sábado, 25 de junho de 2022

MARTE PLANETA CANDIDATO À UNIÃO EUROPEIA – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

Os EUA são uma potência fiável. A União Europeia está no bom caminho. A Rússia é o inferno. Este é o resultado de uma “sondagem” entre os cidadãos dos países do cartel falido de Bruxelas. Uma peça da propaganda acéfala dos senhores da guerra na Ucrânia. Os cidadãos dos países ocidentais são submetidos a um bombardeamento informativo permanente (propaganda em nome da informação), 24 horas sobre 24. 

A Ucrânia vai ganhar a guerra. A Ucrânia é uma democracia de partido único, com pide, prisões arbitrárias, torturas, assassinatos de adversários políticos. A Ucrânia defende os valores da civilização ocidental. Morre por nós, como proclamou Úrsula von der Leyen. Este “nós” quer dizer nazismo.

A Federação Russa, diz o bombardeamento informativo, está a provocar a fome no mundo. A inflação galopante é provocada pelos russos. O aumento dos preços de bens essenciais deve-se ao senhor Putin. Esta é a ladainha diária, segundo a segundo, nas televisões de todos os países ocidentais, nas rádios, nos jornais que já são pouco mais do que papel sujo com tintas caras. Depois do bombardeamento de propaganda fazem uma sondagem. 

Os resultados são inesperados. Os EUA são muito fiáveis. A União Europeia, ao despejar milhares de milhões na Ucrânia vai lindamente. Ainda ontem os burocratas de Bruxelas tentaram matar à fome os reformados e pensionistas de Portugal e Grécia, porque os governos destes países eram “despesistas” e gastavam o dinheiro todo em mulheres e em copos. Roubaram os subsídios de férias e de Natal aos trabalhadores em nome das dívidas soberanas. Confiscaram a independência a Lisboa e Atenas. Agora Bruxelas despeja milhares de milhões na Ucrânia onde não há nem fumos de democracia. Não existem contas certas. A dívida pública é astronómica e a corrupção generalizada.

A sondagem do bombardeamento informativo concluiu que a Federação Russa só é aprovada por dez por cento dos cidadãos da União Europeia. Em Portugal, só dois por cento aprovam. Estão a atirar os eleitores para os braços da extrema-direita. Em Portuga subiu de um deputado para a terceira força parlamentar. Em França de oito deputados, trepou para 89. O Reino Unido debandou da União Europeia pela trela da extrema-direita, personificada em Boris Johnson. A globalização, que havia de implantar a democracia no mundo, deu lugar aos muros nos EUA, em Israel ou na Polónia. Estão todos a imitar o nacionalismo puro e duro. Mas não querem que se saiba!

Ao mesmo tempo soltaram os demónios do belicismo. Fazem a guerra à Federação Russa por procuração passada à Ucrânia. A União Europeia entregou a sua soberania aos EUA. A Comissão de Úrsula e o Conselho de Charles Michel são secções do Departamento de Estado. A OTAN (ou NATO) é o quartel-general do Pentágono na Europa. Aprovação total dos europeus! Até porque lhes garantem que a Federação Russa já perdeu a guerra. A Lituânia, um pequeno país falido onde mais de metade da população é russa, espezinha os derrotados russos.

Os EUA mantêm tropas de ocupação no Iraque e na Síria. Ninguém fala disso. Eu vi os efeitos da guerra na cidade de Bagdade, quando a capital do Iraque foi bombardeada com armas de destruição maciça. Destruíram bairros inteiros, museus, fábricas ou escolas. Ninguém falou de crimes de guerra. Agora os senhores da guerra na Ucrânia fazem excursões a Irpin e Bucha para verem crimes de guerra. Depois montam o espectáculo televisivo.

Convido todas e todas a visitarem Lisichansk, na República Popular de Kugansk. Os nazis de Kiev fizeram quartel numa fábrica de leite, a Artyomovskoye. Instalaram um depósito de munições e esconderam veículos blindados (fornecidos pelas potências ocidentais). Nos terrenos adjacentes montaram canhões de longo alcance.

Na região de Odessa, em Dachnoye, existe uma Casa da Cultura com um pavilhão desportivo. Os nazis de Kiev instalaram lá lançadores de foguetes e esconderam veículos de guerra blindados. Lançavam os seus ataques a partir daquelas instalações.

Em Kramatorsk, República Popular de Donetsk, os nazis de Kiev ocuparam um prédio na Rua Parkovaya número 95. Instalaram lá um depósito de munições. Os moradores serviram de escudos humanos. Nas escolas número quatro (Rua Piymachenko) e número 25 (Rua Khmelnitskogo) criaram posições de fogo. Os moradores das casas à volta foram obrigados a ficar, como escudos humanos.

Em Bucha e Irpin fizeram exactamente o mesmo. E continuam a usar prédios de habitação, hospitais, escolas, centros comerciais e outros espaços civis, como trincheiras e pontos de fogo da artilharia. Os nazis de Kiev fizeram de Odessa um imenso campo de concentração. Cada cidadão é um escudo humano. Ninguém pode ir às praias porque enxamearam toda a orla marítima de minas. Uma cidade que vive do turismo, das suas praias, está transformada num quartel de nazis. Úrsula, Charles Michel, Borrell, Jens Stoltenberg, Biden, Guterres não querem ir pôr os lombos ao sol nas praias daquela estância de veraneio? Não querem ir ver os crimes de guerra dos nazis? Claro que não. São eles que armam, municiam e financiam os criminosos.

O chefe do Exército da Finlândia diz que está pronto para a guerra com a Federação Russa. O chefe da NATO (ou OTAN) diz que a guerra vai durar anos. A Lituânia provoca o vizinho. O presidente da Polónia deseja ardentemente entrar na guerra. Os líderes ocidentais garantem que apoiam a Ucrânia até à derrota dos russos. Droga? Loucura? Irresponsabilidade? Seja o que for, são os cidadãos eleitores que escolhem este lixo humano para liderar os seus destinos. Isto vai acabar mal. Mesmo muito mal. Porque o problema só se resolve quando os povos correrem com esta gente. Pelos vistos, estão de acordo com eles. Quando sentirem, a sério, os efeitos da guerra, vai ser demasiado tarde para emendarem os erros.

Hoje a propaganda está virada para a “decisão histórica” do Conselho Europeu considerar a Ucrânia “candidata” à União Europeia. O estatuto de país candidato vale tanto como nada. Se Úrsula e a sua quadrilha considerarem Marte planeta candidato à União Europeia, os marcianos vão continuar a ser enfeitados com antenas e a ser vistos por alucinados. Mas da Bulgária vem uma lufada de responsabilidade. O governo que apoiava a guerra, a União Europeia e a OTAN (ou NATO) foi derrubado com uma moção de censura. Pode ser o fim da alienação.

*Jornalista

'FADIGA DA UCRÂNIA' CRESCE E BOOMERANG DE SANÇÕES DEVASTA OCIDENTE

# Traduzido em português do Brasil

“Os líderes ocidentais podem reunir seu povo para suportar o sacrifício econômico pelo bem da Ucrânia – ou essa é uma competição que apenas Putin pode vencer?”

Drago Bosnic* | South Front 

Em 24 de fevereiro, o Ocidente político parecia decididamente autoconfiante, pois esperava que a Rússia estivesse voltando para os desastrosos anos 1990, com as perspectivas sociais e econômicas do país aparentemente em frangalhos . As reservas cambiais russas foram roubadas, os bancos foram cortados do SWIFT, o espaço aéreo ocidental banido, enquanto qualquer coisa remotamente conectada à Rússia e suas magníficas contribuições civilizacionais foi efetivamente “ cancelada ”. De acordo com a mídia ocidental, parecia que a Rússia tinha acabado. Afinal, o “mundo inteiro” não estava agora inequivocamente contra isso? Bem, talvez nas mentes da liderança ocidental, pois eles têm uma ideia muito específica do que é “o mundo”. O mundo atual não tem “o privilégio” de ser membro deste “clube de elite”.

