quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

África | O golpe em Burkina Faso tem um pano de fundo geopolítico

Juan Agulló* | Rebelión

Na matriz do recente golpe em Burkina Faso (África Ocidental) estão a guerra contra a Al-Qaeda local e uma instabilidade geopolítica que afeta toda a região, o Sahel. Em 2014, como resultado desse conflito, uma missão militar francesa foi implantada na área, o que acabou provocando forte descontentamento popular. A Rússia, que deveria estar ocupada na Ucrânia, aparece nos bastidores

Limitar o que aconteceu desde o último domingo em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, a um problema nacional é perder muito. Várias dinâmicas coexistem neste golpe de estado: uma renovação geracional é confirmada no exército burquinense (e, finalmente, nas elites dirigentes do país africano); O cansaço popular com os efeitos da longa guerra contra a Al-Qaeda no Magreb Islâmico é evidente, mas também acrescenta mais um capítulo à luta silenciosa que as grandes potências travam pelo controle do estratégico Sahel .

Na realidade, várias tramas convergem para um clássico golpe de Estado que, como o ocorrido recentemente no vizinho Mali, parece inaugurar uma tendência inquietante: a população civil aprova-o e longe de se manifestar em defesa da democracia, expressa-se em apoio do que considera uma forte medida contra a corrupção mas, sobretudo, contra a incompetência. De fato, anteontem em Ouagadougou - como há algumas semanas em Bamako (Mali) - milhares de manifestantes saíram às ruas . Todos eles são pagos ou intimidados? Duvidoso

A França, a antiga potência colonial, sabia o que poderia acontecer e sugeriu, segundo a imprensa da Costa do Marfim (outro país vizinho) , evacuar discretamente o presidente deposto, Roch Kaboré, embora ele tivesse recusado . O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse que nesta ocasião reagiria da mesma forma que no caso do Mali : recorrer à CEDEAO (a organização de integração da África Ocidental, à qual o Burkina Faso pertence) com vista, supõe-se, para promover um embargo regional contra o país do Sahel. Isso, Macron sabe, é letra morta.

O SUSTO DOS RESSUSCITADOS -- Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

Se eu fosse deus não deixava morrer ninguém e ressuscitava todos os mortos. Depois logo se via, cada qual que se desenrascasse. Não contem comigo para a morte. Um deus sério tem que pensar em tudo e reconheço que sem morte, ficávamos sem espaço na Terra. E a ressurreição dos mortos também podia ter muitíssimos danos colaterais. As coisas ficavam tão complicadas que já estou arrependido de escrever se eu fosse deus.

Estamos todos vivos, mesmo os nossos mortos. Entro na sala da casa onde Agostinho Neto vivia, no Bairro de Saneamento, e ele está a ler um texto de opinião, hoje publicado no Jornal de Angola e assinado por Faustino Henrique. Cheguei no momento em que o Fundador da Nação lia esta parte, sobre a Doutrina Truman, presidente dos EUA, em 1947: “O mundo conhecia a divisão entre os que se aliavam ao Ocidente, livre, democrático e capitalista, e os que se encostavam ao Leste, sob regimes socialistas e totalitários”. 

As mensagens subliminares são terríveis. Vou descodificar. Para Faustino Henrique, os do Ocidente eram aliados, livres, democráticos e capitalistas. Os outros eram encostados, socialistas e totalitários. Como Angola não se juntou aos “aliados” nasceu como país “encostado”, socialista e totalitário. Agostinho Neto lia este insulto à nossa História, aos nossos Heróis e à nossa inteligência e dizia-me que não queria ser ressuscitado.

Faustino Henrique, na página de Opinião do Jornal de Angola, explicou-nos que o presidente do estado terrorista mais perigoso do mundo, Harry Truman, proferiu um discurso histórico ante as duas câmaras do Congresso, nesse ano mágico de 1947. E cita um naco das suas declarações:

“No momento actual da História mundial, quase todas as nações devem escolher entre os modos de vida alternativos... Um modo de vida é baseado na vontade da maioria [e] nas garantias de liberdade individual. O outro, depende do terror e da opressão, de uma imprensa e rádio controlados, eleições fixas e a supressão das liberdades pessoais. Os Estados Unidos vão apoiar os povos livres que resistem à tentativa de subjugação”. Nesta altura já todos os combatentes do MPLA que fizeram a luta armada de libertação nacional me exigiram que, como deus desde as chanas às alturas, os despachasse desta para pior.

NÃO CHEGA O PASSADO DE QUASE 50 ANOS DE NAZI-FASCISMO EM PORTUGAL?

No Chega o regresso ao passado conjugou-se com a adesão ao presente da barbárie neoliberal

Por que razão, nestas eleições legislativas, é importante o 3º lugar na ordem das votações? A resposta é simples: porque é isso que determinará que se consiga barrar eficazmente o caminho do partido da extrema-direita xenófoba, racista e anti-democrática que é o Chega.

Fernando Rosas*

Permitam-me, então, que entre diretamente no assunto que aqui me traz hoje: Por que razão, nestas eleições legislativas, é importante o 3º lugar na ordem das votações? A resposta é simples: porque é isso que determinará que se consiga barrar eficazmente o caminho do partido da extrema-direita xenófoba, racista e anti-democrática que é o Chega.

Afinal, o que é política e ideologicamente esse Chega que se esconde sob a verborreia oca, inconsistente e histriónica do seu bufão em chefe? A essência menos visível do seu ideário é, todavia, para levar muito a sério: repousa nas velhas conceções dos setores mais reacionários e conservadores da direita, nos últimos tempos desenterrados da sua falência histórica. A ideia de que a desigualdade, a injustiça social, a violência contra os mais fracos, o irredentismo imperial e a guerra, a hierarquia reprodutora do mando dos que sempre mandaram são fruto inalterável de uma ordem natural das coisas e das sociedades e, por isso, são realidades inelutáveis e que todos teriam que aceitar. Do que resulta um duplo efeito: 1. Para compensar a insegurança e a revolta que daqui decorreriam, seria necessário, diz o Chega, implantar uma ditadura e um Estado autoritário que tudo submeta. Ou seja, impõe-se um regime de repressão e suspensão permanente das liberdades públicas e dos direitos de cidadania; 2. Um tal regime, que o Chega defende, sobrepõe-se autoritariamente como força do destino, como determinação ontológica à livre escolha do cidadão, tanto na esfera pública como na privada.

Portugal | Segundo dia com mais de 65 mil casos covid-19 e 41 mortes registadas

Internamentos voltam a baixar

O boletim diário da DGS indica que Portugal contabilizou 65 706 novas infeções de covid-19 nas últimas 24 horas. Foram ainda declarados 41 óbitos, enquanto 64 doentes tiveram alta dos hospitais, sendo que sete deixaram os cuidados intensivos.

