segunda-feira, 24 de abril de 2017

BESTAS À SOLTA

PARTILHAR

O futebol raramente cabe no Página Global. É que faz lembrar o que acontecia nas arenas de Roma no seu todo, principalmente na chamada primeira liga. Correm por ali os milhões, corre muito exagero e estupidez, corre muita violência, muito sangue e muitas mortes. Por outro lado, o futebol milionário mostra-nos à saciedade porque é que quanto mais conhecemos as pessoas mais devemos gostar dos bichos. Por vezes é bonito de se ver jogar. Há verdadeiros artistas a dar espetáculo naquele retângulo. O pior são os adeptos fanáticos – os que são muito piores que qualquer animal irracional que conheçamos. Principalmente esses. Os que vão aos estádios deviam ter vergonha de terem de ser guardados por um exército de polícias e seguranças porque não se sabem comportar como ser humanos, nem como desportistas. Alguns são umas autênticas bestas. Tenham vergonha, pelo menos isso. Acordem desses delírios de bestialidade para que se sigam melhores dias e aconteça desporto para as pessoas se maravilharem, não para se bestializarem.

Dos dirigentes desportivos... Raios. Tanta bestialidade e ganância. Aliás, na senda de muitos outros dirigentes na política, no empresariado, etc. Adeus mundo, cada vez pior.

Anda por aí o sarampo. Já levou uma vida jovem. Dito isto já chega de apreendermos com os erros. Menos conversa e mais atitudes objetivas. Declarar a obrigatoriedade de vacinação é passar um atestado de incompetência, de irresponsabilidade, aos pais, às pessoas, aos adultos, aos responsáveis pelas crianças de hoje e de amanhã. É como no futebol e quase em tudo. Conclui-se que há pior que bichos por todo o lado. É onde assenta esta sociedade. Na estupidez natural.

Eleições em França. Andam por aí a respirar de alívio porque Le Pen, a fascista, foi superada por Macron nos resultados eleitorais de ontem. Pois. Está bem. Le Pen é fascista, Macron é mordomo e porteiro do fascismo, como Passos, Portas, Cavaco e outros em Portugal. Mas estão muito contentes os que temem Le Pen. Porque ela, a fascista, não é europeísta e Mácron é? Será até ao dia em que não abrir de todo a porta ao fascismo que cresce na Europa e no mundo. Depois também deixará de ser europeísta. Se necessário até deixará de ser humano, como Hitler e tantos outros que já nos mostraram que se bestializaram. Aliás, dos candidatos destas eleições francesas não há ponta por onde se pegue, a radicalização e o faz-de-conta é o que sobressai.

A mediocridade e ganância dos líderes políticos por essa Europa e pelo mundo é abundante. Já se sabe que sendo assim são os povos que vão pagar bem caro pela sua demissão em pensar e agir de acordo com os valores importantes para a humanidade, para uma democracia de facto, de justiça em vez de podridão. Até parece que as bestas andam à solta. E andam mesmo.

O melhor é continuar a ler. O Curto de hoje por Martim Silva. Tem muito que interessa e também palha. Nos tempos que correm faz falta. A modos que é um miminho para as bestas. Bom dia. Boas reflexões e melhores atitudes.

CT | PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Martim Silva | Expresso

Quem suspira de alívio? A Europa... e os benfiquistas

Bom dia,

Do susto ao (relativo) alívio. 

A verdade é que o resultado da primeira volta das eleições presidenciais em França, ontem, trouxe um claro sinal de alívio para a Europa. A vitória clara de Macron, centrista e europeísta, e os apoios já conseguidos para a segunda volta dentro de duas semanas (de Fillon a Hamon), tornam altamente improvável que Marine Le Pen, que também passou à segunda volta, consiga chegar ao Eliseu.

Depois de meses em que a ultra-nacionalista parecia pela primeira vez perto de chegar à Presidência, e de uma reta final de campanha marcada pela ascensão do candidato de extrema-esquerda Melénchon e por um atentado terrorista em Paris, temia-se o pior. Mas eis que por uma vez o pior não chegou…

Mais ou menos europeísta, mais ou menos de centro, de esquerda ou direita, acredito que a simples notícia de que alguém com o nome Le Pen não deverá ser o próximo Presidente de França é em si mesmo uma excelente notícia.