Com o tempo, porém, o Ocidente político começou a perder sua autoconfiança equivocada. À medida que o regime de Kiev continuava sofrendo derrotas, e apesar de uma campanha massiva na mídia para retratá-lo como vencedor, as pessoas ficaram menos entusiasmadas. Isso piorou depois que as sanções começaram a afetar mais o Ocidente do que a própria Rússia. A liderança ocidental tentou distorcer a narrativa, alegando que as sanções supostamente não tinham efeito bumerangue, mas que “a invasão brutal e não provocada da Rússia” era a razão por trás dos problemas de todos. Em uma coluna recente do LA Times , Doyle McManus descreveu sua experiência depois de visitar a Europa. O colunista esteve na Itália para ver como as sanções afetaram a vida na Europa:

“Não foi difícil encontrar os efeitos. Você está insatisfeito com $ 5 por galão de gasolina? Experimente $ 8. "É doloroso encher o tanque", lamentou meu amigo Roberto Pesciani, professor aposentado. Contas de serviços públicos? O custo do gás natural é quatro vezes maior na Itália do que nos EUA. 'Os preços do aquecimento estão em alta. Os preços das mercearias estão em alta. Tudo está subindo', disse Pesciani.

As preocupações vão além da inflação. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, alertou recentemente que o bloqueio da Rússia às exportações de grãos da Ucrânia pode desencadear uma guerra global do pão, produzindo fome na África e uma nova onda de imigrantes indo para a Europa. 'O problema com as sanções à Rússia é que elas só funcionarão se nos prejudicarem também', observou Pesciani.

Naturalmente, a falsa narrativa da Rússia bloqueando os portos ucranianos precisa ser mantida viva a todo custo. Há apenas um “pequeno” problema – ele não existe . Normalmente, a liderança ocidental pega um problema e intencionalmente o desproporciona para manter vivas as narrativas políticas “úteis”. No entanto, esta é uma mentira descarada e não adulterada. Apenas um dos muitos vindos do Ocidente político. O que é definitivamente verdade é a próxima crise alimentar e o caos resultante, mas os europeus têm apenas a si mesmos para culpar. Eles efetivamente se isolaram das commodities russas impondo embargos, até sancionando terceiros, mas, ao mesmo tempo, reclamando da escassez e tentando jogar a culpa na Rússia. Naturalmente, está falhando. Mas o Ocidente político continua pressionando, até culpando o mundoapenas por tentar adquirir alimentos e outros itens essenciais da Rússia.

McManus continua explicando os problemas que a UE enfrenta:

“A dor econômica está criando problemas políticos para os governos europeus – a fadiga da Ucrânia. "Já está aqui", disse-me Nathalie Tocci, diretora do Instituto de Assuntos Internacionais da Itália. “A dor é muito maior na Rússia, é claro, mas nossa tolerância à dor é menor. Portanto, a questão é qual curva é mais acentuada: a capacidade da Rússia de fazer a guerra ou a nossa capacidade de suportar a dor econômica.' O presidente russo, Vladimir Putin, está apostando que vencerá esse concurso. As sanções econômicas do Ocidente "não tiveram chance de sucesso desde o início", disse ele. 'Somos um povo forte e podemos lidar com qualquer desafio.'”

Embora a noção de que “a dor seja muito maior na Rússia” seja questionável na melhor das hipóteses, a Rússia pode realmente suportar muito mais. McManus também mencionou a recente pesquisa ECFR (Conselho Europeu de Relações Exteriores) de 10 países , mostrando que os europeus estavam bastante pessimistas em relação à Ucrânia e acrescentou:

“… Macron, Scholz e Draghi pegaram um trem noturno para Kyiv na semana passada para mostrar seu apoio a Zelensky. Apenas algumas semanas atrás, todos os três pareciam vacilantes na guerra. Macron fez um esforço muito público para atrair Putin para as negociações e disse que o Ocidente deveria evitar tentar 'humilhar' a Rússia. Scholz e Draghi fizeram tentativas mais discretas para ver se o líder russo poderia considerar negociações. Putin rejeitou os três. A certa altura, ele até se recusou a atender um telefonema de Macron.

"A Ucrânia deve ser capaz de vencer", declarou Macron. "A Ucrânia faz parte da família europeia", disse Scholz. "O povo ucraniano está defendendo os valores da democracia", disse Draghi.

Os três não entregaram o que Zelensky mais queria: entrega rápida de novas armas. Mas eles endossaram o pedido de adesão da Ucrânia à UE – uma declaração bem-vinda em Kyiv, mesmo que seja quase inteiramente simbólica. O presidente russo respondeu cortando imediatamente o fluxo de gás natural para o Ocidente, um lembrete de que ele pode infligir problemas econômicos a seus vizinhos sempre que quiser”.

A última frase é bastante indicativa do modo como os meios de comunicação de massa ocidentais (ab)usam os fatos. O Canadá está atualmente retendo as turbinas necessárias para o “Nord Stream” operar. E, no entanto, isso é de alguma forma “culpa de Putin”. McManus então se concentra nos EUA, fazendo a pergunta final e chave:

Mesmo nos EUA, a inflação corroeu o apoio público à guerra. Em abril, uma pesquisa da Associated Press descobriu que a maioria dos eleitores americanos achava que os EUA deveriam impor sanções duras contra a Rússia, mesmo que isso significasse dor econômica dos EUA. Em maio, a maioria havia mudado; 51% disseram que a prioridade máxima deveria ser limitar os danos à economia dos EUA. Como Gideon Rachman, do Financial Times, observou no mês passado, a guerra na Ucrânia está sendo travada em três frentes – e o Ocidente está envolvido em todas as três. "A primeira frente é o próprio campo de batalha", escreveu ele. “A segunda frente é econômica. A terceira frente é a batalha de vontades. O maior desafio nessa terceira frente pode vir neste outono – quando a demanda por combustível para aquecimento aumentar. As apostas serão altas.

*Drago Bosnic  -- analista geopolítico e militar independente

SONHOS DO REGIME DE KIEV

Enquanto as hostilidades ativas continuam na linha de frente na Ucrânia, o regime de Kiev pode se gabar de supostas “vitórias” políticas.

Nos últimos dias, registaram-se alguns progressos no processo de adesão da Ucrânia à União Europeia.

Em 17 de junho, a Comissão Europeia recomendou conceder à Ucrânia o status de candidato à adesão à UE. A mesma intenção foi expressa em relação à Moldávia. Ao mesmo tempo, a Geórgia foi recusada.

Em 22 de junho, o ministro-delegado francês para a Europa, Clément Beaune, disse que a Ucrânia, devastada pela guerra, receberá o status de candidato da UE nos próximos dias.

A decisão de Bruxelas certamente se tornará mais um motivo de orgulho do regime de Kiev, que não pode se gabar de nenhuma vitória militar nas linhas de frente.

No entanto, a concessão do status de candidato da UE não significa que a Ucrânia se tornará membro da união.

O procedimento acelerado para a adesão da Ucrânia à União Europeia está excluído, bem como outros privilégios nesta matéria.

O delegado francês enfatizou em sua declaração que as hostilidades na Ucrânia devem ser interrompidas o mais rápido possível, mas não são motivos suficientes para abandonar as regras fundamentais da adesão à UE.

Qualquer país membro da União Europeia deve cumprir requisitos extremamente rigorosos na luta contra a corrupção, o Estado de direito, o desenvolvimento económico, etc.

Kiev precisa de realizar reformas para cumprir todos os requisitos para a adesão à UE.

No caso da Ucrânia, a concessão do status de membro da UE é a manifestação política de Bruxelas contra a Rússia. A decisão não visa o resultado, ou seja, a aceitação de uma Ucrânia destruída nas fileiras europeias. Pelo contrário, é um sinal de sua prontidão para iniciar um longo processo no qual Bruxelas ganha um meio direto de pressão sobre Kiev.

Assim, Bruxelas procura implementar sua própria política em relação à Ucrânia além das diretrizes de Washington. Na situação actual, o facto de conceder o estatuto de candidato é mais importante para Bruxelas do que para Kiev.

South Front

DESARMAR-DESNAZIFICAR: RÚSSIA MAIS PERTO DO SEU OBJETIVO NA UCRÂNIA

Mísseis nucleares na Bielorússia, Forças russas dominam Severodonetsk, entram em Lysychansk e dizem controlar fábrica de Azot, de onde evacuaram 800 civis

Putin: Rússia vai enviar para a Bielorrússia mísseis com capacidades nucleares

A Rússia vai estacionar na Bielorrússia mísseis capazes de transportar ogivas nucleares, nos próximos meses, declarou o presidente Vladimir Putin hoje, após receber o seu homólogo bielorrusso, Alexander Lukashenko.