Foram confirmados, nas últimas 24 horas, 65 706 novos casos de covid-19, indica o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). Este é o segundo dia consecutivo em que são registados mais de 65 mil novas infeções.

O Norte continua a ser a região que regista o número mais alto de casos, tendo chegado aos 27 594, seguido por Lisboa e Vale do Tejo (18 590), Centro (11 430), Algarve (2883), Alentejo (2713), Açores (1552) e Madeira (944).

O relatório desta quinta-feira (27 de janeiro) refere que morreram mais 41 pessoas devido à infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2, sendo este o terceiro dia seguido em que morreram mais de quatro dezenas de pessoas em Portugal.

A maioria dos óbitos foi declarado em Lisboa e Vale do Tejo (17) e Norte (15), sendo que os restantes foram no Centro (4), Alentejo (3) e Algarve (2).

Os dados sobre a situação dos hospitais mostram que há agora 2249 internados (menos 64 que no dia anterior), dos quais 147 estão em unidades de cuidados intensivos (menos sete). Trata-se do segundo dia seguido em que baixa o número de doentes nos hospitais.

Há, contudo, o registo de mais 23 498 casos de pessoas que recuperaram da doença.

Com esta atualização, Portugal contabiliza, ao dia de hoje, 558 129 casos ativos de covid-19, diz o relatório da autoridade de saúde.

Portugal | DA CORAGEM DE NÃO SER PURO

Fernanda Câncio | Diário de Notícias | opinião

Quando aconteceu custou-nos a crer - tínhamos há tanto desistido dessa possibilidade que levámos tempo a aceitar que era verdade, que podia mesmo haver um entendimento à esquerda. Seis anos depois, vamos votar zangados - mas sem desistir.

“Só há duas formas de mudar um país - ter uma política diferente e ter mais de 50%. E se uma destas condições não existe então transforma-se em algo de inútil para disputar o poder. (...) Ter poder sem princípios não serve de nada. Mas ao mesmo tempo ter os princípios sem poder é igualmente inútil."

As palavras são de Marisa Matias, no início de 2015, numa entrevista a Pablo Iglesias, secretário geral do Podemos e ex vice-presidente do governo espanhol. Ouvi-as, recordo, com espanto, quando preparava um perfil daquela que mais tarde nesse ano seria anunciada como a candidata presidencial do Bloco: era a formulação exata do meu pensamento sobre aquilo que via, com impaciência, como a infantilidade tradicional dos partidos à esquerda do PS face à realidade - a resistência a sair do lugar confortável do protesto, a assunção de pureza irredutível dos que não se conspurcam nas negociações e nos compromissos, dos que não se rendem às vicissitudes da realidade.

Portugal | A GANGORRA DAS SONDAGENS


Henrique Monteiro | HenriCartoon

Portugal ‘covidado’: ENDOIDECEMOS? OU ESTAMOS QUASE TODOS DISTRAÍDOS?

As mortes por covid em Portugal estão acima da “linha vermelha”, mas não estamos a falar disso: “Toda a gente quer retomar a normalidade, a pergunta é a que preço”

Há mês e meio que os óbitos causados pela covid-19 estão acima da linha vermelha. A discussão sobre o valor que é aceitável vai ter especial relevo quando se assumir uma situação de endemia. Porque “falar de endemia não significa que um vírus desapareça ou que passe a ser inofensivo”. O Expresso falou com um especialista em saúde pública, um matemático e um psicólogo

Na matriz de risco da DGS, há muito que estamos no vermelho. O valor sem precedentes de novas infeções, impulsionado pela proliferação da variante Ómicron, fez disparar o nível de risco. No entanto, a pressão nos serviços de saúde está longe de atingir a situação crítica de há um ano, o que é um fator tranquilizador: de acordo com o último relatório das linhas vermelhas, a ocupação em cuidados intensivos fica-se por 60% do nível de alerta, a nível nacional.

Há, no entanto, um “indicador incómodo”: a mortalidade. Por dia, nas últimas duas semanas, a média de óbitos no boletim covid-19 é de 37,3 – um valor distante dos meses negros de janeiro e fevereiro de 2021, mas que ainda assim suscita questões. “O único elemento de referência que temos é o valor do ECDC [Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças]”, que traça a linha vermelha nos 20 mortos, em 14 dias, por milhão de habitantes, explica o investigador Tiago Correia. Portugal está claramente acima: a 19 de janeiro, de acordo com o relatório das linhas vermelhas da DGS, o valor era de 37,6, um aumento de 47% face à semana anterior. Assim acontece desde 10 de dezembro, com tendência crescente.

Apesar da experiência acumulada em cinco vagas e quase dois anos de pandemia, os números causados pela nova variante atual são difíceis de analisar. “A questão é que não temos termo de comparação para saber o que é uma mortalidade excessiva por covid ou o que é aceitável e vai ser normal”, afirma o professor de Saúde Internacional e investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa. Neste ponto, pondera-se já a passagem da pandemia para o nível de endemia – uma doença instalada na comunidade, mas com um padrão previsível, em que que alguns epidemiologistas até dizem que já nos encontramos.

Crise do custo de vida da Grã-Bretanha significa que,'viver' se tornará um luxo

Imagem: Reino Unido tem 14 milhões de pessoas vivendo na pobreza | ONU News (ver)

# Publicado em português do Brasil

Frances Ryan* | The Guardian| opinião

Um líder conservador diferente não salvará um sistema de previdência social falido. Precisamos de um novo estado de bem-estar de baixo para cima

A coisa sobre governos em crise é que eles têm pouco tempo para governar. Boris Johnson – uma vez rei do mundo, agora pato manco – é um primeiro-ministro consumido com sua própria sobrevivência. Fontes dizem que Johnson está motivado a manter o poder não para entregar uma agenda política urgente, mas para derrotar o ex-companheiro do Bullingdon Club, David Cameron: “Ele não aceitará que o último primeiro-ministro etoniano tenha sobrevivido mais do que ele”. Enquanto isso, no mundo real, as famílias britânicas estão prestes a enfrentar a pior crise de custo de vida em 30 anos e ficam esperando que alguém no poder perceba.

Para muitos, o dinheiro que sai está prestes a disparar, fazendo com que a entrada diminua em termos reais. A inflação subiu para 5,4% no mês passado, impulsionada por alimentos e roupas mais caros. As tarifas de energia estão aumentando e as contas de impostos também devem aumentar. Ao mesmo tempo, o aumento do crédito universal de £ 20 foi reduzido e os benefícios de desemprego estão prestes a atingir seu valor real mais baixo em mais de três décadas, uma taxa que os especialistas chamam de “apenas um pouco mais do que a miséria”. Os ministros podem alegar que o trabalho é a solução, mas são bons empregos, não qualquer emprego, que é um alívio; a maioria das pessoas que vivem na pobreza no Reino Unido no ano passado estavam em famílias trabalhadoras. A linha oficial pode ser que a pandemia acabou, mas isso também ainda está atingindo as finanças pessoais – basta perguntar ao aposentado clinicamente vulnerável que se protege em uma casa fria. O resultado de tudo isso é bastante claro: simplesmente sobreviver vai se tornar cada vez mais um luxo.

