domingo, 16 de junho de 2019

Brasil | Um documentário arrasador sobre o impeachment, Lula e a eleição de Bolsonaro


Assistir desperta os sentimentos mais ambíguos, uma imensa vergonha do Brasil, dos deputados que votaram pelo impeachment, da tibieza do Supremo Tribunal Federal, do papel indecente da mídia no período.

Luis Nassif | Jornal GGN | em Pátria Latina

“El Odio”, um documentário arrasador, de Andrés Sal-lari, sobre o longo processo do impeachment de Dilma Rousseff, a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro.

Assistir desperta os sentimentos mais ambíguos, uma imensa vergonha do Brasil, dos deputados que votaram pelo impeachment, da tibieza do Supremo Tribunal Federal, do papel indecente da mídia no período.

A visão de animais urrando na Câmara, enquanto votavam pelo impeachment, o ar solene dos apresentadores do Jornal Nacional, transformando a pantomima do Power Point em denúncia escandalosa, todos esses pontos, quando reunidos em um documentário, traçam um quadro dantesco. E, no contraponto, o martírio de Lula. Sim, conseguiram erigir Lula ao panteão dos grandes mártires do século 20, para desgosto de Fernando Henrique Cardoso, que passará à história como o Salieri de folhetim.

Conseguiram o botim do momento, o poder. Com ele, o desmonte de qualquer forma de regulação, ambiental, social, controle de armas, de velocidade no trânsito.

Tudo isso em nome de uma bandeira empunhada por um juiz que atuava politicamente.

À medida em que os factos vão sendo, finalmente, assimilados pela opinião pública, avalia-se a dimensão do estrago que a operação causou ao país. Nos próximos meses, essa conta será cobrada duramente de seus principais estimuladores.

Perspectivas desoladoras para o desemprego no Brasil -- análise


Mesmo que a conjuntura melhore, milhões de brasileiros devem continuar sem trabalho na próxima década, em meio à digitalização e ao abismo entre baixa qualificação profissional e exigências dos empresários.

O economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), divulgou nesta semana prognósticos desoladores: com um crescimento econômico anual projetado de menos de 2%, só em 2033 o desemprego no Brasil retrocederá novamente para abaixo dos 10%.

No momento, 12,5% da população economicamente ativa está sem trabalho, depois de um mínimo de 6,2% em 2013. Contudo, na época o governo pagou caro por esse nível de ocupação, com um déficit estatal alto – muito mais gastos do que arrecadação – e preços elevados de energia e transporte, por exemplo. A economia do país sofre até hoje as consequências dessa "política de emprego".

Brasil | O site "aliado a hackers criminosos"


No último domingo, o Brasil foi surpreendido por três reportagens explosivas publicadas pelo TIB. Nelas, nós mostramos as entranhas da Lava Jato e mergulhamos fundo em poderes quase nunca cobertos pela imprensa. Quase todos os jornalistas que eu conheço preferem se manter afastados disso: apontar o dedo para procuradores e juízes é, antes de tudo, perigoso em muitos níveis – eles têm razão.

As primeiras reações dos envolvidos no escândalo foram essas: O MPF preferiu focar em hackers, e não negou a autenticidade das mensagens. Sergio Moro disse que não viu nada de mais, ou seja: não negou a autenticidade das mensagens.

Moro, na verdade, se emparedou: em entrevista ao Estadão, ele inicialmente não reconhece como autêntica uma frase que ele mesmo disse. Mas depois diz que pode ter dito. E depois ainda diz que não lembra se disse. Moro está em estado confusional.

Horas depois, à Folha, Moro confirmou um dos chats que publicamos: em uma coletiva, ele chamou de “descuido” o episódio no qual, em 7 de dezembro de 2015, passa uma pista sobre o caso de Lula para que a equipe do MP investigue. Confessou que ajudou a acusação informalmente, o que é contra a lei. Como dizem as piores línguas: tirem suas próprias conclusões. 

Deltan Dallagnol não negou tampouco. Ele está bastante preocupado com o que diz ser um “hacker”, mas sequer entregou seu celular para a perícia.

Neom ou a «solução final» palestiniana


A operação para impor uma «solução final» do problema palestiniano dirigida pelos EUA, Israel e Arábia Saudita está a adquirir uma envergadura que escapa à comunicação mainstream e também às mais importantes instâncias internacionais. 

José Goulão | AbrilAbril | opinião

A operação para impor uma «solução final» do problema palestiniano dirigida pelos EUA, Israel e Arábia Saudita está a adquirir uma envergadura que escapa à comunicação mainstream – o que não acontece por acaso – e também às mais importantes instâncias internacionais, sobretudo à ONU. 

Mais alguns passos foram dados em dias recentes, agora que faltam duas semanas para a «conferência de paz» de Manamá (Bahrein), iniciativa que os organizadores pretendem transformar no início de um caminho irreversível – e fatal para os direitos dos palestinianos.