"Nos próximos meses, vamos transferir para a Bielorrússia sistemas de mísseis táticos Iskander-M, que podem utilizar mísseis balísticos ou mísseis de cruzeiro, nas suas versões convencionais ou nucleares", afirmou o presidente russo numa transmissão televisiva no início da sua reunião com Lukashenko, em São Petersburgo.

AFP

Forças russas controlam fábrica de Azot

As forças russas e pró-Rússia assumiram o controle da fábrica de produtos químicos Azot na cidade de Severodonetsk, no leste da Ucrânia, e "evacuaram" mais de 800 civis ali abrigados, anunciaram hoje separatistas pró-Moscovo.

As forças "tomaram o controle total da zona industrial da fábrica de Azot", disse Andrei Marochko, representante separatista, na rede social Telegram, um dia depois de a Ucrânia ter anunciado que retiraria suas tropas.

Outro porta-voz separatista, Ivan Filiponenko, disse que cerca de 800 civis que se refugiaram na fábrica durante as semanas de combate foram "evacuados".

AFP

Severodonetsk caiu nas mãos da Rússia

A cidade de Severodonetsk, no leste da Ucrânia, caiu nas das forças russas, depois de semanas de intensos combates, disse o autarca local, citado pela Sky News.

Oleksandr Stryuk acrescentou que ainda estão ucranianos dentro da cidade, mas que já não é possível abandonar aquela território.

As autoridades ucranianas haviam ordenado na sexta-feira a retirada das suas tropas de Severodonetsk, alegando que já havia pouco da cidade para defender e que estavam a sofrer muitas baixas.

Forças russas e pró-russas entram em Lysychansk. Há combates nas ruas

As forças russas e pró-russas entraram hoje em Lysychansk e há "combates nas ruas" nesta cidade vizinha de Severodonetsk, um eixo-chave no leste da Ucrânia, afirmam os separatistas.

"A milícia popular da República Popular de Luhansk e o exército russo entraram na cidade de Lysychansk. Algumas empresas da cidade já foram tomadas. Atualmente há combates nas ruas", disse no Telegram um representante dos separatistas pró-russos, o tenente-coronel Andrei Marotchko.

O anúncio, que ainda não foi confirmado de forma independente, ocorre num momento em que as forças russas e os seus aliados separatistas estão a ganhar terreno nesta área do leste da Ucrânia.

Tomar as duas cidades, separadas por um rio, permitirá a Moscovo e aos separatistas controlar a região de Lugansk que, junto com Donetsk, forma o Donbass. Além disso, facilitaria o acesso às cidades de Sloviansk e Kramatorsk, mais a oeste.

AFP

Moscovo afirma que Kiev perdeu 780 militares no último dia

O ministério da Defesa russo informou este sábado que as forças ucranianas sofreram mais de 780 baixas, incluindo "até 80 mercenários polacos", como resultado de ataques aéreos e de fogo de artilharia das forças russas.

"Em ataques com armas de alta precisão contra a fábrica de zinco Megatex na localidade de Konsntantinovka, na República Popular de Donetsk, até 80 mercenários polacos foram aniquilados", disse o porta-voz do ministério, general Igor Konashenkov, no briefing matinal diário.

Konashenkov acrescentou que 20 veículos blindados e oito lançadores múltiplos de mísseis Grad foram destruídos.

Segundo Konashenkov, as forças de Kiev sofreram pesadas baixas na região de Mykolaiv, no sul da Ucrânia, onde mais de 300 militares ucranianos e mercenários estrangeiros foram mortos nas últimas 24 horas.

Nessa área, acrescentou o general, as tropas ucranianas também perderam 35 unidades de armas pesadas.

De acordo com o relatório, a defesa antiaérea russa abateu 21 drones, um míssil balístico Tochka-U e 16 foguetões de lançadores múltiplos.

Konanshenkov disse que no total a Ucrânia perdeu mais de 780 tropas durante o último dia.

DN/LUSA

Rússia diz ter matado pelo menos 80 mercenários polacos na Ucrânia

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que pelo menos 80 combatentes polacos foram mortos em ataques na região leste de Donetsk, na Ucrânia.

Citado pela agência de notícias russa RIA, o Ministério da Defesa disse que 20 veículos blindados de combate e oito lançadores de foguetes também foram destruídos.

O ataque atingiu a fábrica de zinco Megatex na cidade industrial de Konstantinovka.

A Rússia descreveu os combatentes polacos como "mercenários", uma acusação que faz frequentemente quando se refere a combatentes estrangeiros do lado da Ucrânia.

Diário de Notícias

Portugal | O QUE FALTA NÃO É TALENTO

Carvalho da Silva* | Jornal de Notícias | opinião

No discurso de muitos empresários e gestores, de "especialistas" em recrutamento de trabalhadores, de alguns governantes, é contínua a utilização da palavra talento, amiúde de forma manipulada. Ela é utilizada em referência a conhecimentos e capacidades excecionais, ou em substituição do velho conceito recursos humanos, ou até para esconder situações de trabalho de baixíssima qualidade e muita exploração. Ora, em maior ou menor grau e em campos diversificados, todos os seres humanos têm talento. Uma percentagem mínima (em regra diz-se que são 3%) estará nos extremos, do muito ou do pouco. O talento, mais que uma propriedade de cariz individual, é uma característica que se revela em contextos sociais, no desenvolvimento das atividades humanas. No caso do trabalho, em contextos laborais.

Entre os principais problemas do país, da economia e do trabalho não se encontra a falta de talento dos portugueses, mas sim a ausência de condições para que ele emerja na sociedade, a falta de capacidade de o reter e de o valorizar. Hoje, Portugal precisa de não perder população com mais e menos formação, necessita de educar, de formar e qualificar os portugueses melhor que no passado (como aliás vem fazendo), e carece de rejuvenescer a sua população.

O trabalho pouco qualificado, repetitivo e precário é uma máquina de matar talentos e até de gerar enfermidades nas pessoas. Sendo esta uma das realidades do país, grande parte dos discursos de empresários sobre a "necessidade de fixar talento" tem forte dose de hipocrisia. A melhoria das qualificações e dos salários é impulsionadora da modernização das empresas, contudo, esta não acontece sem os empresários e os governos a agirem para a mudança. Temos mais de um quinto dos jovens licenciados em trabalhos de baixíssimos requisitos de qualificação e com míseros salários, porque não encontram outros. Muitos deles até se cansarem e emigrarem. Assim se desperdiçam investimento, saberes e talento.

Quando analisamos a evolução das políticas salariais ou da legislação laboral, constata-se que a maioria dos empresários pouco ou nada avançou de melhorias materiais ou motivacionais aos trabalhadores. Nas últimas décadas, a grande valorização que conseguiram oferecer-lhes foi passar a designá-los por colaboradores. Designação instrumental para a manipulação de direitos e para iludir os trabalhadores sobre as relações de poder no trabalho, descaracteriza profissões e o entendimento do trabalho como atividade humana de grande dignidade, e como campo de responsabilidades necessariamente reguladas.

A vocação para ser empresário e as práticas que cada um adota dependem das condições e regras existentes na sociedade. Quando as estatísticas mostram que 47,5% dos empresários têm formação escolar até ao Ensino Secundário completo, várias interrogações se levantam. Quantos trabalhadores altamente qualificados não entram nas empresas porque há patrões que temem confrontar-se com quem está mais bem preparado? Se, como costumam dizer, em Portugal ser empresário é difícil, o que está escondido ou é contraditório naquele dado estatístico?

O Estado não pode cobrir permanentemente todos os riscos de uma empresa. Talvez seja tempo dos empresários que alimentam a choradeira contínua dos apoios públicos deitarem mão do seu talento para modernizarem as empresas e as condições de trabalho, para ajudarem a resolver muitos dos problemas que bloqueiam o desenvolvimento do país.