EUA | HILLARY, O REGRESSO?

O Director de um instituto de sondagens, Douglas E. Schoen, publicou uma coluna de opinião no Wall Street Journal para lançar a ideia de um retorno de Hillary Clinton ao cenário político [1].

A ideia é que o Presidente Joe Biden (79 anos, atingido pela doença de Alzheimer) não poderá concorrer novamente e que a sua Vice-Presidente, Kamala Harris, não consegue impor-se. Nem o Senador Bernie Sanders (80, doente do coração) nem a Presidente da Câmara, Nancy Pelosi (81) também poderão. A via está, pois, livre para a esposa do antigo Presidente Bill Clinton, e antiga Secretária de Estado.

Tendo o antigo Presidente Donald Trump deixado entrever este fim-de-semana que poderá também concorrer novamente poderíamos assistir em 2024 a um novo duelo Clinton-Trump.

Voltairenet.org | Tradução Alva

RÚSSIA E OCIDENTE: PERFURANDO A NÉVOA DA HISTERIA

#Publicado em português do Brasil

Pepe Escobar* | Strategic Culture Foundation

O erro fatal cometido por Bruxelas em 2014 foi forçar Kiev a fazer uma escolha impossível entre a Europa e a Rússia.

Um espectro assombra o Ocidente coletivo: zumbificação total, cortesia de uma operação psy 24 horas por dia, 7 dias por semana, imprimindo a inevitabilidade da “agressão russa”.

Vamos perfurar a névoa da histeria perguntando ao ministro da Defesa ucraniano, Reznikov, o que está acontecendo:

“Posso dizer com certeza que, até o momento, as forças armadas russas não criaram um grupo de ataque que pudesse fazer uma invasão forçada da Ucrânia.”

Bem, Reznikov obviamente não está ciente de que a Casa Branca, com acesso a informações indiscutivelmente privilegiadas, está convencida de que a Rússia invadirá “a qualquer minuto”.

O Pentágono se dobra: “Está muito claro que os russos não têm intenção agora de desescalar”. Daí a necessidade, expressa pelo porta-voz John Kirby, de preparar uma força multinacional de resposta da OTAN (NRF) de 40.000 soldados: “Se for acionado… para derrotar a agressão, se necessário”.

Portanto, “agressão” é um dado. A Casa Branca está “refinando” os planos militares – 18 na última contagem – para todas as formas de “agressão”. Quanto a responder – por escrito – às propostas russas sobre garantias de segurança, bem, isso é muito complexo.

Não há uma “data exata” de quando será enviado para Moscou. E os proverbiais “funcionários” imploraram aos seus homólogos russos que não o tornassem público. Afinal, uma carta não é sexy. No entanto, a “agressão” vende. Especialmente quando isso pode acontecer “a qualquer minuto”.

Os hacks “analistas” estão gritando que Putin “está quase certo” de realizar um “ataque limitado” nos “próximos dez dias”, completo com um ataque a Kiev: isso configura o cenário de uma “guerra quase inevitável”.

Vladimir Dzhabarov, primeiro vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho da Rússia, prefere se aproximar da realidade: os EUA estão preparando uma provocação para empurrar Kiev a “ações imprudentes” contra a Rússia no Donbass. Isso se relaciona com soldados de infantaria da República Popular de Luhansk relatando que “grupos subversivos preparados por instrutores britânicos” chegaram à área de Lisichansk.

Luminares como Ursula von der Leyen da Comissão Europeia, Jens Stoltenberg da OTAN e “líderes” do Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Polónia anunciaram, após uma videochamada, que “um pacote de sanções sem precedentes” está quase pronto se a Rússia “ invade”.

Eles o anunciaram como “unidade internacional diante da crescente hostilidade da Rússia”. Tradução: Otanstão implorando à Rússia para invadir o mais rápido possível

Da UE 27, 21 são membros da OTAN. Os EUA dominam tudo. Então, quando a UE anuncia que “qualquer agressão militar adicional contra a Ucrânia teria consequências muito sérias para a Rússia”, são os EUA dizendo à OTAN para dizer à UE “o que dissermos, vale”. E sob essa estratégia de ambiente de tensão, “o que dizemos” significa aplicar o dividir para governar cru e imperial para manter a Europa totalmente subjugada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

A OTAN COMO RELIGIÃO

# Publicado em português do Brasil

Afred de Zayas*

A expansão da OTAN e a provocação ininterrupta à Rússia foi e é um perigoso erro geopolítico e uma traição à esperança de paz compartilhada pela humanidade

A controvérsia EUA/OTAN/Ucrânia/Rússia não é inteiramente nova. Já vimos o potencial de sérios problemas em 2014, quando os Estados Unidos e os Estados europeus interferiram nos assuntos internos da Ucrânia e secretamente/abertamente conspiraram para o golpe de estado contra o presidente democraticamente eleito da Ucrânia, Viktor Yanukovych, porque ele não estava jogando o jogo que lhe foi determinado pelo Ocidente. Claro, nossa mídia saudou o putsch como uma “revolução colorida” com todos os sinais exteriores de democracia.

A crise de 2021/22 é uma continuação lógica das políticas expansionistas que a OTAN tem perseguido desde o fim da União Soviética, como vários professores de direito internacional e relações internacionais têm indicado há muito tempo – incluindo Richard Falk, John Mearsheimer, Stephen Kinzer e Francis Boyle. A abordagem da OTAN concretiza a pretensão estadunidense de ter a “missão” de exportar seu modelo socioeconômico para outros países, não obstante as preferências dos estados soberanos e a autodeterminação dos povos.

Embora as narrativas dos EUA e da OTAN tenham se mostrado imprecisas e às vezes deliberadamente mentirosas em várias ocasiões, o fato é que a maioria dos cidadãos do mundo ocidental acredita acriticamente no que lhes é dito. A “imprensa de qualidade”, incluindo o New York Times, Washington Post, The Times, Le Monde, El Pais, NZZ e FAZ são efetivas câmaras de eco do consenso de Washington e apoiam entusiasticamente a ofensiva nas relações públicas e na propaganda geopolítica.