Um dos passos com enorme significado, porque traduz uma alteração de forças com peso na cena internacional, é a mudança de posição da Índia na ONU. Confortado com o reforço da sua vasta maioria nacionalista e populista, o primeiro-ministro Narendra Modi transformou a sua relação com Israel, que já era especial porque sustentada na esfera militar, num apoio internacional aos desígnios do Estado sionista e na ruptura com as estruturas que representam os palestinianos. Motivo alegado: a gestão da Faixa de Gaza pelo Hamas, um grupo «terrorista».

Um pretexto que dá para tudo e, sobretudo, carregado de coerência porque é invocado por alguém que tem vindo a reforçar posições políticas internas recorrendo ao terrorismo contra os opositores.

Rússia e China: fim do mundo unipolar?


Uma Guerra Fria 2.0 pode estar a caminho: depois de sanções dos EUA a Huawei, Xi Jinping e Putin aprofundam cooperação. Planos de integrar a Euroásia são ameaça a hegemonia de Washington — e podem alterar a balança geopolítica

Pepe Escobar | Outras Palavras | Tradução: Gabriela Leite

Um fato extraordinário começou com uma caminhada curta em São Petersburgo

Depois de um passeio, eles pegaram um barco no Rio Neva, visitaram o lendário navio de cruzeiro Aurora, e deram um pulo no Hermitage, para examinar algumas das obras-primas do Renascimento. Tranquilos, calmos, plenos, a todo o momento parecia que estavam mapeando as entradas e saídas de um novo, emergente mundo multipolar.

O presidente chinês Xi Jinping foi o convidado de honra do presidente russo Vladimir Putin. Foi a oitava viagem de Xi à Rússia desde 2013, quando anunciou a Nova Rota da Seda, ou Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês).

Primeiro, se encontraram em Moscovo, assinando diversos acordos. O mais importante foi uma grande surpresa: o compromisso de desenvolver o comércio bilateral e os pagamentos transfronteiriços usando o rublo e o yuan, evitando o dólar norte americano.

Então, Xi visitou o Fórum Internacional Económico de São Petersburgo (SPIEF, na sigla em inglês), principal reunião de negócios da Rússia, absolutamente essencial para quem quiser entender os mecanismos hiper complexos inerentes à construção da integração da Euroásia. Abordei algumas das principais discussões e mesas redondas do SPIEF, aqui.

Em Moscovo, Putin e Xi assinaram duas declarações conjuntas — cujos conceitos chave, crucialmente, são “parceria abrangente”, “interação estratégica” e “estabilidade global estratégica”.

Tribunal Internacional para o Daesh: acima de tudo, não revelar os factos


Uma dezena de países enviaram altos funcionários a Estocolmo para uma reunião, em 3 de Junho de 2019. Sob a presidência do Ministro sueco do Interior, Mikael Damberg (foto), avaliaram a possibilidade de criar um tribunal internacional para julgar os crimes do Daesh (E.I.).

Desde há várias semanas que a França, os Países Baixos e o Reino Unido manifestam o seu interesse numa fórmula inspirada pelo Tribunal Especial para o Ruanda.

Foram levantados inúmeros problemas: 

-- Oportunidade: Julgar unicamente os crimes do Daesh(EI) seria validar os outros crimes cometidos no Levante. 

-- Viabilidade: A criação de um tal tribunal internacional pressupõe o acordo do Iraque e da Síria. Ora, a Constituição iraquiana interdita-o e a Síria --- que muitos participantes não reconhecem --- considera-se capaz de julgar os crimes cometidos no seu território, e age por si mesma a propósito. 

-- Custo: Um tribunal internacional custaria, no mínimo, várias centenas de milhões de dólares. A titulo de exemplo, o Iraque reclama US $ 2 mil milhões (bilhões-br) de dólares à comunidade internacional para julgar os jiadistas que detém. 

-- Limitação de Jurisdição: Pelo menos 17 estados —dos quais vários participavam na reunião— armaram o Daesh, enquanto outros permitiram que ele cometesse crimes (como o genocídio de curdos Yazidis) quando o seu exército estava presente nos locais.

A Cimeira tripartida secreta de Jerusalém


Thierry Meyssan*

Uma cimeira dos conselheiros de segurança nacional norte-americano, israelita e russo foi anunciada em Jerusalém. Trata-se de desmontar o imbróglio à volta do Eixo da Resistência, de garantir a segurança de todos os Estados do Médio-Oriente e uma suserania partilhada dos Estados Unidos e da Rússia sobre todos os actores, entre os quais Israel.

Uma cimeira dos três Conselheiros de Segurança Nacional norte-americano, israelita e russo terá lugar em Jerusalém, em Junho 2019. Este acontecimento inédito já deu lugar a «revelações» e a «desmentidos» sobre aquilo que deverá ser discutido. A quase totalidade dos comentadores glosa a partir de ideias falsas que repetem em coro. Precisamos de os rectificar antes de avaliar o que está em jogo nesta cimeira.

O jogo das Grandes Potências na região

Durante a Guerra Fria, a estratégia norte-americana de contenção (containement) conseguiu afastar a influência soviética no Médio-Oriente. Após o colapso da URSS, a Rússia deixou esta região e só aí voltou aquando da guerra ocidental contra a Síria.

