quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Portugal: Advogado de jovens detidos acusa PSP de comportamento "inaceitável"

 

Jornal i - Lusa
 
O advogado de dois jovens detidos na quarta-feira durante os protestos em frente ao parlamento, em Lisboa, acusou hoje as autoridades de comportamento "inaceitável" ao mantê-los incomunicáveis durante horas para depois os libertar sem qualquer acusação.
 
Em declarações à agência Lusa, José Preto afirmou que "os rapazes foram detidos materialmente, apesar de a polícia afirmar que não os deteve, só os identificou, e ficaram pouco menos de seis horas numa cela coletiva em Monsanto para serem depois libertados com uma mera 'pseudo-identificação', uma vez que estavam identificados desde o início".
 
O advogado afirmou que demorou várias horas a descobrir onde os jovens estavam detidos e que estes foram impedidos de contactar as famílias enquanto estiveram em Monsanto.
 
José Preto considerou que se tratou de um comportamento "absolutamente inaceitável" de "uma violação das regras da decência, que parece ter um objetivo claro: incomodar as pessoas que se manifestam para que estas não voltem a manifestar-se".
 
Segundo o causídico, um dos jovens foi detido perto da Assembleia da República, onde decorreu a manifestação que acabou com uma carga policial depois de um grupo de manifestantes ter apedrejado os agentes do Corpo de Intervenção durante cerca de uma hora.
 
Este jovem, indicou, estava "magoado e esteve sem assistência" durante o tempo em que esteve detido. O outro, relatou, "foi detido numa esplanada do Cais do Sodré", longe do local da manifestação.
 
"Andei à procura deles, da Cintura do Porto de Lisboa para o Calvário e depois desisti. Só depois alguém me informou que estariam em Monsanto, e isto porque o ouviram de um jornalista", contou.
 
Questionado sobre a possibilidade de agir contra a PSP pela sua atuação e pela "violação completa de regras", José Preto afirmou que devia ser "o Ministério Público a reagir".
 
"Acho que as pessoas deviam começar a parvoíce própria dos agentes responsáveis e processá-los diretamente no plano cível", acrescentou.
 
Segundo um balanço da PSP, nove pessoas foram detidas e outras 21 identificadas na sequência dos confrontos ocorridos na quarta-feira junto à Assembleia da Republica.
 
Em conferência de imprensa, o intendente Luís Elias, segundo comandante do comando metropolitano de Lisboa (COMETLIS), disse que "a intervenção policial, face aos comportamentos violentos de alguns manifestantes foi a necessária, adequada, proporcional e devidamente concretizada”.
 
O oficial adiantou que “foi inevitável e indispensável” a intervenção da polícia devido “à intensidade e duração” dos atos violentos de alguns manifestantes.
 
“Tentámos gerir todo o policiamento no sentido de garantir alguma seletividade nas detenções e, quando se tornou de todo insustentável, face à repetição dos atos violentos, a PSP teve que utilizar uma metodologia de vaga de dispersão e tentar efetuar detenções seletivas por parte de alguns dos suspeitos que estavam já referenciados”, sublinhou.
 
A carga policial após o constante arremesso de pedras contra os elementos do Corpo de Intervenção, provocou 48 feridos, dos quais 21 são elementos da PSP e 27 manifestantes.
 
Dos confrontos resultaram ainda danos nos escudos de proteção da polícia, fardamento, outro equipamento de proteção e viaturas policiais, além de se terem registado ainda incêndios e danos em mobiliário urbano, pavimentação, contentores e sinais de trânsito, segundo a PSP.
 

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