Acho que se pode dizer, sem medo de contradição, que a única guerra que a OTAN já ganhou foi a guerra da informação. Uma mídia corporativa complacente e cúmplice conseguiu persuadir milhões de norte-americanos e europeus de que as narrativas tóxicas dos Ministérios das Relações Exteriores são realmente verdadeiras. Acreditamos no mito da “Primavera Árabe” e da “EuroMaidan”, mas nunca ouvimos falar do direito de autodeterminação dos povos, incluindo os russos de Donetsk e Lugansk, e o que poderia facilmente ser chamado de “Primavera da Crimeia”.

DEMOCRACIA A PREÇO DE SALDO – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

Ronald Reagan foi presidente do estado terrorista mais perigoso do mundo na década de 80. Dedicou especial atenção à guerra que os sul-africanos impuseram a Angola e na parte final, em desespero de causa, fez uma encenação medíocre na Casa Branca com Jonas Savimbi e ofereceu-lhe os FIM-92 Stinger, mísseis terra-ar guiados por infravermelhos, para combater russos e cubanos. As armas eram para Pretória, mas parecia mal se as entregasse directamente, porque a ONU declarou o regime racista como um crime contra a Humanidade.

Este paladino da democracia foi fiel apoiante do regime de Pretória que era um exemplo de amor ao regime democrático. Em 6 de novembro de 1962, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que condenava as políticas racistas do apartheid. Os estados-membros foram exortados a cortar as relações económicas e militares com o país. 

Ronald Reagan, os seus antecessores e sucessores apoiavam incondicionalmente um regime onde os negros viviam em guetos e não podiam entrar nos bairros dos brancos sem passes especiais. Os brancos, uma minoria da população, concentravam toda a riqueza e ocupavam todas as terras aráveis. Quem se opunha a estas políticas era massacrado, preso, torturado. As potências ocidentais, com os EUA à cabeça, opunham-se ao embargo económico e militar. 

Em 1973, uma resolução das Nações Unidas considerou o apartheid como crime contra a humanidade. Em 1974, a África do Sul foi suspensa da Assembleia Geral. Ronald Reagan ofereceu armas modernas e altamente mortíferas aos criminosos, através de Jonas Savimbi. Mas os angolanos ganharam a Guerra pela Soberania Nacional e a Integridade Territorial. Em 1991, o governo sul-africano revogou todas as leis do apartheid. Em 1993, foi constituído um governo de transição. O estado terrorista mais perigoso do mundo perdeu em toda a linha. Os patriotas angolanos deram ao mundo uma lição de amor à liberdade.

Ronald Reagan viu logo no início do seu mandato cair a ditadura militar brasileira. Estrebuchou, conspirou e sabotou a democracia nascente. Em 1982, soltou os cães de guerra contra a  revolução sandinista na Nicarágua. Mas apoiou 60 anos de ditadura! Em 1983, o estado terrorista mais perigoso do mundo afogou em sangue a revolução na Ilha de Granada. Em 1989, nova intervenção militar sangrenta no Panamá. 

UNITA defende aprovação individual de propostas sobre papel da cidadania

ANGOLA

Maior partido da oposição angolana explica que propostas legislativas sobre Direito à Petição e Direito de Ação Popular "são diferentes e visam regular direitos fundamentais distintos", mas defende a aprovação dos dois.

A UNITA, maior partido da oposição angolana, manifestou-se, esta quarta-feira (26.01), contra a junção do projeto de lei sobre o Direito à Petição, que submeteu ao parlamento, e a proposta de Lei do Governo sobre o Direito de Ação Popular.

Em entrevista recente à DW, o líder do grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) não descartou a unificação dos dois diplomas, no entanto, em conferência de imprensa, esta quarta-feira (26.01),  Liberty Chiaka explicou que, depois de analisados os dois documentos, o grupo parlamentar da UNITA concluiu que são diferentes e que visam regular direitos fundamentais distintos, consagrados em artigos distintos da Constituição da República de Angola.

"Não há razões objetivas, doutrinárias ou regimentais, para o legislador ordinário fundir estes dois diplomas num só. Também não vemos vantagens práticas algumas, nem políticas nem procedimentais na fusão das duas iniciativas", realçou.

Inundações em Tete deixam rasto de destruição, mortes e desabamentos

MOÇAMBIQUE

Está interrompida a circulação rodoviária entre Moatize e Tete, centro de Moçambique, devido às inundações que deitaram abaixo parte da ponte sobre o rio Rovubwe. Morreram pelo menos dez pessoas e há muitos desalojados.

No total, as inundações provocadas pela tempestade tropical Ana já fizeram pelo menos 10 mortos em Moçambique. Em Tete, as cheias provocaram a morte de pelo menos sete pessoas, desalojaram mais de 300 famílias e inundaram vários bairros da cidade no centro do país.

Entretanto, foi hoje encontrado sem vida, na zona baixa de Benga, o administrador do distrito de Tete, José Maria Mandere, vítima da fúria da tempestade. Mandere integrava a comitiva do governador de Tete, Domingos Viola, que estava no terreno a avaliar o impacto do mau tempo na província.

Em entrevista à DW África na segunda-feira, o governador de Tete disse que mais de duas mil pessoas poderão ser afetadas pelas inundações só na cidade de Tete. "A situação é péssima. Nunca tivemos uma situação idêntica na nossa cidade. Dois ou três bairros estão inundados devido à fúria das águas do rio Rovubue", lamenta.

Uma comissão multisetorial foi criada para apoiar no resgate das pessoas. Júlio Calengo, membro desta equipa, descreve o cenário vivido na cidade de Tete: "Muitas casas estão por baixo das águas e as famílias estão na estrada sentadas. É muito triste e preocupante aquela situação. Acredito que até amanhã será possível saber o grau dos danos causados pelas cheias."

Guiné-Bissau | PAIGC quer ganhar legislativas para destituir PR no Parlamento

ENTREVISTA

Muniro Conté, secretário do PAIGC, afirma que Simões Pereira tem o apoio da esmagadora maioria do partido e vai vencer as próximas eleições. "Os desafios são grandes e precisamos de um líder à altura", salienta.

O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, deverá avançar para um terceiro mandato à frente do partido que é líder da oposição guineense. Apesar de receber o aval dos órgãos superiores da legenda, vários dirigentes, mesmo no seio do próprio PAIGC, insurgem-se contra a intenção de Simões Pereira.

Por sua vez, o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, já avisou que nunca nomearia Simões Pereira primeiro-ministro, mesmo caso ele e o seu PAIGC vencessem as próximas legislativas, invocando como razão o facto de Domingos Simões Pereira não o reconhecer como Presidente da República.

Entretanto, o comité central do PAIGC apelou aos subscritores de uma carta aberta, na qual criticam os mandatos de Simões Pereira à frente do partido, para reconsiderarem a sua posição e passarem a apoiar um terceiro mandato.