A Rússia está presente no Levante (exceptuando durante o período 1991-2011) desde a época da Czarina Catarina II, a qual, a pedido dos habitantes, enviou a sua frota para defender Beirute. A sua política visa, antes de mais, proteger o berço do cristianismo (que é Damasco e não Jerusalém), fundamento da cultura russa. Ao fazê-lo, a Rússia estendeu a sua influência para o Mediterrâneo Oriental e conseguiu chegar às águas quentes do Oceano Indico.

Quem pode beneficiar do ataque contra petroleiros no golfo de Omã?


O especialista em economia, política e energia e professor da Universidade Al-Juarismi, Seyyed Saeed Mirtorabi Hosseini, acredita que são os EUA quem beneficia do incidente com os dois petroleiros no golfo de Omã.

"Levando em conta que as ações das empresas energéticas dos EUA cresceram em 13 de junho, depois de terem estado caindo por dois dias, logo após o ataque aos petroleiros no golfo de Omã, ficou claro para quem o incidente foi rentável. O Irão, por sua vez, tem dito por muitas vezes que prefere negociar: tanto no que se refere ao acordo nuclear como sobre a tensão na região", explicou ele à Sputnik Persa.

O especialista sublinhou que o incidente com os dois petroleiros ocorreu durante a visita do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe ao Irão e que, portanto, não faria sentido que o autor do ataque fosse o próprio Irão.

Dólar dá aos EUA meios 'para intervirem legalmente ou até criminalmente' -- político francês


A União Europeia e a Rússia não precisam de nenhum contrato para realizarem a maioria das transações em euros, disse Thierry Mariani, político francês e deputado do Parlamento Europeu, acrescentando que "tudo o que ponha fim à hegemonia do dólar é uma coisa positiva".

"Sempre me pareceu surreal que grandes países, como os países europeus ou a Rússia, usem sistematicamente o dólar em certas transações. Isto também dá aos americanos uma arma económica e legal porque eles acreditam que, se sua moeda for amplamente usada, têm o direito de agir", disse o político.

Mariani também afirmou que o dólar está dando aos EUA uma oportunidade legal e até criminosa de interferirem em vários assuntos.

"Um dos principais problemas de hoje é a extraterritorialidade das leis americanas. O uso de sua moeda, em particular, dá aos EUA meios para intervirem legalmente ou até criminalmente em uma ampla série de assuntos. Os bancos franceses pagaram um preço muito alto por isto. Sou daqueles que não compreendem por que razão, face a estas sanções e riscos, a utilização de outras moedas não aumenta. Se este acordo [entre a UE e a Rússia] entrar em vigor, só posso considerá-lo positivo. Mas acho que é uma declaração de intenções, sem qualquer mecanismo concreto", conclui o político francês.

Portugal | Não há projetos redentores


Manuel Carvalho da Silva* | Jornal de Notícias | opinião

Nos discursos do 10 de Junho lá surgiu, mais uma vez, a velha tese de que os portugueses e Portugal só conseguirão desenvolver-se se surgir um projeto redentor, "unificador", protagonizado por atores políticos puros, espécie procurada universalmente há séculos e até hoje não encontrada.

Os seus autores pegam num sentimento difuso de um pretenso vazio em que o país se encontrará e, a partir daí, assumem o papel de porta-vozes de desencantados da democracia. Na realidade são, quando muito, a voz deles próprios, isto é, de parte de uma geração de classe média que só agora descobre que os elevadores sociais em que entraram não dão acesso aos pisos superiores. O povo que luta, geração atrás de geração, pela melhoria das condições do estrato ou da classe social em que se encontra e pela mobilidade positiva, sabe bem quão duro é o combate. Entretanto, hoje há um problema acrescido para todos: na escada rolante descendente do neoliberalismo, as pessoas por mais que se esforcem por subir apenas conseguem marcar passo.

Os projetos unificadores que mobilizam uma sociedade não nascem predefinidos por nenhum salvador da pátria ou "classe política" inovadora, imaculada e intérprete dum pretenso sentido comum. Os projetos unificadores não se encomendam, constroem-se partindo de propostas políticas que expõem os interesses e as ideologias em jogo e quantas vezes em profundo conflito. É a partir daí, com a mobilização dos cidadãos - indispensável até para submeter os renitentes - que se fazem pontes para sustentar linhas de futuro ao serviço da esmagadora maioria.

Portugal | "Uma vergonha". Fenprof termina congresso com crítica a Marcelo


O 13.º congresso da Fenprof terminou com a garantia de luta pela contagem integral do tempo de serviço dos professores e crítica a Marcelo Rebelo de Sousa.

Mário Nogueira, reeleito este sábado secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) com 97,35% dos votos e que encerrou o congresso, em Lisboa, com a promessa de que os próximos desafios serão de luta pelos direitos dos professores e o rejuvenescimento da profissão, disse que os docentes não irão abdicar do tempo de serviço congelado e referiu-se a declarações do presidente da República como "uma vergonha".

Os professores reivindicam a contagem de nove anos, quatro meses e dois dias (9.4.2) de tempo de serviço congelado e alguns docentes confrontaram o chefe de Estado com a questão, em Portalegre, na semana passada, tendo Marcelo Rebelo de Sousa ironizado com os números.

