | opinião

Se acreditasse em bruxas eu diria que tudo teria começado à beira de um caldeirão com um espírito malfazejo a  misturar asas de morcego, veneno de cobra e pele de lagarto, juntamente com outros ingredientes que resultassem no surgimento de novíssimos e reivindicativos sindicatos dispostos a azucrinarem a paciência aos partidos das esquerdas em geral, e ao governo em particular

Explicar-se-ia assim que, em questão de poucos meses, enfermeiros ou camionistas de mercadorias perigosas, criassem estruturas de classe com irrisórias centenas de associados, mas capazes de infernizarem a vida dos portugueses. É que, num e noutro caso, temos «sindicatos» surgidos como alternativos aos da CGTP-IN, dados como ineficientes na defesa dos seus anseios corporativos.

Greve acabou. "Há um processo de normalização que durará algum tempo"


Portugal - Combustíveis

Greve durou três dias e criou vários constrangimentos e falta de combustível de Norte a Sul do país. Governo, ANTRAM e sindicato admitem que as regresso à normalidade levará algum tempo.

Três dias de greve, vários constrangimentos num país que quase parou e uma derradeira reunião que durou mais de 10 horas. Foi este o cenário que levou à conclusão da greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas, com o Governo a anunciar ao início da manhã desta quinta-feira que o sindicato e as transportadoras chegaram a um acordo. 

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, destacou a "paz social" agora alcançada e o empenho de todas as partes no processo de negociações, admitindo que o país entrará agora num processo de normalização, que "durará algum tempo".

"Foram três dias difíceis, de incerteza, de alguma insegurança. Este trabalho que estivemos a fazer - parte dele não visto - foi muito importante para que hoje possamos regressar à normalidade. Há um processo de reorganização que demorará algum tempo até que a normalidade esteja reposta, mas vamos começar a sentir desde as primeiras horas que finalmente este período que vivemos há três dias terminou", afirmou.

Presidente da Timor Gap confiante em responder a novos desafios no setor petrolífero


Singapura, 18 abr 2019 (Lusa) -- O presidente da petrolífera timorense Timor Gap mostrou-se hoje confiante na capacidade da a empresa responder aos novos desafios que se abrem com a concretização da compra de uma participação maioritária no consórcio do Greater Sunrise.

"O trabalho que nos espera é um grande desafio. Mas estamos confiantes que com o apoio que temos tido, que tivemos no reforço institucional, preparação dos recursos humanos, estudos feitos, conhecimento do setor a experiência a que temos estado expostos, conseguiremos ultrapassar estes desafios e tornar este projeto uma realidade dando receitas ao país", afirmou Francisco Monteiro.

O presidente e diretor executivo da Timor Gap falava à Lusa depois da concretização, em Singapura, da compra pela petrolífera timorense de uma participação de 56,56% no consórcio do Greater Sunrise.

Em entrevista à margem da compra por Timor-Leste de uma participação maioritária no consórcio do Greater Sunrise, no mar de Timor, o regulador adiantou que o acordo com a Austrália permitirá às autoridades dos dois países aprovar os diplomas legislativos necessários, abrindo a porta à ratificação do tratado permanente de fronteiras marítimas.

Eleições | Primeiros resultados dão vitória confortável a Joko Widodo na Indonésia


Presidente assegurou a reeleição, como se previa

Os resultados provisórios das eleições presidenciais na Indonésia dão a vitória, por uma larga margem, a Joko Widodo, que deve ser reeleito. 

A forma como o escrutínio é feito implica a contagem dos chamados votos por amostragem, e com entre 50 a 70% destes contados Widodo tem uma vantagem de dois dígitos em relação ao seu rival, Prabowo Subianto. 

Em eleições anteriores esta contagem de amostras, o chamado “escrutínio rápido”, deu um resultado que foi depois confirmado pelo resultado final.

Os resultados oficiais das maiores eleições do mundo - são 192 milhões os eleitores registados e 800 mil mesas de voto - são divulgados no dia 22 de Maio.

Alexandre Martins | Público - Reuters

Imagem: O Presidente da Indonésia no momento em que votou; tudo indica que foi reeleito Edgar Su/Reuters

Cinzento e pró-Pequim, o candidato Ho Iat Seng que quer governar Macau


Cinzento, pró-Pequim, sem experiência governativa e sem pensamento conhecido sobre Macau: é este o perfil que personalidades do território traçam do presidente da Assembleia Legislativa (AL), que hoje anunciou a candidatura a chefe do Governo de Macau.

O cargo de Presidente da AL deu a Ho Iat Seng alguma visibilidade a partir de 2013, quando foi eleito, mas a força da candidatura parece residir sobretudo no apoio de Pequim, ele que é membro há 20 anos do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, o “órgão supremo do poder de Estado”, à luz da Constituição chinesa.

Ho Iat Seng, que nasceu em Macau em 1957, é “relativamente discreto, cinzento, extremamente cauteloso, não parece ter ideias próprias: terá as indicações que a China lhe der”, tentou resumir à Lusa o presidente do Fórum Luso-Asiático, Arnaldo Gonçalves.