O congresso do PAIGC realiza-se, em Bissau, entre 17 e 20 de fevereiro. Domingos Simões Pereira ainda não anunciou a sua recandidatura a um terceiro mandato.

Guiné-Bissau | Sissoco Embaló quer interferir nos assuntos internos do PAIGC?

Na Guiné-Bissau, a situação política adensa-se depois de o PR ter dito que não irá nomear Domingos Simões Pereira primeiro-ministro. Analista considera que há uma interferência de Embaló nos assuntos internos do PAIGC.

A atualidade política guineense está a ser marcada pela denúncia do deputado do Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), Manuel Nascimento Lopes ("Manelinho"), sobre uma alegada ameaça à sua integridade física.

"Um telefonema anónimo para me ameaçar é uma vã tentativa de me amedrontar. Estou tranquilo na minha casa e que ninguém se preocupe com isso", escreveu esta terça-feira (25.01) o parlamentar na sua página no Facebook. O deputado não disse, contudo, de quem terão partido as ameaças.

Num contexto de muita movimentação política, com vários partidos a realizar congressos, enquanto outros traçam o plano para as legislativas do próximo ano, o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, deu início, na semana passada, em Quinhamel, na região de Biombo, norte da Guiné-Bissau, a uma série de visitas à população do interior do país, com muita "pompa e circunstância".

UNIÃO AFRICANA DISPONIVEL PARA ACOMPANHAR TRANSIÇÃO NO MALI

Presidente da Comissão da União Africana reuniu-se com o líder do governo de transição do Mali, coronel Assimi Goita, e sublinhou disponibilidade da organização em acompanhar o processo de devolução do poder aos civis.

Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da UA, iniciou segunda-feira uma visita a Bamako e reuniu-se, além de Goita - que liderou dois golpes militares, em agosto de 2020 e maio de 2021 - e com o primeiro-ministro de transição, Choguel Kokalla Maiga.

"Mobilizamos o continente e os seus parceiros para apoiar o Mali a ultrapassar a atual crise e estabelecer um Estado forte no interesse do povo maliano, da região e de todo o continente", disse à imprensa o dirigente africano no final do encontro com Goita.

Mahamat pediu a Goita que tenha em conta a situação de segurança "multidimensional e particular" que o Mali atravessa há uma década.

Relativamente às sanções impostas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) contra o Mali após o governo de transição ter decidido adiar as eleições marcadas para o próximo mês de fevereiro, Mahamat salientou que "o mais importante é ver como apoiar a transição no Mali".

Golpe no Burkina Faso: "AS PESSOAS ESTAVAM CANSADAS”

A Comunidade internacional condena o golpe de Estado, mas alguns cidadãos burquinabês estão expectantes por ver o Movimento Patriótico de Salvaguarda e Restauração em ação.

O Presidente do Burkina Faso, Roch Kaboré, demitiu-se esta terça-feira (25.01) após a tomada do poder pelos militares, na sequência do golpe de Estado do passado domingo, protagonizado pelo Movimento Patriótico de Salvaguarda e Restauração (MPSR), liderado pelo tenente-coronel Paul Damiba.

Algumas manifestações de contentamento popular foram observadas em Ouagadougou, capital do Burkina Faso.

Simpatizantes do Movimento Popular para o Progresso (MPP, o partido de Kaboré) e residentes dizem-se a favor do golpe.

"Votei no MPP. Não me arrependo da minha escolha. Mas vejo hoje que o que nos foi dito não foi concretizado. 80% da população estava farta, por isso podemos dizer que é um golpe salutar", afirma um apoiante.

Outro cidadão confirma que "as pessoas estavam cansadas", as restrições às liberdades eram demais.

"Tentámos com o regime deposto, mas não funcionou. Vamos tentar com eles. Há golpes o tempo todo. No Burkina Faso, ninguém gosta disso. Adoramos a paz e queremos avançar. Esperamos algo novo deles, algo que faça o país avançar."

Golpes de Estado na África Ocidental: "Há um retrocesso nos ganhos democráticos"

ENTREVISTA

Para Carlos Lopes, Alto Representante de África junto da União Europeia, estratégias geopolíticas de países não africanos estão a motivar golpes. Mas há também outros problemas que continuam sem resposta.

Em menos de 18 meses aconteceram três golpes de Estado na África Ocidental:  Mali, Guiné-Conacri e agora no Burkina Faso. Esta segunda-feira, (24.01), os militares burquinabês assumiram o poder e dissolveram o Governo e o Parlamento.

O Presidente do país, Roch Kaboré, que ainda está em lugar incerto, demitiu-se do cargo em carta escrita à mão e divulgada pela televisão estatal.

Para Carlos Lopes, Alto Representante de África junto da União Europeia, "as armas que são compradas para combater os terroristas estão a ser usadas para derrubar regimes supostamente democráticos".

O também professor da Escola de Governação Pública Nelson Mandela, na Cidade do Cabo, diz que as estratégias geopolíticas de países não africanos, que lutam por mais protagonismo em África, são um dos fatores de desestabilização de vários países ricos em recursos naturais, e as organizações subregionais manifestam-se incapazes de repor a normalidade democrática.

O SAHEL CONTRA AS CORDAS

Martinho Júnior, Luanda

DEPOIS DO ASSALTO DO “HEGEMON” À DESAMPARADA LÍBIA EM 2011, OS FRUTOS AMARGOS DA “PRIMAVERA ÁRABE” ESPALHAM-SE POR TODO O SAHEL E DAÍ EM DIRECÇÃO AO SUL.

ÁFRICA “DANÇA COM LOBOS” NEOCOLONIAIS!

01- A “primavera árabe” na Líbia foi o início da injecção da jihad islâmica em África, facto que na altura alertámos no Página Global, acompanhando a quente e em tempo oportuno os acontecimentos, prevendo que a partir daí todo o Sahel seria severamente afectado, com telúricas repercussões por todo o continente.

São muitos os exemplos desse alerta-fundamento pelo que me abstenho de aqui colocar seus links.

Em relação a esse golpe aplicado com forças militares externas suportadas por bases de intervenção instaladas na França, na Itália e nos navios da 6ª Frota da US Navy estacionada no Mediterrâneo, poucos foram os países que ousaram em nome da democracia denunciar e nenhum, por falta de capacidades próprias e em função da surpresa, ousou combater de armas na mão ao lado dum Kadafi que de tão abandonado que foi, acabou por morrer assassinado para gáudio dos intervencionistas do “hegemon”, com a “falcoa” Hillary Clinton à cabeça!

O “hegemon” apoiou assim, deliberadamente, a sua mais diabólica criatura de que se servia tacitamente, também em nome da “democracia representativa”!