*Investigador e professor universitário

Portugal | A REGRA DE OURO


Henrique Monteiro | Henricartoon

Portugal | PELA SUA SAÚDE, FIQUE EM CASA

Pedro Ivo Carvalho* | Jornal de Notícias | opinião

Ao ouvirmos determinadas coisas da boca de alguns agentes políticos ficamos com aquela sensação de torpor típica dos domingos à tarde, em que comemos um pouco mais e acabamos por ficar menos reativos. A semana que passou foi pródiga em momentos anestesiantes e inconsequentes. Começámos por ouvir a ministra da Saúde (há quatro anos no cargo) a anunciar, com pompa, uma comissão para acompanhar a resposta das urgências de ginecologia e obstetrícia, a abertura a acordos com os setores privado e social (depois da asneirada com o fim das PPP hospitalares) e a revisão da remuneração médica em serviço de urgência. Marta Temido dirigiu-se ao país com solenidade, como se tudo fosse uma enorme surpresa, como se não houvesse, há anos, suficientes sinais sonoros da longa degradação do Serviço Nacional de Saúde. Depois, entrou em cena António Costa, primeiro-ministro de um Governo absoluto que já parece cansado ao fim de três meses de vida. Para segurar a ministra no cargo, mas sobretudo para reconhecer que não considera "aceitáveis estas falhas de serviço". O plateau das evidências foi posteriormente tomado pelo presidente da República, que se manifestou agradado pelo facto de o primeiro-ministro ter reconhecido que "há problemas estruturais, graves, situações inaceitáveis" na Saúde. Porque, acrescentou Marcelo, "o povo vive de uma maneira e os que estão com maiores responsabilidades políticas não veem essa realidade toda".

A semana não terminou sem que a diretora-geral da Saúde tratasse mais uma vez os portugueses como crianças de colo, ao pedir-lhes o enorme favor de não padecerem em agosto, porque esse é o pior mês para "se ter acidentes ou doenças". Durante a apresentação do Programa Juntos por um Verão Seguro, Graça Freitas aconselhou ainda os cidadãos a ligarem o ar condicionado em locais fechados, a beberem água quando está calor e a evitarem o bacalhau à Brás nos piqueniques de família: "É uma coisa pré-feita de manhã, aquece-se, não chega a aquecer e os ovos são uma cultura de salmonela". Não satisfeito, o presidente da República reforçou a mensagem: "Cada qual fará o esforço para não estar doente, por si mesmo, e para não pressionar o cuidado da saúde dos outros". Por isso, já sabe: neste verão, fique em casa. Pela sua saudinha. Portugal regressa em setembro.

*Diretor-adjunto

COMPETITIVIDADE DE ESGOTO DO JORNALISMO VOZ DO DONO E ABUTRE

Portugal | PCP apresenta queixa na ERC pela cobertura televisiva do funeral de Jéssica

O acompanhamento noticioso e não mediado do velório, funeral e do processo de investigação à morte de uma criança de três anos, em Setúbal, já motivou uma queixa por parte do Partido Comunista Português (PCP) junto do regulador dos media. A deputada Alma Rivera anunciou, nas redes sociais, ter entregado "um requerimento à ERC" sobre a "cobertura mediática chocante pela comunicação social, numa desumana exploração de tudo o que mais sórdido há neste caso", lê-se no post publicado no Twitter.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) não revelou, até ao final desta sexta-feira, 24 de junho, quantas queixas recebeu sobre esta matéria. Tem, contudo e como revela por escrito, "competência para agir, por sua iniciativa, sempre que identifique um comportamento suscetível de configurar violação de direitos, liberdades e garantias ou de quaisquer normas legais ou regulamentares aplicáveis às atividades de comunicação social". Neste caso em concreto que envolve Jéssica, fonte oficial não se compromete para já. E refere, também por escrito, que "se o regulador entender que a cobertura informativa do caso em apreço pode configurar uma situação nesses termos, colocará em marcha as diligências tidas como adequadas".

Carla Bernardino | Jornal de Notícias

VAROUFAKIS: PORQUE A INFLAÇÃO VOLTOU

#Publicado em português do Brasil

Duas estruturas do capitalismo, construídas ao longo de 50 anos, estão desabando: a supremacia do dólar e a pirâmide financeira erguida por trás dela. Bancos Centrais temem agir – porque os 0,1% não abandonarão seu poder sem luta

Yanis Varoufakis*, no Project Syndicate | Outras Palavras |  Tradução: Antonio Martins

A tentativa de encontrar culpados pela alta dos preços está cada vez mais intensa. Foi o dinheiro farto dos bancos centrais, injetado por tempo demais nas economias, que fez a inflação decolar? Foi a China, que adotou lockdows para se proteger da covid e rompeu as cadeias globais de abastecimento? Foi a Rússia, que ao invadir a Ucrânia bloqueou uma parcela importante do suprimento global de gás, petróleo, grãos e fertilizantes? Foi uma mudança brusca das políticas pré-pandêmicas de “austeridade” para liberalidade fiscal irrestrita?

A questão é do tipo que não tem resposta precisa. Todas as mencionadas acima e nenhuma delas. Grandes crises econômicas frequentemente atraem múltiplas explicações, que estão todas corretas mas não tocam no ponto central. Quando os mercados financeiros desabaram em 2008, desencadeando a Grande Recessão global, surgiram várias interpretações: A captura das instituições regulatórias pelas instituições financeiras, que substituíram a indústria na liderança da ordem capitalista. Uma inclinação cultural ao risco financeiro. O fracasso dos políticos e economias, que confundiram uma bolha gigante com um novo paradigma. Tudo isso era real, mas nada ia ao núcleo da questão. O mesmo ocorre agora. “Nós avisamos”, dizem os monetaristas, que preveem inflação alta desde que os bancos centrais passaram a emitir dinheiro em larga escala, em 2008. Fazem-me lembrar do triunfo que os esquerdistas (como eu!) experimentamos naquele ano, depois de termos “previsto” repetidamente a quase-morte do capitalismo – iguais a um relógio parado, que acerta a hora duas vezes ao dia.

ASSASSINOS DO JORNALISMO ANDAM À SOLTA – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

Shireen Abu Akleh, jornalista, foi assassinada quando fazia a cobertura, para o canal de televisão Al Jazeera, de um ataque das tropas israelitas à cidade palestiniana de Jenin, na Cisjordânia. O governo de Israel apressou-se a fugir às responsabilidades, dizendo que a repórter “foi abatida por disparos palestinianos”. Que não tinham armas.

A repórter e um colega usavam coletes com a indicação “Imprensa” e capacetes de protecção. Um atirador especial, com uma arma especial, apontou à parte da cabeça não protegida e matou Shireen Abu Akleh. O matador só podia ser um militar israelita. Mais ninguém estava armado em Jenin. 

Apesar da crueldade deste crime, o Tribunal Penal Internacional não mandou ninguém à Palestina investigar. Antony Blinken não foi com a sua criadagem dos Media filmar os estragos no campo de refugos de Jenin. Úrsula von der Leyen não foi lá tremelicar ante as câmaras das televisões ao serviço da CIA. Ninguém quis saber. 

O sacristão António Guterres também primou pela ausência e não abriu a boca. Mas hoje a ONU veio dizer que Shireen Abu Akleh foi assassinada pelas tropas israelitas. Aconteceu alguma coisa? Uma sançãozinha que fosse? Nada. Os assassinos de jornalistas que não obedecem aos donos, andam à solta. E são bem pagos pelo estado terrorista mais perigoso do mundo (EUA).

Julian Paul Assange é jornalista. Abalou o mundo mediático ocidental quando fundou o “site” WikiLeaks. Após revelar provas de inúmeros crimes do estado terrorista mais perigoso do mundo (EUA), foi perseguido pelos protectorados europeus. Primeiro a Suécia arranjou-lhe um processo por violação de uma mulher. Quando foi arquivado por falta de provas, o protectorado inglês resolveu prendê-lo a mando de Washington. O jornalista refugiou-se na embaixada do Equador em Londres, nessa época governado por políticos decentes. Lá viveu, em clausura, vários anos.  

O poder político mudou em Quito e os novos políticos entregaram Julian Assange à Polícia Metropolitana de Londres. Está preso desde 11 de abril de 2019, sob a acusação de ter violado as condições estabelecidas na sua fiança em 2010! Um Tribunal britânico decidiu agora entregar o jornalista australiano aos matadores de Washington. Aconteceu alguma coisa? Nada. Nem tímidos protestos das organizações nacionais e internacionais de jornalistas. Nem das extensões da CIA que dizem defender os direitos humanos com o disfarce de organizações não-governamentais. E lá vai ele para a morte por ter ousado ser jornalista sem pedir licença aos mentores do banditismo políticos e mediático. Ai se fosse o russo Dmitry Muratov!