Os Estados Unidos e a França são co-responsáveis pela fome no Iémene


Uma nota da Inteligência Militar francesa, datada de Outubro de 2018, atesta que armas francesas são largamente utilizadas pela Arábia Saudita contra o Iémene (Iêmen-br). Trata-se de «tanques Leclerc, obuses "flecha", (aviões) Mirages 2000-9, radares Cobra, blindados Aravis, helicópteros Cougar e Dauphin, canhões César ...».

Os mapas desta nota foram apresentados ao Presidente Emmanuel Macron durante um Conselho de Defesa restrito no Eliseu, a 3 de Outubro de 2018.

Este documento, revelado pela Disclose, a 15 de Março de 2019, junta-se às revelação do Le Figaro o qual, a 16 de Junho de 2018, tinha confirmado a presença de Forças Especiais Francesas ao lado do Exército saudita, durante a Batalha de Hodeida.

O governo francês continua, no entanto, a afirmar que as suas armas e as suas tropas não participam em operações ofensivas, mas que estão apenas em posições defensivas na fronteira saudita.

Nos Estados Unidos, o membro democrata dos Representantes Bernie Sanders conseguiu, a 13 de Março de 2019, que a sua câmara votasse uma lei proibindo qualquer participação do seu país na guerra do Iémene. Este texto, que havia já sido adoptado, nos mesmos termos, pelo Senado antes das eleições intercalares, deverá ser confirmado pelo novo Senado. A Casa Branca anunciou que o Presidente Trump lhe oporá o seu veto.

A estratégia escolhida pelo Estado-Maior conjunto israelo-saudita (ao qual os Emirados Árabes Unidos, os Estados Unidos e a França estão associados) prevê agora vencer esfomeando a população iemenita.

Pelo menos um terço dos alvos desta coligação (coalizão-br) são civis e não militares. Estes ataques, conduzidos por Riade, já provocaram a morte pela fome de pelo menos 50. 000 crianças.

Voltaire.net.org | Tradução Alva

UE conivente com a propaganda de guerra contra Cuba e Venezuela


Ramón Pedregal Casanova [*]

Não são artistas, não são pessoas de imaginação insuperável, não são construtores ou produtores: são assassinos: obscurecem o horizonte até fazê-lo desaparecer. Como é possível que haja alguém que lhes dê um palco para espalhar o seu obscurantismo aterrorizante entre as pessoas que, dia após dia, deixam suas casas para tentar obter o que necessitam? Só pode ser explicado por uma razão: partilham interesses. Pense-se nisto. Que tipo de relacionamento pode haver entre eles? 

Em Bruxelas, num espaço que a Comunidade Europeia oferece como alto-falante, os bárbaros que compõem uma secção da liderança imperial, no dia 9 de abril vociferarem contra Cuba e Venezuela .

A tropa belicista é liderada por um indivíduo acusado de corrupção, tráfico de influências e outros vícios, que foi forçado a demitir-se do Congresso dos EUA em 2010, ao saírem do fundo das suas águas sujas e flutuarem à vista dos americanos, os seus "negócios" fora da lei, destacando-se os contratos com o complexo industrial-militar para promover destruição de países que não se deixam chantagear pelo império. Mas havia mais, e de grande calibre, que quando caiu na mão de outros congressistas detonaram perante o público, e isso não o puderam consentir tais personagens. Assim se foi a arrogância imperial deste golpista. Mas eu não disse o nome do abutre? Deixo aqui para que não seja esquecido: Lincoln Diaz Balart, um fascista anti-cubano. Podem ler sobre o seu caso emescandalosenmiami.wordpress.com/... e algo mais em escandalosenmiami.wordpress.com/...

Este Lincoln Díaz Balart é quem comanda o grupo.

Com ele, partilha informações Rosa Maria Paya, de quem temos informações em www.revistapueblos.org/... e emwww.resumenlatinoamericano.org/... . 

Assange é um traidor? E as redes sociais?


Os mesmos que se escandalizam com as brechas de segurança de Assange são os que permitem que dados de cidadãos comuns sejam usados, vendidos, trocados pelas plataformas e redes sociais.

Catarina Carvalho | Diário de Notícias | opinião

Julian Assange está nas mãos da justiça britânica. Nesta semana vimos fotos dele a ser preso em Londres, onde estava exilado na Embaixada do Equador. A sua cara mais arredondada, barba grande, espreitando pelo vidro baço de humidade do carro em que o transportaram, o ar desmazelado, tudo o que hoje sabemos dele, as suspeitas de chantagem, as simpatias por determinadas fações ou poderes externos... e parecia que tínhamos dado um salto anacrónico.

Um traidor é um traidor? Depende do ângulo de onde se observa. Assange será assim sempre considerado pelos Estados Unidos - pelas vidas que pôs em risco com as informações que divulgou. Informações militares obtidas através do conluio com uma hacker com acesso ao sistema - Chelsea Manning. No mundo, há quem se divida sobre o assunto, até porque foram reveladas práticas controversas em algumas operações especiais.

O que Assange ajudou a revelar foi importante, e essa revelação não pode ser criminalizada. É para isso que o bom jornalismo serve, para avaliar se os cidadãos precisam de conhecer segredos (ou se os Estados abusam dele). Também por isso o processo contra Assange está a ser firmemente informado - para que não toque na questão da liberdade de informação nem no ataque ao jornalismo livre (que tantas vezes se usou de denunciantes para operar verdadeiras transformações na sociedade).