Um a um os países do Sahel tornaram-se desde então frutos amargos da injecção de caos, terrorismo e desagregação aplicada desse modo e por essa via a África, em função da remoção do tampão que havia constituído a Jamairiya Líbia!

Por raquitismo das denúncias efectivamente democráticas (entre as condenações sobressaíram as da Venezuela Bolivariana pela voz do Comandante Hugo Chaves e da África do Sul), nada mais perverso e cínico: a Líbia foi alvo dum golpe de estado sangrento com a decisiva participação de forças externas ao nível de alguns países da NATO, que por seu turno nos mídia de amplo espectro e difusão global sob sua tutela, enquanto catapultavam o jihadismo, propagandearam-no em nome da “democracia” e do “direito para intervir”, tal como Ronald regan considerou Savimbi (“freedom fighter”), nas metamorfoses que são a sua obra de arte fonte barbaridade e de sangue!…

Essa afectação justificou também e desde logo o esforço militar da FrançAfrique conjugado com o Comando África do Pentágono com a distensão de forças ao longo do paralelo que vai do Senegal a Djibouti, prevista em função do “êxito” na Líbia desde que se distendesse a jihad, conforme aliás imediatamente aconteceu em 2012 com sintomas agudos imediatamente no Mali!…

Quer no Senegal, quer no Djibouti, a França possui bases militares desde os tempos coloniais, autênticas “testas-de-ponte” de longa duração, que permitem desencadear qualquer rápida intervenção Sahel adentro sempre que julgado necessário e segundo o prevalecente princípio colonial-neocolonial de que, década a década, “mais vale prevenir do que remediar”…

A meia-distância, entre o Atlântico e o Mar Vermelho, está o Níger onde além das forças da Operação Barkana da FrançAfrique, estacionaram os meios militares de rastreio do AFRICOM que desde logo é um dos principais centros de drones dos Estados Unidos em África!

Tacitamente a expansão jihadista passou a justificar essa pujança militar extra continental, numa ossatura que permite a afirmação neocolonial no seu mais requintado e habilidoso módulo, incidindo sobretudo ali onde a extracção de matérias-primas a baixo preço é essencial para a “civilização ocidental”, como o caso flagrante do urânio do Níger e dos interesses da Areva naquele país âmago da FrançAfrique, por sinal sintomaticamente na cauda dos Relatórios Anuais dos Índices de Desenvolvimento da ONU!

O Mali foi dos primeiros componentes do Sahel a sentir os efeitos do desastre da Líbia e a partir daí as crises foram-se entrelaçando, alastrando até ao Lago Chade pelo oeste, aos Grandes Lagos pelo centro e a Moçambique pelo leste do continente!

África desamparada e vulnerabilizada está ainda atordoada e confusa sobre como dar a volta a esta situação que se tornou cancro-crónico e é raiz da perversa onda neocolonial tacitamente conjugada pela expansão do jihadismo financiado a partir de nexos das monarquias arábicas que no Médio Oriente Alargado têm feito parte da “Coligação” contra a Síria, a Líbia, o Iraque, o Iémen e o Irão, obedientes à doutrina Rumsfeld/Cebrowski!...

O QUE FAZ FALTA, CAPACHINHO A CONDIZER E FATIOTA


EUA finaliza planos para desviar gás para a Europa se Rússia cortar fornecimento

# Publicado em português do Brasil

Julian Borger, Washington | The Guardian

Autoridades que trabalham com fornecedores globais para evitar crise de gás na Europa se o fluxo da Rússia for cortado, enquanto Biden diz que consideraria sanções pessoais contra Putin

Os EUA ajudaram a se preparar para o desvio de suprimentos de gás natural de todo o mundo para a Europa no caso de o fluxo da Rússia ser cortado, em um esforço para enfraquecer a arma econômica mais poderosa de Vladimir Putin.

À medida que os temores de uma invasão da Ucrânia crescem, autoridades dos EUA disseram na terça-feira que estavam negociando com fornecedores globais e agora estavam confiantes de que a Europa não sofreria uma perda repentina de energia para aquecimento no meio do inverno.

“Para garantir que a Europa seja capaz de sobreviver ao inverno e à primavera, esperamos estar preparados para garantir suprimentos alternativos cobrindo uma maioria significativa do déficit potencial”, disse um alto funcionário.

A preparação para o fornecimento de gás a granel faz parte de uma campanha dos EUA e seus aliados europeus para mostrar uma frente unida e coerente a Putin na esperança de impedi-lo de invadir a Ucrânia . Joe Biden disse na terça-feira que consideraria impor sanções pessoais ao próprio presidente russo.

Se a Rússia atacasse, disse Biden, seria a “maior invasão desde a Segunda Guerra Mundial” e “mudar o mundo”.

Boris Johnson deu a entender que a Alemanha estava preocupada com a imposição de sanções contra a Rússia por causa de sua dependência do gás russo e disse aos parlamentares que estão sendo feitos esforços diplomáticos para persuadir Berlim e outros a irem mais longe.

O primeiro-ministro britânico disse que os "amigos europeus" estavam preocupados em impor as sanções mais duras possíveis a Moscou por causa de sua "forte dependência" do gás russo - e também declarou que o Reino Unido estaria disposto a enviar mais tropas para a Europa Oriental se a Ucrânia fosse atacada.

OS TAMBORES DA GUERRA REGRESSAM 77 ANOS DEPOIS

# Publicado em português do Brasil

Supratim Barman* | One World

77 anos no Grande Esquema das Coisas, não faz muito tempo, (é quase como ontem), mas hoje, parece que em todos os lugares que você olha no mundo ao nosso redor, há um esforço conjunto sendo feito para reiniciar os eventos que levaram a 1939, na esperança de que, de alguma forma, pela segunda vez haja um resultado fortuito para uma utopia fascista global.

O 77º  Aniversário da Derrota do Fascismo na Europa no mês de maio de 1945 ; se aproxima de nós.

Acima está uma foto das tropas soviéticas entrando em Varsóvia e sendo cumprimentadas pelos moradores da cidade.

Ao contrário da percepção pública (enraizada em nossa psique coletiva pela grande mídia e seus esforços incansáveis ​​para reescrever a história); os soviéticos não eram vistos como inimigos, mas sim como libertadores pelo povo da Polônia.

A carnificina naufragada na Europa ainda é visível até hoje enquanto você caminha em qualquer direção em direção às florestas e florestas densas das aldeias aparentemente tranquilas do sudoeste da Polônia e; onde, inevitavelmente, você encontrará enormes cemitérios não marcados de mortos há 77 anos.

Evolução militar na Europa e no mundo chegou a um ponto perigoso -- Grushko

A evolução militar na Europa e no mundo chegou a um ponto perigoso, afirmou Aleksandr Grushko, vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia.