O sistema não assassina apenas os jornalistas. Também mata o Jornalismo, em directo ou diferido. A TPA ontem, precisamente dois meses antes das eleições, emitiu uma “grande reportagem” sobre o contrabando de combustível nas províncias do Zaire e Cabinda com o título genérico, a teia de aranha. O trabalho é assassinado (não é gralha…) pelo director de informação do canal público, Cabingano Manuel. 

O autor comete vários e graves crimes de abuso de liberdade de imprensa, alegremente, irresponsavelmente, malevolamente. O Direito à Inviolabilidade de várias pessoas e instituições foi arrasado por Cabingano Manuel. Se o director do canal procede assim, imaginem os seus subordinados. 

O autor da peça da TPA atropelou gravemente o direito à imagem e à palavra escrita e falada. Fez uma confusão perigosa entre um telefonema que efectuou para uma das vítimas e a obrigação de ouvir a outra parte. Julgou e condenou na praça pública instituições como a Polícia Nacional, Polícia Fiscal, Exército, Marinha de Guerra e a Sonangol. Nesta parte o crime, particularmente grave, foi cometido com a conivência de um alto quadro da empresa pública.

Gravíssimo foi o “sketch” montado na prisão de um oficial da Polícia Nacional, segundo comandante de uma esquadra. Em vez de ser chamado ao comando provincial ou ao comando-geral da PN, o oficial foi assaltado por colegas no seu gabinete, com as câmaras filmando tudo, desde a sua resistência até à brutalidade da prisão à força. 

Não vi qualquer reacção do Ministério do Interior ou do Comando-Geral da Polícia Nacional. Nem sequer o anúncio de um inquérito aos responsáveis daquele filme que atira com as forças de segurança para o lixo. Um “general” da Marinha de Guerra no Soyo também é apontado como suspeito de chefiar a rede de contrabando. Não vi, até agra, qualquer reacção do Estado-Maior, no mínimo defendendo a honra do almirante que está na base do Soyo. Silêncio absoluto.

A administração da Sonangol também prima pelo silêncio quando o canal público de televisão diz que funcionários da empresa roubam combustível para alimentarem o contrabando. Esta acusação gravíssima é chancelada por um alto funcionário da petrolífera nacional que não diz coisa com coisa. Está ali apenas para enfeitar e enganar os consumidores.

A única fonte de Cabingano Manuel é um tal Rui Ganha Fácil, que não dá a cara. É pseudónimo de alguém que quer mostrar serviço ao chefe. Mandou dizer que merece continuar no lugar para o qual nunca devia ter sido nomeado. Até ao dia 24 de Agosto estou de férias. No dia seguinte direi quem é o aranhão que se serviu do director de informação da TPA para dar um tiro de monakaxito na cabeça do MPLA.

Por agora quero falar de Jornalismo. Ninguém pode usar a imagem seja de quem for, sem seu consentimento. Ninguém pode usar as suas palavras, sem seu consentimento. As excepções constam da lei e a TPA violou gravemente direitos de cidadãos ao mostrar a sua imagem e revelar as suas palavras, sem seu consentimento. Ilegalmente.

O Direito à Inviolabilidade Pessoal tem uma projecção moral onde está incluído o Direito à Honra, Bom Nome e Consideração Social. Cabingano Maniel viola gravemente pessoas e instituições, entre as quais forças de defesa e segurança. O abusador não sabe que tem tanto direito â honra quem é muito honrado como quem é muito desonrado. E esse direito sobrepõe-se à liberdade de imprensa. Os magiustrados judiciais é que condenam ou absolvem. Os Tribunais não são os canais de televisão.

Os crimes de abuso de liberdade de imprensa são, antes do mais, crimes contra o Jornalismo e contra os jornalistas. Quando o criminoso é director de informação do canal público de televisão, estamos conversados. Com a teia da aranha, Cabingano Maniuel mostrou exuberantemente que não tem as mínimas condições para ser jornalista, quanto mais director de informação da TPA! 

O Bloco Democrático afinal não é esquina, não é frente, não é retaguarda. É apenas a latrina dos sicários da UNITA. A comissão política veio explicar que “o presidente do partido, Filomeno Vieira Lopes, e o Secretário-Geral, Muata Sebastião, por decisão aceite no conselho n acional e para o contínuo funcionamento normal das estruturas não farão parte da lista da UNITA”. Só fica lá o “doutor” Justino Pinto de Andrade, porque já não distingue entre um chifre partido e um partido político. Já nem se lembra que Angola é independente. Está tão mal da mona que quando vai urinar, puxa da gravata e faz chichi nas calças. Estes, sim, são os motores da alternância política em Angola.

A cambalhota tem que ser explicada. Filomeno Vieira Lopes e Muata Sebastião não entram nas listas das fogueiras da Jamba e dos combatentes da PIDE e dos racistas da África do Sul, porque não podem ser dirigentes de um partido e entrar nas listas de outro. Percebem?

Estes vigaristas são verdadeiramente uma fraude! O Povo Angolano merecia melhor.

*Jornalista

José Eduardo dos Santos internado em unidade de cuidados intensivos

Ex-Presidente angolano está internado nos cuidados intensivos de uma clínica na cidade espanhola de Barcelona, segundo avança a imprensa. José Eduardo dos Santos recebe tratamento médico desde 2019 no local.

O antigo Presidente da Angola está internado nos cuidados intensivos de uma clínica em Barcelona onde tem recebido tratamento médicos desde 2019.

A notícia do deterioramento do estado de saúde de José Eduardo dos Santos e internamento numa unidade de cuidados intensivos foi avançada na noite de quinta-feira (23.06) pelo jornal português Negócios.

Citando fontes próximas de Eduardo dos Santos, a agência Efe noticiou que o político, de 79 anos, sofreu um enfarte. Contactada pela DW África, uma das filhas do antigo Presidente da República, Welwitschia "Tchizé" dos Santos, referiu apenas que o seu pai está estável, "não corre risco de vida" e também não tem Covid-19.

Alguns dos filhos de Eduardo dos Santos estão com ele no Instituto de Cardiologia e Medicina Interna do Centro Médico Teknon, na cidade espanhola.

Em maio, vários meios de comunicação social angolanos noticiaram um agravamento do estado de saúde do antigo chefe de Estado, o que terá provocado divergências entre alguns dos seus familiares e o regime angolano.

O antigo Presidente da Angola está internado nos cuidados intensivos de uma clínica em Barcelona onde tem recebido tratamento médicos desde 2019.

A notícia do deterioramento do estado de saúde de José Eduardo dos Santos e internamento numa unidade de cuidados intensivos foi avançada na noite de quinta-feira (23.06) pelo jornal português Negócios.

Citando fontes próximas de Eduardo dos Santos, a agência Efe noticiou que o político, de 79 anos, sofreu um enfarte. Contactada pela DW África, uma das filhas do antigo Presidente da República, Welwitschia "Tchizé" dos Santos, referiu apenas que o seu pai está estável, "não corre risco de vida" e também não tem Covid-19.

Alguns dos filhos de Eduardo dos Santos estão com ele no Instituto de Cardiologia e Medicina Interna do Centro Médico Teknon, na cidade espanhola.

Em maio, vários meios de comunicação social angolanos noticiaram um agravamento do estado de saúde do antigo chefe de Estado, o que terá provocado divergências entre alguns dos seus familiares e o regime angolano.

Polémica entre a família e a Presidência

A família dos Santos queixou-se de "abusos" e ingerência externa, e a Presidência angolana remeteu informações sobre o ex-Presidente apenas para um médico. 

Numa nota divulgada em maio, a Presidência da República de Angola alegou que João Afonso é o seu médico pessoal, que o acompanha há 16 anos, em quem tem "a máxima confiança" e é "a única entidade autorizada a falar" sobre o seu estado de saúde.

Esta posição surgiu depois de "Tchizé" dos Santos ter denunciado "abusos" e "condicionamento da liberdade" em relação ao seu pai, que reside em Barcelona desde 2019, admitindo que a família lida com "um caso de polícia, que pode motivar uma queixa às autoridades espanholas".

Esta sexta-feira (24.06), o Presidente angolano, João Lourenço, falou por telefone com a ex-primeira-dama Ana Paula dos Santos sobre o o agravamento do estado de saúde de Eduardo dos Santos. Segundo uma publicação na página oficial da Presidência da República, tratou-se de um "gesto de solidariedade".