No final do congresso, Mário Nogueira disse aos professores que a Fenprof tinha convidado o presidente da República, que num primeiro momento respondeu que oportunamente responderia.

Mas, depois, acrescentou Mário Nogueira, "a última coisa que o ouvimos dizer em Portalegre, há dias, foi que 9.4.2 para número de telefone ainda faltavam alguns dígitos".

"Este presidente não é presidente de todos os portugueses. É uma vergonha o que ele disse sobre os professores e que isso fique registado", salientou.

Portugal | Fim das taxas moderadoras nos centros de saúde


Aprovou-se hoje (14.6), no Parlamento, o fim das taxas moderadoras nos centros de saúde e em consultas ou exames prescritos pelo SNS. É um primeiro passo aquém do objectivo da total abolição de taxas na Saúde.

As taxas moderadoras foram criadas a partir da ideia – imposta pelos sectores mais inconformados com a conquista de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e gratuito – de que era necessário controlar o acesso aos cuidados de saúde para evitar abusos por parte dos utentes na sua utilização.

No entanto, sucessivos governos têm tornado as mesmas numa fonte de receitas do Estado para financiar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e num peso para os utentes, constituindo um entrave no acesso ao direito constitucional à saúde.

Foi assim que, através de revisão constitucional de 1989, se aprovou o carácter «tendencialmente gratuito» das taxas moderadoras e foram sendo feitas diversas alterações legislativas que vieram introduzir a revisão anual e automática dos seus valores, o seu aumento de acordo com o valor taxa de inflação ou ainda a introdução de penalizações pelo não pagamento das mesmas.

Angola | PARTIR EM BUSCA DE CIVILIZAÇÃO E FUTURO -- Martinho Júnior


MPLA e a necessidade de definição doutrinária, filosófica e ideológica

Martinho Júnior, Luanda 

Sofrendo tantos impactos externos na vida nacional e até uma guerra psicológica velada alimentada de campanhas que parece não terem fim, o MPLA deve-se reorientar num esforço patriótico que parta à redescoberta da identidade angolana!

Da minha parte e com as pernas no futuro, reafirmo a convicção de ser necessário numa lógica civilizacional com sentido de vida, estabelecer os parâmetros duma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável com base na interpretação do conhecimento dos relacionamentos entre os factores físicos, geográficos e ambientais com os factores humanos, valorizando os termos da antropologia cultural e criar os alicerces duma cultura de inteligência patriótica abrangente, inclusIva, aberta à participação alargada e extensiva a todas as franjas da sociedade!

Falta ao MPLA libertar-se do pântano da terapia neoliberal e da socialdemocracia para poder começar a fazer uma outra abordagem em termos de identidade patriótica vocacionada para o futuro a um muito longo prazo!

A libertação do passado de trevas enquanto acto de intensidade civilizacional, deve estar atenta à necessidade de se poder reavaliar constantemente não só o passado de trevas, mas também tudo o que à barbárie diz respeito de forma aberta ou velada, tudo o que da barbárie chegou aos nossos dias, revertendo todo o esforço patriótico na busca da sabedoria e da felicidade que alimenta a vida e o futuro do povo angolano!

Angola | As lágrimas de crocodilo e perdoar o imperdoável


Luciano Rocha | Jornal de Angola | opinião

Angola continua a viver fase crucial como Nação presente e futura, reflexo, é verdade, da crise económica e financeira internacional, mas também da acção da gatunagem que lhe delapidou o erário.

Os larápios de “colarinho branco” são, porventura, mais culpados da situação em que vivemos do que a crise internacional. Que jamais os afectou. Pelo contrário, lhes engordou contas bancárias cá dentro, mas, principalmente, lá fora. Algumas abertas em paraísos fiscais, onde procuraram esconder medos de futuros ventos de mudança. Somente por isso. Que vergonha é coisa com a qual nunca conviveram. Por tal razão, a maioria dos angolanos não sente por eles a mínima compaixão. Vertam as lágrimas de crocodilo que agora fazem sair dos mesmos olhos que fingiam não ver a morte de tantas pessoas. Em muitos casos causada por doenças evitáveis e curáveis. Que, todavia, em pelo século XXI, entre nós, se tornaram fatais pela falta de medicamentos nos sítios onde deviam estar. E eram (são) vendidos em mercados de bairro, ruas e becos, em qualquer esquina, no “mercado negro” a preços que se conhecem, tabelados de acordo com a lei da especulação. Aos quais os mais deserdados da sorte, as maiores vítimas entre todos nós, não têm acesso, mesmo que se dispusessem a adquiri-los. 

Crianças, homens e mulheres, de todas idades, também morreram pela inexistência de hospitais dignos desse nome. Que deixaram de ser construídos, ou reparados, pela desvergonha dos larápios de “colarinho branco”. Que tomaram de assalto o erário e o transformaram em saco privado sem fundo.

Dívida pública serviu para financiar enriquecimento ilícito, admite João Lourenço


O presidente do MPLA, João Lourenço, declarou hoje que a dívida pública, em especial a externa, atingiu níveis muito altos porque serviu, também, para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita seleccionada na base no parentesco, amiguismo e compadrio.

O líder do MPLA indicou que, com essa situação de injustiça, que urge corrigir, por cada dólar que se despende para amortizar o serviço da dívida, o Estado está, também, a pagar o investimento dito privado na banca, na telefonia móvel, nos medias, diamantes, entre outros, “que uns poucos fizeram com dinheiros públicos”.

Ao discursar na sessão de abertura do VII congresso extraordinário do MPLA, João Lourenço disse não ser aceitável “e nem podemos nos conformar com o facto de se ter chegado ao ponto de colocar empresas públicas, com destaque para a Sonangol e a Sodiam, a financiar também alguns desses negócios privados, como se de instituições de crédito se tratassem”.

Angola | “Sim” a João Lourenço, mas “não” a muitos do seu gang


A minha confissão sem cinismo é de confiar em João Lourenço, pese a sua tribo bajuladora, pensar o contrário, em relação ao meu pensamento. Não me ofendo, pelo contrário, sabendo estarem as mentes obtusas apenas comprometidos, com a mentira, as mordomias, a maldade, a ganância, a roubalheira e a organização criminosa institucional.

William Tonet | Folha 8 | opinião

São a escória da política, com comportamentos danosos e dolosos, com a cumplicidade dos corredores do alto poder, que defraudam, todos os dias, o sonho do cidadão, em função de uma crónica e aselha incompetência.

João Lourenço tem força de vontade, mas falta-lhe a vontade da força, para aferir da impossibilidade de erguer uma barragem no meio do Oceano Atlântico.

Quando um líder começa mal uma empreitada; combate à corrupção, por se ter auto-convencido de a humildade de conclamar os demais actores políticos a um Pacto de Regime, ser sinónimo de fraqueza, não consegue, não conseguirá, nunca, atingir os píncaros da razoabilidade, tão pouco da eficácia governativa.

A democracia é incompatível com a injustiça, a ilegalidade, a discriminação, mas com a ditadura (estes conceitos) são compatíveis.

Angola: Comité Central do MPLA alargado para 497 membros


O VII Congresso Extraordinário do MPLA elegeu este sábado, com 92,32% dos votos, os novos 134 membros do Comité Central, que passa a contar com 497 dirigentes. Comissão eleitoral considerou a votação "livre e justa".

O anúncio foi feito pelo presidente da comissão eleitoral do congresso, Francisco Queirós, que deu conta que votaram na lista única 2.266 dos 2.591 delegados presentes, tendo-se registado também 93 votos contra (4,1%), 53 em branco e 28 nulos.

Segundo Francisco Queirós, que falava na sessão de encerramento do congresso, a comissão eleitoral considerou a votação "livre e justa", "sem factos comprometedores da lisura e transparência do processo".

sábado, 15 de junho de 2019

Angola | João Lourenço critica José Eduardo dos Santos por faltar ao congresso


Num discurso que apontou baterias à família do seu antecessor, o Presidente de Angola falou dos “que ameaçam o MPLA e fazem chantagem” e defendeu a necessidade de fazer respeitar a Constituição e a Lei.

O Presidente de Angola abriu o 7.º Congresso Extraordinário do MPLA, lamentando a ausência do seu antecessor na liderança do partido e do país: “Gostaríamos imenso de ter entre nós a presença do camarada José Eduardo dos Santos, que, ao longo de 39 anos, conduziu o MPLA nos momentos bons e maus e hoje é o presidente emérito do nosso partido”, afirmou João Lourenço.

Se estivesse, aquele que foi chefe de Estado angolano durante 39 anos, não gostaria de ter ouvido o seu sucessor a criticar aqueles que “ameaçam o MPLA e fazem chantagem”, numa clara alusão à família Dos Santos.

Uma das filhas de José Eduardo dos Santos, a deputada Tchizé dos Santos, é outra das grandes ausentes do congresso, suspensa do Comité Central do partido por estar ausente do Parlamento há mais do que os 90 dias permitidos pelo estatuto de deputado e se recusar a suspender o seu mandato.

Brasil | As mensagens secretas da Lava Jato, ou quanta sacanagem existe na justiça


Sergio Moro, enquanto julgava Lula, sugeriu à Lava Jato emitir uma nota oficial contra a defesa. Eles acataram e pautaram imprensa

Um trecho do chat privado entre Sergio Moro e o então procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima mostra que o ex-juiz pediu aos procuradores da Lava Jato uma nota à imprensa para rebater o que chamou de "showzinho" da defesa de Lula após o depoimento do ex-presidente no caso do triplex do Guarujá. O conteúdo faz parte do arquivo As mensagens secretas da Lava Jato.

Os procuradores acataram a sugestão do atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em mais uma evidência de que Moro atuava como uma espécie de coordenador informal da acusação no processo do triplex. Em uma estratégia de defesa pública, Moro concedeu uma entrevista nesta sexta-feira ao jornal o Estado de S. Paulo onde disse que considera “absolutamente normal” que juiz e procuradores conversem. Agora, está evidente que não se trata apenas de “contato pessoal” e “conversas”, como diz o ministro, mas de direcionamento sobre como os procuradores deveriam se comportar.