"Hoje, o processo de evolução político-militar na Europa e no mundo chegou a um ponto em que são necessários mais esforços para afastar o mundo deste ponto perigoso", afirmou.

"Nossas propostas, formuladas pelo presidente da Rússia, abrem um caminho direto e claro para avançar na direção certa, não apenas para garantir os interesses nacionais da Rússia, que é uma tarefa fundamental para nós, diplomatas, bem como para a reconstrução de uma segurança global, considerando os interesses legítimos dos outros, o que resultará em recursos para a resolução pacífica dos problemas", declarou.

Experiências biológicas dos EUA sobre soldados aliados na Ucrânia e na Geórgia

Dilyana Gaytandzhieva [*]

O CONTEÚDO AQUI PUBLICADO É REDUZID E DIRECIONA OS INTERESSADOS PARA A FONTE. ALI INCLUI MAIS IMAGENS E DOCUMENTAÇÃO RELACIONADA COM O EXPOSTO. (PG) 

Enquanto os EUA planeiam aumentar a sua presença militar na Europa de Leste para "proteger os seus aliados contra a Rússia", documentos internos mostram o que significa "protecção" americana em termos práticos.

O Pentágono realizou experiências biológicas com um resultado potencialmente letal em 4.400 soldados na Ucrânia e 1.000 soldados na Geórgia. De acordo com documentos divulgados, todas as mortes voluntárias devem ser comunicadas no prazo de 24 h (na Ucrânia) e 48 h (na Geórgia).

Ambos os países são considerados os parceiros mais leais dos EUA na região, com uma série de programas do Pentágono a serem implementados no seu território. Um deles é o programa de envolvimento biológico da Agência de Defesa para a Redução de Ameaças (Defense Threat Reduction Agency, DTRA), no valor de 2,5 mil milhões de dólares, que inclui investigação sobre agentes biológicos, vírus mortais e bactérias resistentes a antibióticos que estão a ser estudados na população local.

Projecto GG-21: "Todas as mortes de voluntários serão prontamente comunicadas"

O Pentágono lançou um projecto de cinco anos com uma possível extensão de até três anos, com o nome de código GG-21: "Infecções transmitidas por artrópodes e zoonoses entre o pessoal militar na Geórgia". De acordo com a descrição do projecto, serão obtidas amostras de sangue de 1.000 recrutas militares no momento do seu exame físico de registo militar no hospital militar georgiano localizado em Gori.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Portugal | Aqui há gato. Salários e crescimento económico no discurso da direita

A campanha imersa no marketing dos animais de companhia e na produção mediática da bipolarização pretende tirar espaço à discussão dos problemas do país e das reais alternativas existentes.  

Depois de uma semana em que o líder do PSD, o fundador do Livre e os presidentes da Iniciativa Liberal e Chega usaram os seus animais de estimação em plena luta eleitoral, para deleite dos telejornais, a recta final da campanha eleitoral assistiu ao duelo entre o líder do PS e PSD por entrepostas mascotes.

O presidente do PSD, Rui Rio, considerou que o líder do PS «perde oportunidades de estar calado» e disse que António Costa devia seguir o «exemplo» do seu gato de estimação que «é uma figura central» desta campanha.

«Um dos elementos que tem sido notório nesta campanha, um elemento importante, é o Zé Albino [gato de Rui Rio] e eu acho que há aqui candidatos, em particular o doutor António Costa, que devia seguir o exemplo do Zé Albino, consegue ser uma figura central da campanha e não perde uma única oportunidade de estar calado, é que não perde mesmo, e o doutor António Costa, às vezes, perde oportunidades de estar calado», criticou.

Em resposta, o secretário-geral do PS, António Costa, respondeu que o gato do presidente do PSD, o Zé Albino, anda visivelmente deprimido, mas mostrou-se confiante de que isso vai passar porque Rui Rio volta para casa já no domingo.

Questionado como tem encarado as comparações entre si o gato do presidente do PSD, Rui Rio, que se chama Zé Albino, o secretário-geral do PS recusou-as, começando por observar que não tem gato, mas uma cadela e um cão.

«A última vez que vi numa foto o gato do doutor Rui Rio ele estava deprimido. E eu sou tudo menos uma pessoa deprimida. Sou uma pessoa alegre e não sou dado a depressões. Até sou acusado de ser optimista nas piores situações», respondeu.

Portugal | A BARRAQUINHA DAS FARTURAS

Afonso Camões* | Diário de Notícias | opinião

A cinco dias da contagem de votos, estas são as eleições mais incertas e imprevisíveis dos últimos 20 anos. 

Está tudo em aberto: a sondagem do dia, da Aximage para DN/JN/TSF, dá conta de uma reviravolta nas intenções e, pela primeira vez em seis anos, coloca Rio e PSD à frente de Costa e PS - na realidade em empate técnico, já que ambos se encontram dentro da margem de erro e ainda é significativo o número de indecisos. É nestes que se vão concentrar as campanhas nos próximos dias, confirmando, também na política, aquele clássico da estatística segundo o qual o melhor lugar da feira para instalar a barraquinha das farturas é colocá-la ao centro, para melhor atrair os clientes, venham eles da esquerda ou da direita.

A fragmentação partidária (há 21 partidos em disputa) e a bipolarização em dois flancos que conhecemos desde 2016 geraram uma dinâmica paradoxal. PS e PSD, formações tradicionais do bloco central, querem continuar a ser os mais votados, mas governar já não depende apenas deles. Daí que os partidos de cada flanco se comportem em campanha como um rancho de ouriços no inverno: têm de estar suficientemente perto para se aquecerem, mas suficientemente afastados para não se picarem nalgum dos 16 mil espinhos que cada um eriça como camuflagem, defesa, ataque e transporte de comida - ou seja, a fazer pela vidinha.

Portugal-Eleições: Rio com vantagem sobre Costa a uma semana das eleições

PSD em crescendo (34,4%) ultrapassa PS em queda (33,8%). Chega (8%) continua à frente do Bloco (6,6%).

O PSD e o PS estão praticamente empatados, mas, a menos de uma semana das eleições, a vantagem é de Rui Rio (34,4%), que leva seis décimas de avanço sobre António Costa (33,8%), de acordo com uma sondagem da Aximage para DN, JN e TSF. Mas há outra mudança significativa: a direita soma (46,8%) pela primeira vez mais do que a esquerda (46,3%), com o PAN a revelar-se, nesta altura, o fiel da balança (3,2%).

Duas semanas bastaram para que se operasse uma reviravolta na frente da corrida. Os socialistas, recorde-se, tinham uma vantagem de quase dez pontos percentuais nos dias anteriores ao arranque oficial da campanha eleitoral.