Liberation já fala de um futuro presidente nem de esquerda nem de direita, um pouco à imagem de um Democrata norte-americano. Neste artigo do editor de Internacional do Expresso, Rui Cardoso, podemos ficar a conhecer um pouco melhor o homem que ainda nem tem 40 anos, que trabalhou na banca e que nunca se tinha candidatado a um cargo político até agora.

E o correspondente do Expresso em França, Daniel Ribeiro, ajuda-nos a perceber a delicada filigrana que podem ser as negociações de um futuro Presidente Macron com os principais partidos para conseguir formar algo semelhante a uma ‘grande coligação’ que lhe permita governar o país (em França o chefe do Estado é que preside ao conselho de ministros).

Já sobre o caos que fica nos partidos e campos políticos tradicionais, que pela primeira vez não passam a uma segunda volta (socialistas e republicanos de direita), deve ler este artigo para perceber o que deverá acontecer nos próximos tempos.

Pena certeira é sempre a de Ferreira Fernandes, o enviado do DN. Aqui pode ler o que escreveu depois do resultado de ontem.

Os primeiros sinais, logo ontem, mostraram que a vitória de Macron deverá ser bem recebida pelos mercados. Ainda assim, o resultado das eleições levou a manifestações e confrontos com a polícia, em Paris, resultando em dezenas de detenções e alguns feridos.

Se quiser perceber com mais detalhe o mapa eleitoral francês e onde cada um dos candidatos teve mais força, veja este artigo.

No Público, o diretor, David Dinis, deixa 11 notas sobre o significado das eleições, sublinhando que a segunda volta não vai ser um confronto esquerda/direita, antes uma luta liberalismo-europeísmo/nacionalismo.

Para o futuro próximo de França, ficam ainda algumas interrogações (além do vencedor do escrutínio, claro):

-O PS francês vai implodir?
-Como se recompõe a direita tradicional, pela primeira vez fora da segunda volta?
-Como conseguirá Macron transpor o resultado das presidenciais para as legislativas previstas para Julho?
-Será de Marine Le Pen vai crescer significativamente na segunda volta em número de votos, o que poderia representar um perigo para futuras eleições?

A partir de 7 de maio teremos mais respostas.

OUTRAS NOTÍCIAS

Cá dentro,

A Polícia Judiciária tem imagens do momento em que um adepto italiano da Fiorentina e do Sporting foi atropelado, na madrugada de domingo, e com isso acredita que o que se passou não foi mesmo um acidente.

Foi internada, com suspeitas de sarampo, a irmã da jovem que morreu de sarampo na última semana, e que não estava vacinada.

Marques Mendes revelou ontem na SIC que Bruxelas não vai considerar a recapitalização da CGD como ajuda de Estado ao Banco, o que permite ao Governo ganhar folga em matéria de cumprir este ano o prometido défice de 1,4%.

No PSD, cada vez mais agitado, ontem foi a vez de Luís Montenegro, que cada vez mais vozes dão como futuro candidato ao partido, na sucessão de Passos Coelho, fazer juras de lealdade ao presidente do partido, garantindo ainda não ser partidário da ideia e primárias para escolha do líder e candidato a PM, desmarando-se da iniciativa de Miguel Relvas.

Um conjunto de cientistas nacionais juntou-se para elaborar uma carta aberta contra a exploração de petróleo na costa nacional.

Na polémica à volta da prescrição de Vitamina D, lançada depois de uma reportagem da SIC na última sexta-feira, agora foi o Bastonário dos Médicos a vir a público exigir às autoridades que façam alguma coisa.

Quem disse que a austeridade acabou? Mário Centeno acabou de decretar que acabaram-se as fotocópias ‘à vontade’ para os Funcionários Públicos e a partir de agora quem quiser fazer uma tem de seguir sete, sim sete, passos!

O regulador do sector anunciou uma descida do preço do gás natural a partir de julho, mas esta não vai chegar a todos.