José Eduardo dos Santos foi Presidente de Angola durante 38 anos, entre 1979 e 2017, cumprindo uma das mais longas presidências do mundo.

Artigo atualizado às 23:11 (CET) de 24 de junho de 2022.

Deutsche Welle | Lusa, EFE, gcs, sg

AS ÁRVORES DE LUANDA E A COMÉDIA DA ARTE – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

 “Luanda nunca foi  uma cidade de árvores como Maputo ou Huambo que mantém árvores que já existiam antes da cidade”. Eu li esta frase no Jornal de Angola e faz parte de uma crónica do escritor Manuel Rui. Antes que tirem conclusões apressadas esclareço que trabalhei com ele no Tribunal Internacional que julgou os mercenários, em 1976. A acusação pública foi escrita a quatro mãos, duas dele e duas minhas. Logo, somos, no mínimo, cúmplices num dos acontecimentos mais importantes em que participei e mais me orgulha. Claro que somos diferentes. Ele esconde esse facto do seu currículo e eu tenho um cartão-de-visita com o meu nome e por baixo: adjunto do Procurador Popular no Tribunal dos Mercenários.

A omissão deste facto histórico para África e o mundo na vida de Manuel Rui é compreensível. Como todos os escritores, ele gosta de ser reconhecido e o reconhecimento habitualmente traduz-se em prémios. Essa mercadoria é controlada pelos brancos. Eles não gostaram nada que os angolanos tivessem julgado e condenado os mercenários capturados em território angolano, antes e depois da Independência Nacional. Quem quer prémios literários, não pode proclamar que participou no tribunal que os julgou e condenou.

Manuel Ru diz que “Luanda nunca foi  uma cidade de árvores”. Aqui também estamos em desacordo. Nada de especial, mas desacordo. Luanda sempre foi uma cidade de árvores. Entre o Kinaxixi e o Bungo tínhamos uma floresta frondosa de mulembas e cajueiros, aqui e ali um imbondeiro, retorcido, implorante, com suas makuas pendentes, mágoas esverdeadas de um povo escravizado mas nunca submisso. No início da mancha verde existia um tasco pomposamente chamado “Restaurante Floresta”. 

O prato principal era uma travessa de peixe frito composta por tainhas, roncadores e garopinhas das pedras. Custava meia cinco. O taberneiro chamava-se Asdrúbal, tinha uma pança descomunal e usava um palito na orelha que de vez em quando metia à boca e mascava. Graças a uma combina com o dono dos armazéns CIEL (Companhia de Importação e Exportação de Luanda) recebia os barris de vinho ao natural, ainda não baptizados com água e permanganato. A clientela era às dezenas. 

Os barris de vinho eram deitados num tripé. Com um trado, o Asdrúbal abria um buraco no tampo do vasilhame e introduzia no buraco uma torneira de madeira. Vendia vinho ao copo de cinco tostões (grande!) e ao jarrão de litro, que vendia a um escudo. Bebedeiras baratas e rápidas, tipo telegrama.

Ernesto Lara Filho, Pedro Jara, D. Diogo Dá Mesquita, Lopo de Morais, Álvaro Novais e este vosso criado abancávamos, mandávamos vir uma travessa de peixe frito e um jarrão de vinho por cabeça. À segunda rodada, o Pedro Jara, que tinha mau vinho, começava a implicar com a pança do Asdrúbal e com as mamas da mulher, a cozinheira. 

Ao fim de 20 paus de despesa, pagávamos, descíamos a floresta até a Bungo e habitávamos outro botequim, entre o matadouro e a estação ferroviária. Ali o vinho era bastante pior mas mais barato. Depois de uns quantos jarrões, para a sossega, avançávamos, a pé, para a Bicker, sempre debaixo de cajazeiras, acácias de São Tomé, acácias rubras, jacarandás e aqui e ali, uma mulemba. O nosso amigo Marques aviava-nos finos e pires de jinguba ou tremoços. 

Siga a viagem! Passávamos o Polo Norte em branco porque aquilo era só para brancos finos e parávamos na Brilhante e na Madrid. Finos acompanhados de pratinhos de dobrada. Finalmente, o Baleizão. Pelo caminho, passávamos debaixo das frondosas copas das cajazeiras e mulembas. A esplanada do Baleizão não tinha árvores. Mas ao lado, existia uma grande mulemba, sentinela do palacete assobradado da família Van-Dúnem, com casarão e quintalão. A princesa da casa era a Mamã do Tarique Aparício. 

Ali estávamos à vontade. Quando pedíamos a conta, não eram os empregados que nos traziam a mukanda. Era o próprio Tarique. Ele fazia contas de cabeça e atirava um número. Depois perguntava? Pagam ou debito? Debita! No final do mês, mal recebíamos o salário, começávamos a noite pelo Baleizão e pagávamos as dívidas. Tudo acontecia debaixo de árvores. E do fabuloso céu estrelado de Luanda.

No século XVIII Luanda estava rapada de árvores. Gente que chegou do mato cortava-as para lenha. Um governador com alma ecologista decidiu proceder à arborização da capital da colónia. Importou cajazeiras do Brasil e as crianças, alguns anos depois, enchiam a barriga de cajás. As quitandeiras aguadeiras também vendiam sumo de cajá. Com os anos, as cajazeiras mudaram o nome para gajajeiras e as cajás foram baptizadas de gajajas. Gajaja, gajaja, gajajéééé docinháááá! A história das cajazeiras importadas do Brasil está descrita no meu livro LUANDA ARQUIVO HISTÓRICO”. Já encontrei um leitor.

Na segunda década do século XX, Augusto Bastos, presidente da Câmara de Benguela, arborizou a cidade de São Filipe com acácias rubras. O seu homólogo de Luanda fez o mesmo. Eu morava na Vila Clotilde. Entre minha casa e o Liceu Salvador Correia, passava debaixo de frondosas copas das árvores. E na altura própria, os passeios ficavam atapetados de pétalas rubras. Nos anos 40 as ruas de Luanda foram arborizadas com acácias de São Tomé, que largavam pétalas de um vermelho mais desmaiado. E depois vieram os jacarandás com suas pétalas roxas. A Marginal, Avenida 4 de Fevereiro, foi arborizada com palmeiras reais, de tronco liso. Muito belas, muito elegantes, muito iguais a Luanda.

Se Manuel Rui alguma vez tivesse descido a floresta do Kinaxixi para o Bungo tinha escrito um romance que lhe dava o Prémio Nobel. Como não desceu, diz que a cidade nunca teve árvores. Por falar em grandes prémios literários, lembrei-me agora do dia em que fui surpreendido com o anúncio da distinção atribuída a Dário Fo, o genial construtor da Commedia Dell'Arte. Um dia ele foi com o seu grupo à Casa de Itália, na Cidade Internacional Universitária de Paris, onde eu vivia. Entrámos na comédia cada qual com a sua máscara. À medida que construíamos uma nova cara, um novo corpo e um novo mundo, acontecia a arte e seus enigmas.

Os verdes anos levaram-me a acompanhar a trupe. Em Roma fiquei, entrelaçado a uma artista que também se cansou de ser feliz nas asas da comédia da arte. Então conheci as obras de Gramsci e o manifesto de Rossana Rossanda  (o comunismo é uma ideologia que ama o país e o povo). Depois apanhei o comboio em Santa Maria Maior e fui para a casa que nunca tive. Mas amei todas as árvores de Luanda. Ainda amo, apesar de já não ter coração.

*Jornalista

sexta-feira, 24 de junho de 2022

A LIBERTAÇÃO QUE PASSA PELA DESMILITARIZAÇÃO E A DESNAZIFICAÇÃO

QUATRO MESES DEPOIS DO INÍCIO DA LIBERTAÇÃO DO DONBASS!

Martinho Júnior, Luanda

A RÚSSIA COMEÇOU A ASSUMIR A SUA IIª GRANDE GUERRA PÁTRIA

Enquanto “o ocidente” (antes “comunidade internacional”), melhor a aristocracia financeira mundial inserida na hegemonia unipolar e suas oligarquias vassalas, se masturba em russofobia, em inqualificável “apartheid global” e em propaganda sem fim ao estilo de Goebels, entre os muitos acontecimentos que vão ocorrendo nos vários tabuleiros da dialética tensão unipolar-multilateral, desenvolve-se o tabuleiro do Donbass, inerente à mudança de paradigma…

Nesse tabuleiro-mapa do terreno, as Forças Armadas da Ucrânia estão a ser trituradas pelos dentes dum gigantesco tubarão!

É cada vez mais difícil aos promotores da propaganda liberal-nazi, tapar o sol com a peneira em relação ao Donbass, cuja libertação em curso se exprime por mais de 125.000 km2 de território libertado, correspondente, vai a caminho, a quase 1/4 do território ucraniano.

A meia-lua dos dispositivos operativo-libertários, com eixo central dos maxilares compressores da boca nas regiões das Repúblicas Populares de Lugansk e de Donetsk, assim como na Crimeia, clarifica-se num sistema de linhas em grelha:

A Ucrânia tenta explorar as suas posições mediante uma lógica que cumpre com uma disseminação de forças ao longo de paralelos e as forças libertadoras exploram a energia libertária em função dos meridianos regionais comprimindo o miolo, desde logo pela tomada das estradas de sentido norte-sul, alvo prioritário da artilharia e dos mísseis, tal como as estações ferroviárias…

Essa explicação deriva do facto dos ukronazis terem amassado efectivos estimados em mais de 150.000 homens no leste, por que tinham a perspectiva (a missão) de tomar pela força o Donbass, ameaçando directamente as cidades de Lugansk e de Donetsk e também o território da Federação Russa na direcção de Rostov do Don, imediatamente antes de 24 de Fevereiro de 2022.

A “Operação Especial” decidida pela Federação Russa, preveniu a escalada multidimensional acicatada pelos Estados Unidos e o zombi híbrido UE/NATO, pelo que agora são, esses efectivos colocados no terreno, cada vez mais desgastados e sem possibilidade de fazerem grandes movimentos (se o fizerem sujeitam-se ao fogo de artilharia e de mísseis, assim como a acções de emboscada e de ataquea com helicópteros e drones, dia e noite).

UM ESTADO NUCLEAR DE NEGAÇÃO -- Caitlin Johnstone

#Traduzido em português do Brasil

Para os mais jovens, é difícil entender que o mesmo cenário de Armageddon nuclear com o qual seus avós costumavam se preocupar ainda está aqui.  

Caitlin Johnstone* | Consortium News

Um  videoclipe  de John Mearsheimer de 2016 está se tornando viral no Twitter agora, como os clipes antigos de John Mearsheimer tendem a fazer no ano de 2022, quando suas  previsões de que as ações ocidentais  levariam à destruição da Ucrânia estão se  tornando horrivelmente verdadeiras .

Em resposta a uma pergunta sobre qual foi o pior desastre da política externa dos EUA, Mearsheimer concordou com um colega do painel que naquele momento o Iraque parecia o pior, mas disse acreditar que a política dos EUA sobre a Ucrânia se mostraria muito pior nos próximos anos. Ele falou do fato de que a Rússia tem milhares de armas nucleares, e que é inteiramente possível que essas armas sejam usadas se a Rússia se sentir ameaçada.

“Como a Guerra Fria está no passado distante, a maioria das pessoas, especialmente os mais jovens, não pensou muito sobre armas nucleares e dissuasão nuclear, e eles tendem a ser bastante descuidados em seus comentários sobre armas nucleares, e isso me deixa muito nervoso”, disse Mearsheimer.

Isso me deixa nervoso também. Especialmente quando temos uma guerra por procuração em constante escalada que o  impasse na Lituânia  poderia facilmente se transformar em uma guerra direta entre a Rússia e as potências da OTAN, e quando ouvimos o principal general do exército do Reino Unido  dizendo às tropas  para se prepararem para a Terceira Guerra Mundial.

A maior parte do que vejo no discurso público sobre a escalada de agressões entre a aliança de poder dos EUA e a Rússia reflete a atitude arrogante de que Mearsheimer falou em 2016, assim como minhas próprias  interações  com pessoas online. A maior parte do que estou vendo no comportamento das potências da OTAN também indica essa atitude arrogante em relação às armas nucleares. As pessoas, desde o público de base até os escalões superiores da administração do império, não parecem estar pensando muito sobre  o que é a guerra nuclear  e  oque isso significaria .

Como Mearsheimer disse, isso parece ser porque estamos tão distantes agora dos dias em que todos estavam cientes de que os mísseis poderiam começar a voar a qualquer momento.

Tudo menos esquecido 

Simplesmente não se coaduna com a compreensão das pessoas sobre o mundo que tudo poderia terminar com o mesmo cenário de Armageddon nuclear com o qual seus avós costumavam se preocupar. Se dois homens estivessem apontando armas para a cabeça um do outro, seria muito perigoso no início, mas depois de um tempo, se ninguém puxasse o gatilho, a tensão emocional começaria a diminuir. Se os anos passassem e os homens envelhecessem, diminuiria ainda mais. Se eles ficassem tão velhos que não pudessem mais segurar as armas e seus filhos assumissem o lugar deles, e então os filhos de seus filhos anos depois, a experiência emocional do impasse seria praticamente esquecida.

Mas as armas nunca ficaram menos mortais. O fato de uma guerra entre potências nucleares ainda não ter acontecido significa apenas isso: que ainda não  aconteceu . Coisas que nunca aconteceram antes acontecem o tempo todo. Não costumava haver armas nucleares, agora existem. A Terra é atualmente um planeta habitável, um dia em breve  poderá não ser .

Chegamos a um fio de cabelo de nos exterminar durante a última Guerra Fria,  não apenas uma,  mas  muitas vezes . Qualquer quantidade de manobra nuclear abre a possibilidade de uma guerra nuclear irromper de maneiras que são muito difíceis de prever e planejar, porque há muitas pequenas partes móveis, muitas maneiras de uma bomba nuclear ser detonada como resultado de mau funcionamento técnico, falta de comunicação , erro de cálculo e/ou mal-entendido. Quanto mais as coisas aumentam entre as duas superpotências nucleares do mundo, maior a probabilidade de isso acontecer.

E, claro, os poderosos têm todos os motivos para encorajar essa maneira de pensar a continuar. Se uma massa crítica da população realmente entendesse que suas vidas estão sendo ameaçadas com uma guerra nuclear por nenhuma outra razão além da disposição do império dos EUA de arriscar tudo para garantir a hegemonia planetária, eles imediatamente se tornariam difíceis de lidar. Os gerentes do Império planejam não apenas se envolver em manobras nucleares, mas também tornar as coisas muito mais difíceis financeiramente para o público em suas agendas de longo prazo contra a Rússia e a China, e a única maneira de todos jogarem junto com isso é se forem impedidos de entender o que está sendo feito para eles.

É por isso que a mídia tem agido de forma tão estranha nos últimos anos. Agendas estão sendo lançadas com as quais nenhuma pessoa sã consentiria se as entendesse completamente, então seu consentimento precisa ser fabricado com grandes quantidades de propaganda. É também por isso que a censura na internet teve alta prioridade durante esse mesmo período de tempo: não pode ter pessoas usando sua recém-descoberta capacidade de compartilhamento de informações para interferir nas manipulações narrativas do império.

Estamos sendo sedados em um coma induzido por propaganda enquanto pessoas imensamente poderosas jogam jogos profundamente perigosos com nossas vidas. É do nosso interesse encontrar uma maneira de despertar o mais rápido possível.

*Caitlin Johnstone é uma jornalista desonesta, poetisa e prepper de utopias que publica regularmente  no Medium . Seu trabalho é  totalmente suportado pelo leitor , então se você gostou desta peça, considere compartilhá-la, curtindo-a no  Facebook , seguindo suas travessuras no  Twitter , verificando seu podcast no  Youtube ,  soundcloud ,  podcasts da Apple  ou  Spotify , seguindo-a no  Steemit , jogando algum dinheiro em seu pote de gorjetas no Patreon  ou  Paypal , comprando algumas de suas  mercadorias doces , comprando seus livros Notas de The Edge Of The Narrative Matrix ,  Rogue Nation: Psychonautical Adventures With Caitlin Johnstone  e Woke: A Field Guide for Utopia Preppers .

Imagem: Reconhecimento Nuclear de Inverno. (Paul Hocksenar, Flickr, CC BY-NC-SA 2.0)

Este artigo é de CaitlinJohnstone.com e republicado com permissão.