Juntamente com as extensas evidências publicadas pelo Intercept no início desta semana – em que Moro e Deltan conversam sobre a troca da ordem de fases da Lava Jato, novas operações, conselhos estratégicos e pistas informais de investigação –, esta é mais uma prova que contraria a tentativa de Moro de minimizar o tipo de relacionamento íntimo que ele teve com os promotores.

Ao contrário da defesa de Moro de que as comunicações eram banais e comuns – contendo apenas notícias e informações, mas não ajudando os promotores a elaborar estratégias ("existia às vezes situações de urgência, eventualmente você também está ali e faz um comentário de alguma coisa que não tem nada a ver com o processo", disse ao Estadão) –, essas conversas provam que Moro estava sugerindo estratégias para que os procuradores realizassem sua campanha pública contra o próprio réu que ele estava julgando.

Portugal | Pode o CDS-PP querer voltar a ser o «partido dos contribuintes»?


Na tentativa de apagar responsabilidades do agravamento fiscal que protagonizou, o CDS-PP apresentou hoje (14.06) um pacote de medidas para a «defender os contribuintes dos abusos» da Autoridade Tributária.

AbrilAbril | editorial

Num salto em frente para fazer esquecer as medidas fiscais – realizadas pelo anterior governo do PSD e do CDS-PP – que agravaram as condições de vida das populações e dos trabalhadores, Assunção Cristas apresentou hoje, em conferência de imprensa, um conjunto de propostas que parece querer ressuscitar a velha ideia de que este pode ser «o partido dos contribuintes».

A ex-ministra anuncia ideias no sentido de «aumentar as garantias» de defesa dos contribuintes, designadamente em torno de penhoras fiscais para fazer face a «acções desproporcionais e abusivas» levadas a cabo pela Autoridade Tributária, as quais farão parte do programa eleitoral do partido para as próximas eleições legislativas.

O Portugal da Mini – um discurso salazarista em Portalegre


Tinha curiosidade no discurso de João Miguel Tavares, presidente das comemorações do 10 de Junho de 2019. Tinha vontade, mais do que esperança, de ser surpreendido. Em várias ocasiões da minha já longa vida vi pessoas vulgares superarem-se quando colocadas em situações difíceis. Serem mais do que eles.

Carlos de Matos Gomes * | Jornal Tornado | opinião

Na minha geração e como símbolo do que quero expor, o Fernando Salgueiro Maia, que se transformou diante dos nossos olhos no Terreiro do Paço e no Largo Carmo no “homem do leme” do poema de um génio, Fernando Pessoa, que enfrentou o Mostrengo. O 10 de Junho tem como patrono um génio que escreveu uma epopeia dos portugueses.

O discurso de João Miguel Tavares correspondeu ao que esperava dele, em vez de génio e grandeza, ele exaltou o português da mini do snack bar da cidade, aquele português que sucedeu sem percalços ao português de Salazar do copo de três na tasca da aldeia. O mesmo português do respeitinho, servil, de chapéu na mão, um tanto alarve.

Portugal | Corrupção e censura prévia


Inês Cardoso | Jornal de Notícias | opinião

Nas últimas semanas intensificaram-se ações de buscas e processos por corrupção e tem vindo a agigantar-se a perceção de que somos um país minado por práticas abusivas, agora com as autarquias a ganhar peso.

O aumento do número de inquéritos pode ser visto noutra perspetiva: a de que ganhámos capacidade de investigação e de combate a estes crimes. Investigar, punir e criar condições para o rigor na vida pública é essencial para pôr fim ao que parece ser uma doença endémica.

Para isso é essencial celeridade nos processos. Porque esse é um direito dos que se veem envolvidos e incriminados, mas também porque estão em causa interesses públicos que fazem com que o resultado destes inquéritos diga respeito a toda a comunidade. Convém nunca esquecer que há diferenças sucessivas entre fazer buscas, acusar e condenar, portanto é crucial perceber o que fica no final dos processos, quando de facto transitam em julgado.

Portugal | Pedro Duarte, a direita “social-democrata” ainda mais liberalizadora


Pedro Duarte apresenta programa alternativo a Rio

Manifesto X quer promover a felicidade dos portugueses, mas com despedimentos liberalizados. Agora não é só “turbulência” política, há também concorrência programática. 

Enquanto Rui Rio realiza hoje, em Coimbra, a Convenção do Conselho Estratégico Nacional dedicada à Justiça, na segunda-feira, Pedro Duarte — um dos possíveis candidatos à liderança do PSD — apresenta um embrião de programa com medidas que contrariam as principais posições do líder do PSD nessa área. Mas também noutras: se Rio corre o país a fazer convenções temáticas para preparar o programa eleitoral, este crítico lança um programa alternativo preparado com 25 independentes (entre eles António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa ou João Paulo Batalha, da Transparência e Integridade). 

O chamado ‘Manifesto X’ será divulgado no dia 17, em Lisboa, com 100 medidas e dez metas que o país deve atingir nos próximos dez anos.