No entanto, e depois do frente-a-frente televisivo entre Rui Rio e António Costa (visto em direto por mais de 3 milhões de pessoas) e de uma semana de campanha nas ruas (que parece ter corrido melhor a Rui Rio), a diferença desfez-se, com o PS a cair um pouco mais de quatro pontos percentuais e o PSD a subir quase seis pontos, chegando pela primeira vez à liderança.

Covid-19 | 57 657 novos casos e 48 mortes. Internamentos em curva descendente

PORTUGAL

De acordo com o relatório diário da Direção-Geral da Saúde, há menos 28 pessoas internadas com covid-19, totalizando agora 2320. Doentes em UCI passaram para 158 (menos 14).

Portugal confirmou, nas últimas 24 horas, 57 657 novos casos de covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Há também a registar mais 48 mortes associadas à infeção por SARS-CoV-2, indica o relatório desta terça-feira (25 de janeiro).

A região Norte é a mais preocupante, tendo apresentado 25 504 novas infeções e 19 mortos, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo com 16 740 casos e 17 óbitos. De resto, na região Centro foram contabilizados 9543 infeções e sete mortes, seguem-se Algarve (1051 casos / 4 mortos), Alentejo (2044 / 1), Madeira (1408 novas infeções) e Açores (917).

Os números mostram que há agora 2320 internados (menos 28 que no dia anterior), dos quais 158 estão em unidades de cuidados intensivos (menos 14), tendo sido registados mais 54 666 casos de pessoas que recuperaram da doença.

Portugal soma, atualmente, 512 571 casos ativos da infeção, refere ainda o relatório diário.

Combate à corrupção em Portugal falha ao deixar de fora o poder político

Portugal ocupa a 32ª posição no Índice de Perceção da Corrupção 2021, da Transparência Internacional. Está empatado com a Coreia do Sul, com 62 pontos numa escala de 100, abaixo do valor médio da União Europeia, que é de 64 pontos.

Portugal melhora uma posição no Índice de Perceção da Corrupção 2021, da Transparência Internacional, que aponta o dedo a uma estratégia de combate à corrupção que deixa de fora o poder político e o Banco de Portugal.

Para a representação portuguesa do organismo internacional, a existência, "bem ou mal", de uma estratégia nacional de combate à corrupção até pode ser a explicação para Portugal ter melhorado um lugar, do 33.º para o 32.º no índice anual, mas também pode ser a explicação para não ter melhorado mais e ter mantido uma tendência de estagnação na última década.

"Bem ou mal, temos uma estratégia. Obviamente que, apesar do esforço do Governo em criar esta estratégia, o impacto não foi tão forte quanto isso, precisamente porque a estratégia é pouco ambiciosa e não é aplicável aos órgãos de soberania e, portanto, não toca naquelas que são as instituições fundamentais para a democracia e para o combate à corrupção", disse à Lusa a presidente da Transparência Internacional Portugal, Susana Coroado.

"Fica de fora a corrupção política, ficam de fora os altos cargos e isso não transmite uma imagem de boa liderança, da liderança pelo exemplo e, por outro lado, acaba por deixar de fora áreas problemáticas no que toca à prevenção da corrupção", acrescentou.

Portugal | SENTIDO DE OPORTUNIDADE

Henrique Monteiro | HenriCartoon

Terrorismo impede abertura de um quinto das escolas de Cabo Delgado

MOÇAMBIQUE

A violência armada vai impedir a abertura de um quinto das escolas de Cabo Delgado, norte de Moçambique, no novo ano letivo, a partir da próxima segunda-feira (31.01), anunciou a direção provincial de Educação.

"Temos algumas escolas nas zonas afetadas pelo terrorismo que não vamos conseguir abrir: são no total 183 escolas", disse Manuel Bacar, porta-voz da área, num balanço feito na segunda-feira, em Pemba.

Devido à fuga da população para lugares seguros, aquele responsável disse que não era possível saber quantos alunos podem ser afetados.

As escolas públicas em causa lecionam do 1.º ao 12.º ano de escolaridade e são ao todo 985 naquela província nortenha.

Seja devido à destruição de infraestruturas ou por ausência de segurança - e consequente fuga da população - a educação continua a ser uma das áreas mais afetadas na região.

Moçambique | TEMPESTADE ENFRAQUECE MAS EXISTE RISCO DE INUNDAÇÕES

A tempestade tropical Ana, que na segunda-feira atingiu o norte de Moçambique, enfraqueceu e transformou-se numa depressão, mas o perigo de inundações mantém-se. Mau tempo provocou pelo menos duas mortes e destruição.

"A depressão Ana continua a atravessar Moçambique e está agora perto do sul do Malawi, a pouco mais de 200 quilómetros a noroeste de Quelimane", capital da província da Zambézia; anunciou o centro meteorológico francês da ilha de Reunião.

A depressão "move-se para oeste, enquanto enfraquece", refere-se no mais recente boletim sobre riscos ciclónicos na bacia sudoeste do Índico, emitido várias vezes por dia por aquele centro. No entanto, o risco de vento forte e chuva intensa mantém-se no centro e norte de Moçambique, alertou.

Angola | LUANDA COMPLETA HOJE 446 ANOS DE FUNDAÇÃO

A cidade de Luanda assinala nesta terça-feira (25) o seu 446º aniversário, com a execução de dezenas de projectos, no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) e com a situação do lixo minimamente controlada.

Nestes 446 anos, Luanda continua a debater-se com construções anárquicas, o registo de actos de vandalismo de bens públicos e privados e um elevado número de famílias vulneráveis, como consequência da Co-vid-19, que deixou milhares de trabalhadores informais desempregados.

A cidade capital tem-se debatido com o aumento do custo de vida, que fez com que muitas famílias perdessem o poder de compra e se agravassem as deficiências nos serviços sociais básicos e os índices de criminalidade, factores que afectam, igualmente, os outros municípios da província de Luanda.

No entanto, a execução dos projectos do PIIM, com a construção de escolas, centros e postos de saúde, reparação de estradas, melhoria no abastecimento de água potável e energia eléctrica apontam para dias melhores quanto a oferta destes Serviços.

 A solução para centenas de famílias carentes e vulneráveis na província de Luanda foi a atribuição de kits de serralharia, alvenaria, corte e costura, carrinhos de kitutes da terra, motas de três e duas rodas, para o fomento do auto-emprego, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP).

Situada na costa Oeste de África, Luanda é a capital de Angola e foi fundada a 25 de Janeiro de 1576, pelo explorador português Paulo Dias de Novais, sob o nome de "São Paulo de Assunção de Loanda”.

Um ano depois da sua fundação, o explorador português Paulo Dias de Novais lança a pedra para a edificação da igreja dedicada a São Sebastião, no lugar onde hoje é o Museu Central das Forças Armadas.

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