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Caitlin Johnstone.com

ELEGIA PARA A MINHA FILHA JÉSSICA

Artur Queiroz*, Luanda

A minha filha Jéssica tinha três anos e foi assassinada. Quem a matou? A sociedade do espectáculo, essa megera, meretriz de sentimentos apodrecidos, rostos maquilhados, bocas deformadas de tantas vezes alugadas. Aqui está a criança morta! Quando ainda viva embalava num carrinho de bebé, duas bonecas, gémeas na exclusão, na pobreza enganada, na miséria engalanada a cores e em alta definição. 

A autópsia de Jéssica revelou maus tratos no rosto. O coração estava ressequido, desertificado, descolorido, sem músculo nem vestígios de amor. Mal nasceu arrancaram-lhe o coração pela boca. Eu não sabia que tinha a minha filha Jéssica. E se soubesse, que podia fazer para enfrentar os negócios do Balsemão, do Barqueiro do Douro, do ministro que tutela a RTP, dos traficantes do correio da manhã? Nada. Nunca o nada me foi tão doloroso, vazio, fantasmagórico, angustiante.   

O velório da Jéssica é numa capela decorada com santos de pau ou porcelana, sem valor, imprestáveis, cúmplices de um deus caprichoso e cruel que viu matar a minha filha Jéssica e cuspiu para o lado.

A minha filha Jéssica viveu na rua com a mãe, passou fome de amor e de pão. Até as noites agrediam o seu corpinho, com frio e escuridão. Não lhe digam que vem aí o Papão! E a Mamã cantava o fado Camões grande Camões quão teu fado é igual ao meu! Na mão de deus, na sua mão direita, repousa, enfim, o meu coração. Escrito isto, Antero disparou um tiro na cabeça.

Quem o matou? Fomos todos, até eu, que ainda não tinha nascido. Estamos sempre prontos a disparar aos miolos dos poetas. Violar meninas de três anos com a pobreza abaixo do limiar inventado pela criadagem do nababo dono do Pingo Doce. Um mundo tenebroso criado, cifrão a cifrão, pelos banqueiros e seus governos de turno. Pelos mercados, insaciáveis de sangue e suor dos papás e das mamãs da minha filha Jéssica, morta aos três anos, na primeira esquina das ruas da amargura.

A minha Filha Jéssica tinha mais cinco irmãos. A mais velha foi entregue a um asilo para indigentes, pobres, miseráveis, candidatos à morte violenta. Institucionalizada, dizem as bocas alugadas por donos cruéis. Os outros foram entregues a familiares. A Mamã canta fado e pediu a uma bruxa que lhe conservasse o companheiro, fugidio, esquivo, pronto a abandonar a pobreza extrema e partir para outro tugúrio, outra mesa de fome, outro pesadelo.

As televisões continuam a fazer da minha filha Jéssica uma estrela dos ecrãs. Ela, que jaz morta e arrefece. A Mamã também actua, mas fugidiamente. Ninguém consegue capturar a sua alma fadista. E eu aqui, ruminando vinganças. A Joana Amaral Dias, filha do Menino Reboredo, foi ganhar o seu pedaço de dinheiro sujo à custa da minha filha Jéssica. Psicólogas e psicólogos, advogadas e advogadas, jornalistas venais ganham uns trocos à custa da minha filha Jéssica. Como não posso matá-los, choro. Estou mesmo a chorar. Morrem-me todas as filhas. Morrem-me todos os filhos. E eu sem forças para matar os matadores!

Portugal | 60 EUROS PARA SOBREVIVER NO VERÃO

Joana Petiz | Diário de Notícias | opinião

"Obcecado com contas certas" e pondo-as acima do bem-estar dos portugueses; culpado pela "enorme perda de poder de compra" de funcionários públicos e pensionistas; incapaz de "reduzir a dívida pública"; "sem noção da realidade do país, quando apresenta como um sucesso da sua política, o aumento do emprego". As frases que António Costa atirou a Passos em 2015 colam-se-lhe hoje à própria pele. Agora a culpa é da guerra, claro, como antes era dos credores, a quem tivemos de recorrer para nos safar do buraco para onde uma década a viver acima das possibilidades nos atirou.

Mas há diferenças evidentes. A começar pela ajuda que agora recebemos do BCE e de Bruxelas - antes, nossos carrascos -, pela bazuca de dinheiro europeu disparada sobre a economia durante e após a pandemia e para incentivar as transformações essenciais às economias desta região, até pelo efeito (benéfico antes de se tornar catastrófico) da inflação sobre a receita fiscal.

Apesar das diferenças abissais, parece que a estratégia de Costa é precisamente a austeridade que tanto criticou a Passos Coelho. As contas certas valem mais, afinal, do que algum alívio que possa ser trazido às famílias que nos últimos quatro meses viram disparar os preços de tudo, que já fazem cortes e opções para não esgotar o orçamento a meio da segunda semana do mês, que já arriscam deixar de conseguir pagar a prestação da casa.

É importante manter os limites europeus debaixo de olho, sim, mas momentos extraordinários requerem medidas extraordinárias. E se é um facto que aumentar rendimentos gera mais inflação, também é verdade que em Portugal os preços subiram mais do que em quase todos os outros países do euro (desconta-se Letónia e Lituânia). E que os rendimentos por cá são dos mais baixos do continente. E que a carga fiscal sobre famílias e empresas portuguesas é das mais penalizadoras desta região, sendo particularmente dura sobre o trabalho. Ou seja, estamos todos a sofrer, mas os portugueses - famílias e empresas - sofrem mais do que os outros.

Nos últimos quatro meses, as mesmas compras no supermercado passaram a custar mais um euro por cada quatro gastos. Para encher um depósito de combustível, é preciso mais 30 euros - três vezes mais do que o aumento extra aprovado pelo governo de Costa para as pensões mais baixas de todas.

Só à conta dos combustíveis, a receita do Estado tem engordado, via IVA e via ISP, mesmo descontando o apoio a quem tem de andar de carro, mesmo descontando as migalhas cedidas aos transportes de pessoas e mercadorias, mesmo descontando os trocos de que prescinde no gasóleo agrícola. Ajudas que têm muito reduzidos efeitos para quem tem de se movimentar, de produzir ou de levar carga de um ponto a outro.

Mas tudo ficará bem agora que o governo abriu os cordões à bolsa e decidiu prolongar para julho e agosto o pagamento de 60 euros aos mais pobres entre os portugueses. Ou não...

Portugal | Subida dos preços obriga dois terços dos portugueses a poupar na comida

Cresce a insatisfação com medidas do Governo para atenuar a crise. Maioria pede limites aos aumentos nos bens essenciais e na energia.

Não há praticamente nenhum português imune aos efeitos do aumento do custo de vida. E já soam os alarmes: quase dois terços foram obrigados a mudar de hábitos por causa da fatura dos combustíveis; pior ainda, mais de dois terços começaram a cortar na alimentação, ao ponto de reduzirem ou eliminarem produtos que faziam parte do seu cabaz de compras no supermercado. São os dados da mais recente sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF, que também apresenta uma fatura política: a popularidade do Governo afunda-se, com 46% a dizerem que a resposta à crise é "má" e apenas 14% que é "boa".

António Costa vai ter de fazer bastante melhor do que prometer aumentos "históricos" de pensões para o próximo ano. É agora que o aumento do custo de vida se está a fazer sentir (97%), em particular na ida ao supermercado (39%) e à bomba de gasolina (39%). E é também no imediato que nove em cada dez portugueses (89%), incluindo os eleitores socialistas, pedem novas medidas que atenuem o efeito da crise.

Saldo negativo

Entre os meses de maio e junho, e perante o avanço da inflação (8%, segundo o Instituto Nacional de Estatística), a satisfação com as medidas adotadas pelo Governo para atenuar a crise caiu 12 pontos percentuais, enquanto a insatisfação subiu 17 pontos (com destaque para os que dizem que é "muito má", que passaram dos 9% para 23%).

O saldo (diferença entre os que acham que a resposta do Governo à crise é "boa" e os que acham que é "má") é negativo em todos os segmentos da amostra, incluindo entre os que deram a maioria absoluta ao PS em janeiro. A insatisfação é particularmente elevada na Região Norte e na Área Metropolitana do Porto; entre os que estão na faixa etária dos 18/34 e 50/64 anos; e entre os que fazem parte da classe média baixa.

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