Vítor Matos | Expresso

*Artigo sobre Pedro Duarte, o ainda mais liberalizador, é condicionado. Siga as instruções em Expresso

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. Pode usar a app do Expresso - iOS e Android - para descarregar as edições para leitura offline)

- Titulo PG

Cães deitados ao lixo e electrocutados geram indignação em Cabo Verde


Na capital de Cabo Verde, os cães errantes são apanhados e abatidos por eletrocussão na lixeira municipal. A falta de campanhas de esterilização está na origem da prática, criticada por associações de bem-estar animal que defendem outras políticas de controlo da população canina.

A presença de cães nas ruas de Cabo Verde, particularmente na cidade da Praia (ilha de Santiago), é visível mal se chega à capital. Muitos apresentam feridas e é raro o que não mostra sinais de agressão ou atropelamento. Vivem nos campos, dormem nas praias, ocupam as entradas dos prédios ou das lojas, fogem do calor debaixo dos carros. Há cães velhos, embora raros, cadelas grávidas ou com sinais de parto recente, cachorros mal-escondidos em buracos de terra e cães menos jovens e adultos.

A população canina tem-se revelado uma dor de cabeça para as autoridades, que se deparam com uma forte oposição dos que estão contra a forma como estes animais são capturados e abatidos, por eletrocussão.

O vereador da Cultura, Ambiente e Saneamento da Câmara Municipal da Praia assume que os animais são capturados e, quando não são resgatados, acabam eletrocutados. "Temos a consciência plena de que não é a abater os cães que se resolve o problema", afirmou António Lopes da Silva à Lusa, assegurando que a captura só acontece nos bairros sem campanhas de esterilização, que são a maioria.

Aí, os cães reproduzem-se e, ciclicamente, são capturados e levados para a lixeira, onde serão eletrocutados se ninguém os for resgatar, a troco de cerca de 28 euros por cão.

Crise política: Presidente guineense ausculta partidos para nomear primeiro-ministro


Presidente guineense recebe em audiências separadas os seis partidos com representação parlamentar, três meses depois de realizadas as eleições legislativas

A menos de 24 horas da chegada ao país (15.06.) de uma missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para uma visita de acompanhamento à situação política, o Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, reuniu-se esta sexta-feira (14.06.) com os partidos políticos com assento parlamentar, para recolher opiniões sobre a nomeação de um novo primeiro-ministro  e consequente nomeação do Governo.

Nas audiências separadas, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas legislativas (10 de março), foi o primeiro a ser ouvido pelo Presidente José Mário Vaz.

Portugal acusado de interferência nos assuntos internos da Guiné-Bissau


“O grupo parlamentar do Movimento para a Alternância Democrática apela às autoridades daqueles países a absterem-se de ingerir nos assuntos internos do nosso país e respeitarem a soberania, as leis e as instituições da República da Guiné-Bissau”, refere, em comunicado, o segundo partido mais votado nas legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau.

O Movimento para a Alternância Democrática da Guiné-Bissau (Madem-G15) apelou hoje às autoridades portuguesas e angolanas para se absterem de “ingerir” nos assuntos internos da Guiné-Bissau.

“O grupo parlamentar do Movimento para a Alternância Democrática apela às autoridades daqueles países a absterem-se de ingerir nos assuntos internos do nosso país e respeitarem a soberania, as leis e as instituições da República da Guiné-Bissau”, refere, em comunicado, o segundo partido mais votado nas legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau.

Angola | LEGÍTIMO AVISO À NAVEGAÇÃO! - Martinho Júnior


Martinho Júnior, Luanda 

Os socialdemocratas de injectado pensamento estruturalista estão incapazes de perceber que a hegemonia unipolar, para fazer prevalecer o seu domínio, é em todas as opções profundamente dialética!...

É dialética quando divide, é dialética quando dissemina o caos, é dialética quando desagrega, é dialética com a subversão da liberdade e da democracia...

É DIALÉTICA QUANDO, INJECTANDO ESTRUTURALISMO NO MPLA, PREPARA DE FACTO O "THE DAY AFTER" COM A UNITA!...

Por conseguinte: terapia neoliberal com cariz socialdemocrata sendo uma afronta à história do MPLA, não o será jamais em meu nome, nem em nome do futuro que tenho vindo a propor com base na própria experiência do MPLA!

Se assim for, desalojaram a identidade histórica do MPLA e meteram-se na concha que ficou, conferindo à criatura a subversão de sua própria identidade!

É premente lutar contra a corrupção neutralizando as suas raízes, caso contrário essa luta corre o risco de ter apenas pernas curtas!

MILITANTE ALGUM DO MPLA DEVE CAUCIONAR UM EXPEDIENTE DESSA NATUREZA!

Martinho Júnior - Luanda, 13 de Junho de 2019

A consultar:

Foto: Mausoléu de Agostinho Neto, em Luanda.

Angola | Chivukuvuku pede sugestões para criação do novo partido...


 ...e manda “farpas” ao MPLA

A nova organização política que tem como segundo desafio a participação nas eleições gerais de 2022, vai ser criada com recursos próprios, como já fez no passado, com a criação da CASA-CE, em 2012.

O político angolano Abel Chivukuvuku, ex-presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), reuniu nesta sexta-feira em Luanda, vários apoiantes para pedir sugestões visando a formação de um novo partido político angolano cujo nome será divulgado até 15 de agosto próximo.

No primeiro contacto direto com os seus apoiantes, depois da sua destituição da liderança da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação eleitoral (CASA-CE) em fevereiro deste ano, por alegada "quebra de confiança", Chivukuvuku mandou várias "farpas” ao MPLA, partido que suporta o Governo, afirmando que organização está composta de cidadãos "antipatrióticos que delapidaram o país”.

Abel Chivikuvuku juntou na manhã desta sexta-feira (14.06.) numa unidade hoteleira no Talatona, centenas de apoiantes com quem discutiu os métodos para o lançamento de um novo projeto político, que no seu entender poderá garantir alternância do poder em Angola.

Moçambique | Renamo denuncia “encenação caluniosa e grosseira” de desertores


Na sequência das denuncias, por parte de um pequeno grupo de guerrilheiros da Renamo, que o processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) está a ser mal conduzido por Ossufo Momade o maior partido de oposição esclareceu nesta quinta-feira (13) que tratam-se de desertores que através de uma “encenação caluniosa e grosseira” pretendem desacreditar o seu presidente.

Mariano Chizinga, major-general do partido Renamo, denunciou nesta quarta-feira (12) que a lista enviada pelo presidente ao Governo “é para excluir todos os combatentes da Renamo, assim como o comandos. Toda a mata está cheia de comandantes, a partir da praça até generais, mas ele levou os amigos que não são militares. Não nos querem. Mandou evacuar todos os delegados, assim está para mandar evacuar todos os comandos assim como praças, para as casas e ele levar os amigos dele que são da Renamo renovada e irem tomar posse. Afinal democracia é assim ? Se Ossufo é usado, se as pessoas estão a usar Ossufo, amanhã vão chorar. Forças ainda estamos!”

“Matou nosso brigadeiro, espera resposta para Ossufo. Todo o povo moçambicano ouve isto: Nós já não temos facto com Ossufo, deteve três brigadeiros, matou um brigadeiro e ficaram dois brigadeiros. Mandou correr dois coronéis. Ossufo não quer a pessoa que está na Renamo. Quando ver que este comandante encosta muito da Renamo, ele mata. Assim, o que eu estou a falar, nas costas de Ossufo, estão aí, procurar os comandos da Renamo para matar”, revelou Mariano Chizinga a jornalistas no Distrito da Gorongosa, na Província de Sofala.

Crocodilos causam pelo menos uma morte por mês em Timor-Leste


Num país de 1,2 milhão de habitantes, os ataques aumentaram cerca de 20 vezes nos últimos dez anos

Lospalos, Timor-Leste - Os dois cientistas vieram de muito longe na esperança de descobrir o que muitas pessoas procuram evitar: crocodilos que comem seres humanos. Em março, os biólogos Yusuke Fukuda e Sam Banks, da Austrália, vieram a Timor-Leste a fim de investigar um mistério nacional: por que motivo tantos timorenses estão sendo mortos por crocodilos?

Os ataques aumentaram nada menos que 20 vezes nos últimos dez anos, uma média de pelo menos uma morte por mês em um país de 1,2 milhão de habitantes. Há séculos, a população de Timor-Leste reverencia e adora os crocodilos. O mito original do país fala do crocodilo Lafaek Diak, que pela amizade por um menino se sacrificou transformando-se no lar da criança - a ilha de Timor; cada escama da sua pele tornou-se uma montanha.

Os timorenses chamam aos crocodilos “abo”, avô, na língua tétum (de influência portuguesa), e matá-los é tabu do ponto de vista cultural, além de ilegal. Os animais são tão admirados que, por timidez, as vítimas dos ataques muitas vezes deixam de denunciá-los.

Singapura acaba com rankings escolares já no próximo ano letivo


O objetivo é combater a extrema pressão a que os estudantes estão sujeitos desde a infância. O país tem conquistado os valores mais altos do mundo em resultados académicos.

Singapura vai abolir os rankings escolares no próximo ano letivo. Os alunos deixarão também de saber em que lugar ficaram na avaliação. A medida histórica é ainda mais surpreendente tendo em conta que o sistema de educação do país é considerado um exemplo para o resto do mundo.

A medida tem como objetivo combater o elevado stresse que os pais colocam nos filhos desde o primeiro ano - aos fins de semana as crianças têm aulas de enriquecimento curricular para conseguirem ficar nos primeiros lugares da classe. Segundo o Ministro da Educação Ong Ye Kung, com a eliminação de notas pretende-se mostrar aos estudantes que "aprender não é uma competição", conta a imprensa internacional.

Os melhores alunos de Singapura nas áreas de Matemática, Ciência e Leitura, vão continuar a ter avaliações, mas estas irão limitar-se a "observações mínimas e máximas". Não haverá registo de notas nem comparação com outros colegas, e o Ministério da Educação vai também abolir o termo "aprovado" e "reprovado" nos resultados finais.