No Expresso desta semana escrevemos sobre o historiador que quer um ponto final na polémica à volta da nacionalidade de Cristóvão Colombo. Aqui pode ler a história.

Lá fora,

Na Venezuela continuam os fortes protestos populares contra o ‘golpe’ de Nicolas Maduro. Nas últimas semanas, recorde-se, já morreram duas dezenas de pessoas na sequência de confrontos.

Nos EUA, questiona-se a atuação da filha do presidente dos EUA, que num dia janta, ao lado do pai, com o presidente da China, e no dia seguinte vê várias marcas suas garantirem o acesso ao apetitoso mercado chinês.

Foi anunciada a morte do mentor do atentado de Istambul.

Impressionante é o testemunho de uma mulher que conseguiu sobreviver e fugir do Boko Haram, na Nigéria.

DESPORTO

Depois do Benfica ter saído de Alvalade no sábado com um empate, o Porto não aproveitou e teve o mesmo resultado, mas em casa com o Feirense. Faltam agora quatro jornadas e o Benfica continua com três pontos de avanço, tornando uma mudança de líder bastante mais improvável.

Bem se pode dizer que este fim de semana foi de grande alívio para os europeístas... e para os benfiquistas. Ambos sofreram, mas ambos chegam a esta segunda-feira com mais razões para sorrir.

Quem está de parabéns é o Portimonense, que depois de muitos anos vai voltar à I Liga. Responsável pela proeza? Vítor Oliveira, o ‘mago’ das subidas à primeira divisão (e vão dez) que normalmente depois deixa os clubes para voltar a subir outro a seguir.

Lá fora, e depois de um jogo espetacular, o Barcelona foi vencer ao terreno do Real Madrid por 3 a 2 e colou-se à equipa de Ronaldo na liderança da liga espanhola (mas o Real tem um jogo a menos).

Em Hamburgo, Jessica Augusto triunfou na maratona, no que foi a sua primeira vitória numa grande corrida internacional.

E falando em maratonas, leia esta entrevista com um português, Álvaro Leite, que fez a corrida dos 42 quilómetros em… Pyongyang, Coreia do Norte.
NÚMEROS

11
Onze mil euros o metro quadrado é o que custa comprar imobiliário na zona da Avenida da Liberdade. E no Chiado já se atingem valores na casa dos 10 mil euros por metro quadrado. Uma escalada…

474
Portugal continua a acolher refugiados fugidos do conflito na Síria mas o número daqueles que abandonam o nosso país depois de serem acolhidos está a aumentar. Aliás, mais que duplicou nos últimos tempos

FRASE

“Agora que nos deixou é caso para perguntarmos: não há ninguém insubstituível? Sei que ninguém substitui Mário Soares no lugar que é seu na historia do Portugal democrático. Obrigado, Mário Soares”. António Costa, na homenagem que ontem foi feita ao antigo Presidente, no Porto

O QUE ANDO A LER

“The World According to Star Wars”, de Cass R. Sunstein

Vi todos os Star Wars. A trilogia. As prequelas. O sétimo episódio. O último. Alguns vi-os várias vezes. Há anos que sou apaixonado pela Guerra das Estrelas. Mas neste livro fantástico, que é sobre os filmes mas é sobre muito mais que isso, aprendi muito e fiquei sobretudo a saber que afinal sabia muito pouco. Sunstein olha para a Guerra das Estrelas e fala-nos de religião, de filosofia, de política, de economia, de psicologia comportamental.

“Messy - How to be creative and resilient in a tidy-minded world”, de Tim Harford

Harford, colunista do Financial Times e autor de sucessos como “O Economista Disfarçado” regressa com um livro sobre as virtualidades do chamado caos criativo. A história inicial, em que relata como Keith Jarret quase esteve para não realizar um concerto que ficaria célebre, em Colónia, nos anos 70, por considerar que o piano que lhe colocaram à disposição não tinha as condições técnicas mínimas, é deliciosa.

Por hoje é tudo, tenha um excelente 24 de abril e não esqueça que amanhã é feriado e assinala-se a liberdade.

Viva o 25 de Abril.

PARTILHAR

Author: verified_user

0 comentários: